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sábado, 18 de fevereiro de 2012

BNDES aprova crédito de R$ 307 mi para a Hyundai

Autor(es): ALEXANDRE RODRIGUES
O Estado de S. Paulo - 17/02/2012
 

O montante será aplicado na construção da fábrica de automóveis da montadora em Piracicaba

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou crédito de R$ 307,4 milhões para a construção da fábrica de automóveis da Hyundai em Piracicaba, no interior paulista. O financiamento corresponde a quase 30% do investimento total estimado para a primeira unidade industrial da montadora sul-coreana no Brasil, que é de R$ 1,1 bilhão.
As obras do empreendimento foram iniciadas há um ano, mas a aprovação do BNDES atrasou por causa de um contencioso tributário entre o governo brasileiro e a massa falida da Asia Motors, que foi adquirida pela também coreana Kia no fim dos anos 90. Como a Hyundai é a principal acionista da Kia, o BNDES precisou consultar a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional antes de conceder o crédito. O entendimento foi o de que a Hyundai não poderia ser impedida de contrair financiamento com o BNDES, já que não é o alvo direto do contencioso.
Haroldo Prates, chefe do departamento de indústria pesada da área industrial do BNDES, explica que a origem da cobrança do governo é a isenção de imposto de importação para vans da Asia Motors, em 1997, condicionada à instalação de uma fábrica na Bahia. A crise asiática de 1998 minou os planos da montadora, que quebrou, e a área em Camaçari acabou com a Ford. A Kia coreana não reconhece a dívida, de quase US$ 1 bilhão, cobrada pelo governo.
Segundo Prates, embora haja rumores de que a Hyundai pensa em fabricar também automóveis Kia na fábrica de Piracicaba, essa possibilidade não foi aventada no plano de negócios submetido ao BNDES. O executivo explicou que o crédito do banco de fomento representa pouco do investimento total da fábrica porque só pode ser usado em obras civis, treinamento e compra de equipamentos nacionais.
"Como é a primeira fábrica da multinacional no País, é natural que eles trabalhem com fornecedores estrangeiros", disse. Prates acrescentou que o banco também poderá financiar investimentos dos fornecedores que a montadora deverá atrair para a região, mas ainda não foi procurado. As operações do crédito aprovado pelo BNDES terão remuneração baseada na TJLP (6% ao ano), acrescidos de custos financeiros, e prazo de 78 meses para amortização.
Meta. O financiamento deverá acelerar o ritmo das obras para cumprir a meta de conclusão em março deste ano para o início da fase de testes. Os primeiros carros sairão para o mercado em 2013. A fábrica terá capacidade para produzir 150 mil unidades por ano.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

18 montadoras terão redução no IPI

 Atualizado em terça-feira, 31 de janeiro de 2012 - 17h55

Governo federal divulga lista das montadoras de automóveis que serão beneficiadas com o desconto de 30 pontos percentuais no IPI


O governo federal divulgou nesta terça-feira a lista definitiva das 18 montadoras de automóveis instaladas no Brasil que serão beneficiadas com o desconto de 30 pontos percentuais no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre a produção de veículos. O benefício vale até dezembro. A relação anterior era provisória.

As montadoras livres do pagamento da alíquota mais alta são Agrale, Caoa (Hyundai), Fiat, Ford, GM, Honda, Iveco, MAN, Mercedes-Benz, MMC, Nissan, Peugeot, Renault, Scania, Toyota, Volkswagen, Volvo e International Indústria Automotiva da América do Sul.

Todas essas as montadoras cumprem as regras de conteúdo nacional e de investimento em inovação. Entre as exigências está a utilização de, no mínimo, 65% de componentes nacionais, a realização no Brasil de ao menos seis de 11 etapas da fabricação e investimento de 0,5% do faturamento líquido em pesquisa e desenvolvimento aqui no país.


A relação das empresas habilitadas foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira. O texto diz que o benefício “está sujeito à verificação do cumprimento dos requisitos exigidos, bem como ao cancelamento da habilitação definitiva.”

A redução no pagamento do IPI é válida para os modelos fabricados no Brasil, no México, Uruguai e parceiros do Mercosul. Para essas empresas, o tributo fica entre 7% e 25%. As montadoras que não atenderam às condicionantes exigidas terão seus carros taxados entre 37% e 55%.

A maior parte das montadoras excluídas da lista é da Coreia do Sul e da China, segundo a assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Carros e aviões

Importações de carros

Valor Econômico - 12/01/2012

Importadores independentes de carros venderam 199,36 mil veículos no ano passado, resultado que supera em 87,4% o desempenho do ano anterior, conforme levantamento da Abeiva, a entidade que representa o setor. O desempenho foi estimulado pela valorização do real e pela chegada de novas marcas ao país, como a chinesa JAC Motors. Para este ano, a entidade projeta uma queda de 20% nas importações, que devem ser afetadas pelo aumento do IPI para carros de baixo conteúdo regional. Na divulgação dos resultados ontem, a Abeiva informou que algumas empresas decidiram adiar a abertura de lojas em decorrência da mudança tributária. Só em dezembro, o setor emplacou 19,15 mil veículos, uma alta de 42% na comparação anual e de 26,8% em relação a novembro.
Entregas da Embraer
A Embraer encerrou o ano passado com a entrega de 204 aeronaves, das quais 105 são comerciais e 99, executivas. Só no quarto trimestre, a fabricante brasileira entregou 32 unidades para o mercado comercial e 50 outras para o executivo, de acordo com comunicado da companhia. Até dezembro, a carteira de pedidos firmes a entregar (backlog) da Embraer somava US$ 15,4 bilhões.
São Paulo, quinta-feira, 12 de janeiro de 2012Mercado
Mercado
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Ford, GM e Fiat registram queda nas vendas em 2011
Redução na participação de mercado foi de até 1,3 ponto percentual
Por outro lado, marcas chinesas e japonesas como Chery e Nissan registraram os maiores crescimentos em vendas

VENCESLAU BORLINA FILHO

DE SÃO PAULOhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/19572-ford-gm-e-fiat-registram-queda-nas-vendas-em-2011.shtml

Três das quatro maiores fabricantes de veículos no Brasil -Ford, GM (General Motors) e Fiat- registraram queda nas vendas e consequente redução da participação no mercado brasileiro em 2011.
A Ford apresentou a queda mais acentuada em relação a 2010, seguida por GM e Fiat. Já a fatia de mercado das empresas variou negativamente de 0,82 a 1,3 ponto percentual no período.
Por outro lado, marcas com pouco tempo de comercialização no país tiveram os melhores resultados, impulsionando o resultado geral de aumento na venda de veículos em 2011, de 2,90%.
Segundo os dados da Fenabrave (federação dos distribuidores de veículos), as chinesas Chery e Hafei, as japonesas Nissan e Suzuki e a britânica Land Rover foram as que mais cresceram em vendas durante o ano.
"A competitividade gerada com a chegada de outras fabricantes, associada à falta de novos produtos por essas empresas, resultou nessa mudança", disse o professor e consultor da MSX International, Arnaldo Brazil.
Ford e GM não se manifestaram. A Fiat preferiu destacar a liderança do mercado brasileiro pelo décimo ano, "com uma vantagem de 55,8 mil sobre a segunda colocada no ranking brasileiro".
Para o presidente da Jaguar Land Rover na América Latina e Caribe, Flávio Padovan, os resultados demonstram o amadurecimento do mercado brasileiro, com novos players e mais ofertas.
"Não existe 'market share' acima de 20% no mercado mundial. Só no Brasil. Mas isso já está mudando. [A pulverização do mercado] aconteceu em todo o mundo. Aqui não vai ser diferente", disse.
Segundo ele, as vendas da Land Rover foram impulsionadas pelo crescimento do mercado de luxo no país e da renda do brasileiro. "Também inserimos novos produtos e nos reestruturamos."
Para o diretor de vendas da CN Auto, Humberto Gandolpho, a competitividade resultou no crescimento nas vendas da Hafei. "Somos a alternativa para quem busca um utilitário pequeno", disse.
ORIENTE
Fora do grupo das quatro maiores montadoras no Brasil, a Honda registrou a maior queda nas vendas em 2011. A redução nas vendas em relação a 2010 foi de 26,53%.
Segundo a direção da empresa, o terremoto seguido de tsunami no Japão e as enchentes na Tailândia afetaram a produção de peças e provocaram ajustes na produção de carros no Brasil.
A Peugeot também alegou os problemas no Japão para a queda de 4,99%. Segundo a empresa, a importação do modelo 3008 atrasou e marcou o fim da produção do 307.
São Paulo, quinta-feira, 12 de janeiro de 2012Mercado
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Emplacamentos de importados crescem 87% e chegam a 200 mil

DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/19573-emplacamentos-de-importados-crescem-87-e-chegam-a-200-mil.shtml

As vendas de carros importados cresceram 87,4% no ano passado em relação a 2010, segundo balanço divulgado ontem pela Abeiva (associação das empresas importadoras de veículos).
Ao todo, foram 199.366 unidades emplacadas. O resultado representa 5,8% das vendas no ano. No comparativo com as vendas de importados gerais, incluindo Argentina e México, a participação sobe para 23,3%.
Apesar disso, os importadores estimam queda de 20% nas vendas em 2012 por causa do aumento em 30 pontos percentuais do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), em vigor desde o dia 16 de dezembro.
O imposto foi elevado para veículos com menos de 65% de conteúdo nacional. "Com o Imposto de Importação e a alíquota maior do IPI, 2012 será um ano muito difícil para os associados da Abeiva", disse o presidente da Abeiva e da Kia no Brasil, José Luiz Gandini.
Em dezembro, as vendas dos importadores associados cresceram 26,8% em relação a novembro. Foram 19.151 unidades. Na comparação com dezembro de 2010, o resultado foi 42% maior.
Segundo dados da Abeiva, a venda total de carros importados (incluso Mercosul, México e outros países) foi de 853.729 unidades. Os importados da Anfavea (associação nacional dos fabricantes de veículos) somaram 654.363.
"É um absurdo alegar, diante desses números, que os importadores invadiram o mercado nacional e não preservam o emprego brasileiro", disse Gandini, referindo-se à medida do governo em elevar o IPI para importados.
A direção da Anfavea não foi encontrada ontem.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mercado emergente continua no foco das montadoras

Autor(es): Por Marli Olmos | De Detroit
Valor Econômico - 09/01/2012
 

Apesar de o crescimento de vendas de veículos nos Estados Unidos em 2010 ter reanimado o setor, o foco da estratégia das montadoras continua voltado para os mercados emergentes. No final deste ano, a General Motors começará a fabricar no México o seu mais recente modelo compacto, o Sonic, produzido hoje nos EUA e Coreia. A produção no México servirá para abastecer também o mercado brasileiro. Trata-se de uma maneira de a empresa aproveitar o benefício da isenção do Imposto de Importação, garantida pelo acordo comercial entre Brasil e México.
Os recentes resultados da indústria automobilística no mercado americano são mais motivo para festa no setor do que os próprios lançamentos de automóveis no salão de Detroit, que começa a ser apresentado à imprensa hoje. "É uma satisfação ver que a GM conseguiu fechar o ano com 14% de crescimento nas vendas no mercado americano", diz o vice-presidente da GM do Brasil, Marcos Munhoz. Não foi apenas a montadora americana que sentiu melhora nas vendas nos Estados Unidos nos últimos meses.
Os resultados de dezembro em particular, que mostraram volumes 9% acima do total de um ano atrás na média geral, animaram os fabricantes. No ano, o total de 12,8 milhões de veículos vendidos mostra crescimento em relação aos 11,6 milhões de 2010 e uma significativa recuperação na comparação com os 10,4 milhões de 2009, o ano que expôs a gravidade da crise que obrigou a indústria automobilística americana a pedir socorro financeiro ao governo. Mesmo assim, o desempenho está ainda longe dos tempos em que o mercado americano chegava a volumes em torno de 17 milhões de unidades.
O aumento no nível de emprego nos EUA, divulgado na semana passada, também colabora para melhorar o ambiente que envolve o salão. Até o clima ajuda. A cidade que costuma estar escura e coberta de neve nessa época, iniciou o ano com dias ensolarados e parte da vegetação ainda verde.
Para a presidente da GM do Brasil, Grace Lieblein, que viveu muitos anos na região de Detroit, o cenário, está, de fato bem menos sombrio, o que ajudará o setor a fazer um salão mais otimista. "Todos os fabricantes americanos estão vivendo dias melhores", diz.
Lieblein não confirma que a GM pretende vender seu novo modelo compacto Sonic no Brasil. Mas a intenção ficou clara ontem, quando a montadora decidiu convidar jornalistas brasileiros para irem até seu museu de carros antigos a bordo de dez unidades do novo modelo. Na entrada do museu o grupo era aguardado por ela, ansiosa por saber as impressões do "test drive".
No Brasil, o Sonic entraria na faixa de mercado ocupada hoje pelo Novo Fiesta, que a Ford também importa do México. Trata-se de um segmento chamado no Brasil de compacto premium, com preços em torno de R$ 50 mil. Nos EUA, o modelo é vendido por US$ 15 mil, em média.
O Sonic representa uma nova cultura de automóvel no país habituado aos carrões. É por isso, que as vendas desse segmento de compactos ainda são tímidas. Em 2011, foram vendidos nos EUA 300 mil veículos desse segmento, o que representou pouco mais de 2% do mercado. Segundo o chefe de engenharia do Sonic, John Buttermore, as vendas desse tipo de carro tendem a crescer. Mas, ao contrario do Brasil, onde veículos assim são usados quase sempre para levar a família toda, nos EUA a GM busca atrair os solteiros, aposentados ou quem busca o segundo carro da família. Ele diz que o consumidor local já está deixando de se perguntar se automóveis como esse não são "pequenos demais".
Mesmo com a recuperação das vendas no mercado local, é, porém, nos países emergentes que os fabricantes americanos mantêm as estratégias de crescimento mundial. Por isso, à esteira do lançamento de um compacto como o Sonic vem sempre a pesquisa das chances de estender as vendas do veículo para as regiões como o Brasil, onde a GM já concentra cerca de 10% das vendas no mundo.
Há seis meses no comando da subsidiária brasileira, Lieblein diz que 2012 será um ano importante para a GM no Brasil por conta da renovação de produtos. Segundo ela, a empresa vai lançar sete modelos este ano.
A executiva também se prepara para organizar, junto com a direção mundial da companhia, o próximo plano de investimentos no Brasil. "Em algum momento neste ano teremos que decidir volumes de recursos a serem aplicados a partir de 2013 e saber quanto será destinado à modernização de produtos e ampliação industrial".
Lieblein diz que a empresa leva em conta até a possibilidade de ter mais uma fábrica no Brasil. A GM já produz veículos em São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS). Está construindo uma fábrica de motores em Joinville (SC) e prestes a definir outra unidade para a produção de transmissões.
Em fase de expansão do Cobo Hall, nome do pavilhão de exposições, Detroit começa a apresentar hoje à imprensa sua 24ª edição do salão do automóvel. Numa maratona de mais de 30 entrevistas, serão apresentados 40 lançamentos. Para o público, a feira será aberta de 14 a 22. Para os aficionados mais abastados, foi preparada exposição especial já ontem: cem pessoas pagaram US$ 500 por um ingresso para visitar uma galeria dos mais luxuosos exemplares de marcas, como Aston Martin, Corvette, Ferrari, Jaguar e Rolls Royce.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Montadoras voltam a demitir

A indústria automobilística brasileira encerrou 2011 com recorde de produção e de vendas, mas também com demissões, fato que não ocorria desde junho de 2009. Em dezembro, foram cortadas 669 vagas nas montadoras, sendo 529 pelas fábricas de veículos e 140 pelas de tratores. O setor fechou o ano com 144.710 funcionários, ainda assim o maior contingente dos últimos 25 anos. Em relação a 2010, há 8.610 empregados a mais nas fábricas atualmente.

A reportagem é de Cleide Silva e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 06-01-2012.

Após 28 meses seguidos de aumento do quadro de pessoal, as montadoras pararam de contratar em novembro e, no mês passado, promoveram cortes, sinal de que o fôlego do setor diminuiu. Novas baixas vão ocorrer. A fabricante de caminhõesScania, do ABC paulista, avisou que não renovará contratos de 138 funcionários.

Eles foram contratados em regime temporário por um ano, prazo que vence até março. A empresa também está promovendo dispensas na matriz sueca e alega dificuldades com a crise na Europa e incertezas quanto à demanda na América Latina.

Para o consultor da CSM WorldWide, Fernando Trujillo, o bom momento da indústria automobilística registrado no fim de 2010 e início de 2011 "acabou". Ressalta ainda que o aumento das importações "afeta muito a produção local".

No ano passado, foram vendidos no País 3,63 milhões de veículos, dos quais 23,6% importados, a maior parte pelas próprias montadoras, que trouxeram produtos principalmente da Argentina e do México. O total de carros nacionais vendidos (2,77 milhões) é 2,8% inferior ao de 2010. Já o volume de importados (858 mil) é 30% maior.

A produção de 3,4 milhões de unidades foi apenas 0,7% superior ao resultado de 2010. O número inclui 541,5 mil veículos exportados, alta de 7,7% na comparação com o ano anterior
.

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para este ano aumento de 4% a 5% nas vendas e de 1,1% na produção. A exportação deve recuar 5,5%.

"A produção não deve recuperar o mercado perdido para os importados", diz Trujillo. Segundo ele, a medida do governo federal, que aumentou em 30 pontos porcentuais a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados de fora do Mercosul e do México, não vai ajudar na recuperação da produção nacional porque afeta uma minoria de produtos que vem de outros países, incluindo China e Coreia.

Reajustes
Além do repasse parcial da alta do IPI para os importados, de cerca de 15%, 2012 começou também com reajustes nas tabelas sugeridas pelas montadoras para os carros nacionais. O varejo, porém, continua oferecendo descontos até porque os estoques seguem altos, apesar da redução ocorrida em dezembro, o melhor mês do ano em vendas, com 348,4 mil unidades.

No fim do ano havia 347,3 mil carros nos pátios de montadoras e revendas, o equivalente a 30 dias de vendas. Em novembro, o estoque era de 373,5 mil veículos, ou 35 dias de vendas.

Segundo revendas, na virada do ano a General Motors aplicou reajustes médios de 1,6% nos modelos da marca. Ontem, a Volkswagen distribuiu novas tabelas com aumento médio de 1%. O último reajuste oficial da marca havia ocorrido em maio.

Quatro modelos tiveram reajuste maior, na casa dos 3%, porque passaram a ser equipados com airbag e freio ABS. A inclusão dos equipamentos no Gol Power, Gol Rallye, Voyage Comfortline e SpaceFox Trend resultou em aumento de R$ 1,3 mil.

Até novembro do ano passado, o IPCA (índice oficial de preços do IBGE) indicava queda de 2,8% nos preços de mercado dos carros novos. A inflação no mesmo período estava em 6%.




Indústria brasileira põe o pé no freio

Indústria quase parada
Autor(es): agência o globo:Henrique Gomes Batista
O Globo - 06/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/6/industria-brasileira-poe-o-pe-no-freio
Produção cresce menos que o esperado em novembro e mostra estagnação do setor

Depois de três meses cortando produção, a indústria voltou a crescer em novembro. Mas a alta, de 0,3% sobre outubro, foi menor que o esperado pelos analistas do mercado financeiro e insuficiente para compensar a perda de 2,6% na produção durante os três meses anteriores. Os números mostram que o setor ficou perto da estagnação, puxando para baixo o comportamento de toda a economia brasileira no ano passado. No acumulado em 12 meses, que em novembro de 2010 chegou a 11,8%, recuou em novembro de 2001 para apenas 0,6%. De janeiro a novembro, a produção industrial acumula alta de apenas 0,4% se comparada ao mesmo período do ano passado.
A O IBGE divulgou outros dados que comprovam a fragilidade do setor: em novembro a produção foi 2,5% menor que no mesmo mês de 2010 - pior resultado desde outubro de 2009, quando a redução nessa comparação foi de 3,1%.
- Parte dessa alta de novembro sobre outubro se deve à base de comparação muito baixa, pois os três meses anteriores a novembro foram de queda. Houve uma certa melhora nos níveis de estoques e uma certa redução da importação de alguns produtos, principalmente de bens intermediários - afirmou André Macedo, gerente de Análise e Estatísticas Derivadas do IBGE. - Em linhas gerais, ainda que se tenha uma recuperação em novembro, ainda há um comportamento bastante moderado da produção industrial.
O gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês, confirma que a indústria está quase parada:
- Apenas a partir do segundo trimestre, por conta dos efeitos defasados da redução de juros, a indústria vai se recuperar com mais vigor.
Na comparação de novembro com outubro, 18 dos 27 setores acompanhados pelo IBGE cresceram, com destaque para vestuário e acessórios (alta de 9,4%) e máquinas e equipamentos (4,0%). Entre as quedas de produção, o destaque ficou com máquinas para escritório e equipamentos de informática (redução de 8,3%). Quando se olha os grandes grupos da indústria, somente a produção de bens duráveis caiu frente a outubro, 0,9%.
- O acumulado em 12 meses segue apontando expansão, mas com clara redução no ritmo de crescimento desde outubro de 2010, quando a alta foi de 11,8% - disse Macedo.
PIB de 2011 pode ser reduzido para 2,8%
André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, afirmou que o resultado de novembro veio aquém do que ele esperava - alta de 0,5% na comparação com outubro. Esse resultado fez com que Perfeito reduzisse sua previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB, bens e serviços produzidos no Brasil) de 2011 de 2,92% para 2,84%:
- Isso dá força para medidas de compensação, como redução tributária para produtos nacionais ou elevação de taxas para conter a entrada de importados - disse ele, que espera uma evolução da produção industrial em 0,68% no ano passado e de 3% em 2012.
Eduardo Velho, da Prosper Corretora, acredita que esse resultado dá mais argumentos para as reduções de juros. Ele diz que a tendência para o setor é melhorar um pouco, por causa da valorização do dólar, que passou de R$1,70 para R$1,85, o que diminuiu a competitividade dos importados:
- A indústria brasileira já sentiu o impacto da crise na Europa.

A indústria pode estar pronta para uma reação

O Estado de S. Paulo - 06/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/6/a-industria-pode-estar-pronta-para-uma-reacao
 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em novembro (último levantamento) a produção industrial brasileira cresceu 0,3%, depois de três meses de quedas que acumularam recuo de 2,6%. Todos esses dados são dessazonalizados. A questão é saber se o dado de novembro assinala uma recuperação da atividade.
É difícil chegar a essa conclusão a partir da reação de um único mês num período pré-natal, em que a indústria alimentícia se preparava para fornecer ao varejo e em que a indústria automobilística costuma aumentar sua produção para atender ao aumento de vendas. Em termos não dessazonalizados, o que se nota é que a indústria em geral apresentou recuo de 0,4% no mês, e, em relação a novembro de 2010, o setor de alimentos teve aumento de 5,4%; o de bebidas cresceu 2,9%; e o de têxteis, 3,5%; melhora que se observa também no caso dos produtos de vestuário de preço mais baixo.
Mas, talvez, o fato mais importante é a evolução da produção de bens de capital, que, em valor dessazonalizado, apresentou crescimento de 1,6%, e, em valores absolutos, acusou aumento de 15,06% em relação a novembro do ano anterior para equipamentos com fins industriais, o que parece indicar uma inclinação da indústria para voltar a investir na produção ou na modernização, o que permite pensar que a atividade industrial em 2012 poderá reagir, depois de um ano muito ruim como foi 2011.
No que se refere a bens de consumo duráveis, apenas veículos automotores e mobiliário exibem aumento de produção maior que a de novembro do ano anterior.
Diante desses resultados, seria normal que o setor se indagasse para saber o que pretende fazer, e como, para apresentar neste ano uma produção maior do que nos dois anos passados. Não há dúvida de que a maior arma para alcançar esse alvo seria procurar produzir com uma dose maior de inovação, o que exigiria que o setor aumentasse seus gastos em pesquisas e que o governo apoiasse na medida do possível esse esforço.
Seria já um sucesso se a indústria brasileira conseguisse produzir a um custo menor para poder enfrentar em melhores condições a concorrência no mercado internacional. Esse objetivo passa, é claro, pelo aumento da produtividade, que não depende apenas de máquinas mais eficientes, mas também de operários mais bem preparados.
Seria necessário examinar em quais produtos podemos ter superioridade - o etanol não serve, dado o seu malogro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vendas de carros frustram metas, mas batem recorde

Autor(es): Por Eduardo Laguna | De São Paulo
Valor Econômico - 03/01/2012
 

No ano em que os veículos importados se destacaram, as vendas de carros no Brasil tiveram em 2011 um novo marco histórico, mas ficaram abaixo das metas traçadas param o período.
Dados preliminares baseados nos emplacamentos de veículos mostram que houve um aumento de 2,9% no total de automóveis e comerciais leves vendidos em 2011. No total, foram negociadas 3,42 milhões de unidades, superando o volume recorde de 2010, que somou 3,32 milhões de carros novos.
As previsões da Fenabrave - entidade que abriga as revendas de carros - apontavam para um crescimento maior, da ordem de 5,9%, nas vendas do ano passado.
Em dezembro, a Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil, revisou de 5% para 3,3% sua estimativa de crescimento do mercado - incluindo, neste caso, caminhões e ônibus, além dos automóveis e comerciais leves.
Em 2011, o setor operou sob o impacto de medidas do governo para esfriar o consumo no primeiro semestre, além das iniciativas para frear as importações de veículos, o que inclui restrições alfandegárias - como o fim das licenças automáticas para carros importados - e a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros com índice de nacionalização inferior a 65%.
Mesmo assim, estimuladas pelo real valorizado, as importações de carros conseguiram, na contramão do desempenho negativo dos produtos nacionais, sustentar o crescimento do mercado automobilístico.
Segundo dados coletados pela Anfavea até novembro, enquanto as vendas de veículos nacionais mostravam queda de 1,4%, as importações cresciam substanciais 32,3%. Ou seja, o mercado voltaria a registrar retração não fosse a maior entrada dos produtos estrangeiros.
Essa realidade se reflete na distribuição das vendas por marca em 2011. Conforme levantamento da consultoria Oikonomia, as vendas de carros chineses cresceram mais de quatro vezes em 2011 e morderam cerca de 2% do mercado.
O período foi marcado pela chegada no começo do ano dos carros da JAC Motors, que adotou uma estratégia agressiva tanto em marketing quanto em distribuição. Também em destaque, a fatia da japonesa Nissan subiu de 1,1% para quase 2%, na esteira do lançamento do compacto March no país.
Diante de números que mostram uma posição mais expressiva no mercado brasileiro, JAC e Nissan anunciaram no ano passado planos de produzir carros no Brasil. A marca chinesa pretende erguer uma fábrica em Camaçari, na Bahia. Já a Nissan vai instalar sua unidade produtiva em Resende, no Rio de Janeiro. As empresas com planos de entrar no Brasil pedem, contudo, uma flexibilização das exigências de conteúdo nacional colocadas pelo governo.
Em um cenário mais competitivo, as maiores montadoras instaladas no país cederam participações de mercado, mas ficaram com suas posições inalteradas no ranking das marcas mais vendidas. Apesar de uma queda de 0,9% nos emplacamentos, a Fiat manteve a liderança de mercado, com 22% do total comercializado no país no ano passado. Na sequência, aparecem a Volkswagen (20,4%), a General Motors (18,5%) e a Ford (9,2%).
No total, as vendas de carros zero quilômetro no Brasil apresentaram no mês passado uma queda de quase 9% na comparação com dezembro de 2010, que foi o melhor mês da história para a indústria automobilística brasileira. Ainda assim, dezembro teve o melhor volume em 2011, com cerca de 329 mil unidades emplacadas, segundo balanço da Oikonomia.
De acordo com a consultoria, as vendas de carros movimentaram R$ 155,2 bilhões em todo o ano passado, 8,3% a mais do que em 2010 (R$ 143,3 bilhões).
Os números consolidados do mercado automobilístico em 2011, assim como as previsões para este ano, serão divulgados amanhã pela Fenabrave.

Vendas de automóveis batem recorde em 2011

Autor(es): MARCELO REHDER
O Estado de S. Paulo - 03/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/3/vendas-de-automoveis-batem-recorde-em-2011
 

Apesar do crescimento de 2,9% ante 2010, desempenho do ano ficou abaixo do esperado

A indústria automobilística bateu novo recorde de vendas no mercado brasileiro em 2011. O emplacamento de carros e comerciais leves somou 3,426 milhões de unidades, segundo fontes do setor. O número representa crescimento de 2,9% sobre a marca anterior, registrada em 2010, quando foram vendidos 3,329 milhões de veículos. Foi o quinto recorde consecutivo de vendas registrado pelas montadoras no País.
Ainda assim, o resultado ficou abaixo das estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que projetava para as vendas internas do setor como um todo crescimento de 5% no começo de 2011 e revisou sua previsão para 3,3% em novembro último. As projeções iniciais da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) para o ano apontavam crescimento de 4,2% nas vendas de automóveis e comerciais leves.
Apostas. As montadoras acreditavam que o pagamento do 13.º salário ajudaria a empurrar as vendas no fim do ano, assim como as medidas do governo que reduziram as exigências para financiamentos de longo prazo impostas em dezembro do ano passado, quando a intenção era frear o consumo.
Além disso, em meados de dezembro, passou a valer a elevação em 30 pontos porcentuais da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos importados. As vendas de importados vinham apresentando forte crescimento desde o início do ano. O novo valor do imposto tem validade até o fim de 2012.
O desempenho de dezembro ficou 8,8% abaixo do alcançado em igual período de 2010. As vendas de carros e comerciais leves novos somaram 329,2 mil unidades no mês, ante 361,2 mil em dezembro do ano anterior. Já na comparação com novembro de 2010, o resultado foi um crescimento de 7,8%.
Ranking. A italiana Fiat segue na liderança do mercado de automóveis e comerciais leves. A fabricante somou 754.276 unidades vendidas em 2010 (22% de participação). A alemã Volkswagen ficou com a segunda maior fatia do mercado, com 698.404 unidades (20,4%), seguida pela americana General Motors, com 632.259 (18,4%).
A Ford manteve-se no quarto lugar, com 314.016 unidades vendidas (9,2%) e a Renault, em quinto, com 194.294 (5,7%).
Os números oficiais das vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, assim como o ranking das montadoras, serão divulgadas amanhã pela Fenabrave. / COLABOROU ALINE BRONZATI

Venda interna de carros bate nova marca histórica

Autor(es): agência o globo:
O Globo - 03/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/3/venda-interna-de-carros-bate-nova-marca-historica
 

Mas avanço de 2,9% em 2011 é abaixo do esperado. IPI de importados pesa no resultado
SÃO PAULO. As vendas de automóveis e veículos comerciais leves somaram 3,426 milhões de unidades em 2011, crescimento de 2,89% sobre o recorde alcançado em 2010, informou uma fonte do mercado à agência de notícias Reuters. Apesar do novo recorde, o número está aquém do esperado pelo setor, que vinha apostando em uma alta de 5,9%. Os dados oficiais serão divulgados pela Fenabrave, entidade que reúne representantes do segmento, amanhã.
Considerando apenas o mês de dezembro, as vendas totalizaram 329.237 unidades, expansão de 7,85% ante novembro, mas queda de 8,9% na comparação anual.
O desempenho no ano deverá ficar abaixo do esperado por causa da elevação de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos importados. A medida, anunciada em setembro passado e válida até o fim de 2012, visa a conter a avalanche de veículos importados, sobretudo chineses.
A montadora italiana Fiat manteve a liderança em 2011, com cerca de 754,3 mil automóveis e comerciais leves vendidos. Volkswagen (698,4 mil) e General Motors (632,2 mil) vêm em seguida.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Coreana Hyundai turbina Piracicaba

São Paulo, domingo, 18 de dezembro de 2011Mercado
Mercado


Polo automotivo leva cidade a decisão inédita, de orientar novos investidores a procurar outras cidades da região
Município avalia que impacto econômico da montadora levará pelo menos dez anos para ser assimilado
AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A PIRACICABA
Deok Soo Kim tem 29 anos. Simpático, tenta ensinar ao repórter a pronúncia correta, em coreano, de "obrigado". Em vão. Kim é um dos 700 expatriados coreanos que transitam ligeiros e quietos pelos mais de 70 mil metros quadrados do mais novo polo automotivo do Brasil.
Instalado em Piracicaba, município distante 160 quilômetros a noroeste de São Paulo, a fábrica da coreana Hyundai está mudando o status industrial da velha cidade canavieira.
Mudou tanto que o município decidiu adotar uma posição, no mínimo, curiosa: Piracicaba está recusando novas indústrias e orientando-as a buscar abrigo nas cidades vizinhas.
"Se a indústria quiser vir para Piracicaba, tudo bem. Mas agora não tem benefício, não tem terreno. Só com a Hyundai vamos precisar de dez anos para assimilar tudo o que veio para cá", diz José Antônio de Godoy, secretário de governo de Piracicaba.
Com investimento de US$ 600 milhões, a Hyundai corre para começar a testar a fábrica em abril de 2012 e inaugurá-la em novembro do próximo ano. Pelas esteiras e elevadores passará um veículo compacto inédito em qualquer uma das seis fábricas da montadora no mundo: o Projeto HB (Hyundai Brasil).
O plano é produzir em Piracicaba 150 mil veículos por ano. Para isso, a montadora vai contratar 2.000 funcionários. A marca já atraiu nove autopeças para o parque automotivo. Mais fornecedoras brasileiras do novo carro da Hyundai estão habilitadas para o projeto HB.
Toda a estrutura está sendo erguida numa área de 1,84 milhão de metros quadrados, onde antes brotava cana-de-açúcar.
EFEITOS
Resultado do plano Investe São Paulo, criado pelo governo estadual, o projeto da Hyundai dará novo impulso à cidade de Piracicaba. A desapropriação da área rural para a instalação do parque automotivo custou R$ 5,5 milhões. A cidade calcula que vai recuperar cada centavo.
A meta de produzir 150 mil veículos por ano resultará no aumento da participação da cidade no bolo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Piracicaba estima que só a Hyundai vai incrementar as receitas desse imposto em mais de R$ 30 milhões por ano. Hoje, a cidade arrecada R$ 350 milhões. "O valor deve ser maior, mas não temos como estimar os efeitos das fornecedoras", diz Godoy.
Os efeitos econômicos já começaram. A cidade vai ganhar novo shopping. Quinze novos condomínios já foram lançados.
"São investimentos que não possuem o benefício fiscal do setor automotivo e que, portanto, já geram efeitos nas receitas da cidade."
A formação técnica também avançou. Instituições dos governos federal e estadual e da indústria (o Senai) ampliaram a oferta de cursos de 1.200 para mais de 2.500 vagas por ano.
Todos correm. O brasileiro Jairo Pierin, 33, e o amigo coreano Kim vão ajustando os robôs enfileirados na seção de montagem dos chassis. E ambos sabem que estão próximos de um recorde: erguer uma fábrica de automóvel em um ano e nove meses.



Nem coreano, nem português; vale o inglês
DO ENVIADO A PIRACICABA
Funcionários brasileiros e coreanos da Hyundai criaram uma lista com 67 verbetes para facilitar o diálogo imprescindível ao processo de construção do complexo industrial de US$ 600 milhões.
Expressões cotidianas, como "bom dia", "boa tarde", ou perguntas do tipo "qual o seu nome", fazem parte da lista. Acharam de incluir até a frase "Sarán rêio" (pronúncia, em língua coreana, para "Eu te amo").
Mas, entre as línguas coreana e portuguesa, o que mais se ouve no canteiro de obras da fábrica da Hyundai em Piracicaba é o inglês.
Eui Hwan Jin, diretor-executivo de administração -um dos quatro diretores da montadora no Brasil-, tem uma missão bastante importante, e usa o inglês para isso.
A meta é introduzir a cultura da península sul-coreana no dia a dia dos 2.000 funcionários brasileiros que a montadora se prepara para começar a contratar.
Há 26 anos na companhia, Jin tem experiência internacional em novos projetos e em novos mercados. Ele foi executivo na implantação das fábricas dos Estados Unidos e da Índia, e sabe que cada país tem suas peculiaridades.
"O grande desafio é trazer a cultura da organização. A recepção local é sempre muito boa, afinal estamos montando uma fábrica. Mas há desafios para fazer o projeto funcionar", afirma Jin.
Os brasileiros envolvidos na instalação da fábrica já perceberam que hierarquia é um conceito central na cultura coreana. "Jamais poderei ser mais velho do que meu chefe", explica um brasileiro. A presença coreana em Piracicaba vai diminuir, mas a meta é ter a onipresença.
Dos 700 coreanos expatriados que rodam o complexo automotivo (o que inclui 400 só na Hyundai e 300 das demais nove autopeças), poucos ficarão. Após a montagem da maquinaria, a maior parte volta para a Coreia.
A Prefeitura de Piracicaba avalia que cerca de 150 coreanos devem ficar na cidade. A ideia inicial de que Piracicaba seria "invadida" por coreanos começa a diluir.
Dos quatro restaurantes inaugurados para a "colônia" coreana, apenas dois estão abertos. Uma igreja metodista missionária para a comunidade daquele país também surgiu na cidade. A igreja metodista tem tradição em Piracicaba. Possui até uma universidade.
(AB)




São Paulo, domingo, 18 de dezembro de 2011Mercado
Mercado

MERCADO ABERTO
MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias@uol.com.br
POR DENTRO DA EMPRESA
TRÊS CARROS POR MINUTO
Fábrica em Minas produz 15 modelos e mais de 50 versões
'Chinês quer baixo conteúdo nacional'
Cledorvino Belini, presidente da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos automotores) e da Fiat, afirma que chineses que anunciam fábrica no país não planejam produzir carros com alto conteúdo nacional.
"A Jac Motors disse que vai fazer uma fábrica na Bahia com R$ 900 milhões. Fico pensando, mas nós somos idiotas aqui. Gastei R$ 1 bilhão para fazer um carro [o novo Palio], e o cara vai fazer fábrica e produto? O diferencial é o índice de nacionalização. Trabalhamos com índice muito alto e quem está chegando está pensando em índice baixo", afirma.
"Quem entra acha fácil atender [aos 65% de nacionalização exigidos]. Pode produzir na Argentina, no México e trazer."
O percentual de carros que montadoras no Brasil trazem do Mercosul e do México é de cerca 13%.
"Os próprios fornecedores e montadoras estavam comprando componentes na Ásia. A tendência agora é reduzir essas importações."
O setor, com caminhões e ônibus, deve crescer em torno de 5% em 2011, estima. O Brasil já fecha como quinto mercado, "atrás da Alemanha, mas mais atrás, do ponto de vista industrial. O país está importando muito".
Em 2011, o Brasil deve trazer cerca de 850 mil veículos e exportar 500 mil, estima.
Belini afirma que não basta o governo exigir investimentos em pesquisa e inovação. "No mundo, essa área é muito subsidiada. A 'Lei do Bem' talvez não seja suficiente ainda", diz.
"Uma coisa é exigir e outra é realmente investir. Temos custo de capital alto, enquanto o de nossos concorrentes é próximo de 1%."
A empresa começou em 2011 a investir R$ 10 bilhões (do plano até 2014), sendo R$ 7 bilhões na fábrica em Betim (MG), para elevar a produção. O resto irá para a nova unidade em Pernambuco.
"A tendência é fazermos aporte similar em 2015."
A Fiat, como a indústria em geral, reclama do custo da energia. "Em Minas, é mais cara que em outros Estados, como SP. A única solução que encontrei é que em Pernambuco a energia é mais barata", ironiza, em alusão à crítica mineira pela escolha do Estado para a nova planta.
Com relação à crise, Belini afirma não temer grande efeito negativo, dado o forte mercado interno. "O cenário [ante 2009] é outro hoje. Não acredito que se toque em IPI."
com JOANA CUNHAVITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ



sábado, 17 de dezembro de 2011

Mobilidade versus carrocentrismo

O automóvel "é a unidade entre duas eras em extinção: a do petróleo e a do ferro. Pior: a inovação que domina o setor até hoje consiste muito mais em aumentar a potência, a velocidade e o peso dos carros do que em reduzir seu consumo de combustíveis", constata Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA, do Instituto de Relações Internacionais da USP e pesquisador do CNPq e da Fapesp, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 14-12-2011.

Segundo ele, "eficiência no uso de materiais e de energia, oferta real de alternativas de locomoção e estímulo ao uso partilhado do que até aqui foi estritamente individual são os caminhos para sustentabilidade nos transportes. A distância com relação às prioridades dos setores público e privado no Brasil não poderia ser maior".
Eis o artigo.
Automóveis individuais e combustíveis fósseis são as marcas mais emblemáticas da cultura, da sociedade e da economia do século XX.

A conquista da mobilidade é um ganho extraordinário, e sua influência exprime-se no próprio desenho das cidades. Entre 1950 e 1960, nada menos que 20 milhões de pessoas passaram a viver nos subúrbios norte-americanos, movendo-se diariamente para o trabalho em carros particulares. Há hoje mais de 1 bilhão de veículos motorizados. Seiscentos milhões são automóveis.

A produção global é de 70 milhões de unidades anuais e tende a crescer. Uma grande empresa petrolífera afirma em suas peças publicitárias: precisamos nos preparar, em 2020, para um mundo com mais de 2 bilhões de veículos.

O realismo dessa previsão não a faz menos sinistra. O automóvel particular, ícone da mobilidade durante dois terços do século XX, tornou-se hoje o seu avesso.

O desenvolvimento sustentável exige uma ação firme para evitar o horizonte sombrio do trânsito paralisado por três razões básicas.

Em primeiro lugar, o automóvel individual com base no motor a combustão interna é de uma ineficiência impressionante. Ele pesa 20 vezes a carga que transporta, ocupa um espaço imenso e seu motor desperdiça entre 65% e 80% da energia que consome.

É a unidade entre duas eras em extinção: a do petróleo e a do ferro. Pior: a inovação que domina o setor até hoje consiste muito mais em aumentar a potência, a velocidade e o peso dos carros do que em reduzir seu consumo de combustíveis.

Em 1990, um automóvel fazia de zero a cem quilômetros em 14,5 segundos, em média. Hoje, leva nove segundos; em alguns casos, quatro.

O consumo só diminuiu ali onde os governos impuseram metas nesta direção: na Europa e no Japão.

Foi preciso esperar a crise de 2008 para que essas metas, pela primeira vez, chegassem aos EUA. Deborah Gordon e Daniel Sperling, em "Two Billion Cars" (Oxford University Press), mostram que se trata de um dos menos inovadores segmentos da indústria contemporânea: inova no que não interessa (velocidade, potência e peso) e resiste ao que é necessário (economia de combustíveis e de materiais).

Em segundo lugar, o planejamento urbano acaba sendo norteado pela monocultura carrocentrista. Ampliar os espaços de circulação dos automóveis individuais é enxugar gelo, como já perceberam os responsáveis pelas mais dinâmicas cidades contemporâneas.

A consequência é que qualquer estratégia de crescimento econômico apoiada na instalação de mais e mais fábricas de automóveis e na expectativa de que se abram avenidas tentando dar-lhes fluidez é incompatível com cidades humanizadas e com uma economia sustentável. É acelerar em direção ao uso privado do espaço público, rumo certo, talvez, para o crescimento, mas não para o bem-estar.

Não se trata -terceiro ponto- de suprimir o automóvel individual, e sim de estimular a massificação de seu uso partilhado. Oferecer de maneira ágil e barata carros para quem não quer ter carro já é um negócio próspero em diversos países desenvolvidos, e os meios da economia da informação em rede permitem que este seja um caminho para dissociar a mobilidade da propriedade de um veículo individual.

Eficiência no uso de materiais e de energia, oferta real de alternativas de locomoção e estímulo ao uso partilhado do que até aqui foi estritamente individual são os caminhos para sustentabilidade nos transportes. A distância com relação às prioridades dos setores público e privado no Brasil não poderia ser maior.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carros importados respondem por 23% das vendas


O Estado de S. Paulo - 08/12/2011
 

As importações neste ano também vão bater recorde e devem responder por mais de 23% das vendas totais. Até novembro foram licenciados 763,7 mil veículos fabricados fora do País, número 32,3% superior ao de 2010. No mesmo período, as vendas de carros nacionais caíram 1,4%, para 2,521 milhões de unidades.
Cledorvino Belini, da Anfavea, acredita que o aumento de 30 pontos porcentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados de fora do Mercosul e México - que entra em vigor no dia 16 -, vai mudar o mix entre produção nacional e importados. "O carro nacional deverá ocupar mais espaço dentro desse mix".
As montadoras respondem por 85% das importações e trazem produtos principalmente da Argentina e México, para onde também exportam. De janeiro a outubro, 44% dos importados vieram da Argentina, 19% da Coreia, 13% do México, 9,3% da China, 7,7% da Europa e 3,7% do Japão.