Mostrando postagens com marcador importações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador importações. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Câmara desobriga fabricação nacional de produtos veterinários


Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) daCâmara dos Deputados aprovou ontem (21/08/12), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7827/10, do Senado Federal, que acaba com a obrigatoriedade de fabricação integral no País dos produtos de uso veterinário importados.
Atualmente, o Decreto-Lei 467/69 obriga o importador a produzir internamente esses produtos após um prazo de três anos, contados da licença para sua comercialização, exceto quando se comprove a impossibilidade de fabricação nacional.

O texto seguirá agora para sanção presidencial, exceto se houver recurso para que seja analisado pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta estabelece ainda validade de dez anos para a licença de comercialização dos produtos importados. Hoje, esse prazo já é válido para a produção brasileira.

O relator na CCJ, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), defendeu a constitucionalidade do projeto, que já havia sido aprovado pelaComissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

Leia a íntegra da proposta: PL-7827/2010.

FONTE

Agência Câmara

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Brasil importa 92% mais soja em grão em 2012, até julho

Data: 14/08/2012
Veículo: INDÚSTRIA & COMÉRCIO - PR
Editoria: BRASIL
Assunto principal: CONAB
Tamanho
da fonte
A - A +

http://www.linearclipping.com.br/conab/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=26&codnot=3836584

A estimativa da Companhia Brasileira de Abastecimento (CONAB) é que a importação de 50 mil toneladas de soja na safra 2011/2012 As importações brasileiras de soja em grão no acumulado dos primeiros sete meses deste ano somaram 32,1 mil toneladas, volume 92% acima das 16,8 mil toneladas importadas em igual período de 2011.
O volume é 39% inferior à média dos últimos cinco anos e irrisório se comparado ao déficit no abastecimento da indústria provocado pela forte de quebra de 8,9 milhões de toneladas (11%) na safra brasileira.
As importações tiveram aumento acentuado no mês passado e atingiram 14,4 mil toneladas, das quais 14,3 mil toneladas de soja paraguaia e outras 102 toneladas da Argentina. No acumulado de janeiro a julho as compras no Paraguai somam 32,1 mil toneladas e na Argentina 225 toneladas.
A estimativa da Companhia Brasileira de Abastecimento (CONAB) é que a importação de 50 mil toneladas de soja na safra 2011/2012.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Participação de importados no consumo chega a 24% no segundo tri, diz Fiesp

De acordo com a instituição, o patamar se iguala ao alcançado no último trimestre de 2011, mas cresceu 1,5 ponto percentual ante 1º tri de 2012

13 de agosto de 2012 | 17h 02
Beatriz Bulla, da Agência Estado
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,participacao-de-importados-no-consumo-chega-a-24-no-segundo-tri-diz-fiesp,122953,0.htm

SÃO PAULO - A participação de produtos importados no consumo nacional chegou a 24% no encerramento do segundo trimestre de 2012, em nível recorde da série histórica, que começou em 2003. A informação consta dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) calculados trimestralmente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e divulgados hoje. De acordo com a instituição, o patamar se iguala ao alcançado no último trimestre de 2011, quando também atingiu 24%.
O indicador cresceu 1,5 ponto porcentual na comparação com o primeiro trimestre também de 2012 e 1,2 ponto porcentual ante o segundo trimestre de 2011. "O aumento consistente das importações ocorre tanto em bens finais quanto em insumos, enfraquecendo a agregação de valor na indústria", disse em nota distribuída à imprensa o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Roberto Giannetti.
Para a indústria de transformação, o Coeficiente de Importação (CI) subiu 1,1 ponto porcentual no segundo semestre deste ano ante mesmo período de 2011, de 21,5% para 22,6%. O resultado do segundo trimestre de 2012 foi 1 ponto porcentual maior do que o registrado nos três primeiros meses do ano.
Exportação
O Coeficiente de Exportação (CE) saiu de 19,9% no segundo trimestre de 2011 para 20,5% no mesmo período de 2012 para a indústria geral. Para a indústria de transformação, o CE subiu 0,7 ponto porcentual e chegou a 17,7% no segundo trimestre deste ano.
De acordo com Giannetti, com a retração na produção industrial, a fatia de exportados no consumo interno ficou maior, mas a quantidade exportada não cresceu. "Apesar do acréscimo na parcela exportada da produção industrial no segundo trimestre, houve queda da quantidade exportada", afirmou. A produção industrial, de acordo com o Derex, caiu 3,8% no primeiro semestre deste ano ante igual período de 2011.
Setores
O Coeficiente de Importação cresceu em 21 dos 33 setores analisados pela Fiesp. Entre eles, a entidade destaca a participação dos importados no setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, que passou de 46,1% no segundo trimestre de 2011 para 54% no mesmo período deste ano.
Entre os setores em que a participação dos importados diminuiu, o destaque ficou por conta das peças e acessórios para veículos automotores que caiu 2,7 pontos porcentuais no segundo semestre deste ano ante mesmo período de 2011, e saiu de 12,5% para 9,8%. A Fiesp informou que o Coeficiente de Importação do setor de autopeças apresentou pela segunda vez no ano redução na comparação dos trimestres de 2012 com 2011. "Isto pode ser um sinal positivo de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor - que exige 65% de conteúdo regional nos veículos para evitar majoração da alíquota do IPI -, concedido pelo governo no final de 2011, esteja produzindo efeito", afirmou o diretor do Derex.
Com relação ao coeficiente de exportação, 12 setores apresentaram alta e 21 setores registraram queda. Os setores de ferro-gusa e ferroligas e de aeronaves elevaram em 14,6 e 10,8 pontos porcentuais, respectivamente, o Coeficiente de Exportação no segundo trimestre de 2012 ante mesmo período de 2011, chegando a 57,7% e 47,7%, respectivamente. Entre as quedas no CE, na mesma base de comparação, o setor de Outros Equipamentos de Transporte - que engloba embarcações, veículos ferroviários, motocicletas, motociclos, carrocerias e reboques - caiu 24,2 pontos porcentuais e chegou a 7%.

domingo, 12 de agosto de 2012

Indústria brasileira perde espaço na Petrobras


AE - Agencia Estado
12 de agosto de 2012 | 8h 09
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,industria-brasileira-perde-espaco-na-petrobras,122833,0.htm


SÃO PAULO - A participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos nos projetos da Petrobras encolheu nos últimos anos, apesar da política de conteúdo local adotada pelo governo federal. Enquanto o volume de investimentos da companhia cresceu mais de seis vezes entre 2003 e 2011, a fatia dos fornecedores nacionais caiu de 24% para 17%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em 2005, a indústria conseguiu sua melhor participação nos investimentos da companhia, de 35%. De lá pra cá, não conseguiu repetir o resultado e recuou. "Nos últimos meses, tivemos de demitir mais de dois mil funcionários por falta de novas encomendas. O crescimento do setor não acompanhou a Petrobras", destaca o vice-presidente da Abimaq, José Velloso, que garante que a indústria nacional tem capacidade para atender a demanda.
Nos projetos de exploração e produção leiloados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), há penalidades para quem não cumprir as exigências de conteúdo local, que variam de 55% a 65%. Mas nas demais áreas, como refino, não há regras. Desde que assumiu o comando da Petrobras, em fevereiro, Maria das Graças Foster - mentora intelectual das cláusulas de conteúdo local no País - tem tentado impor regras internas de conteúdo local para todos os projetos da estatal. Mas o assessor da presidente para o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) e Conteúdo Local, Paulo Alonso, diz que a medida não é imediata já que depende de uma cadeia mais forte de fornecedores.
Na últimas fiscalizações da ANP, a estatal foi uma das dez empresas multadas por descumprir as regras de conteúdo local na fase de exploração dos contratos da quinta e sexta rodadas de licitações dos blocos de petróleo. As multas aplicadas a todas as empresas somaram R$ 25 milhões.


Fatores de prejuízo não devem se repetir, diz Petrobras

06 de agosto de 2012 
http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios+geral,fatores-de-prejuizo-nao-devem-se-repetir-diz-petrobras,122056,0.htm
ANDRÉ MAGNABOSCO - Agencia Estado

SÃO PAULO - A apresentação da Petrobras em teleconferência com analistas e investidores destaca que os fatores que levaram a companhia a apresentar um prejuízo de R$ 1,346 bilhão no segundo trimestre deste ano não devem se repetir nos próximos trimestres.

Entre os fatores citados pela estatal como razão para o prejuízo trimestral, o primeiro em 13 anos, estão: desvalorização cambial, defasagem de preços dos derivados vendidos no Brasil, queda na produção e elevação dos custos de extração, baixas de poços secos/subcomerciais devido a atividades exploratórias e maiores importações de gás natural liquefeito (GNL). "É menos provável que tais fatores se repitam em conjunto e com a mesma intensidade nos trimestres seguintes", destacou a companhia.
A companhia destacou que o câmbio médio ficou em R$ 1,96 no segundo trimestre, ante R$ 1,77 do primeiro trimestre de 2012 e de R$ 1,60 no segundo trimestre do ano passado. "A desvalorização média do real ao longo do segundo trimestre afetou negativamente os principais itens de custo da companhia", destacou a companhia, em referência à extração de petróleo e participações governamentais, importação de petróleo, derivados, GNL e logística de derivados.
Além disso, a forte elevação do dólar no final do trimestre contribuiu para que o resultado financeiro da estatal ficasse negativo em R$ 6,4 bilhões no trimestre, devido ao impacto cambial nas dívidas denominadas em dólar.
A companhia também destacou que a formação dos estoques vendidos no segundo trimestre ocorreu no período de maior defasagem de preços entre os valores internacionais e os preços praticados pela Petrobras nos combustíveis no mercado doméstico.
A produção da estatal no trimestre também ficou abaixo do que os números do mesmo período de 2011 e dos três primeiros meses deste ano. O custo de extração, por outro lado, fez o caminho inverso e apresentou elevação em ambas as comparações.
Ao longo do segundo trimestre, a Petrobras também deu baixa em 41 poços, o que representa um impacto adicional na conta de despesas da estatal. O número correspondeu a um efeito negativo de R$ 2,7 bilhões no resultado da estatal, ante baixas de R$ 536 milhões no primeiro trimestre deste ano e de R$ 615 milhões no segundo trimestre do ano passado.
Melhor cenário - A companhia também fez questão de destacar que a maior parte dessas situações não deve se repetir nos próximos trimestres. O efeito cambial, destacou a Petrobras, deve ser minimizado pela "relativa estabilidade da cotação do dólar". Já no caso do spread entre os preços dos combustíveis comprados no exterior e revendidos no mercado interno, houve uma redução da diferença já a partir do final do segundo trimestre.
A produção nacional deve crescer a partir do segundo semestre, com a entrada em operação de dois novos sistemas: FPSO (navio-plataforma) Cidade de Anchieta (Baleia Azul), com capacidade de 100 mil barris por dia (bpd), e o FPSO Cidade de Itajaí (Baúna e Piracaba), com capacidade de 80 mil bpd. Os equipamentos entram em operação em agosto e outubro, respectivamente.
No caso do custo de extração, a companhia destacou que a alta registrada no segundo trimestre decorre da elevação de atividades e dispêndios do Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Unidade de Operações da Bacia de Campos (Proef). A recuperação da eficiência operacional na Bacia de Campos deve ocorrer a partir do quarto trimestre deste ano. Além disso, os gastos com a participação governamental nos custos deve cair devido à "menor produção de blocos que pagam maiores alíquotas de participações especiais", destacou a estatal.
O maior resultado de baixas de poços, segundo a estatal, tem origem nas atividades em novas fronteiras, as quais implicam em Índice de Sucesso menor do que o alcançado com o pré-sal nos últimos anos, além de maiores custos de logística e, consequentemente, maior lançamento de custos associados à baixa de poços secos/subcomerciais. Do resultado de R$ 2,7 bilhões com baixas, R$ 1,5 bilhão tem origem em cinco poços nas regiões de Foz do Amazonas, Potiguar, Sergipe e Santos.
A baixa de 41 poços teve origem em 21 poços secos, 8 subcomerciais, 9 projetos cancelados, 2 abandonados e 1 acidente mecânico, conforme destacado pela estatal.

domingo, 3 de junho de 2012

Mercado interno para quem?


Aumentar / diminuir a letra Diminuir / Aumentar a letra

"34% do incremento da demanda agregada no Brasil foi atendido por importações nos anos de 2010 e 2011", constataLuiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, e Nelson Marconi, professor de Economia da EESP-FGV e bolsista do Ipea, em artigo publicado no jornal Valor, 29-05-2012.

Os economistas propõem "uma estratégia que garanta o crescimento do mercado interno e dos salários de 5% a 6% ao ano ao invés de a 3% como voltou a acontecer depois do boom das commodities. O limite desse crescimento é o do crescimento das exportações".
Segundo eles, "alcançar esse crescimento graças aos preços das commodities não é mais realista; tentar transformar o Brasil em uma grande fazenda é uma loucura. Felizmente, a presidente Dilma Rousseff parece ter entendido isto e está gradualmente tirando a economia brasileira da armadilha dos juros altos e do câmbio sobreapreciado".
Eis o artigo.
O mercado interno é o maior ativo que a economia de um país pode possuir; sua magnitude é definida por seu Produto Interno Bruto (PIB), pela soma dos salários, dos lucros e das rendas do capital. Foi buscando aproveitar esse mercado que os desenvolvimentistas brasileiros defenderam nos anos 1950 o modelo de industrialização por substituição de importações. Foi procurando ampliar esse mercado interno que, a partir do fim dos anos 1960, esses mesmos economistas, vendo que o processo de substituição de importações se esgotara, apoiaram o exitoso processo de ampliação das exportações de manufaturados que, concomitantemente, aumentou o mercado interno. Hoje, depois de muitos anos de baixas taxas de crescimento e de queda da participação dos manufaturados nas exportações totais, coloca-se novamente o problema do aproveitamento e da ampliação do mercado interno.

No mundo atual, as economias são muito mais abertas que no passado; competir em pé de igualdade pelos mercados de manufaturados (leia-se bens com maior valor adicionado e que incorporam e disseminam maior progresso técnico para o restante da economia) é necessário para o aumento da produtividade e o alcançamento de taxas mais elevadas de desenvolvimento econômico. Dado que não faz sentido voltar a reduzir o coeficiente de importações, o desenvolvimento econômico brasileiro será limitado pela taxa de crescimento das exportações.

Entretanto, uma parcela dos economistas brasileiros defende uma estratégia de crescimento wage-led, baseada no aumento dos salários. Preferem conviver com a sobreapreciação cambial existente, porque o custo de se colocar a taxa de câmbio no nível de equilíbrio (a do equilíbrio industrial, que torna competitivas as empresas industriais eficientes) implicará alguma redução dos salários reais e em aumento da inflação (ambos temporários). No fundo, querem voltar ao modelo de substituição de importações, mas não propõem as altas taxas aduaneiras que seriam necessárias para voltar a uma estratégia desse tipo, incompatível com o estágio de desenvolvimento do Brasil.

A estratégia de desenvolvimento não deve ser export-led ou wage-led, mas growth-led; deve propiciar oportunidades de investimento lucrativas para os empresários que garantam uma taxa de crescimento satisfatório. Se o patamar de crescimento é insatisfatória, como acontece agora, este fato é causado principalmente por uma taxa de câmbio apreciada e uma taxa de juros alta em termos reais, que resultam em baixas oportunidades de investimento lucrativos para as empresas industriais - justamente aquelas que proporcionam maior valor adicionado per capita.

Como, a partir de 2004, a economia brasileira pareceu haver retomado o crescimento baseado em uma estratégia do tipowage-led - baseada no aumento real do salário mínimo, na Bolsa Família e no crédito consignado, enquanto a taxa de câmbio se apreciava fortemente - surgiu a tese de que seria possível para a economia brasileira crescer a partir da expansão do consumo no mercado interno, não havendo necessidade de se depreciar a taxa de câmbio.

Aquele crescimento, porém, só foi possível porque uma economia mundial aquecida antes da crise elevou os preços de nossos produtos exportados, principalmente das commodities (160% entre 2002 e 2008, enquanto os preços das exportações de manufaturados cresceram 53% no mesmo período), fato que possibilitou à economia brasileira financiar o aumento das importações decorrente desta estratégia sem gerar um desequilíbrio significativo no saldo em transações correntes.

Mas a continuidade desse modelo é inviável, primeiro, porque o cenário externo não permite continuar a contar com o aumento do preço das commodities, e, segundo, porque o câmbio sobreapreciado faz com que o mercado interno seja suprido por importações: com uma pequena defasagem esse mercado interno foi entregue de graça aos exportadores de outros países, principalmente aos chineses, e a indústria brasileira entrou em crise. As exportações de manufaturados, calculadas em quantum, estão em declínio desde 2007, sendo que em 2011 foram 15% inferiores às daquele ano, enquanto o quantum das importações de manufaturados aumentou 59% no mesmo período.

Os dados das Contas Trimestrais a preços constantes mostram que, em média, 34% do incremento da demanda agregada no país foi atendido por importações nos anos de 2010 e 2011, enquanto esse percentual foi de cerca 10% entre 2000 e 2005. Não é a magnitude deste percentual que impressiona, mas a velocidade da elevação das importações nos últimos anos. Enquanto a produção industrial encontra-se praticamente no mesmo patamar que vigorava antes dos reflexos mais significativos da crise no Brasil (a média de 2011 foi 2,7% superior à média de 2008), o volume de vendas do comércio varejista foi 25,3% superior na mesma base de comparação. Graças ao último aumento do salário mínimo, o mercado interno brasileiro continua grande, mas não está dando emprego para brasileiros, e sim aos exportadores de manufaturados para o Brasil.

Não se trata, portanto, de adotar uma estratégia "export-led" ao invés de "wage-led". Trata-se de defender uma estratégia "growth-led", uma estratégia que garanta o crescimento do mercado interno e dos salários de 5% a 6% ao ano ao invés de a 3% como voltou a acontecer depois do boom das commodities. O limite desse crescimento é o do crescimento das exportações. Alcançar esse crescimento graças aos preços das commodities não é mais realista; tentar transformar o Brasil em uma grande fazenda é uma loucura. Felizmente, a presidente Dilma Rousseff parece ter entendido isto e está gradualmente tirando a economia brasileira da armadilha dos juros altos e do câmbio sobreapreciado.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Exportação de trigo do país segue firme


Autor(es): Por Fabiana Batista | De São Paulo
Valor Econômico - 16/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/16/exportacao-de-trigo-do-pais-segue-firme

Um dos maiores importadores mundiais de trigo, o Brasil está se consolidando também como exportador do cereal. Pela terceira safra consecutiva, o país está embarcando ao exterior mais de 1 milhão de toneladas, ocupando a décima posição entre os maiores exportadores globais. O movimento tem relação direta com os subsídios concedidos pelo governo federal para a comercialização do produto.
No ano-safra que começou em agosto de 2011, o país embarcou ao exterior 1,083 milhão de toneladas do cereal, sobretudo, para o Oriente Médio e nordeste da África, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela consultoria Safras & Mercado. No mesmo período do ciclo passado, o Brasil exportou mais, cerca de 1,8 milhão de toneladas. A queda se justifica pelo fato de a Rússia, um tradicional exportador, ter voltado mais agressivamente ao mercado internacional, explica o analista da Safras & Mercado, Michael Prudêncio.
A maior parte desse volume foi embarcada com apoio dos leilões públicos, diz ele. Na safra atual, a 2011/12, o governo brasileiro ajudou na comercialização de 2,134 milhões de toneladas do cereal com a quantia de R$ 200 milhões. Segundo levantamento da Safras, essa ajuda, na média, significou um subsídio ao preço do cereal de R$ 94 por tonelada - equivalente a cerca de 20% dos preços atuais do trigo, por exemplo, no Paraná.
Prudêncio acredita que ainda há espaço para o país embarcar mais trigo até o fim da safra, em julho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que o Brasil exportará 2 milhões de toneladas do cereal nesta temporada 2011/12, mantendo sua posição entre os maiores vendedores globais. "Não acredito que atingirá 2 milhões, mas deve ficar próximo disso", afirma Prudêncio.
Na safra 2010/11, o Brasil embarcou 2,5 milhões de toneladas de trigo, um recorde, segundo dados do USDA. Naquele momento, lembra o analista da Safras, a Rússia e os países que integram as ex-repúblicas socialistas soviéticas tinham amargado uma forte quebra de colheita e reduziram drasticamente suas exportações, abrindo espaço para o Brasil. "O trigo brasileiro tem semelhanças com o da Rússia e, por isso o Brasil conquistou alguns mercados russos, como a África e o Oriente Médio", diz Prudêncio. Juntas, Rússia e ex-repúblicas socialistas soviéticas ocupam a terceira posição entre os maiores exportadores, atrás de Estados Unidos e Austrália.
O Brasil consome aproximadamente 11 milhões de toneladas de trigo, produz em torno de 5 milhões de toneladas e precisa importar o restante. Mas o tipo de cereal produzido em algumas regiões do país, como no Rio Grande do Sul, tem baixa procura pelos moinhos brasileiros, que buscam um cereal com especificações para fabricar a farinha de panificação.
Segundo dados da Safras, o país importou entre agosto do ano passado e março deste ano 3,7 milhões de toneladas do cereal, sendo 2,9 milhões de toneladas da Argentina. O volume é 4% menor do que os 3,8 milhões de toneladas de igual intervalo do ciclo passado. "O que ocorre é que os preços do cereal no Mercosul estavam muito elevados. Mais recentemente baixaram. Com isso, as importações voltaram a se aquecer", diz Prudêncio. Somente no mês de março, diz ele, as importações atingiram 622 mil toneladas, 33% maiores do que em março de 2011.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Milho transgênico já tem mais ganhos do que a soja no Brasil


BIOTECNOLOGIA
12/04/2012 | 08h42

Consultoria aponta os benefícios econômicos com sementes modificadas


Foto: Lenara Londero / Canal Rural
Maiores benefícios econômicos do uso de variedades geneticamente modificadas já são obtidos no cultivo de milho
Os maiores benefícios econômicos do uso de variedades geneticamente modificadas já são obtidos no cultivo de milho, não mais da soja. Atualmente, o milho responde por 49% do total, ante 32% do ano passado, enquanto a soja encolheu de 65% para 47% dos ganhos.
Estudo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) realizado pela Céleres Consultoria destaca os benefícios econômicos da aplicação de biotecnologia.
Para Anderson Galvão, da Céleres, o produtor que planta transgênico tem recebido “benefícios significativos”. Na soja, a cada R$ 1 gasto, o retorno é de R$ 1,59. No milho, é de R$ 2,61 e no algodão, de R$ 3,59.
– Esses números de retorno justificam o crescimento da adoção da biotecnologia – afirma Galvão.
Segundo o pesquisador, enquanto a soja levou 12 a 14 anos para chegar a 80% de inserção no mercado, o milho alcançou o mesmo patamar em quatro safras. Isso tem a ver com o retorno econômico e com o comportamento do produtor.
O Rio Grande do Sul é tradicional líder no uso de soja transgênica. A aposta no milho, porém, ainda encontra resistências. De acordo com Narciso Barison Neto, presidente da Abrasem, há espaço para crescimento, já que a média de produtividade do milho transgênico gaúcho está abaixo dos outros Estados:
– Consumimos mais milho do que produzimos, e temos de importar o grão. Se tivermos políticas públicas que incentivem a produção desse tipo de milho, é possível que o Estado se tornasse um exportador – avalia Barison.
A pesquisa estima que, 15 anos depois da introdução da biotecnologia agrícola no Brasil, os benefícios econômicos obtidos pelos produtores rurais usuários e pela indústria detentora da tecnologia alcançam US$ 11,9 bilhões.
O estudo aponta ainda uma redução de impactos ambientais, como economia de 21,2 bilhões de litros de água, menor consumo de óleo diesel e redução na emissão de gás carbônico.