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terça-feira, 21 de agosto de 2012

China injeta 220 bilhões de yuans no mercado monetário



21 de agosto de 2012 | 10h 26
AE - Agencia Estado
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,china-injeta-220-bilhoes-de-yuans-no-mercado-monetario,123878,0.htm

XANGAI - O Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) injetou 220 bilhões de yuans (US$ 34,7 bilhões) no mercado monetário por meio de acordos de recompra reversa oferecidos em sua operação regular no mercado aberto desta terça-feira, dando continuidade aos esforços para impulsionar a economia chinesa.

Em um comunicado, o PBOC informou que ofereceu 150 bilhões de yuans em recompra reversa de sete dias, à taxa de 3,40%, acima de 3,35% na semana passada, e 70 bilhões de yuans em recompra reversa de 14 dias, à taxa de 3,60%, igual à oferecida na semana passada. A injeção de liquidez de hoje soma-se aos 916 bilhões de yuans em recompra reversa oferecidos pelo PBOC nas últimas oito semanas.
O PBOC realiza operações no mercado aberto toda terça e quinta-feira, oferecendo títulos e acordos de recompra para controlar a liquidez no mercado monetário. Nesta semana vencem 33 bilhões de yuans em títulos e acordos de recompra e 120 bilhões de yuans em acordos de recompra reversa. As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Títulos do Tesouro dos EUA: 1880 - 2012




BCs compram volume recorde de ouro no trimestre



Valor Econômico - 17/08/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/17/bcs-compram-volume-recorde-de-ouro-no-trimestre
 

A demanda global por ouro no segundo trimestre do ano somou 990 toneladas, uma queda de 7% sobre igual período do ano passado e 10% menos do que o registrado nos três primeiros meses de 2012. Mas a fraca procura do setor de joias e de tecnologia foi compensada pele firme demanda dos bancos centrais.
Segundo a World Gold Council (WGC), que compila os dados, as reservas do setor oficial, que inclui BCs e outros agentes oficiais, subiram em 157,5 toneladas, a maior compra trimestral desde o segundo trimestre de 2009, quando o grupo passou a ser comprador líquido de ouro. O segmento representou 16% da demanda do trimestre.
O montante comprado no período representa mais que o dobro das 66,2 toneladas adquiridas pelos BCs entre abril e junho de 2011. E durante o primeiro semestre, a reserva de ouro nos BCs cresceu em 254,2 toneladas, ante 203,2 toneladas nos seis primeiros meses de 2011.
De acordo com a organização, a compra continuou concentrada entre os bancos centrais de países em desenvolvimento e reflete a necessidade de diversificação de reservas.
"Isso nos sugere que suas reservas de ouro terão de continuar aumentando para manter uma alocação proporcional à acumulação de reservas via compra de moedas estrangeiras", diz a World Gold Council.
A China e a Índia continuam dominando o mercado consumidor, respondendo por 45% do total de joias, moedas e barras de ouro. "Assim sendo, a demanda global é fortemente influenciada pelos movimentos nesses dois países", diz o relatório.
Na Índia, a queda de demanda para joias e investimentos foi de 38% no trimestre, para 181,3 toneladas. A organização aponta que a demanda foi barrada pelo preço recorde do metal no mercado local, reflexo de uma forte desvalorização da rúpia. Na China, o menor ritmo de crescimento e preços sem tendência explicam a queda de 7,4%, para 145 toneladas na demanda por ouro.
A procura do metal como investimento, que considera barras, moedas, fundos de investimento (ETFs) e outros produtos similares, recuou 23% no segundo trimestre para 302 toneladas.
Mas tirando a China e a Índia da conta, a demanda por ouro como investimento pelos consumidores de varejo cresceu 16% no trimestre para 195 toneladas.
"Os investidores europeus responderam por boa parte desse crescimento, conforme a crise na zona do euro reforça o papel do ouro como reserva de capital e como um investimento seguro", diz o relatório.
A demanda europeia por barras de ouro e moedas subiu 15% no trimestre, somando 77,6 toneladas. A Alemanha foi destaque, com aumento de 51% na procura pelo metal, para 11,6 toneladas.

domingo, 22 de abril de 2012

Campeão escolhido


Míriam Leitão - Míriam Leitão
O Globo - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/campeao-escolhido
 

O grupo que é exemplo da política do BNDES de formar campeões nacionais mantém mais emprego nos Estados Unidos do que no Brasil e deu prejuízo em três dos últimos cinco anos. O presidente do JBS, Joesley Batista, explica que as vantagens da globalização de grupos nacionais vão do prestígio à abertura de mercado. A companhia já fechou quatro das cinco empresas que comprou na Argentina.
O banco colocou uma montanha de recursos em frigoríficos. Fez isso de duas formas: emprestando dinheiro subsidiado, via BNDES, e virando sócio das empresas, por meio do BNDESPar. Desde 2005, o BNDESPar investiu quase R$ 12 bilhões em três frigoríficos - JBS, Marfrig e BRF - na compra de ativos, subscrição de ações e aquisição de debêntures. O JBS, escolhido para ser o campeão nacional, ficou com a maior parte, R$ 8,1 bi. Em empréstimos, a empresa recebeu mais R$ 2,5 bi. Os números mostram como o BNDES incentivou a compra de uns por outros e aumentou a concentração no setor.
Em uma controversa operação, o dinheiro público foi usado para comprar 99,9% de debêntures lançadas pelo JBS para financiar a compra da Pilgrim"s Pride, nos Estados Unidos. A exigência feita pelo banco foi que a empresa abrisse capital no mercado americano. Veio a crise, e ela não cumpriu o prometido. O banco então converteu as debêntures em ações, e hoje é dono de 31% do JBS que, no ano passado, deu prejuízo exatamente pela compra da Pilgrim"s Pride. O Estado é o segundo maior sócio, depois da família Batista, que tem 44,6%:
- Uma coisa eu posso garantir a você, o BNDES nunca colocou dinheiro no JBS para salvar a empresa, ao contrário do que aconteceu com Aracruz, Sadia e outras na crise de 2008. O prejuízo é parte do processo de consolidação. Somos especializados em comprar empresas deficitárias, que administradas por nós dão lucro. No primeiro momento, o resultado é negativo mesmo - disse Joesley.
Em março de 2007, quando a empresa abriu capital, a ação valia R$ 7,9. Na sexta-feira, valia R$ 7,6. O banco aumentou sua participação no momento em que o grupo adquiria mais ativos, como o frigorífico Bertin, e expandia para novas áreas. No mesmo período, as ações caíram. Chegaram a valer R$ 3,5 em outubro do ano passado. Joesley Batista acha natural que o banco público seja um dos donos da sua empresa:
- O BNDES é meu sócio há três anos e é sócio da Weg há 30 anos.
Os dados do JBS mostram uma evolução explosiva dos ativos e um crescimento grande da dívida. Pelos dados da Economática, a empresa tem uma dívida líquida sobre patrimônio líquido de 65%. A dívida bruta sobre patrimônio líquido é de 95%. Em 2011, houve prejuízo de US$ 496 milhões com a unidade de frango nos Estados Unidos, e foi justamente isso deixou o grupo no vermelho no ano.
Nos EUA, o JBS é uma potência. Segundo ele, lá o grupo tem um milhão de cabeças de gado em confinamento. Este ano, engordará 2,2 milhões de cabeças. Compra 1.300 carretas de milho por dia, é o maior comprador de milho americano. Tem 70 mil empregados, 10 mil a mais do que no Brasil. Abate oito milhões de frango por dia:
- Quando o Mauro, embaixador brasileiro, pede uma audiência com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, ele atende porque a nossa empresa é o que é na economia americana. De lá, eu consigo alcançar mercados que não recebem carne brasileira. Foi porque estamos nos Estados Unidos é que começamos a exigir a elevação do preço para a nossa carne.
Ele diz que a empresa aprende na comparação entre as duas economias:
- Lá, para abater 6.000 cabeças eu preciso de três mil funcionários; aqui, preciso de seis mil. A produtividade lá é o dobro. A nossa indústria é muito primitiva. Lá, eu tenho cinco advogados; aqui, tenho 50. Lá, eu tenho 37 causas, aqui eu tenho sete mil.
Há outras diferenças gritantes. Aqui, como contei na coluna de ontem, que pode ser lida no meu blog, a empresa tem sido acusada de comprar carne de produtores que cometem crimes ambientais. Há até um caso de compra de gado de fazenda acusada de trabalho escravo:
- Nos Estados Unidos existe o conceito do "Animal Welfare". Lá eles mandaram fechar outro dia um frigorífico por causa da acusação de maltratar uma vaca.
Além do Brasil e Estados Unidos, a empresa está na Austrália, México, Uruguai, Paraguai e Argentina, e tem escritórios em todos os continentes. A ida para a Argentina não deu certo. Eles compraram cinco empresas e já se desfizeram de quatro:
- A Argentina enfrenta problemas. Seu rebanho diminuiu em dez milhões de cabeças nos últimos anos.
A empresa está entrando em outras áreas. Este ano vai inaugurar a Eldorado, na área de celulose, para a qual ganhou novo empréstimo do BNDES: R$ 2,7 bi.
- Normalmente, o grupo não constrói empresas, mas compra ativos com problemas e melhora a gestão. A Eldorado está sendo uma experiência de vida - diz Joesley.
O JBS tem um banco, o Original, que recebeu R$ 850 milhões do Fundo Garantidor de Crédito para absorver o Banco Matone. Coincidentemente, logo depois, o banco fez uma aposta pesada na queda da taxa de juros. Foi naquele primeiro corte, em agosto de 2011, que surpreendeu o mercado. Mas não o Banco Original. Ele ganhou muito dinheiro na queda das taxas e deu lucro de R$ 158 milhões no ano. A CVM investigou e não encontrou sinal de informação privilegiada. Joesley credita o acerto à capacidade de análise da equipe.

Enviado por Míriam Leitão - 
21.4.2012
 | 
9h00m
COLUNA NO GLOBO

Carne na brasa


O maior grupo brasileiro de carne, o JBS, foi notificado pelo Ministério Público do Mato Grosso pela compra de 3.476 cabeças de gado de fazendas embargadas pelo Ibama, instaladas em áreas de preservação ou flagradas em trabalho escravo. Joesley Batista, o presidente do grupo, me disse que está mais preocupado com a vida humana em risco no Brasil, porque 5 milhões de bois são abatidos por ano sem inspeção sanitária.
— As árvores derrubadas hoje podem afetar a vida humana daqui a 50 anos, mas, neste momento exato, brasileiros estão comendo carne de frigoríficos municipais sem qualquer fiscalização. O veterinário assina o bloquinho de notas, fingindo que fiscalizou, e nem olha o boi. É uma calamidade. Terríveis doenças podem ser contraídas, como a teníase, que leva à loucura. O hospício está cheio de doido que comeu carne que as autoridades não fiscalizaram — diz Joesley.
O Brasil virou o campeão mundial do mercado de carne no mundo, o BNDES colocou muito dinheiro público no projeto de concentrar e globalizar o setor. O JBS foi escolhido para ser o maior. Analisei o tema, li relatórios, falei com ONGs, Ministério Público, BNDES, e tive uma conversa de duas horas e meia com o presidente do maior frigorífico do Brasil e do mundo.
Joesley garante que fez esforço e aumentou o controle para eliminar da sua cadeia produtiva as fazendas envolvidas em crime.
Se o JBS não comprar o bicho, outros compram. Todo mundo compra. Eu fico sendo o chato. Assinei o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, por isso sou vigiado, mas e os que não assinaram? O BRF, empresa grande e emblemática também, tem duas plantas de abate de bovino em Mato Grosso, mas não assinou o compromisso que assinamos. O Carrefour, Pão de Açúcar, Walmart não querem saber de onde vem a carne — afirma.
Em 2009, houve uma ofensiva contra o desmatamento e outros crimes da pecuária. O Greenpeace divulgou relatório provando a ligação dos grandes frigoríficos com produtores que praticavam crimes de trabalho escravo, desmatamento ilegal, invasão de terra indígena. A ONG Repórter Brasil também investigou e denunciou. O Ministério Público Federal iniciou a campanha “carne legal”. O MP, em vários estados, iniciou ações contra frigoríficos.
Os grandes supermercados assumiram compromissos públicos de que só comprariam carne de quem vigiasse sua cadeia produtiva. Foi assinado um acordo dos grandes frigoríficos de que em seis meses eles eliminariam esses crimes da sua cadeia produtiva. Não cumpriram. Ganharam novo prazo. Marfrig e Minerva não foram apanhados em novos casos, mas o JBS, sim. O MP do Acre iniciou uma Ação Civil Pública contra o JBS, em abril de 2011, por comprar de produtores com crimes ambientais e trabalhistas, mas, em seguida, o grupo assinou um TAC, que estará completamente em vigor apenas em setembro. Já no Mato Grosso, em outubro de 2011, o MP notificou a empresa porque comprovou pelo Guia de Transporte Animal, que o JBS havia abatido 3.476 cabeças de gado de 34 fazendas que cometeram crimes: 13 delas, propriedades embargadas pelo Ibama; outras, por desmatamento ilegal de produtores que grilaram terras dos indígenas Marãiwatsede; e uma (144 bois), da lista suja do trabalho escravo. Depois da notificação, a empresa não comprou mais desses produtores.
— Não somos certificadores de frigorífico, mas os compradores internacionais nos perguntam se o JBS compra de produtores com atividades ilegais. Dizíamos que ele estava com um prazo para cumprir o acordo. Agora, informamos que eles não estão cumprindo — diz Paulo Adário, do Greenpeace.
A ONG lançou a campanha “Salve a sua pele”, na Feira de Bolonha, na Itália, no fim de 2011, e fez um desfile de modelos denunciando aos compradores de couro essa conexão.
Joesley Batista diz que os sistemas de informação dos órgãos públicos sobre as fazendas são falhos:
— Muitas vezes, na hora que eu compro o boi a fazenda não está na lista do Ibama nem do Ministério do Trabalho. Depois do abate, ela entra. Por isso, melhorei o sistema de fiscalização e já até devolvi boi comprado. Mas aí o outro vai e compra. Digo sinceramente, 90% do tempo eu me preocupo com outro problema gravíssimo que é a saúde humana em risco no Brasil.
A denúncia que ele faz sobre a inspeção sanitária é de fato grave. Isso não abona os outros erros. O ideal é atacar os dois problemas.
Joesley me entregou um relatório com os seguintes números: há 206 frigoríficos no Brasil que têm inspeção sanitária federal. Que é bem feita e rigorosa, segundo ele. Há 422 frigoríficos que só têm inspeção estadual. Há níveis diferentes de qualidade da fiscalização. Minas é o pior estado, segundo Joesley. Os municípios fiscalizam 762 estabelecimentos:
— Existe um sistema de padrão internacional, o Riispoa, de inspeção. Ele só é cumprido pelos fiscais do Ministério da Agricultura. Nos estados, há alguma exigência. Nos municípios, o que acontece é brincadeira. Ninguém olha nada. Das 35 milhões de cabeças de gado abatidas por ano no Brasil, 20 milhões estão sob inspeção federal, os outros 15 milhões são abatidos com pouca ou nenhuma análise. Os brasileiros que comem essa carne estão correndo riscos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cardápio de fundo de renda fixa: parece a mesma coisa, mas não é


São Paulo, segunda-feira, 16 de abril de 2012Mercado
Mercado
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FINANÇAS PESSOAIS
MARCIA DESSEN marcia.dessen@bmibrasil.com.brhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/37384-cardapio-de-fundo-de-renda-fixa-parece-a-mesma-coisa-mas-nao-e.shtml 


Posso imaginar sua dificuldade na busca por um fundo de investimento para acolher suas economias.
Os investidores avessos a risco buscam por alternativas mais seguras e encontram uma oferta muito variada de fundos de renda fixa que, embora possam parecer semelhantes, são produtos muito distintos entre si.
A expressão "renda fixa" não ajuda e permite algumas conclusões equivocadas. Enganam-se os que acreditam que a renda seja fixa, apesar do nome, e que não há riscos nessa escolha.
Os nomes dos fundos de renda fixa oferecidos no mercado são uma verdadeira sopa de letras que mais parecem códigos e nem sempre colaboram para o entendimento do produto.
Existem diversas categorias de fundos de renda fixa com propostas de investimento muito distintas, gerando riscos e rentabilidades muito diferentes.
RENDA FIXA DI
Essa é a categoria mais conhecida do investidor. Classificadas pela CVM como "Referenciadas", essas carteiras têm o compromisso de buscar a melhor aderência possível ao seu índice de referência. E a taxa DI (taxa média das operações com CDI negociadas no mercado interfinanceiro) é o índice de referência adotado com mais frequência.
O cotista desse fundo não sabe quanto vai ganhar em termos absolutos, mas sabe que a rentabilidade do fundo será próxima à variação da taxa DI, seja ela qual for.
É a melhor escolha para investidores que acreditam na elevação da taxa de juros ou para aqueles que não têm convicção em relação à tendência da taxa de juros e se sentem confortáveis com a remuneração da taxa praticada no mercado.
Sem dúvida, é a melhor opção para quem precisa de liquidez e conta com a possibilidade de resgatar tudo ou parte de seus recursos a qualquer momento.


RENDA FIXA
Essa categoria de fundos não se obriga a acompanhar a taxa de juros básica de mercado. Pelo contrário. Seu desafio é superar essa taxa e oferecer rentabilidade superior aos cotistas. Para isso, é preciso correr mais riscos.
Investem em títulos de taxa prefixada, que ganham em cenário de queda na taxa de juros. Além de títulos públicos, compram títulos privados com maior exposição ao risco de crédito, decorrente da possibilidade de insolvência do emissor. Falando português claro: risco de calote.
Os gestores podem também apimentar as carteiras com títulos mais longos, atrelados a índices de preços, além de operações feitas no mercado futuro de juros.
Será a melhor opção dos investidores que podem dispor dos recursos por prazo mais longo, não inferior a dois anos, e que encaram a volatilidade dos preços com naturalidade. Têm expectativa de que com os riscos assumidos ganharão mais do que a taxa de juros de mercado no longo prazo.


RENDA FIXA CRÉDITO
Quando você encontrar a expressão "crédito" no nome do fundo, significa que ele tem mais de 50% da carteira composta por títulos privados, que acarretam aos investidores o risco de crédito como o principal risco da carteira.
As empresas do setor privado representam, em maior ou em menor escala, maior probabilidade de ocorrência de insolvência.
A capacidade de pagamento da empresa pode se deteriorar ao longo do tempo e comprometer sua capacidade de honrar suas obrigações de pagar juros e de quitar sua dívida no vencimento.
Para remunerar esse risco, pagam taxa de juros superior à que o governo paga nos títulos públicos. Adicionalmente ao risco de crédito, essas carteiras correm ainda risco de oscilação da taxa de juros e de índices de preços.
São recomendadas para investidores que conhecem a natureza do risco dos ativos da carteira e aceitam correr esse risco em busca de melhor rentabilidade potencial.

RENDA FIXA ÍNDICES
A expressão "índices", "preços" ou "inflação" no nome de um fundo de investimento indica que o principal objetivo de investimento da carteira é de posicionamento em títulos atrelados a índices de preços, como o IPCA ou o IGP-M.
A maior parte da carteira tende a ser composta por títulos públicos representando baixo risco de crédito para o cotista.
Aqui o objetivo é outro. São recomendados para aqueles que buscam proteger seu capital contra a inflação.
Representam também uma boa alternativa de diversificação e convivem em harmonia com outros investimentos de taxa pré ou pós-fixada.
São títulos com prazo muito superior aos que tipicamente compõem as demais carteiras e, assim, apresentam maior variação no valor da cota.
Esses títulos pagam a variação do índice de preço mais uma taxa de juros prefixada, denominada "cupom". Sendo assim, ganham em cenário de elevação da inflação e de queda na taxa de juros do "cupom".


RENDA FIXA LP
No mundo da "renda fixa", duas variáveis explicam, basicamente, a volatilidade de uma carteira: a flutuação dos juros ou dos índices de preços e o prazo médio da carteira.
As letras L e P indicam que a carteira é de longo prazo. Quanto maior o prazo, maior a volatilidade.
Um título de taxa prefixada, por exemplo, ganha em cenário de queda na taxa de juros. E esse ganho será tanto maior quanto maior for o prazo médio da carteira do fundo.
Naturalmente que o inverso é verdade -em cenário de elevação dos juros, maior será a perda.

LEIA A 'BULA'
Estabeleça o seu objetivo de investimento e identifique um fundo que tenha o mesmo objetivo. E só tem uma maneira de descobrir: leia atentamente o prospecto do fundo antes de aderir.
Faça perguntas sobre o propósito, os riscos e os custos. A rentabilidade será decorrência disso tudo.

MARCIA DESSEN, Certified Financial Planner, é sócia e diretora-executiva do BMI (Brazilian Management Institute), professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.


Renda fixa emergente entra no radar dos estrangeiros

Autor(es): Por Flavia Lima | De São Paulo
Valor Econômico - 17/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/17/renda-fixa-emergente-entra-no-radar-dos-estrangeiros

Não são apenas títulos do Tesouro americano ou de economias mais robustas como a da Alemanha. A corrida global dos investidores por ativos de menor risco tem impulsionado também a demanda por títulos de renda fixa de mercados emergentes, como o Brasil. Na busca por alternativas aos magros rendimentos dos papéis das economias mais desenvolvidas, investidores globais têm, aos poucos, enxergado as emissões de países como Brasil, Rússia, México e também de outros países do leste europeu como fonte importante de diversificação.
"É algo que começamos a ver com mais força nos últimos dois anos em certos segmentos, como o private bank japonês, que está bastante envolvido em dívida brasileira", disse o "head" de renda fixa em mercados emergentes do J.P. Morgan, Pierre-Yves Bareau, em entrevista exclusiva ao Valor. "Mas o interessante é que nesta busca por diversificação há novos entrantes, em especial instituições americanas de maior porte, sempre acostumadas a comprar ativos americanos em dólar, sem nenhuma diversificação, exceto em ações", emendou o executivo em sua passagem por São Paulo.
Segundo Bareau, o movimento pode ser observado não só entre investidores institucionais, como, por exemplo, o fundo soberano da Noruega, que recentemente anunciou que vai reduzir suas posições em títulos europeus em favor dos emergentes, mas também entre a alta renda. Todos de olho em emissões soberanas - em moeda local ou estrangeira - e corporativas, a depender do país escolhido.
A pergunta que estes investidores estão se fazendo é por que comprar apenas papéis de renda fixa americana com retorno nominal de 2% ao ano - ou algo entre -1% e -1,5% em termos reais -, enquanto entre os emergentes as taxas reais estão bastante atrativas, em média em 2%, chegando a 4% no Brasil.
É este questionamento por parte do investidor que, segundo Bareau, tem feito com que o total de investimentos em renda fixa em mercados emergentes sob gestão do J.P. Morgan tenha praticamente dobrado nos últimos dois anos, de US$ 11 bilhões para os US$ 21,5 bilhões atuais, a maior parte em Brasil e Rússia.
Entre os ativos de renda fixa de emergentes, Bareau percebe uma clara mudança na preferência do investidor, de títulos emitidos em moedas locais para uma forte procura por dívida de emergentes emitida em dólares, seja soberana ou corporativa. "Por que comprar real quando as autoridades brasileiras estão tão focadas em desvalorizar a moeda?", questiona. "Os investidores estão preferindo as emissões em dólar de empresas como Gerdau e OGX, como um meio de apostar na alta do dólar e, ao mesmo tempo, no risco de emergentes", emenda.
Além das emissões corporativas em moeda estrangeira realizadas por companhias brasileiras de setores como o de bancos, Bareau concentra as apostas feitas no Brasil em títulos indexados à inflação de mais longo prazo. "Como o foco é o crescimento, pensamos que a inflação poderá ganhar força novamente".
Para Bareau, há chances consideráveis de o Banco Central brasileiro ter de voltar a subir juros no próximo ano justamente em razão do crescimento acelerado previsto para o segundo semestre de 2012. "Embora a gente espere um crescimento de 3% no ano para o Brasil, o crescimento anualizado no segundo semestre deve ficar em 5,5%, o que é muito e deve se estender para 2013", diz o especialista.
Sinal dos tempos para a América Latina, Bareau acredita que o risco soberano da região não se mostra mais tão atrativo, com prêmios bastante comprimidos, em razão de balanço de pagamentos robustos e resultados fiscais em boa forma. E que, para os emergentes no geral, a retomada do crescimento econômico favorece principalmente os papéis de dívida corporativa em dólar, dívidas locais e o investimento em moedas de países como México, Polônia e África do Sul - ficando de fora o real em razão do esforço do governo local para estancar a sua valorização.
Para Bareau, o que pode alterar um quadro tão positivo para a renda fixa emergente é o mesmo fator que a está impulsionando: a aversão ao risco. "O risco é que o Fed [o Federal Reserve] mude de ideia, veja uma recuperação sustentável do crescimento, restrinja a liquidez e volte a subir juros", diz. "Mas achamos que isso está mais para acontecer em 2014 do que em 2013, quando os EUA ainda terão que lidar com questões fiscais importantes". A projeção do J.P. Morgan é de crescimento entre 2% e 2,3% para os Estados Unidos em 2012, e de um recuo no PIB europeu de 0,4%.
O francês sediado em Londres surpreende ainda com uma avaliação mais comedida sobre a visão dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil. "Há mais ceticismo com relação ao Brasil porque eles [os investidores] sabem que podem perder dinheiro em reais", afirma. "Os juros brasileiros são altos, mas há países com juros em linha, como a África do Sul e a Turquia, onde a guerra cambial não é uma preocupação", diz.
Para Bareau, o México vem tomando o lugar do Brasil como o que chama de "hot topic" [tema quente] entre os investidores, mas o executivo diz que isso não é necessariamente ruim. "É menos pressão colocada sobre o balanço de pagamentos do Brasil", afirma. "E isso significa também que pode fazer sentido para os investidores domésticos começar a pensar em investir fora do Brasil", emenda ele.
O executivo encerra a entrevista dizendo não ser trivial acreditar que o real vai continuar se apreciando. E é isso que mostra que, tal qual o investidor externo, pode começar a fazer algum sentido para os investidores locais considerar a tal diversificação externa. Em que ativos? "É muito cedo para investir na Europa e os Estados Unidos não oferecem rendimento, são os emergentes que se mostram mais atrativos", conclui.
São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012Mercado
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VINICIUS TORRES FREIRE

Poupança e fundos perdidos
'Canetada' deve dar jeito em problemas que o juro tabelado da poupança pode causar com a queda da Selic
SUPONHA-SE QUE a taxa básica de juros, a Selic, vá abaixo dos 9% para onde desceu na semana passada.
Suponha-se que, tomados de súbita e aguda consciência financeira, os investidores de fundos de renda fixa decidam migrar em massa para a caderneta de poupança, que rende pouco, mas paga mais do que alguns fundos com taxas de administração extorsivas.
Suponha-se que tais coisas ocorram antes que o governo enfim apresente um plano organizado de alterar o rendimento das cadernetas. E daí?
O pessoal do governo, do Banco Central à Fazenda, diz nas internas que se dá um jeito: baixa-se uma resolução que autorize os bancos, gestores dos fundos, a aplicar o dinheiro dos depósitos da caderneta de poupança em títulos do governo. Ou seja, se houver crise, não há crise.
A história da mudança no rendimento das cadernetas ressuscitou com a nova baixa da Selic e com a perspectiva de que a taxa básica da economia talvez não fique estacionada nos 9% ou 8,75%, como era o "entendimento" da maior parte do pessoal do mercado até o começo deste mês. Na sexta-feira, nos negócios com juros futuros apostava-se em reduções adicionais da Selic. O pessoal se guiava pelas mais recentes declarações sibilinas do BC.
Qual a relação dos juros básicos com a poupança? Os fundos de investimento mais comuns (quase todos, aliás) emprestam dinheiro ao governo, e dele recebem os juros que pagam a seus investidores. A taxa de juros básica é mais ou menos aquela que o governo paga a seus credores. Logo, se cai a taxa básica, cai o rendimento dos fundos que aplicam em títulos do governo.
A poupança tem juros tabelados, não paga taxa de administração e não paga IR. Portanto, dados um certo nível da Selic e o custo da taxa de administração, o rendimento de um fundo pode perder da poupança. Alguns já perdem.
Se o dinheiro migra em massa para a poupança, no limite falta crédito para o governo (hipótese remota, mas há o risco de distorção no mercado, de qualquer modo). Isto é, o dinheiro que seria emprestado ao governo iria para a caderneta.
Os bancos poderiam ter problemas -isso é o que parece estar pegando mais. Haveria sobra de dinheiro para empréstimos imobiliários (para onde, por lei, tem de ir a maior parte dos depósitos das cadernetas). Faltaria para outras demandas. A rentabilidade de bancos cairia. Poderia haver sustos.
Permitir que os bancos apliquem fundos depositados na poupança em títulos públicos resolveria esses problemas, pontualmente. Mas os juros da caderneta ainda seriam uma espécie de piso para ao menos certas taxas no país, como a do financiamento de imóveis. Não dá.
De qualquer modo, o governo não acredita em migração em massa. Confia na negligência e no desconhecimento financeiros do grosso da população. Além do mais, quer dar outro calor na banca. Antes de mexer no rendimento da poupança, espera ver os bancos reduzindo taxas de administração excessivas cobradas em certos fundos.
Para refrescar a memória: no ano passado, a poupança rendeu menos de 1% em termos reais (além da inflação). Houve ano ainda pior neste século. Em certos fundos, pois, o seu dinheiro pode estar sendo até mesmo corroído pela inflação.

Problemas que a redução da Selic levanta

O Estado de S. Paulo - 21/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/problemas-que-a-reducao-da-selic-levanta/?searchterm=juros%20poupan%C3%A7a
 
Uma taxa Selic abaixo de 9% deve criar uma série de problemas no mercado financeiro, de cuja importância o governo está consciente, já que pode até atingir o mercado de títulos públicos, além de ter repercussões políticas importantes num ano eleitoral. Politicamente, a redução da remuneração das cadernetas depoupança seria o problema mais delicado, já que a mudança terá de ser feita num momento em que essas aplicações se tornam rentáveis para os poupadores. Atualmente, a rentabilidade das cadernetas é fixada por lei em 6,17% ao ano, o que, com a queda da inflação, já oferece um ganho real. E isso não se verificava há muitos anos por causa da hiperinflação. Isso torna a decisão de reduzi-la ainda mais impopular.

Segundo os cálculos apresentados pelo jornal Valor, com juros de 8,50% ao ano e uma remuneração da caderneta em 0,50% ao mês, uma aplicação num fundo com taxa de administração de 2% teria um retorno líquido (deduzido o Imposto de Renda), em um ano, de 5,20%, enquanto a caderneta ofereceria retorno de 6,17%, o que, naturalmente, poderia levar os investidores do fundo para as cadernetas. Essa migração para as cadernetas levantaria um grave problema para os títulos do governo, que são financiados pelos fundos de renda fixa com a aquisição de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), remunerados pela taxa Selic, que é parcialmente transferida aos investidores pelos administradores de fundos e que pagam Imposto de Renda. Ora, os fundos detêm quase 30% das LFTs emitidas pelo Tesouro. Com os investidores saindo dos fundos atrás das cadernetas que oferecem remuneração de 6,17%, o Tesouro teria dificuldades em financiar seu déficit nominal. Parece inevitável que o governo envie logo um projeto de lei modificando a remuneração atual das cadernetas. Uma primeira medida que se impõe é limitar a remuneração dos depósitos depoupança a um valor que corresponda à capacidade de poupança de uma família com pequena renda, como se fez no passado. O governo já teria projetos para reduzir a remuneração e, assim, manter o interesse das aplicações em renda fixa. Será uma decisão difícil para a presidente da República. E é necessário que seja tomada sem demagogia. Fala-se que, para amenizar a reação do público, o governo estaria pensando em manter a atual remuneração para as cadernetas existentes e aplicar as novas regras somente para os novos depósitos. Um tal sistema, além de tornar a fiscalização difícil, levaria a uma série de fraudes. É necessário coragem para fazer a mudança logo e totalmente.


Dois milhões perdem nas aplicações em fundo

Autor(es): VICTOR MARTINS
Correio Braziliense - 21/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/dois-milhoes-perdem-nas-aplicacoes-em-fundo/?searchterm=juros%20poupan%C3%A7a
 

Investidor comum fica sem opção em um cenário de juros reduzidos. Governo quer taxas de administração menores

O pequeno investidor está refém da tradicional caderneta.
Os poupadores com menos de R$ 50 mil na carteira são os que mais perdem nos fundos de investimento em função das elevadas taxas de administração. A conta do mercado é de que esses brasileiros somam mais de 2 milhões, todos eles comaplicações em fundos de renda fixa e DI que oferecem ganhos inferiores aos pagos pela poupança. Em números absolutos, eles são a maioria dos investidores, porém, representam apenas6% do patrimônio dos fundos.
Os grandes clientes, incluindo empresas, detêm o restante de todo esse capital e são os verdadeiros financiadores da dívida pública.
Enquanto o governo ensaia levar os juros básicos (Selic) para um nível mais próximo do praticado no restante do mundo, o pequeno investidor brasileiro em fundos começa a sofrer com essa queda e a ver seus ganhos perderem para os da poupança—como mostrou o Correio ontem, cerca de 40% desses fundos já são desvantajosos frente à caderneta. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, porém, já sinalizou que as taxas de administração entraram na agenda: a ordem é, se necessário, chamar os fundos geridos por bancos públicos a reduzir os custos dos investimentos e obrigar, mais uma vez, a concorrência a se mexer.Nos Estados Unidos, o ministro disse que essas taxas podem diminuir. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também acompanha com lupa a situação dos fundos, sobretudo porque o funcionamento desse mercado pode ser um limitador para a política monetária.
Os gestores de fundos estão apreensivos. Um juro inferior a 9% ao ano poderia promover, segundo alguns analistas, uma corrida para a poupança, sobretudo entre os investidores de capital mais limitado—situação que afetaria a gestão da dívida pública.
Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, porém, não vê o cenário com tanta preocupação. "Se os juros caírem um pouco mais, não deve haver prejuízo ao financiamento do governo porque o investidor financia quem pode pagar pelo capital —e o governo pode", explicou.
Carlos Massaru Takahashi, diretor presidente da BBDTVM, gestora de recursos do BB, pondera que, se houver mais uma redução na taxa básica da economia em maio, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, a distribuidora também terá de rever suas taxas.
No entanto, ele observou que, até agora, o BB não registrou nenhuma migração de investidores. "A caderneta tem crescido bem no primeiro trimestre, mas a indústria de fundos também. Só este ano tivemos mais R$ 7,5 bilhões em fundos de renda fixa e outros R$ 8 bilhões em investimento sem fundos de curto prazo." Para o HSBC, dificilmente deve ocorrer uma migração, principalmente entre os investidores de maior poder aquisitivo. Gustavo Poso, superintendente executivo de gestão de patrimônio da instituição, explica que, para o pequeno investidor, se a Selic ficar entre 8%ao ano e 8,5%, o prazo será um determinante para definir quem é mais competitivo, a poupança ou fundo. "Abaixo de 8%, nas atuais regras da poupança, começa a ficar complicado, fica caro para qualquer tipo de fundo", calculou.

Dois milhões já perdem em fundos 'caros'

Com Selic a 9%, grande investidor resiste em fundo de renda fixa
Autor(es): Por Antonio Perez, Silvia Rosa e Filipe Pacheco | De São Paulo
Valor Econômico - 20/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/20/dois-milhoes-ja-perdem-em-fundos-caros/?searchterm=juros%20poupan%C3%A7a
 

A redução da taxa Selic para 9% colocou em desvantagem os pequenos investidores em fundos conservadores, mas ainda está longe de desencadear uma fuga maciça de recursos rumo à caderneta depoupança. Fundos DI e de renda fixa com taxa de administração de 0,75%, que ganham da poupança, detêm 94% do patrimônio total dos fundos

A redução da taxa Selic para 9% ainda não afeta o bolso do grande investidor que aplica em fundos conservadores e, por isso, está longe de desencadear uma migração maciça de recursos do setor de fundos DI e renda fixa em direção à caderneta de poupança. "Uma Selic de 9% ainda não assusta tanto o setor, porque a maior parte do patrimônio dos fundos DI está em carteiras com taxa de administração menor que 1% e ainda rendem mais que a caderneta", afirma Sinara Policarpo, superintendente de investimentos do Santander.
Com os juros em 9% ao ano, os fundos DI e de renda fixa com taxa de administração de 0,75% - onde estão aplicados 94% do patrimônio total dos fundos dessas duas categorias - ainda ganham da caderneta de poupança para aplicações em seis meses. Ou seja, não há motivo para a maior parte do dinheiro nos fundos DI e renda fixa migrar hoje para a poupança.
"Não faz sentido falar em fuga de recursos para a poupança, porque os grandes investidores, que conseguem taxas de administração menores, ainda preferem ficar nos fundos", afirma o economista Marcelo d"Agosto, especialista no setor de fundos e autor do blog "O Consutor Financeiro", no portal Valor.
O cenário pode mudar de figura se a Selic cair abaixo de 8,5%, alerta Sinara, do Santander. Com a Selic em 8,50%, os fundos que cobram taxa de 0,75% já perdem da poupança em seis meses. Se o BC cortar o juro para 8%, esses mesmos fundos só vão bater a caderneta se o dinheiro ficar aplicado por dois anos e meio.
Os fundos DI sempre foram sinônimo de rentabilidade gorda no curtíssimo prazo, ou seja, da possibilidade de sacar o dinheiro imediatamente ganhando mais que na poupança. Se deixam de bater a caderneta em prazos estreitos, os fundos DI não fazem mais sentido como estratégia de investimento nem mesmo para os grandes investidores, que conseguem taxas de administração abaixo de 0,75%.
Como os fundos DI carregam principalmente títulos públicos de curto prazo que seguem a Selic (LFTs), um movimento de saques das carteiras, por conta da queda da Selic, obrigaria os gestores a vender esses papéis. "Os fundos teriam que desová-las (LFTs) para poder entregar o dinheiro aos investidores", afirma.
A migração dos recursos em fundos de investimento pode criar um problema para o governo no financiamento da dívida pública. Os fundos de investimento detêm 29,72% dos títulos públicos em estoque, que somam R$ 1,73 trilhão, e representam 41,1% dos papéis em mercado. Mas parte relevante desses recursos em fundos, no entanto, são de investidores pessoas jurídicas como seguradoras e empresas, para os quais há cobrança de Imposto de Renda para as aplicações em poupança.
Esses investidores só sairiam dos fundos, portanto, em um segundo momento, quando a taxa Selic ficasse abaixo da remuneração da poupança de 6,17%, afirma Bernard Appy, ex-secretário do Ministério da Fazenda e atualmente diretor da consultoria LCA. Para ele, a remuneração da caderneta deveria ser atrelada à taxa Selic. "Se não mexer na remuneração da poupança, o Banco Central não consegue reduzir a taxa básica de juros, pois o Tesouro Nacional e os bancos continuarão tendo que captar a uma taxa acima do rendimento da caderneta."
Se do lado do patrimônio do setor de fundos uma Selic em 9% significa muito pouco, para o pequeno investidor a queda dos juros é fatal. Hoje, mais de 2 milhões de cotistas estão em fundos DI e de renda fixa que rendem menos que a poupança. Esses 2 milhões, contudo, representam apenas 6% do patrimônio total dessas duas categorias. "A grande maioria dos investidores em fundos aplica em carteiras caras, e teriam melhor remuneração se migrassem para a poupança, diz d"Agosto.
Mas nem a pessoa física que está em um fundo com taxa maior que 0,75% deve migrar imediatamente para a poupança caso a Selic caia abaixo de 9%, diz Sinara. "Leva certo tempo para o investidor se dar conta de que o rendimento mudou e sempre existe uma tendência de permanecer na aplicação antiga", afirma ela. "Mas os novos aportes tendem a ir para a poupança".
O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, Octavio de Lazari Junior, ainda não nota um forte movimento de migração para a poupança. "Os números mais recentes, de março, mostram que o fluxo foi condizente com o histórico para essa época do ano, de valor entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões entre fevereiro e março", disse Lazari Jr. "Pelo que temos conversado com os bancos, não se reconheceu um efeito de manada ou nenhuma movimentação mais brusca ao longo do mês até agora", disse
Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, maior gestora de fundos do país, com R$ 438,9 bilhões, também não notou até agora uma saída de recursos dos fundos. "Até aqui, por enquanto, não houve nem na BB DTVM nem na indústria como um todo essa migração", afirma Takahashi.


Caixa reduz ainda mais taxas a clientes

Autor(es): CRISTIANE BONFANTI
Correio Braziliense - 21/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/caixa-reduz-ainda-mais-taxas-a-clientes/?searchterm=redu%C3%A7%C3%A3o%20spread

Banco repassa o corte da Selic, de 0,75 ponto, para o crédito consignado, o financiamento de automóveis e os empréstimos pessoais, além de baratear o capital de giro às empresas

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem nova redução de juros nas linhas de crédito para empresas e consumidores. A partir de segunda-feira, a taxa para o empréstimo consignado a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ficará entre 0,75% e 1,77% ao mês. A mínima para crédito pessoal cairá de 2,39% para 1,80% e a para o financiamento de veículos, de 0,98% para 0,89%.
As micro, pequenas e médias empresas contarão com novas tabelas para as operações de capital de giro, com juros entre 1,29% e 2,05% ao mês.
As companhias da área de construção civil, por sua vez, terão taxas entre 0,97% e 1,46% para antecipar receitas. Para atender à demanda por crédito, a Caixa abrirá uma hora mais cedo até 11 de maio.
A exemplo da decisão tomada pelo Banco do Brasil na quinta-feira, a medida da Caixa foi motivada pelaredução da taxa básica de juros (Selic), de 9,75% para 9% ao ano. Em 9 de abril, a estatal já havia feito reduções nos custos de produtos como cheque especial, rotativo do cartão de crédito e capital de giro. "As pessoas devem comparar e vão perceber que a maioria dos outros bancos não fez reduções significativas para todos os clientes, sem condicionantes, principalmente em produtos mais caros como cheque especial e cartão de crédito para as pessoas físicas", afirmou Fábio Lenza, vice-presidente de pessoa física e serviços bancários da Caixa.
Também por causa do corte na Selic, o BB já havia reduzido a mínima para financiamento de veículos de 0,99% para 0,95% ao mês e a de cheque especial, de 1,97% para 1,38% ao mês. Os juros do crédito consignado para beneficiários do INSS passaram de 0,85% para 0,79% ao mês.
Orientados pelo Palácio do Planalto, os bancos estatais foram os primeiros a reduzir juros, no início do mês. O movimento foi acompanhado pelos privados HSBC, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco. Inicialmente, eles se recusaram a ceder às pressões de Dilma, o que aumentou a determinação do governo em reduzir o spread—diferença entre o que os bancos pagam aos investidores e o que pagam dos devedores. Agora, a equipe econômica vai engrossar o discurso contra as tarifas cobradas pelas instituições financeiras.

São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012Mercado
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Juro menor terá pouco impacto em carros
Inadimplência em alta e critérios rígidos podem travar concessão de empréstimos para a compra de veículos
'Explosão de crédito' está descartada, afirma dirigente da entidade que reúne financeiras ligadas às montadoras
MARIANNA ARAGÃO
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/38570-juro-menor-tera-pouco-impacto-em-carros.shtml 


A redução nas taxas de juros para financiamento de veículos, anunciada por bancos públicos e privados na semana passada, terá efeito limitado nas vendas de automóveis.
A avaliação de entidades e especialistas é que as regras para concessão de crédito dos bancos vão continuar rígidas, dado o índice de inadimplência recorde no país.
A taxa que considera atrasos acima de 90 dias chegou a 5,5% em fevereiro, o maior patamar da série do Banco Central, iniciada em 2000.
Além disso, para preservar sua rentabilidade, potencialmente reduzida com as novas taxas, as instituições financeiras deverão ser ainda mais seletivas ao conceder novos empréstimos.
"Não haverá uma explosão de crédito", diz Décio Carbonari, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef).
Segundo ele, as taxas de juros mais atrativas serão concedidas somente aos clientes com bom histórico de pagamento e de relacionamento com o banco. "Haverá crescimento, mas limitado ao crédito de melhor qualidade, o que é positivo para o setor."
Para Paulo Roberto Garbossa, professor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), os clientes que compram automóvel pela primeira vez serão os mais afetados com o maior nível de exigência dos bancos.
"Quem já tem financiamento -e paga em dia- terá facilidade em obter as novas taxas", afirma.
As reduções nas taxas chegam a 25% -caso da Caixa Econômica Federal, que tem a menor taxa mínima do mercado, de 0,89% ao mês.
Em fevereiro, a taxa média de juros praticada pelo mercado brasileiro foi de 2,01%. Nas financeiras de montadoras, o índice foi de 1,54%.
Metade das vendas de automóveis no país são feitas atualmente através de financiamento. Em 2009, elas eram somente 33% do total.
CENÁRIO
O avanço nos financiamentos, ainda que moderado, e a possível redução da inadimplência devem ajudar o setor a alcançar um resultado positivo em 2012.
Segundo a consultoria CSM Worldwide, a previsão é que as vendas cresçam 2,9% neste ano em relação a 2011. "O impacto das medidas mudará o cenário a partir do fim de maio", diz Fernando Trujillo, consultor da CSM.
As financeiras das montadoras também já percebem aumento no número de acordos com consumidores inadimplentes.
No banco Volkswagen, o número de acordos cresceu cerca de 30% em março em comparação com o mesmo período de 2011.
"As pessoas estão trabalhando para colocar seus pagamentos em dia", diz Carbonari, da Anef.



MUDANÇA NA CADERNETA ATINGIRÁ CASA PRÓPRIA E FUNDO DE GARANTIA

ALTERAÇÃO NO FGTS E NA CASA PRÓPRIA
Autor(es): » VICENTE NUNES
Correio Braziliense - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/mudanca-na-caderneta-atingira-casa-propria-e-fundo-de-garantia
 
Projeto do governo que muda o ganho da poupança atingirá o crédito imobiliário e os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, com o fim da TR
A determinação da presidente Dilma Rousseff de mexer nos rendimentos da caderneta de poupança para facilitar a queda da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 9% para até 8% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) implicará mudanças em outros pontos sensíveis: o financiamento da casa própria e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
As razões são claras. O crédito imobiliário para a classe média é bancado exclusivamente pelos depósitos na caderneta. De cada R$ 100 aplicados na mais tradicional modalidade de investimentos do país, no mínimo, R$ 65 devem ser obrigatoriamente destinados à casa própria. Além disso, as prestações são atualizadas pela Taxa Referencial (TR), que também corrige os recursos da poupança. Pelos dois projetos preparados pelo Ministério da Fazenda, para alterar o ganho da caderneta, a TR será extinta. É aí que entra o FGTS. Por lei, o dinheiro dos trabalhadores é remunerado em 3% ao ano mais a TR. A tendência é de que os depósitos feitos pelas empresas passem a ter somente a taxa fixa, compatível, no entender de técnicos da equipe econômica, com a nova realidade de juros no país.
"Todos terão de dar a sua cota de sacrifício, pois se ganhará de outro lado, com a diminuição dos juros dos empréstimos e financiamentos", diz um assessor do Palácio do Planalto. "Não se pode esquecer que a possível diminuição do rendimento da caderneta e do FGTS será depois da vírgula. Já nos juros do crédito, o impacto é bem maior. Assim, a economia com as prestações cobrirá qualquer perda de rentabilidade", acrescenta. Ele lembra que será esse o discurso difundido pelo governo para convencer a população de que está "fazendo o melhor para o país" e não um confisco da poupança, como houve em 1990, no governo Collor.
O Palácio do Planalto acredita que terá boas notícias a dar à classe média, que tanto preserva o patrimônio na poupança e recorre aos financiamentos habitacionais. Se a remuneração da caderneta diminuir um pouco e a TR for extinta, os juros cobrados no crédito imobiliário também poderão cair. "É com essa realidade que estamos trabalhando", afirma um técnico do Ministério da Fazenda. A seu ver, tudo está apontando para o governo pôr fim ao entulho que ainda resta no mercado financeiro, ou seja, a indexação decorrente dos tempos de hiperinflação. "A TR é um deles", acrescenta.
Distorção
Para o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central, as mudanças propostas pelo governo são bem-vindas. Mas para que realmente a população tire proveito delas é preciso que, efetivamente, a taxa básica caia e permaneça em um patamar baixo por um longo período. E isso exige um controle efetivo da inflação. "Se os ganhos da caderneta forem realmente atrelados à Selic, como estão dizendo, em um momento de elevação dessa taxa os ganhos da poupança vão aumentar assim como as prestações da casa própria", ressalta.
Na sua avaliação, o debate sobre mudanças na estrutura de um sistema financeiro criado para conviver com uma inflação alta é importantíssimo. Mas, a seu ver, o governo deveria propor as alterações somente a partir do segundo semestre, quando, efetivamente, os consumidores terão a exata noção se o prometido corte de juros pelos bancos públicos e privados é para valer. "Com a fraqueza atual da economia, a procura por crédito está contida. À medida que a atividade for ganhando força, a demanda por empréstimos e financiamentos se fortalecerá. É aí que poderemos ver se o anunciado barateamento do crédito foi real ou se não passou de uma campanha de marketing", destaca.
O economista vai além. "Ainda há um longo caminho para que os juros do crédito no Brasil sejam comparados aos de países civilizados. Os bancos precisam reduzir muito o spread (diferença entre o que pagam aos investidores e o que cobram dos devedores", diz. No Brasil, o spread médio é de 30 pontos percentuais contra cinco pontos nas nações que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta.
Minutas prontas
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, preparou duas minutas de medidas provisórias para apresentar à presidente Dilma Rousseff, propondo mudanças na remuneração da caderneta da poupança. No primeiro, os investidores terão remuneração equivalente a 80% da taxa básica de juros (Selic), que está em 9% ao ano. No segundo, serão criadas de seis a nove faixas de rentabilidade para os depósitos. Ainda nesta semana, Mantega se encontrará com Dilma para discutir o assunto.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Investimento em tecnologia impulsionou PIB agrícola, avalia Ministério da Agricultura


Governo emitiu nota comentando dados divulgados pelo IBGE

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta terça, dia 6, uma nota destacando que a "agropecuária é o único setor que apresenta aumento no PIB". A nota foi publicada depois do anúncio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de que o crescimento geral do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano ficou em 0% em comparação ao trimestre anterior.
– O crescimento se deve à ampliação dos investimentos em tecnologia, o que garante uma lavoura maior e mais rentável ao produtor – avalia o coordenador de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, José Gasques, no texto.
O texto do Mapa ressalta que "a agropecuária foi o único setor que apresentou crescimento (3,2%) no mesmo período analisado". De acordo com o material, o setor agropecuário cresceu 6,9% se comparado o terceiro trimestre de 2011 ao mesmo período de 2010.
Para o Mapa, o resultado positivo pode ser explicado pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que têm safra relevante no terceiro trimestre e apresentaram crescimento da produtividade. Este é o caso da mandioca (estimativa de crescimento de produção em 2011 de 7,3%), do feijão (6,1%) e da laranja (3,1%).
– Em valores correntes, o setor agropecuário alcançou R$ 46,6 bilhões no terceiro semestre de 2011 – ressaltou Gasques.
No mesmo período de 2010, o valor acumulado foi de R$ 43,5 bilhões. A previsão para o quarto trimestre é que o PIB da agropecuária desacelere.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO



Com destaque para agropecuária, PIB fica estagnado no terceiro trimestre, mostra IBGE

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, PIB cresceu 2,1%. Entre as atividades econômicas, a agropecuária teve um aumento de 6,9%

Atualizada em 07/12/2011 às 06h59
Produto Interno Bruto (PIB) do país apresentou variação nula (0,0%) no terceiro trimestre deste ano, segundo divulgou nesta terça, dia 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o PIB cresceu 2,1% e, dentre as atividades econômicas, destacou-se o aumento da agropecuária (6,9%), seguida por serviços (2,0%) e indústria (1,0%).
O índice divulgado nesta terça é o menor para um trimestre desde os três primeiros meses de 2009, quando atingiu variação negativa de 1,9%.
O destaque deste trimestre, segundo o IBGE, foi para agropecuária, com aumento de 3,2% no volume do valor adicionado. Indústria e serviços tiveram variações negativas de -0,9% e -0,3%, respectivamente.
No acumulado dos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2011 (12 meses), o crescimento foi de 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No acumulado em 2011 até setembro, o PIB apresentou uma expansão de 3,2%. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,05 trilhão.
Ministro
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que a economia ficou estável no terceiro trimestre deste ano.
– Portanto, não cresceu. Foi zero nesse trimestre, mostrando que a economia se desacelerou mais exatamente nesse período – disse.
Mantega destacou que contribuiu positivamente para esse resultado o PIB do setor agropecuário.
– O agronegócio foi o que mais cresceu. [O dado] anualizado significa mais de 10% [de crescimento] – comentou.
Por outro lado, ele disse que o setor industrial foi o que apresentou o pior resultado no período.
– Isso mostra que a indústria é o setor mais afetado pela crise internacional e a desaceleração econômica – considerou.
PIB 2010
O IBGE revisou o PIB da indústria em 2010, de um alta de 10,1% para uma expansão de 10,4%. O PIB da agropecuária foi revisado de 6,5% para 6,3%. Já o PIB de serviços foi revisado de 5,4% para 5,5%.

A despesa de consumo das famílias, por sua vez, foi alterada de 7,0% para 6,9% em 2010, enquanto o consumo do governo passou de 3,3% para 4,2%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi revisada de 21,8% para 21,3%.
As exportações se mantiveram em 11,5%, mas as importações foram revisadas de 36,2% para 35,8%.
ZERO HORA E AGÊNCIA ESTADO


Entidades rurais atribuem alta no PIB da agropecuária à melhora de cenário

Avaliação é da Associação Brasileira do Agronegócio e da Sociedade Rural Brasileira

  • Gustavo Porto

alta de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no terceiro trimestre ante o segundo trimestre deste ano e de 6,9% sobre igual período de 2010 é fruto da melhora do cenário do setor e do avanço nos preços das commodities, na avaliação da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
Além dos preços em alta e do aumento na produção, há ainda um forte incremento de mais de 10% no consumo de insumos para a próxima safra, o que ajuda o desempenho — disse o presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva.
Segundo ele, a agropecuária é um dos setores que refletem mais rapidamente o investimento feito.
— O retorno é muito rápido e os números do trimestre mostram isso. E a tendência é de uma melhora, já que teremos uma safra maior, em uma área praticamente estável, o que refletirá a melhoria da tecnologia aplicada nas lavouras — completou o presidente da SRB.
Já o vice-presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, que assumirá em janeiro o comando da entidade, ratificou a posição de Ramalho.
— Se for mantida a tendência de que teremos as commodities agrícolas em um patamar mais alto de preços, realmente comprovaremos que a agropecuária é o grande negócio do Brasil, posição que a Abag defende há muito tempo — disse Carvalho. 

Agropecuária é o único setor que apresenta aumento no PIB no 3º trimestre
Publicado em 07/12/2011 na seção noticias :: Versões alternativas: Texto PDF




Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem (06/12/11), o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado no terceiro trimestre de 2011. A variação geral foi nula (0,0%), se comparada ao segundo trimestre de 2011. A agropecuária foi o único setor que apresentou crescimento (3,2%) no mesmo período analisado. Os setores de indústria e serviços tiveram variação negativa (-0,9%) e (-0,3), respectivamente.

O setor agropecuário também cresceu (6,9%) se comparado o terceiro trimestre de 2011 ao mesmo período de 2010. A elevação pode ser explicada pelo desempenho de alguns produtos da lavoura, que possuem safra relevante no terceiro trimestre e apresentaram crescimento da produtividade, como é o caso da mandioca (estimativa de crescimento de produção em 2011 de 7,3%), feijão (6,1%) e laranja (3,1%).

"Em valores correntes, o setor agropecuário alcançou R$ 46,6 bilhões no terceiro semestre de 2011", ressalta o coordenador de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(MAPA) José Gasques. No mesmo período de 2010, o valor acumulado foi de R$ 43,5 bilhões. Segundo Gasques, o crescimento se deve à ampliação dos investimentos em tecnologia, o que garante uma lavoura maior e mais rentável ao produtor.

PARA SABER MAIS

Confira aqui os dados do Produto Interno Bruto.


PIB tem variação nula (0,0%) em relação ao segundo trimestre e chega a R$ 1,05 trilhão

Em relação ao segundo trimestre de 2011o PIB (Produto Interno Bruto) a preços de mercado do terceiro trimestre apresentou variação nula (0,0%), levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. O destaque foi para agropecuária, com aumento de 3,2% no volume do valor adicionado. Indústria e serviços tiveram variações negativas de -0,9% e -0,3%, respectivamente.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2010o PIB cresceu 2,1% e, dentre as atividades econômicas, destacou-se o aumento da agropecuária (6,9%), seguida por serviços (2,0%) e indústria (1,0%).
No acumulado nos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2011 (12 meses)o crescimento foi de 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No acumulado em 2011 até setembro, o PIB apresentou uma expansão de 3,2%. O PIB em valores correntes alcançou 1,05 trilhão.
Na divulgação do terceiro trimestre de cada ano é realizada uma revisão mais abrangente que incorpora os novos pesos das Contas Nacionais Anuais de dois anos antes. As alterações realizadas são apresentadas na divulgação e as notas metodológicas explicativas dos aperfeiçoamentos na metodologia são disponibilizadas com antecedência no site do IBGE. Mais detalhes na publicação completa:
Em relação ao 2º tri de 2011, somente agropecuária teve crescimento
O PIB registrou variação nula em relação ao trimestre anterior. Destaque para a agropecuária, que cresceu 3,2%, enquanto que indústria e serviços tiveram variação negativa.
A queda da indústria (-0,9%) foi puxada pela “Indústria de transformação”, cujo índice de volume do valor adicionado reduziu-se em 1,4%. As demais atividades industriais registraram variações positivas em relação ao trimestre imediatamente anterior: “Extrativa mineral” (0,9%), “Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana” (0,8%) e “Construção civil” (0,2%).
Dentre os serviços (variação de -0,3%), as variações negativas em volume se deram no “Comércio” (-1,0%), “Outros serviços” (-0,5%) e “Serviços de informação” (-0,3%). “Atividades imobiliárias e aluguel” (0,4%), “Transporte, armazenagem e correio” (0,2%) e “Administração, saúde e educação pública” (0,1%) registraram variações positivas em relação ao segundo trimestre. Já a “Intermediação financeira e seguros” teve crescimento de 1,7%.
Pela ótica do gasto, todos os componentes da demanda interna apresentaram variações negativas no terceiro trimestre deste ano:despesa de consumo da administração pública (-0,7%), formação bruta de capital fixo (-0,2%) e despesa de consumo das famílias (-0,1%). A contribuição positiva ao desempenho do PIB foi dada pelo setor externo, que registrou crescimento das exportações (1,8%) e redução das importações de bens e serviços (-0,4%).
Em relação ao mesmo trimestre de 2010, agropecuária é destaque
O PIB cresceu 2,1% no terceiro trimestre de 2011 em relação a igual período de 2010, sendo que o Valor Adicionado a Preços Básicos aumentou 2,0%, e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios cresceram 3,0%.
Dentre as atividades que contribuem para a geração do valor adicionado, o destaque foi a agropecuária, que neste trimestre cresceu 6,9% em relação a igual período do ano anterior. Essa taxa pode ser explicada pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no terceiro trimestre e apresentaram crescimento da produtividade, como é o caso da mandioca (estimativa de crescimento de produção em 2011 de 7,3%), feijão (6,1%) e laranja (3,1%).
A indústria, que nesta base de comparação vem apresentando trajetória de desaceleração desde o segundo trimestre de 2010, cresceu 1,0%. Nos dois primeiros trimestres de 2011, o crescimento havia sido de 3,8% e 2,1%, na ordem. Dentre as atividades industriais, as maiores expansões ocorreram em “Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana” (4,0%) e na “Construção civil” (3,8%). O desempenho da ”Construção civil” no trimestre é corroborado pelo aumento da população ocupada no setor e pelo desempenho do crédito direcionado. O volume do valor adicionado da “Extrativa mineral” teve aumento de 2,7%, puxado pela elevação da extração de minério de ferro. A “Indústria de transformação”, por sua vez, registrou queda de -0,6%, resultado influenciado, principalmente, pela redução da produção de automóveis, têxteis, artigos do vestuário, calçados e produtos químicos em geral, com destaque para os farmacêuticos.
O valor adicionado de serviços cresceu 2,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Todas as atividades que o compõem registraram variações positivas, com destaque para os “Serviços de informação”, que cresceram 4,4%, e a “Intermediação financeira e seguros”, onde a expansão foi de 3,0%. “Transporte, armazenagem e correio” e “Administração, saúde e educação pública”apresentaram crescimento de 2,1% e 2,0%, respectivamente. No “Comércio” (atacadista e varejista) a expansão foi de 1,7%. A atividade “Outros serviços” cresceu 1,5%. Por fim, “Serviços imobiliários e aluguel” cresceram 1,4%.
Pelo lado da demanda interna, a despesa de consumo das famílias apresentou crescimento de 2,8%, sendo a trigésima segunda variação positiva consecutiva nessa base de comparação. Um dos fatores que contribuíram para este resultado foi o comportamento da massa salarial real, que teve elevação de 2,6% no terceiro trimestre de 2011 segundo Pesquisa Mensal de Emprego. Além disso, houve um aumento, em termos nominais, do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas de 18,3% no terceiro trimestre de 2011 de acordo com o Banco Central. A despesa de consumo da administração pública cresceu 1,2% na comparação com o mesmo período de 2010.
formação bruta de capital fixo (FBCF ou investimento planejado), por sua vez, registrou expansão de 2,5% em relação a igual período do ano anterior. Dentre os fatores que contribuem para explicar este crescimento, destacam-se o desempenho da construção civil e a expansão da produção interna de máquinas e equipamentos.
Pelo lado da demanda externa, as exportações e as importações de bens e serviços apresentaram crescimento nesta comparação, de 4,1% e 5,8%, respectivamente. A valorização cambial ajuda a explicar o maior crescimento relativo das importações. Os produtos da pauta de importação que mais contribuíram para esse resultado foram “veículos”; “equipamentos eletrônicos”; “material elétrico”; “têxteis, vestuário e calçados”; “extrativa mineral”; “plásticos”; e “químicos”.
Em 12 meses, PIB cresce 3,7%
O PIB a preços de mercado acumulado nos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2011 cresceu 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, resultado da elevação de 3,3% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 6,1% nos impostos sobre produtos. Dentre as atividades econômicas, os serviços cresceram 3,6%, a indústria, 2,9% e a agropecuária, 2,7%.
PIB cresce 3,2 % no acumulado em 2011 até setembro
O PIB a preços de mercado no acumulado em 2011 apresentou crescimento de 3,2%, em relação a igual período de 2010. Nesta base de comparação, o volume do valor adicionado dos serviços cresceu 3,2%, seguido pela agropecuária (2,8%) e pela indústria (2,3%).
No trimestre taxa de investimento alcança 20,0% do PIB
A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2011 foi de 20,0% do PIB, inferior à taxa referente a igual período do ano anterior (20,5%). A taxa de poupança alcançou 18,8% no terceiro trimestre de 2011, ante 19,6% no mesmo trimestre de 2010.
No resultado do terceiro trimestre de 2011, a necessidade de financiamento alcançou R$ 19,7 bilhões contra R$ 24,9 bilhões no mesmo período do ano anterior. A renda nacional bruta atingiu R$ 1.028,7 bilhões contra R$ 949,0 bilhões em igual período do ano anterior; e, nessa mesma comparação, a poupança bruta atingiu R$ 196,9 bilhões, contra R$ 188,9 bilhões em 2010.
Comunicação Social
06 de dezembro de 2011






Valores da mandioca continuam em queda, aponta Cepea

Número de indústrias processadoras em atividade é baixo e causa redução das cotações da raiz

Interessados em fazer caixa para o final do ano, bem como em liberar áreas de arrendamentos em algumas praças, produtores continuam intensificando a colheita de mandioca nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Agentes de mercado apontam ainda que os atuais níveis de preços e o rendimento de amido mais estável também influenciam positivamente na decisão de colheita. Por outro lado, o número de indústrias processadoras em atividade é baixo, o que resultou em queda das cotações da raiz.
CEPEA





06/12/2011 | 17h46

PIB da agropecuária deve desacelerar no quarto trimestre

Produção dos principais itens que pesam na formação do índice do período deve ser reduzida

Depois de um desempenho destacado no terceiro trimestre, o PIB da agropecuária deve desacelerar nos últimos três meses do ano, na margem e na comparação com o mesmo intervalo de 2010, de acordo com analistas. Isso porque a produção dos principais itens que pesam na formação do índice do período - trigo, fumo e carne bovina - deve ser reduzida.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária subiu 3,2% no terceiro trimestre, na margem. Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, houve aumento de 6,9%. A agropecuária representa 5,3% do total do PIB nacional; a indústria 28,1%; e o setor de serviços, 66,6%.
O analista da Tendências Consultoria, Amaryllis Romano, avalia que o PIB agropecuário deve ser "fraco" no quarto trimestre de 2011, apesar de ainda positivo, por conta da queda na produção de trigo, e do desempenho dos segmentos de carnes e fumo.
O trigo não vem bem e a pecuária, apesar da recuperação do preço, registrou queda no abate. Devemos, portanto, ter um crescimento mais baixo – afirmou.
No caso do trigo, a produção nacional recuou 13,8% neste ano, para 5,07 milhões de toneladas, na comparação com o ano passado, de acordo com estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). A colheita terminou neste início de dezembro.
A analista observou que a quebra de quase 10% na safra de cana-de-açúcar fez com que a cultura freasse a alta do PIB agropecuário no terceiro trimestre e deve ainda impactar negativamente o resultado do último trimestre de 2011.
– A colheita praticamente já acabou por falta de cana e o impacto será negativo de novo – ressaltou.
A economista-chefe do Rosenberg Associados, Thaís Zara, prevê um PIB agropecuário ligeiramente negativo no quarto trimestre, na margem, e uma taxa interanual mais baixa, mas ainda positiva.
– Haverá uma acomodação no quarto trimestre – disse.
Embora no terceiro trimestre a agropecuária tenha tido melhor desempenho que o PIB total do país, no acumulado do ano (+2,8%) o resultado está abaixo do índice nacional (+3,2%). A economista do IBGE Amanda Tavares ressaltou que, visto num intervalo de tempo mais longo, o PIB agropecuário mostra influências negativas de setores como pecuária, silvicultura e pesca, cuja produção física cedeu.
– Esses setores impediram que o PIB agro tivesse um desempenho mais expressivo – afirmou.
2012
Se o clima ajudar, a tendência para o PIB agropecuário em 2012 é de crescimento, mas em patamar inferior ao registrado em 2011, na avaliação da analista da Tendências, Amaryllis Romano.
– O plantio foi bom e a tecnologia aplicada será melhor para o próximo ano. Mas não será igual a 2011, quando o custo do plantio foi baixo, o clima ajudou e comercialização da maior parte da produção ocorreu a preços ainda altos – disse.



Custo de produção na pecuária de leite teve queda de 3,5% em novembro

Segundo a Scot Consultoria, houve redução também no custo da pecuária de corte de alta tecnologia, de 0,4%

De acordo com o índice de custo calculado pela Scot Consultoria, em novembro houve redução de 0,4% para o custo da pecuária de corte de alta tecnologia. Já para o custo da pecuária leiteira, a queda foi de 3,5%.

Os itens que mais aliviaram os pecuaristas foram os alimentos concentrados, energéticos e protéicos, que caíram 6,6% e 3,9% em novembro, em relação a outubro, considerando o conjunto de produtos utilizados na composição do índice.

Porém, apesar do recuo em novembro, os custos da pecuária de corte de alta tecnologia e leiteira estão 12,9% e 15,9% maiores em relação ao mesmo período do ano passado, respectivamente
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SCOT CONSULTORIA

Preço do leite longa vida cai no atacado mas se mantém estável no varejo

Pressão de baixa deve continuar devido a queda da demanda em razão das férias escolares e o aumento da oferta de matéria-prima

Foto: Miro de Souza/Agencia RBS
Em São Paulo a margem entre o valor praticado no atacado e no varejo aumentou e está em 34%, uma das maiores desde janeiro de 2010
leite longa vida está mais barato no mercado atacadista. Segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria, no início de dezembro o produto ficou cotado em R$ 1,73 por litro, um dos menores preços de 2011. Desde agosto a cotação do produto vem perdendo sustentação. A redução da demanda, típica desse período do ano, e o aumento na captação de leite cru, fizeram estoque na indústria e derrubam os preços. No entanto, no varejo os valores ficaram estáveis. 

O consumidor de São Paulo paga, em média, R$ 2,32 por litro do UHT. Dessa forma, a margem entre o valor praticado no atacadoe no varejo aumentou e está em 34%, uma das maiores desde janeiro de 2010.

A partir de agora, com as férias escolares a demanda deve enfraquecer, ao mesmo tempo em que a disponibilidade de matéria-prima cresce, dando força à pressão de baixa dos preços.
SCOT CONSULTORIA

Preço agropecuário em São Paulo sobe 15,19% em 12 meses

Conforme Instituto de Economia Agrícola, produtos que registraram maiores altas foram tomate para mesa, cana-de-açúcar e café

  • Gustavo Porto
O Índice quadrissemanal de Preços Recebidos (IqPR) pelo produtor rural de São Paulo subiu 1,85% em novembro sobre outubro e acumula alta de 15,19% nos últimos 12 meses. Os dados constam em levantamento realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) aumentou 1,20% no mês e 19,33% no acumulado. Já o IqPR-A (produtos de origem animal) subiu 3,58% e 3,19%, respectivamente.
Sem a inclusão da cana-de-açúcar, principal cultura do Estado, no cálculo do índice, o IqPR fecharia novembro com alta de 2,90% e teria uma queda de 1,97% nos últimos 12 meses. Já o IqPR-V teria alta de 2,13% em novembro e baixa de 8,87%, no acumulado, sem a cana.
Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas em novembro foram laranja para mesa (14,86%), feijão (7,71%), amendoim (7,62%) e carne bovina (5,91%). A alta na laranja de mesa ocorreu pela aproximação do fim da safra. No feijão, o aumento ocorreu pela oferta pequena e pelo atraso no cultivo e o avanço do preço do amendoim foi pela escassez do produto, cuja safra foi plantada recentemente. Já a alta na carne foi causada pelo crescimento da demanda em um cenário de menor oferta.
No acumulado dos últimos 12 meses, o tomate para mesa segue com a maior alta, de 127,33%, apesar do recuo de 2,64% em novembro. No mesmo período, cana aumentou 38,71% e o café 38,62%.
Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços em novembro foram banana nanica (6,28%), batata (5,75%), algodão (4,41%) e café (2,82%). Mesmo com a recuperação em novembro, no acumulado de 12 meses as laranjas para mesa e para a indústria lideram as quedas de preços, com, respectivamente, 43,16% e 37,52%, seguidas pela batata, com recuo de 34,20%. No mês passado, nove produtos apresentaram alta de preços (seis de origem vegetal e três de origem animal) e 11 tiveram queda (oito de origem vegetal e três de origem animal).







BRASIL CRESCE MENOS QUE EUROPA EM CRISE

BC E CRISE LEVAM BRASIL À ESTAGNAÇÃO
Autor(es): » Victor Martins
Correio Braziliense - 07/12/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/7/brasil-cresce-menos-que-europa-em-crise

PIB do terceiro trimestre só não foi negativo por causa do agronegócio
Depois de mais de dois anos de crescimento contínuo, a economia brasileira parou. Do segundo para o terceiro trimestre, a taxa zero de crescimento do PIB, a soma das riquezas produzidas no país, foi menor que a da combalida União Europeia (0,2%), dos EUA (0,5%) e até do Japão (1,5%), destruído por um terremoto seguido de tsunami e de desastre nuclear. Além da crise global, especialistas atribuem o PIB zero ao arrocho no crédito e à forte elevação dos juros perpetrados pelo Banco Central para segurar a inflação. O Brasil só não deu marcha a ré porque o agronegócio, único setor a andar para a frente, avançou 3,2% em relação ao segundo trimestre.

Arrocho no crédito, juros em alta e turbulências na Europa fazem PIB ter variação zero no terceiro trimestre, um tormento para Dilma

Rio de Janeiro — O Brasil não resistiu às intervenções do Banco Central na economia para controlar a inflação e parou. A combinação de juros em alta (de 10,75% para 12,50% ao ano) e arrocho no crédito — receita potencializada pela crise na Europa — levou o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país, a registrar estagnação no terceiro trimestre ante os três meses imediatamente anteriores, depois de mais de dois anos de crescimento contínuo. Foi o pior resultado desde o início de 2009, quando o mundo se debatia para sair do atoleiro no qual se meteu com o estouro da bolha imobiliária norte-americana.
A variação zero do indicador de atividade provocou desconforto no Palácio do Planalto, ainda que já fosse uma certeza. A razão é simples: dificilmente o PIB deste ano ficará acima de 3%. Ou seja, será menos da metade dos 7,5% de 2010 entregues a Dilma Rousseff por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não é só. O governo foi obrigado a engolir comparações nada reconfortantes. A taxa zero de crescimento entre o segundo e o terceiro trimestre foi menor do que a computada no mesmo período pela combalida União Europeia, que teve expansão de 0,2%; pelos Estados Unidos, com avanço de 0,5%; e pelo Japão, que foi destruído por um terremoto seguido de tsunami e de desastre nuclear, com salto de 1,5%. O Brasil ficou no mesmo patamar da fragilizada Espanha, dona da maior taxa de desemprego da Europa, de 22%, e só conseguiu superar a Holanda, que levou um tombo de 0,3%, segundo ranking divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mesmo na comparação do terceiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2010, o PIB brasileiro, com aumento de 2,1%, desapontou e perdeu para os das nações que integram o Brics. A China avançou 9,1%; a Índia; 6,9%; a Rússia, 4,8%, e a África do Sul, 3,1%. "Praticamente, todos os setores que compõem o PIB do Brasil apontaram queda, um claro sinal de esfriamento da economia" disse Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora. A indústria recuou 0,9% em relação ao segundo trimestre. Os investimentos encolheram 0,2%. Mesmo os dois principais motores do país, o consumo das famílias e o setor de serviços, ratearam, com quedas de 0,1% e de 0,3%, respectivamente. A salvação ficou por conta da Agricultura, que cresceu 3,2%. [ridículas observações, comparando como iguais os complementares. O assim chamado Brasil, ou o PIB etc., cresceu pra fora, ponto; os serviços, no âmbito doméstico, recuaram sem que a acumulação nacional parasse, cf. indica a taxa anual, e não a variação, das importações, sustentada pelas exportações (pela especulação sobre as exportações, seria mais correto dizer). É balela, mentira expressa ou demência, equiparar o produto da safra da mandioca com o da laranja e encontrar no mercado doméstico de abastecimento, de subsistência alimentar, a razão para o crescimento do PIB agropecuário; laranja é produto de exportação, e os produtores estão integrados ao conglomerado da FEMSA. A safra da mandioca cresceu porque, provavelmente, a parcela inativa da população trabalhadora teve de recorrer à lavoura de subsistência, para complementar a dieta, e levar ao mercado algum excedente mais volumoso. Cf. indicam as consultorias do segmento, os preços da mandioca estão em queda em nov-dez. 
Até que ponto vão os editores comprar esse discurso idiotizante de que "nós nos mantemos pelo nosso mercado interno?" No momento de aperto monetário, é evidente que apareceria, com mais nitidez, a mola internacional do subdesenvolvimento. Não digo que isto, de "mercado interno brasileiro" seja impossível, mas que, por agora, resta no horizonte como promessa, senão como véu para os enganadores; nada indica que caminhamos neste sentido efetivamente. Pronatec, Brasil Maior, Brasil Sem Fronteiras, aperto ou incentivo ao crédito: ma fois!, aliás homófono de mafuá.]
2,8% no ano
Para Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, os efeitos das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e da alta dos juros foram nocivos, sobretudo, para os investimentos, para a indústria e para o consumo das famílias, esse último, ainda atrapalhado pela intensa inflação, que, segundo as expectativas do mercado, deve fechar o ano próximo do teto da meta definida pelo governo, de 6,5%. Não à toa, ressaltou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, para onde quer que se olhe, o PIB do terceiro trimestre foi ruim. Ele lembrou que o resultado só foi nulo porque o IBGE não divulgou as outras casas decimais do Produto. "Caso fossem usadas duas casas, o PIB seria negativo em 0,04%", garantiu Leal. O resultado também foi ajudado pelo setor externo. Como as exportações no trimestre superaram as importações — ao contrário dos períodos anteriores —, a diferença adicionou 0,26 ponto percentual no PIB.
"De forma concreta, o PIB foi negativo no trimestre e as revisões indicam que dificilmente teremos um PIB acima de 3%", destacou Leal. As apostas do mercado estão convergindo para um número entre 2,5% e 2,8%. Isso, se as medidas tomadas recentemente pelo BC e pela Fazenda, facilitando o crédito e cortando impostos de eletrodomésticos, atingirem plenamente os seus objetivos. O governo reconheceu que a fragilidade da produção e do consumo se manteve até outubro, mês em que a produção industrial caiu 0,6%. Mas, a partir de novembro, o quadro começou a mudar, puxado pelo setor automobilístico, justamente o que mais ajudou a empurrar a indústria para baixo.
Dúvidas
Na avaliação do Itaú Unibanco, a maior surpresa do PIB foi o comportamento da demanda interna, que recuou mais que o esperado, e também com o ritmo dos serviços, que demonstrou um desaquecimento que pode ser contagioso para outros segmentos. "Essa desaceleração da demanda não só aconteceu como veio mais forte do que o esperado", observou Aurélio Bicalho, economista da instituição. Para ele, não há dúvidas de que o desempenho do PIB foi fortemente influenciado pelas medidas adotadas pelo BC e pelo freio nos investimentos do governo. Mas ele pontuou que o recrudescimento das condições internacionais intensificou o poder dessas ações. A seu ver, o quarto trimestre apresentará um resultado positivo, mas longe do desejado pelo Palácio do Planalto. Ele aposta em uma expansão de 0,4% para o período, o que deixará o PIB do ano ao redor de 2,8%.




A mandioca salvadora

O PIB da mandioca
Autor(es): agência o globo:Ronaldo D"Ercole
O Globo - 07/12/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/7/a-mandioca-salvadora
Agropecuária expandiu 3,2%, o único grande setor que teve alta

RIO e SÃO PAULO. E a mandioca, quem diria, engorda até PIB. Na última safra, abençoado pelo clima, o tubérculo cresceu de tamanho e incrementou a produtividade da agropecuária - o maior destaque no PIB. Com expansão de 3,2% em relação ao segundo trimestre, foi o único grande setor que conseguiu aumentar a produção. Em comparação ao terceiro trimestre de 2010, o avanço foi de 6,9%. Além da mandioca salvadora, cujo aumento estimado da produção para este ano é 7,3% sobre 2010, feijão e laranja vingaram, com projeções de 6,1% e 3,1%, respectivamente. Mas, em se plantando, nem tudo dá, e há queda na estimativa de trigo (-14,1%), cana (-9,4%) e café (-7,5%).
- Ela (mandioca) puxou o crescimento. A agropecuária teve desempenho bem acima da média pois produtos que têm safra importante no terceiro trimestre tiveram crescimento de produção e produtividade, caso de mandioca, laranja e feijão - disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. [de novo: somos uma fronteira do serviço, que, igual à agropecuária, não cria valor. Não, nem finança nem serviço nem agropecuária criam valor, embora tenham a capacidade de atrair e repartir o mais-trabalho extraído alhures, mormente na China e no Oriente Médio. É um descaramento dizer que a mandioca puxou o crescimento, ou, e isto seria um desconto, uma maneira de desculpá-la ou justificá-la, uma demência crônica. Seguem, Nordeste, Norte.]
A agropecuária vem colhendo boas safras e se beneficia de correções de preços desde 2010. A avaliação é do presidente da Sociedade Brasileira de Agricultura, Cesário Ramalho da Silva. As condições favoráveis, diz, se "irradiam" na rentabilidade do setor, que investe mais em insumos, em sementes com mais tecnologia.
- Quando se tem boas expectativas, tanto em termos de safra como de preços, se usa mais tecnologia nos cultivos. Além disso, houve aumento dos limites por agricultor e dos repasses de crédito para o plano de safra - disse Ramalho. - O momento é positivo.
Amarilis Romano, analista do setor agrícola da consultoria Tendências, destaca o "clima favorável" e a modernização:
- A expansão veio acima do esperado. A agricultura está se modernizando no país, e isso aparece nos números.

PIB ESTAGNADO - CONSUMO DE FAMÍLIAS CAI E ECONOMIA PARA DE CRESCER

O DIA EM QUE O PIB PAROU
Autor(es): Fabiana Ribeiro, Mariana Durão, Clarice
O Globo - 07/12/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/7/pib-estagnado-consumo-de-familias-cai-e-economia-para-de-crescer
Economia ficou estagnada com o consumo das famílias e serviços em queda
Aeconomia brasileira parou no terceiro trimestre deste ano. De julho a setembro, a variação do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi zero, ante os três meses imediatamente anteriores - o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009 (-1,7%). A parada brusca veio como consequência das medidas para conter crédito implementadas em fins de 2010 e da política de juros altos para desaquecer a economia e combater a inflação - que vinha com projeções acima do teto da meta (de 6,5%). Esses fatores, somados ao agravamento da crise global, esfriaram a economia brasileira e analistas já estão reduzindo as estimativas para o PIB em 2011, ficando abaixo de 3%. Caíram os investimentos, os gastos do governo e até o consumo da famílias - até agora o principal motor da atividade. Com isso, o resultado acumulado no ano é de 3,2% e ainda se manteve em alta quando se compara com o terceiro trimestre de 2010: 2,1%. O PIB brasileiro somou R$1,047 trilhão no período. No início de dezembro, o governo soltou um pacote de medidas para voltar a aquecer a atividade.
- A economia toda desacelerou com as medidas do governo e juros altos. O PIB só não ficou negativo pelo crescimento líquido das exportações - disse Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, referindo-se às exportações que subiram 1,8% enquanto as importações caíram 0,4%.
A conta da crise pode não ter chegado às exportações - mas atingiu os investimentos. Segundo Armando Castelar, economista da FGV, o cenário internacional piorou as expectativas do empresariado, o que afetou a disposição de investir. Além disso, afirmou, a crise já afeta linhas de crédito no exterior, encarecendo o financiamento para as empresas. A taxa de investimento saiu de 20,5% para 20% do PIB.
Segundo Rebeca, houve uma mudança no comportamento da economia, que vinha sendo sustentada pelos serviços e consumo:
- Comércio e transportes (no setor de serviços) foram influenciados pela queda na indústria de transformação e cresceram abaixo da média. Pela parte da demanda, os investimentos e consumo estavam crescendo, agora caem.
Sem exportações, PIB seria negativo
Pela ótica da demanda, o consumo da famílias recuou 0,1% ante o segundo trimestre, num movimento que não acontecia desde o quarto trimestre de 2008 (-1,9%) - quando a crise financeira global chegou com força ao Brasil. Contudo, esses gastos ainda estão 2,8% acima do que se viu em igual período de 2010, registrando o 32º crescimento trimestral consecutivo. Além do crédito mais limitado, as famílias tiveram seus salários corroídos pela inflação mais alta e menor crescimento do emprego nos últimos meses. A massa salarial se elevou 2,6% no terceiro trimestre, desacelerando frente aos 6,5% de abril a junho.
- A economia rodaria a 7% se não fossem as medidas do governo e isso geraria pressões inflacionárias ainda mais fortes. A crise deu o tom de incerteza - disse Carlos Thadeu de Freitas, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A retração do consumo observada pelo IBGE se nota no orçamento de Mariana Vazquez. A profissional de RH já não consome como antes, e sua palavra de ordem é economizar para ter a casa própria:
- Roupas, celular, acessórios, nada mais. Cortei os gastos. Só compro mesmo o essencial - disse.
Com o recuo das despesas do governo (-0,7%) e do investimento (-0,2%), a demanda doméstica contribuiu negativamente com 0,23% para o PIB, o pior resultado desde os -0,8% do primeiro trimestre de 2009. Já o setor externo contribuiu com 0,25% para o PIB, com as exportações superando as importações de julho a setembro. Ou seja, se não fossem as exportações mais fortes, o PIB teria caído 0,2%.
A agropecuária, pela ótica da produção, foi a única atividade que avançou, de 3,2% em relação ao segundo trimestre. Já a indústria recuou 0,9% e acabou afetando o resultado dos serviços, que recuou 0,3%. 
Apesar do resultado dentro das expectativas, as consultorias estão revisando para baixo as projeções, diante do fraco desemprego da demanda doméstica. Para fechar o ano crescendo os 3,8% até então ambicionados pelo governo, o país teria que crescer 4% no último trimestre frente ao anterior, calcula Luis Otavio Leal, economista do banco ABC Brasil. Ele avalia que o terceiro trimestre foi o fundo do poço.
Em 2012, as projeções são de que a economia crescerá em torno de 3,5%, com mais força no segundo semestre. É nessa época que o pacote de estímulos e as reduções da Selic iniciadas em agosto de 2011 surtirão efeito maior.
Eduardo Velho, da Prosper Corretora, diz que o resultado dá mais fôlego a maiores reduções da taxa Selic:
- O PIB pode repercutir nas apostas de maior flexibilização monetária em 2012, com taxa de 9% ao ano.
O IBGE divulgou uma série de revisões, como sempre ocorre com os dados do terceiro trimestre. O PIB do segundo trimestre cresceu 0,7% e não 0,8% em relação ao trimestre ao anterior. De janeiro a março de 2011, a alta passou de 1,2% para 0,8%. O PIB de 2010 foi mantido em 7,5%.

QUEDA GERAL DA DEMANDA SURPREENDE

DEMANDA INTERNA RECUA E COMPLICA PIB DE 2012
Valor Econômico - 07/12/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/7/queda-geral-da-demanda-surpreende

As restrições à expansão doméstica e as expectativas negativas sobre a crise na Europa se disseminaram por toda a economia a ponto de paralisá-la no terceiro trimestre - o Produto Interno Bruto não cresceu nada em relação ao trimestre anterior. Pela primeira vez desde o auge do impacto da crise financeira mundial, na virada de 2008 para 2009, houve retração em todos os componentes do consumo interno: famílias, governo e investimento. O consumo das famílias recuou 0,1%, os investimentos, 0,2% e os gastos do governo, 0,7%. A combinação desses números desfavoráveis torna bem mais difícil chegar a um crescimento de 3,5% em 2012 e improvável a possibilidade de uma expansão superior a 4%, como desejado pelo governo

A estagnação do crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre, revelada ontem na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi acompanhada de uma queda de 0,2% na demanda doméstica. Foi a primeira vez, desde o auge do impacto da crise financeira mundial na virada de 2008 para 2009, em que houve retração em todos os componentes do consumo interno - famílias, governo e investimento. Para analistas, o resultado do terceiro trimestre confirma 3% como teto para o crescimento do PIB neste ano e torna mais difícil reacelerar o ritmo de crescimento em 2012.
A queda na demanda doméstica foi o dado não esperado dentro do resultado do PIB. Pelo lado da demanda, recuaram o consumo das famílias (menos 0,1%) e do setor público (menos 0,7%), formação bruta de capital fixo (menos 0,2%) e as importações (menos 0,4%), sempre na comparação do terceiro trimestre com o segundo, descontados os efeitos sazonais. Apenas as exportações cresceram, com alta de 1,8% na mesma comparação. Com base no comportamento dos componentes do consumo no PIB, o Departamento Econômico do Bradesco calcula uma série de demanda doméstica total, que apontou a queda trimestral de 0,2% sobre o segundo trimestre, a primeira desde a virada de 2008/2009.
Pelo lado da oferta, a indústria recuou 0,9% (dado esperado), mas sua retração foi acompanhada pelo setor de serviços, que caiu 0,3% em relação ao segundo trimestre, na série com ajuste sazonal. Com exceção da retração registrada no quarto trimestre de 2008 (quando a economia como um todo se retraiu após a quebra do Lehman Brothers em setembro), a última vez em que o setor de serviços registrou queda no PIB foi no início de 2005. A exceção entre os três grandes componentes do PIB foi a alta de 3,2% na agropecuária.
O aumento da incerteza gerada pela crise externa pode explicar parte do resultado ruim da demanda doméstica, dizem economistas ouvidos pelo Valor. A maioria, contudo, aponta a política contracionista adotada a partir do fim de 2010 como principal razão da forte desaceleração do consumo e da oferta de bens e serviços da economia brasileira no terceiro trimestre. Essa é a avaliação da gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. A reversão das medidas - iniciadas com o corte de juros no fim de agosto -, contudo, ainda não está refletida nesse resultado, explicou ela.
"A política econômica fez mais efeito do que esperavam os economistas. Não me parece lógico explicar o comportamento doméstico com o cenário internacional", afirma Carlos Kawall, economista-chefe do Banco J. Safra. Ele explica que o ambiente internacional passou a ficar mais preocupante a partir de agosto, mês em que o Banco Central reverteu o ciclo de aperto monetário e iniciou o afrouxamento dos juros básicos. Desde então, a Selic caiu 1,5 ponto percentual, para 11% ao ano. Aliado ao ajuste da taxa de juros, o governo começou a desmontar as medidas de contenção ao crédito tomadas no fim de 2010 e, na semana passada, reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para parte da linha branca. [e, mesmo assim, não significará acumulação, senão retomada da capacidade instalada e regulação dos estoques. A indústria automobilística, o mesmo.]
Na avaliação de Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, os estímulos à economia chegaram atrasados e devem ajudar a atividade somente a partir do segundo trimestre de 2012, na melhor das hipóteses. "Houve um excesso de preocupação com relação à inflação e agora mergulharemos num crescimento negativo desnecessário no quarto trimestre por conta disso", diz Silveira. A perspectiva de queda do PIB no quarto trimestre, porém, não é consenso.
As previsões para o PIB do últimos trimestre em relação ao terceiro variam de 0,2% a 0,8%, na série com ajuste. Para 2012, se o governo quiser garantir o crescimento desejado pela presidente Dilma Rousseff - entre 4% e 5% - o PIB precisará se expandir de 1,4% a 1,8% a cada trimestre - e a zona do euro não entrar em recessão.












Crise não enfraquecerá demanda agrícola da China, diz Rabobank

Segundo instituição, o país deve importar cerca de quatro milhões de toneladas de milho no atual ano-safra

  • Gabriela Mello
Uma desaceleração da economia chinesa em 2012 não deve enfraquecer a demanda por produtos agrícolas, já que o governo precisará recorrer ao mercado internacional para reabastecer os baixos estoques domésticos. A informação é do Rabobank, que divulgou nota nesta segunda, dia 5.
A China provavelmente importará cerca de quatro milhões de toneladas de milho no ano-safra iniciado em 1º de outubro de 2011 e sete milhões de toneladas em 2012/2013, de acordo com o banco.
Com base em um cenário previsível, as importações de soja em 2011/2012 devem subir 12% na comparação anual, para 58,5 milhões de toneladas, e 15% ou mais, superando 60 milhões de toneladas, na melhor das hipóteses, acrescentou o Rabobank.
Com a inflação desacelerando e as margens de lucro obtidas com o processamento subindo, o banco prevê uma recuperação da demanda chinesa por óleo de palma em 2011/2012, para um recorde de seis milhões de toneladas, volume 5% maior ante 2010/2011.
"A necessidade de reabastecer os estoques terá impacto positivo nos preços e deve ocorrer, apesar da modesta previsão de declínio do crescimento econômico", diz a nota.



Preço elevado dos grãos impulsionará vendas de fertilizantes, diz Yara

Entre 2006 e 2010, o volume vendido pelo grupo norueguês aumentou 3,5 milhões de toneladas

A Yara International informou nesta terça, dia 6, que os agricultores interessados em aproveitar os atuais preços elevados dos grãos devem intensificar a aplicação de fertilizantes e, consequentemente, elevar as vendas de produtos do grupo norueguês e de suas joint ventures em oito milhões de toneladas até 2016. Entre 2006 e 2010, o volume vendido pela Yara aumentou 3,5 milhões de toneladas.
Segundo informações da Dow Jones, a perspectiva de crescimento das vendas impulsionou as ações da empresa na Bolsa de Valores de Oslo.
– O consumo mundial de grãos continua crescendo de modo estável, enquanto a produção enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo do consumo, mesmo quando os incentivos de preço estão em níveis recordes – disse o executivo-chefe da Yara, Jorgen Ole Haslestad.
A companhia, maior fabricante de fertilizantes à base de nitrogênio, afirmou que a demanda agora é forte em todas as regiões em que os insumos são usados nesta época do ano. Em 2011, os preços de todos os nutrientes subiram frente ao ano anterior, com um aumento particularmente expressivo no caso do nitrogênio.
O motivo é que as exportações da China tem sido limitada pela cobrança de uma taxa sobre os embarques de ureia - ingrediente usado na produção de fertilizantes - e por fortes preços no mercado local. Há uma falta de capacidade ociosa na indústria fora da China.
Nesta terça a Yara também anunciou um conjunto de cenários de resultado, estimando um lucro por ação de 28 coroas a 55 coroas norueguesas, ante projeção de 18 coroas a 47 coroas norueguesas por ação para igual período um ano antes. Embora os papéis da companhia tenham avançado, alguns analistas não se mostraram convencidos da perspectiva.
– Nós não sabemos por que a previsão de lucro aumentou em 10 coroas norueguesas por ação – informou a ING.



Exportação mensal do agronegócio mineiro quebra a barreira de US$ 1 bi
Publicado em 06/12/2011 na seção noticias :: Versões alternativas: Texto PDF




Pela primeira vez as exportações do agronegócio mineiro superam a receita mensal de US$ 1 bilhão. De acordo com oMinistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o valor alcançado em novembro de 2011 foi um pouco superior a essa marca, registrando um aumento de 32,90% em relação ao resultado do décimo primeiro mês do ano passado. A receita obtida com a comercialização internacional dos produtos agrícolas e pecuários, no mês, representou 26,5% do resultado das exportações totais do Estado.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), em novembro de 2011, o café respondeu por 61,7% da cifra total das vendas externas de produtos agrícolas e pecuários de Minas. Segundo o secretário Elmiro Nascimento, a cotação do produto, que alcançou no mês U$ 5,1 mil a tonelada, teve uma progressão de 48,86% em relação ao mesmo período do ano passado.

O secretário observa também que houve crescimento expressivo nas exportações de açúcar, que alcançaram US$ 174,8 milhões, cifra 88,8% superior à registrada em novembro de 2010, Neste caso destaca-se também o incremento do preço médio, que alcançou US$ 568,8 dólares por tonelada, crescimento de 28,47%. Além disso, a soja em grão teve uma variação expressiva no percentual de crescimento (858,9%), pois alcançou a receita de US$ 20,1 milhões.

Nascimento ainda aponta, entre os dados de novembro de 2011, os resultados obtidos pelo grupo de carnes, destacando a bovina. Neste segmento, a receita foi de US$ 23,5 milhões, superior em 73,4% à registrada no décimo primeiro mês de 2010. Já a carne de frango, com receita de US$ 36,0 milhões, teve progressão de 20,3%. E a carne suína, com a receita de US$ 11,7 milhões, avançou 53,8% sobre novembro do ano passado
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VALORES ACUMULADOS

Os dados de janeiro a novembro mostram que as exportações do agronegócio mineiro alcançaram US$ 8,9 bilhões, um crescimento de 29,5% em relação ao mesmo período de 2010. "Nesta avaliação, foi de 23,4% a participação dos produtos da agricultura e da pecuária nas vendas internacionais de todos os setores da economia estadual", explica o secretário.

Ele acrescenta que os resultados dos onze meses já superam os registrados em todo o ano de 2010, que foram de US$ 7,6 bilhões. "A expectativa é de fecharmos o ano com uma receita de exportações do agronegócio mineiro da ordem de US$ 9,5 bilhões, cifra que supera em 25,0% a do ano passado."

Na comparação do período acumulado deste ano com o de 2010, o café apresenta uma receita de US$ 5,2 bilhões, ou 13,8% das exportações totais de Minas. O açúcar também apresenta bom desempenho na análise dos onze meses. Receita de US$ 1,2 bilhão, ou 30,3% mais que o valor obtido na comercialização de janeiro a novembro de 2010. A soja em grão, com uma receita de US$ 315,7 milhões, apresentou crescimento de 21,0%, enquanto o farejo, ao registrar movimento de US$ 173,8 milhões, evoluiu 147,8%. Já o óleo alcançou US$ 96,8 milhões, que equivalem a um crescimento de 33,9%.

As exportações de frango mantiveram bom desempenho no acumulado de janeiro a novembro de 2011: receita de US$ 299,1 milhões, cifra 32,5% superior à registrada em idêntico período do ano passado. Além disso, o secretário assinala os resultados do grupo de couros e peleterias, que alcançou crescimento de 184,3% ao registrar vendas de US$ 99,8 milhões.

A maioria dos produtos que apresentam expansão de receita também foi beneficiada, nos onze primeiros meses deste ano, por aumentos dos preços médios no mercado internacional.






Média diária de exportações brasileiras em dezembro recua ante 2010

Foram reduzidos principalmente os embarques de minério de ferro e milho em grão

  • Renata Veríssimo
Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS
No ano de 2011 as exportações brasileiras somaram até agora US$ 235,697 bilhões
A média diária das exportações brasileiras na primeira semana de dezembro registrou queda de 1,9% em relação a dezembro de 2010, em razão da retração de 10,3% das exportações de produtos básicos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Foram reduzidos os embarques, principalmente, de minério de ferro e milho em grão. A média diária das vendas externas em apenas dois dias úteis de 2011 foi de US$ 892,5 milhões.

Por outro lado, cresceram em 12,8% as exportações de semimanufaturados por conta de catodos de cobre, óleo de soja em bruto, couros e peles, celulose, semimanufaturados de ferro e aço e açúcar em bruto. As vendas de manufaturados subiram 6,1%, puxadas por etanol, motores e geradores, açúcar refinado e automóveis de passageiros.

Nas importações, a média diária da primeira semana de dezembro, de US$ 733 milhões, ficou 8,3% acima da média de dezembro de 2010 (US$ 677,1 milhões). Aumentaram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (80,7%), cereais e produtos de moagem (77,8%), químicos orgânicos e inorgânicos (45,8%), siderúrgicos (30,7%), aparelhos eletroeletrônicos (30,6%), instrumentos de ótica e precisão (16,8%) e equipamentos mecânicos (13,3%).

Na primeira semana de dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 319 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 1,785 bilhão e importações de US$ 1,466 bilhão. No ano, as exportações somam US$ 235,697 bilhões, as importações, U$S 209,404 bilhões, com saldo positivo de US$ 26,293 bilhões.



Exportações brasileiras continuam a crescer acima da média mundial
Publicado em 05/12/2011 na seção noticias :: Versões alternativas: Texto PDF




As exportações brasileiras em novembro de 2011 (US$ 21,8 bilhões) registraram recorde na comparação com os resultados anteriores para este mês. O resultado das importações (US$ 21,2 bilhões) também é o maior da série histórica de novembro e o mesmo é válido para a corrente de comércio (US$ 43 bilhões). O saldo comercial foi de US$ 583 milhões no período e está 100% acima do valor aferido em novembro do ano passado (US$ 291 milhões).

Os números da balança comercial brasileira foram analisados no dia 1º de dezemebro em entrevista coletiva durante o 3º Encontro de Comércio Exterior do Mercosul (Encomex Mercosul) em Curitiba (PR). Esta é a primeira vez que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) divulga os resultados na capital paranaense.

O ministro interino do Mdic, Alessandro Teixeira, destacou que o superávit da balança comercial no acumulado do ano (janeiro a novembro) está em US$ 26 bilhões, valor que é o maior desde 2007 (US$ 36 bilhões). "Eu me lembro que, no começo do ano, diante da crise financeira global, havia muitas previsões de déficit para 2011 e estamos terminando o ano com um resultado extraordinário", disse.

Também presente à entrevista coletiva, a secretária de Comércio Exterior do Ministério, Tatiana Lacerda Prazeres, informou que as exportações brasileiras de produtos básicos (38,7%) e de industrializados (20,2%) registram crescimento superior ao que se verifica no comércio mundial - de 18%, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Considerando que as vendas brasileiras no acumulado do ano cresceram 28%, podemos dizer que a fatia brasileira no mercado internacional deve aumentar em 2011", explicou.

O setor do agronegócio foi destaque em no mês com os seguintes índices: soja (+532%), algodão (+168%), óleo de soja em bruto (+56%), óleos combustíveis (+55%), carne bovina (+42%), café em grão (+37%).


Os principais países de destino das exportações de janeiro a novembro de 2011 foram: China (US$ 40,7 bilhões), Estados Unidos (US$ 23,3 bilhões), Argentina (US$ 20,9 bilhões), Países Baixos (US$ 12,7 bilhões) e Japão (US$ 8,6 bilhões). Relativo às importações, os mercados que mais venderam para o Brasil foram: Estados Unidos (US$ 31,4 bilhões), China (US$ 30,2 bilhões), Argentina (US$ 15,6 bilhões), Alemanha (US$ 14 bilhões) e Coréia do Sul (US$ 9,2 bilhões).

FONTE






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Debulhando o PIB

Brasil S.A - Antônio Machado
Correio Braziliense - 08/12/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/8/debulhando-o-pib
 
Estagnação no trimestre também repercute cautela do consumidor e ajuste em serviços, o que não é mau

A ironia sobre o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre é que o resultado só não foi pior graças às exportações, e não à demanda interna, apresentada pela presidente Dilma Rousseff nos fóruns internacionais como testemunha do acerto da política econômica adotada pelo Brasil contra a crise global.
Ela não está equivocada, caso se expanda a análise. O crescimento do setor agrícola pelo lado da oferta — com avanço intertrimestres de 3,2%, após a contração de 0,6% no 2º trimestre —, e, pelo lado da demanda, a contribuição positiva das exportações líquidas, com alta de 1,8%, foram os itens do PIB que salvaram o resultado.
Tal desempenho, influenciado (pelo lado da oferta entre o 2º e o 3º trimestre) pelo recuo de 0,9% da indústria e de 0,3% do setor de serviços, esse número, sim, a grande surpresa, conduziu o PIB à estagnação no encadeamento trimestral e a um aumento de 2,1% sobre igual período de 2010. A oferta encolheu, acompanhando a demanda.
O IBGE chega ao resultado do PIB por dois caminhos: o da oferta e o da demanda, ambos equivalentes na conta final. Se dos três itens da oferta, apenas a agropecuário teve evolução positiva, pelo lado da demanda destacaram-se as exportações, apesar da crise no mundo.
Sempre em relação ao trimestre passado, o consumo das famílias de julho e setembro caiu 0,1%, o consumo do governo recuou 0,7% e a taxa de investimento (ou, conforme o jargão das contas nacionais, formação bruta de capital fixo) emagreceu 0,2%. O que a oferta não entregou, sobretudo a indústria, a demanda também não pressionou, diminuindo seu vazamento para as importações. Importa o que virá.
A percepção é que a economia também esteja andando de lado neste fim de ano, mas menos o consumo do que a indústria, cujo calcanhar continua mordido pelas importações, e a taxa de investimentos.
A expectativa do comércio é de retomada do consumo até a véspera do Natal, como prevê a Fecomércio de São Paulo. Nas projeções da entidade, a manutenção do nível de emprego e de renda — ancorados no menor índice histórico de desocupação no país, da ordem de 5,8% da população ativa, e no aumento da massa real de rendimentos de 5,7% — firma o ambiente de expansão do consumo sem inadimplência.
"O resultado será um Natal ainda melhor que o de 2010", aposta o superintendente da Fecomércio, Antonio Carlos Borges. Seu otimismo também se sustenta num índice próprio, que afere a confiança do consumidor. Está acima de 150 pontos, numa escala de 0 a 200.
Importação reduz o PIB
A ser como prevê a Fecomércio, e não há nos indicadores de renda e emprego nada contundente contra o crescimento econômico, fica a pergunta sobre o que teria acontecido com a volúpia consumista no 3º trimestre. Há duas explicações possíveis. A primeira deve estar no que já se alertava neste espaço: que a indústria incorpora cada vez mais partes importadas em seu processo produtivo.
Importações subtraem produção nacional e desviam pedaços da renda para os exportadores no exterior. Ao incentivar o consumo, supondo ativar assim o crescimento econômico, o governo deve estar atento para esta sequela. A demanda crescerá, não o PIB. Este é um dado.
O investimento atrasou
Outro é que o investimento comanda a dinâmica do crescimento, mas especialmente em nova ou em maior capacidade produtiva. A taxa de investimento alavancada pela construção civil — um dos componentes da formação bruta de capital fixo, que também inclui a compra de máquinas e equipamentos — gera resultado rápido sobre o PIB, mas o seu voo é curto, já que não cria fluxos contínuos de produção.
Para conter a demanda com ajuste fiscal, o governo adiou este ano boa parte do investimento público, enquanto o setor privado também se retraiu à espera de clareza dos cenários, sobretudo lá fora. Os dois movimentos, superpostos com o viés de internacionalização das cadeias de produção, ajudaram a reduzir a demanda no trimestre.
Linhas tortas do ajuste
A segunda explicação para a retração do consumo, segundo o quadro da Fecomércio, teria sido o consumidor se preocupar em baixar seu nível de endividamento. Na capital de São Paulo, diminuiu para 41% a relação de famílias, em novembro, com algum tipo de dívida.
Não é ruim tal conduta. Talvez nem a relativa estagnação do PIB. Como sacou o economista Fernando Montero, espantoso era a demanda e o setor de serviços, ou non tradables, isto é, não exportáveis, estarem bombando à custa dos tradables e da indústria fraca. Para ele, o ajuste fiscal distribuiu melhor esse ônus. Se tal fator for previsto em 2012, a retomada do PIB poderá favorecer a indústria.
Ranço dos economistas
É certo que a maioria dos economistas ouvidos pela imprensa tem o pé atrás em relação ao governo, assumindo análises mais histéricas que racionais. Fizeram isso quando o Banco Central cortou a Selic. Alguns foram desrespeitosos, acusando o BC de servil a Dilma. Sobre o balanceamento da intervenção do governo na economia entre as ações de transferência de renda e o investimento público, nada disseram, mal disfarçando o ranço ideológico de suas análises.
Fossem menos preconceituosos, teriam enxergado o que Montero viu ao debulhar o PIB, uma visão determinante para Dilma reorientar a política econômica ouvindo mais gente, como o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que sabe como poucos onde estão os gargalos.