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domingo, 3 de junho de 2012

Mercado interno para quem?


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"34% do incremento da demanda agregada no Brasil foi atendido por importações nos anos de 2010 e 2011", constataLuiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, e Nelson Marconi, professor de Economia da EESP-FGV e bolsista do Ipea, em artigo publicado no jornal Valor, 29-05-2012.

Os economistas propõem "uma estratégia que garanta o crescimento do mercado interno e dos salários de 5% a 6% ao ano ao invés de a 3% como voltou a acontecer depois do boom das commodities. O limite desse crescimento é o do crescimento das exportações".
Segundo eles, "alcançar esse crescimento graças aos preços das commodities não é mais realista; tentar transformar o Brasil em uma grande fazenda é uma loucura. Felizmente, a presidente Dilma Rousseff parece ter entendido isto e está gradualmente tirando a economia brasileira da armadilha dos juros altos e do câmbio sobreapreciado".
Eis o artigo.
O mercado interno é o maior ativo que a economia de um país pode possuir; sua magnitude é definida por seu Produto Interno Bruto (PIB), pela soma dos salários, dos lucros e das rendas do capital. Foi buscando aproveitar esse mercado que os desenvolvimentistas brasileiros defenderam nos anos 1950 o modelo de industrialização por substituição de importações. Foi procurando ampliar esse mercado interno que, a partir do fim dos anos 1960, esses mesmos economistas, vendo que o processo de substituição de importações se esgotara, apoiaram o exitoso processo de ampliação das exportações de manufaturados que, concomitantemente, aumentou o mercado interno. Hoje, depois de muitos anos de baixas taxas de crescimento e de queda da participação dos manufaturados nas exportações totais, coloca-se novamente o problema do aproveitamento e da ampliação do mercado interno.

No mundo atual, as economias são muito mais abertas que no passado; competir em pé de igualdade pelos mercados de manufaturados (leia-se bens com maior valor adicionado e que incorporam e disseminam maior progresso técnico para o restante da economia) é necessário para o aumento da produtividade e o alcançamento de taxas mais elevadas de desenvolvimento econômico. Dado que não faz sentido voltar a reduzir o coeficiente de importações, o desenvolvimento econômico brasileiro será limitado pela taxa de crescimento das exportações.

Entretanto, uma parcela dos economistas brasileiros defende uma estratégia de crescimento wage-led, baseada no aumento dos salários. Preferem conviver com a sobreapreciação cambial existente, porque o custo de se colocar a taxa de câmbio no nível de equilíbrio (a do equilíbrio industrial, que torna competitivas as empresas industriais eficientes) implicará alguma redução dos salários reais e em aumento da inflação (ambos temporários). No fundo, querem voltar ao modelo de substituição de importações, mas não propõem as altas taxas aduaneiras que seriam necessárias para voltar a uma estratégia desse tipo, incompatível com o estágio de desenvolvimento do Brasil.

A estratégia de desenvolvimento não deve ser export-led ou wage-led, mas growth-led; deve propiciar oportunidades de investimento lucrativas para os empresários que garantam uma taxa de crescimento satisfatório. Se o patamar de crescimento é insatisfatória, como acontece agora, este fato é causado principalmente por uma taxa de câmbio apreciada e uma taxa de juros alta em termos reais, que resultam em baixas oportunidades de investimento lucrativos para as empresas industriais - justamente aquelas que proporcionam maior valor adicionado per capita.

Como, a partir de 2004, a economia brasileira pareceu haver retomado o crescimento baseado em uma estratégia do tipowage-led - baseada no aumento real do salário mínimo, na Bolsa Família e no crédito consignado, enquanto a taxa de câmbio se apreciava fortemente - surgiu a tese de que seria possível para a economia brasileira crescer a partir da expansão do consumo no mercado interno, não havendo necessidade de se depreciar a taxa de câmbio.

Aquele crescimento, porém, só foi possível porque uma economia mundial aquecida antes da crise elevou os preços de nossos produtos exportados, principalmente das commodities (160% entre 2002 e 2008, enquanto os preços das exportações de manufaturados cresceram 53% no mesmo período), fato que possibilitou à economia brasileira financiar o aumento das importações decorrente desta estratégia sem gerar um desequilíbrio significativo no saldo em transações correntes.

Mas a continuidade desse modelo é inviável, primeiro, porque o cenário externo não permite continuar a contar com o aumento do preço das commodities, e, segundo, porque o câmbio sobreapreciado faz com que o mercado interno seja suprido por importações: com uma pequena defasagem esse mercado interno foi entregue de graça aos exportadores de outros países, principalmente aos chineses, e a indústria brasileira entrou em crise. As exportações de manufaturados, calculadas em quantum, estão em declínio desde 2007, sendo que em 2011 foram 15% inferiores às daquele ano, enquanto o quantum das importações de manufaturados aumentou 59% no mesmo período.

Os dados das Contas Trimestrais a preços constantes mostram que, em média, 34% do incremento da demanda agregada no país foi atendido por importações nos anos de 2010 e 2011, enquanto esse percentual foi de cerca 10% entre 2000 e 2005. Não é a magnitude deste percentual que impressiona, mas a velocidade da elevação das importações nos últimos anos. Enquanto a produção industrial encontra-se praticamente no mesmo patamar que vigorava antes dos reflexos mais significativos da crise no Brasil (a média de 2011 foi 2,7% superior à média de 2008), o volume de vendas do comércio varejista foi 25,3% superior na mesma base de comparação. Graças ao último aumento do salário mínimo, o mercado interno brasileiro continua grande, mas não está dando emprego para brasileiros, e sim aos exportadores de manufaturados para o Brasil.

Não se trata, portanto, de adotar uma estratégia "export-led" ao invés de "wage-led". Trata-se de defender uma estratégia "growth-led", uma estratégia que garanta o crescimento do mercado interno e dos salários de 5% a 6% ao ano ao invés de a 3% como voltou a acontecer depois do boom das commodities. O limite desse crescimento é o do crescimento das exportações. Alcançar esse crescimento graças aos preços das commodities não é mais realista; tentar transformar o Brasil em uma grande fazenda é uma loucura. Felizmente, a presidente Dilma Rousseff parece ter entendido isto e está gradualmente tirando a economia brasileira da armadilha dos juros altos e do câmbio sobreapreciado.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A face oculta da privatização e o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná


ESCRITO POR CLAUDIO RIBEIRO   
TERÇA, 31 DE JANEIRO DE 2012

Clair Castilhos, professora e mestre do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina e que integrou o Conselho Nacional de Saúde durante quase oito anos, membro do Conselho Diretor da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, em recente palestra proferida na Conferência Estadual de Saúde do Paraná, fez afirmações inarredáveis e marcantes.

Em breve resumo, deixou registrado em suas palavras contundentes que o capital sente-se ‘incomodado’ com o SUS (Sistema Único de Saúde) ao classificá-lo como um sistema que propõe a igualdade, a integralidade e o controle social na política pública; e foi além, ao afiançar que muitos gestores o vêem como ‘um gasto’, não como investimento, cometendo nesta inversão um erro inqualificável.

Condenou com veemência os cortes de recursos destinados à saúde, educação e assistência social, áreas essenciais, sob as quais, jamais deveria, a seu correto juízo, recair a errada visão de ‘custos’ ou a diretriz de economizar.

Não há meias palavras, não existem mascaramentos em tais conclusões porque, à luz da realidade, são fatos incontestáveis e praticados pelos defensores da atual, mas antiga, política econômica implantada no Brasil pela ditadura militar e hoje aperfeiçoada.

Em 2010, o Governo Federal destinou 0,7% do orçamento para manutenção do ensino público universitário e, ao combater a vinculação de recursos orçamentários em níveis mais significativos para a área da saúde pública, limitou-se a sustentar ser impossível ‘elevar os gastos’ no setor.

O discurso governamental é uma farsa, e a defesa intransigente da política macroeconômica em vigor desde os idos de 1965 um ensaio do desastre social anunciado.

Em 2010, com escora na autonomia e independência do Banco Central e seu intocável poder, foram sacados do orçamento federal 46,62% da arrecadação para destiná-los, como se faz há mais de 40 anos, ao pagamento de juros e serviços da dívida pública. A política de concentração de rendas e riquezas não mudou em 1985 com a retirada das tropas do Palácio do Planalto, nem foi alterada, naquilo que é essencial, com a adoção dos Programas Assistenciais ampliados pelo governo Lula.
Eis um exemplo (de pequeno vulto em relação aos demais) da tragédia: As multas de trânsito arrecadadas em todo o país constituem, através do repasse mensal de 5%, o FUNSET, para, em suma, financiamento de campanhas de educação no trânsito.

Em um só ano, o Fundo atingiu cifra próxima de R$700.000,000,00 para as programadas ações preventivas (que poderiam evitar a multiplicação de mortes e mutilações nas rodovias brasileiras) e, no entanto, a maior parte desses recursos – (72% do total) - tomou outro rumo e foi bloqueado para pagamento de juros e serviços da dívida pública.

Com isso, o trânsito brasileiro que casou a morte de cerca de 38.000 pessoas por ano nesses últimos tempos é atropelado pela ganância dos ‘rentistas’ pendurados no Tesouro Nacional.

Há outros indicadores cuja circulação é enjaulada e silenciada pela grande mídia. O Sindfisco, entidade sindical representativa de altos servidores da Receita Federal, tornou públicas em dias recentes informações reveladoras: os segmentos de renda média das classes trabalhadoras (autônomos, inclusive) contribuíram com 9,9% do montante do imposto de renda arrecadado pela União, e os bancos com apenas 4,3%.

A conclusão é socialmente dolorosa e cruel: para abastecer os programas assistencialistas governamentais, a carga tributária penaliza abusivamente os trabalhadores de renda média, sem arranhar ou mesmo se aproximar dos bolsos da elite endinheirada do país, destacadamente os 25 mil rentistas pendurados no Tesouro e outros agiotas que saqueiam as burras nacionais.

A contrapartida desta aberração é ainda mais grave. Está em curso no país a política de privatização lenta e gradual, mas ampla e irrestrita.

As privatizações exigidas por esse monstrengo charmosamente apresentado como ‘mercado’ são realizadas dentro de um ritual conhecido e experiente. Primeiro sucatear e depois, como trampolim de ‘salvação’, entregar bens e recursos públicos à iniciativa privada, como se esta fosse tábua de salvação nacional. O paradigma mais percebido pela população é a privatização das estradas e rodovias à ganância dos pedágios. Num momento inicial, o abandono dos leitos rodoviários aos buracos; depois, o intensivo uso da mídia para ‘denunciá-los’ e, finalmente, a outorga contratual das rodovias mais movimentadas à ganância dos donatários, como nos velhos tempos das Capitanias.

Nas palavras de Amaury Ribeiro Júnior, nas denúncias contidas em ‘A Privataria Tucana’, as privatizações levadas a efeito no Brasil concretizaram o mais escandaloso roubo de patrimônio público praticado no mundo.

O ensino público universitário está sendo aos poucos esvaziado, seja pela restrição de recursos, seja pelo dualismo que decepa a universalização do conhecimento. A cunha que se infiltra nas brechas do sistema é a terceirização de parte substantiva dos serviços sob o artifício bandido de ’economia de gastos’.

Não há legislação reguladora da terceirização e o Congresso Nacional algema as poucas iniciativas de fazê-lo, pois a ordem constitucional não permitiria uma regulação satisfatória aos horizontes pretendidos pelo capital; logo, para alargá-los a limites inconcebíveis, os defensores das privatizações rompem os diques legais e patrocinam a fertilização do terreno real da terceirização, sabendo que, no enfrentamento das querelas no âmbito do Judiciário, poderão aos poucos contornar obstáculos edificados pela Carta da República e domesticar decisões judiciais.

Não tenho a medida da extensão em todo o território nacional, mas não me parece temerário afirmar que a jurisprudência acoberta, em inúmeras variantes, as privatizações em silencioso curso.

O uso abusivo da terceirização para suprir a falta de servidores tem, para além da finalidade estratégica, um outro fim: reduzir a remuneração do trabalho; aliás, num primeiro momento, o Judiciário emprestava sua conivência com a violação do artigo 23, 2, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, subscrita pelo Brasil em 1948:

“2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho”.

Criou-se uma acadêmica distinção: os trabalhadores submetidos ao regime jurídico da Consolidação das Leis do Trabalho não poderiam adotar como paradigmas servidores públicos enquadrados em regimes Estatutários, considerando-os incomunicáveis. O Superior Tribunal de Justiça sepultou esse entendimento desastroso e infringente de regras universais ao aprovar a Súmula nº 378.

Eis um exemplo: um dos órgãos da Universidade Federal do Paraná é o Hospital de Clínicas (como em outros estados) que, ao contrário do que imaginam certos setores da magistratura, não é essencialmente um laboratório de experiências e pesquisas, nem se destina a aprofundar o conhecimento científico como atividades principais. É sabido que as suas instalações servem a inúmeros outros interesses além de prestação de assistência médica e ambulatorial (remunerada pelo SUS), não somente às camadas populacionais mais carentes. Um dos seus andares é reservado a internações, uso privado e tratamentos especiais remunerados, bem remunerados.

E a FUNPAR é hoje uma das principais fornecedoras de trabalhadores também para o estado do Paraná, principalmente para a área de saúde pública, como se pudesse, como Fundação, exercer atividade típica (e ilegal) do abastecimento de mão-de-obra insuficiente nos órgãos e entidades encarregados da prestação de serviços ambulatoriais, hospitalares, entre outros, atribuídos exclusivamente ao Estado.

Esses hospitais, laboratórios de análises, ambulatórios etc. seriam, por acaso, territórios de pesquisas?

Pois bem, como os recursos assegurados à rede universitária pública são cada vez mais escassos e navegam na contramão das necessidades da educação universal, pública e gratuita e são, ainda, insuficientes para a manutenção de hospitais e ambulatórios essencialmente públicos, a deliberada carência de pessoal é suprida pela terceirização através de convênios com entidades privadas.

Quem seria o responsável por isso? Seriam os administradores regionais? A resposta mais correta aponta o principal causador desse desastroso abismo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que deveria denominar-se Lei de Irresponsabilidade Social, porque as verbas, quando liberadas pela União, são ‘carimbadas’ e isso deixa os administradores regionais com as mãos atadas.

Há alguns anos, conversei com um diretor de um desses ‘Hospitais Universitários’ e ele me afirmou sem vacilar: “Sei que terceirizar é ilegal, mas não tenho alternativa. Os recursos são liberados com essa destinação e não podem ser usados para outros fins”.

Agora, passado algum tempo, poderia responder-lhe: “Meu caro, terceirizar não é mais ilegal. O Judiciário encontrou uma saída para contornar a vedação constitucional e legal da terceirização no âmbito nas entidades públicas” e, então, acrescentar um exemplo.

Em recente decisão, o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (através de uma das mais nobres de suas Turmas) assim justificou a legalidade de um desses convênios, admitindo a validade da terceirização das seguintes atividades por mãos privadas:

“Inicialmente, necessário pontuar que, conforme decidido às fls. 471-481, esta E. Turma, por unanimidade de votos, entendeu que o vínculo empregatício regido pela CLT havido entre a autora e a 1ª ré, Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência da Tecnologia e da Cultura - FUNPAR, no período de 01/11/1986 a 5/12/2009, restou incólume, bem como que os ajustes firmados entre a FUNPAR e a 2ª ré (Universidade Federal do Paraná - UFPR), por meio do qual a primeira passaria ‘a administrar, por seu intermédio e sob sua responsabilidade’: a) ‘as instalação das Unidades de Terapia Intensiva de Pediatria e de adultos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Parana’; b) ‘a nova ala dos serviços de emergência do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná’; c) ‘a Farmácia Industrial do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná’; e d) ‘as instalações dos Ambulatórios do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná’, são válidos”.

E isso, abonando-se no Acórdão a afirmação de que a FUNPAR ...

"... é uma fundação pública instituída pela segunda ré (UFPR), pelo Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul e pelas Federações da Agricultura, do Comércio e das Indústrias do Estado do Paraná, com o objetivo de atuar como entidade de apoio da segunda ré (conforme estatuto das fls. 48/62)".
Deixa-se de mencionar o número do Acórdão, mas, se chamado a apontá-lo, não me recusarei a fornecê-lo e, se alguém quiser acesso ao seu inteiro teor, basta uma leitura do DJPR, edição do dia 27 de julho de 2011.

É evidente o equívoco, porque não se trata de uma fundação pública, mas rigorosamente privada (a despeito de ter sido criada pela Universidade Federal do Paraná); contudo, opostos embargos declaratórios, foram estes simplesmente rejeitados e, mais ainda, acrescentando maiores obstáculos ao exercício recursal.

Nestes cantões escondem-se e são acomodados os interesses do capital em defesa das privatizações. Imagino (e o raciocínio tem suporte na lógica) que mal percebem os magistrados as conseqüências funestas de decisões desse naipe, pois cada vez são mais iterativas; e soam como tiros nos próprios pés, porque, enquanto o Judiciário age com acintosa avareza em relação aos empregados e servidores públicos, mais estes são penalizados com a falsa alegação de ‘falta de recursos’, embora quase metade da arrecadação (agora, talvez mais) seja garimpada para enriquecimento extorsivo praticado pela agiotagem oficializada no país desde os tempos de grosso chumbo.

Aliás, na elaboração do orçamento de 2012, quase 50% são reservados para pagamento de juros e serviços de uma dívida que os credores impedem, com o imenso poder que detêm, a investigação. Só isso.

Por estas razões, os servidores do Judiciário esbarrarão em forte resistência às suas justas reivindicações e que não incluem somente reajustes de vencimentos, mas a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, direitos assegurados pela Carta da República e até hoje desrespeitados.

Em vários setores da Administração Pública Federal, a remuneração dos servidores do Judiciário tem sido objeto de críticas injustas, pois somente são analisados e comparados os vencimentos dos assessores diretos de desembargadores e ministros, descartando-se a imensa maioria sufocada por salários baixos e inexpressivos.

É indispensável, então, um pouco de autocrítica, pois, não fossem os desvãos acadêmicos cavados pela Justiça em prol da terceirização, a situação da Administração Pública certamente representaria serviço de melhor qualidade à população e não apenas ‘economia de gastos’ para preencher os reservatórios imorais e saqueados pelos juros e serviços da dívida pública.

Alguns, os mais ansiosos, poderão sugerir que estaria eu pregando o calote em credores (como aprovado pela Emenda Constitucional nº 62). Não, rigorosamente não. Quero apenas abrir uma discussão que, ao final e ao cabo, leve somente à auditoria da dívida pública que, realizada no Equador, reduziu a menos que 30% o valor cobrado. Neste rumo, a autonomia e independência do Judiciário poderiam prestar imensa contribuição, recusando-se a avalizar essa escandalosa terceirização de serviços tipicamente públicos.


27/01/2012 09:06
Valor Econômico (SP): Entre 2003 e 2011, rendimento dos sem carteira cresceu muito mais

Por Tainara Machado  http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=13009&Itemid=75

O mercado de trabalho brasileiro ficou mais formal nos últimos oito anos, mas os salários subiram mais para os informais. Entre 2003 e 2011, o rendimento médio real dos trabalhadores sem carteira assinada na iniciativa privada aumentou 39,2%, enquanto o salário dos trabalhadores com carteira avançou 10,9% na mesma comparação.
Em 2011, o ganho médio dos trabalhadores informais foi 6,1% maior do que no ano anterior, quase quatro vezes mais do que o reajuste real dos empregados com carteira assinada, de 1,4%
.

Para os especialistas consultados pelo Valor, os mesmos componentes que criaram essa situação nos últimos anos - setor de serviços aquecido, aumento da escolaridade e valorização do salário mínimo - estarão presentes em 2012 e contribuirão para dar continuidade a esse processo.

Para Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, o aumento do nível educacional da população como um todo nos últimos anos teve forte efeito sobre os salários da parcela mais pobre. "Tradicionalmente, a categoria informal tem nível educacional mais baixo, mas de 15 anos para cá, a educação melhorou muito, principalmente para a população mais pobre."

Segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,1% dos trabalhadores sem carteira assinada tinham 11 anos ou mais de estudo em 2003. Em 2011, essa proporção saltou para 50,8%. "Com a evolução do nível de escolaridade dos trabalhadores informais, os salários também tendem a ser mais altos", afirmou Menezes Filho.

Além disso, a política de valorização do salário mínimo, com aumento real acima de 60% desde 2003, tem impacto relevante sobre os trabalhadores sem carteira assinada, que o usam como um "farol", segundo o professor.

Para José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Investimentos, o aumento dos rendimentos dos empregados informais está atrelado mais ao aquecimento do mercado de trabalho e, principalmente, do setor de serviços, do que à recente evolução do salário mínimo.

"Em geral, os salários no mercado informal tendem a ser mais flexíveis. Ou seja, é mais barato demitir e contratar quem não tem carteira assinada. Mas com taxa de desemprego muito baixa, os trabalhadores ganham poder de barganha e conseguem negociar aumentos maiores", diz Camargo.

Os ganhos reais mais expressivos obtidos pelos trabalhadores informais vieram nos últimos três anos - período em que a taxa média de desocupação teve queda importante, passando de 8,1% em 2009 para 6% no ano passado
.

Além disso, Camargo ressalta que, com a valorização recente do real ante o dólar, a indústria perdeu competitividade, enquanto o setor de serviços ganhou dinamismo. Com a demanda aquecida e um mercado de trabalho apertado, os preços dos serviços subiram, e os salários no setor - que tem parcela importante de trabalhadores informais - subiram mais, proporcionalmente, do que na indústria, setor tradicionalmente mais formalizado.

"Os preços finais ao consumidor de serviços como cabeleireiro, manicure e pedreiro aumentaram muito nos últimos anos. Em contrapartida, os rendimentos daqueles que vendem esses serviços também avançou", afirmou Fernando Mattos, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, avalia que, de fato, a migração de trabalhadores informais para o setor de serviços contribuiu para a elevação dos salários dos trabalhadores sem carteira assinada. Azeredo destaca ainda que as estatísticas para o trabalho sem carteira assinada excluem os empregados domésticos, o que poderia, na avaliação dele, inflar ainda mais os números. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o item empregado doméstico teve elevação de 11,38% em 2011.

Camargo e Menezes Filho acreditam que a conjunção desses fatores continuará nos próximos anos. Para Camargo, há um limite, que será dado pela pressão inflacionária derivada do mercado de trabalho aquecido. Em sua opinião, é preciso avançar em reformas microeconômicas que elevem a produtividade do trabalho para compensar o aumento de custos.

Para Mattos, do Ipea, ao menos no curto prazo essa dinâmica deve continuar, potencializada pelo aumento real de 7,5% do salário mínimo em 2012. Assim, a distância entre os salários dos trabalhadores formais e dos informais tende a diminuir mais. Em dezembro de 2003, um trabalhador que não tinha carteira assinada recebeu, em média, 60% do salário pago ao formal, percentual que subiu para 72% em dezembro de 2011.

Para Azeredo, o salto de 12 pontos percentuais em oito anos é reflexo da evolução da conjuntura econômica e indica avanços na redução da desigualdade. "O estreitamento dessa relação significa que está havendo melhora da qualidade dos empregos criados, com menos subempregos na economia."

domingo, 22 de janeiro de 2012

'Vale do Silício brasileiro' mira os EUA

São Paulo, domingo, 22 de janeiro de 2012Mercado
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Porto Digital expandirá operações para o Silicon Valley original, na Califórnia, em busca de financiamento e novos parceiros
Com 200 empresas reunidas no Recife, polo de inovação vai ter também escritórios em São Paulo e Suape (PE)
HELTON SIMÕES GOMES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Uma máxima no Vale do Silício diz que um investidor só coloca dinheiro em empresas a que pode ir de carro em 40 minutos. Localizado no bairro histórico do Recife Antigo, na capital pernambucana, o Porto Digital (PD) levou a ideia a ério e vai fincar bandeira no polo tecnológico da Califórnia, nos EUA, no segundo semestre deste ano.
A ideia dos gestores do PD é expandir as atividades para dar vazão ao crescimento do centro de inovação e captar fundos para financiá-lo.
Criado em 2000, o Porto Digital chega a 2012 com 200 empresas, entre desenvolvedoras de software e prestadoras de serviços tecnológicos. Reúne gigantes globais, como IBM e Microsoft, e brasileiras, como a fabricante de sistemas para bancos BRQ. O faturamento somado delas foi de R$ 1 bilhão em 2010.
Em 2011, no chamado "Vale do Brasilício", os investimentos cresceram 5,6 vezes. "Quem trabalha nessa área é condenado a crescer", diz à Folha Francisco Saboya, presidente do polo tecnológico.
COOPERAÇÃO
Saboya explica que o plano de ação para o Vale do Silício ainda é embrionário. Fechados, só os objetivos e R$ 500 mil para custear a operação. "Queremos ir para poder acessar aquela 'Floresta Amazônica' de capital de risco."
Além de buscar financiamento, o foco é a cooperação entre empresas. Seja promovendo a ponte aérea Recife-Silício entre elas ou estabelecendo processos de "open innovation". Isto é, solucionando problemas comuns em regime de colaboração.
A estratégia prevê a implantação de um escritório na cidade de São Paulo, que está adiantada. "Vimos prédios na avenida Paulista e na Berrini", afirma Guilherme Calheiros, diretor de inovação.
A base paulistana será um entreposto para as empresas do PD e servirá para o polo manter contato direto com investidores de risco e diretores-executivos de empresas baseadas na capital paulista.
SUAPE
Além dessa operação, haverá outra em Suape, sul de Pernambuco, aproveitando o boom de investimentos no complexo industrial portuário. Com 64% do faturamento vindo de fora de seu Estado, o PD quer aumentar o contato com a indústria local.
Em Suape, segundo estimativa do próprio complexo, serão investidos cerca de US$ 19 bilhões até 2013. A quantia custeará obras de píeres, rodovias e um estaleiro, além da construção de refinarias e petroquímicas. Os escritórios funcionarão a partir de abril.
Em maio, o Porto Digital começará a expansão interna, focando negócios de economia criativa (games, multimídia, música, design etc).
A área recebeu o benefício de redução no ISS (Imposto Sobre Serviços) para 2%, concedido às empresas já instaladas no parque.
Com o Instituto Talento Brasil, ligado ao Grupo Jereissati, criará uma aceleradora de negócios que deve investir US$ 50 mil em empresas com ideias inovadoras.
As "startups" que receberem aporte de capital vão para a Incubamídia, a terceira incubadora do PD, outra novidade. Ela será voltada para a economia criativa. O parque também criará o Fundo de Capital Semente, para financiar negócios. O polo já conta com o fundo privado Ikeway.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Rumo ao interior

Veículo:
VALOR ECONÔMICO -SP 
Editoria:
ESPECIAL - BAHIA  
Data:
18/01/2012 
Assunto:
AGRICULTURA FAMILIAR 
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Por Karla Spotorno | Para o Valor, de Salvador
Sexta maior economia do país, quarto Estado em população e o quinto em território, a Bahia possui o maior complexo industrial integrado da América do Sul e desenvolveu com sucesso a indústria química, petroquímica e mineradora. No agronegócio, causa inveja a produtores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste com alguns dos melhores indicadores de produtividade e qualidade do mundo. Para completar, conta com três biomas diferentes, mais de mil quilômetros de costa e responde por 31% da economia do Nordeste e 47% da corrente comercial da região. Tranquilamente, o Estado poderia ser considerado rico, não fossem uma das mais altas taxas de analfabetismo, de desemprego e o maior número de habitantes na extrema pobreza entre os 27 Estados do Brasil.

Capaz de mitigar parte de tamanho contraste, um novo ciclo de investimentos tomou a região. Segundo um relatório do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a Bahia foi o quarto Estado em atração de projetos privados em 2011. Ficou atrás de Minas Gerais, São Paulo e do campeão Rio de Janeiro - inflado com o efeito multiplicador dos investimentos do pré-sal. Pelos cálculos do governo baiano, a economia verá em cinco anos a consolidação de mais de R$ 70 bilhões em iniciativas públicas e privadas com um diferencial. Mais de 60% desse montante está fora da região metropolitana de Salvador. Historicamente, o entorno da capital lidera a captação de recursos e geração de empregos em razão do polo de Camaçari e do centro industrial de Aratu.



A concentração ao redor da capital baiana pode ser explicada por alguns fatores. Um deles é a refinaria Landulpho Alves. A segunda maior planta de refino da Petrobras começou a ser construída em 1949, antes mesmo da fundação da companhia. Ao redor, foram surgindo empresas da cadeia petroquímica - central de matérias-primas, indústrias da segunda e terceira gerações. Um bom exemplo dessa evolução é o fato de 44% dos pneus produzidos no país virem de fábricas instaladas na Bahia. Outro fator importante é a proximidade ao mar, a portos e a rodovias. Com um território maior que o da França, o Estado baiano desenvolveu-se na faixa perto do litoral e onde havia condições logísticas.

Outro fator sempre pesou para a concentração espacial das riquezas, segundo José Geraldo dos Reis Santos, diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) da Bahia. "Quase 30% da população está na zona rural. Dessa parcela, 32,9% encontram-se em extrema pobreza, vivendo em municípios pequenos [cerca de 60% dos municípios baianos têm até 20 mil habitantes]", afirma Santos.

A Bahia tornou-se um dos Estados mais beneficiados por programas sociais federais. Possui 1 milhão de aposentados rurais, 359 mil pessoas que recebem o Benefício por Prestação Continuada e 1,7 milhão de beneficiários do Bolsa Família. É o Estado brasileiro com o maior número de famílias cadastradas nesse programa. Somados somente os últimos dois benefícios, a Bahia recebeu entre janeiro e outubro do ano passado mais de R$ 3,7 bilhões - o equivalente ao investimento de 4,1 novas fábricas de automóveis iguais à Jac Motors.

Para o economista Genilson Santana, do Santander, outra característica da economia baiana deve ser motivo de alerta. Há uma concentração em fabricantes de produtos com preços fixados pelo comércio internacional. Santana afirma que mais de 50% do PIB da indústria baiana depende das exportações, enquanto a média brasileira é de 10%. O resultado é um ambiente mais suscetível a crises externas. Além disso, a economia concentra-se em companhias de capital intensivo. "Essa indústria exige planejamento de longo prazo. Um novo ciclo de investimento demora a ser feito."

Aos poucos, contudo, essas características começam a mudar. Um exemplo é a nova política industrial do Estado, anunciada no final de novembro. A verticalização de algumas cadeias produtivas e o incentivo ao surgimento de pequenos empreendedores fazem parte do projeto. "A diversificação a partir de micro e pequenas empresas é um dos vetores que estabelecemos para a economia", afirma o governador Jaques Wagner (PT).

"O Estado já conta com 650 mil famílias que vivem da AGRICULTURA FAMILIAR, temos um programa para artesanato, uma "lei de compras" [que dá prioridade aos pequenos empreendedores]. E há vários exemplos bem-sucedidos, como uma fábrica de chocolate baseada na AGRICULTURA FAMILIAR em Ibicaraí e uma cooperativa produtora de fécula de mandioca, com mais de 2.600 participantes, em Vitória da Conquista."

Outro vetor de crescimento é a interiorização, segundo o governador. O oeste baiano possui algumas das cidades que mais crescem graças ao agronegócio. A mineração acelera a chegada do desenvolvimento regional. A Bahia é o Estado com o maior número de pedidos de pesquisa. "Em mineração, fizemos mais leilões do que nos últimos 15 anos", afirma.

Os investimentos já começam a ter resultados macroeconômicos. Nos últimos sete anos, o Estado cresceu a uma taxa anual superior à média do país. Enquanto o Brasil cresceu em média 3,5%, a Bahia teve uma expansão de 4,2%. O Estado também conseguiu resultados sociais maiores. Enquanto o percentual de pobres caiu de 12% para 5% no Brasil entre 2003 e 2009, a queda na Bahia foi de 24,4% para 9,8%, segundo os critérios do Banco Mundial.

Para José de Freitas Mascarenhas, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), um obstáculo importante está na infraestrutura para movimentação de cargas e logística. "É preciso melhorar a competitividade de nossa economia, sobretudo na questão portuária. Queremos um porto moderno." Ele defende a concessão portuária para que a iniciativa privada possa construir uma solução logística ampla, pronta para atender diferentes empresas. "Precisamos de uma solução que sirva para todo mundo, e não medidas que atendam uma ou outra empresa."



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VALOR ECONÔMICO -SP 
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18/01/2012 
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Oeste tem melhor produtividade do mundo em grãos
O começo, nos anos 1980, não parecia promissor. O solo, relativamente pobre se comparado ao de outras regiões, não incendiava a imaginação de ninguém. A região era desacreditada; dizia-se que cerrado só dado ou herdado, diz Walter Horita, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Ocupado depois de Mato Grosso e Goiás, o cerrado baiano tinha como atrativo o baixo preço da terra. Também pesou a favor os incentivos concedidos pelo governo federal, como o programa Desenvovimento dos Cerrados (Prodecer), para estimular a atividade agrícola nessas áreas.Trinta anos depois, as vantagens da agricultura no cerrado podem ser exemplificadas pela alta produtividade obtida em várias lavouras, como soja, milho e algodão. De acordo com levantamento da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), divulgado em dezembro, a produtividade do algodão em caroço é de 3.900 quilos por hectare na Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás - a maior do Brasil na safra 2011/12. Aqui estão os recordes mundiais de produtividade em culturas como soja e milho e, se considerado o algodão de sequeiro, também somos os maiores do mundo, diz o presidente da Aiba.

O carro-chefe do Oeste Baiano é a produção de soja, milho e algodão. Para a safra 2011/2012, segundo a Aiba, a soja ocupa 1 milhão de hectares, correspondendo à totalidade da área cultivada com a oleaginosa na Bahia, e a 5% da produção no Brasil. O milho ocupará 210 mil hectares, aumento de 37% em relação à safra anterior. O grão cultivado no Oeste corresponde a 27% da área plantada na Bahia e a 85% da produção.

O presidente da Aiba afirma que, na safra 2010/11, o Oeste Baiano bateu recordes mundiais de produtividade, registrando 56 sacas de 60 quilos por hectare de soja, 163 sacas por hectare de milho e 270 arrobas por hectare de algodão. (E.C.R.)


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Mais diversidade para poder crescer
Por Karla Spotorno | Para o Valor,de Salvador
Edson Ruiz/Valor / Edson Ruiz/ValorWagner: taxa de analfabetismo no Estado caiu 6,22 pontos percentuais entre 2001 e 2010, e a taxa brasileira, 2,78

O governador Jaques Wagner (PT) começa o segundo ano de seu segundo mandato com um desafio. Precisa aproveitar o bom momento da economia baiana para por em prática grandes projetos de infraestrutura e acompanhar de perto o andamento dos investimentos privados. Entre as diretrizes, estão interiorizar o desenvolvimento, diversificar a economia e ajudar na geração de micro e pequenos empreendimentos. Carioca de uma família judia de classe média e soteropolitano há quase 40 anos, o governador garante que "as energias estão muito mais soltas" na Bahia - especialmente para fazer negócios.

Valor: Em 2011, a Bahia recebeu investimentos da Basf, da Braskem, da Jac Motors, do Boticário, entre outros. Foi um ano recorde em novos projetos industriais?

Jaques Wagner: Não diria que o ano foi recorde. Os investimentos anunciados são fruto de um trabalho de muito tempo e não de um ano. É preciso entender que o Brasil está colhendo os bons resultados do controle macroeconômico que começou antes mesmo do governo Lula. E a Bahia está dentro desse cenário. A economia baiana tem características importantes que ajudam a compreender essa onda de investimentos. Somos o quinto território e a quarta maior população no país e temos três biomas muito ricos: a Mata Atlântica, o cerrado e a caatinga. Essa região semiárida é a mais pobre do Estado. Mas se você olhar, há algumas áreas desenvolvidas de grande excelência. O melhor café da Bahia vem dessa região. Temos produção de uva, de maçã, de azeitonas. As duas maiores cidades do Estado depois de Salvador (Feira de Santana e Vitória da Conquista) estão nessa região. Ou seja, é uma área com condições de se desenvolver mais. Na região da Mata Atlântica, estão os grandes fabricantes de papel e celulose e as maiores produtividades em floresta do mundo. No cerrado baiano, os produtores agrícolas conseguem índices de produtividade impressionantes de soja, algodão, milho.

Valor: Apesar dessa diversidade da economia baiana, que tem agronegócio, indústria de celulose, petroquímica, química, mineração, há uma concentração em atividades econômicas voltadas para o mercado externo. Cerca de 50% do PIB depende das exportações, enquanto o PIB brasileiro depende em 10% das vendas ao exterior. Como o Estado tem trabalhado para depender menos do comércio internacional?

Wagner: Essa é uma estrutura que não se muda da noite para o dia. Nossa preocupação é trazer empresas de bens de consumo e verticalizar algumas cadeias, como a do café, da soja, da algodão. Temos uma das melhores produções de algodão do país e nenhuma fiação e tecelagem no Estado. Quando tivermos mais indústrias produzindo e vendendo aqui, vou reduzir o problema de ter a indústria instalada aqui, comprando insumo de outros Estados e vendendo para outros países. Essa situação gera um custo em razão da Lei Kandir e pela estrutura fiscal do ICMS. Para mudar o cenário, definimos três nortes na nossa estratégia. Um é interiorizar. Em cinco anos do governo do PT no Estado, foram gerados 470 mil empregos formais com carteira assinada. Cerca de metade no interior. O outro norte é diversificar. Um exemplo é a setor da energia eólica que atraiu multinacionais, entre elas a General Electric. Pelos estudos, a Bahia tem "uma Itaipu e meia" em capacidade de geração de energia e é a segunda maior jazida de ventos do Brasil. O terceiro vetor de crescimento é o estímulo aos micro e pequenos empreendimentos. Criamos um programa para o artesanato, um selo para AGRICULTURA FAMILIAR. Isso é uma forma de reduzir a dependência que a economia baiana tem de grandes empresas.

Valor: A taxa de desemprego na Bahia é a mais alta do Brasil e quase o dobro da média brasileira segundo o IBGE. Alguns especialistas dizem que é uma vantagem ter excedente de mão de obra quando se caminha para o pleno emprego. Como o senhor encara esse problema?

Wagner: Os nossos números, mesmo sendo grandes, são declinantes. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho (Caged), a Bahia tem gerado cerca de seis de cada dez novos empregos no Nordeste. Não sei se eu concordo com a tese de que esse excedente é bom, porque não há mão de obra especializada em excesso. Quem está desempregado precisa passar por uma qualificação para entrar no mercado de trabalho. Esse é nosso grande desafio.

Valor: Como o Estado tem trabalhado para contribuir para a qualificação da mão de obra e também para reduzir o analfabetismo?

Wagner: O analfabetismo é um problema estrutural na Bahia. É o retrato mais agudo da desigualdade historicamente existente no Estado. Quando assumimos o governo pela primeira vez, em 2007, decidimos mergulhar nos problemas sociais. Desde então, conseguimos alfabetizar mais de 850 mil pessoas com o Todos pela Alfabetização (Topa). Tem sido um verdadeiro mutirão, e os resultados aparecem. A Bahia é o Estado com o maior avanço em problemas sociais como esse. A taxa de analfabetismo caiu 6,22 pontos percentuais entre 2001 e 2010, e a taxa brasileira 2,78.

Valor: Em 2012, quais são as suas prioridades?

Wagner: Não dá para ficar inventando muita coisa neste ano. Tenho de manter o foco. A prioridade da minha gestão continua sendo a inclusão produtiva e social. Quero continuar gerando emprego e estimulando o empreendedorismo no Estado. Na prática, tenho mais dois anos e meio de governo. Em junho de 2014, já começa a disputa eleitoral. Por isso, não posso mudar o foco. Agora, é trabalhar para ver a realização dos projetos em infraestrutura e de melhoria da máquina pública.


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VALOR ECONÔMICO -SP 
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Investimentos ultrapassam R$ 70 bilhões
Por Karla Spotorno | Para o Valor, de Salvador
Um fluxo bilionário de investimentos nos próximos anos tem condições de mudar as características da economia baiana. O governo estadual calcula a injeção de mais de R$ 70 bilhões em projetos industriais, comerciais e também em infraestrutura, com geração de 80 mil empregos nos próximos cinco anos. Menos de 40% desse montante será aplicado na região metropolitana de Salvador, historicamente o principal destino dos investimentos na Bahia. A mudança é importante e contribui para desenvolver o interior do Estado. "É um novo paradigma. As pessoas sempre olharam para o litoral e para fora do Estado e ignoravam o interior. Nossa meta é a interiorização do desenvolvimento econômico", diz Zezéu Ribeiro, secretário estadual do planejamento da Bahia.

Os investimentos ocorrem em várias áreas. Os setores naval, químico, automotivo, de mineração, petróleo, celulose e borracha recebem alguns dos maiores aportes. Mas há também projetos na indústria de cosméticos, alimentos e bebidas, calçados e têxteis que contribuem para mudar a estrutura econômica concentrada na indústria da transformação e localizada próximo de Salvador.

Para atrair o capital privado, o governo mapeou as vocações regionais dividindo o Estado em Territórios de Identidade. São 27 regiões com características culturais, produtivas e geográficas semelhantes. Nessas áreas, em grande parte formadas por cidades com menos de 20 mil habitantes, são organizados consórcios públicos para a realização de obras e projetos comuns. "Já criamos nove consórcios e outros seis estão em formação", afirma Ribeiro.

A perspectiva na área logística é um atrativo importante, na opinião de James Correia, secretário estadual de indústria, comércio e mineração. "Começamos a ser vistos pelos investidores [especialmente do agronegócio e mineração] como um Estado com logística boa e barata", diz Correia. Um projeto grandioso e polêmico que beneficiará o transporte de GRÃOS e minérios é o Complexo Porto Sul. O projeto de R$ 8,1 bilhões prevê a construção de um conjunto industrial e portuário na região de Ilhéus com capacidade para movimentar 40 milhões de toneladas de cargas por ano e gerar 10 mil empregos diretos e indiretos.

O complexo foi criticado por ambientalistas, que apontam prejuízos à população, à fauna e à flora, mas segue em construção. O porto estará interligado à Ferrovia Oeste-Leste, que ligará a região de produção de soja, milho e algodão ao Oceano Atlântico.

Além do Complexo Porto Sul, o governo estadual prevê investimentos nos portos do polo industrial de Aratu e também no de Salvador. Na capital baiana, a intenção é criar um terminal de passageiros para receber os milhares de turistas que chegam à cidade pelos cruzeiros marítimos. Entre o fim de 2011 e o primeiro semestre deste ano, a expectativa é que 114 navios atraquem no porto soteropolitano. Nos aeroportos do Estado, foram anunciadas ampliações e melhorias em Salvador, Ilhéus, Vitória da Conquista, Luís Eduardo Magalhães e Porto Seguro. O investimento estimado chega a R$ 355,1 milhões.

Um dos grandes desafios dos empresários que chegam à Bahia está na busca de profissionais qualificados. A taxa de desemprego em 8,4% somada à taxa de analfabetismo de 16,6% sinalizam a falta de trabalhadores preparados para aproveitar as novas oportunidades de trabalho. Para mitigar esse grave problema social, o governo estadual realiza um projeto de alfabetização - que já capacitou 850 mil pessoas - e investe em cursos técnicos. Nos últimos cinco anos, multiplicou por 12 o número de alunos matriculados em programas de educação profissional. "O número de escolas técnicas passou de 34 em 2006 para 140 em 2011. Nossa preocupação está em formar técnicos e operadores", afirma Ribeiro.


Recursos para modernizar portos

Valor Econômico - 18/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/18/recursos-para-modernizar-portos
 

Os dois principais projetos no setor de transporte em implantação na Bahia envolvem cifras expressivas e seguem o modelo de integração intermodal. Um é voltado para o terminal de contêineres de Salvador, como R$ 700 milhões entre obras viárias, dragagem, pátios e equipamentos. A segunda obra, a ferrovia Oeste-Leste, é um megaprojeto de corredor de exportações de R$ 6 bilhões e 1,5 mil quilômetros, que desemboca em um porto de primeira classe no litoral sul do Estado.
No centro da discussão sobre o sistema portuário baiano, José Rebouças, presidente da Companhia Docas do Estado da Bahia, admite que houve defasagem nos investimentos nos portos, mas afirma que a situação deve ser revertida com as obras recentes e futuras licitações de terminais nos portos administrados pela empresa. No caso dos contêineres, ele prevê uma revolução no transporte a partir de 2014, quando ficam prontas as obras de expansão do Canal do Panamá - trazendo grandes navios para o litoral brasileiro e para o terminal de Salvador, agora adaptado a embarcações de maior porte.
A principal obra em favor do terminal de contêineres de Salvador é a Via Expressa Baía de Todos os Santos, que liga a BR-324, principal acesso viário da capital, ao porto, investimento de R$ 390 milhões, com previsão de conclusão para 2012. O governo federal assumiu ainda a dragagem do canal de acesso ao terminal, investindo mais R$ 110 milhões. Outros R$ 180 milhões foram gastos pela Wilson, Sons, operador do terminal de contêineres, para aquisição de guindastes e equipamentos.
Com os investimentos, a capacidade do terminal de contêineres (Tecon) de Salvador vai mais do que dobrar, passando de 230 mil TEUS (unidade equivalente a um contêiner pequeno, de 20 pés) ao ano, para 530 mil TEUs. Segundo Demir Lourenço, diretor executivo do Tecon, com as novas instalações o terminal terá capacidade para receber os maiores navios de contêineres do mundo, com capacidade para até 14 mil TEUs - e que hoje nem aportam no país. O berço de atracação passará de 297 metros para 377 metros, e a profundidade do porto, de 12 para 15 metros.
Um dos resultados dos investimentos será atrair carga produzida na Bahia, mas escoada por portos mais distantes por falta de infraestrutura ou linhas de navegação. Sem linhas para a Ásia, diz Lourenço, a produção de algodão do Oeste baiano - segunda maior do país - passou a ser escoada por portos do Sudeste e do Sul, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mínimo equivale a um terço do salário médio

Autor(es): Por Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 11/01/2012
 

O aumento real de pouco mais de 60% do salário mínimo desde 2003 encurtou a distância entre o valor do piso e o rendimento médio nas seis principais regiões metropolitanas do país, que teve alta de quase 20% acima da inflação no período. O reajuste do mínimo ajudou a impulsionar o consumo das famílias nos últimos anos, ao elevar significativamente o poder de compra de uma fatia expressiva da população. Na média de 12 meses até março de 2003 (um mês antes de subir de R$ 200 para R$ 240), o mínimo equivalia a 24% do salário médio nas maiores regiões metropolitanas, proporção que atingiu 34% em janeiro deste ano, na mesma base de comparação, segundo cálculos e estimativas da Quest Investimentos.
O economista Fabio Ramos, da Quest, diz que os números deixam claro o avanço mais forte do poder de compra de quem tem o rendimento indexado ou referenciado ao mínimo em relação ao restante da população nos últimos anos. Estão nesse grupo cerca de dois terços dos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas, voltado para idosos e pessoas com deficiência), empregadas domésticas, outros trabalhadores de baixa renda e funcionários de prefeituras de cidades menores.
O aumento do mínimo foi calculado com base na média em 12 meses para suavizar eventuais oscilações bruscas. No caso do rendimento médio nas seis principais regiões metropolitanas, o número leva em conta estimativas da Quest para dezembro de 2010 e janeiro de 2011.
Para Ramos, o aumento expressivo do salário mínimo contribuiu para impulsionar especialmente o consumo de bens semi e não duráveis (como alimentos, vestuário e calçados) e de alguns bens duráveis (como eletrodomésticos e celulares). Em 2003, eram necessários um pouco mais de três salários mínimos para comprar uma geladeira. Hoje, pouco mais de 1,5 mínimo é suficiente para pagar um refrigerador, segundo cálculos de Ramos. Além da alta do mínimo, a queda em termos reais (descontada a inflação) dos preços do eletrodoméstico tem peso importante nesse movimento, diz ele, observando que o câmbio valorizado e o aumento das importações ajudaram a baratear os bens duráveis.
A comparação entre o mínimo e a cesta básica também evidencia o ganho de poder de compra de quem recebe o piso. Em março de 2003, o mínimo valia R$ 200, o equivalente a 1,14 cesta básica em São Paulo. O novo piso, de R$ 622, compra 2,2 cestas, considerando que o valor ficará igual aos R$ 227,27 registrados em dezembro. Cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam para uma injeção de R$ 47 bilhões na economia com o novo valor do mínimo.
O professor Claudio Salm, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que os aumentos do salário mínimo concedidos a partir da segunda metade dos anos 90 recuperaram o poder de compra do salário mínimo, que havia caído muito especialmente nos anos 60. "Depois disso, o salário mínimo ficou por muitos anos com um valor muito baixo, que precisava ser recomposto."
Salm concorda que o aumento do salário mínimo ajudou a impulsionar o consumo das famílias, destacando um papel importante na redução da desigualdade de renda ocorrida nos últimos anos. "A alta do salário mínimo e o mercado de trabalho forte são os fatores que mais ajudaram nesse processo", afirma ele.
Para Salm, o Bolsa Família também teve sua contribuição nesse movimento, mas bem mais modesta, dada a sua pequena magnitude, equivalente a cerca de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). "O salário mínimo atinge um número bem maior de pessoas, influenciando mais na distribuição de renda."
Um ponto importante, segundo ele, é que o salário mínimo aumentou significativamente nos últimos anos sem que isso tenha provocado aumento do desemprego e da informalidade. "O valor do mínimo cresceu muito e a taxa de desemprego e a informalidade caíram. Ocorreu o contrário do que previam muitos analistas." Ele não vê problemas no aumento de cerca de 14% concedido ao mínimo neste ano, resultado da regra que prevê o reajuste pela combinação da variação do PIB de dois anos antes e da inflação do ano anterior.
O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, acha que os reajustes elevados do mínimo podem estar próximos do limite, havendo o risco de eventualmente aumentarem o desemprego e a informalidade. "Uma coisa é aumentar o salário mínimo quando a economia cresce 4%, outra é quando cresce bem menos que isso", afirma ele.
Professor da PUC-Rio, Camargo diz ver o aumento do mínimo com simpatia, mas chama a atenção para o custo da alta. Os reajustes elevados impactam os gastos correntes do governo, por corrigirem transferências como aposentadoria, seguro-desemprego e benefícios do Loas, o que tira espaço para elevações mais fortes do investimento público, diz Camargo.
Salm considera o baixo investimento público um problema a ser enfrentado, mas não acha que o aumento dos gastos com o salário mínimo seja o culpado. Segundo ele, o problema do baixo investimento público vem de longa data, tendo ocorrido mesmo quando o salário mínimo tinha reajustes medíocres.
Ramos também destaca a evolução do salário mínimo em dólares. A alta foi ainda mais forte, pela combinação de aumento real do piso em reais e da forte valorização do câmbio. Na média dos 12 meses até março de 2003, o salário mínimo equivalia a US$ 64,06, valor que subiu para US$ 327,13 na média até janeiro deste ano, considerando um dólar médio de R$ 1,85 no mês. Nesse período, o aumento foi de 410%. Há pouco mais de uma década, uma das grandes bandeiras de alguns políticos, como o senador Paulo Paim (PT-RS), era elevar o piso para US$ 100.
Segundo Ramos, essa evolução mostra principalmente o efeito dos ganhos dos termos de troca (a relação entre preços de exportação e de importação) nos últimos anos. "É o efeito China sobre a baixa renda", diz ele. O resultado é tornar mais acessível a compra de bens duráveis, suscetíveis à variação do câmbio

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Produção de grãos cai 2,8% em relação à safra passada, mostra Conab

http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2012/01/producao-de-graos-cai-2-8-em-relacao-a-safra-passada-mostra-conab-3626356.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29

Milho e soja são as produções mais representativas, somando 130,962 milhões de toneladas ou 83% de toda a safra


Foto: Divulgação / Agência Brasil
Produção nacional de grãos da safra 2011/2012 deve chegar a 158,433 milhões de toneladas
A produção nacional de grãos da safra 2011/2012 deve chegar a 158,433 milhões de toneladas, uma redução de 2,8% se comparada à safra anterior, que foi de 162,96 milhões de toneladas. A projeção é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e foi divulgada nesta terça, dia 10, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).  Em relação ao último levantamento, realizado em dezembro de 2011, houve uma redução de 0,4% ou 646 mil toneladas. A diminuição é atribuída a fatores climáticos adversos, ocorridos principalmente na região Sul.
O resultado da safra consta no quarto levantamento feito pela Conab e a confirmação da estimativa depende de fatores de produção que interferem na produtividade durante todo o ciclo. Os dados serão consolidados à medida em que estes fatores perderem a interferência.
Milho 
As culturas mais representativas, o milho e a soja somam 83% de toda a safra, com uma produção de 130,962 milhões de toneladas. 
O milho pode crescer 2,9%, considerando apenas a participação do de Primeira Safra. O de Segunda Safra, no entanto, só terá definida a situação a partir deste mês. A área plantada deve ficar em torno de 50,447 milhões de hectares, com um crescimento de 1,1%, o que representa 528,2 mil hectares a mais do que a safra anterior, que alcançou 49,919 milhões de hectares. O milho Primeira Safra e a soja são as culturas que devem contribuir para esse resultado, com um aumento de 9,1% e 1,9%, respectivamente.
Arroz
O grão deve perder 267,3 mil hectares em relação ao cultivo anterior, quando chegou a 2,820 milhões de hectares. A queda mais acentuada ocorre no Rio Grande do Sul, que deixa de cultivar 118,6 mil hectares. 
Feijão
O feijão Primeira Safra também apresentou redução. Em relação ao cultivo anterior de 1,420 milhão de hectares, houve uma queda de 147,9 mil hectares. O Paraná, maior produtor nacional, deixou de cultivar 93,5 mil hectares. Na safra anterior, semeou 344,1 mil hectares.
Trigo
A produção nacional de trigo 2011, atingiu 5,788 milhões de toneladas, 1,6% menor que a da safra anterior, quando alcançou 5,881 milhões de toneladas. A produtividade das lavouras do cereal caiu 2,3%, de 2,736 mil quilos por hectare na safra anterior para 2,672 mil quilos por hectare nesta safra. A colheita já foi encerrada no país.
Na região Nordeste, o quarto levantamento considerou apenas o oeste da Bahia, o sul do Maranhão e do Piauí. E, para a região Norte, foram considerados somente os Estados do Tocantins e de Rondônia. Para as demais regiões, foram mantidas as áreas da safra anterior, uma vez que o plantio só começa este mês.
Café em 2012
A produção nacional de café da safra 2012 está estimada entre 48,97 e 52,27 milhões de sacas beneficiadas. O resultado representa crescimento entre 12,6 e 20,2%, quando comparado com a safra anterior, que foi de 43,48 milhões de sacas de 60 quilos.
A pesquisa foi realizada por 60 técnicos, entre os dias 15 e 19 de dezembro, após ouvirem representantes de órgãos públicos e privados ligados à produção agrícola em todos os Estados produtores. Conforme o gerente de Levantamento de Safras da Conab, Carlos Bestetti, a quebra pode ser ainda mais acentuada, em função da estiagem no Sul do país.
– Nós estamos encaminhando técnicos para essa região, selecionando agrônomos, para que a gente possa investigar o que está acontecendo e trazer um dado representativo. Hoje, se falar em números, é estimativa, porque os efeitos ainda não pararam – explica.
Além das medidas emergenciais de auxílio ao produtor, o governo promete lançar no meio do ano um programa nacional de agricultura irrigada. A ideia é capacitar produtores rurais e disponibilizar crédito para investimentos em maquinário e tecnologia, de acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha.
– Que esses investimentos de crédito também valorizem a assistência técnica, fortalecimento da tecnologia e um programa de capacitação do produtor para investir na agricultura irrigada – diz.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, COM INFORMAÇÕES DA CONAB


10/01/2012 | 10h31

Conab prevê produção de soja 4,7% menor na safra 2011/2012

Safra está estimada em 71,75 milhões de toneladas, 3,57 milhões de toneladas a menos que a safra anterior

  • Tomas Okuda
Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS
Produção de soja na safra 2011/2012 deve atingir 71,75 milhões de toneladas
A produção de soja na safra 2011/2012 está estimada em 71,75 milhões de toneladas, resultado 4,7% (3,57 milhões de toneladas) inferior à produção da safra anterior, quando foram colhidas 75,32 milhões de toneladas. De acordo com o quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça, dia 10, a área de plantio está definida em praticamente todos os Estados, faltando apenas Roraima, localizado no Hemisfério Norte, com o plantio realizado nos meses de abril e maio. A área com soja está projetada em 24,63 milhões de toneladas, 1,9% (453,7 mil hectares) superior à cultivada na safra anterior.
Segundo a estatal, o desenvolvimento das lavouras na região Centro-Sul passa por situações distintas. Na região Sul, especificamente no Estado do Rio Grande do Sul, a partir de meados de novembro passado, as condições climáticas desfavoráveis, como chuvas escassas e temperaturas elevadas, prejudicam o desenvolvimento da cultura, diminuindo o porte das plantas, justificando "a redução de 15,6% prevista na produtividade em relação à safra passada". Para o Estado do Paraná, estima-se uma quebra de 10,7% e de 7,7% em Santa Catarina.
Na região Centro-Oeste, nos Estados de Mato Grosso e Goiás, as condições climáticas, de modo geral, estão favorecendo as lavouras.
– Houve estiagens, porém, em pontos isolados, causando perdas e replantios – comentam os técnicos.
No sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, as poucas chuvas causam apreensão aos produtores. As plantas estão com porte abaixo do normal indicando indícios de uma produtividade menor.
Na região Norte-Nordeste, a região de maior produção denominada de Matopiba (sul do Maranhão, sul do Piauí, Tocantins e oeste da Bahia), predomina a fase de desenvolvimento vegetativo e as condições climáticas, até o momento, estão beneficiando as lavouras, informa a Conab.
Clima
As condições climáticas foram desfavoráveis às lavouras em dezembro, principalmente para as culturas de milho e de soja, "sobretudo nos Estados da região Sul, parte da Sudeste e no sudoeste de Mato Grosso do Sul", informam os técnicos da Conab. De acordo com a estatal, a gravidade climática de falta de chuvas prejudica em especial as lavouras de milho no Rio Grande do Sul, "uma vez que se encontram predominantemente nas fases críticas de floração e frutificação", explicam os técnicos.
A soja, que em sua maioria se encontra na fase final de desenvolvimento vegetativo, também é motivo de preocupação.
– A normalidade climática é fundamental para as fases seguintes, de floração e de frutificação – comentam.
Segundo a Conab, os reflexos decorrentes desta situação climática adversa serão apuradas no próximo levantamento de campo, programado para a segunda quinzena deste mês.

IBGE aponta aumento de 4,7% na área colhida em 2011

Resultado é 0,2% maior do que a estimativa feita em novembro, de 39,3 hectares

  • Daniela Amorim

A área da safra colhida em 2011 foi de 48,7 milhões de hectares, uma expansão de 4,7% frente à área colhida em 2010, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de dezembro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é 0,2% maior do que a estimativa feita em novembro, de 39,3 hectares.
As três principais culturas, que somadas representaram 90,3% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas - arroz, milho e soja - responderam por 82,4% da área colhida, registrando, em relação ao ano anterior, variações positivas de 1,7%, 3,5% e 3,3%, respectivamente. No que se refere à produção, o arroz, o milho e a soja mostram expansão de 19%, 0,1% e 9,2%.
Produção
O levantamento de dezembro também registrou expansão na produção em 16 dos 25 produtos selecionados em 2011, ante 2010, segundo o IBGE. Houve aumento de produção no algodão herbáceo em caroço (72,6%); amendoim em casca 1ª safra (27,3%); arroz em casca (19,0%); batata-inglesa 1ª safra (13,3%); batata-inglesa 2ª safra (7,6%); batata-inglesa 3ª safra (6,1%); cacau em amêndoa (6,3%); cevada em grão (9,3%); feijão em grão 1ª safra (31,2%); laranja (2,8%); mamona em baga (24,7%); mandioca (7,3%); milho em grão 1ª safra (3,3%); soja em grão (9,2%); sorgo em grão (29,5%); e triticale em grão (25,2%).
Os produtos que tiveram recuo na produção em relação a 2010 foram amendoim em casca 2ª safra (39,8%); aveia em grão (7,4%); café em grão (7,1%); cana-de-açúcar (11,7%); cebola (9,8;feijão em grão 2ª safra (7,4%); feijão em grão 3ª safra (8,2%); milho em grão 2ª safra (4,6%); e trigo em grão (6,5%).



Exportações do agronegócio somam US$ 94,59 bilhões e registram novo recorde

Desempenho é o melhor para a balança comercial do agronegócio desde 1997

Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS
Os principais destinos das exportações brasileiras do agronegócio em 2011 foram os mercados da Ásia e União Europeia
As exportações brasileiras do agronegócio registraram um novo recorde histórico em 2011, somando US$ 94,59 bilhões, valor 24% superior ao alcançado em 2010 (US$ 76,4 bilhões). O bom desempenho fez de 2011 o melhor ano para a balança comercial do agronegócio desde 1997. Segundo o ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho, as exportações brasileiras deverão continuar a crescer neste ano. 

– Temos como meta para 2012 ultrapassar a barreira dos US$ 100 bilhões. Isso significa um crescimento de 5,7% apenas. Francamente, temos condições de alcançar – disse o ministro.
Os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo) foram os que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas e os que registraram o maior valor de exportação. Complexo sucroenergético e carnes também se destacaram nas exportações. Os principais destinos dos embarques de produtos nacionais foram os mercados da União Europeia, China, Estados Unidos, Rússia e Japão.
As importações brasileiras de produtos agropecuários atingiram US$ 17,08 bilhões (valor 28% superior ao registrado em 2010), resultando em um superávit de US$ 77,51 bilhões na balança comercial do agronegócio de 2011. O saldo do setor agropecuário é quase três vezes superior ao acumulado no resultado global da balança comercial brasileira, que fechou o ano de 2011 com superávit de US$ 29,8 bilhões.
Destaque
Os produtos do complexo soja foram os que mais contribuíram para a expansão das vendas externas no último ano, sendo responsáveis por 38,7% do crescimento total de US$ 18,15 bilhões no agronegócio. Em seguida encontram-se o café (16,4%), os produtos do complexo sucroenergético (13,2%), as carnes (11,1%) e os cereais, farinhas e preparações (8%).
Na comparação com 2010, as exportações de soja em grãos cresceram 47,8% em valor (US$ 11,03 bilhões para US$ 16,31 bilhões), devido ao crescimento de 30,3% no preço médio de venda. Em volume, o aumento foi de 13,5%. As exportações de farelo e óleo de soja somaram, respectivamente, US$ 5,69 bilhões e US$ 2,13 bilhões em 2011.
O complexo sucroenergético teve receita de US$ 16,18 bilhões com vendas externas em 2011 (17,45% superior em relação ao ano anterior). O crescimento se deu em função do aumento de 29,9% no preço de venda, apesar da queda de 9,6% na quantidade exportada no período (29,52 milhões para 26,70 milhões de toneladas).
As carnes foram o terceiro setor de maior exportação, com vendas de US$ 15,64 bilhões, o que representa 14,8% de expansão em relação a 2010. Esse crescimento ocorreu em função da elevação de 16,6% no preço médio do produto, o que compensou uma queda de 1,6% na quantidade exportada em relação a 2010. O setor foi responsável por 16,5% do montante total das vendas externas do agronegócio em 2011, com destaque para a carne de frango, cujas vendas somaram US$ 7,49 bilhões, 19,9% a mais do que o ano anterior.
Os produtos florestais ficaram em quarto lugar no ranking de exportações do agronegócio, com US$ 9,64 bilhões e 3,8% de crescimento em relação ao ano anterior. Destaca-se ainda o café, que atingiu a cifra de US$ 8,73 bilhões (51,5% superior ao ano anterior).
 
Em conjunto, os cinco principais setores (complexo soja, complexo sucroenergético, carnes, produtos florestais e café) somaram US$ 74,33 bilhões em exportações, sendo responsáveis por 78,6% do total das vendas externas de produtos brasileiros agropecuários em 2011. Essa participação representa um aumento na concentração da pauta exportadora. Em 2010, os mesmos setores foram responsáveis por 77,9% dos embarques
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Principais destinos
Em 2011, as vendas externas concentraram-se, principalmente, em mercados como Ásia e União Europeia, responsáveis, em conjunto, por 57,4% do total exportado pelo agronegócio brasileiro (US$ 54,34 bilhões) – fatia maior que os 56,8% registrados em 2010 (US$ 43,38 bilhões). Em seguida, destaca-se a participação do Oriente Médio (10,1%), dos países do Nafta - Estados Unidos, México e Canadá - (8,5%) e da África, excluindo Oriente Médio (8%).
A maior expansão, em relação ao ano anterior, ocorreu na Oceania (55,8% superior), seguida da África excluindo Oriente Médio (43,4% superior) e da Ásia (33,3% superior). Houve redução da participação apenas nos demais países das Américas (com redução de 6,6%). A União Europeia foi responsável por 18,3% do incremento de US$ 18,15 bilhões ocorrido nas vendas externas em 2011 na comparação com o ano anterior.
Na análise por país, destacam-se as exportações para a China, com US$ 16,51 bilhões em 2011, seguida de Estados Unidos (US$ 6,70 bilhões), Países Baixos (US$ 6,36 bilhões), Rússia (US$ 4,05 bilhões), Japão (US$ 3,52 bilhões) e Alemanha (US$ 3,50 bilhões). O bom desempenho nas exportações para a China se deve, em grande parte, às vendas de soja em grãos (US$ 10,96 bilhões), celulose (US$ 1,3 bilhão) e açúcar (US$ 1,22 bilhão). Esses produtos representaram, em conjunto, 81,6% do total das exportações do agronegócio para o país no período.
Dezembro
No último mês de 2011, as exportações brasileiras do agronegócio alcançaram o valor de US$ 7,01 bilhões, o que significou um crescimento de 15,7% em relação aos US$ 6,06 bilhões exportados no mesmo mês do ano anterior.
Os principais setores responsáveis pelos US$ 949,5 milhões de incremento verificados nas exportações agrícolas brasileiras em dezembro foram: complexo soja (US$ 599 milhões ou 63,1%); carnes (US$ 155,8 milhões ou 16,4%); e fibras e produtos têxteis (US$ 149,9 milhões ou 15,8%).
O setor de carnes foi o principal exportador do agronegócio no mês de dezembro de 2011, com um patamar de US$ 1,28 bilhão em vendas ao Exterior, ou 18,3% do total exportado pelo agronegócio brasileiro no período. Esse valor representou um crescimento de 13,8% em relação aos US$ 1,12 bilhão exportados pelo setor em dezembro de 2010.
Os principais responsáveis pelos valores comercializados foram a carne de frango, com US$ 650,1 milhões em vendas, e a carne bovina, com US$ 413,7 milhões exportados. Em dezembro de 2011, o setor de carnes registrou crescimento tanto das quantidades embarcadas (6,1%) quanto do preço médio comercializado (7,3%).

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA




Exportações do agro registram recorde de US$ 94 bilhões
Resultado foi 24% superior ao de 2010 e garantiu superávit comercial para o País
As exportações brasileiras do agronegócio registraram um novo recorde histórico em 2011, somando US$ 94,59 bilhões, valor 24% superior ao alcançado em 2010 (US$ 76,4 bilhões). O bom desempenho fez de 2011 o melhor ano para a balança comercial do agronegócio, e o Ministério da Agricultura espera que 2012 seja ainda melhor. A meta é ultrapassar US$ 100 bilhões, com estimativa de 5,7% de crescimento.
O aumento nas cotações internacionais dos produtos agropecuários foi o principal responsável pelo crescimento das exportações, mas os volumes embarcados para o exterior também cresceram. União Europeia, China, Estados Unidos, Rússia e Japão, nessa ordem, foram os principais destinos dos produtos nacionais.
Os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo) foram os que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas e os que registraram o maior valor de exportação. Café, açúcar e carnes também se destacaram.
De outro lado, as importações brasileiras de produtos agropecuários cresceram 28%, atingindo US$ 17,08 bilhões. Subtraindo esse valor do total exportado, o agronegócio gerou um saldo comercial positivo de US$ 77,51 bilhões para o País em 2011. Esse saldo é quase três vezes superior ao acumulado no resultado global da balança comercial brasileira, que fechou o ano de 2011 com superávit de US$ 29,8 bilhões.
Destaques
Os produtos do complexo soja responderam por 38,7% do crescimento total das exportações do agronegócio. Em seguida vieram o café (16,4%), os produtos do complexo sucroalcooleiro (13,2%), as carnes (11,1%) e os cereais, farinhas e preparações (8%).
Na comparação com 2010, as exportações de soja em grãos cresceram 47,8% em valor (de US$ 11,03 bilhões para US$ 16,31 bilhões), devido ao crescimento de 30,3% no preço médio de venda. Em volume, o aumento foi de 13,5%. As exportações de farelo e óleo de soja somaram, respectivamente, US$ 5,69 bilhões e US$ 2,13 bilhões em 2011.
O complexo sucroalcooleiro teve receita de US$ 16,18 bilhões com vendas externas em 2011 (17,45% superior em relação ao ano anterior). O crescimento se deu em função do aumento de 29,9% no preço de venda, apesar da queda de 9,6% na quantidade exportada no período (de 29,52 milhões para 26,70 milhões de toneladas).
As carnes foram o terceiro setor de maior exportação, com vendas de US$ 15,64 bilhões, o que representa 14,8% de expansão em relação a 2010. Esse crescimento ocorreu em função da elevação de 16,6% no preço médio do produto, o que compensou uma queda de 1,6% na quantidade exportada em relação a 2010.
O setor foi responsável por 16,5% do montante total das vendas externas do agronegócio em 2011, com destaque para a carne de frango, cujas vendas somaram US$ 7,49 bilhões, 19,9% a mais do que o ano anterior.

Os produtos florestais ficaram em quarto lugar no ranking de exportações do agronegócio, com US$ 9,64 bilhões e 3,8% de crescimento em relação ao ano anterior. Destaca-se ainda o café, cujas exportações subiram 51,5% sobre 2010.

Em conjunto,
os cinco principais setores (complexo soja, complexo sucroalcooleiro, carnes, produtos florestais e café) somaram US$ 74,33 bilhões em exportações, sendo responsáveis por 78,6% do total das vendas externas de produtos brasileiros agropecuários em 2011.
Essa participação representa um aumento na concentração da pauta exportadora. Em 2010, os mesmos setores foram responsáveis por 77,9% dos embarques.

Principais destinos
Em 2011, as vendas externas concentraram-se, principalmente, em mercados da Ásia e da União Europeia, responsáveis, em conjunto, por 57,4% do total exportado pelo agronegócio brasileiro (US$ 54,34 bilhões) – fatia maior que os 56,8% registrados em 2010 (US$ 43,38 bilhões).
Em seguida, destaca-se a participação do Oriente Médio (10,1%), dos países do Nafta – Estados Unidos, México e Canadá – (8,5%) e da África, excluindo Oriente Médio (8%).

A maior expansão, em relação ao ano anterior, ocorreu na Oceania (55,8% superior), seguida da África excluindo Oriente Médio (43,4% superior) e da Ásia (33,3% superior). Houve redução da participação apenas nos demais países das Américas (com redução de 6,6%). A União Europeia foi responsável por 18,3% do incremento de US$ 18,15 bilhões ocorrido nas vendas externas em 2011 na comparação com o ano anterior.

Na análise por país, destacam-se as exportações para a China, com US$ 16,51 bilhões em 2011, seguida de Estados Unidos (US$ 6,70 bilhões), Países Baixos (US$ 6,36 bilhões), Rússia (US$ 4,05 bilhões), Japão (US$ 3,52 bilhões) e Alemanha (US$ 3,50 bilhões).
O bom desempenho nas exportações para a China se deve, em grande parte, às vendas de soja em grãos (US$ 10,96 bilhões), celulose (US$ 1,3 bilhão) e açúcar (US$ 1,22 bilhão). Esses produtos representaram, em conjunto, 81,6% do total das exportações do agronegócio para o país no período.
* Com informações do Ministério da Agricultura

Veículo:
JORNAL DO COMÉRCIO - RS 
Editoria:
ECONOMIA  
Data:
10/01/2012 
Assunto:
CONAB 
Tamanho
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A -A +

Produção de trigo cai 1,6% em 2011, informa Conab
A produção nacional do trigo 2011, safra 2011/12, atingiu 5,788 milhões de toneladas, 1,6% menor que a da safra anterior, quando alcançou 5,881 milhões de toneladas, de acordo com dados da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). A produtividade das lavouras do cereal caiu 2,3% para 2.672 quilos por hectare, de 2.736 kg/ha na safra anterior. A colheita já foi encerrada no País.
Na safra 2011, a área cultivada ficou em 2.166,2 mil hectares, 0,8% maior que a área cultivada na safra 2010/11, que foi de 2.149,8 mil hectares. Os Estados que apresentaram crescimento foram apenas Minas Gerais (2,2%), Distrito Federal (11,6%), São Paulo (6,1%) e Rio Grande do Sul (17,6%).

No Paraná, a área recuou 9,1%, para 1,042 milhão de hectares, e a produção cedeu 24,6%, para 2,501 milhões de toneladas. No Rio Grande do Sul, a área cresceu 17,6%, para 932,4 mil ha, e a produção avançou 38,9%, para 2,742 milhões de toneladas.



Agro bate recorde e exporta US$ 94,6 bi

Autor(es): Rosana Hessel
Correio Braziliense - 11/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/11/agro-bate-recorde-e-exporta-us-94-6-bi

As exportações do agronegócio brasileiro em 2011 somaram US$ 94,6 bilhões, o melhor desempenho já registrado desde o início da contabilização dos dados, em 1997, pelo Ministério da Agricultura. As vendas externas do setor foram 24% superiores ao desempenho de 2010, que registrou um resultado de US$ 76,4 bilhões. Para este ano, a expectativa da pasta é de que os embarques de produtos agrícolas avancem pelo menos 5,7% e ultrapassem a casa dos US$ 100 bilhões.
"A média de crescimento no valor acumulado com vendas externas nos últimos 10 anos ficou em torno de 10%, então, é bastante aceitável alcançarmos a meta prevista", afirmou, ontem, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. A União Europeia continuou como o maior comprador da agroindústria nacional, superando até a China, principal destino das exportações brasileiras — no ano passado, o gigante asiático recebeu 16,5% de todos os embarques que tiveram o Brasil como origem.
Em 2011, a UE importou US$ 16,5 bilhões de produtos agrícolas brasileiros, registrando aumento de 50% sobre os US$ 11 bilhões computados um ano antes. Os principais itens importados pelos europeus foram café (US$ 4,29 bilhões), farelo de soja (US$ 4,01 bilhões) e carnes (US$ 2,48 bilhões). Depois da Europa, a China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão também se destacaram como destino das exportações brasileiras.
Encarecimento
Os produtos que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas do setor agrícola foram os do complexo da soja (grão, farelo e óleo), seguidos pelos do setor sucroalcooleiro, as carnes, os produtos florestais e o café. Juntos, eles somaram US$ 74,3 bilhões e foram responsáveis por 78,6% dos embarques para o exterior. Devido ao encarecimento de 30,3% no preço médio da soja, as exportações do produto avançaram 47,8% na comparação com o ano passado, de
US$ 11 bilhões para US$ 16,3 bilhões.
As vendas do setor de carnes no exterior também avançaram 14,7%, passando de US$ 13,6 bilhões para US$ 15,6 bilhões, mesmo com a queda de 0,4% nos embarques para a Rússia por conta do embargo a vários frigoríficos brasileiros desde junho de 2011. O ministro da Agricultura aguarda, para os próximos dias, um relatório detalhado sobre a missão de técnicos russos realizada no Brasil em novembro. Na próxima semana, Ribeiro deverá se reunir, em Berlim, com autoridades russas para tentar suspender as barreiras ao produto brasileiro.
Já as importações de produtos agropecuários avançaram 28% no ano passado e somaram US$ 17,1 bilhões. Com isso, o superavit na balança comercial do agronegócio de 2011 ficou em US$ 77,5 bilhões, um saldo quase três vezes superior ao acumulado pelo total da balança comercial, de US$ 29,8 bilhões.
Carne suína brasileira nos EUA
O Ministério da Agricultura informou ontem que poderá, pela primeira vez na história, exportar carne suína in natura para os Estados Unidos, a maior economia do planeta. Os frigoríficos e matadouros de Santa Catarina tiveram o reconhecimento do Departamento de Agricultura dos EUA para a exportação do produto refrigerado. Os embarques terão início assim que o órgão brasileiro habilitar os estabelecimentos, o que deverá ocorrer ainda nesta semana. Inicialmente, seis empresas receberão autorização para exportar, informou o ministério. Os norte-americanos também ampliaram a autorização para a exportação de carne suína cozida e processada de outros estados brasileiros livres de aftosa e com vacinação, desde que a industrialização ocorra em locais com habilitação do governo.

Alimentos derrubam inflação das famílias de baixa renda em 2011

O Estado de S. Paulo - 11/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/11/alimentos-derrubam-inflacao-das-familias-de-baixa-renda-em-2011

Índice que calcula preços para famílias com renda até 2,5 salários mínimos recuou de 11,33% em 2010 para 5,98% em 2011

Alimentos mais baratos em 2011 derrubaram a inflação percebida pelas famílias de baixa renda no ano. A variação de preços neste setor acumulou alta de 5,45%, enquanto em 2010 o aumento havia sido de 11,03%.
Porém, foi justamente o item alimentação o que mais contribuiu para o avanço de preços entre os mais pobres entre novembro e dezembro.
A variação do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que abrange famílias com renda de até 2,5 salários mínimos mensais, desacelerou de 11,33% para 5,98% de 2010 para 2011. Mas, de novembro para dezembro, o indicador dobrou, de 0,5% para 1%, com grande contribuição do grupo alimentação, que passou de 0,63% para 1,74% entre um mês e outro.
No ano passado, a perda de dinamismo da economia global e a piora da crise europeia levaram ao arrefecimento dos preços das commodities, em particular as agropecuárias. Os alimentos ficaram mais baratos no mercado doméstico. Ao mesmo tempo, não houve quebras de safras expressivas no País, que poderiam causar redução na oferta.
Mas, de novembro para dezembro, aspectos sazonais como maior consumo de carnes e períodos de entressafra de alguns produtos levaram a uma redução de oferta em itens mais consumidos na cesta básica dos mais pobres.
Perspectiva. Para 2012, a perspectiva é de inflação mais baixa, já que os alimentos devem continuar mais em conta para o consumidor. Entre as famílias mais pobres, as compras com alimentos respondem por 40% do orçamento mensal. Ou seja: a trajetória da inflação dos alimentos determina o IPC-C1.
"Os preços dos alimentos in natura podem subir mais no começo do ano, como sempre sobem, devido a problemas climáticos. Mas isso não vai impedir que, em um horizonte mais longo, os preços dos alimentos como um todo sigam trajetória mais bem comportada", acrescentou. / A.S.

Veículo:
O ESTADO DE S. PAULO - SP 
Editoria:
NOTAS E INFORMAÇÕES  
Data:
11/01/2012 
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As safras de dólares (Editorial)
O agronegócio exportou US$ 94,6 bilhões no ano passado, 23,7% mais que em 2010, e poderá ultrapassar US$ 100 bilhões neste ano, segundo o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, numa previsão pouco otimista para o comércio exterior brasileiro.
Se ficar em US$ 100 bilhões, o aumento será de apenas 5,7%. Em 2011 o Brasil faturou US$ 256 bilhões com as vendas externas e acumulou um superávit de US$ 29,8 bilhões na conta de mercadorias.Osaldo comercial do agronegócio, de US$ 77,5 bilhões, cobriu com grande folga o déficit da indústria manufatureira. A receita do setor agropecuário dependeu principalmente dos preços internacionais, garantidos pela fome de matérias-primas de algumas economias - com destaque para a chinesa - e pelas condições um tanto apertadas da oferta global. Se a crise externa esfriar os mercados neste ano, as vendas de produtos agropecuários serão afetadas, o comércio de mercadorias terá um saldo bem mais modesto que o dos últimos anos e o déficit em conta corrente poderá aproximar-se de US$ 70 bilhões.
Se a receita de 2011 dependesse principalmente do volume embarcado, teria sido muito menor. Entre 2010 e o ano passado a venda de soja e derivados aumentou 10,8%, enquanto o preço médio subiu 27,4%. No caso das carnes, a tonelagem diminuiu 1,6%, mas o valor médio elevou-se 16,6%. O complexo sucroalcooleiro embarcou 9,5% menos que em 2010, mas faturou 17,5% mais, graças a preços 29,9% maiores. As vendas de café ficaram praticamente estáveis em volume, com acréscimo de apenas 0,1%, mas a cotação média foi 51,3% superior à do ano anterior.
Já houve uma acomodação de preços em dezembro. Muitos analistas continuam projetando cotações estáveis ou menores que as de 2011 nos próximos meses. O otimismo do governo brasileiro quanto à inflação neste ano é baseado, em boa parte, nessa perspectiva. A expectativa de um mercado internacional muito menos dinâmico tem moldado também as projeções da balança comercial divulgadas nos últimos dois ou três meses.
O Banco Central (BC) estimou um aumento de apenas 4,3% para a receita comercial de 2012, em contraste com uma elevação de 7% para o gasto com importações. Essa projeção inclui uma redução do saldo comercial para US$ 23 bilhões.
Há cerca de um mês, economistas de consultorias e do mercado financeiro previam um saldo comercial de US$ 17,4 bilhões (mediana das projeções coletadas na pesquisa Focus do BC). Essa previsão foi elevada para US$ 19,4 bilhões na pesquisa do dia 6 de janeiro.
Os números calculados pelas várias fontes podem ser diferentes, mas a tendência geral é a mesma: uma diminuição significativa do saldo comercial em 2012, resultante de um estreitamento maior dos mercados e, de modo especial, de uma evolução bem menos favorável das cotações dos produtos básicos.
Tanto especialistas do mercado quanto economistas do governo têm cometido grandes erros em suas projeções do comércio exterior brasileiro. Isso pode estar ocorrendo mais uma vez, mas, de toda forma, ninguém dispõe de recursos técnicos melhores para esse tipo de estimativa.
Mas é possível apontar, neste momento, pelo menos um fator contrário às projeções dos especialistas. A seca no Sul do Brasil e em boa parte da Argentina poderá afetar a oferta de GRÃOS e oleaginosas e, portanto, afetar os preços de uma forma até há pouco tempo imprevista.
A COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) acaba de divulgar uma previsão de safra de 158,4 milhões de toneladas de algodão, soja, milho, arroz, feijão, trigo e GRÃOS menos importantes, mas esse cálculo foi baseado num levantamento concluído em 19 de dezembro. As chuvas no Sul poderão continuar abaixo da média ainda por uns três meses, segundo observou o gerente de levantamento de safras da CONAB, Carlos Roberto Bestetti. É muito cedo, portanto, para uma avaliação dos danos e de seus efeitos nos preços.
Se os estragos forem consideráveis no Brasil e na Argentina, será preciso refazer os cálculos dos preços e da receita de exportações. Mas o governo e o BC precisarão, também, rever a política anti-inflacionária.