| Autor(es): Mansueto Almeida |
| O Estado de S. Paulo - 17/08/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/17/o-aumento-do-limite-de-endividamento-dos-estados |
Análise: Ao contrário de 2009, quando o governo federal teve sucesso em combater a desaceleração do crescimento econômico com medidas de estímulo à demanda, o mesmo receituário para combater a redução recente do crescimento econômico não funcionou da maneira esperada. Em uma situação de maior incerteza é normal que os empresários posterguem a decisão de investir e se comportem de maneira pró-cíclica, algo racional de agentes econômicos em atividades de risco. Nessas ocasiões, não adianta o governo pedir para que os empresários sejam mais ousados. Mas o governo pode ajudar a recuperação da economia com o aumento do investimento público. No entanto, aumentar o investimento público exige mais recursos, que estão em falta ante a queda recente da receita tributária. Assim, a ampliação do espaço fiscal para que 17 Estados possam contratar operações de crédito de R$ 42,2 bilhões na revisão Programa de Ajuste Fiscal (PAF) foi a única medida que restou ao governo para ajudar os Estados a ampliar o investimento. É importante destacar três pontos em relação a esse programa. Primeiro, o valor global desse programa não é pequeno. Em 2011, o investimento total de todos os Estados, no Brasil, foi de R$ 36,6 bilhões. Mesmo que apenas R$ 10,5 bilhões se transformem em aumento de investimento, nos próximos 12 meses, isso representa um crescimento de quase 30%. Segundo, Estados grandes como Rio de Janeiro e São Paulo tiveram uma receita média com operações de crédito nos últimos quatro anos inferior a R$ 1,5 bilhão. Neste ano, apenas com o Banco do Brasil, o Rio de Janeiro já teve empréstimos aprovados de mais de R$ 3 bilhões. Terceiro, da mesma forma que o governo federal, os Estados carecem de receita primária para aumentar o investimento. Em geral, o crescimento do investimento nos Estados grandes decorre de novas operações de crédito e/ou receita de privatização, como foi o caso de São Paulo, em 2009 e 2010. O crescimento do investimento nessas bases não se sustenta. É positiva a ajuda do governo federal para que os Estados possam investir mais por meio do crescimento de suas dívidas. Mas essa é uma medida temporária que levará a uma redução do superávit primário dos Estados e não é solução para a baixa capacidade de investimento do setor público no Brasil. Para um país com uma carga tributária de 36% do PIB, parece paradoxal que ainda falte receita primária para financiar o crescimento do investimento. |
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O aumento do limite de endividamento dos Estados
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Estados têm superávit fiscal maior
| Investimento cai e superávit primário sobe nos Estados |
| Valor Econômico - 17/02/2012 |
Os governadores dos principais Estados frearam os investimentos para fazer um superávit primário robusto no ano passado. Em um grupo de oito Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Pernambuco -, apenas este último elevou os investimentos em 2011, em 9,69% No primeiro ano do atual mandato dos governadores, os principais Estados frearam investimentos para fazer um superávit primário mais robusto. Em um grupo de oito Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia -, somente o governo pernambucano elevou os investimentos em 2011 - 9,69%, em relação ao ano anterior. Os demais sete Estados totalizaram R$ 17,15 bilhões em investimentos no ano passado, o que representa queda de 28,32%. Foi essa redução de investimentos que propiciou o avanço dos resultados primários dos Estados. Embora com critérios diferentes dos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), dados do Banco Central indicam que os Estados elevaram o superávit de R$ 16,96 bilhões, em 2010, para R$ 29,65 bilhões no ano passado. A economia dos governos regionais passou de 0,45% para 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar desse desempenho, a meta fixada não foi cumprida. Estados e municípios e suas estatais teriam que apresentar superávit primário de 0,95% do PIB. Em 2011, todos somados chegaram a 0,85% do PIB. O Estado de São Paulo elevou o resultado primário de R$ 5,15 bilhões para R$ 5,95 bilhões, de 2010 para 2011. Os investimentos, porém, caíram de R$ 9,94 bilhões para R$ 6,01 bilhões no período. Com a mesma tendência, o resultado primário do governo fluminense subiu de R$ 1,42 bilhão para R$ 2,6 bilhões. Os investimentos caíram, porém, quase R$ 600 milhões no período. Em Pernambuco, o cenário é diferente. O Estado aumentou o investimento em 6,3%, mas fechou 2011 com resultado primário negativo, de R$ 369,03 milhões. Apesar da elevação de 7,9% na receita primária total, São Paulo sofreu o impacto da redução das receitas de capital no ano passado. Mais vigorosas, essas receitas, dizem técnicos da Fazenda estadual, financiaram boa parte dos investimentos do governo paulista em períodos anteriores. Dentro das receitas de capital do Estado, a maior queda em 2011 ficou por conta dos recebimentos por alienação de bens. Em 2010, a rubrica propiciou R$ 2,82 bilhões para o governo paulista. No ano passado, foram somente R$ 49,5 milhões. As receitas com operações de crédito também caíram, embora de forma menos abrupta, de R$ 1,59 bilhão em 2010 para R$ 1,2 bilhão no ano passado. A receita de capital total caiu de R$ 5,76 bilhões para R$ 2,46 bilhões. Com base nesses números, técnicos da Fazenda paulista argumentam que, apesar da queda de 39,5% nos investimentos, houve um esforço maior para esse tipo de aplicação de recursos. Com a queda nos recursos adicionais de concessões, operações de crédito e alienação de bens, o financiamento de investimentos com recursos próprios aumentou de 40% para 80%, de 2010 para 2011, informa a Fazenda. Afetada pela desaceleração da produção industrial, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo perdeu ritmo, principalmente no segundo semestre, e fechou o ano passado com elevação de 9,91% em relação a 2010. Com o desempenho, a receita primária corrente paulista teve aumento de 8,2%, enquanto as despesas correntes aumentaram 10,8%. Ao contrário de São Paulo, o Rio de Janeiro teve um volume das receitas beneficiadas com recursos extraordinários de alienação de ativos. O governo fluminense vendeu o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj) - a parte do Banerj que não foi privatizada - ao Bradesco, por R$ 1,8 bilhão, dos quais R$ 800 milhões foram pagos em 2011. O Estado também foi beneficiado pela alta do petróleo no mercado internacional, o que fez crescer as receitas com royalties para R$ 8,6 bilhões em 2011. Em 2010, essa receita havia sido de R$ 2,26 bilhões. A Fazenda fluminense também credita ao crescimento da economia, principalmente no primeiro semestre de 2011, a maior receita anual de sua história: R$ 57,45 bilhões, alta de 13,06% frente aos R$ 50,81 bilhões arrecadados no ano anterior. Com isso, o resultado primário fechou o ano em R$ 2,6 bilhões, mais de três vezes o estimado no orçamento estadual para o ano: R$ 800 milhões, 83% acima do R$ 1,415 bilhão de 2010. O secretário estadual de Fazenda do Rio, Renato Villela, explica que a arrecadação de ICMS no Rio é dependente do setor de energia e de telefonia. "Quando a economia está aquecida, a demanda por esses serviços cresce", explica. Segundo Villela, nem o arrefecimento do fim do ano foi capaz de afetar o impulso na arrecadação. Villela explica que, apesar de a arrecadação ter crescido, no ano passado, os investimentos caíram 9,1%. "Não foi uma queda significativa. Em termos de volume ainda é um valor considerável, parecido com o do ano passado", explica. "A queda se deu em função das etapas em que se encontram as obras do Estado". Para 2012, o secretário acredita que os resultados iniciais nos primeiros meses do ano sejam parecidos com os de 2011, quando o mês de janeiro é mais fraco, mas depois a receita vai melhorando. O orçamento prevê crescimento de 8,8% na arrecadação de ICMS. Mesmo assim, com os aumentos de salários que vêm sendo concedidos, como o do setor de segurança, o superávit também deve se reduzir. O Estado de Santa Catarina fechou 2011 com superávit de R$ 1,26 bilhão, crescimento de cerca de 15% em relação ao ano anterior. Para 2012, a projeção da Secretaria da Fazenda catarinense é de queda no resultado primário, para R$ 1,04 bilhão. O secretário da Fazenda de Santa Catarina, Nelson Serpa, explicou que as projeções para 2012 são conservadoras e pondera que elas poderão ser superadas, segundo ele, como ocorreu no ano passado. Em 2011, o superávit primário do governo de Santa Catarina ficou acima dos R$ 875 milhões esperados. No entanto, um certo conservadorismo faz sentido, porque nem todos os setores industriais que contribuem para a geração do ICMS no Estado estão a todo vapor. Os segmentos cerâmico e têxtil (cama, mesa e banho), por exemplo, que sofrem concorrência maior dos chineses, registram retração na produção e nas vendas. O desempenho de 2011 foi creditado por Serpa, principalmente, às receitas próprias, que cresceram 16% em 2011. O ICMS, principal imposto da arrecadação própria, passou de R$ 6,1 bilhões em 2010 para R$ 7 bilhões em 2011. Em 2011, o Estado reduziu o volume de investimentos para R$ 854 milhões, na comparação com o R$ 1 bilhão realizado no ano anterior. Serpa explicou que este freio tem a ver com o fato de que "os primeiros quatro meses são um período de conhecimento da máquina". Além disso, os investimentos também foram afetados pelas despesas correntes, que cresceram 15% em 2011 em relação a 2010, chegando a R$ 13,16 bilhões. Para 2012, os investimentos devem subir um pouco, atingindo R$ 1,39 bilhão. O secretário espera que os investimentos sejam ajudados por um aumento de 13,4% nas receitas próprias, e, principalmente, por convênios com a União. Além disso, algum alívio às contas públicas poderá vir da renegociação de encargos sobre a dívida com a União. Há ainda a expectativa que parte dos recursos gerados pela nova repartição dos royalties do petróleo possa "animar" o caixa do Estado já em 2012. Esse tipo de repasse somou R$ 40,40 milhões em 2011. Serpa espera que esse valor seja duplicado em 2012. Com resultado primário de R$ 1,39 bilhão em 2011 - 51% maior que o do ano anterior -, o Paraná teve o desempenho influenciado, em boa parte, pela queda de 58,4% nos investimentos no período. O secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, explicou que houve economia no custeio e citou o aumento de 18% nos gastos com a folha de pagamento, que pesou no resultado. "Os investimentos caíram, porque encontramos muitas contas atrasadas." Hauly chama a atenção para o bom desempenho da indústria do Estado. A receita com ICMS cresceu 14%. Sobre 2012, afirmou que "há muita pressão de despesas", como reajuste salarial e contratações para o magistério e área de segurança. O governo está fazendo um financiamento no valor de R$ 1,3 bilhão para manutenção de projetos e investimentos entre 2012 e 2014. "O ano é de muito equilíbrio, muita prudência." O governo mineiro acompanhou a tendência do aumento de superávit, com elevação de 48,9% e redução de investimentos, com queda de 15,1%. Para este ano, a Fazenda de Minas prevê aumento de receita tributária de 11% a 11,5% em relação ao de 2011. Mesmo com a revisão por parte do governo federal para o crescimento do país este ano, o secretário-adjunto da Fazenda, Pedro Meneguetti, diz que o "otimismo do governo de Minas se deve ao consumo interno, que continua acelerado". Com relação à receita, Minas obteve no fim de 2011 autorização para ampliar o nível de endividamento em R$ 3,3 bilhões. "O Estado pretende fazer esses investimentos e já temos algumas operações já adiantadas", diz o secretário-adjunto. Nas despesas, Minas terá um ano de maior controle, afirma Meneguetti. "Em 2011, aprovamos uma política salarial para os servidores, que dará ao Estado garantia de que as despesas com folha não vão ultrapassar 55% do crescimento da receita." (Marta Watanabe, Paola de Moura, Vanessa Jurgenfeld, Marli Lima, Marcos de Moura e Souza e Murillo Camarotto) |
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Agronegócio já representa 8% do PIB do Rio
postado em 03/02/2012
O agronegócio fluminense registra resultado positivo. Com R$ 20 bilhões/ano, já representa 8% do PIB do Estado do Rio de Janeiro. O destaque ficou por conta da produção de leite e lácteos que, em uma área que representa apenas 0,5% do território brasileiro, já é uma realidade. Para isso, o governo não mediu esforços, investiu cerca de R$ 17 milhões no setor e mais R$ 60 milhões nas cooperativas através do retorno do crédito de ICMS. Além disso, o segmento gera cerca de 150 mil empregos diretos e algo em torno de 750 mil indiretos, porque inclui a cadeia produtiva, conforme disse ao MONITOR MERCANTIL, o secretário estadual de Agricultura, Cristino Áureo, para quem a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) teve um papel fundamental.
Para Cristino, a produção de leite está transformando o setor. O governo, segundo ele, estruturou um programa que, desde 2007, cumpre etapas importantes na cadeia de lácteos. E isso, diz, fez com que retornasse ao Estado todas às indústrias que saíram. Citou como exemplo a fábrica da Nestlé em Três Rios e que processa 400 mil litros de leite/dia e que pode chegar a 1 milhão/dia. "Essa fábrica se junta a outras estruturas que estão sendo inauguradas, como a Laticínios Marília, no Noroeste, em Itaperuna, como a fábrica da LBR, que resulta da fusão da Parmalat, Bom Gosto, Boa Nata e que comprou a antiga planta da Nestlé em Barra Mansa. Recentemente, também tivemos o anúncio da fábrica da BR Foods, resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, que vai instalar sua fábrica em Barra do Piraí", disse, ressaltando que a rodovia entre Barra Mansa e Três Rios, o trecho da BR 393, está sendo chamado de "Via Láctea", em função de uma grande concentração de empresas de grande porte no país.
Na opinião do secretário, é preciso compreender quais são as vocações do estado. Se não pode produzir soja, pode produzir leite que, segundo ele, pode ser desenvolvido em pequenas propriedades e disponível para o consumo. "Cada vez mais as indústrias estão chegando à conclusão que transportar produto, cujo conteúdo de água é alto a longas distâncias. A produção de leite tende ao retorno da lógica do passado, onde o abastecimento era feito no local regional".
A matéria é de Marcelo Bernardes do Monitor Mercantil, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.
Para Cristino, a produção de leite está transformando o setor. O governo, segundo ele, estruturou um programa que, desde 2007, cumpre etapas importantes na cadeia de lácteos. E isso, diz, fez com que retornasse ao Estado todas às indústrias que saíram. Citou como exemplo a fábrica da Nestlé em Três Rios e que processa 400 mil litros de leite/dia e que pode chegar a 1 milhão/dia. "Essa fábrica se junta a outras estruturas que estão sendo inauguradas, como a Laticínios Marília, no Noroeste, em Itaperuna, como a fábrica da LBR, que resulta da fusão da Parmalat, Bom Gosto, Boa Nata e que comprou a antiga planta da Nestlé em Barra Mansa. Recentemente, também tivemos o anúncio da fábrica da BR Foods, resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, que vai instalar sua fábrica em Barra do Piraí", disse, ressaltando que a rodovia entre Barra Mansa e Três Rios, o trecho da BR 393, está sendo chamado de "Via Láctea", em função de uma grande concentração de empresas de grande porte no país.
Na opinião do secretário, é preciso compreender quais são as vocações do estado. Se não pode produzir soja, pode produzir leite que, segundo ele, pode ser desenvolvido em pequenas propriedades e disponível para o consumo. "Cada vez mais as indústrias estão chegando à conclusão que transportar produto, cujo conteúdo de água é alto a longas distâncias. A produção de leite tende ao retorno da lógica do passado, onde o abastecimento era feito no local regional".
A matéria é de Marcelo Bernardes do Monitor Mercantil, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.
domingo, 17 de julho de 2011
Dirceu instala aliados em cidade em expansão no RJ
Petista finca base em Maricá, que vive boom com a indústria do petróleo
Município, que figura na lista dos que mais recebem royalties, deve dobrar arrecadação com a exploração do pré-sal
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Abastecido por R$ 48 milhões anuais em royalties do petróleo, o município de Maricá se transformou em base do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) no Estado do Rio.
Dois afilhados políticos dele ocupam postos-chave da prefeitura, sob gestão do petista Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá.
A Folha apurou que Dirceu frequenta a cidade desde a eleição municipal de 2008 e indicou os dois aliados. O prefeito nega a influência do ex-ministro em seu secretariado (leia texto ao lado).
Um dos secretários próximos a Dirceu é Marcelo Sereno (Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo), que chefiou seu gabinete na Casa Civil.
Ele foi investigado na CPI dos Bingos e se afastou da Executiva do PT durante o escândalo do mensalão, em 2005. Ganhou o cargo em Maricá em novembro passado, após ser derrotado numa campanha para deputado com forte apoio de Dirceu.
A outra secretária é Maria Helena Alves Oliveira (Fazenda), que já havia chefiado a mesma pasta em Manaus (AM) e Nova Iguaçu (RJ) por indicação do líder petista.
Quaquá diz que a missão de Sereno é atrair empresas para o polo industrial naval que pretende montar, mas afirma que ele não influencia a destinação dos royalties.
"A secretaria do Marcelo Sereno não tem verba. Ele tem a missão de trazer empresas para a cidade. Tem experiência e conhecimento para isso", diz o prefeito.
Com cerca de 120 mil habitantes, Maricá (a cerca de 50 quilômetros do Rio) tem apenas 20% das casas com água encanada, mas é vista por políticos fluminenses como um "investimento futuro".
LUCROSA cidade vive um boom de crescimento impulsionada pela indústria do petróleo, que atraiu empreendimentos imobiliários, shoppings e centros comerciais. Em cinco anos, a população dobrou.
Atualmente, é o 12º município que mais arrecada royalties no Estado. Com o campo de Lula, no pré-sal, o valor deve dobrar até 2015.
O grupo que administra Maricá "vende" aos investidores a proximidade da cidade com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), que está sendo construído no município vizinho de Itaboraí.
"Tenho passado mais tempo em São Paulo e na Bahia do que em Maricá. Meu trabalho e o de Marcelo Sereno junto a empresários tem sido importante para atrair esses grupos ao município. Os contatos em Brasília são importantes", afirma Quaquá.
"Queremos ser o lugar escolhido por empresários e executivos do Comperj para morar", diz o secretário de Ambiente e Urbanismo da cidade, Celso Cabral Nunes.
Este ano, o grupo Alphaville lançou o empreendimento imobiliário Terras Alpha, com quase 400 mil metros quadrados de área. Todos os 399 lotes, com preços entre R$ 90 mil e R$ 140 mil, foram vendidos em duas horas.
Apesar da prosperidade econômica, a cidade sofre com muitas ruas sem asfalto e tem várias obras paradas.
"Andamos no meio da poeira ou na lama. Vivemos num lugar sem iluminação e desde as chuvas de 2010 os carros não conseguem passar aqui", conta a comerciante Maria das Graças Rosa, 50.
Prefeito diz que aliado não influi em sua gestão
DO RIO
O prefeito Washington Luiz Siqueira, o Quaquá (PT), negou que Marcelo Sereno e Maria Helena Alves de Oliveira estejam no secretariado de Maricá por influência do ex-ministro José Dirceu.
"Ambos têm muita experiência no serviço público. A Maria Helena já participou de outras administrações do partido, e o Marcelo conhece muita gente", afirmou.
Segundo ele, a presença da dupla, que não tem raízes na cidade, é "natural".
"Faço parte de um grupo político do PT e é natural que a gente busque pessoas com experiência. Não podia chegar aqui e ficar sentado, esperando os investimentos caírem do céu. A presença deles é um aprendizado."
O site de Sereno afirma que sua posse ocorreu em "momento muito importante, já [que] o repasse dos royalties do petróleo poderá ser ampliado com o início da exploração do pré-sal".
Apesar do contato com assessores, Sereno não respondeu às ligações da reportagem. Maria Helena de Oliveira também não falou.
As assessoras de José Dirceu foram procuradas na última sexta-feira, mas não responderam às ligações.
Procurador vê descontrole em obras após enchentes na serra fluminense
Contratos sem assinatura e pagamentos acima do devido estão na mira do Ministério Público
Não há informações sobre quais empresas executaram as obras nas 7 cidades atingidas, aponta inquérito civil
GUSTAVO ALVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
DO RIO
Há duas semanas, três caixas cheias de papéis chegaram ao gabinete do procurador Marcelo Medina, do Ministério Público Federal em Nova Friburgo (RJ), que as esperava desde janeiro.
São documentos do governo sobre a contratação de emergência de empreiteiras para socorrer as sete cidades atingidas pela enxurrada que deixou mais de 900 mortos na região serrana.
Medina espera que os contratos mostrem como foram gastos os R$ 70 milhões enviados pelo governo federal para ajudar na recuperação.
O procurador comanda inquérito civil público sobre a ajuda. Com base na leitura inicial dos documentos e em depoimentos de fiscais da Empresa Estadual de Obras Públicas e das empresas, viu irregularidades como contratos apenas verbais e falta de controle na execução.
"Quem fez o quê, ninguém sabe", diz o procurador.
Entre as construtoras contratadas, estavam gigantes do ramo, como a Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Delta.
SEM CONTRATOAs empreiteiras que atuam na região foram convocadas por uma entidade privada, a Associação de Empreiteiras do Rio. Depois, iniciaram trabalho sem contratos.
"Num momento imediatamente após a tragédia, isso é até aceitável", diz Medina. Mas, para o procurador, a contratação deveria ter sido formalizada pouco depois. "A lei autoriza a dispensa de licitação, mas não de certas formalidades", afirma.
Por falta destas formalidades, o governo também pagou mais caro pelo socorro, diz Medina. Os valores pagos às empreiteiras foram os das tabelas do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e do Sicro-2 (Sistema de Custos Rodoviários).
"Deveria ter havido uma cotação com as empresas do ramo para saber qual ofereceria o valor mais baixo, que é sempre abaixo da tabela", afirma Medina. "Nos primeiros dias, seria admissível o Estado indenizar as empresas pelo trabalho seguindo o valor da tabela", diz. "Mas, no sexto dia, já seria possível fazer a cotação."
OUTRO LADOA Secretaria Estadual de Obras reconheceu que os preços pagos seguiram as tabelas do Sinapi e do Sicro-2. O órgão informou que empreiteiras foram contratadas por termos de ajustes de contas. Segundo o governo, os termos "só podem ser formalizados após a prestação do serviço", por exigência legal.
Também afirmou que os pagamentos só são feitos depois de os serviços serem "realizados, fiscalizados, medidos e atestados". Dos R$ 70 milhões, foram gastos R$ 49 milhões com as empreiteiras, disse a secretaria.
Medina diz que, com a demora no envio da documentação, passados seis meses da tragédia, não se sabe quais trabalhos foram realizados. "Hoje, temos de acreditar no que dizem os fiscais das empresas e o governo do Estado", diz o procurador.
Município, que figura na lista dos que mais recebem royalties, deve dobrar arrecadação com a exploração do pré-sal
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Abastecido por R$ 48 milhões anuais em royalties do petróleo, o município de Maricá se transformou em base do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) no Estado do Rio.
Dois afilhados políticos dele ocupam postos-chave da prefeitura, sob gestão do petista Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá.
A Folha apurou que Dirceu frequenta a cidade desde a eleição municipal de 2008 e indicou os dois aliados. O prefeito nega a influência do ex-ministro em seu secretariado (leia texto ao lado).
Um dos secretários próximos a Dirceu é Marcelo Sereno (Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo), que chefiou seu gabinete na Casa Civil.
Ele foi investigado na CPI dos Bingos e se afastou da Executiva do PT durante o escândalo do mensalão, em 2005. Ganhou o cargo em Maricá em novembro passado, após ser derrotado numa campanha para deputado com forte apoio de Dirceu.
A outra secretária é Maria Helena Alves Oliveira (Fazenda), que já havia chefiado a mesma pasta em Manaus (AM) e Nova Iguaçu (RJ) por indicação do líder petista.
Quaquá diz que a missão de Sereno é atrair empresas para o polo industrial naval que pretende montar, mas afirma que ele não influencia a destinação dos royalties.
"A secretaria do Marcelo Sereno não tem verba. Ele tem a missão de trazer empresas para a cidade. Tem experiência e conhecimento para isso", diz o prefeito.
Com cerca de 120 mil habitantes, Maricá (a cerca de 50 quilômetros do Rio) tem apenas 20% das casas com água encanada, mas é vista por políticos fluminenses como um "investimento futuro".
LUCROSA cidade vive um boom de crescimento impulsionada pela indústria do petróleo, que atraiu empreendimentos imobiliários, shoppings e centros comerciais. Em cinco anos, a população dobrou.
Atualmente, é o 12º município que mais arrecada royalties no Estado. Com o campo de Lula, no pré-sal, o valor deve dobrar até 2015.
O grupo que administra Maricá "vende" aos investidores a proximidade da cidade com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), que está sendo construído no município vizinho de Itaboraí.
"Tenho passado mais tempo em São Paulo e na Bahia do que em Maricá. Meu trabalho e o de Marcelo Sereno junto a empresários tem sido importante para atrair esses grupos ao município. Os contatos em Brasília são importantes", afirma Quaquá.
"Queremos ser o lugar escolhido por empresários e executivos do Comperj para morar", diz o secretário de Ambiente e Urbanismo da cidade, Celso Cabral Nunes.
Este ano, o grupo Alphaville lançou o empreendimento imobiliário Terras Alpha, com quase 400 mil metros quadrados de área. Todos os 399 lotes, com preços entre R$ 90 mil e R$ 140 mil, foram vendidos em duas horas.
Apesar da prosperidade econômica, a cidade sofre com muitas ruas sem asfalto e tem várias obras paradas.
"Andamos no meio da poeira ou na lama. Vivemos num lugar sem iluminação e desde as chuvas de 2010 os carros não conseguem passar aqui", conta a comerciante Maria das Graças Rosa, 50.
Prefeito diz que aliado não influi em sua gestão
DO RIO
O prefeito Washington Luiz Siqueira, o Quaquá (PT), negou que Marcelo Sereno e Maria Helena Alves de Oliveira estejam no secretariado de Maricá por influência do ex-ministro José Dirceu.
"Ambos têm muita experiência no serviço público. A Maria Helena já participou de outras administrações do partido, e o Marcelo conhece muita gente", afirmou.
Segundo ele, a presença da dupla, que não tem raízes na cidade, é "natural".
"Faço parte de um grupo político do PT e é natural que a gente busque pessoas com experiência. Não podia chegar aqui e ficar sentado, esperando os investimentos caírem do céu. A presença deles é um aprendizado."
O site de Sereno afirma que sua posse ocorreu em "momento muito importante, já [que] o repasse dos royalties do petróleo poderá ser ampliado com o início da exploração do pré-sal".
Apesar do contato com assessores, Sereno não respondeu às ligações da reportagem. Maria Helena de Oliveira também não falou.
As assessoras de José Dirceu foram procuradas na última sexta-feira, mas não responderam às ligações.
Procurador vê descontrole em obras após enchentes na serra fluminense
Contratos sem assinatura e pagamentos acima do devido estão na mira do Ministério Público
Não há informações sobre quais empresas executaram as obras nas 7 cidades atingidas, aponta inquérito civil
GUSTAVO ALVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
DO RIO
Há duas semanas, três caixas cheias de papéis chegaram ao gabinete do procurador Marcelo Medina, do Ministério Público Federal em Nova Friburgo (RJ), que as esperava desde janeiro.
São documentos do governo sobre a contratação de emergência de empreiteiras para socorrer as sete cidades atingidas pela enxurrada que deixou mais de 900 mortos na região serrana.
Medina espera que os contratos mostrem como foram gastos os R$ 70 milhões enviados pelo governo federal para ajudar na recuperação.
O procurador comanda inquérito civil público sobre a ajuda. Com base na leitura inicial dos documentos e em depoimentos de fiscais da Empresa Estadual de Obras Públicas e das empresas, viu irregularidades como contratos apenas verbais e falta de controle na execução.
"Quem fez o quê, ninguém sabe", diz o procurador.
Entre as construtoras contratadas, estavam gigantes do ramo, como a Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Delta.
SEM CONTRATOAs empreiteiras que atuam na região foram convocadas por uma entidade privada, a Associação de Empreiteiras do Rio. Depois, iniciaram trabalho sem contratos.
"Num momento imediatamente após a tragédia, isso é até aceitável", diz Medina. Mas, para o procurador, a contratação deveria ter sido formalizada pouco depois. "A lei autoriza a dispensa de licitação, mas não de certas formalidades", afirma.
Por falta destas formalidades, o governo também pagou mais caro pelo socorro, diz Medina. Os valores pagos às empreiteiras foram os das tabelas do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e do Sicro-2 (Sistema de Custos Rodoviários).
"Deveria ter havido uma cotação com as empresas do ramo para saber qual ofereceria o valor mais baixo, que é sempre abaixo da tabela", afirma Medina. "Nos primeiros dias, seria admissível o Estado indenizar as empresas pelo trabalho seguindo o valor da tabela", diz. "Mas, no sexto dia, já seria possível fazer a cotação."
OUTRO LADOA Secretaria Estadual de Obras reconheceu que os preços pagos seguiram as tabelas do Sinapi e do Sicro-2. O órgão informou que empreiteiras foram contratadas por termos de ajustes de contas. Segundo o governo, os termos "só podem ser formalizados após a prestação do serviço", por exigência legal.
Também afirmou que os pagamentos só são feitos depois de os serviços serem "realizados, fiscalizados, medidos e atestados". Dos R$ 70 milhões, foram gastos R$ 49 milhões com as empreiteiras, disse a secretaria.
Medina diz que, com a demora no envio da documentação, passados seis meses da tragédia, não se sabe quais trabalhos foram realizados. "Hoje, temos de acreditar no que dizem os fiscais das empresas e o governo do Estado", diz o procurador.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Consórcio assume amanhã serviços no Porto
| Autor(es): agência o globo:Isabela Bastos |
| O Globo - 14/06/2011 |
Começa amanhã a terceirização gradual dos serviços públicos na área do Porto. Coleta de lixo, troca de lâmpadas, pavimentação, poda de árvores e ordenamento de trânsito ficarão a cargo, pelos próximos 15 anos, de um consórcio formado por empreiteiras. A transição vai durar seis meses. A prefeitura vai terceirizar, a partir de amanhã, serviços públicos como coleta de lixo, troca de lâmpadas da iluminação pública, pavimentação, poda de árvores e ordenamento de trânsito numa região de cinco milhões de metros quadrados que abrange a Zona Portuária e parte do Centro. O consórcio Porto Novo, formado pelas construtoras OAS, Carioca Engenharia e Odebrecht, assumirá essas tarefas por 15 anos na área delimitada pelas avenidas Francisco Bicalho, Rodrigues Alves, Beira-Mar e Presidente Vargas. As exceções ficam por conta das operações de controle urbano e de patrulhamento da Guarda Municipal, que continuarão a cargo do município. A passagem de bastão dos serviços municipais para o consórcio será gradual: vai durar 180 dias. A coleta de lixo, porém, será transferida de uma só vez, amanhã, quando saem de cena os caminhões e garis da Comlurb e entram os da concessionária, que terão logotipo e uniforme diferentes, com predominância do azul. Consórcio terá que instalar 50 câmeras nas ruas De acordo com o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), Jorge Arraes, nos primeiros 90 dias o consórcio fará uma força-tarefa para recuperar a iluminação pública, considerada, num inventário encomendado pela prefeitura, um dos maiores problemas da região. O esforço concentrado prevê ainda uma faxina nas ruas, onde foi verificado um grande acúmulo de lixo e entulho. - O objetivo é que não haja vácuo na prestação de serviços. A nova concessionária terá um centro de operações, que ficará ligado ao da prefeitura, uma ouvidoria e um teleatendimento, que, no futuro, estarão atrelados ao 1746, a central de atendimento do município. Imagens e informações serão compartilhadas - disse Arraes. Nos próximos seis meses, o consórcio terá que instalar 50 câmeras na região, para monitorar o trânsito e a segurança. Hoje, a área abrangida por essa parceria público-privada tem 16 câmeras da CET-Rio, instaladas sobretudo nas principais avenidas. Outros serviços públicos prestados por concessionárias, em que o poder concedente é o estado ou a União, não sofrerão alterações. O novo consórcio, portanto, não responderá por abastecimento de água, energia elétrica e gás, pelo tratamento de esgoto e por serviços de telecomunicações. Segundo o Porto Novo, a empresa assumirá os serviços com aproximadamente 400 funcionários, sendo 274 para a limpeza urbana, cem a mais do que o efetivo que trabalha hoje na região. Para a operação serão utilizados 23 veículos. Em nota, o consórcio informou que, num primeiro momento, não haverá mudança nos horários de coleta. Por isso, moradores e comerciantes deverão manter a rotina de descarte do lixo. As obras de infraestrutura no Porto terão que ficar prontas até dezembro de 2015, seis meses antes dos Jogos Olímpicos de 2016. O prazo fixado pela prefeitura visa a dar tranquilidade à preparação dos Jogos na região, que vai abrigar sete instalações olímpicas, entre elas parte das vilas de mídia e de árbitros, além dos centros de monitoramento e operações, de credenciamento e de tecnologia do evento. As vilas serão instaladas num terreno conhecido como Praia Formosa, que fica nas imediações da Avenida Francisco Bicalho. Já as demais instalações serão construídas no terreno da usina de asfalto da prefeitura e numa área vizinha, pertencente à Cedae, ambas também na Francisco Bicalho. O projeto de construção foi escolhido por concurso internacional, cujo resultado será divulgado semana que vem. Segundo Jorge Arraes, os três terrenos já estão reservados para o projeto, batizado de Porto Olímpico. O imóvel da Praia Formosa deverá ser comprado da União pela prefeitura por R$62 milhões e revendido à Caixa Econômica Federal, para negociá-lo com construtores. Os terrenos da usina e da Cedae também serão vendidos à Caixa, com o mesmo propósito. |
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Cedae investe R$ 1 bilhão para fornecer água de reúso à Comperj
| Autor(es): Rafael Rosas | Do Rio |
| Valor Econômico - 04/05/2011 |
A Cedae, companhia de abastecimento do Rio de Janeiro, vai investir mais de R$ 1 bilhão para fornecer água de reúso para abastecimento do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que está sendo construído pela Petrobras em Itaboraí, na região metropolitana da capital fluminense. O pré-contrato entre as duas companhias foi assinado ontem e prevê o fornecimento de 500 litros de água tratada por segundo em 2013 e de 1.500 litros por segundo em 2017. Para fornecer água para o Comperj, a Cedae construirá um duto ligando a estação de tratamento de Alegria, às margens da Baía de Guanabara, até a estação de tratamento de São Gonçalo, de onde sairão novos dutos até o polo industrial. O presidente da Cedae, Wagner Victer, afirmou que a empresa ainda está negociando as empresas que farão a obra. "Todos os detalhes serão finalizados no contrato definitivo que será firmado com a Petrobras em 180 dias", disse Victer, lembrando que o volume de água a ser fornecido é equivalente ao consumo de uma cidade de 700 mil habitantes. O volume de água que será enviado ao Comperj atualmente é tratado na estação Alegria e devolvido à Baía de Guanabara. Agora, será construída uma unidade terciária em Alegria para deixar a água com a qualidade requerida pela Petrobras. A primeira refinaria do Comperj deverá ficar pronta no fim de 2013, com capacidade de produzir 165 mil barris. A unidade petroquímica entrará em operação em 2016 e a segunda refinaria, com mais 165 mil barris, no fim de 2017. O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, não revelou qual será o custo total para construção do Comperj. Segundo ele, o valor será divulgado juntamente com o Plano de Negócios 2011/2015, que deverá ser levado à diretoria e ao conselho de administração ainda este mês. "Antes de ter esse plano aprovado, não tenho como falar de valores", disse. |
terça-feira, 3 de maio de 2011
Siemens estuda concentrar área de pesquisa no Rio para ficar perto da Petrobras
| Autor(es): Francisco Góes | Do Rio | |||
| Valor Econômico - 02/05/2011 | |||
A Siemens, maior conglomerado de engenharia elétrica e eletrônica do Brasil, poderá concentrar seus esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Zona Norte. A empresa estuda instalar-se no local para estar próxima da Petrobras, mas também para atender outros setores além do petróleo, caso da área de energia elétrica. A empresa trabalha ainda para aumentar o conteúdo local em suas fábricas no país. "Queremos estar próximos aos consumidores e estimular a inovação", disse Peter Solmssen, presidente da Siemens para as Américas. As atividades de P&D da Siemens no mercado brasileiro estão vinculadas às 13 fábricas da empresa no país, que produzem gama variada de itens, como disjuntores, lâmpadas, interruptores e tomadas, reatores, transformadores, painéis, inversores de frequência e turbinas industriais. Ao todo, a Siemens mantém seis centros de desenvolvimento de tecnologia no Brasil que empregam 360 técnicos, engenheiros, mestres e doutores. Há, além disso, 800 engenheiros dedicados a P&D na Chemtech, empresa carioca da Siemens focada no setor de óleo e gás. "Esses são engenheiros que trabalham em inovações que podem ser usadas pela Petrobras e por clientes fora do Brasil", disse Solmssen. Ele participou do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, encerrado na sexta-feira no Rio. O executivo afirmou que a Siemens investe globalmente cerca de US$ 5 bilhões (€ 3,8 bilhões) por ano em inovação, algo como 5% do faturamento global da empresa, de € 76 bilhões. No Brasil, a Siemens registrou faturamento líquido de R$ 4,25 bilhões no exercício 2010, que estendeu-se de 1º de outubro de 2009 a 30 de setembro do ano passado. Em euros, o faturamento ficou pouco acima de 2 bilhões no último exercício, ou 2,6% da receita global do grupo. Adilson Primo, presidente da Siemens no Brasil, disse que o país continuará a ter crescimento sustentável entre 4% e 5% por ano nos próximos anos. "Não acreditamos que o Brasil vá ter crescimento chinês até porque a infraestrutura limita o crescimento", disse. Ele avaliou que a Siemens está bem posicionada para aproveitar o crescimento, pois desenvolveu portfólio focado em infraestrutura. Entre as áreas com potencial de expansão para os negócios da empresa no país, ele citou o setor de energia, sobretudo de fonte eólica, hídrica e térmica, segmento no qual a empresa tem turbinas com alto grau de eficiência, disse Primo. Ele também aposta em setores nos quais a Siemens tem expertise, caso do papel e celulose e mineração e siderurgia, e no crescimento do petróleo e gás, a partir do desenvolvimento do pré-sal. Óleo e gás são um dos focos da Siemens, que está estruturada em três setores (indústria, energia e saúde). A empresa está criando um quarto setor dedicado à infraestrutura em cidades. "O objetivo é nos aproximarmos dos consumidores que estão planejando e tomando as decisões sobre infraestrutura nas grandes cidades", disse Solmssen. A partir de trabalho de planejamento estratégico, a Siemens passou por grandes mudanças nos últimos anos, saindo das telecomunicações e focando-se em áreas nas quais tem vantagens competitivas, caso da infraestrutura. Em 2010, quase 37% do faturamento global da empresa foi obtido a partir de um amplo portfólio "verde", formado por tecnologias sustentáveis do ponto de vista ambiental aplicadas à área de energia elétrica ou aos transportes, a chamada mobilidade urbana. Nesse sentido um dos focos da Siemens no Brasil é a geração eólica. "Estamos entrando na área de geração eólica com visão de ter grau importante de nacionalização para nos habilitarmos aos financiamentos do BNDES", disse Primo. O executivo acrescentou que no esforço por aumentar o conteúdo local a empresa busca nacionalizar subfornecedores de suas fábricas. Na área de óleo e gás, a Siemens apresentou propostas para fornecimento de seus produtos às empresas de construção e engenharia que disputam as sondas de perfuração da Petrobras. Segundo Primo, a possível instalação da Siemens no Centro Tecnológico da UFRJ permitiria aproveitar sinergias com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e com o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), da Eletrobras. Se criado, o centro da Siemens na Ilha do Fundão, no Rio, poderia trabalhar, além do petróleo, em redes inteligentes, tecnologias usadas na transmissão e distribuição de energia elétrica. Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação do instituto de pós-graduação e pesquisa de engenharia, disse que há quatro empresas disputando três áreas disponíveis no Centro Tecnológico da UFRJ: Siemens, BG Group, Vallourec & Mannesmann e EMC2. Subsídios ajudam estrangeiros a desembarcar no país
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terça-feira, 12 de abril de 2011
Arco metropolitano deve redefinir mapa do emprego no Rio
Arco metropolitano deve redefinir mapa do emprego no Rio
| Autor(es): Francisco Góes | Do Rio |
| Valor Econômico - 11/04/2011 |
O Rio voltará a ter uma ferramenta para planejar políticas públicas focadas na região metropolitana. O objetivo é equilibrar mais a relação entre oferta e demanda no mercado de trabalho na região. Cerca de 75% dos empregos criados na metrópole estão concentrados no município do Rio, o que sobrecarrega o sistema de transporte. A situação permanece praticamente inalterada há 30 anos. No dia 18, o governador Sérgio Cabral (PMDB) vai lançar, na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), estudo encomendado pelo Estado, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que mostra quais são as oportunidades e os desafios para a região metropolitana em um horizonte de dez anos. O trabalho a ser apresentado por Cabral é o Plano Diretor do Entorno do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. O arco é um eixo viário com 145 quilômetros de extensão, que está em construção e envolve investimento de cerca de R$ 1,6 bilhão, entre União e governo estadual. A previsão é que a obra fique pronta no segundo semestre de 2012. A proposta do arco é melhorar o tráfego de passageiros e de cargas nos acessos ao Rio e na periferia da capital. O trecho de estrada nova do arco, com 70,9 quilômetros de extensão, corta cinco municípios: Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. Mas a área de influência do arco é bem maior: 21 municípios, onde moram quase 10 milhões de pessoas. O cálculo populacional leva em conta só uma parte da cidade do Rio, uma vez que a região central do município não está na área de influência do arco. Também foram considerados na conta os municípios do entorno da capital, além de dois que não integram a região metropolitana - Mangaratiba e Cachoeiras de Macacu -, mas que se encontram na periferia do arco. A região metropolitana do Rio tinha, em 2010, 11,8 milhões de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O plano diretor apontou potencial de geração de 825 mil empregos formais nos próximos dez anos no entorno do arco. As vagas serão criadas na indústria, no comércio e nos serviços. Vicente Loureiro, subsecretário de urbanismo da Secretaria de Obras do Estado, diz que a criação de empregos formais pode mudar a relação existente entre a capital e periferia ao criar caminhos novos entre o local de moradia e o trabalho. Estudo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que entre as dez maiores regiões metropolitanas do país, a do Rio é a que apresenta maior proporção de pessoas (25% em 2008) que levam mais de uma hora para se deslocar de casa até o trabalho e vice-versa. "Em alguns anos, o arco pode mudar o mapa da mobilidade na região metropolitana", prevê Loureiro. Ele diz que o trabalho de planejamento estratégico da região metropolitana foi abandonado, no início da década de 90, com a extinção da Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana (Fundrem). O plano diretor do arco contou com a doação de US$ 1 milhão feita pelo BID. O trabalho definiu três eixos estratégicos - ambiental, urbano e econômico -, a partir dos quais poderão ser definidas diretrizes em termos de políticas públicas, considerando incentivos fiscais e temas ligados à infraestrutura, o que inclui a necessidade de investir pesado em abastecimento de água e saneamento básico. Outro desafio será definir estratégias para setores que vão fazer crescer o emprego na região metropolitana nos próximos anos. Estão listadas as cadeias produtivas dos setores naval, petróleo, petroquímica, química (cosméticos), siderurgia, logística, alimentos e bebidas, vestuário e acessórios, moveleiro, turismo, construção civil e transporte. Na questão ambiental, considera-se que a ocupação na região metropolitana tem de ser melhor planejada para evitar, por exemplo, impactos em áreas de preservação permanente, como é o caso de Guapimirim, que pode sofrer os efeitos da implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), projeto em construção pela Petrobras em Itaboraí. O Comperj será um dos principais vetores estruturantes na parte leste do arco. Em Duque de Caxias e Nova Iguaçu, os setores de comércio e serviços continuarão a ter um papel econômico importante. Assim como em Itaguaí, tendem a surgir oportunidades na área de serviços naval e offshore, atividades ligadas à indústria de petróleo. No aspecto urbanístico, busca-se garantir uma melhor ocupação do solo. Uma das projeções do estudo é que a população na área de influência do arco, de mais de 9,5 milhões de habitantes em 2010, vai crescer quase 1 milhão em dez anos, chegando 10,5 milhões de pessoas. Esse crescimento vai exigir a construção de 588 mil novas habitações, necessárias não só para atender ao crescimento da população, mas também para suprir parte do atual déficit habitacional. Loureiro acredita que a metrópole poderá ter menos favelas no futuro. A lógica, segundo ele, é que os novos projetos que estão surgindo no entorno do arco, incluindo grandes obras industriais, vão criar oportunidades de trabalho, que podem permitir que um morador de favela se mude para uma casa melhor em outro local da região metropolitana e em área mais próxima do local de trabalho. Loureiro diz que o plano diretor não tem força de lei, mas surge como diretriz para o Estado e para os municípios do entorno do arco. A partir do estudo, podem ser definidas ações em áreas como transporte, ocupação do solo, tratamento de água e esgoto com o objetivo de "remodelar" a região metropolitana. Segundo ele, um dos desafios será criar organismo de gestão metropolitana para responder pela criação e gestão de projetos de desenvolvimento regional integrado. Na academia, entretanto, o surgimento dessa entidade é vista com expectativa, mas ao mesmo tempo com reservas. O plano diretor do arco mostra que, à medida que as cidades se expandem para a periferia, se reduz a densidade ocupacional do solo. No caso da região do arco, essa redução foi de cerca de 17% entre 2001 e 2010. Assim, na melhor das hipóteses, diz o estudo, o total da área de vazios disponíveis para receber usos urbanos na região do arco se esgotaria em 13 anos. |
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Rio em obras: remoções na Restinga estão na mira da ONU
| Autor(es): Alfredo Junqueira |
| O Estado de S. Paulo - 06/04/2011 |
Casas no caminho de corredor viário para a Olimpíada de 2016 foram derrubadas contrariando determinação do órgão Uma semana antes do Natal do ano passado, o comerciante Edilson Gomes da Silva, de 36 anos, teve a casa destruída. Ele, a mulher e a filha não tinham para onde ir. O imóvel ficava na comunidade da Restinga, na margem da Avenida das Américas, zona oeste do Rio. Era uma das muitas construções populares no caminho da Transoeste, um dos corredores viários que o Rio ergue para os Jogos Olímpicos de 2016. As demolições e disputas em torno do futuro da comunidade da Restinga integram o documento de ONGs e entidades enviado ontem à relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik. Esse e outros casos devem integrar os questionamentos já feitos pela relatora ao governo brasileiro sobre supostas violações de direitos humanos a partir de remoções forçadas - conforme o Estado revelou ontem. "Morava aqui há 15 anos. Minha vida era aqui. Meu comércio funcionava embaixo da minha casa, mas foi destruído", afirma Edilson. Altair Montanha, de 47 anos, teve a casa e sua pequena metalúrgica destruídas no mesmo dia. "Minha vida está desestruturada." A comunidade da Restinga tem 150 famílias que estão lá há 50 anos. Diretora executiva da ONG Justiça Global, uma das que assinaram o documento à ONU, Andressa Caldas afirma que o poder público tem feito remoções contrariando as diretrizes mínimas da ONU. "Remoção tem de ser a última opção." O prefeito Eduardo Paes (PMDB) não se manifestou. A Secretaria Municipal de Habitação disse que cadastrou 629 famílias de nove comunidades que serão afetadas pela Transoeste - dessas, 203 receberam indenizações e 40 vão receber. Outras 69 famílias foram reassentadas em imóveis de programa do governo federal, destino de mais 60. |
Troca-troca de políticas arruína ensino no Rio
Troca-troca de políticas arruína ensino no Rio
| Autor(es): Luciano Máximo | Do Rio |
| Valor Econômico - 06/04/2011 |
Nos últimos cinco anos, o desempenho das escolas estaduais do Rio de Janeiro no principal indicador de qualidade do ensino do país ficou praticamente estagnado, variando de 2,6 para 2,8, abaixo da meta de 2,9. A nota vermelha no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio coloca o segundo Estado mais rico do Brasil à frente apenas do Piauí, cujo orçamento da educação é R$ 1,2 bilhão, um terço do gasto do Rio. A repartição de recursos do Fundo de Manutenção da Educação Básica e de Valorização do Magistério (Fundeb) mostra ainda que o investimento anual por estudante do ensino médio fluminense, de R$ 2.061, é maior que a média do gasto de todos os Estados nordestinos (R$ 1.697). Embora mais recurso na educação seja uma reivindicação fixa e sempre desejada, a explicação para o péssimo quadro do Rio não é dinheiro. É política. Contínuas interrupções de projetos educacionais do Estado são apontadas por especialistas como uma das mais fortes razões para os problemas. Nos últimos 35 anos, cada governador mudou três vezes o comando da educação, em média. Entra governo, sai governo, ficaram pelo caminho a experiência do ensino em tempo integral, de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola (1983-1987); o estabelecimento de um plano de carreira para o magistério, no governo Moreira Franco (1987-1991); as terceirizações na educação, de Marcello Alencar (1995-1999); a avaliação de desempenho com Anthony Garotinho (1999-2002); e o Plano Estadual de Educação, criado no primeiro mandato de Sérgio Cabral (2006-2010), agora substituído por novas diretrizes com validade de 12 anos, cuja coordenação está nas mãos do terceiro secretário de Educação de Cabral, o economista Wilson Risolia. A meta do dirigente é deixar o Rio entre os cinco melhores Estados no Ideb até 2014. O professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Gaudêncio Frigotto lembra que, a partir dos anos 70, a educação fluminense "começou a ser loteada com a entrega de diretorias regionais de ensino a políticos." A acadêmica Lia Ciomar de Faria, terceira secretária de Educação do governo Garotinho complementa: "É o fenômeno político conhecido por chaguismo", em alusão ao ex-governador biônico Chagas Freitas (1979-1983). "Até hoje a escola é um balcão de negócios, com indicação de professores e diretores e até controle de matrículas por deputados estaduais", observa Lia. O atual secretário Risolia não confirma, mas fala em forças que jogam contra. Tanto é que uma de suas primeiras medidas, de janeiro deste ano, foi instituir processo seletivo para todos os cargos estratégicos da educação, uma ação inédita no país. "Dos diretores regionais pedagógicos e administrativos ao subsecretário, abaixo de mim, todos os profissionais serão selecionados pelo perfil pragmático, de liderança, com traços de empreendedorismo", defende Risolia. Na barulhenta turma de 2º ano da Escola Estadual Jornalista Tim Lopes, no Complexo do Alemão, Lucas de Andrade, de 16 anos, também conclui que a culpa para os problemas educacionais do Rio é dos políticos. "Só ligam para a educação na hora da eleição, durante o mandato ela é esquecida", diz. O colega de classe Daniel da Cruz, de 17 anos, acha que "a escola não fala a língua do jovem". Para Daniela Messias, também de 17 anos, "os alunos são muito desinteressados". Já Luan Gonçalves, 17 anos, está animado com as novas amizades e a nova escola, inaugurada este ano dentro do projeto do PAC de revitalização das comunidades do Alemão. "Vi palestras com atletas e gente importante. Isso ajuda nos estudos, mas não rola em todos os colégios", diz Luan. O jovem tem razão. A escola Tim Lopes é exceção. As salas de aula são amplas, têm ar-condicionado, há laboratórios de ciência, de informática e de atividades vocacionais e culturais, um auditório espaçoso, vestiários para professores e até uma piscina semi-olímpica, com salva-vidas em dois turnos. Ela está entre as cem unidades escolares em ótimo estado, em um total de 1.457, segundo diagnóstico de infraestrutura da rede. O recente levantamento do governo aponta 62% dos colégios em condição regular, ruim ou péssima. Além dos problemas "físicos", o sistema de ensino estadual do Rio de Janeiro revela-se bastante debilitado internamente: 500 mil alunos nos níveis fundamental e médio (40% do total) têm defasagem idade-série, a taxa média de reprovação da rede chega a 22% e as matrículas estão estagnadas há dez anos. Há registro de evasão em muitas escolas, principalmente em unidades perto de favelas. A sindicalista Edna Felix elaborou uma cartilha para orientar alunos e professores em casos de violência externa e envolvendo os próprios alunos. "Temos que enfrentar tiroteios e agressões. Houve um caso de alunos que discutiram com a direção e apedrejaram a escola." A carência de professores na rede estadual ultrapassa a marca de 10 mil professores - o Estado conta hoje com 50,8 mil docentes, ante 79 mil em 2006. "Todo ano, 4 mil trabalhadores se exoneram ou entram em licença, estão desmotivados com o trabalho. Como alguém com nível superior fica na rede com um salário de R$ 700?", pergunta Beatriz Lugão, dirigente do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ). O salário-base do professor no Rio é de R$ 765 para carga semanal de 16 horas. Proporcionalmente a uma carga de 40 horas, o valor está entre os 15 melhores do país, mas não impede que o profissional faça inúmeras horas extras e trabalhe em outras escolas, realidade de todo o Brasil. Para atrair quadros, o governo começou também este ano a oferecer ajuda de R$ 50 para o transporte e de R$ 500, chamada de vale-qualificação, além de garantir remuneração extra para profissionais que cumprirem metas. A medida trouxe de volta à rede 200 professores desde janeiro, de acordo com a Secretaria de Educação. "São 12 mil professores cedidos para outras áreas ou em licença. Editamos decreto que desobriga a secretaria de pagar por esse profissional e vamos contratar uma empresa privada para rever as licenças médicas, que têm um comportamento curioso em dez anos: as solicitações sobem nos períodos de aula e caem durante as férias escolares. Abrimos concurso público para 1.372 professores de matemática e física", conta Risolia. Pagamento extra e meritocracia são rechaçados pelo sindicato e não tiveram consenso entre os docentes, mas são assuntos de muita reflexão nesses três primeiros meses de validade. "É uma forma de apoio ao nosso trabalho. Tudo que vem para valorizar é benéfico", opina Cristiane Dias, professora de português e inglês da escola estadual Caic Theóphilo de Souza, na comunidade pacificada Nova Brasília, uma das 12 favelas do Complexo do Alemão. Já para Leon Neves, que dá aulas de história na unidade, o salário deveria ser priorizado. "A educação não vai melhorar com agrados, vale-isso, vale-aquilo." De acordo com o sindicato, o último aumento salarial da categoria foi de 8%, em 2008. A entidade quer reajuste de 26%. Para este ano, o governo sinaliza apenas as remunerações extras, que só serão pagas no ano que vem e não vão contemplar os professores com menos de 70% de frequência. "As estatísticas indicam que não há relação entre salário alto e desempenho escolar. O que impacta na qualidade é o investimento elevado", acredita Risolia. Segundo ele, o Rio planeja ampliar o orçamento do setor a partir de 2012. A ideia é destinar entre 28% e 30% das receitas estaduais à educação. "Estados com melhores desempenho estão nessa margem." |
Falando "economês", novo secretário vai focar gestão
| Valor Econômico - 06/04/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/6/falando-economes-novo-secretario-vai-focar-gestao |
"Suprir a demanda", "analisar a curva de carência de professores", "maximizar recursos". O "economês" está instituído na gestão do ensino do Rio de Janeiro. Desde que assumiu a Secretaria Estadual de Educação, no fim de 2010, a convite do ex-secretário estadual da Fazenda Joaquim Levy, o economista Wilson Risolia se cercou de outros economistas, estatísticos e analistas de recursos humanos com o objetivo de dobrar a nota (2,8) do ensino médio do Rio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) até 2014 - nos últimos cinco anos, o Ideb do Rio variou apenas de 2,6 para 2,8. A orientação do trabalho da Secretaria sugere um choque de ordem, semelhante ao que Risolia implementou nos últimos três anos no RioPrevidência, zerando um rombo anual de R$ 2,5 bilhões no fundo de pensão dos servidores fluminenses. Especialista em engenharia financeira e desenvolvimento econômico, ele e sua equipe passaram os últimos cinco meses debruçados sobre uma montanha de tabulações e estatísticas sobre gastos, rendimento escolar, infraestrutura da rede, situação de docentes e pendências jurídicas. Em janeiro, Risolia anunciou uma economia de R$ 111 milhões no orçamento da pasta, a criação de um índice de infraestrutura da rede e um pacote de decretos que institui o currículo mínimo, a política de meritocracia e o processo seletivo para cargos estratégicos. Um exemplo do choque de gestão é a racionalização dos gastos com reformas e construção de escolas. As condições físicas da rede foram mapeadas. "Várias unidades têm problemas com telhado, é mais barato licitar vários serviços." Risolia contou que o governador Sérgio Cabral cobrou dele a entrega de 40 novas escolas até o fim do mandato. A secretaria trabalha num modelo de licitação para várias escolas simultaneamente, com projetos arquitetônicos padronizados. O investimento será de cerca de R$ 400 milhões. "Já existe um padrão. A primeira escola é entregue em 150 dias. A partir da segunda unidade, a reprodução é seriada, com 90 dias de obra." O Ideb de cada uma das 1.457 escolas da rede também foi mapeado. As escolas em situação mais crítica terão atenção especial. Painéis de controle nos gabinetes do governador e do secretário vão identificar como as escolas estão se comportando em relação às metas. Até aqui, a análise dos números mostrou que as 50 piores escolas do Rio são todas compartilhadas (unidades da prefeitura usadas à noite pelo Estado). A preparação dos professores, o conteúdo e o acompanhamento das metas dessas escolas terão prioridade. As 286 escolas compartilhadas também são candidatas naturais a mudar de endereço, para unidades reformadas ou novas. "Isso é simples de entender: os alunos dessas escolas são de classe de renda mais baixa, que precisam trabalhar, chegam mais tarde para a aula e saem mais cedo porque há questões de segurança. O ideal é conseguir suprir essa demanda diferenciada, conduzir esses jovens de maneira diferente, com dinâmicas de aula diferentes", planeja. Risolia diz que se espelha no trabalho do colega José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública, que liderou a pacificação de favelas. "Atravessamos a segurança com um gestor duro, objetivo, sério, correto, que tinha um foco e o seguiu até chegar onde estamos hoje. Se fizer 10% do que o Mariano está sendo será um avanço." |
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Área de atração
Área de atração
| Autor(es): Heloisa Magalhães e Chico Santos | Do Rio | ||||||||||||||||||||||||
| Valor Econômico - 31/03/2011 | ||||||||||||||||||||||||
Caiu como um pote de ouro no compartimento do ego brasileiro a declaração do presidente americano, Barack Obama, tanto em Brasília como no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, de que "o futuro já chegou" para o Brasil. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, puxou o pote para dentro de casa: "Se o Brasil é esse país que o presidente Obama está dizendo, o Rio é hoje o melhor lugar para se investir nesse país", afirma, ressaltando que a cidade e o Estado vivem um momento praticamente inédito de conjugação de fatores positivos para a atração de investimentos. "Desde o primeiro dia do meu governo (janeiro de 2007) eu tinha o objetivo de "vender" o Rio de janeiro no exterior para atrair novos investimentos e fazer com que o Estado saísse da estagnação econômica em que estava. Era sair da toca mesmo, mostrar que o Rio não era unicamente um destino turístico, mas também empresarial", explica o governador Sérgio Cabral Filho, cujo governo é visto como um divisor de águas entre a decadência da várias décadas e os sinais cada vez mais fortes de renascimento. É essa imagem que Cabral tenta mais uma vez vender hoje, em Washington, na abertura de seminário "Rio de Janeiro: desenvolvimento e atração de novos investimentos" organizado pela Câmara de Comércio Americana, Valor Econômico e "Washington Post". O sucesso no esforço para atrair o jogo final da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 serve de moldura para a composição do ambiente. Neste cenário, segundo a versão 2011-2013 do "Decisão Rio", levantamento periódico feito pela Firjan das intenções firmes de investimentos, empresas e governos preparam-se para despejar R$ 181,4 bilhões (US$ 102 bilhões) em projetos industriais, turísticos, de infraestrutura e de serviços no Estado. "Para mim, o que o governador Cabral trouxe foi o redesenho do Estado e da administração pública do Rio que não existia. Cabral fez concurso para fiscal de renda, organizou o Inea (órgão ambiental do Estado) e a segurança foi inteiramente revista. Esse tripé, que está em permanente construção, permite ao investidor ter uma interlocução com o poder público absolutamente organizada", ressalta Gouvêa Vieira. Outro aspecto considerado absolutamente essencial pelo presidente da Firjan para a inversão de expectativas no Rio foi o alinhamento político entre o governo do Estado, governo federal e prefeitura da capital, algo que não vinha ocorrendo ao longo das últimas décadas. Entre outros benefícios, o Estado tornou-se um dos principais destinos dos investimentos federais no país, com obras de infraestrutura em favelas e construção do Arco Rodoviário Metropolitano, bem como as inversões da Petrobras, empresa controlada pelo governo federal. A Petrobras lidera, com cerca de 60% do total (R$ 107,9 bilhões ou US$ 60,7 bilhões), os investimentos no Rio até 2013, mostrando que a liderança do Estado na indústria do petróleo e gás do Brasil permanecerá firme por várias décadas. Hoje, o Rio responde por mais de 80% da produção da estatal em território brasileiro. Em seguida, vêm os investimentos em infraestrutura (R$ 36,3 bilhões ou US$ 20,4 bilhões) e na indústria de transformação (R$ 29,5 bilhões ou US$ 16,6 bilhões). A disputa acirrada entre as grandes empresas de tecnologia e serviços do setor, como Schlumberger, Baker Hughes, GE e outras, por um espaço para instalação de centros de pesquisas no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela que o mercado elegeu o Rio de Janeiro como a capital da exploração das imensas reservas petrolíferas do pré-sal brasileiro. Os centros de pesquisas reforçam a posição da cidade como um dos principais polos de inovação do país. O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Julio Bueno separa claramente, do ponto de vista econômico, o governo Cabral em duas fases, representadas pelo primeiro mandato (2007-2010) e pelo segundo, iniciado há menos de três meses. Segundo ele, o primeiro mandato teve como estratégia melhorar o ambiente de negócios, passar credibilidade para os empresários e atacar o problema da segurança pública. "Foi inteiramente cumprida." A análise de Bueno, feita com outras palavras, coincide inteiramente com a visão empresarial passada pelo presidente da Firjan. Para o segundo mandato, avalia o secretário, "a estratégia é buscar o crescimento econômico". No seu entendimento, os investimentos estão garantidos. "O que temos a fazer é aproveitar para maximizar a virtudes desse crescimento". Para Bueno, o esforço para injetar conteúdo local nesse processo de crescimento é básico. "É fundamental para que a gente possa fazer com que os arranjos produtivos se encadeiem não só na indústria do petróleo, mas na automobilística, na siderúrgica e em todos os demais setores", enumera. Para o economista Mauro Osório, um dos mais reconhecidos estudiosos da economia fluminense, "planejamento" é a palavra-chave para que o Rio de Janeiro leve adiante as conquistas já obtidas e consiga transformá-las em bem-estar para sua população, a razão de ser de qualquer política pública. Planejar, na visão de Osório, é orientar os investimentos de modo a que eles possam fazer aquela maximização de resultados preconizada pelo secretário Bueno, no plano regional, no setorial. Do ponto de vista regional, ele elege duas medidas recentes do governo do Estado: a criação de um comitê gestor para a reconstrução da região serrana, devastada por enchentes ocorridas em janeiro, e de um comitê para propor, em 180 dias, ações voltadas para a integração entre os municípios que formam a região metropolitana da capital. A periferia do Rio ainda é, basicamente, dormitório. Cerca de 70% de todo o emprego está na capital. Com o Arco Metropolitano, uma via de pista dupla de 145 quilômetros interligando os limites internos da região metropolitana da capital, o economista considera essencial aproveitar o terminal de contêineres do porto de Itaguaí para atrair indústrias em seu entorno. "Temos que pensar em complexos produtivos", enfatiza Osório, destacando os de petróleo e gás e de entretenimento como os principais no Estado. Na área de petróleo, ele considera essencial que cada vez mais os projetos de engenharia sejam feitos no próprio Estado. Na petroquímica, dar maior densidade ao polo de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), atraindo indústrias de plásticos, geradoras de empregos. Embora seja a maior cidade industrial da periferia do Rio, Caxias tem só 2,9% da população empregada na indústria, segundo dados do IBGE de 2009 compilados por Osório. A modernização da indústria naval, reativada ao longo dos últimos anos e intimamente ligada ao crescimento da indústria do petróleo e gás é outro ponto fundamental. O economista sugere estimular a recém-inaugurada Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), do grupo alemão Thyssenkrupp, a produzir também para o mercado interno (ela é 100% exportadora), fornecendo chapas de aço para a indústria naval. Na vertente básica da segurança pública, o desafio para Osório é universalizar os benefícios das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que estão expulsando o poder paralelo do narcotráfico e das milícias das favelas da capital e da sua periferia. O governador Cabral definiu essa universalização como uma das bandeiras do seu segundo mandato. Os números mais recentes do IBGE mostram que a virada econômica do Rio já está acontecendo. Quando medidas de 2000 a 2010, as vendas do comércio varejista do Estado do Rio cresceram 45,1%, em comparação a 60,9% da média brasileira. De fevereiro de 2010 a janeiro de 2011, a média do Rio é de 10,6%, praticamente igual à de 10,7% do país. O mesmo acontece na geração de empregos formais. De 2000 a 2009, o crescimento no Estado ficou muito abaixo da média do país (41,7% contra 57,1%). De março de 2010 a fevereiro deste ano, os números são muito próximos: 7,14% no Estado e 7,45% no país, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De 2011 a 2016, cidade vai sediar seis megaeventos
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