quinta-feira, 14 de abril de 2011

Depois de nove meses em alta, vendas no varejo caem 0,4%

Autor(es): Juliana Cardoso | De São Paulo
Valor Econômico - 13/04/2011


As vendas no varejo brasileiro apresentaram queda de 0,4% em fevereiro, com ajuste sazonal, interrompendo trajetória de nove meses de taxas positivas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, o setor havia registrado crescimento de 1,1%. Na comparação com fevereiro de 2010, o volume de vendas teve alta de 8,2%. Nos 12 meses fechados em fevereiro, as vendas cresceram 10,4%.
O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou estabilidade nas vendas e na receita nominal entre janeiro e fevereiro, com ajuste sazonal. Em relação ao segundo mês de 2010, as vendas aumentaram 14,5%, e a receita nominal, 17,2%.
Apenas três das dez atividades investigadas tiveram expansão nas vendas entre janeiro e fevereiro - tecidos, vestuário e calçados (1,4%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%) e combustíveis e lubrificantes (0,1%). No mesmo período, houve queda nos segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) e veículos e motos, partes e peças (-1,1%).
Em relação a fevereiro de 2010, porém, as vendas cresceram em todas as atividades, com destaque para móveis e eletrodomésticos - acréscimo de 20,5% e principal impacto na formação da taxa do varejo (42%). "Esse resultado reflete as condições favoráveis de crédito, a manutenção do crescimento do emprego e do rendimento e a estabilidade de preços, principalmente em relação aos eletrodomésticos", informou o IBGE. Quanto à receita nominal, houve estabilidade na passagem de janeiro para fevereiro, mas elevação de 13% no comparativo com o segundo mês de 2010.

Consumo tem leve queda em fevereiro

Autor(es): Fábio Monteiro
Correio Braziliense - 13/04/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/13/consumo-tem-leve-queda-em-fevereiro
 

Segundo IBGE, vendas diminuem 0,4%, mas analistas ressaltam que período avaliado ainda é curto para garantir reversão de tendência

As diversas medidas adotadas pelo governo para tentar reduzir o consumo dos brasileiros podem estar começando a apresentar resultados. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor varejista apresentou recuo de 0,4% em fevereiro, ante crescimento de 1,1% em janeiro. A queda no indicador interrompeu uma série de nove altas seguidas. Mas, na avaliação de analistas, ainda é impossível afirmar que a intenção de compras das pessoas vai ceder nos próximos meses.
“Um único mês é um período muito curto para definir se vamos entrar em uma época de redução de consumo”, explicou Elson Teles, economista-chefe da consultoria de investimentos Máxima. Em fevereiro, sete dos 10 indicadores apresentaram recuo. As principais baixas ficaram por conta dos móveis e eletrodomésticos (-2,8%), materiais de construção (-1,5%), veículos e motos (-1,1%) e produtos alimentícios (-0,6%).
Especialistas aguardavam que a procura estivesse um pouco mais aquecida que os números revelados pelo IBGE. “O resultado foi um pouco abaixo do que o mercado estava esperando. Podemos dizer que foi bom para o governo, que dava indícios de aguardar essa redução”, disse Teles. Apesar da leve queda, o indicador apresenta alta de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2010. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento chega a 10,4%, o que mostra que ainda há uma forte atividade do varejo nacional.
Enquanto governo e analistas divergem sobre o comportamento da economia brasileira, o consumidor tem procurado evitar gastos supérfluos. É o caso da estudante Ana Alécia da Luz, 25 anos, que disse ter realizado fortes contenções nos gastos pessoais. “Comprei apenas coisas indispensáveis em fevereiro. Até pensei em adquirir alguns eletrodomésticos, mas resolvi adiar um pouco”, contou.
Apesar de terem trazido alguma ansiedade aos consumidores,  a elevação de preços e a piora das condições de pagamento ainda não afastam clientes. “No início do ano, apesar dos saldões, já temos muitas contas a pagar. Mas agora já começa a valer a pena de novo. Acho que ainda estamos habituados a consumir como no ano passado”, disse a estudante.
A professora Maria da Paz, 64 anos, refez a lista de supermercado e deixou de lado supérfluos, como chocolate. “Acabo levando só o indispensável. Não dá mais para comprar coisas sem necessidade. Não cabe no orçamento”, disse. Até a carne bovina tem entrado na contenção de gastos.
“Não tenho coragem de pagar R$ 28 em uma peça pequena de picanha. Tivemos que abrir mão.”
As compras de mês da dona de casa Suzana Rollin, 50 anos, também foram reduzidas. “Sempre levava algum doce, mas não dá mais. Está tudo muito caro”, queixou-se. Ela reclama, principalmente, da elevação de itens básicos, como arroz e feijão. “Às vezes, encontramos algo na promoção que até vale a pena levar, mas, no geral, está tudo muito salgado. A solução é fazer cortes.”
Inflação camuflada
Apesar da aparente redução no ritmo das vendas no varejo em fevereiro, os empresários não têm do que reclamar. As variações ainda não representaram perdas para seus negócios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados de receita nominal do setor permaneceram estáveis no começo do ano, indicando que, apesar de venderem menos, a média de faturamento foi idêntica ao mês anterior, graças aos preços mais altos.

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