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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Femsa planeja investir R$ 250 milhões para elevar produção no país

Femsa planeja investir R$ 250 milhões para elevar produção no país

Autor(es): César Felício | De Belo Horizonte
Valor Econômico - 05/05/2011
 

A Coca-Cola Femsa anunciou ontem um investimento de R$ 250 milhões para ampliar a sua capacidade de produção no Brasil de 6 bilhões para 6,7 bilhões de litros até 2015. A empresa vai transformar a sua atual fábrica em Belo Horizonte, que produz 1,4 bilhão de litros, em um centro de distribuição e logística e construir uma outra unidade em Minas Gerais que produzirá 2,1 bilhões de litros. Segundo o diretor de operações da empresa no Brasil, Ricardo Botelho, o local da nova fábrica deve ser anunciado dentro de dois meses.
A empresa examinou 40 municípios em Minas Gerais para construir a nova unidade, que ocupará uma área de 300 mil metros quadrados. A Femsa não engarrafa Coca-Cola em todo o Estado: as regiões do Triângulo e do sul de Minas, que são as de maior poder aquisitivo depois da região metropolitana, são atendidas por outras engarrafadoras. A Femsa também abastece Mato Grosso do Sul, São Paulo e parte do Rio de Janeiro.
A fábrica de Belo Horizonte foi construída em 1971 e havia sido ampliada em 20% no ano passado com a abertura de mais uma linha de produção, em um investimento que consumiu R$ 35 milhões. Ainda assim, não tornou o mercado mineiro autossuficiente, fazendo com que a empresa tivesse que direcionar parte de sua produção da fábrica de Jundiaí (SP), com capacidade de 4 bilhões de litros anuais, para atender o estado vizinho. "O investimento em Minas é o maior que estamos fazendo em produção", afirmou Botelho. A unidade irá produzir exclusivamente bebidas carbonatadas.
Mesmo com uma tendência de queda nas vendas de refrigerantes no Brasil, a Coca Cola Femsa ainda mostrou crescimento no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados da matriz da franqueada, no México, as vendas da Coca Cola Femsa foram de 25,826 bilhões de pesos mexicanos, um aumento de 9,5% em relação ao mesmo período no ano passado, em um cálculo que inclui bebidas carbonatadas, águas e sucos. O crescimento na produção foi de apenas 2,6%.
Na divisão Mercosul, que agrega Brasil e Argentina, o crescimento de receita foi de 18,2%, atingindo 9,345 bilhões de pesos mexicanos, com um crescimento de 6% no volume de vendas, levando-se em conta exclusivamente refrigerantes. Pelo câmbio brasileiro, é o equivalente a R$ 1,28 bilhão. Em receita, a divisão Mercosul foi a maior alta regional de vendas da Coca Cola Femsa. Segundo o texto do balanço da empresa divulgado para o mercado do México, o aumento de preços na linha de produtos justificou a maior parte deste crescimento.
Em volume, o maior crescimento aconteceu no próprio México, em que houve alta de 9,7% na produção. No sistema Coca Cola do Brasil, que inclui além da Femsa outras quinze engarrafadoras, o crescimento no primeiro trimestre foi de 2% no volume de vendas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

México divide atenções com o Brasil

México rivaliza com Brasil por capitais
Autor(es): Lucinda Pinto | De São Paulo
Valor Econômico - 03/05/2011
 

Nos últimos meses, o México passou a ocupar a posição do Brasil entre os emergentes que mais despertam a curiosidade dos investidores. Atraído pela perspectiva de crescimento do país, o mercado voltou a atenção para essa economia, que enfrenta pressão para elevar os juros e esfriar a atividade. Além disso, tem baixo e equilibrado nível de endividamento público e não recorreu a instrumentos heterodoxos para controlar o câmbio.


Com a missão de apresentar os cenários econômicos e boas oportunidades de investimento nos países da América Latina, o estrategista do Goldman Sachs, Alberto Ramos, visitou o Japão duas vezes este ano. E, diferentemente do que aconteceu em encontros anteriores, o México, e não o Brasil, foi o foco da curiosidade dos investidores. Atraído pela perspectiva de crescimento do país, na onda de recuperação dos Estados Unidos, o mercado voltou a atenção para essa economia. E o que os investidores japoneses - aqueles que alimentam boa parte do fluxo mundial de aplicações - ouviram de Ramos agradou: o país é o único da região a não sofrer pressões inflacionárias e nem de alta de juros; não recorreu a instrumentos heterodoxos para conter a valorização cambial e convive com um endividamento público baixo e bem gerido, na casa dos 22% do PIB.
"Embora o Brasil ainda desperte o interesse do universo, o México passou a crescer em termos relativos", afirmou Ramos.
A expansão dos investimentos globais em portfólio no México foi claro em 2010. Segundo dados do Goldman Sachs, o volume foi de US$ 23,8 bilhões - incluindo ações e papéis de dívida -, ante US$ 7,6 bilhões em 2009. Também o Investimento Estrangeiro Direto avançou US$ 15,2 bilhões para US$ 17,7 bilhões no mesmo período.
Nos primeiros meses de 2011, a avaliação dos especialistas é de que o ingresso de capital externo no México ganhou impulso. Além dos fatores locais, as políticas cambial e monetária do Brasil - que acaba sendo visto como uma referência - contribuíram para isso. Enquanto o Brasil taxou o capital estrangeiro com IOF algumas vezes desde o final de 2010 e mantém no ar, até hoje, a ameaça de novas medidas de controle de capitais, o México permitiu que o peso flutuasse livremente. "É uma política cambial previsível, diferente da do Brasil", explica. "O BC mexicano entende que a queda do dólar decorre de uma força global, que acaba até contribuindo para manter o juro baixo."
Outro ponto em que o México parece ganhar pontos em relação ao Brasil é na condução da política monetária no início deste ano. Enquanto o México deve ter uma inflação entre 3,5% e 3,8%, em linha com a meta de inflação do país, de 3%, com margem de 1 ponto para cima ou para baixo, o Brasil convive com um processo de deterioração das expectativas inflacionárias. Isso porque o mercado colocou em dúvida a disposição da autoridade monetária em subir a taxa Selic para conter pressões de inflação, ao optar por medidas macroprudenciais. "Embora o universo ainda mantenha interesse pelo Brasil, é fato que, em termos relativos, o entusiasmo foi moderado", diz Ramos.
Essas incertezas levaram o fundo dedicado a mercados emergentes da Tandem Partners, que administra cerca de US$ 200 milhões, a zerar a posição em Brasil, tanto em renda fixa quanto em moedas, no início de março deste ano. Ao mesmo tempo, o fundo ampliou a participação do México em sua carteira. "Vimos oportunidades no México, onde a curva de juros prevê um aperto monetário mais intenso do que acreditamos que acontecerá", explica o coordenador de estudos dos mercados emergentes da Tandem Global Partners, Paulo Viera da Cunha. "Acredito que a situação de inflação está melhor ancorada no México do que no Brasil", explica Vieira da Cunha.
O cenário fiscal mexicano é outro fator favorável neste momento. A dívida pública representa cerca de 22% do PIB, muito menor do que a do Brasil, de 45%. Além disso, os prazos desse endividamento têm sido alongados. Em outubro de 2010, por exemplo, o México conseguiu emitir um bônus soberano de US$ 1 bilhão com vencimento em 100 anos. O retorno do investidor pago na operação ficou em 6,1% ao ano, considerado baixo, o que refletiu o apetite do investidor pelo risco mexicano.
Vieira da Cunha explica que esse quadro não significa que o país não enfrente dificuldades nessa área. Ao contrário, o México tem hoje como desafio elevar sua receita tributária, avaliada em 13% do PIB (no Brasil, ela é de 36% do PIB). " Para isso tem de trabalhar para diminuir sua dependência do petróleo e, efetivamente, ampliar impostos", explica. "Mas são desafios de outra natureza, menos nocivos sobre o desempenho da atividade econômica do que os enfrentados pelo Brasil."
Ramos, do Goldman Sachs, observa ainda que o México é uma economia estritamente relacionada com os Estados Unidos, para onde vão cerca de 80% das exportações mexicanas. Mas, diz ele, há um crescimento de setores domésticos, como o de construção civil, que têm contribuído para a previsão de crescimento econômico sólido do país.
"Começa a haver uma discussão sobre Brasil versus México. O mercado mexicano perdeu espaço por muito tempo e agora há expectativa de forte crescimento da economia, enquanto começa haver preocupação com a apreciação do real", explicou Roberto Barbuti, diretor-executivo que chefia a área de ações do Santander Brasil, em recente entrevista concedida ao Valor. "Mas o peso para Brasil continua preponderante."
A aposta mais firme do mercado no México se reflete no CDS (Credit Default Swap), espécie de seguro contra eventual calote da dívida, cujo preço caiu de 127 pontos base ao final de novembro de 2010 para 99 pontos no final da semana passada. Nesse período, o CDS do Brasil saiu de 100 pontos base para 108 pontos.
Já o chefe de economia e estratégia para a América Latina do Bank of America Merrill Lynch, David Beker, alerta para o risco de haver uma "piora na margem" no desempenho mexicano, diante da recente revisão para o crescimento da economia americana. Ele diz que a projeção do banco era de uma expansão de 3,4% do PIB americano em 2011 e, agora, reduziu para 2,5%. "Para o México, mantivemos nossa projeção de 4%, mas passa a haver um risco", afirma. Ainda que o economista concorde que o cenário de inflação no México, que não sofre com pressões de preços de alimentos como o Brasil, seja mais confortável, Beker diz que a oportunidade de investimento mexicano pode ter passado. "A bolsa, por exemplo, teve um desempenho muito superior que o da bolsa brasileira, o que pode significar que o fluxo que vier agora chegue um pouco tarde", diz. Outro fator de dúvidas, diz ele, são as eleições locais, previstas para julho.

sábado, 30 de abril de 2011

Acordo entre andinos e México cria mercado maior que o do Brasil

Valor Econômico - 29/04/2011
 

Presidentes do Peru, Colômbia, Chile e México assinaram ontem um acordo para ampliar a integração de suas economias. O ato ocorreu em Lima, no Peru, e foi descrito pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, como o primeiro passo para a criação "de uma zona comercial que será a maior da América Latina". Segundo ele, o acordo vai gerar empregos, investimento e novos negócios.
A estimativa é que o fluxo de comércio entre as quatro economias poderá chegar a US$ 9 bilhões. De acordo com o governo peruano, o comércio entre os quatro países chegou a quase US$ 6 bilhões no ano passado.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que o chamado Acordo do Pacífico para a Integração Profunda criará um "mercado maior que o do Brasil".
Santos lembrou que Peru, Colômbia, Chile e México têm muitos traços em comum, tanto econômicos quanto políticos, e que uma união os tornará "mais relevantes" e mais fortes internacionalmente.
Os quatro países estão entre as economias mais abertas da região e as que adotam políticas mais pró-mercado. Seus presidentes são de centro e centro-direita - enquanto praticamente todos os demais líderes sul-americanos são mais identificados com a esquerda.
Os três países andinos que assinaram o acordo de ontem já integram o Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico, que reúne 21 nações de crescimento acelerado - entre elas a China.
Santos diz que o novo pacto é uma "alternativa mais interessante" à Comunidade Andina das Nações (CAN), que, para ele, perdeu força com a saída da Venezuela.
O peruano Alan García afirmou que a inclusão do México fortalece o novo grupo, dada a força das empresas, da agricultura e das dimensões do país.