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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dias (ainda mais) difíceis pela frente



Em abril comprei o farelo de soja para a ração das minhas vacas a 41 reais a saca de 50 kg. Um preço já alto, principalmente por estarmos, então, no auge da safra. Alertado pela gerente da loja da cooperativa que a próxima remessa já viria por incivilizados 53 reais, muni-me de coragem e comprei mais algumas sacas para pagar em maio. Pagamento que acabou saindo em junho... Coisas da vida de produtor de leite que sai da sua rotina de "gastança".

Eventuais olhadas nos noticiários na internet e conversas com alguns vizinhos deixavam-me preocupado. A soja continuava a subir.

Mas, uma coisa é ouvir dizer ou ler a respeito, outra, muito diferente, é aparecer para comprar a soja do mês seguinte, o que vim a fazer num dia qualquer do começo de julho. O vendedor, que me atende há vários anos, olhou para mim com uma cara que misturava tristeza com preocupação e alertou-me:

- Olha, a coisa  braba, se prepare.

Sorri e disse que não tinha problema.

Vã ilusão. Imaginava algo como 60 reais...

E apareceu na tela do computador, virada para mim, inimagináveis 78 reais. Quase tive um treco qualquer, daqueles de chamar o pessoal do pronto atendimento sempre prontos a salvar vidas e aliviar sofrimentos. Mas não tive. Rapidamente, o vendedor disse que tinha um descontinho e, pelo sim, pelo não, comprei a soja a 74 reais.

Um aumento brusco, repentino, selvagem, completamente irreal de 80,5%!

Misericórdia, 80%?!

Pior: sabia, sem precisar fazer pesquisa que aquele era o melhor - o melhor, pasmem! - preço que eu encontraria na minha região, no interior paulista.

Creio que dois dias depois recebi a nota do laticínio com o valor referente ao leite produzido e entregue no mês de junho. Uma revolta funda, surda, profunda brotou. Os míseros 82 centavos (de real e não de dólar, como bem sabe todo produtor) despencaram para 80 centavos, numa queda de 2,5%. Esse foi o valor base pago pelo meu leite, ao qual foram agregados três bônus por qualidade. Que pouco contribuíram para amenizar de fato o quadro.

Hoje vou comprar soja. O preço de lista é de 80 reais a saca de 50 kg. Negociada, vai sair por 75, com um aumento de 1,4% em relação ao preço de julho e um aumento de 83% em relação ao preço de abril.

Ontem o caminhão "do leite" trouxe a nota do laticínio com o valor pago pelo leite entregue no mês de julho. O valor base despencou novamente, agora de 80 para 78 centavos. De real. Novamente, uma queda de 2,5% no valor.

Entendo que a indústria faz isso por necessidade e não por, desculpem a expressão, sacanagem?

Sim, entendo. Faço uma reclamação formal, meramente para registro da insatisfação. Não tenho ilusões, conheço um pouquinho do funcionamento do mercado e o nosso mercado, o do leite e seus derivados, é um mercado triste. Apesar de produzirmos, toda a cadeia do leite, um alimento indispensável à nossa própria sobrevivência e a uma vida saudável, nosso produto principal é vendido a preço "de pinga".

Pensando bem, antes fosse verdade, pois o "preço de pinga" é muito mais elevado, muito, mas muito mais alto que o preço do leite. E se uma não presta para nada, apenas para desgraçar famílias, o outro é justamente o contrário. Contradições da sociedade em que vivemos.

Então, ficamos assim: a soja está 87% mais cara e o leite 5% mais barato.

Não falei do milho, ?

Precisa? Creio que não, todos sabem que esse produto está com o preço também nas alturas, embora não tanto quanto a soja.

Não mudo minha ração: fubá, farelo de soja, polpa cítrica e núcleo mineral. Não acredito em mudança de fonte de proteínas, pois a soja é insuperável. A única providência foi uma mudança pequena no teor de ureia que já adicionávamos, quando a soja estava cara, muitos meses atrás. Coisa pouca, mas reduz um bocadinho a participação do caviar, digo, da soja no trato das vacas e bezerras. As outras fontes de proteína, além de sujeitas a problemas de fornecimento pela demanda aquecida, também estão caras. Penso que mudar a ração, readaptar os animais a uma nova dieta, depois mudar novamente, nova adaptação, num vai-e-vem chato, caro e pouco produtivo, não é interessante. Andei fazendo umas contas e a economia que eu teoricamente teria, no papel, é pouco significativa.

Estou preso à soja e ao milho. A polpa é boa ajuda, mas por si só não resolve muita coisa, mesmo porque a diferença para o milho é pequena.

Como sabe todo produtor, o concentrado para nossos animais impacta nossa estrutura de custos em 30%. Um pouco menos em meses bons, um pouco mais nos meses de entressafra dos produtos. Não fiz as contas (desculpem, deveria ter feito, mas faltou "tempo") da minha nova estrutura de custos, mas a participação do concentrado aumentou muito, coisa próxima dos 10%, o que é selvagem (fiquei com essa coisa de selvageria na cabeça e agora digito) e perigoso para a atividade.

Enquanto tudo isso acontece, o cidadão urbano lê ou ouve com inveja sobre a felicidade espantosa dos produtores de soja e milho, bafejados por preços extraordinários. Pois é, antes fosse realmente verdadeiro, o que não acontece inteiramente, bem sabemos.

Poucos minutos antes de começar a escrever, acabara de ler o excelente artigo do professor e pesquisador Marcos Fava Neves, com o título "Os impactos da seca",aqui mesmo no MilkPoint.

Assustador.
Se você é produtor de leite e o teu coração não anda lá muito bem, não leia (brincadeira de escritor pobre... leia sim, é muito importante para termos uma visão realmente global da situação).



Os impactos da seca


Este texto tem o objetivo de discutir os prováveis impactos primários e secundários nas integradas cadeias produtivas de alimentos, bioenergia, fibras e outras advindos do fato das secas que atingem a produção norte-americana, principalmente, mas também as produções de Índia, Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Os EUA, principal produtor mundial de grãos enfrentam a maior seca dos últimos 50 anos, que já afetou 37% das propriedades e 43% da área agrícola.

Continuando a seca, os efeitos podem ser desastrosos em algumas cadeias produtivas, trazendo reflexos para mais de uma safra e inclusive mudanças de planejamento de plantio, de políticas públicas e estratégias privadas nas organizações. São 20 impactos aqui lembrados.

1 - Num primeiro momento houve grande aumento dos preços da soja e milho, e a partir destes aumentos, as cotações de outros grãos também subiram.

2 - Dependendo do volume de estoques que serão utilizados, seus níveis podem cair a volumes preocupantes, o que pode fazer esta situação de preços perdurar por mais de uma safra.

3 - Os efeitos nos países pobres importadores de comida podem ser devastadores, uma vez que preços de alimentos são diretamente ligados a estabilidade política e os orçamentos para programas assistenciais e os próprios orçamentos das famílias passam a ser insuficientes.

4 - Impacto também nos países de grandes populações de classe média, como China, cada vez maiores importadores de alimentos, que alocarão mais recursos para importações.

5 - Com maiores preços dos grãos, os impactos nos custos da alimentação animal são grandes, reduzindo as margens das empresas de carnes e lácteos, uma vez que a transferência de preços aos supermercados muitas vezes não é imediata.

6 - O mesmo efeito ocorre com as empresas produtoras de biocombustíveis a partir de grãos, pois com preços de insumos mais altos, as margens são menores.

7 - Se os biocombustíveis aumentarem de preços, há reflexos em seu consumo, migrando para o consumo de petróleo, aumentando as pressões também para que este aumente de preços.

8 - Petróleo aumentando de preços aumentam os custos de produção e de transporte de alimentos, trazendo outro impacto negativo das secas.

9 - O aumento de preços de alimentos nos supermercados vai forçar as empresas de alimentos a cortarem custos, podendo refletir em seus orçamentos para propaganda, embalagem e até inovação, postergando projetos.

10 - Da mesma forma, como o alimento é o último item a ser cortado do orçamento de uma família, devem migrar recursos a serem utilizados em outros mercados, como entretenimento, eletrodomésticos e outros, para o consumo de alimentos.

11 - Produtores não afetados pela seca terão margens significativamente maiores, o que pode trazer valorização de terras e até dar mais velocidade ao processo de concentração existente na agricultura.

12 - Há o risco de se reduzir os mandatos de mistura de biocombustíveis na gasolina em diversos países, mais notadamente nos EUA, onde a pressão de grupos contrários ao etanol é forte para liberar milho para alimentação, o que traria grave impacto as indústrias de etanol, mas seria também uma ameaça ao Brasil, provavelmente a maior.

13 - O uso de mais petróleo e menos biocombustíveis também vai agravar as emissões de carbono, trazendo mais poluição.

14 - Aumento de preços de alimentos traz mudança de hábito de local de consumo, aumentando a venda em supermercados e diminuindo os gastos na alimentação fora do lar (restaurantes).

15 - O hemisfério sul vai ser estimulado a plantar mais soja e milho, interferindo nas áreas de algodão, trigo, cana, girassol, entre outras, o que pode refletir preços maiores em virtude de menores áreas plantadas e consequentemente, menor produção.

16 - Por outro lado, bons preços trarão maiores investimentos em insumos e tecnologia, o que aumentará a produtividade nestas propriedades, contribuindo para repor estoques mundiais mais rapidamente que em condições normais.

17 - Seguradoras, principalmente nos EUA, terão grande impacto, bem como o orçamento dos Governos. Impacto também em pequenos municípios dependentes da agricultura, que com a seca, perdem importante renda.

18 - A menor produção de cana na Índia pode fazer este país voltar ao mercado comprador de açúcar, ou exportar menos, contribuindo para uma retomada dos preços do açúcar no mercado mundial, beneficiando o Brasil.

19 - Maiores preços de alimentos incentivarão o fortalecimento de programas para reduzir o alto desperdício nas cadeias agroalimentares. Haverá também mais pressão nas empresas de insumos para produção de plantas mais tolerantes às secas.

20 - Os efeitos econômicos nas balanças comerciais, taxas de câmbio e crescimento em diversos países tendem a ser grandes, o que motivará políticas regulatórias de cotas, taxas e outras a disposição de Governos, causando mais distúrbios nas cadeias produtivas integradas.

Aqui estão listados alguns dos possíveis impactos nas intrincadas cadeias produtivas mundiais de alimentos. Alguns pesquisadores têm alertado que estas secas tendem a ser mais frequentes, principalmente nos EUA, o que deve estimular o plantio no hemisfério sul, beneficiando o Brasil. Isto tudo vem junto com o grande crescimento do consumo mundial de alimentos, portanto está armado um quadro preocupante. Definitivamente o assunto da crise alimentar volta às mesas das famílias e das discussões privadas e públicas.

O texto original foi escrito para o Brasil Econômico, sendo esta uma versão compacta.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

USDA corta suas projeções para oferta de milho e soja



Autor(es): Por Fernando Lopes | De São Paulo
Valor Econômico - 13/08/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/13/usda-corta-suas-projecoes-para-oferta-de-milho-e-soja
 

A deterioração do quadro de oferta de grãos nos EUA nesta safra 2012/13 promete amplificar a pressão "altista" sobre as cotações internacionais de commodities como milho e soja nos próximos meses, o que tende a exacerbar as críticas sobre o mandato do etanol no país e as preocupações em torno de uma crise "agroinflacionária" mundial.
Segundo relatório divulgado na sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os reflexos da estiagem e do calor que assolam o Meio-Oeste do país derrubarão a colheita de milho para 273,79 milhões de toneladas, 16,9% menos que o previsto há apenas um mês e volume 12,8% inferior ao efetivamente colhido em 2011/12. Será o pior resultado desde 2006.
As estimativas ainda podem piorar, tendo em vista que a colheita americana só começará a ganhar força em algumas semanas. Em relação às projeções iniciais de produção, a quebra deverá ultrapassar 100 milhões de toneladas. Para efeito de comparação, o USDA passou a estimar a colheita de milho no Brasil em 72,8 milhões de toneladas em 2011/12, um novo recorde também sinalizado pela Conab e puxado pelo desempenho da safrinha.
A tenebrosa situação nos EUA tem reflexos diretos e irreversíveis no tabuleiro global do cereal. Apesar de ter revisto para cima as colheitas de Argentina, Brasil e China em 2012/13, o baque americano deverá reduzir a produção mundial de milho para 849,01 milhões de toneladas na temporada, 6,2% menos que o estimado em julho e volume 3,2% menor que o de 2011/12, sempre conforme as estatísticas do USDA.
A seca e o calor nos EUA também provocam reflexos deletérios sobre as lavouras de soja. Conforme o USDA, a produção americana tombará para 73,27 milhões de toneladas em 2012/13, quase 12% abaixo do previsto em julho e da colheita de 2011/12. Assim, a produção mundial na safra atual foi revisada para 260,46 milhões de toneladas, 2,5% menos que o estimado em julho.
Mesmo assim, o volume é 10,3% maior que o de 2011/12, diferentemente do que deve acontecer no mercado de milho. Os estoques globais finais de soja também tendem a aumentar um pouco em relação ao ciclo passado, ao contrário do que ocorrerá com o milho. Mas, em ambos os casos, os níveis são baixos.
Em tempos de Olimpíadas, os problemas da soja nos EUA darão ao Brasil inéditas medalhas de ouro na produção e na exportação do grão em 2012/13, desde que o clima na safra que começará a ser semeada em meados de setembro colabore. Depois da seca que afetou a região Sul do país em 2011/12, tudo indica, até agora, que os meninos - La Niña e El Niño - vão de fato se comportar melhor, o que deverá resultar, conforme o USDA, em uma produção de 81 milhões de toneladas, 3,8% mais que o estimado em julho e 23,7% acima do volume do ciclo 2011/12.
Em 2012/13, conforme o USDA, o Brasil exportará 37,6 milhões de toneladas de soja em grão, à frente de EUA (30,21 milhões) e Argentina (13,5 milhões), pervertendo uma ordem que vigorou por praticamente uma década, até 2011/12. No ciclo passado, os EUA exportaram 36,74 milhões de toneladas, conforme o USDA, e superaram Brasil (36,7 milhões) e Argentina (7,8 milhões).
Na bolsa de Chicago, as primeiras reações às novas estimativas do USDA foram moderadas. Os analistas alegaram que as projeções para o milho vieram de acordo com as expectativas e as cotações do cereal caíram. A erosão do quadro da soja causou alguma surpresa, mas os ganhos registrados foram moderados. No mercado de trigo, onde o USDA revisou para baixo produção e estoques finais mundiais, mas elevou as projeções para os EUA, onde as condições das lavouras melhoraram, os preços também retrocederam.
Em parte, essa "reação controlada" a uma oferta de grãos mais combalida decorre de projeções de retrações nas demandas. Exceto no caso do trigo, cujo consumo poderá aumentar em função da crise do milho (ambos podem ser usados em rações), no milho e na soja o USDA reduziu as previsões de demanda em parte por causa dos preços já superelevados, que começam a provocar resistência em compradores, do México ao Irã, passando pelo Brasil.
Vale observar, contudo, que a crise do biênio 2007-2008 foi provocada sobretudo por um choque de demanda. Agora, a crise é causada por um choque de oferta, que gera resistência em consumidores e tende a arrefecer no médio prazo, até porque as ofertas tendem a ser recompostas. Mas, para os próximos meses, a tendência é de preços em alta.

domingo, 13 de maio de 2012

Tetra Pak identifica 2,7 bilhões de novos consumidores para a indústria do leite



Uma nova pesquisa da Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, identifica que 2,7 bilhões de novos consumidores serão a próxima grande oportunidade de mercado para a indústria de laticínios. Essa expectativa surge da população de baixa renda que deve emergir nos países em desenvolvimento, graças ao esperado aumento da prosperidade, do poder de compra e do desejo de consumo de produtos lácteos líquidos.

De acordo com o estudo Tetra Pak Dairy Index - que acompanha em todo o mundo fatos, números e tendências na indústria de laticínios - o consumo de lácteos da população de baixa renda em mercados em desenvolvimento deve aumentar de 70 bilhões de litros em 2011 para quase 80 bilhões de litros em 2014. Muitos destes consumidores passarão a comprar o leite embalado, ao invés do leite cru.

Segundo Dennis Jönsson, Presidente e CEO da Tetra Pak, os consumidores de baixa renda representam quase 40% da população mundial e, além de viverem em economias que impulsionam o crescimento da indústria, o poder aquisitivo dessa classe está aumentando. "Isso representa uma das maiores oportunidades de crescimento para a indústria láctea e a chave para o sucesso de amanhã está em atingir esses consumidores hoje", defende Dennis.

Atualmente estes consumidores têm uma renda média de US$ 2 a US$ 8 por dia e são virtualmente inalcançados pelos produtores de lácteos. Chamados pela Tetra Pak de consumidores do meio da pirâmide - ou Deeper in the Pyramid (DIP), em inglês - representam cerca de 50% da população dos países em desenvolvimento e consomem 38% dos produtos lácteos líquidos. Metade destes consumidores DIP vivem na Índia e na China. A pesquisa da Tetra Pakfoi focada em seis países, que representam mais de 76% do consumo dos produtos lácteos líquidos destes consumidores na Índia, China, Indonésia, Brasil, Paquistão e Quênia.

Muitos destes consumidores DIP devem ter melhor renda, passando da classe baixa para a média até o final da década, aumentando seu poder de compra e a gama de produtos que compram. O aumento do poder aquisitivo vem acompanhado de uma maior consciência da segurança alimentar e a busca por conveniência, de produtos prontos para beber, o que deverá aumentar a demanda por produtos embalados.

A população mundial DIP deverá cair a uma taxa composta anual de 3% de 2009-2020. A população que vive com mais de US$ 8 por dia deverá crescer 4% anualmente (CAGR), de acordo com a Boston Consulting Group, que ajudou a Tetra Pak a desenvolver a classificação DIP.

De acordo com Dennis Jönsson, os consumidores de baixa renda de hoje são a classe média de amanhã. "Consideramos que esta é uma oportunidade de ouro para os produtores de lácteos cultivarem a lealdade desta parcela da população e criarem uma nova geração de consumidores de lácteos nos países em desenvolvimento", afirma.

Tetra Pak identificou que os laticínios devem superar três desafios fundamentais. Desde já, os produtos devem ser economicamente acessíveis, atraentes e estarem disponíveis para os consumidores com rendas limitadas. Isso significa que as indústrias de lácteos devem oferecer produtos saudáveis, seguros, nutritivos e embalados, sem adição de custos insustentáveis. Eles também devem disponibilizá-los em pequenas lojas tradicionais em áreas rurais remotas ou em cidades congestionadas, onde os consumidores DIP compram.

Inovação e eficiência serão soluções vitais para ajudar a indústria a desenvolver produtos, embalagens e processamento para atender às necessidades desses consumidores de baixa renda, de acordo com o relatório. "Temos de desenvolver produtos de maneira diferente, distribuí-los de forma diferente e vendê-los de forma diferente para aumentar a disponibilidade de uma boa nutrição nos países em desenvolvimento", afirma Jönsson.

Tetra Pak identificou algumas de maneiras de tornar os produtos mais acessíveis. Dentre elas está a mudança na forma como os produtos lácteos e as embalagens são desenvolvidos. É possível utilizar, por exemplo, alternativas ao leite integral, como o soro de leite ou ácido lácteo, na produção de bebidas lácteas nutritivas e saudáveis com menor custo. Outra forma é reduzir o tamanho das embalagens, ou optar por formatos mais simples.

Descobrir maneiras de tornar os produtos lácteos embalados amplamente disponíveis aos consumidores DIP é também um desafio. Cerca de 70% das compras deste público são realizadas nos comércios tradicionais e em pequenas lojas familiares. Para atingi-los, as empresas estão chegando de formas inovadoras e estão produzindo localmente onde a demanda por produtos lácteos líquidos embalados está crescendo. Além de unir-se com os distribuidores que têm um histórico de trabalhar com lojas tradicionais, os fabricantes também investem no uso dos transportes adequados, como bicicletas, para distribuir seus produtos.

Tornar os produtos atraentes para os consumidores DIP, que se concentram em oferecer o melhor para seus filhos e, muitas vezes reduzem outras despesas antes de comprometer a alimentação nutricional básica, como leite, é o desafio final. De acordo com o Tetra Pak Dairy Index, as empresas precisam gerar vendas significativas para alcançar as economias de escala necessárias para fornecer melhor custo-benefício e qualidade nutricional para os consumidores DIP. Os fabricantes precisam também criar conscientização das suas marcas e envolvimento para produtos destinados às crianças que compram bebidas lácteas e lanches com seu próprio dinheiro.

Crescimento de produtos lácteos líquidos acelera entre 2011 e 2014

Ainda de acordo com a pesquisa Tetra Pak Dairy Index, a demanda por produtos lácteos líquidos será acelerada entre 2011 e 2014, principalmente pelo aumento do consumo na Ásia, África e América Latina. Este consumo global deve aumentar cerca de 2,9% ao ano (CAGR) entre 2011 e 2014, acelerando dos 2,5% entre 2008 e 2011, liderado por uma forte procura nos mercados emergentes.

O consumo de bebidas à base de ácido láctico (LAD), leites infantis e leites aromatizados devem crescer à rápidas taxas entre 2011-2014. Os LAD que tendem a ser bebidas acessíveis e preferidas entre os consumidores DIP da Àsia, devem crescer cerca de 11,9% (CAGR), seguidos pelos leites infantis CAGR 9,0% e leites aromatizados, com 4,8% (CAGR
).

Segundo Dennis Jönsson, fornecer produtos lácteos saudáveis, nutritivos e embalados para os consumidores DIP não é apenas uma oportunidade de negócio. "É uma oportunidade de transformar vidas, tornar os alimentos nutritivos seguros e disponíveis para uma nova geração de consumidores emergentes", afirma o CEO.

Para saber mais

Clique aqui e baixe a quinta edição da pesquisa Tetra Pak Dairy Index(arquivo PDF).

Líder mundial

Tetra Pak é líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos. Trabalhando próximo aos fornecedores e clientes, fornece produtos seguros, inovadores e ambientalmente corretos que a cada dia atendem às necessidades de centenas de milhões de pessoas em mais de 170 países ao redor do mundo.

Com aproximadamente 22.000 funcionários baseados em mais de 85 países, a empresa acredita na gestão responsável e abordagem sustentável do negócio. O slogan PROTEGE O QUE É BOM reflete sua visão de tornar o alimento seguro e disponível, em qualquer lugar.

Mais informações sobre a Tetra Pak estão disponíveis nowww.tetrapak.com.br.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Quatro décadas de desenvolvimento

Autor(es): Achim Steiner
Valor Econômico - 10/02/2012
 

Há 40 anos, em Estocolmo, Suécia, uma decisão histórica foi tomada durante a Conferência da ONU sobre o Futuro da Humanidade e do Planeta. Essa decisão fez da capital do Quênia o centro das relações internacionais sobre o meio ambiente.
Em meio à crescente preocupação com a poluição do ar, da terra e dos mares; e com a perda de espécies e a morte das florestas em consequência da chuva ácida, os países concordaram em estabelecer um órgão da ONU encarregado de coordenar uma resposta global a esses desafios.
Diversos países fizeram campanha para receber esse novo órgão da ONU, entre eles o México, a Índia, os Estados Unidos e o Reino Unido. Mas foi o Quênia que ganhou esse debate diplomático e, assim, se tornou o primeiro país em desenvolvimento a receber uma sede da ONU.
Parte do trabalho da Economia Verde tem sido avaliar e informar a todos os governos sobre os serviços trilhonários que a natureza oferece, mas que, até recentemente, têm permanecido quase que invisíveis nas contas nacionais de lucros e perdas.
Fotos em branco e preto, tiradas no dia 2 de outubro de 1973, durante a inauguração, mostram o presidente Kenyatta rodeado por guardas florestais, acenando ao lado do canadense de 43 anos, Maurice Strong, o primeiro diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma.
Hoje, o escritório do Pnuma em Nairóbi emprega cerca de 1.120 funcionários locais e internacionais e atua como sede de uma rede estratégica de escritórios regionais em Bangcoc, Cidade do Panamá, Washington (DC), Genebra e Reino de Bahrein.
Originalmente, o escritório foi estabelecido para coordenar as atividades ambientais do Sistema ONU e fornecer análises científicas para Estados-membros sobre temas ambientais emergentes. A ênfase na ciência levou governos a negociar tratados globais fundamentais para responder às crises ambientais.
O Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio - o revestimento de proteção que filtra os níveis danosos de raios ultra-violeta - é um exemplo. Sem ele, os níveis atmosféricos de substâncias nocivas à camada de ozônio poderiam ter se multiplicado em 10 vezes até 2050, o que provocaria até 20 milhões a mais de casos de câncer de pele e 130 milhões a mais de casos de catarata ocular, sem mencionar os danos ao sistema imunológico humano, aos animais selvagens e à agricultura.
No fim da década de 1980, quando o mundo estava lutando para entender as implicações do aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, o Pnuma e a Organização Mundial de Meteorologia estabeleceram o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).
Seu trabalho científico se tornou referência para governos sobre as prováveis tendências e impactos do aquecimento global. As descobertas do painel exerceram um papel fundamental no estabelecimento da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e seu tratado de redução de emissões: o Protocolo de Kyoto.
Desde 2008, o Pnuma tem defendido a Economia Verde como forma de gerar desenvolvimento e empregos sem deixar de manter a pegada da humanidade dentro dos limites ecológicos.
Parte do trabalho da Economia Verde tem sido avaliar e informar governos sobre os serviços trilhonários que a natureza oferece, mas que, até recentemente, têm sido quase que invisíveis nas contas nacionais de lucros e perdas.
No Quênia, o Pnuma fez uma parceria com o governo para estimar o valor do complexo da Floresta Mau, que, nas últimas décadas, perdeu 30% de sua vegetação. Estima-se que os serviços gerados pela floresta - água que alimenta uma dúzia de sistemas fluviais, como por exemplo, a reserva Maasai Mara e o lago Nakuru; umidade para a indústria de chá, captura de carbono - equivalem a um total de US$ 1,5 bilhão ao ano para a economia queniana.
O mais comum é que os benefícios reais dos acordos ambientais das Nações Unidas apareçam anos ou mesmo décadas depois.
Na Cúpula da Terra sobre Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo, em 2002, o Pnuma foi indicado para atuar como líder de uma aliança para acelerar a redução gradativa de chumbo no petróleo. O chumbo é especialmente prejudicial para o cérebro de crianças e jovens.
Desde então, cerca de 80 países em desenvolvimento, incluindo Gana, Quênia, Tanzânia, África do Sul, Vanuatu e alguns países Caribenhos, têm contribuído para a remoção de chumbo de combustíveis de transporte. Só agora é possível começar a identificar os enormes benefícios resultantes dessas ações.
Cientistas calculam que o aumento no QI, as reduções de problemas cardiovasculares e o declínio da criminalidade equivalem a US$ 2,4 trilhões em benefícios associados à eliminação global do chumbo em combustíveis.
E o que esperar do futuro? No Conselho Governamental anual do Pnuma, que reunirá ministros do Meio Ambiente em Nairóbi de 24 a 26 de fevereiro, todas as atenções estarão voltadas para os resultados da Cúpula da Terra de 1992.
A Rio+20, que acontece em junho deste ano, pode ser uma oportunidade para que a iniciativa Economia Verde seja traduzida de uma forma inovadora e orientada para um futuro que torne real o desenvolvimento sustentável para 7 bilhões de pessoas - um número que pode chegar a 9 bilhões até 2050.
Alguns países, incluindo o Quênia e a Alemanha, estão também sinalizando que chegou o momento de fortalecer o Pnuma e fazer dele uma Organização Mundial para o Meio Ambiente.
Há 40 anos, muitos dos desafios enfrentados pelas pessoas e pelo planeta eram teóricos. Hoje, eles estão rapidamente se tornando realidade.
A criação do Pnuma em Estocolmo em 1972 foi, para alguns, uma caixinha de surpresas. Se junho de 2012 vai mudar a história do Pnuma e levar o seu processo evolutivo a um nível mais alto, apenas o tempo irá dizer.
Achim Steiner é subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do Pnuma

FAO controlará de venda terras agrícolas para estrangeiros


A FAO adotará no próximo mês uma regulação para as vendas de terras agrícolas para estrangeiros. A meta do diretor da entidade, José Graziano, é a de regular essa prática, que vem dominando o mundo nos últimos anos com a China e países árabes buscando terras na África e no Brasil para produzir. A FAO garante que não é contra a venda de terras para estrangeiros, “MMas isso tudo precisa ser regulado”, alertou Graziano.
Em 2010, dados coletados por ONGs apontam que um território do tamanho da França teria sido vendido por governos africanos para empresas estrangeiras e para outros governos, em busca de garantir o fornecimento de alimentos em um momento tenso nos mercados. “Temos muito poucas terras novas disponíveis no mundo”, alertou Graziano, que aponta para a América do Sul e a Savana Africana como os únicos reservatórios ainda restantes de terras virgens. “Tirando essas regiões, não há mais para onde expandir”, declarou.  [Me faz lembrar do Vergé, do Fluxo e Refluxo, e imaginar um Bolívar mais burguês do que liberal.]
A corrida por terras fez a própria FAO há um ano alertar os países africanos para o risco do “neo-colonialismo”, com governos como o da China desembarcando em locais miseráveis e alugando terras por 99 anos para realizar uma produção que é integralmente embarcada para alimentar os chineses. Uma série de multinacionais também seguiu o mesmo caminho e projetos incluem até mesmo a chegada de brasileiros em Moçambique.
“Em março deveremos terminar as diretrizes sobre a compra de terras. Serão recomendações para investidores e, com isso concluído, esperamos que governos adotem esse marco em suas leis nacionais. O que ocorre é que a maioria dos países não tem legislação” declarou Graziano, que completou seu primeiro mês na direção da FAO.
No caso do Brasil, Graziano aponta que as leis são suficientes. “Precisa haver uma regulação. Sabemos o que ocorre quando os mercados não são regulados”, acrescentou o brasileiro. Paul Bulcke, CEO da Nestlé, admite que um desembarque de uma empresa ou governo estrangeiro em um país não pode acarretar na compra de todas as terras aráveis daquela região e nem prejudicar a população legal. Mas, defensor de mercados livres e da abertura de economias, o chefe da maior empresa de alimentos do mundo deixa claro que simplesmente proibir a compra de terras por estrangeiros não é a solução. “A questão é de senso comum” avaliou Bulcke.
Fonte: Agência Estado, resumida e adaptad apela Equipe BeefPoint.




FAO revê demanda por alimentos até 2050

O mundo vai precisar de menos alimentos até 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explicação está na demanda global, que crescerá a taxas menores do que vinha sendo previsto. Foi o que afirmou ontem o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jose Graziano da Silva, surpreendendo mais de 200 executivos do agronegócio reunidos em Genebra, Suíça.
Em 2009, a FAO havia estimado que o mundo precisaria aumentar a produção global de alimentos em 70%, tomando como base a média de produção entre 2005 e 2007, para alimentar 9,1 bilhões de pessoas em 2050 – 2 bilhões a mais do que a atual população do planeta. Nada menos que 90% desta expansão deveria vir de maior produtividade, colheitas intensivas e incremento de 10% do uso da terra.
A agência da ONU refez os mesmos cálculos, por meio de novas informações disponíveis, e concluiu que a necessidade de incrementar a produção agrícola até 2050 será por volta de 60%, tanto para uso alimentar como para a produção de biocombustíveis. Conforme Graziano, esta conclusão reflete pelo menos três fatores. Primeiro, o crescimento populacional será menor e haverá declínio da população em vários países e regiões, incluindo Japão, China, Brasil e Europa.
Em segundo lugar, mais países e grupos populacionais deverão atingir, gradualmente, um nível de consumo de alimentos que, por sua vez, encontrarão pouco espaço para a expansão.
Terceiro: ao mesmo tempo em que a demanda por alimentos pode aumentar em certos países, muitos outros continuarão a ver suas populações aumentarem e permanecerão com baixas rendas ou pobreza significativa ainda por um longo período.
“O aumento da renda per capita, principalmente nos Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] é menor do que o previsto por causa da crise. Menos renda significa menos consumo”, afirmou Graziano. “Além disso, houve redução de metas de uso de biocombustíveis na Europa, o que também explica a nova projeção”, disse o brasileiro.
Mas os participantes do seminário sobre “como alimentar o mundo”, realizado em Genebra, pareceram pouco convencidos. Paul Bulcke, presidente da Nestlé, um dos patrocinadores do evento, continuou falando da necessidade de aumentar a produção mundial em até 90% para atender à demanda. O executivo insistiu que o aumento da população mundial, a escassez de água e o desperdício de alimentos ou seu uso na produção de biocombustíveis – em referência ao etanol a base de milho dos EUA – têm impactos sobre a segurança alimentar. [luta de crasse! a FAO, como Banco Central dos Fundos de Investimentos que especulam com o abastecimento alimentar, reviu as previões, isto é: como gestor de expectativas, sob Graziano, tenta baixar as cotações. Serve,talvez, para incentivar a entrada de players menos capitalizados.]
“O pessoal se assustou [com a nova estimativa], mas 60% de aumento na produção significa muito”, observou Graziano, notando que as terras disponíveis para agricultura são poucas e situadas basicamente na América do Sul e nas savanas africanas.
Para o diretor da FAO, os países do Mercosul continuarão a ser o celeiro do mundo e a “grande restrição ao bloco é o comércio internacional e os fertilizantes, que são caros e quase todos importados”, disse. Ele reiterou que o mundo passará por uma década de preços elevados de alimentos e a grande preocupação será a volatilidade, que não favorece o produtor nem o consumidor. [porque a volatilidade é o instrumento dos especuladores para ganharem margem de preço e, paradoxalmente, dirimirem o risco dos papéis de risco que os capitaliza.]
Graziano sinalizou, também, os limites da FAO na luta contra a fome: o órgão dispõe de apenas US$ 1 dólar para cada pessoa mal nutrida no mundo, e elas somam 1 bilhão atualmente. Por isso ele reforçou a defesa pela redução do desperdício de alimentos em toda a cadeia produtiva, do campo ao consumo. No Brasil, essas perdas são estimadas em 40%. “As pessoas acham que sabem comer, mas não é verdade”, disse. Estima-se que a redução global do desperdício em 25% seria suficiente para alimentar 500 milhões de pessoas por ano sem a necessidade de ampliar a produção.
Até março, a FAO deverá aprovará, ainda, um código de conduta para reduzir investimentos estrangeiros na aquisição de terras, mas as normas serão voluntárias e os 190 países-membros poderão adotá-las ou não.
Fonte: jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe BeefPoint.




FAO afirma que preços dos alimentos continuarão elevados durante toda a década


A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e multinacionais afirmam que os preços de commodities vão continuar elevados durante toda a década, exigindo de países importadores novas estratégias para enfrentar o desafio de alimentar sua população e do G-20 a implementação de decisões para frear a volatilidade nos mercados. "Viveremos uma década de preços altos", disse o brasileiro José Graziano, diretor da FAO.

Apesar de colheitas recordes, os preços de commodities superaram todas as barreiras a partir de 2007. A crise mundial fez a demanda perder força. Mas não o suficiente para reverter a tendência, segundo executivos de empresas, organismos internacionais e governos, que ontem (08) se reuniram em Genebra para debater o futuro da produção de alimentos no mundo.

Todos apontam na mesma direção: alimentar mais 2 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos terá um forte impacto nos mercados, na produção e, acima de tudo, nos preços, diante da emergência de milhões de consumidores que até agora viviam abaixo da linha da pobreza.

Graziano, apresentado internacionalmente como o pai do Fome Zero no Brasil, admite que a organização que dirige não tem recursos. "Tenho US$ 1 para cada pessoa faminta no mundo por ano", lamenta. Para 2012, a FAO terá orçamento de US$ 1 bilhão. "A FAO não tem dinheiro e não vai resolver o problema da fome sozinha. Precisamos dos governos, e nisso não vamos bem."

O diretor da FAO estima que os preços altos são positivos para os exportadores brasileiros. Mas diz que, por enquanto, a volatilidade reduz os ganhos e não é boa para ninguém. "Estamos todos preocupados com a volatilidade, que não beneficia nem o produtor nem o consumidor." Graziano revelou que, no próximo mês, o G-20 implementará as decisões que tomou em 2011 para garantir maior transparência no mercado agrícola e, assim, reduzir a volatilidade. Um sistema foi criado para a troca de informações e ele garante que China, Índia e multinacionais, além de europeus, americanos e brasileiros, começam a repassar os dados sobre sua produção anual. Mas, para o ministro de Agricultura da França, Bruno Le Maire, o sistema levará anos para de fato começar a funcionar.

Para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, a questão dos preços de alimentos não está resolvida e só será solucionada com um aumento da produção. Segundo ele, a dependência de um número pequeno de grandes produtores, como o Brasil, precisa acabar, para permitir que a produção aumente de forma significativa nos próximos anos. "Hoje cinco países produzem 70% do arroz consumido, e três produzem 80% da soja." "Podemos estar fazendo apostas arriscadas com o nosso futuro se não deixarmos que a produção prospere em outros lugares do mundo", alertou, em um recado direto ao principais produtores mundiais. [dissimulado Graziano, que não admite o empoderamento social dos pequenos produtores, mas a concentração do poder social já constituído dos grandes proprietários e das empresas transnacionais; hão de colonizar, entrelaçarem-se, com as cooperativas dos pequenos, modelo norte-americano testado com algum sucesso nas áreas prioritárias de RA do centrossul brasileiro. Como não dá pra pedir, vai negociar a entrada da Embrapa, como player, nessa estreita rinha, lançando mão das estruturas de fiscalização e publicidade da FAO. Rentabilidade garantida para os produtores brasileiros que constituírem cooperativa transnacional exportadora de capital fixo, e escaparem à tributação do Banco Mundial, com crédito o mais possível próprio.]

Sua aposta é a África, que deve receber investimentos no setor agrícola e mirar no exemplo brasileiro como forma de ampliar sua produção. "O milagre brasileiro pode e deve ser repetido", disse o francês, lembrando que o País deixou de ser importador para se tornar o quinto maior exportador de alimentos em apenas 30 anos.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo, adaptadas pela Equipe AgriPoint.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Fome leva milhares de mexicanos às ruas

O México vive uma escassez de alimentos sem precedentes devido ao frio intenso e às secas que afetaram o centro e o norte e as enchentes no sudeste do país durante o ano passado. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, trata-se do “maior desastre natural já vivido pelo país”, posto que esta grave situação afeta 19 Estados, 40% do território nacional. Diante deste panorama, milhares de camponeses de todas as regiões se dirigiram à capital federal em uma marcha cuja finalidade era exigir recursos para o campo.

A reportagem é de Majo Siscar e está publicada no jornal espanhol Público, 02-02-2012. A tradução é do Cepat.
“O México tem fome, com o frio, as secas e as enchentes perdeu 50% da produção de alimentos e milhares de cabeças de gado. O México já depende do exterior para alimentar o seu povo e há milhões de desempregados”, disse Max Correa, líder daCentral Camponesa Cardenista.
Apesar dos seus quase dois milhões de quilômetros quadrados de território, o país importa quase a metade dos cereais que consome, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas, Florestais e Pecuárias.
A fome começa a ser uma realidade em algumas regiões rurais baseadas na agricultura de subsistência. Este ano começou com a morte por inanição de 18 indígenas na serra tarahumara.
Os camponeses receberam o apoio de trabalhadores de diferentes setores, mas especialmente do Sindicato Mexicano de Eletricistas, assim como de pilotos, aeromoças e trabalhadores de terra da companhia de aviação Mexicana, que também perderam seus empregos.
Operários se solidarizam
Participaram dos protestos, por exemplo, empregados da Luz e Força, empresa estatal que fornecia eletricidade à capital mexicana e que foi fechada pelo Governo de Felipe Calderón em 2009 por suposto esbanjamento econômico. Ao menos 44.600 trabalhadores perderam os seus empregos e cerca de 15.000 continuam sem aceitar a indenização, pois exigem recolocação na empresa que oferece agora os serviços antes prestados pela Luz e Força.
Os trabalhadores da Mexicana, por sua vez, ainda estão à espera de cobrar uma indenização ou de serem realocados, desde que a principal companhia de aviação do país quebrou, no verão de 2010.
A marcha terminou com o pedido de um voto de castigo ao partido de CalderónAção Nacional, e aos seus antecessores, oPartido Revolucionário Institucional (PRI) nas próximas eleições presidenciais de julho.
“Não podemos continuar com uma política econômica que diariamente empobrece os mexicanos, com a realização de infra-estrutura como a Estela de Luz [um polêmico e caríssimo monumento recém inaugurado], enquanto o México está morrendo de fome. Não podemos continuar com estas tímidas políticas de empobrecimento”, disse Agustín Rodríguez, líder do Sindicato de Trabalhadores da Universidade Nacional Autônoma do México. “Devemos dar um basta ao neoliberalismo do PAN e doPRI dos últimos 30 anos”, corroborou o sindicalista Max Correa.