| Autor(es): MARCELO REHDER |
| O Estado de S. Paulo - 17/01/2012 |
Painel eletrônico vai mostrar quanto o País está importando e quantos empregos são perdidos Depois do "impostômetro", vem aí o "importômetro", um painel eletrônico para mostrar em tempo real quanto o Brasil está importando de artigos têxteis e de confecções. Instalado na fachada da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), na Rua Marquês de Itu, no bairro de Santa Cecília, zona oeste da capital paulista, o aparelho será inaugurado hoje e vai indicar também quantos empregos são perdidos a cada centavo de dólar de importação de têxteis e confeccionados. De acordo com a Abit, a cada segundo são importados US$ 214 em produtos do setor. Em consequência, ainda segundo a entidade, a cada minuto um emprego deixa de ser criado no País. O presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, estima que a concorrência - muitas vezes "desleal", destaca - de produtos têxteis e de confecções importados tenham sido responsáveis pelo fechamento de 15 mil a 20 mil postos de trabalho do setor no ano passado. É um desempenho negativo bem distante da criação de 80 mil vagas em 2010. Não por acaso, o resultado negativo da balança comercial (exportações menos importações) do setor deu um salto de 30% em 2010. Estimativas preliminares da Abit indicam que o setor fechou o ano com déficit comercial ao redor de US$ 4,8 bilhões, ante resultado negativo de US$ 3,6 bilhões em 2010. Só no setor de confecções as importações somaram US$ 1,72 bilhão, enquanto as exportações ficaram em US$ 180 milhões. O resultado foi um déficit de US$ 1,51 bilhão. "Em 2011, o setor do vestuário apresentou queda de 5% em relação ao ano anterior, enquanto a queda no setor têxtil chegou a 15,5%", diz o presidente da Abit. "Já o varejo têxtil cresceu 5,6% em volume e 10,5% em faturamento", ressalta Diniz. Segundo ele, os números mostram claramente como o mercado brasileiro tem sido alimentado com produtos importados. O problema, segundo ele, é que a competição com os importados não é igualitária, pois a produção lá fora é subsidiada pelo governo em países como China, Índia e Paquistão. Além disso, acrescenta, boa parte dos importados, principalmente de origem chinesa, entra no Brasil por meio de práticas desleais de comércio, como subfaturamento. Medidas. A entidade conseguiu sensibilizar o governo. No fim de 2010, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o governo preparava medidas de proteção à indústria nacional contra práticas desleais na importação de produtos têxteis e de confecção. Mantega disse que o governo vai mudar o regime de importação para produtos do setor, que hoje é baseado em alíquotas ad valorem (a base de cálculo é o valor do produto). Segundo o ministro, em um prazo estimado por ele de três meses, o sistema será mudado para ad rem, em que se estabelece um valor fixo por quilo do produto trazido do exterior. |
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Indústria têxtil inaugura hoje o 'importômetro'
sábado, 7 de janeiro de 2012
Cadeia do algodão brasileiro tem PIB de US$ 19 bi em 2011
| São Paulo, sábado, 07 de janeiro de 2012 |
ANÁLISE / BALANÇO ANUAL ESPECIAL PARA A FOLHA O algodão é um dos maiores casos de sucesso do agronegócio brasileiro nos últimos anos. A virada, dada em praticamente 20 anos com a nova cotonicultura, é impressionante. Nos anos 1980, o Brasil era grande produtor e exportador de algodão. No final daquela década, a produção foi arrasada pela praga do bicudo e pela abertura comercial. De exportador, o Brasil passou a importador nos anos 1990. Baseada em novo modelo, com novas áreas, novas variedades e novos produtores, o país termina 2011 exportando cerca de US$ 1 bilhão -quase US$ 750 milhões em algodão em pluma e US$ 250 milhões em tecidos planos de algodão, malhas, fios e línter. Na ultima década, o setor trouxe US$ 3,2 bilhões. A cadeia -englobando os setores de insumos, produção agrícola, algodoeiras, fiação, tecelagem, malharia e as esmagadoras de caroço que produzem os óleos e o biodiesel- foi responsável por um PIB de US$ 19 bilhões e movimentação financeira total de US$ 37 bilhões em 2011. Somente em insumos, os produtores de algodão investem quase US$ 2 bilhões por ano, sendo um importante mercado para o setor de defensivos e de fertilizantes. O faturamento dos produtores de algodão chegou próximo a US$ 6,5 bilhões na safra 2010/11. Esse valor contribuiu fortemente para o desenvolvimento do Centro-Oeste e do Nordeste do país, pois movimentou as cidades, as atividades de construção civil, comerciais e outras. É uma cadeia responsável por uma massa salarial de US$ 787 milhões, em quase 80 mil empregos, sem contar todo o setor têxtil (confecções e outros). Devido à elevada especialização, o salário médio pago na cultura do algodão foi de R$ 1.260, entre os maiores da agricultura brasileira. Vale ressaltar que essa parte da cadeia gera quase US$ 7,8 bilhões em tributos ao governo. Esses dados da cadeia produtiva do algodão, com base em pesquisa concluída pelo Markestrat/USP, conferem ao Brasil as maiores produtividades mundiais e a posição de quarto maior produtor, após China, Índia e EUA. Liderada pela Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), a cadeia caminha rapidamente em processos de qualidade de produtos, na certificação socioambiental dos seus produtores e na conquista de mercados internacionais, sendo um dos setores mais promissores do agronegócio brasileiro. A China consome 35% do mercado mundial de algodão, mas apenas 3% de suas compras vêm do Brasil, representando grande oportunidade. Mercados emergentes vêm descobrindo o Brasil como importante fornecedor. Apesar desses resultados todos e das oportunidades que se abrem, é vasta a agenda de desafios do setor -tema de análise futura. MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP (campus Ribeirão Preto) e coordenador científico do Markestrat. |
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Área de transgênicos deve crescer 21% no país
| 5/12/2011 | |
| A área cultivada com sementes geneticamente modificadas no Brasil deve chegar a 31,8 milhões de hectares na safra 2011/12, que começa a ser colhida em janeiro. Trata-se de um aumento de 20,9% em relação à safra passada. O número consta de levantamento realizado pela consultoria Céleres, com empresas de biotecnologia. Esse é o segundo levantamento feito pela Céleres neste ano. Em agosto, a consultoria havia previsto uma área de 30,4 milhões de hectares. A reportagem é de Gerson Freitas Jr. e publicada pelo jornal Valor, 05-12-2011. A soja ainda é, de longe, a cultura na qual a tecnologia está mais difundida. Ao todo, serão 21,4 milhões de hectares cultivados com sementes transgênicas, um aumento de 16,7% em relação ao plantio do ano passado. A extensão corresponde ainda a 85,3% de toda a área dedicada à cultura - um recorde. No ano passado, essa participação foi de 76%. A soja é a cultura pela qual a transgenia foi introduzida no Brasil, ainda em meados dos anos 1990 e de maneira ilegal, com o contrabando de sementes da Argentina. A liberação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ocorreu em 2005. Mas o milho é a cultura em que o avanço dos transgênicos mais impressiona. Apenas quatro anos depois de as variedades geneticamente modificadas terem sido aprovadas no Brasil, estas deverão responder por mais de dois terços (67,3%) da produção total (somando-se as áreas de verão e inverno) da safra 2011/12. De acordo com a Céleres, elas serão cultivadas em 9,9 milhões de hectares, uma expansão de 32% em relação à temporada anterior. No algodão, as lavouras convencionais ainda são a maioria. Apenas 469 mil hectares (33% de um total de 1,45 milhão) serão ocupados com transgênicos. Trata-se de um aumento nada desprezível de 26,1% em relação à safra passada, mas ainda considerado aquém do potencial. Segundo aCéleres, o avanço dos transgênicos no segmento ainda esbarra na disponibilidade de variedades adaptadas às diferentes regiões produtoras do país e na falta de um transgênico que ajude no controle do bicudo, a principal praga do algodão. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês). A maioria das variedades usadas no país garante às lavouras tolerância ao glifosato, um agrotóxico usado para combater plantas invasoras nas lavouras. Nas lavouras de milho e algodão, também é grande a participação de plantas tolerantes a insetos. | |
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Fabricantes têxteis avançam no Nordeste
| Autor(es): Por Vanessa Dezem | De São Paulo |
| Valor Econômico - 01/11/2011 |
A fabricante paulista de fios Linhas Bonfio sempre teve nas regiões Sul e Sudeste suas principais fontes de demanda. Esses mercados - tradicionais centros da indústria têxtil brasileira e pujantes áreas consumidoras - representavam mais de 70% das vendas da empresa. Há cerca de dois anos, no entanto, esse cenário começou a mudar. Muitos dos clientes da Bonfio migraram ou abriram filiais na região Nordeste, o que forçou a empresa a se voltar para essa fronteira. Diante da nova realidade, a Bonfio investiu R$ 15 milhões na construção de sua quarta fábrica em Redenção, no Ceará. "Nosso produto é pronta-entrega. Precisamos estar próximos dos clientes", conta o presidente da empresa Alfredo Emílio Bonduki. A estratégia da Bonfio pontua uma tendência que vem se desenhando em toda a cadeia têxtil brasileira. Empresas do Sul e do Sudeste estão se voltando para outros mercados, como o do Nordeste e do Centro-Oeste. Em números absolutos, as áreas tradicionais lideram com folga no setor, mas nos últimos anos esse quadro tem sofrido um revés em termos comparativos. Dados do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) mostram que entre 2005 e 2010, o número das empresas têxteis no Nordeste cresceu 60%, para 460 empresas, enquanto no Centro-Oeste avançou 167%, para 131. Ao mesmo tempo, o número dessas empresas caiu 1,3% no Sudeste, para 2.393 e cresceu 26% no Sul, para 1.686. No que diz respeito aos empregos gerados no setor, a região Nordeste avançou 23% no período, enquanto a Centro-Oeste cresceu 43%. O Sudeste, em contrapartida, apresentou redução de 6% e o Sul cresceu 9%. A nova unidade da Bonfio deve ampliar em 10% o faturamento da empresa a partir do segundo trimestre de 2012, quando terão início as operações. Hoje, a receita da companhia fica na faixa dos R$ 47 milhões por ano. "Já temos mais de um quarto das nossas vendas vindas do Nordeste. Em três ou quatro anos essa nova unidade deve representar metade do nosso faturamento", estima Bonduki. Além da maior facilidade em encontrar mão de obra - em falta nas regiões produtoras tradicionais -, as companhias estão aproveitando a mudança de patamar do consumo dessas áreas em franco crescimento. Outra característica importante desse movimento é a atuação da cadeia produtiva do setor: inclusive as empresas da ponta fornecedora estão sendo atraídas pelos benefício dessas regiões. Há cerca de dez anos, o setor já tinha experimentado uma forte migração para o Nordeste, mas muitas empresas se voltaram para o Sul diante das dificuldades com infraestrutura e logística. O cenário, agora, é diferente. "Neste ano há um movimento claro de expansão para outras regiões de empresas de tecelagem, fiação e as integradas. O alto poder do mercado consumidor nordestino atraiu as confecções e, agora, surgiu uma demanda pelo começo da cadeia produtiva", afirmou a analista para o setor, Herida Cristina Tavares, da consultoria Lafis. "Essa nova onda de migração é mais consolidada. A tendência é que em alguns anos o setor têxtil não fique mais tão concentrado nas regiões tradicionais", completou a especialista. A fabricante de etiquetas Haco - com sede em Santa Catarina - foi uma das companhias que seguiu esse caminho. Em 2000, a empresa pisou pela primeira vez no Nordeste. No seu caso, o negócio deu certo e, em 2008, a empresa realizou uma expansão na unidade em Eusébio, no Ceará. Isso fez com que até 30% de sua capacidade produtiva total - que hoje soma 4 bilhões de etiquetas por ano - viesse dessa região do país. A empresa tem ao todo cinco unidades: além da do Ceará, são três em Santa Catarina e uma em Portugal, e opera ainda em Hong Kong, por meio de subcontratados. "Mas nossa fábrica mais moderna é a do Nordeste", conta o presidente da Haco, Alexander Stefan Dattelkremer. Nos seus planos estratégicos está a meta de dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. Em 2010, o faturamento da Haco somou US$ 100 milhões, de acordo com estimativas de mercado. Segundo o executivo, grande parte desse crescimento acontecerá no Ceará, onde há um potencial de crescimento maior do que o das outras regiões. "Esse será nosso alavancador de expansão. Com certeza boa parte da produção têxtil brasileira será transferida para o Nordeste ", explica Dattelkremer. Na opinião dele, são os incentivos fiscais por parte das prefeituras, o grande mercado consumidor e a mão de obra abundante os principais atrativos. A região Centro-Oeste também tem surgido como uma opção às empresas têxteis. Há dois anos, a Cativa Têxtil, confecção integrada de Santa Catarina, alugou um galpão em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, motivada pela falta de costureiras em sua terra natal. Agora, está construindo sua própria unidade na mesma região. "Nossa projeção é triplicar o faturamento até 2013 e ter até 450 colaboradores naquela unidade", afirma Valci Márcia Sprung Kreutzfeld, vice-presidente da Cativa. Outro exemplo importante é a Vicunha Têxtil, que no início do ano passado, assinou com o governo do Mato Grosso um acordo para a instalação de uma fábrica de fiação, tinturaria e acabamento em Cuiabá, no valor estimado de R$ 350 milhões. "Tudo vem atrás do desenvolvimento das empresas de bens de consumo nessas regiões. O viés que se destaca é que é um modelo mais avançado frente ao que já vimos. O foco é o potencial de consumo local", explica o presidente do IEMI, Marcelo Villin Prado. |
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Importação afetou diversos setores
| Valor Econômico - 26/10/2011 |
Os setores têxtil e de confecções, de calçados e químico - que não refizeram as projeções - apresentaram maus resultados no acumulado do ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Para esses setores, a concorrência dos importados foi particularmente acentuada. O volume de bens trazidos do exterior aumentou 12,6% em têxteis, 50% em confecções, 26% em calçados e 12,8% em produtos químicos, segundo dados da Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior (Funcex). Saindo de uma perspectiva de crescimento em janeiro, a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) e a Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim) registraram contração no acumulado até agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior: 11,4% e 4,3%, respectivamente, segundo a pesquisa industrial mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) No caso da Abicalçados, a queda de 13,9% nas exportações neste ano, reflexo da dificuldade em vender o produto para os argentinos, que impuseram licenças não automáticas para a entrada de calçados no país, é outro forte motivo para a contração. Por outro lado, as importações cresceram 43,5% (em valor) no período. No ano passado, o setor tinha registrado aumento de 5% na produção. Na indústria química, um dos responsáveis pela diminuição da produção industrial foi a queda do preço do gás natural nos Estados Unidos. De acordo com a diretora de economia e estatística da Abiquim, Fátima Coviello Ferreira, o gás é três vezes mais caro no Brasil. Isso fez com que algumas fábricas nos Estados Unidos voltassem a operar e exportar. Por conta também de outros fatores como carga tributária e custos mais altos com logística, o setor tem dificuldades de competir no mercado interno. "A demanda na ponta cresceu 10% até agosto, enquanto as importações aumentaram 36,7%. Isso quer dizer que não estamos conseguindo competir", afirma a economista. Para Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), este "tem sido um dos piores anos da indústria têxtil e de confecção brasileira nas últimas décadas". Em 2010, o setor cresceu em torno de 15%. O aumento do preço do algodão no mercado internacional, o desaquecimento da demanda interna, a estagnação das exportações e o aumento das importações foram os fatores que fizeram a produção física encolher de janeiro a setembro deste ano, segundo Diniz. Com isso, a previsão é que os investimentos também caiam. "Em 2010, o setor colocou mais de US$ 2 bilhões em máquinas, equipamentos, instalações e capacitação. Agora, as atuais perspectivas seguraram os investimentos", afirma. No acumulado até setembro, a Abit viu a produção do setor encolher 14,3%, segundo dados do IBGE. Na contramão desses setores vem a indústria automotiva. A Anfavea, entidade que representa as montadoras, aumentou em dois pontos percentuais a previsão de crescimento da produção do setor. O mercado interno e as exportações também surpreenderam positivamente: enquanto a venda de automóveis no mercado interno aumentou 7% no acumulado de janeiro a setembro (contra 5% do previsto do início do ano), a exportação cresceu 4% (contra 3% apontados na previsão inicial). Ligada ao setor automotivo, a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) adiou as estimativas para a produção no ano devido às incertezas em relação ao câmbio, ao consumo no mercado interno e ao crédito mais restrito para a compra de carros. Enquanto no ano passado o setor registrou crescimento de 14,2%, no início do segundo semestre, os cálculos apontaram aumento de 4,3% no faturamento bruto para 2011. Uma posição diferente é apresentada pela indústria alimentícia, que caminha em 2011 no mesmo ritmo de 2010. Por enquanto, são mantidas as previsões de crescimento de 5% da produção e de faturamento 7% maior, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). "O mercado interno ainda tem boas condições de compra. No mercado externo, o crescimento acontece devido ao valor das commodities, e não por meio da conquista de novos mercados", afirma Denis Ribeiro, do departamento de economia e estatística da Abia. Assim como a produção, o emprego no setor corresponde às expectativas do início de 2011, com crescimento próximo a 5%. |
Previsões frustradas na indústria
| Câmbio frustra previsões da indústria no ano |
| Autor(es): Por Carlos Giffoni e Rodrigo Pedroso | De São Paulo |
| Valor Econômico - 26/10/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/26/previsoes-frustradas-na-industria |
O câmbio, o aumento das importações e o crescimento menor que o esperado nos Estados Unidos e na zona do euro frustraram as expectativas da indústria brasileira para 2011. Levantamento feito com 11 associações setoriais mostra que em nove segmentos o ano ficou muito aquém do esperado. No setor de máquinas, a projeção de um crescimento de 10% está agora reduzida a 5,5%, enquanto a já modesta estimativa de um aumento de 4% no setor têxtil se transformou em queda de 14% na produção até agosto, segundo dados do IBGE. A indústria têxtil, de calçados e vestuário enfrenta forte concorrência de importados. O volume trazido do exterior cresceu 12,6%, 26% e 50%, respectivamente, até setembro. Entre os setores que se salvaram estão o automotivo - único a elevar a previsão feita no fim de 2010 - e o de alimentos. O ano de 2011 frustrou profundamente as previsões feitas para a indústria na virada do ano. Entre 11 associações industriais consultadas pelo Valor, nove diminuíram suas estimativas de crescimento ou produziram até agosto um volume de mercadorias muito inferior ao planejado. A desvalorização do dólar e o crescimento das importações foram os principais motivos apontados por executivos como "inibidores" da produção nacional. Dois setores bem distintos, o alimentício e o automotivo, foram na contramão, cumprindo e até mesmo superando as expectativas do início do ano. No ano, a produção industrial acumula aumento de apenas 1,4% na comparação com os primeiros oito meses de 2010, enquanto o volume exportado de manufaturados ficou apenas 3,8% maior e o quantum de produtos importados aumentou de 9,1% (em bens intermediários) até 29% (em bens de consumo) segundo as estatísticas da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) projetava em janeiro deste ano um crescimento de 13% na produção em 2011. Esse índice já foi revisto duas vezes. Em março, caiu para 12%; e, em junho, para 8%, segundo Luiz Cezar Rochel, gerente econômico da entidade. "O câmbio teve um comportamento muito ruim para o setor. Com o dólar no patamar que chegou, de R$ 1,60, a nossa competitividade foi prejudicada tanto no mercado externo quanto no interno. Mas a população continua consumindo os importados", diz. As vendas de parte do setor, no entanto, seguem em ritmo forte. Pela pesquisa de comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até agosto, as vendas de eletrodomésticos foram 18% maiores que em igual período do ano passado. Na avaliação de Rochel - que é compartilhada por boa parte dos industriais -, um câmbio favorável para a indústria brasileira estaria na faixa de R$ 2,30. "O dólar valendo R$ 1,80 já é melhor do que o cenário anterior, mas ainda nos traz problemas de concorrência." A inflação é outro fator que preocupa a Abinee. Segundo sondagem realizada em setembro, os industriais começaram a apontar o aumento dos preços como motivo de preocupação. "A inflação afeta o poder de compra do consumidor", afirma Rochel. "A situação hoje é muito confusa. Nem conseguimos fazer projeções para 2012, mas estamos de olho no comportamento da inflação e a influência da crise internacional no nosso mercado", conclui. A crise na zona do euro e nos Estados Unidos, por sua vez, ajudou a diminuir as perspectivas de crescimento da Associação Brasileira da Indústria de Máquina e Equipamentos (Abimaq). Depois de registrar aumento de 11% na produção no ano passado, a Abimaq previu um nível parecido para 2011. No entanto, o avanço não deve ser maior que 5,5%, de acordo com o assessor econômico da presidência da associação, Mario Bernardini. "O resultado não será ruim, mas o cenário não é muito animador", diz. O esfriamento das exportações, por causa da retração na economia dos países desenvolvidos, e a diminuição no nível de investimentos da indústria, que reage a uma acomodação do consumo interno, empurraram para baixo as perspectivas do setor. Para o ano que vem, Bernardini descarta uma volta ao nível antigo. Outro setor que revisou para baixo as expectativas de produção em 2011 é o de móveis. Apesar de o crescimento de 6% ser bem visto pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o índice é significativamente menor que os 10% projetados no começo do ano, e isso já é motivo de dor de cabeça para o presidente da associação. "O mercado está muito frio. Temos que melhorar neste último trimestre", diz José Luiz Diaz Fernandez. As medidas de contenção de crédito adotadas pelo governo são vistas como os principais responsáveis pela revisão nas projeções de crescimento do setor. "O comprador de móvel financia o pagamento e, com menos crédito disponível, ele começa a segurar um possível endividamento", diz Lipel Custódio, diretor da Abimóvel. O setor de siderurgia no Brasil revisou, de maneira mais moderada, a previsão de crescimento para 2011, passando de 11,4% para 10,5%, o que representa 36,3 milhões de toneladas de aço produzidas. A justificativa do setor aponta para a "acirrada competição das importações" e para o desaquecimento da economia. O dólar desvalorizado e os excedentes de aço no mercado internacional favorecem a importação, segundo o Instituto Aço Brasil. Desde a crise de 2008, a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa) evita fazer projeções, mas os números deste ano mostram um forte recuo na produção. Na comparação de janeiro a agosto de 2011 com o mesmo período do ano anterior, a produção de celulose ficou estável e a de papel recuou 0,3%. Para se ter ideia do tamanho da retração, a produção de celulose cresceu 6,4% em 2010, em relação a 2009, e a produção de papel avançou 4,4%. Os problemas enfrentados pelo setor são, principalmente, dois. "No mercado externo, Europa e Estados Unidos, grandes importadores de celulose do Brasil, estão no centro da atual instabilidade econômica mundial. No mercado interno, o aumento das importações de papel tem diminuído as vendas domésticas", diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa. O setor, contudo, tem uma posição otimista. Os investimentos previstos para os próximos dez anos chegam a US$ 20 bilhões - e não foram revistos mesmo com os sinais negativos apresentados até agosto. O que ocorre é uma renegociação dos prazos, que são trabalhados sobre os sete anos que o eucalipto leva para crescer, por exemplo. "As empresas estão buscando aumentar a sua produtividade, mas o governo precisa fazer a sua parte e buscar alternativas para o câmbio", afirma a representante da entidade. |
Carga pesada
| Época - 24/10/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/24/carga-pesada |
O automóvel se tornou o principal instrumento de arrecadação do país. De cada R$ 100 que o governo recolhe em impostos, R$ 6 vêm de carros MARCELO MOURA, COM FELIPE PONTES, HUMBERTO MAIA JUNIOR E MATHEUS PAGGI Pouca gente conhece a Terra em tantos detalhes quanto o inglês David Rothschild. Herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, ele vê o planeta pela janela da primeira classe dos aviões e também por meios de transporte alternativos, como a balsa feita de garrafas PET a bordo da qual cruzou o Oceano Pacífico. É dele a frase: "Se um disco voador descer hoje na Terra, os extraterrestres podem achar que a espécie dominante não somos nós, e sim criaturas de quatro rodas feitas de metal". Nessa visão distanciada de mundo, os humanos seriam escravos que alimentam os automóveis quando eles têm sede, dão banho quando estão sujos e curam seus ferimentos quando eles se machucam. Se um disco voador descer no Brasil, os ETs nem terão dúvida: quem manda aqui é mesmo o carro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos últimos 15 anos a frota de automóveis do país cresceu 15%. Só no ano passado 3,3 milhões de novos automóveis ganharam as ruas, alta de 10,5% em relação ao ano anterior. Quem pode anda de carro. Mas anda mal. Em São Paulo, no horário de pico, a velocidade média é de 8 quilômetros por hora. A pé é mais rápido. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que, em cidades com mais de 100 mil habitantes, 32% das pessoas gastam pelo menos uma hora no trânsito para trabalhar ou estudar. "Não tenho como usar transporte público para chegar ao trabalho", diz o matemático e engenheiro Francisco Manuel Pires Neto, de 52 anos. "Já tentei deixar o carro em casa, mas é inviável." Ele mora em São Paulo e trabalha em Mogi das Cruzes, cidade vizinha. Gasta 40 minutos por dia dirigindo e R$ 784 por mês. Desse total, cerca de R$ 200 vão para os cofres do governo. Sim, porque, se Pires Neto depende demais de seu carro, ele não está sozinho. Seu Kia Soul é indispensável também para Dilma Rousseff, a presidente da República. Para ela, para o governador e para o prefeito de sua cidade. A administração dos três depende do dinheiro arrecadado direta e indiretamente pelo carro – mais que de qualquer outro produto ou setor empresarial. Como atividade, a indústria automobilística e suas ramificações empatam com o trilionário sistema financeiro no recolhimento de impostos federais. Se somarmos taxas, tributos, multas, contribuições e toda sorte de artifícios usados pelo governo de Estados e municípios para tirar dinheiro da manada automotiva, o carro é – de longe – a maior unidade arrecadatória da República, de acordo com um levantamento exclusivo realizado por ÉPOCA. Pendurado em seu automóvel – e nos mais de 25 milhões que estão em circulação no país –, o governo federal recolheu em 2011, de janeiro a agosto deste ano, R$ 32 bilhões, ou 22% da arrecadação dos principais tributos federais. Para os Estados, o automóvel rendeu R$ 30 bilhões até agosto, arrecadados com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e com o Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços (ICMS), que incide sobre todas as fases da vida do carro: fabricação, compra, licenciamento, reparo e abastecimento. Em 2009, o ICMS da venda de combustíveis representou, sozinho, 40% da arrecadação do Estado do Amapá. Parte do dinheiro é repassada às prefeituras – que não recolhem imposto com o carro, mas também ganharam mais de R$ 600 milhões com multas. Somando tudo ao longo deste ano, a projeção é que os carros rendam ao Estado brasileiro astronômicos R$ 81 bilhões, ou algo como 2% do Produto Interno Bruto brasileiro. Ao todo, de cada R$ 100 recolhidos em impostos no país, um único produto – o automóvel – responde por aproximadamente R$ 6. "O carro é a prima-dona da arrecadação", afirma Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal. Quando você compra um Toyota Corolla por R$ 78 mil, o governo recolhe 31% em tributos. Na Alemanha, o carro novo paga em média 16% e, nos Estados Unidos, 6%. "O Brasil cobra impostos em cascata e isso encarece muito produtos de fabricação complexa, como o carro", afirma João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Ao encher o tanque do carro com gasolina, o brasileiro paga 53% da despesa em impostos. Dilma e seus colegas podem não entender de molas e parafusos, mas são eles que recebem 32% do que se paga à oficina mecânica. Mesmo se você decidir negar a natureza do automóvel e deixá-lo imóvel na garagem de casa, ainda assim será obrigado a pagar o IPVA, em torno de 4%. Pela Constituição, o dinheiro dos impostos recolhidos com os automóveis não é vinculado a nenhuma aplicação específica. Vira dinheiro livre, aguardado com ansiedade pelos governadores. A ponto de eles terem antecipado para o primeiro trimestre a cobrança do licenciamento dos carros usados, que costumava ser escalonada ao longo do ano. Com esse artifício, adotado a partir da década passada, os Estados reforçaram o caixa no período em que a atividade econômica é mais fraca. A classificação dos carros com motor flex também atendeu à lógica da maior arrecadação. Em São Paulo, esses modelos pagam IPVA de 4%, como os carros a gasolina (que poluem mais), apesar de consumirem principalmente álcool. Se o imposto do flex fosse igualado ao do carro a álcool (3%), o Estado perderia receita. Calculado sobre o valor de mercado do carro a cada ano, o IPVA premia os modelos antigos – aqueles que, em tese, poluem mais o ar, quebram no meio da rua com maior frequência e oferecem menos proteção em acidentes. Quanto mais velho o automóvel, menor é seu valor de mercado e, portanto, seu tributo. Faz sentido para o caixa. Nenhum para o planeta. Embora isso tudo faça parte do cotidiano brasileiro, a relação do Estado com o automóvel não é a mesma em toda parte. Outros países usam os impostos para incentivar a indústria e os motoristas a diminuir o impacto negativo do automóvel, não apenas para encher o cofre do governo. Na Europa, o licenciamento anual é proporcional à poluição produzida por carro. As montadoras se empenham em desenvolver motores mais limpos, porque o público terá interesse financeiro em comprá-los. No Japão, os carros que ocupam mais espaço no asfalto pagam mais imposto. Cingapura regula a circulação do automóvel. Adotou o pedágio urbano no centro da capital em 1975. O número de carros caiu 45%. O de acidentes de trânsito, 25%. O sucesso inspirou experiências semelhantes na Noruega e no Reino Unido. Para combater o engarrafamento em Pequim, na China, a administração local estrangulou o registro de carros novos na cidade a 20 mil unidades por mês, um terço da demanda do mercado. Montadoras reclamaram da queda nas vendas provocada pela restrição, mas o governo chinês não cedeu. "No Brasil, o imposto sobre o carro só tem a finalidade de arrecadar", diz a economista Lidia Goldenstein, especialista em política industrial. "Temos um Estado ineficiente que precisa do imposto fácil sobre os automóveis." O casamento de interesses entre montadoras e o Estado brasileiro começou em 1956 – um enlace no qual o dote foi pago pelo governo, num bolo de noiva chamado Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia). O grupo foi formado para substituir as importações de produtos de alto valor, que desequilibravam nossa balança comercial. Naquele ano, o país tinha 811 mil carros, todos importados. Gastava-se mais com a importação deles do que com petróleo ou trigo. O Geia proibiu a importação de carros e concedeu créditos e isenções às montadoras. "A política de incentivos para atrair empresas não foi muito diferente da adotada em países como México e Argentina", diz José Roberto Ferro, presidente da consultoria Lean Institute do Brasil. "Só os Estados Unidos, que inventaram as montadoras, abriram mão de regular o mercado no início." O Brasil atraiu 11 montadoras entre 1956 e 1960. Atrás delas, surgiram fábricas de peças, oficinas e concessionárias. "Antes do governo Kubitschek, o país era essencialmente agrário", diz Luiz Carlos Mello, ex-presidente da Ford. Graças ao automóvel, o Brasil mudou. Protegida pelo mercado fechado, a indústria nacional cresceu nos anos 1970. Na década seguinte, Estado e montadoras amargaram estagnação. Entre 1980 e 1981, as fábricas demitiram 20 mil pessoas. Os protestos na porta das montadoras de Santo André, São Bernardo e São Caetano – o ABC paulista – forjaram o movimento sindical brasileiro. Dali surgiu o Partido dos Trabalhadores (PT), em torno da figura do líder operário Luiz Inácio Lula da Silva. A inércia do mercado automotivo dos anos 1980 foi quebrada, novamente, a golpe de caneta. Em 1990, o presidente Fernando Collor de Mello chamou os carros nacionais de "carroças" e reabriu o mercado às importações. A concorrência estrangeira e a crise econômica do congelamento das cadernetas de poupança derrubaram as vendas das montadoras locais em 10%. Para recuperar mercado e crescer, elas foram favorecidas por uma... lei de incentivo, que baixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e inaugurou a era do carro popular. No fim de 2008, diante da crise econômica mundial provocada pela quebra de bancos americanos, o presidente Lula reduziu novamente o IPI dos carros. "O governo foi muito hábil", diz João Sabóia, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "A indústria bateu recorde de vendas e, no segundo semestre de 2009, o desemprego já tinha voltado aos níveis do ano anterior." Isso acontece porque o carro tem uma capacidade quase única de irradiar riquezas. Certos setores, como a agricultura, até geram mais empregos que as montadoras. Mas não passam a contratar mais pessoas diante de um pequeno estímulo nas vendas. "O setor automotivo é fundamental para a economia porque as montadoras pagam acima da média do país e porque, atrás delas, há atividades com alta geração de empregos, como fábricas de autopeças e rede de oficinas", diz Fabio Freitas, pesquisador do grupo de Indústria e Produtividade da UFRJ. De acordo com a Anfavea, o setor gera 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos – o equivalente a 3,4% dos postos de emprego formal do país. Mais do que os empregos, porém, é a polpuda fatia dos impostos recolhidos com os carros que explica a deferência histórica do Estado com o setor automobilístico. O governo brasileiro trata como patrimônio os postos de trabalho criados pelas montadoras que se instalaram no Brasil e as fatias de mercado dessas empresas, porque são essas fatias que alimentam o recolhimento de impostos. Recentemente, a defesa agressiva desse patrimônio ficou evidente quando, em setembro, o governo tentou – para a felicidade das montadoras instaladas no país – aumentar em 30 pontos porcentuais o IPI que incide em carros importados de fora da América Latina (muitos dos carros que circulam no Brasil vêm da Argentina e do México). A medida foi suspensa na última quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou obrigatório o prazo de 90 dias para a medida vigorar. No texto da lei, o governo criou exceções, liberando desse novo nível de tributação os automóveis em cuja construção tenham sido usados 65% de peças feitas no Mercosul ou que cumpram no Brasil ao menos seis de 11 etapas de fabricação. O principal alvo da medida eram os automóveis coreanos e sobretudo os chineses, que desde o ano passado vêm ganhando participação rapidamente no mercado brasileiro, graças a uma combinação impressionante de preços baixos e tecnologia. De janeiro a agosto, foram emplacados no país mais de 40 mil carros chineses. O consumidor gosta de ter mais opções e bons preços. Uma invasão chinesa poderia, porém, resultar em perda de empregos – e arrecadação menor. A história recente ensina que contrariar as montadoras é politicamente arriscado. Mesmo se as fábricas não pressionassem o governo, seu ponto de vista já está enraizado na cultura do público e na estrutura política do país. Quando assumiu o governo do Rio Grande do Sul, em 1999, Olívio Dutra, do PT, quis rediscutir os incentivos à implantação de fábricas da Ford e da General Motors no Estado, acertada na administração anterior. A Ford não fechou acordo e foi para a Bahia. Desgastado, Dutra nem sequer disputou a própria reeleição. "O rompimento com a Ford teve impacto mesmo dentro do PT, mas não me arrependo", diz ele. "Os sindicatos que pedem isenção de impostos para gerar empregos não estão vendo a floresta, estão vendo apenas uma árvore." Desde que o PT assumiu a Presidência, em 2003, o ponto de vista dos sindicatos tornou-se oficial. A base sindical do governo luta por suas vagas, as montadoras defendem seu mercado – e o governo protege sua arrecadação. Essa aliança faz do carro brasileiro uma entidade quase intocável. O carro como o conhecemos – uma máquina com motor a combustão, de propriedade privada, usada no deslocamento diário – está em crise no mundo inteiro. Seus benefícios são cada vez menores. Ele é um grande gerador de empregos, mas essa tendência é de queda. Com o aumento de produtividade, a tarefa que era feita por nove pessoas, em 1960, agora depende de apenas uma (leia o quadro abaixo). O congestionamento nas grandes cidades cobra um preço alto. Parados no trânsito, funcionários qualificados, que poderiam gerar riqueza em seu lugar de trabalho, são reduzidos a figurantes de uma lenta procissão. Segundo um estudo do Citigroup, o Brasil desperdiça 5% da produtividade de sua economia com engarrafamentos, ou algo como US$ 30 milhões. ECONOMIA PARADA Congestionamento em São Paulo. Um estudo afirma que o Brasil desperdiça US$ 30 milhões com engarrafamentos por ano (Foto: Mastrangelo Reino/Folhapress) Os gastos para abrir espaço urbano para a manada de animais de quatro rodas não param de crescer. Só o Estado de São Paulo está investindo R$ 9 bilhões na construção de um Rodoanel na capital e em intervenções em avenidas – enquanto as obras do Metrô em 2010 consumiram R$ 5,5 bilhões. Sem contar o impacto ambiental e o prejuízo com acidentes de trânsito. Em 2010, morreram nas estradas federais 8.516 pessoas – o dobro das mortes americanas na Guerra do Iraque desde 2003. Em 2010, as internações por acidentes de trânsito custaram ao SUS R$ 187 milhões. "São Paulo perde cerca de US$ 1,5 bilhão por ano com internações e mortes causadas pelo ar poluído", diz o patologista Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP. Em outras palavras, o carro parece estar pegando de volta toda a receita que gera para o governo. Um impasse desse tamanho exige uma ação do Estado. Mas o Estado brasileiro ainda vê o automóvel como há 50 anos. Depende dele de forma excessiva. "O consumo de carros é saudável para a economia, mas as pessoas deveriam ter alternativas de transporte e incentivo financeiro para deixá-los em casa", diz o ambientalista Fabio Feldmann. Assim poderíamos nos dedicar aos carros por vontade própria. Não por escravidão. |
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Outros asiáticos ganham mercado no Brasil
| Autor(es): Rodrigo Pedroso |
| Valor Econômico - 03/10/2011 |
O aumento do custo salarial na China e as medidas de proteção adotadas pelo governo brasileiro contra a importação de produtos chineses geram uma presença mais forte de outros fornecedores do Leste Asiático na pauta de compras externas de produtos têxteis, vestuário e calçados, feitas pelo Brasil. A presença de produtos importados desses segmentos tem se intensificado devido à valorização do real, combinada com o aumento da massa salarial do país. De janeiro a agosto deste ano, dados do Ministério do Desenvolvimento apontam aumento de compras desses segmentos na Indonésia, Vietnã, Tailândia e Bangladesh. Para analistas, essas economias do Leste Asiático estão ganhando fatias do mercado brasileiro, antes ocupadas pelas importações procedentes da China. O setor de vestuário é o que registrou maior crescimento de importações com origem nesses países. De janeiro a agosto de 2007, as compras brasileiras no segmento, feitas na Indonésia, Vietnã e Bangladesh, somavam US$ 55,9 milhões, valor correspondente a 10,5% do total no período, e 18,5% do que foi vendido pela China. Em 2011, até agosto, as importações do segmento com origem nos três países saltaram para US$ 323 milhões, o que fez a participação quase dobrar, avançando para 19,2% do total importado e 37% do fornecido pelos chineses. A Indonésia foi o país que mais aumentou as vendas (81,6%) em vestuário no período, faturando US$ 92,6 milhões. Vietnã, o segundo maior exportador, com US$ 147 milhões, cresceu 47,5%. As exportações de Bangladesh tiveram alta de 79,5% no período. Segundo levantamento feito pela LCA Consultores, em julho de 2010 a participação no mercado doméstico do vestuário importado era de 6,3%. No mesmo mês de 2011, subiu para 10,7%. Em calçados, a Indonésia registrou o maior aumento de vendas para o Brasil no período, se aproximando da China, segunda maior exportadora, com US$ 73 milhões e alta de 18,7%. Os indonésios ampliaram as vendas em 90%, chegando a US$ 68,5 milhões. O Vietnã, maior exportador de calçados, com US$ 124 milhões e crescimento de 45,4%, também ajudou a diminuir a participação da indústria nacional no mercado interno: de 8,7%, em julho de 2010, o índice de penetração do produto estava em 9,9% em julho deste ano. De acordo com Fernando Ribeiro, economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), apesar de a China ainda ser a principal fornecedora aos brasileiros, está havendo um deslocamento nesses setores de mão de obra intensiva em direção a economias que conseguem oferecer maiores margens de lucros às empresas. "Esse é um movimento que deve se acentuar, pois são produtos em que os salários são o maior custo. Os chineses e a indústria brasileira devem perder espaço", prevê Ribeiro. Welber Barral, sócio da M Jorge Consultores, concorda com Ribeiro, mas ressalta que parte dessa mudança é uma forma de as empresas chineses burlarem restrições antidumping que vêm sofrendo. Algumas chegam a falsificar a origem dos produtos. "Em calçados, esse movimento é mais claro. É só olhar os números do Vietnã. Muitas empresas só abrem uma fábrica de fachada no país e colocam o cadarço. Todo o resto é feito na China", diz. Os chineses, que representavam 67% de todas as exportações de calçados para o Brasil nos oito primeiros meses de 2007, viram o número cair para 21,9% no mesmo período deste ano. Já Vietnã e Indonésia, somados, saíram de 21,3% do total de exportações, há quatro anos, para 58,3% nos dias atuais. O setor têxtil, que abrange maior variedade de produtos, vê uma penetração maior de países do Leste Asiático, mas uma China também em ascensão. A Indonésia, quarta exportadora, cresceu 19% (US$ 219 milhões), a Tailândia, 29,7% (US$ 66,7 milhões) e o Vietnã 34,7% (US$ 38,3 milhões). Em comparação com 2007, esses três países somados aumentaram de 17,3% para 29,1% a fatia no total importado pelo Brasil em têxteis. Os chineses, com R$ 1,13 bilhão em vendas ao Brasil, seguem na liderança, com 35,5% do total, ante 27,2% há quatro anos. Três fatores explicam a entrada dos asiáticos no mercado brasileiro: a estratégia das grandes varejistas, o aumento gradativo da massa salarial e câmbio favorável. Para Bráulio Borges, economista-chefe da LCA, os varejistas se aproveitam da mudança de eixo na produção. "Lojas como Marisa, Riachuelo e Pernambucanas terceirizam a produção, que está migrando para o Leste Asiático", afirmou. "Esses países estão se beneficiando do enriquecimento chinês, que encarece a mão de obra intensiva do país." A indústria brasileira, segundo ele, não tem como competir com a legislação trabalhista mais frouxa desses países, os salários mais baixos e o real valorizado. "Para esses setores ficarem competitivos, o dólar teria que estar perto de R$ 3,50, o que é impensável", diz Borges. Domingos Mosca, da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), se mostra otimista em relação à a recuperação das empresas brasileiras. "O novo patamar que o dólar deve atingir, de R$ 1,80, vai trazer mais competitividade." |
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Estoques ficam acima do previsto em quase 80% dos setores industriais
| Autor(es): Sergio Lamucci |
| Valor Econômico - 24/08/2011 |
A acumulação de estoques pela indústria acelerou-se em julho, apontando para uma produção fraca do setor nos próximos meses, a exemplo do que já ocorreu no segundo trimestre. O indicador da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que compara o inventário efetivo com o planejado pelas empresas subiu de 53 pontos em junho para 53,9 pontos no mês passado. Quando o índice está acima de 50, a leitura é de que ele ficou acima do volume programado pelos empresários. Os números da CNI mostram ainda que o acúmulo de estoques excessivos é generalizado, uma vez que 20 dos 26 segmentos da indústria pesquisados registraram um número superior a 50 pontos - em junho, eram 17. O gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, vê o aumento da participação dos produtos importados no mercado interno como um dos principais motivos para o acúmulo de estoques indesejados. A demanda, ainda que em desaceleração, segue num ritmo de crescimento razoável, como mostram as vendas no varejo ampliadas, que reúnem veículos e autopeças e material de construção. De janeiro a junho, elas cresceram 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado - nesse intervalo, a produção industrial avançou apenas 1,7%. Segundo Castelo Branco, a indústria está perdendo uma oportunidade importante de crescimento, por não conseguir aproveitar o aumento da demanda. O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, também aponta a concorrência feroz com os bens estrangeiros como o responsável por esse acúmulo indesejado de estoques. "Não é por falta de demanda que os estoques estão em alta", diz Gonçalves, também professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. "O problema é o câmbio, que está muito valorizado." Castelo Branco também diz que a dificuldade em exportar ajuda a explicar a acumulação de inventários excessivos. O próprio crescimento da atividade econômica um pouco mais fraco do país neste ano também contribui para esse processo, num cenário marcado pela elevação dos juros e pelas medidas de restrição ao crédito, acredita ele. Setores que têm sofrido muito com a concorrência externa são os exibem estoques mais elevados na pesquisa da CNI. É o caso da indústria têxtil, de calçados e de máquinas e materiais elétricos. O indicador do setor de calçados, por exemplo, atingiu 61 pontos em julho, acima dos 58,1 de junho, mesmo com a utilização de capacidade instalada no setor bastante abaixo do usual, em 40,3 pontos - o nível considerado normal é 50. No setor têxtil, o índice caiu de 59,2 em junho para 58,4 pontos no mês passado, ainda assim um número alto. No caso de máquinas e materiais elétricos, houve alta de 53,9 para 56,1 pontos. Outros segmentos com grande peso na indústria também têm inventários acima do planejado, como o de alimentos e químico. Todos esses números indicam que as perspectivas para a produção industrial nos próximos meses estão longe de ser favoráveis. "O quadro sugere um enfraquecimento da produção até que os estoques acima do planejado sejam ajustados", diz Castelo Branco. Para ele, a indústria no terceiro trimestre deve ter um comportamento parecido ao do trimestre anterior. De abril a junho, a produção industrial recuou 0,7% em relação aos três meses anterior, feito o ajuste sazonal. Gonçalves também vê um período pouco promissor para o segmento no resto do ano, projetando expansão de 3,3% para a indústria em 2011 - em 2010, a alta foi de 10,5%. Há quem esteja amais pessimista, como a LCA Consultores, que projeta expansão de 2,5%. O indicador da CNI para o setor de veículos ficou em 50 pontos em julho, acima dos 48,2 de junho, mas no nível considerado dentro do planejado pelas empresas. Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), contudo, mostraram que os inventários fecharam o mês passado em 367,1 mil unidades, 25 mil a mais que no mês anterior, no nível mais alto da história. |
Emprego industrial já mostra sinais de enfraquecimento
| Autor(es): Sergio Lamucci |
| Valor Econômico - 24/08/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/8/24/emprego-industrial-ja-mostra-sinais-de-enfraquecimento |
O emprego na indústria dá sinais de enfraquecimento, especialmente nos setores que mais sofrem com a concorrência do produto importado e em que há mais dificuldades para exportar. De janeiro a junho, a ocupação total subiu 1,9% em relação ao mesmo período de 2010, mas há setores em que há queda do nível de emprego ou criação muito pequena de postos de trabalho, segundo números da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do IBGE. No setor de vestuário, a ocupação no primeiro semestre caiu 3,1%, no de calçados e couro, 2%, e no de madeira, 7,8%. No setor têxtil, há uma alta de apenas 0,8%, depois do crescimento de 6,4% em 2010. No setor de produtos químicos, o aumento é mínimo, de 0,2% no primeiro semestre. Termômetro do emprego formal no país, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra perda de fôlego das contratações na indústria, mas o saldo no acumulado do ano é positivo, mesmo em setores como têxtil, vestuário e calçados. A tendência, porém, também é de enfraquecimento. Ampliar imagem Para o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Gomes de Almeida, os números são preocupantes e revelam a perda de espaço de alguns setores da produção nacional para os produtos importados, num cenário de câmbio ultravalorizado. Ele diz que, hoje, as importações mais substituem do que complementam a fabricação doméstica. Um caso típico é o setor têxtil, cuja produção caiu 12,5% no primeiro semestre, período em que o volume importado subiu 21,8%, de acordo com números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Almeida também observa que a dificuldade em exportar também atrapalha esses setores, afetando a produção, o que já começa a ter consequências sobre o emprego. De janeiro a junho, o volume exportado de produtos têxteis recuou 29,1%. Situação semelhante ocorre no setor de madeira, que viu o nível de emprego encolher quase 8% no primeiro semestre. Nesse período, as importações cresceram 22,1%, enquanto as exportações recuaram 4%. Para Almeida, o câmbio valorizado, em combinação com a elevada carga tributária e os problemas de infraestrutura, tem afetado duramente a competitividade da indústria manufatureira. O economista Edgard Pereira, sócio da Edgard Pereira & Associados (Edap), acredita que a perda de espaço para o importado tem mais importância para explicar o enfraquecimento do emprego na indústria do que o mau resultado das exportações. Ele prevê crescimento de 2,8% para a produção industrial, uma expansão na casa de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) e um avanço de 6,7% para o comércio varejista. "O varejo, um componente importante da demanda doméstica, cresce mais do que o PIB, que cresce mais do que a indústria. A diferença é suprida pelas importações", afirma ele, também professor da Unicamp. Para Pereira, a própria desaceleração da economia também contribui para o menor dinamismo do emprego na indústria. A demanda doméstica ainda cresce a um ritmo razoável, mas inferior ao do ano passado. As vendas no varejo, por exemplo, tiveram crescimento superior a dois dígitos em 2010, e agora terão alta mais modesta. Almeida e Pereira acreditam que o emprego total na indústria, que aumentou 1,9% no primeiro semestre, deverá fechar o ano no zero a zero. Em 2010, houve expansão de 3,4%. A Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV) de julho mostrou um quadro desanimador para o segmento, com um recuo expressivo da fatia de empresas que pretendem fazer novas contratações nos próximos três meses. Em junho, 30,2% das companhias planejavam aumentar o número de funcionários, percentual que caiu para 23,7% em julho, o menor desde agosto de 2009 - a parcela das que pretendem demitir caiu de 11,3% para 9,9% na mesma comparação. Há segmentos da indústria que ainda mostram um crescimento expressivo do nível de emprego, como o de meios de transporte (que engloba as montadoras). No primeiro semestre, a ocupação cresceu quase 8% - em 2010, houve alta de 5,9%. Apesar do forte aumento das importações, é um segmento em que a produção doméstica ainda vai bem e consegue abastecer boa parte do consumo interno. A fabricação de veículos automotores cresceu 6,2%, mesmo com aumento de 18,8% das importações. As exportações, por sua vez, subiram 9,6%. [as únicas multinacionais que o regime militar enraizou.] No Caged, a história é um pouco diferente. De janeiro a julho, todos os setores da indústria ainda registram saldo positivo entre contratados e demitidos. No total da indústria, foram criados 288 mil postos de trabalho de janeiro a julho, 37% abaixo do registrado em igual período de 2010. Fabio Romão, da LCA Consultores, nota que o saldo de emprego é positivo, mas mostra perda de força. Os setores têxtil e vestuário, que aparecem agregados no Caged, criaram 15 mil postos de emprego formais de janeiro a julho, 73,8% a menos que no mesmo intervalo de 2010. Em julho, o saldo líquido nos dois segmentos foi positivo em apenas 334 vagas - em junho, tinha havido queda de 296 postos de trabalho. O setor de calçados, por sua vez, gerou 18,3 mil empregos formais de janeiro a julho, 56,7% a menos que em igual intervalo de 2010. Em maio e junho, as demissões superaram as contratações. Na soma dos dois meses, houve perda de 5,1 mil vagas - em julho, porém, houve aumento de 3,7 mil empregos. Para Romão, uma possível explicação para as diferenças entre os números do Caged e da Pimes, do IBGE, é que o primeiro registra apenas a evolução do emprego formal, enquanto o segundo também retrata o que se passa no mercado informal. Segundo ele, embora o grau de formalização do emprego na indústria seja elevado, esse ponto pode levar a alguma diferença no resultado final. Romão diz ainda não ver contradição entre os números do Caged e os do IBGE. Os dois mostram uma piora do emprego industrial, que se deve, para ele, à concorrência do importado e à própria queda da demanda. Almeida faz uma avaliação parecida. Os resultados são um pouco diferentes, mas retratam a mesma tendência. |
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Déficit do setor têxtil cresce 43% até junho
| Autor(es): Vanessa Dezem | De São Paulo |
| Valor Econômico - 19/07/2011 |
Desempenho: Abit registra importações de US$ 2,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 31,7% sobre 2010 Pressionada pelo avanço das importações, principalmente provenientes da China, a indústria têxtil e de confecção encerrou o primeiro semestre com déficit no patamar de US$ 2,260 bilhões, um avanço de 43,2% frente ao déficit registrado no período de janeiro a junho do ano passado.Segundo dados divulgados ao Valor pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), as importações somaram US$ 2,966 bilhões, frente aos US$ 2,253 bilhões verificados um ano antes. A entrada de produtos têxteis estrangeiros no Brasil marcou, deste modo, um crescimento de 31,7%. As exportações, por sua vez, subiram apenas 4,7%, para US$ 706,3 milhões. "Nosso déficit caminha para o patamar de US$ 5,5 bilhões a US$ 6 bilhões em 2011. O mercado interno brasileiro está sendo entregue para a China", afirma o presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho. No ano completo de 2010, o déficit da indústria alcançou US$ 3,5 bilhões. Em termos de volume, a balança comercial do setor têxtil ficou deficitária em US$ 449,8 mil toneladas, um aumento de 8,3% frente ao primeiro semestre de 2010. O volume de importações somou 587,9 mil toneladas, alta de 5,4%, enquanto as exportações totalizaram 138,1 mil toneladas, com recuo de 3,2%. Os números negativos da balança comercial do setor tem sido acompanhados pela queda na produção. Dados da Abit revelam que, de janeiro a maio, a produção na indústria de vestuário e confecção recuou 0,35%, enquato o segmento têxtil apresentou perda de 11,9% na produção. Mas os resultados do varejo de confecção não seguem o mesmo caminho. Nos cinco primeiros meses do ano, esse segmento na ponta do consumo avançou 6,86%. A continuidade no crescimento da demanda final mostra que a queda na produção da indústria têxtil não tem necessariamente correlação com possível desaceleração do consumo total no país - diante das medidas de controle inflacionário adotadas pelo governo. "Os produtos chineses estão substituindo os nacionais, claramente", conta Diniz Filho, enfatizando que as empresas estão ajustando a produção à queda na demanda por produtos brasileiros. Os efeitos no emprego também têm sido fortes. Ao todo, o setor emprega 1,7 milhão de funcionários diretos. Entre janeiro e maio, foram criados 16 mil novos empregos, enquanto no mesmo período do ano passado, tinham sido criadas 45 mil novas vagas. Há expectativas de que a situação do setor, por outro lado, possa melhorar. O governo está prestes a divulgar um pacote de medidas de incentivos fiscais para a indústria brasileira, que incluirá os setores mais abalados pelas importações e pela queda na competitividade. Desse pacote, a Abit espera principalmente uma redução da carga tributária na folha de pagamentos e menores encargos sobre investimentos e exportações. "Esperamos uma política de fortalecimento da confecção, que é o elo mais fraco da cadeia", afirma Diniz Filho. Ele destaca, no entanto, que se preocupa com a burocracia das medidas. "Esse é o terceiro plano desde o governo Lula. Tem que ser pouco burocrático", completa. O executivo espera uma recuperação do setor no segundo semestre. Para 2011, as projeções da Abit apontam para leve queda no faturamento que, no ano passado, somou US$ 90 bilhões. |
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Coteminas faz parceria e cria empresa no setor agrícola
| Autor(es): Fabiana Batista | De São Paulo |
| Valor Econômico - 10/05/2011 |
De olho na crescente demanda mundial por alimentos e na força do Brasil como produtor de grãos, a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), uma das maiores indústrias têxteis do país, decidiu entrar no ramo agrícola. A empresa anunciou ontem a criação da Cantagalo General Grains S.A., com foco na produção de grãos e algodão em larga escala, e da subsidiária de comercialização CGG Trading S.A., que será responsável pela comercialização desses produtos. Ambas já operam. Apesar de ser a controladora, a Coteminas não está sozinha na empreitada. Sua participação no negócio é de 30%. A Encorpar, holding da família controladora da Coteminas, a Gomes da Silva, detém 20%, e os demais 50% estão divididos em cotas iguais entre dois sócios estratégicos. O aporte inicial no projeto não foi revelado, mas fontes do mercado informam que foi de cerca de R$ 500 milhões. Um dos sócios estratégicos é a Agrícola Estreito, controlada pelo empresário Paulo Roberto Moreira Garcez, que tem longa experiência no setor. Há dez anos fundou a trading Multigrain, com foco em vendas de grãos, cereais e fibras, e sempre foi seu principal executivo. Ontem, Garcez informou que concluiu a venda, por US$ 49 milhões, dos 10% que ainda detinha da Multigrain para a japonesa Mitsui - que passou a controlar 98,1% da trading porque adquiriu uma fatia de 45% que estava nas mãos da americana CHS Inc., por US$ 225 milhões, em transação também anunciada ontem. Em 2009, a Multigrain faturou R$ 1,6 bilhão. O outro sócio da Coteminas na aposta no campo é a GFN Agrícola e Participações S.A, que tem como principal acionista o produtor rural gaúcho Vilson Vian, há mais de duas décadas radicado em Mato Grosso. Vian também foi parceiro da trading argentina El Tejar em projetos agrícolas em Mato Grosso. Conforme Ricardo dos Santos Júnior, conselheiro da Coteminas e agora também da Cantagalo, a nova empresa nasce com 151 mil hectares de terras próprias distribuídas nos Estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Piauí. A meta, diz, é quase dobrar a atual carteira de terras próprias por meio de aquisições. "Arrendar não está na nossa estratégia. Acreditamos no modelo baseado em áreas próprias", afirma o executivo. "O mercado está diante de um parecer da AGU [Advocacia Geral da União] que restringe compra de terras por estrangeiros. Nossa empresa é 100% de capital nacional". Apesar de não se definir como uma empresa também do ramo imobiliário, a Cantagalo pode, se houver boas oportunidades financeiras, vender algumas terras, desde que outra com área equivalente seja adquirida em seguida, explica Santos Júnior. Da área inicial de 151 mil hectares, em torno de 50 mil já estão sendo preparados para o cultivo de grãos e algodão na safra 2011/12. No ciclo seguinte (2012/13), a área de plantio deverá evoluir para algo próximo a 110 mil hectares, de acordo com Alexandre Von Erlea, diretor comercial da CGG Trading. O ambicioso projeto agrícola deverá, segundo as previsões da empresa, resultar em um faturamento de cerca de US$ 1,5 bilhão já em 2012. Será o primeiro ano completo de atuação da empresa e a expectativa é movimentar, no total, 2,5 milhões de toneladas de produtos agrícolas, diz Von Erlea. Em 2016/17, quando a Cantagalo prevê movimentar cerca de 7 milhões de toneladas de commodities agrícolas, a expectativa é que a receita anual alcance entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, conforme Von Erlea. Santos Júnior esclarece que parte dos volumes movimentados pela trading CGG virão da produção própria da Cantagalo, mas que a maior parte virá de terceiros. Segundo o executivo, a trading poderá ou não negociar a produção da Cantagalo. Tudo dependerá das vantagens que ambas terão com a transação. |
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Alimentos recuam e inflação cresce em bens consumo
| Autor(es): João Villaverde | De São Paulo |
| Valor Econômico - 05/05/2011 |
Depois de pressionar a inflação e "obscurecer" o papel da demanda interna no aumento de preços, a redução nas cotações das commodities agrícolas retirou a pressão sobre os alimentos, e, já em março, foram os fabricantes de bens de consumo quem puxaram a alta de preços. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) para a indústria de transformação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 0,39% entre fevereiro e março, mas os antigos "vilões", os fabricantes de produtos alimentícios, reduziram seus preços em 0,6% no período. Pesquisado na "porta de fábrica", segundo o próprio IBGE, o IPP trabalha com os preços cobrados pela indústria antes de impostos e fretes, e antes da venda ao atacadista. Assim, serve de termômetro de preços dos bens que chegarão, na ponta, ao consumidor. A partir do dado de março, divulgado ontem, são fabricantes de bens como têxteis, vestuário, calçados e produtos químicos quem puxam a inflação. Trata-se, segundo os economistas, de uma prévia do que será captado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a partir deste mês. "A inflação brasileira já era puxada pela demanda interna aquecida desde o início do segundo semestre do ano passado, mas como os alimentos ficavam muito mais caros, devido ao contágio externo das commodities, era difícil convencer", diz Thiago Curado, economista da Tendências Consultoria. "Agora, veremos o contrário, quer dizer, serão os alimentos que ajudarão a conter altas mais fortes da inflação", diz. No primeiro trimestre, o contágio das commodities ainda é muito claro, mas não entre os alimentos. Os fabricantes de produtos têxteis aumentaram seus preços em 9,5% entre janeiro e março, influenciando também o reajuste de 3,1% entre os produtores de vestuário em igual período. Mas boa parte desses reajustes foram consequência da forte elevação nos preços do algodão na Bolsa de Valores de Chicago (EUA), onde as cotações de commodities são negociadas. Nos 12 meses terminados em abril, a cotação do algodão aumentou 135% no mercado internacional. [justamente... a pressão inflacionária mudou apenas aparentemente sua fonte altista: ainda são os especuladores da agropecuária. Descarta-se, com isso, os salários como fator de pressão. É relevante, na medida em que os salários são pagos sempre abaixo do montante de mercadorias disponíveis, diria como regra, e, assim, não se lhe podem atribuir o estopim dos aumentos de preços, mas sua viabilidade, sua cega extensão.] Outros itens, como calçados e artigos de couro, acumularam alta de 3,9% nos primeiros três meses do ano, puxados principalmente pela elevação de 1,8% entre fevereiro e março. A Tendências estima que o IPCA registrará avanços mais fracos em maio e junho, de 0,42% e 0,15%, respectivamente, tendo os alimentos como principais "ajudantes" - segundo a consultoria, a variação do item alimentos no IPCA será de 0,35%, em maio, e 0,03%, em junho. "O item alimentos e bebidas só não ficará negativo porque a alimentação fora de domicílio continuará ficando mais cara", avalia Curado, "justamente porque este item depende da demanda, que continua acelerada". Segundo Tatiana Pinheiro, especialista em inflação do Santander, a queda nas cotações das commodities pode reverberar no IPCA por até cinco meses, o que deve, segundo ela, deixar evidente a influência da demanda por detrás das elevações de preços. "A despeito da desaceleração encomendada que o IPCA terá entre maio e julho, devido à baixa nos alimentos, a inflação nos 12 meses continuará elevada, porque deixaremos o passado benigno de meados de 2010 para trás", avalia Tatiana. "E as negociações salariais, que em sua maioria repõem a inflação e ainda colocam um ganho real, serão uma injeção no consumo e, consequentemente, uma chancela à indústria, que poderá reajustar seus preços." A competição com importados, que incomoda menos os fabricantes de bens de consumo não duráveis, como alimentos e bebidas, influenciou os recuos de 0,5% nos bens produzidos pelo setor metalúrgico e 0,6% nos preços de máquinas e equipamentos. O segmento de bens de capital é o segundo que mais importou no ano - US$ 14,4 bilhões, entre janeiro e abril, menos apenas que os US$ 30 bilhões importados em matérias-primas e bens intermediários. |
Índice de commodities registra queda de 1,64%
| Autor(es): Fernando Travaglini | De Brasília |
| Valor Econômico - 05/05/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/5/indice-de-commodities-registra-queda-de-1-64 |
O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), indicador do Banco Central (BC) que mede a variação dos preços no mercado externo, apresentou queda de 1,64% em abril, para 170,69 pontos, diante de 173,55 no mês de março. Foi a primeira queda do índice desde junho do ano passado. Nos últimos 12 meses, o IC-Br apresentou elevação de 36,43%. No ano, o a alta acumulada é de 7,87%. O indicador do BC, criado no ano passado, apresenta a parcela das variações de preços das commodities nos mercados internacionais que tem influência direta na inflação doméstica. O IC-Br é composto por três segmentos de preços: agropecuários, metálicos e energéticos. Em abril, a única variação positiva veio do setor energético. Os preços apresentaram alta de 1,28%, com elevação de 9,88% no ano, decorrência direta dos problemas políticos dos países árabes. Já as commodities metálicas voltaram a cair, 1,38%, pelo segundo mês consecutivo. Os preços das commodities agropecuárias no mercado externo caíram 2,91%, depois de terem ficado praticamente estáveis em março. No ano, essa parcela do indicador registra alta de 8,73%. Em 12 meses acumula 57,21%. O choque de preços externos é um dos fatores que pressionam a inflação doméstica. Somente no segundo semestre de 2010, o IC-Br apresentou alta de 29,7%, entre julho e dezembro de 2010. Boa parte dessa variação foi transferida para os preços de bens e serviços negociados no mercado interno. |
terça-feira, 3 de maio de 2011
Alta do algodão e queda no consumo param tecelagens
| Autor(es): Júlia Pitthan | De Florianópolis |
| Valor Econômico - 02/05/2011 |
A alta nos preços do algodão e a retração da demanda no mercado interno levaram empresas do setor têxtil a reduzir o ritmo de produção e até paralisar parcialmente as atividades em Santa Catarina. A matéria-prima começou a subir em agosto e atingiu o pico de alta de 148% no dia 7 de março, quando foi negociada a US$ 2,14 a libra-peso. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), a produção têxtil de janeiro e fevereiro de 2010 caiu 7,12% em comparação com o ano anterior. Por outro lado, no mesmo período, o setor de vestuário teve alta de 9,62% em volume de fabricação. Segundo a Abit, o encarecimento do algodão representou dificuldades para o setor como um todo, mas, sobretudo, às empresas de pequeno e médio porte. Em comunicado, a entidade admitiu que o cenário levaria as empresas a diminuir o ritmo de operações e, fatalmente, redução nos quadros de pessoal. De janeiro a março de 2011 foram criadas 10.386 vagas na indústria têxtil, menos da metade do mesmo período do ano passado, quando foram registradas a abertura de 26.069 vagas. O grupo Rovitex, fabricante de fios, malhas e confecções, irá conceder férias coletivas a 310 trabalhadores a partir de quinta-feira. Segundo o diretor industrial da companhia, Vitor Luis Rambo Junior, a fiação ficará parada por 20 dias. A Rovitex possui cinco unidades de produção, todas em Santa Catarina. Além da matriz, em Luiz Alves, e fábricas em Blumenau, Ituporanga, Agrolândia e Campos novos, a empresa controla a Incofios, em Indaial. Segundo o site da empresa, a fiação tem 35 mil metros quadrados de área construída e capacidade para fabricar 920 mil toneladas por mês de fios. O grupo tem 1,9 mil funcionários no total, dos quais 310 entrarão em férias. Segundo o diretor, a alta do preço do algodão teve impacto sobre a produção. "O mercado acaba não absorvendo todo o reajuste", avalia Junior. A capacidade instalada da Rovitex é de fabricação de 1,2 mil toneladas por mês. Em Brusque, a fabricante de artigos de cama, mesa e banho Buettner mantém parada, desde fevereiro, a fiação. Segundo seu presidente, João Henrique Marchewsky, a companhia deixou de comprar algodão em virtude do aumento dos preços, sentido desde agosto do ano passado. De acordo com Marchewsky, a Buettner produzia cerca de 500 toneladas por mês de fios. O primeiro trimestre de 2011 apresentou sinais de retração na produção da empresa. Segundo o presidente, o volume acumulado dos três primeiros meses do ano é equivalente a 40% do que foi produzido no mesmo período do ano passado. Além da dificuldade em negociar matéria-prima a preços mais baixos, a empresa sentiu reflexos na retração da demanda. Marchewsky avalia uma queda de 20% nos pedidos no começo de 2011 em relação a 2010, mas mantém o otimismo para a segunda metade deste ano. "Os preços do algodão começam a cair e há perspectiva de retomada da produção em maio", disse. Na última semana de abril, trabalhadores da Buettner fizeram uma paralisação com apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil de Brusque e Região em virtude do atraso no pagamento dos salários de março. Marchewsky informou que o pagamento deve ser normalizado a partir desta primeira semana de maio. De acordo com os dados mais recentes informados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Buettner teve uma receita de R$ 109,1 milhões em 2010, pouco abaixo dos R$ 128,9 milhões em vendas registradas em 2009. O ano passado, no entanto, representou à companhia um prejuízo de R$ 60,4 milhões. A Teka fabricante de itens de cama, mesa e banho de Blumenau, reduziu em 25% a produção, em média, em suas quatro fábricas. Segundo Marcello Stewers, vice-presidente da companhia, a redução das atividades se concentra nas áreas de fiação e na tecelagem. O executivo diz que a estratégia foi combinar a compra de fio e tecido no mercado interno para contornar o aumento dos preços do algodão. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil de Blumenau, parte dos trabalhadores estaria em casa, com dispensa remunerada, em virtude da paralisação das atividades da Teka. Segundo Stewers, a questão foi contornada e os funcionários já voltaram todos às atividades. O vice-presidente diz que a empresa sentiu uma queda de 20% a 25% na demanda do mercado no começo do ano. Com a resistência dos preços do algodão, o varejo começou a absorver os repasses da alta dos preços. Segundo Stewers, a perspectiva é de retomada a partir de maio, com cerca de 87% da carteira de pedidos tomada. Em 2010, a Teka apresentou receita de R$ 327,5 milhões, com crescimento sobre os R$ 279,5 milhões do ano anterior. Apesar do aumento das vendas, o período representou à companhia um prejuízo de R$ 138,3 milhões. |
Safra promete grandes volumes para o segundo semestre
| Autor(es): Fabiana Batista | De São Paulo |
| Valor Econômico - 02/05/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/2/safra-promete-grandes-volumes-para-o-segundo-semestre |
A situação de aperto pela qual passa o setor têxtil deve melhorar a partir do segundo semestre deste ano, quando entram os volumes da nova safra de algodão. O Brasil deve ter uma safra recorde da pluma. A estimativa da Conab - Companhia Nacional de Abastecimento - é de uma produção de 2,027 milhões de toneladas na temporada 2010/11, 69,8% maior do que o registrado no ciclo 2009/10, que foi marcado por problemas climáticos e quebra de produção. O crescimento da oferta é resultado do aumento da área de plantio, puxado por preços recordes da pluma no mercado internacional. A área plantada no país na safra atual, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foi de 1,36 milhão de hectares, 62% maior do que os 835 milhões de hectares registrados na temporada anterior. As previsões estão cada vez mais próximas de se confirmar. Faltando de 40 a 50 dias para o início da colheita, os produtores de algodão do Brasil respiram aliviados porque a maior parte da produção está fora de risco climático.O presidente da Abrapa, Sérgio de Marco, explica que praticamente toda a safra principal, cultivada até dezembro, foi beneficiada pelas chuvas abundantes que ocorreram até 5 de abril e, por isso, o risco climático daqui até o início da colheita é praticamente nulo. A incerteza ainda recai sobre uma área de cerca de 77 mil hectares de Mato Grosso, com plantio mais tardio, que enfrenta falta de chuvas. Há cerca de 15 ou 20 dias não há precipitações nessa área plantada mais tardiamente, explica de Marco. "Essa lavoura precisa de chuva até 10 de maio". Se a chuva não vier, parte da produção de Mato Grosso será afetada. O Estado, maior produtor nacional da pluma, semeou uma área total de 708 mil hectares de algodão na safra atual, aumento de 64% em relação aos 428,1 mil hectares cultivados na temporada anterior. É difícil estimar perdas caso a esperada chuva não venha. No entanto, o dirigente não vê riscos de as perdas comprometerem a entrega dos contratos de venda antecipada fechados até agora. "Já estamos na etapa final da safra. Não vejo grandes problemas à frente", diz. Segundo estimativas da Abrapa, em torno de 80% da colheita esperada, de 2,027 milhões de toneladas da pluma, já estão comercializadas, o que significa algo próximo de 1,621 milhão de toneladas. Desse total, em torno de 700 mil toneladas devem ser exportadas, segundo de Marco, volume recorde. O mercado interno deve consumir em torno de 1,1 milhão de toneladas de pluma nesta safra. O executivo da Abrapa explica que, para não repetirem a dificuldade de obtenção de matéria-prima registrada neste primeiro semestre, as indústrias têxteis e de fiação fizeram boa parte de suas compras de algodão de forma antecipada, ou seja, antes da colheita. |
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