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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Câmara desobriga fabricação nacional de produtos veterinários


Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) daCâmara dos Deputados aprovou ontem (21/08/12), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7827/10, do Senado Federal, que acaba com a obrigatoriedade de fabricação integral no País dos produtos de uso veterinário importados.
Atualmente, o Decreto-Lei 467/69 obriga o importador a produzir internamente esses produtos após um prazo de três anos, contados da licença para sua comercialização, exceto quando se comprove a impossibilidade de fabricação nacional.

O texto seguirá agora para sanção presidencial, exceto se houver recurso para que seja analisado pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta estabelece ainda validade de dez anos para a licença de comercialização dos produtos importados. Hoje, esse prazo já é válido para a produção brasileira.

O relator na CCJ, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), defendeu a constitucionalidade do projeto, que já havia sido aprovado pelaComissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

Leia a íntegra da proposta: PL-7827/2010.

FONTE

Agência Câmara

Argentina: Crise leiteira também afeta grandes companhias




A crise leiteira da Argentina não está afetando apenas os pequenos produtores, mas também, está gerando perdas para grandes companhias que operam no setor.

No primeiro semestre de 2012, o setor leiteiro da Adecoagro registrou uma perda de US$ 912.000 contra um lucro (antes do pagamento de impostos e juros) de US$ 603.000 no mesmo período do ano anterior. Apesar de o faturamento ter passado de US$ 8,96 milhões de janeiro a junho de 2011 para US$ 9,31 milhões nos primeiros seis meses desse ano.

A produção leiteira da Adecoagro - concentrada totalmente na Argentina - foi no primeiro semestre de 2012 de 24,9 milhões de litros, 10,4% a mais que em janeiro a junho de 2011. "Isso é produto de um crescimento de 5,6% em nosso rebanho leiteiro (atualmente com 4.659 vacas), combinado com um aumento da produtividade individual", disse a companhia em seu último informe quadrimestral de resultados.

As razões, segundo a Adeoagro, a partir das quais se registrou uma perda no primeiro semestre de 2012 são as seguintes: a) preços do leite menores aos de 2011 devido aos preços internacionais mais baixos dos lácteos, combinados com a desvalorização do peso argentino; b) Aumento dos custos de produção por causa da alta do preço do milho promovida pela seca nos Estados Unidos; e c) um aumento dos custos laborais no mercado argentino.

A maior parte da produção leiteira da companhia se concentra em uma megafazenda leiteira localizada na zona rural de Christophersen, sul de Santa Fé.

A Adecoagro é uma das principais companhias agroindustriais do Cone Sul, com diversas unidades de negócios no Brasil, na Argentina e no Uruguai. Os maiores acionistas da companhia são Quantum Partners LP (controlado por Soros Fund Management LLC), HBK Master Fund LP, Al Gharrafa Investiment Company e Stichting Pensioenfonds Zoeg em Welzijn, entre outros.

A reportagem é do www.valorsoja.com, traduzida e adaptada pela Equipe MilkPoint.

Datos oficiales: la Argentina no podría existir como país sin los dólares generados por el campo

El sector agroindustrial sigue siendo la única fuente genuina de divisas.



Sin el aporte de los dólares generados por el sector agroindustrial la Argentina, sencillamente, no existiría.
En el primer semestre de 2012 el ingreso neto de divisas (cobros por exportaciones – pagos por importaciones – utilidades giradas al exterior) generado por el sector “oleaginosos y cereales” fue de 15.968 millones de dólares (M/u$s) versus 16.841 M/u$s en el mismo período de 2011.
En segundo lugar se ubicó el sector “alimentos, bebidas y tabaco” con 3614 M/u$s ingresados en los primeros seis meses del presente año versus 3078 M/u$s en el mismo período de 2011. Los datos corresponden al último Balance Cambiario publicado por el Banco Central de la República Argentina (BCRA).
La cuestión es que los demás grandes sectores de la economía argentina consumen muchísimos más dólares de los que generan y son “subsidiados”, en términos cambiarios, por el sector agroindustrial.
En el primer semestre de 2012 los rubros automotriz, industria química y comercio necesitaron “absorber” divisas por 6859 M/u$s para poder desarrollar sus respectivas actividades (ver gráfico).
En lo que respecta al sector “petróleo”, el BCRA no registra datos sobre el egreso de divisas generado por las crecientes importaciones energéticas (las importaciones de combustibles, según datos del Indec, fueron de casi 5000 M/u$s en el primer semestre de este año).
Por otra parte, es llamativo el escaso peso relativo que tiene el sector “metales”, que en el primer semestre de 2012 registró un balance cambiario negativo de 333 M/u$s (en enero-junio de 2011 había sido de -427 M/u$s).
En 2004 el entonces presidente Néstor Kirchner dejó sin efecto la obligatoriedad de liquidar en el mercado local divisas provenientes de productos exportados por las compañías mineras.
Pero a fines de octubre de 2011 Cristina Fernández de Kirchner restableció la obligatoriedad del ingreso de “la totalidad de las divisas” provenientes de las operaciones de exportación de empresas mineras que operen en el país. Sin embargo, los efectos concretos de esa medida aún siguen sin evidenciarse en el mercado cambiario.
Según datos del Indec, en el primer semestre de 2012 los complejos mineros del oro, plata, cobre y aluminio realizaron exportaciones por 1768 M/u$s.
Ezequiel Tambornini

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dias (ainda mais) difíceis pela frente



Em abril comprei o farelo de soja para a ração das minhas vacas a 41 reais a saca de 50 kg. Um preço já alto, principalmente por estarmos, então, no auge da safra. Alertado pela gerente da loja da cooperativa que a próxima remessa já viria por incivilizados 53 reais, muni-me de coragem e comprei mais algumas sacas para pagar em maio. Pagamento que acabou saindo em junho... Coisas da vida de produtor de leite que sai da sua rotina de "gastança".

Eventuais olhadas nos noticiários na internet e conversas com alguns vizinhos deixavam-me preocupado. A soja continuava a subir.

Mas, uma coisa é ouvir dizer ou ler a respeito, outra, muito diferente, é aparecer para comprar a soja do mês seguinte, o que vim a fazer num dia qualquer do começo de julho. O vendedor, que me atende há vários anos, olhou para mim com uma cara que misturava tristeza com preocupação e alertou-me:

- Olha, a coisa  braba, se prepare.

Sorri e disse que não tinha problema.

Vã ilusão. Imaginava algo como 60 reais...

E apareceu na tela do computador, virada para mim, inimagináveis 78 reais. Quase tive um treco qualquer, daqueles de chamar o pessoal do pronto atendimento sempre prontos a salvar vidas e aliviar sofrimentos. Mas não tive. Rapidamente, o vendedor disse que tinha um descontinho e, pelo sim, pelo não, comprei a soja a 74 reais.

Um aumento brusco, repentino, selvagem, completamente irreal de 80,5%!

Misericórdia, 80%?!

Pior: sabia, sem precisar fazer pesquisa que aquele era o melhor - o melhor, pasmem! - preço que eu encontraria na minha região, no interior paulista.

Creio que dois dias depois recebi a nota do laticínio com o valor referente ao leite produzido e entregue no mês de junho. Uma revolta funda, surda, profunda brotou. Os míseros 82 centavos (de real e não de dólar, como bem sabe todo produtor) despencaram para 80 centavos, numa queda de 2,5%. Esse foi o valor base pago pelo meu leite, ao qual foram agregados três bônus por qualidade. Que pouco contribuíram para amenizar de fato o quadro.

Hoje vou comprar soja. O preço de lista é de 80 reais a saca de 50 kg. Negociada, vai sair por 75, com um aumento de 1,4% em relação ao preço de julho e um aumento de 83% em relação ao preço de abril.

Ontem o caminhão "do leite" trouxe a nota do laticínio com o valor pago pelo leite entregue no mês de julho. O valor base despencou novamente, agora de 80 para 78 centavos. De real. Novamente, uma queda de 2,5% no valor.

Entendo que a indústria faz isso por necessidade e não por, desculpem a expressão, sacanagem?

Sim, entendo. Faço uma reclamação formal, meramente para registro da insatisfação. Não tenho ilusões, conheço um pouquinho do funcionamento do mercado e o nosso mercado, o do leite e seus derivados, é um mercado triste. Apesar de produzirmos, toda a cadeia do leite, um alimento indispensável à nossa própria sobrevivência e a uma vida saudável, nosso produto principal é vendido a preço "de pinga".

Pensando bem, antes fosse verdade, pois o "preço de pinga" é muito mais elevado, muito, mas muito mais alto que o preço do leite. E se uma não presta para nada, apenas para desgraçar famílias, o outro é justamente o contrário. Contradições da sociedade em que vivemos.

Então, ficamos assim: a soja está 87% mais cara e o leite 5% mais barato.

Não falei do milho, ?

Precisa? Creio que não, todos sabem que esse produto está com o preço também nas alturas, embora não tanto quanto a soja.

Não mudo minha ração: fubá, farelo de soja, polpa cítrica e núcleo mineral. Não acredito em mudança de fonte de proteínas, pois a soja é insuperável. A única providência foi uma mudança pequena no teor de ureia que já adicionávamos, quando a soja estava cara, muitos meses atrás. Coisa pouca, mas reduz um bocadinho a participação do caviar, digo, da soja no trato das vacas e bezerras. As outras fontes de proteína, além de sujeitas a problemas de fornecimento pela demanda aquecida, também estão caras. Penso que mudar a ração, readaptar os animais a uma nova dieta, depois mudar novamente, nova adaptação, num vai-e-vem chato, caro e pouco produtivo, não é interessante. Andei fazendo umas contas e a economia que eu teoricamente teria, no papel, é pouco significativa.

Estou preso à soja e ao milho. A polpa é boa ajuda, mas por si só não resolve muita coisa, mesmo porque a diferença para o milho é pequena.

Como sabe todo produtor, o concentrado para nossos animais impacta nossa estrutura de custos em 30%. Um pouco menos em meses bons, um pouco mais nos meses de entressafra dos produtos. Não fiz as contas (desculpem, deveria ter feito, mas faltou "tempo") da minha nova estrutura de custos, mas a participação do concentrado aumentou muito, coisa próxima dos 10%, o que é selvagem (fiquei com essa coisa de selvageria na cabeça e agora digito) e perigoso para a atividade.

Enquanto tudo isso acontece, o cidadão urbano lê ou ouve com inveja sobre a felicidade espantosa dos produtores de soja e milho, bafejados por preços extraordinários. Pois é, antes fosse realmente verdadeiro, o que não acontece inteiramente, bem sabemos.

Poucos minutos antes de começar a escrever, acabara de ler o excelente artigo do professor e pesquisador Marcos Fava Neves, com o título "Os impactos da seca",aqui mesmo no MilkPoint.

Assustador.
Se você é produtor de leite e o teu coração não anda lá muito bem, não leia (brincadeira de escritor pobre... leia sim, é muito importante para termos uma visão realmente global da situação).



Os impactos da seca


Este texto tem o objetivo de discutir os prováveis impactos primários e secundários nas integradas cadeias produtivas de alimentos, bioenergia, fibras e outras advindos do fato das secas que atingem a produção norte-americana, principalmente, mas também as produções de Índia, Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Os EUA, principal produtor mundial de grãos enfrentam a maior seca dos últimos 50 anos, que já afetou 37% das propriedades e 43% da área agrícola.

Continuando a seca, os efeitos podem ser desastrosos em algumas cadeias produtivas, trazendo reflexos para mais de uma safra e inclusive mudanças de planejamento de plantio, de políticas públicas e estratégias privadas nas organizações. São 20 impactos aqui lembrados.

1 - Num primeiro momento houve grande aumento dos preços da soja e milho, e a partir destes aumentos, as cotações de outros grãos também subiram.

2 - Dependendo do volume de estoques que serão utilizados, seus níveis podem cair a volumes preocupantes, o que pode fazer esta situação de preços perdurar por mais de uma safra.

3 - Os efeitos nos países pobres importadores de comida podem ser devastadores, uma vez que preços de alimentos são diretamente ligados a estabilidade política e os orçamentos para programas assistenciais e os próprios orçamentos das famílias passam a ser insuficientes.

4 - Impacto também nos países de grandes populações de classe média, como China, cada vez maiores importadores de alimentos, que alocarão mais recursos para importações.

5 - Com maiores preços dos grãos, os impactos nos custos da alimentação animal são grandes, reduzindo as margens das empresas de carnes e lácteos, uma vez que a transferência de preços aos supermercados muitas vezes não é imediata.

6 - O mesmo efeito ocorre com as empresas produtoras de biocombustíveis a partir de grãos, pois com preços de insumos mais altos, as margens são menores.

7 - Se os biocombustíveis aumentarem de preços, há reflexos em seu consumo, migrando para o consumo de petróleo, aumentando as pressões também para que este aumente de preços.

8 - Petróleo aumentando de preços aumentam os custos de produção e de transporte de alimentos, trazendo outro impacto negativo das secas.

9 - O aumento de preços de alimentos nos supermercados vai forçar as empresas de alimentos a cortarem custos, podendo refletir em seus orçamentos para propaganda, embalagem e até inovação, postergando projetos.

10 - Da mesma forma, como o alimento é o último item a ser cortado do orçamento de uma família, devem migrar recursos a serem utilizados em outros mercados, como entretenimento, eletrodomésticos e outros, para o consumo de alimentos.

11 - Produtores não afetados pela seca terão margens significativamente maiores, o que pode trazer valorização de terras e até dar mais velocidade ao processo de concentração existente na agricultura.

12 - Há o risco de se reduzir os mandatos de mistura de biocombustíveis na gasolina em diversos países, mais notadamente nos EUA, onde a pressão de grupos contrários ao etanol é forte para liberar milho para alimentação, o que traria grave impacto as indústrias de etanol, mas seria também uma ameaça ao Brasil, provavelmente a maior.

13 - O uso de mais petróleo e menos biocombustíveis também vai agravar as emissões de carbono, trazendo mais poluição.

14 - Aumento de preços de alimentos traz mudança de hábito de local de consumo, aumentando a venda em supermercados e diminuindo os gastos na alimentação fora do lar (restaurantes).

15 - O hemisfério sul vai ser estimulado a plantar mais soja e milho, interferindo nas áreas de algodão, trigo, cana, girassol, entre outras, o que pode refletir preços maiores em virtude de menores áreas plantadas e consequentemente, menor produção.

16 - Por outro lado, bons preços trarão maiores investimentos em insumos e tecnologia, o que aumentará a produtividade nestas propriedades, contribuindo para repor estoques mundiais mais rapidamente que em condições normais.

17 - Seguradoras, principalmente nos EUA, terão grande impacto, bem como o orçamento dos Governos. Impacto também em pequenos municípios dependentes da agricultura, que com a seca, perdem importante renda.

18 - A menor produção de cana na Índia pode fazer este país voltar ao mercado comprador de açúcar, ou exportar menos, contribuindo para uma retomada dos preços do açúcar no mercado mundial, beneficiando o Brasil.

19 - Maiores preços de alimentos incentivarão o fortalecimento de programas para reduzir o alto desperdício nas cadeias agroalimentares. Haverá também mais pressão nas empresas de insumos para produção de plantas mais tolerantes às secas.

20 - Os efeitos econômicos nas balanças comerciais, taxas de câmbio e crescimento em diversos países tendem a ser grandes, o que motivará políticas regulatórias de cotas, taxas e outras a disposição de Governos, causando mais distúrbios nas cadeias produtivas integradas.

Aqui estão listados alguns dos possíveis impactos nas intrincadas cadeias produtivas mundiais de alimentos. Alguns pesquisadores têm alertado que estas secas tendem a ser mais frequentes, principalmente nos EUA, o que deve estimular o plantio no hemisfério sul, beneficiando o Brasil. Isto tudo vem junto com o grande crescimento do consumo mundial de alimentos, portanto está armado um quadro preocupante. Definitivamente o assunto da crise alimentar volta às mesas das famílias e das discussões privadas e públicas.

O texto original foi escrito para o Brasil Econômico, sendo esta uma versão compacta.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Arroz e feijão 'maculam' safra recorde


Valor Econômico - 10/08/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/10/arroz-e-feijao-maculam-safra-recorde

Se os mais recentes levantamentos sobre a produção de grãos no país em 2011/12 confirmaram o milho safrinha como o grande destaque positivo da temporada, responsável direto por um recorde na colheita como um todo, também voltaram a chamar a atenção para os decepcionantes desempenhos de arroz e feijão.
Básicos no prato do brasileiro, ambos amargaram quedas expressivas nas áreas plantadas e foram prejudicados por adversidades climáticas, o que amplificou as reduções das ofertas e motivou aumentos das importações e fortes altas de preços aos produtores, parte das quais sentidas no varejo.
Com mercado pouco promissor na semeadura, o arroz ocupou 2,5 milhões de hectares no Brasil em 2011/12, 13% menos que em 2010/11, e rendeu 11,6 milhões de toneladas, queda de 15%, conforme levantamento divulgado ontem pela Conab. Juntas, as três safras de feijão normalmente plantadas em um mesmo ciclo tiveram área de 3,3 milhões de hectares, 18,1% menor, e produção de 2,9 milhões de toneladas, uma retração de 22,1%.
Diante desse quadro, a Conab estima que as importações brasileiras de arroz em casca vão somar 900 mil toneladas em 2012, 9% mais que no ano passado, e que as exportações do cereal vão cair pela metade e atingir 1 milhão de toneladas. Para o feijão a expectativa é de importações relativamente estáveis de 200 mil toneladas e exportações de apenas 4 mil toneladas, 80% mais magras.
Com o aperto na oferta, os preços pagos aos arrozeiros do Rio Grande do Sul, maior Estado produtor do cereal do país, estão em ascensão desde o início do ano. Na primeira semana de agosto, o arroz em casca alcançou, em média, R$ 29,58 por saca de 50 quilos, 20% acima da média de dezembro.
No mercado de feijão, a variação de preços ao produtor é menos linear, em grande medida em razão de suas três safras em um mesmo ciclo, mas também por conta das diferentes variedades à venda.
No Paraná, que lidera a colheita nacional da leguminosa, o feijão preto tem valorizações progressivas desde março e alcançou a média de R$ 100,77 por saca de 60 quilos em julho, mais de 50% acima da média de dezembro. Já os "feijões de cor", que incluem os populares carioquinha e mulatinho, ficaram em R$ 108,39 em julho, 36% abaixo do pico do ano, em abril, mas com altas de 10% em relação à média de dezembro e de 36% sobre julho de 2011.
No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE, o arroz apresenta variações positivas de 7,3% no acumulado deste ano e de 12,7% nos últimos 12 meses, sempre até julho. O feijão mulatinho aumentou 81,4% e 84,4%, respectivamente, enquanto os saltos do feijão preto alcançaram 38,3% e 41,6%. De janeiro a julho de 2012, o peso do arroz no IPCA foi de 0,53 ponto percentual, o do feijão mulatinho foi de 0,04 e o do feijão preto, 0,07 ponto.
No caso do arroz, o governo federal rechaça um eventual desabastecimento mas acompanha de perto a alta das cotações. A Conab inclusive já avalia a possibilidade de realizar um leilão de venda do produto para amenizar a pressão. Atualmente, os estoques do produto somam 1,5 milhão de toneladas. "A alta que vemos hoje é por pressão de mercado", afirma o presidente da estatal, Rubens Rodrigues.
A Conab concorda que a alta, que em algumas regiões do país superou 50%, reflete a redução da oferta doméstica, mas aponta outros fatores de influência, como a escalada dos preços internacionais da commodity e a valorização cambial, que encarece as importações.
No mercado de feijão, contudo, o sinal de alerta já é vermelho. O governo está preocupado com a queda na produção, principalmente após a seca no Sul e no Nordeste. A intenção do Ministério da Agricultura é estimular o plantio em outras regiões do país para segurar os preços. "Não podemos depender do Paraná e da Bahia para produzir tudo que o Brasil precisa", afirmou Rodrigues.
Nos cálculos da Conab, as valorizações da leguminosa na comparação entre os ciclos 2011/12 e 2010/11 chegam a 22,5% no Estado de São Paulo, 38,3% no Paraná e 22,8% na Bahia. Os estoques de feijão da Conab são de apenas 24 mil toneladas, e as importações, de países como Argentina e até a China, também estão mais caras em virtude do fortalecimento do dólar.
Segundo Amaryllis Romano, economista da Tendências Consultoria, o quadro deverá melhorar nos dois mercados. "Os preços atuais incentivam o plantio". Mas a recuperação, se houver - não há consenso, como mostra a matéria abaixo -, será limitada, pelo menos no arroz. Amaryllis lembra que a escassez de água nas barragens gaúchas deverá afetar a produção irrigada e que os elevados preços de grãos de maior liquidez, como soja e milho, pesarão sobre o agricultor que puder escolher qual cultura plantar em 2012/13.
Por conta da estiagem que assola o Meio-Oeste dos Estados Unidos, o maior exportador agrícola do planeta, soja, milho e trigo, que já vinham em alta, explodiram e bateram novos recordes de alta. A tal ponto que a FAO, o braço das Nações Unidas, pediu ontem a imediata suspensão da produção de etanol de milho nos EUA, por temer uma crise "agroinflacionária" nos moldes da que gerou convulsões sociais em diversos países no biênio 2007-2008.
Apesar dos reflexos sobre os preços ao consumidor de produtos como óleos vegetais e carnes, essas disparadas beneficiaram as exportações brasileiras e vão impulsionar o plantio na safra 2012/13, que começará a ser semeada em meados de setembro.
Para a soja, as primeiras previsões apontam para uma produção de mais de 80 milhões de toneladas na nova temporada, ante 66,4 milhões em 2011/12, safra que foi prejudicada pela seca no Sul. A próxima segunda safra de milho também tende a ser robusta. Em 2011/12, deverá render o recorde de 38,6 milhões de toneladas, 72% mais que em 2010/11 e fator determinante para o recorde geral novamente batido. (Colaboraram Gerson Freitas Jr., Fernanda Pressinott e Janice Kiss)


Arrozeiros preveem área menor

Valor Econômico - 10/08/2012  http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/10/arrozeiros-preveem-area-menor
 

Apesar da alta dos preços verificada neste ano, a escassez de água para irrigação e a sedução provocada pelas cotações atraentes da soja podem levar os produtores gaúchos de arroz a reduzir a área plantada na safra 2012/13. A estimativa preliminar da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) é que as lavouras deverão encolher para 900 mil hectares no Estado, diz o presidente da entidade, Renato Rocha.
O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro de arroz, com 1,1 milhão de hectares e 7,7 milhões de toneladas em 2011/12 (o equivalente a dois terços da safra do grão no país no período), conforme a Conab. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o Estado colheu 7,7 milhões de toneladas em 1 milhão de hectares no período.
Rocha estima que entre 80% e 90% da área que deixará de ser cultivada com arroz migrará para a soja (que na safra passada alcançou 4,2 milhões de hectares, segundo a Conab). A previsão já leva em conta alguma recuperação dos mananciais nos próximos 90 dias, dentro da média dos últimos anos, e com isso o dirigente projeta que os preços médios no Estado para o arroz em casca longo fino deverão ficar entre R$ 28 e R$ 34 a saca de 50 quilos em 2013.
Na primeira semana de agosto o preço médio do grão pago aos produtores gaúchos chegou a R$ 29,58 a saca, de acordo com o Irga. O valor é o mais alto, em termos nominais, desde os R$ 29,95 registrados na terceira semana de fevereiro de 2010 e representa uma alta de 28,3% em relação à média do mês de agosto do ano passado. Já os custos totais de produção oscilam de R$ 26,56 a R$ 28,64 por saca no Estado, conforme a Conab, sendo que os gastos variáveis vão de R$ 21,37 a R$ 26,74.
O Irga fará a primeira projeção de plantio para 2012/13 até o fim do mês, mas o presidente do instituto, Cláudio Pereira, admite que os produtores estão "inseguros" em relação à disponibilidade de água para irrigar as lavouras. Segundo ele, o preço médio da soja no Estado, que de acordo com a Emater-RS subiu 59,9% nos últimos 12 meses, para R$ 69,94 a saca de 60 quilos, também estimula a rotação de cultura.
Pereira também acredita que as perspectivas de bons preços para a próxima safra são reforçadas pelo aumento das exportações de arroz pelo Brasil. No acumulado dos primeiros sete meses do ano os embarques cresceram 41,3% ante igual período de 2011, para 1,164 milhão de toneladas, enquanto as importações avançaram 34,8%, para 567,1 mil toneladas. O presidente do Irga, entretanto, não se arrisca sobre cotações.
"Há variáveis a serem consideradas, como área, câmbio, mercado internacional e estoques nas mãos do governo". Segundo ele, os estoques oficiais no país somam quase 1,8 milhão de toneladas, das quais 80% estão no Rio Grande do Sul, e podem ser colocados no mercado em caso de alta excessiva dos preços. O volume inclui 400 mil toneladas a serem doadas para fins humanitárias.
O presidente da Federarroz espera que o governo chame o setor para conversar antes de desovar estoques públicos. Ele diz que o mercado está abastecido com estoques privados, que o beneficiamento vem crescendo - passou de 3,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2011 para 3,9 milhões no mesmo período deste ano no Estado, de acordo com o Irga - e que o produto não está pressionando a inflação.

domingo, 13 de maio de 2012

Produção de leite cresce mais de 60% em oito anos no Rio Grande do Sul


Pecuária leiteira também apresenta ampliação no Estado, graças ao aumento no número de indústrias

  • Roberto Witter
Foto: Roberto Witter / Agencia RBS
Rio Grande do Sul registra crescimento na pecuária leiteira
A chegada de grandes indústrias leiteiras ao Rio Grande do Sul na última década despertou o ímpeto das cooperativas, que até então não tinham concorrentes. O resultado foi o aumento na produção, que passou de 2,36 bilhões de litros em 2004 para 3,93 bilhões no ano passado. O crescimento foi de 66,5% na produção em oito anos.
A expansão da pecuária de leite também é constante. Há 30 anos, a bacia leiteira estava concentrada no sul do Estado e na região metropolitana de Porto Alegre. Hoje, apenas 90 municípios não investem na atividade.
– O noroeste foi onde a criação mais prosperou, porque os pecuaristas são agricultores natos. Essa cultura de produzir alimento para o gado fez com que a região se destacasse – avalia José Ferreira, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).
Outros dois fatores contribuem para que a região produza 70% do leite do Estado. O primeiro é o tamanho das propriedades. Sem grandes áreas, é preciso diversificar, e o leite é uma fonte de renda mensal. Além disso, há a organização das famílias.
– A atividade leiteira é muito desenvolvida por mulheres. Os filhos participam bastante. É uma criação que envolve a família – explica Ferreira.
As estações bem definidas são outro aliado. Com menos estresse climático do que no restante do país, as vacas criadas no Estado têm a segunda maior média produtiva anual, só perdendo para Santa Catarina. Em 2010, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat), cada animal produzia, em média, 2,43 mil litros de leite por ano.
Isso despertou a atenção de gigantes como a Nestlé, que se instalou em Palmeira das Missões, e a BR Foods, que assumiu o comando da Elegê. Para não perder a briga, cooperativas se reorganizaram, ganharam força e colaboraram para o aquecimento do mercado.
– Hoje produzimos quase quatro bilhões de litros de leite. Teríamos capacidade para chegar a 12 bilhões de litros só investindo na melhoria do manejo – estima Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat.
>>> Confira matéria original em Zero Hora.
ZERO HORA