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domingo, 13 de maio de 2012

Tetra Pak identifica 2,7 bilhões de novos consumidores para a indústria do leite



Uma nova pesquisa da Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, identifica que 2,7 bilhões de novos consumidores serão a próxima grande oportunidade de mercado para a indústria de laticínios. Essa expectativa surge da população de baixa renda que deve emergir nos países em desenvolvimento, graças ao esperado aumento da prosperidade, do poder de compra e do desejo de consumo de produtos lácteos líquidos.

De acordo com o estudo Tetra Pak Dairy Index - que acompanha em todo o mundo fatos, números e tendências na indústria de laticínios - o consumo de lácteos da população de baixa renda em mercados em desenvolvimento deve aumentar de 70 bilhões de litros em 2011 para quase 80 bilhões de litros em 2014. Muitos destes consumidores passarão a comprar o leite embalado, ao invés do leite cru.

Segundo Dennis Jönsson, Presidente e CEO da Tetra Pak, os consumidores de baixa renda representam quase 40% da população mundial e, além de viverem em economias que impulsionam o crescimento da indústria, o poder aquisitivo dessa classe está aumentando. "Isso representa uma das maiores oportunidades de crescimento para a indústria láctea e a chave para o sucesso de amanhã está em atingir esses consumidores hoje", defende Dennis.

Atualmente estes consumidores têm uma renda média de US$ 2 a US$ 8 por dia e são virtualmente inalcançados pelos produtores de lácteos. Chamados pela Tetra Pak de consumidores do meio da pirâmide - ou Deeper in the Pyramid (DIP), em inglês - representam cerca de 50% da população dos países em desenvolvimento e consomem 38% dos produtos lácteos líquidos. Metade destes consumidores DIP vivem na Índia e na China. A pesquisa da Tetra Pakfoi focada em seis países, que representam mais de 76% do consumo dos produtos lácteos líquidos destes consumidores na Índia, China, Indonésia, Brasil, Paquistão e Quênia.

Muitos destes consumidores DIP devem ter melhor renda, passando da classe baixa para a média até o final da década, aumentando seu poder de compra e a gama de produtos que compram. O aumento do poder aquisitivo vem acompanhado de uma maior consciência da segurança alimentar e a busca por conveniência, de produtos prontos para beber, o que deverá aumentar a demanda por produtos embalados.

A população mundial DIP deverá cair a uma taxa composta anual de 3% de 2009-2020. A população que vive com mais de US$ 8 por dia deverá crescer 4% anualmente (CAGR), de acordo com a Boston Consulting Group, que ajudou a Tetra Pak a desenvolver a classificação DIP.

De acordo com Dennis Jönsson, os consumidores de baixa renda de hoje são a classe média de amanhã. "Consideramos que esta é uma oportunidade de ouro para os produtores de lácteos cultivarem a lealdade desta parcela da população e criarem uma nova geração de consumidores de lácteos nos países em desenvolvimento", afirma.

Tetra Pak identificou que os laticínios devem superar três desafios fundamentais. Desde já, os produtos devem ser economicamente acessíveis, atraentes e estarem disponíveis para os consumidores com rendas limitadas. Isso significa que as indústrias de lácteos devem oferecer produtos saudáveis, seguros, nutritivos e embalados, sem adição de custos insustentáveis. Eles também devem disponibilizá-los em pequenas lojas tradicionais em áreas rurais remotas ou em cidades congestionadas, onde os consumidores DIP compram.

Inovação e eficiência serão soluções vitais para ajudar a indústria a desenvolver produtos, embalagens e processamento para atender às necessidades desses consumidores de baixa renda, de acordo com o relatório. "Temos de desenvolver produtos de maneira diferente, distribuí-los de forma diferente e vendê-los de forma diferente para aumentar a disponibilidade de uma boa nutrição nos países em desenvolvimento", afirma Jönsson.

Tetra Pak identificou algumas de maneiras de tornar os produtos mais acessíveis. Dentre elas está a mudança na forma como os produtos lácteos e as embalagens são desenvolvidos. É possível utilizar, por exemplo, alternativas ao leite integral, como o soro de leite ou ácido lácteo, na produção de bebidas lácteas nutritivas e saudáveis com menor custo. Outra forma é reduzir o tamanho das embalagens, ou optar por formatos mais simples.

Descobrir maneiras de tornar os produtos lácteos embalados amplamente disponíveis aos consumidores DIP é também um desafio. Cerca de 70% das compras deste público são realizadas nos comércios tradicionais e em pequenas lojas familiares. Para atingi-los, as empresas estão chegando de formas inovadoras e estão produzindo localmente onde a demanda por produtos lácteos líquidos embalados está crescendo. Além de unir-se com os distribuidores que têm um histórico de trabalhar com lojas tradicionais, os fabricantes também investem no uso dos transportes adequados, como bicicletas, para distribuir seus produtos.

Tornar os produtos atraentes para os consumidores DIP, que se concentram em oferecer o melhor para seus filhos e, muitas vezes reduzem outras despesas antes de comprometer a alimentação nutricional básica, como leite, é o desafio final. De acordo com o Tetra Pak Dairy Index, as empresas precisam gerar vendas significativas para alcançar as economias de escala necessárias para fornecer melhor custo-benefício e qualidade nutricional para os consumidores DIP. Os fabricantes precisam também criar conscientização das suas marcas e envolvimento para produtos destinados às crianças que compram bebidas lácteas e lanches com seu próprio dinheiro.

Crescimento de produtos lácteos líquidos acelera entre 2011 e 2014

Ainda de acordo com a pesquisa Tetra Pak Dairy Index, a demanda por produtos lácteos líquidos será acelerada entre 2011 e 2014, principalmente pelo aumento do consumo na Ásia, África e América Latina. Este consumo global deve aumentar cerca de 2,9% ao ano (CAGR) entre 2011 e 2014, acelerando dos 2,5% entre 2008 e 2011, liderado por uma forte procura nos mercados emergentes.

O consumo de bebidas à base de ácido láctico (LAD), leites infantis e leites aromatizados devem crescer à rápidas taxas entre 2011-2014. Os LAD que tendem a ser bebidas acessíveis e preferidas entre os consumidores DIP da Àsia, devem crescer cerca de 11,9% (CAGR), seguidos pelos leites infantis CAGR 9,0% e leites aromatizados, com 4,8% (CAGR
).

Segundo Dennis Jönsson, fornecer produtos lácteos saudáveis, nutritivos e embalados para os consumidores DIP não é apenas uma oportunidade de negócio. "É uma oportunidade de transformar vidas, tornar os alimentos nutritivos seguros e disponíveis para uma nova geração de consumidores emergentes", afirma o CEO.

Para saber mais

Clique aqui e baixe a quinta edição da pesquisa Tetra Pak Dairy Index(arquivo PDF).

Líder mundial

Tetra Pak é líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos. Trabalhando próximo aos fornecedores e clientes, fornece produtos seguros, inovadores e ambientalmente corretos que a cada dia atendem às necessidades de centenas de milhões de pessoas em mais de 170 países ao redor do mundo.

Com aproximadamente 22.000 funcionários baseados em mais de 85 países, a empresa acredita na gestão responsável e abordagem sustentável do negócio. O slogan PROTEGE O QUE É BOM reflete sua visão de tornar o alimento seguro e disponível, em qualquer lugar.

Mais informações sobre a Tetra Pak estão disponíveis nowww.tetrapak.com.br.

Produção de leite cresce mais de 60% em oito anos no Rio Grande do Sul


Pecuária leiteira também apresenta ampliação no Estado, graças ao aumento no número de indústrias

  • Roberto Witter
Foto: Roberto Witter / Agencia RBS
Rio Grande do Sul registra crescimento na pecuária leiteira
A chegada de grandes indústrias leiteiras ao Rio Grande do Sul na última década despertou o ímpeto das cooperativas, que até então não tinham concorrentes. O resultado foi o aumento na produção, que passou de 2,36 bilhões de litros em 2004 para 3,93 bilhões no ano passado. O crescimento foi de 66,5% na produção em oito anos.
A expansão da pecuária de leite também é constante. Há 30 anos, a bacia leiteira estava concentrada no sul do Estado e na região metropolitana de Porto Alegre. Hoje, apenas 90 municípios não investem na atividade.
– O noroeste foi onde a criação mais prosperou, porque os pecuaristas são agricultores natos. Essa cultura de produzir alimento para o gado fez com que a região se destacasse – avalia José Ferreira, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).
Outros dois fatores contribuem para que a região produza 70% do leite do Estado. O primeiro é o tamanho das propriedades. Sem grandes áreas, é preciso diversificar, e o leite é uma fonte de renda mensal. Além disso, há a organização das famílias.
– A atividade leiteira é muito desenvolvida por mulheres. Os filhos participam bastante. É uma criação que envolve a família – explica Ferreira.
As estações bem definidas são outro aliado. Com menos estresse climático do que no restante do país, as vacas criadas no Estado têm a segunda maior média produtiva anual, só perdendo para Santa Catarina. Em 2010, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat), cada animal produzia, em média, 2,43 mil litros de leite por ano.
Isso despertou a atenção de gigantes como a Nestlé, que se instalou em Palmeira das Missões, e a BR Foods, que assumiu o comando da Elegê. Para não perder a briga, cooperativas se reorganizaram, ganharam força e colaboraram para o aquecimento do mercado.
– Hoje produzimos quase quatro bilhões de litros de leite. Teríamos capacidade para chegar a 12 bilhões de litros só investindo na melhoria do manejo – estima Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat.
>>> Confira matéria original em Zero Hora.
ZERO HORA

terça-feira, 8 de maio de 2012

Número de conflitos agrários cresce 15% no primeiro ano do governo Dilma, aponta Pastoral da Terra



QUESTÃO AGRÁRIA
07/05/2012 | 15h14

Segundo a entidade vinculada à igreja católica, registros chegaram a 1.363 em 2011

http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2012/05/numero-de-conflitos-agrarios-cresce-15-no-primeiro-ano-do-governo-dilma-aponta-pastoral-da-terra-3750728.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29

Número de conflitos cresceu 15% em 2011

O primeiro ano do governo Dilma Rousseff registrou aumento de 15% no número de conflitos agrários no país, que passou de 1.186 em 2010 para 1.363 em 2011. Ao contrário de anos anteriores, quando a maior parte dos confrontos derivava de ações radicais de trabalhadores, só 280 desses conflitos foram causados por invasões de sem-terra. Um total de 638 litígios - mais de 60% da estatística global - foi provocado pela iniciativa privada, em ações de despejo, expulsões, destruição de bens e ameaças de pistoleiros.

Os dados fazem parte do anuário da violência no campo, divulgado nesta segunda, dia 7, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à igreja católica. Para o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, esse quadro deriva do "modelo equivocado de desenvolvimento" do governo federal, que prioriza o agronegócio e obras que exercem pressão sobre as terras ocupadas por indígenas, quilombolas, pescadores e populações tradicionais.

Ele defendeu o veto ao texto do Código Florestal, aprovado pela Câmara e a retomada da proposta anterior, aprovada no Senado, além da aprovação da Lei que agrava punições ao trabalho escravo e mudanças no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para reduzir a pressão sobre as terras ocupadas por comunidades tradicionais. 

— Os grandes empreendimentos, todo esse modo de centrar o lucro na exportação de produtos do campo, vai criando cada vez mais conflitos sobre aqueles que já moram na terra e vivem dela — enfatizou.

O dado positivo do anuário é que o número de mortes em decorrência desses conflitos caiu de 34 em 2010 para 29 em 2011. Entre as vítimas, 11 já haviam recebido ameaça de morte, como foi o caso do casal de extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, emboscados e assassinados a tiros em maio de 2011 e do cacique guarani kaiowá Nísio Gomes, executado dentro da aldeia, na presença do filho, em novembro passado, no Mato Grosso do Sul. O corpo do líder indígena foi levado por jagunços e até agora não foi localizado.

Conforme a estatística, o número de ameaçados subiu de 125 para 347 no período - aumento de 177,6%. O total de agredidos também aumentou muito (138,9%), passando de 90 para 215. Em 2011, foram registradas 38 tentativas de assassinato, enquanto 215 trabalhadores foram agredidos e outros 89 acabaram presos.


Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional
Assessoria de Comunicação
RELEASE
Cresce o número de Conflitos no Campo
Os dados que a CPT está divulgando dão conta de um  crescimento de 15% no
número total de conflitos no campo, em 2011, em relação a 2010. Passaram de 1.186,
conflitos, para 1.363. As pessoas envolvidas, 559.401, em 2010, 600.925 em 2011,
mais 7,4%. Estes conflitos compreendem 1.035 conflitos por terra, 260 conflitos
trabalhistas e 68 conflitos pela água.
Os conflitos por terra é que apresentaram um crescimento mais expressivo. Passaram
de 835, em 2010, para 1.035 em 2011, um crescimento de 24%. O número de famílias
envolvidas cresceu 30,3%, passou de 70.387, para 91.735.
Este crescimento se deu em 17 das 27 unidades da federação. Foi mais expressivo na
região Nordeste, 34,1%, que de 369 conflitos envolvendo 31.952 famílias, em 2010,
passou para 495 conflitos envolvendo 43.794 famílias. O aumento mais significativo foi
no Piauí, 130,8%, que passou de 13 conflitos em 2010 para 30 em 2011, e o número
de famílias passou de 611 para 1.398, mais 128,8%.
As regiões Norte e Centro-Oeste também apresentaram crescimento tanto no número
de conflitos, quanto no de famílias envolvidas. Norte: 258 conflitos, envolvendo 20.746
famílias em 2010; 307 conflitos e 27.111 famílias envolvidas em 2011, mais 19% no
número de ocorrências, e 30,7% no de famílias envolvidas. O Centro-Oeste
apresentou crescimento de 22% no número de conflitos e de 21,7%, no número de
famílias envolvidas: 59 conflitos com 6.393 famílias em 2010; 72 conflitos com 7.778
famílias em 2011.
Já as regiões Sudeste e Sul apresentaram declínio no número conflitos, de 126 para
123 na Sudeste, menos 2,4% e de 41 para 37, menos 9,8% na Sul. No Sudeste o
número de famílias envolvidas diminuiu de 9.945, em 2010, para 9.042 em 2011. Já no
Sul, apesar do menor número de ocorrências de conflito, o número de famílias subiu
exponencialmente: 196,8%, passando de 1.351 para 4.010.
O que se convencionou chamar de conflitos por terra, inclui os conflitos por terra, as
ocupações e os acampamentos. Os assim denominados “conflitos por terra” se
referem a expulsões, despejos, destruição de bens, ameaças de pistoleiros etc. Estes
conflitos, em 2010, somaram 638, já em 2011 apresentaram crescimento de 26,2%,
chegando a 805. O número de famílias envolvidas aumento 31,6%, passou de 49.950
famílias, para 65.742. No cômputo geral dos Conflitos por Terra, incluem-se as
ocupações de terra e os acampamentos às margens das rodovias, ou nas
proximidades de áreas que se reivindicam para desapropriação. As ocupações por
famílias sem terra ou a retomada de áreas por comunidades indígenas ou
quilombolas, apresentaram um crescimento de 11,1%. Passaram de 180, em 2010,
para 200, em 2011. Já o número de famílias envolvidas apresentou crescimento de
35,1%, passaram de 16.858 famílias envolvidas, para 22.783. Os acampamentos sofreram uma redução de 35 para 30, menos 14,3%, com o número de famílias
passando de 3.579 para 3.210, menos 10,3%.
Chama a atenção nos conflitos por terra o aumento do número de famílias expulsas. 
Um crescimento de 75,7%. Passaram de 1.216, em 2010, para 2.137, em 2011. 
Também teve crescimento significativo o número de famílias ameaçadas por 
pistoleiros, que passaram de 10.274 para 15.456, mais 50,4%. É o poder privado – 
fazendeiros, empresários, madeireiros e outros - voltando à liderança das ações. Este 
poder privado é responsável por 50,2% das ocorrências de conflitos por terra, 689 das 
1.035.  
Por outro lado, a ação do poder público, representada pelo número de famílias 
despejadas, decresceu 12,8%, foram 8.064 famílias,  em 2010, 7.033 em 2011. Na
análise do professor Carlos Walter Porto Gonçalves, a ação do poder público é mais
expressiva quando a liderança das ações é dos movimentos sociais. Daí se infere que
o poder público está pronto para agir quando os protagonistas da ação são os semterra, indígenas, quilombolas ou outros trabalhadores; já quando os protagonistas da
ação são os senhores “proprietários” de terras e outros empresários, esta é vista como
dentro da normalidade. Diz o professor: “Os dados parecem comprovar cientificamente
o caráter de classe da justiça no Brasil, haja vista que a ação do poder público se
move de acordo com a ação dos movimentos sociais em luta pela terra, mas se
mostra indiferente com relação ao poder privado, na medida em que, como se
observa, a intervenção do poder público aumenta ou  diminui acompanhando o
aumento ou queda da ação dos movimentos sociais”.

http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=23&view=finish&cid=274&catid=43