| Autor(es): Fábio Pupo | De São Paulo |
| Valor Econômico - 18/01/2012 |
A CAB Ambiental, empresa do grupo Galvão que opera concessões e parcerias público-privadas (PPP"s) em água e esgoto, está vendendo mais de um terço de suas ações ao BNDESPar. Ontem, a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a compra da fatia da companhia. Hoje, 100% das ações da CAB são da holding do grupo Galvão, a Galvão Participações. Pela aquisição de 33,42%, o BNDESPar pagará R$ 120 milhões. A injeção de capital proporcionada pelo banco será usada nos projetos em andamento e em possíveis novos contratos da companhia, que só presta serviços para o setor público - diferente de outras empresas do setor, que também trabalham para a iniciativa privada, como gestão de resíduos e de efluentes da indústria. Segundo Yves Besse, presidente da CAB, o plano de crescimento inclui tanto novos projetos em licitações como aquisições de outras companhias no setor. Segundo Besse, a CAB foi criada em 2006 com um plano de expansão que seria primeiramente bancado pelo próprio grupo e, em um segundo momento, por novos investidores. Para cumprir o planejamento traçado, foram iniciadas conversas com o BNDES em meados de 2010. As negociações foram interrompidas, segundo Besse, pela ideia do IPO - frustrado em março de 2011 pelas baixas ofertas do mercado. "Entendemos que não era o momento certo de fazer [a oferta na bolsa]", diz. Com o cancelamento do IPO, a CAB voltou à ideia original de buscar um investidor estratégico, que poderia ser o BNDESPar ou ainda o International Finance Corporation (IFC, braço financeiro do Banco Mundial) - conforme adiantou o Valor em agosto. Além de proporcionar capital, a entrada do BNDESPar como sócio vai dar maior credibilidade à empresa frente ao mercado em uma possível volta plano de abrir o capital - dentro do grupo Galvão, a ideia é que a oferta pública inicial de ações aconteça em 2013, embora especialistas do mercado questionem a viabilidade desse prazo. Mesmo sem IPO, os investimentos sondados pela CAB no negócio de saneamento chegam a R$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos. Esse número inclui possibilidades de PPP"s e concessões. A mais recente conquista da empresa foi a concessão para serviços de água e esgoto no município de Cuiabá (Mato Grosso). A CAB derrotou a concorrente Foz do Brasil (do grupo Odebrecht) no processo licitatório oferecendo tarifa básica de R$ 19,90 - a Foz propôs dez centavos a menos. O contrato da CAB tem prazo de 30 anos e, pela outorga, deverão ser pagos R$ 516 milhões. Ao todo, serão necessários investimentos de R$ 900 milhões no projeto. Também são sondadas pela CAB pelo menos duas outras PPP"s em estudo pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. Há também uma proposta de PPP para a companhia de saneamento de Alagoas, a Casal, em avaliação desde 2009. O projeto exigirá um investimento de aproximadamente R$ 300 milhões e alcançaria 80 mil moradores da região. |
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
BNDESPar compra 33% da CAB Ambiental
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
EMPREITEIRAS EMERGENTES ENTRAM NO CLUBE DO BILHÃO
| OBRA PÚBLICA IMPULSIONA EMPREITEIRAS EMERGENTES |
| Autor(es): Daniel Rittner | De Brasília |
| Valor Econômico - 11/01/2012 |
O forte impulso dado a grandes obras pelos governos federal e estaduais e por empresas estatais, principalmente a Petrobras, está mudando o cenário desenhado pelo conjunto das empreiteiras. Num processo semelhante ao que ocorreu durante o regime militar, cresceu o grupo das construtoras com faturamento elevado graças a projetos públicos, aí incluídos estádios e outras obras para a Copa e a Olimpíada Nos anos 70, enquanto a ditadura militar alardeava o crescimento da economia com obras jamais vistas no país, um punhado de empreiteiras viu sua carteira se multiplicar e entrou na lista de gigantes do capitalismo brasileiro. Eram os tempos da hidrelétrica de Itaipu, da rodovia Transamazônica, da primeira usina nuclear de Angra e da implantação do metrô em São Paulo e no Rio. Novas refinarias da Petrobras, grandes projetos de mineração, estádios para a Copa do Mundo de 2014 e orçamentos recordes do governo para a reforma de estradas fazem hoje com outras empreiteiras a mesma transformação gerada pelo "milagre econômico" quatro décadas atrás. Os sinais da mudança estão nos números. Em um período de apenas cinco anos, entre 2006 e 2010, o seleto grupo de construtoras com faturamento superior a R$ 1 bilhão aumentou de cinco para 11 empresas. O time original era formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Delta Construções. Juntaram-se a OAS, Galvão Engenharia, Construcap, Mendes Júnior, ARG e Egesa, conforme dados compilados pela revista especializada "O Empreiteiro". Outras três construtoras já estavam bem perto de entrar no "clube do bilhão" em 2010 - Serveng-Civilsan, Schahin Engenharia e Carioca Christiani-Nielsen - e podem ter rompido essa marca no ano passado. Quase todas são dependentes de contratos públicos - e a retomada de investimentos da União e dos governos estaduais em grandes obras de infraestrutura deu uma nova cara à indústria de construção pesada. A Galvão Engenharia, com donos oriundos da Queiroz Galvão, tem 63% do faturamento de contratos públicos Algumas empreiteiras emergentes, como a Galvão Engenharia e a Mendes Júnior (reemergente), chegaram a quadruplicar o faturamento em cinco anos. Mas o setor disparou como um todo: as receitas totais das 100 maiores subiram, entre 2006 e 2010, de R$ 28,7 bilhões para R$ 67 bilhões. "Ficamos em um período de estagnação nas últimas décadas", diz o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio Filho. Para ele, a Lei de Responsabilidade Fiscal começou a abrir espaço para a retomada dos investimentos em infraestrutura, que ganharam impulso com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Muitas construtoras não estavam suficientemente capitalizadas para aproveitar essa onda", diz Amadio. "Quem estava preparado, saiu na frente. Mas há oportunidades e desafios para todos. Quando o investimento voltou, havia máquinas paradas e fartura de mão de obra disponível. Hoje, estamos na fase de comprar mais equipamentos e em busca de técnicos qualificados." Uma das empreiteiras que souberam agarrar essa oportunidade foi a mineira Egesa, fundada nos anos 60 e reerguida em 1985, após quase ter chegado à bancarrota. "Até 2004, tivemos um crescimento constante, mas pequeno", afirma Elmo Teodoro Ribeiro, presidente e principal acionista da Egesa. Um de seus sócios morreu em um acidente de carro enquanto tocava uma obra em Sergipe. Outro decidiu vender suas ações antes da recente explosão de obras, que encontrou a empresa preparada: havia obtido certificações internacionais de segurança e de meio ambiente, habilitando-se para as concorrências da Petrobras e da Vale. A nova carteira da Egesa, antes concentrada em obras rodoviárias, é um retrato do que ocorre com a maioria das empreiteiras emergentes. Ela participa da reforma do Mineirão para a Copa do Mundo, faz parte do grupo que constrói os tanques de petróleo do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), tem 80% do consórcio responsável pela estação de tratamento de dejetos industriais da Refinaria Abreu Lima (parcela da obra orçada em R$ 800 milhões) e ergue 6 mil casas populares em Pernambuco para o programa Minha Casa, Minha Vida. Atua no exterior, na construção de duas rodovias em Angola e sonda empreendimentos em vizinhos como Bolívia e Colômbia. Aliou-se com os coreanos para entrar no leilão do trem-bala Rio-São Paulo-Campinas, que acabou não recebendo nenhuma proposta. E tem grande interesse em disputar a concessão da BR-040, prevista para este ano, depois de ter sido derrotada na concorrência da Fernão Dias. "Estamos vendo o maior boom da construção pesada desde os anos 70", acredita Ribeiro. Além da diversificação da carteira, com novas obras de infraestrutura, o empresário destaca o aumento da confiança no setor público, que deixou de atrasar pagamentos e ficar inadimplente com as construtoras. Quanto às perspectivas, ele é cauteloso: "A nossa meta é atingir R$ 1,5 bilhão de faturamento, em dois anos, até sentirmos segurança suficiente para darmos o passo seguinte". O clube das emergentes inclui histórias de quem surgiu de uma costela das gigantes. É o caso da Galvão Engenharia. Antigos sócios da Queiroz Galvão, quarta maior empreiteira do país, o arquiteto Dario Galvão Filho e três irmãos dele venderam ações da empresa, em 1995, para começar do zero no ano seguinte. Sem esconder suas raízes, a Galvão rapidamente se transformou em um ator importante da construção pesada, mas deslanchou a partir de 2006. Hoje, tem 63% do faturamento proveniente de contratos com o setor público, que lhe renderam algumas de suas principais vitrines: um lote do trecho sul do Rodoanel, as obras de modernização do aeroporto de Congonhas e a reforma do estádio Castelão, em Fortaleza. Agora, ela se prepara para disputar a concessão dos aeroportos, de olho especialmente no de Brasília. Os investimentos do PAC e o reforço no orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) beneficiaram as empreiteiras. A Delta, do empresário Fernando Cavendish, encabeça desde 2009 a lista de pessoas jurídicas que mais recebem dinheiro da União. Só no ano passado, foram R$ 683 milhões - quase 20% a mais do que a segunda colocada, Glaxo Smith-Kline, fornecedora de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2011, a Delta causou polêmica ao ser escolhida pela Infraero para construir às pressas um terminal remoto no aeroporto de Guarulhos, sem licitação. O Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a forma de contratação e alertou para a falta de experiência da construtora nesse tipo de projeto. A previsão da Infraero, que era de inaugurar o terminal em 20 de dezembro, foi adiada depois do desabamento de parte do teto. Cavendish, por si só, esteve no centro de duas controvérsias: foi acusado por dois empresários do setor de ter contratado o ex-ministro José Dirceu para fazer tráfico de influência em favor da Delta, em Brasília. Era de Cavendish, também, o helicóptero que caiu em Porto Seguro e deixou sete mortos, entre os quais a namorada do filho do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O episódio jogou luzes sobre as relações entre Cavendish e Cabral. Para o consultor Paulo Matos, autor de vários livros sobre o mundo da construção pesada, as empreiteiras emergentes trouxeram maior dinamismo para esse mercado, apesar de terem inicialmente menos know-how em obras de alta complexidade. "Os clientes resolveram apostar nelas porque também perceberam que não era bom negócio estar nas mãos de quatro ou cinco construtoras. Era um oligopólio velado", aponta o consultor. Matos ressalta que "as oportunidades cresceram absurdamente", mas é preciso tomar certos cuidados. Com o aumento da concorrência nas licitações, as taxas de retorno encolheram, os preços de insumos subiram e o espaço para repasse é menor, a escassez de mão de obra preocupa cada vez mais e os órgãos de fiscalização de obras públicas aumentaram o rigor. Por isso, ele adverte que o principal risco para as empreiteiras é se comprometer com uma carteira de obras maior do que sua real capacidade de atendimento. "Depois de muitas lições, as empresas começaram a aprender que é mais fácil morrer de indigestão do que de inanição", conclui o especialista. |
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Classe média terá FGTS para construir
| Classe média terá FGTS para material de construção |
| Autor(es): agência o globo:Geralda Doca |
| O Globo - 10/01/2012 |
Financiamento será de até R$20 mil e poderá ser pago em até 120 meses. Medida entrará em vigor em 30 dias BRASÍLIA. O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vai aprovar hoje, em reunião extraordinária, uma nova linha de crédito de material de construção para a classe média. O financiamento será de até R$20 mil por tomador, que pagará o total em até 120 meses a juros mais baixos que os do mercado. Não haverá limite de renda. Inicialmente, serão ofertados R$300 milhões, mas o valor pode chegar a R$1 bilhão, dependendo da demanda. A expectativa é que a medida entre em vigor em 30 dias. A nova modalidade prevê a compra de material para reforma ou ampliação de imóveis residenciais a uma taxa de juros máxima (custo efetivo máximo para o mutuário) de 12% ao ano. Esse percentual abrange juros, comissões e outros encargos. Para famílias com renda bruta mensal de até R$5.400, o FGTS já dispõe de linhas de material de construção com juros máximos de 8,5% ao ano. Também têm acesso a financiamentos habitacionais mais em conta, no programa Minha Casa, Minha Vida. A nova linha de crédito não implica a retirada, pelo tomador, de dinheiro de sua conta no FGTS. O financiamento tem como fonte recursos do Fundo. A principal exigência é que o tomador tenha conta no FGTS. Também é necessário comprovar propriedade do imóvel e regularização da área construída. Segundo cálculos que embasaram a decisão dos conselheiros em duas reuniões anteriores sobre o tema, a menor taxa de juros cobrada da classe média pelo mercado nas linhas de aquisição de material de construção é de 23,14% ao ano, para prazo de pagamento de até 60 meses. Os percentuais chegam até 56,27%. De acordo com os estudos, a demanda do segmento para material de construção vem sendo suprida por intermédio de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), com taxas mais altas. "Há, portanto, um segmento não explorado pelo FGTS que pode atender a essa população com taxas menores que as do mercado, mas maiores do que as praticadas na área de habitação popular", diz uma nota técnica à qual O GLOBO teve acesso. Crédito também serve para implantar aquecimento solar A princípio, os recursos estarão disponíveis na Caixa Econômica Federal, agente operador do FGTS. Mas o Banco do Brasil já avisou que tem interesse na linha, que estará aberta também a outras instituições. Nesse caso, os bancos privados precisam encaminhar o pedido à Caixa. Além de fazer um afago nos trabalhadores, donos das contas que fazem o bolo de recursos do Fundo de Garantia crescer e investir em habitação, a nova modalidade de crédito visa a estimular um setor importante da economia: a construção civil. Será possível obter o empréstimo também para instalação de Hidrômetros de Medição Individual, implantação de Sistema de Aquecimento Solar e itens que visem à acessibilidade. - A nossa expectativa sobre essa nova linha de financiamento é muito grande - disse o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção e membro do Conselho Curador, Claudio Conz. O FGTS faz parte do Sistema Financeiro da Habitação, que abrange imóveis de até R$500 mil. Este deve ser o limite de valor dos imóveis a serem reformados na nova linha. |
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Salário inicial da construção civil fica acima do pago pela indústria em 2011
| Autor(es): Por Carlos Giffoni | De São Paulo |
| Valor Econômico - 04/01/2012 |
O déficit de mão de obra na construção civil causou um efeito novo no salário de admissão pago pelo setor em 2011. No acumulado de janeiro a outubro, o salário médio do profissional que entra na construção civil, que ficou em R$ 993,33, foi 5,46% maior que o salário pago, nas mesmas condições, na indústria de transformação no Brasil, de R$ 941,83, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. A construção civil também está à frente do salário de admissão no setor de serviços (2,82%), comércio (24,31%) e agropecuária (42,01%). Foram criadas cerca de 250 mil vagas até outubro do ano passado no setor, que, sozinho, representa 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 21,2% do PIB da indústria. A situação vista no ano passado ano é nova. Em 2010, a remuneração média dos empregos formais na construção civil (R$ 1.425,41) era 18,1% menor que a remuneração média na indústria de transformação (R$ 1.740,58). "Nesse setor ocorre algo diferente. Há escassez de mão de obra não porque as pessoas não estudaram, mas porque elas estudaram e não querem carregar cimento", diz Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV). A Direcional Engenharia, construtora de moradias voltada para o segmento de baixa renda e que possui investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, lida com o problema de escassez de mão de obra na tentativa de contratar uma média mensal de mil pessoas. "Temos uma dificuldade enorme de encontrar serventes. Para ocupar essa vaga, não há nenhuma exigência, basta ter carteira de trabalho. A capacitação, a gente faz dentro da empresa", diz Ana Carolina Huss, diretora de recursos humanos da empresa. "Por isso os salários oferecidos estão sempre aumentando." Desde 2003, o percentual de trabalhadores na construção civil com carteira assinada passou de 25,5% para 39,9% em novembro de 2011. Já os sem carteira assinada diminuíram em um terço no mesmo período, sendo, hoje, 16,2% do total. O restante está distribuído entre trabalhadores por conta própria (38,5%) e empregadores (5,2%). O país passa por um momento em que há excesso de demanda no setor, a começar pelas ações governamentais que visam entregar casas populares à população de baixa renda, mas também pelos desafios de infraestrutura que vieram junto à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada, no Rio de Janeiro, em 2016. Por outro lado, a disponibilidade de mão de obra menos qualificada - que ergue, literalmente, os projetos do setor - está se reduzindo. "O salário é a medida que melhor reflete o excesso de demanda. De um lado, temos procura por causa do Minha Casa, Minha Vida, dos grandes eventos esportivos, do déficit habitacional brasileiro, do Plano de Aceleração do Crescimento, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva... O mercado tropeça é na óptica da oferta. As pessoas não querem se ofertar para a construção civil. Hoje, o filho de um pai pedreiro tem mais anos de estudo e não quer exercer a mesma profissão", afirma Neri. Somada a esses fatores está a flutuação típica dos salários no setor. De acordo com o economista, quando o salário cai na construção civil, ele cai acima da média. Quando sobe, a recuperação ocorre com fôlego ainda maior. Por isso, em momentos de grande otimismo como agora, é natural esse movimento de ascensão. "O salário está crescendo na base, por causa da escolarização. E o preço dos imóveis ainda reflete a escassez de moradia", diz Neri. Para Ana Maria Castelo, coordenadora da FGV de Projetos de Construção, o crescimento das empresas do setor tem relação direta com o aumento dos salários. "As empresas estão produzindo mais, crescendo em tamanho e formalizando esse mercado de trabalho, o que influi na remuneração. Não tenho dúvida que a formalização é grande responsável pelo aumento dos salários", diz. O Índice Nacional de Custo da Construção - M (INCC-M) mostra que, entre janeiro e novembro de 2011, a mão de obra foi o item mais inflacionado, com variação positiva de 10,20% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa alta vale também para o trabalhador menos qualificado. Em novembro de 2011, o custo de um pedreiro cresceu 0,75% frente a outubro, o que representa uma taxa anualizada de 9,38%. Apesar de a maré favorável à construção civil não ter prazo de validade, o cumprimento dos eventos esportivos no Brasil deve trazer o nível de atividade do setor para um patamar menos acelerado, na opinião de Carlos Aguiar, gerente da consultoria empresarial Millennium RH. "À época da bolha da internet, surgiram dezenas de empregos ligados ao assunto. Hoje, no Brasil, o ciclo da construção está muito aquecido, mas isso deve durar três ou quatro anos." O consultor acredita que a valorização do salário das pessoas que ocupam cargos mais técnicos - e recebem mais - tem puxado para cima a média de remuneração, tanto no momento da contratação como do setor em geral. "É fácil repor o "peão de obra". A sua rotatividade é grande. Às vezes, troca-se de emprego por R$ 15 a mais. Nos cargos mais qualificados, de mestre de obras para cima, a valorização salarial tem mais peso." O resultado desse cenário pode ser observado na movimentação dos salários. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a novembro de 2011, o rendimento médio real habitualmente recebido na construção civil cresceu 3,4% na comparação entre novembro e o mesmo mês de 2010. Na indústria, considerando, inclusive, a extrativa - que paga salários maiores que a de transformação - o avanço foi de 1,9%, e o total da população ocupada foi de 0,7% em igual comparação. |
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Em apenas 8 dias, carteira capta R$ 136 milhões
| Autor(es): Luciana Monteiro | De São Paulo |
| Valor Econômico - 05/12/2011 |
O setor de fundos imobiliários apresenta um crescimento de 40% neste ano até novembro em comparação ao mesmo período de 2010. Segundo informações presentes no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as ofertas registradas somavam R$ 6,162 bilhões, para um total de 36 colocações. No mesmo prazo do ano passado, o número de operações chegava a 27, um total de R$ 4,417 bilhões. O aquecimento do setor de fundos imobiliários é tão grande que o fundo BM Cyrela Thera Corporate encerrou a captação de R$ 136,824 milhões em apenas oito dias úteis. A adesão foi maciça das pessoas físicas: 940 investidores, sendo 16 funcionários e pessoas ligadas à administração. Boa parte desses investidores é do Citibank, um dos distribuidores da carteira. Este foi o primeiro fundo estruturado pela Brazilian Mortgages no qual o empreendimento ainda está em fase de desenvolvimento, conta Vitor Bidetti, diretor da BM responsável pela estruturação do portfólio. O imóvel em questão é o Thera Corporate, um edifício comercial corporativo de alto padrão, situado na Avenida Luís Carlos Berrini, região Sul de São Paulo, um dos centros financeiros da cidade. A Cyrela, vendedora do terreno e responsável pela edificação do Thera Corporate, garantirá aos investidores uma renda de 9% ao ano, ou 0,75% ao mês, por até 12 meses após o chamado "habite-se" - documento que atesta que o imóvel foi construído seguindo as exigências estabelecidas pela Prefeitura para a aprovação do projeto. O valor de cada cota era de R$ 100,00, mas o investimento mínimo exigido era de 100 cotas, ou seja, R$ 10 mil. A taxa de administração é de 0,2% ao ano. De acordo com Bidetti, o valor do metro quadrado para os investidores do fundo saiu por R$ 13,5 mil, e que seria muito maior caso o empreendimento já estivesse pronto. "O fundo deve, portanto, conseguir captar a valorização do imóvel", diz. Segundo o executivo, o setor de fundos imobiliários já começa a encontrar dificuldades para entrar bons ativos para que novas carteiras sejam estruturadas. E a demanda está bastante aquecida. Tanto que a Brazilian Mortgages colocou lotes complementares em três ofertas realizadas. O cenário de queda de juros deve fazer com os fundos imobiliários tenham um período de alta demanda no ano que vez, avalia Bidetti. "Com o prêmio nos investimentos de renda fixa caindo, o investidor busca outras alternativas de aplicação, e como o mercado financeiro está muito volátil, os fundos imobiliários devem receber boa parte dos recursos." A Brazilian Mortgages deve encerrar o ano com um volume de ofertas colocadas e estruturadas de R$ 1,6 bilhão, valor superior ao R$ 1,3 bilhão do ano passado. Para 2012, a expectativa é de que o volume dobre, para algo próximo a R$ 3 bilhões, afirma ele. |
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Seis multinacionais chegam ao país atraídas por megaprojetos
| São Paulo, quarta-feira, 02 de novembro de 2011 |
Empresas de máquinas pesadas devem investir US$ 1 bi FABIANO MAISONNAVE DE PEQUIM ESTELITA HASS CARAZZAI DE CURITIBA Atraídas pelos megaprojetos de infraestrutura, seis multinacionais anunciaram nos últimos meses investimentos em fábricas de máquinas pesadas para construção civil no Brasil. As asiáticas Sany, XCMG, Doosan e Hyundai e as americanas Caterpillar e John Deere deverão investir US$ 1 bilhão até 2013. A aposta no Brasil está correta, diz a consultoria alemã Roland Berger. Estudo publicado neste mês aponta o país como o mercado mais atraente do mundo para o setor, com nota de 4,4 pontos numa escala até 5. Em segundo lugar está a China, com 4,1. Os investimentos federais e privados em infraestrutura corroboram a avaliação. A Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base) estima que serão R$ 922 bilhões até 2015, o que deve manter a demanda em alta. O Brasil tem sido visto como a porta de entrada para o mercado latino-americano, cujas taxas de crescimento atraem multinacionais. Para a Roland Berger, a região está entre os mercados "muito atraentes". A proximidade com o restante da América Latina, além de estratégica, elimina custos com transporte e logística, que costumam ser onerosos devido à falta de infraestrutura na região. "Só o Brasil já é um país de dimensões continentais. O custo com transporte é muito significativo", afirma o vice-presidente-executivo da Abdib, Ralph Lima Terra. IMPORTAÇÃO De acordo com a consultoria alemã, que entrevistou 50 executivos em vários países do mundo, a principal dificuldade do mercado brasileiro para o setor são as barreiras tarifárias e financeiras para importação. Medidas do governo que estabelecem um percentual mínimo de conteúdo nacional em máquinas a serem financiadas pelo BNDES têm estimulado as empresas estrangeiras a se instalar no país, sob pena de não conseguirem fechar contratos com empresas brasileiras. As barreiras não impediram as crescentes importações de maquinário chinês. O Brasil, ao lado da Rússia, já é o principal mercado de equipamentos de movimentação de terra, de acordo com o relatório da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit). |
sábado, 22 de outubro de 2011
Evo Morales desiste de estrada em reserva indígena
| Autor(es): Janaina Lage |
| O Globo - 22/10/2011 |
Decisão ocorre após marcha de protesto e eleição de juízes com maioria de votos brancos e nulos LA PAZ e RIO. Após mais de dois meses de uma marcha indígena de protesto, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem que o polêmico projeto de construção de uma estrada entre Villa Tunari e San Ignacio de Moxos não cruzará mais a reserva indígena Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure). A decisão encerra uma batalha política com os índios da região amazônica, que fazem parte da base de apoio do presidente. Em entrevista, Morales disse que vetará a lei que autoriza a rota, aprovada pelo Legislativo na semana passada, e informou que orientará sua bancada a incorporar a proposta dos índios em protesto. - Ao ser declarado território intangível, os assentamentos (humanos) são ilegais e, portanto, passíveis de despejo pela força pública. A rota também não passará por Tipnis, portanto o assunto está resolvido. Para mim, isso se chama governar obedecendo ao povo - disse Morales, enquanto era adiado o diálogo com os indígenas, que chegaram na última quarta-feira a La Paz após uma caminhada de 600 quilômetros em defesa do parque. O presidente não esclareceu quais serão as consequências para o projeto. A obra, dividida em três etapas, é realizada pela brasileira OAS e conta com financiamento à exportação de serviços do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de US$332 milhões. Até agora, os recursos não foram liberados. Somente o segundo trecho da estrada passaria pela reserva. Com a mudança, a construtora terá de apresentar um novo projeto ao banco, o que pode alterar o cronograma. No fim do mês passado, a construtora havia dito que mudanças no traçado representariam forte alta de custos. Desde a chegada a La Paz, um grupo de índios acampou em uma praça em frente ao palácio presidencial à espera de uma reunião com Morales. O conflito afetou a popularidade do presidente e rachou sua base de apoio. Inicialmente, Morales subestimou o alcance dos protestos, acusando os organizadores de ligação com opositores de direita, com os EUA e com organizações ambientais. Segundo revés para o presidente boliviano Ontem, Morales almoçou com representantes indígenas e com quatro ministros. Os índios pretendem manter a vigília na Praça Murillo até que suas solicitações sejam atendidas e que o Legislativo torne a área do parque intangível, o que significa que nenhuma outra estrada poderia passar pela região. - A construção da estrada feria os direitos fundamentais dos povos indígenas, como o de livre determinação. Não foi feita uma consulta aos povos indígenas, mas a marcha de mais de dois meses é a expressão dessa rejeição. O desenvolvimento tem sido quase igual à morte ou ao desaparecimento dos povos indígenas - disse Carlos Candori, do Centro de Estudos Multidisciplinar Aimará. Os meses de protestos contra o governo elevaram a tensão no país e afetaram a credibilidade do governo. A decisão de ceder aos protestos indígenas representa o segundo revés para o presidente em menos de dez dias. No último domingo, a maioria da população (cerca de 60%) votou em branco ou nulo em uma eleição para escolher os 56 principais magistrados do país. A escolha direta dos juízes faz parte de um pacote de reformas aprovadas por Morales, mas o novo formato de seleção, que incluía uma pré-seleção dos candidatos pela Assembleia Plurinacional, controlada pelo partido do governo, motivou protestos. A eleição acabou se tornando uma avaliação do próprio governo depois que a oposição orientou a população a votar nulo ou em branco. - A decisão é aparentemente uma derrota para Morales, a estrada custará alguns milhões a mais, mas com a mudança ele acaba com os protestos dos índios, que vinham obtendo a solidariedade de diversos segmentos da sociedade. E mesmo com a maior parte dos votos brancos e nulos, dará posse a um Tribunal Constitucional de aliados, o que auxilia seus futuros projetos políticos - disse o cientista político Carlos Cordero, da Universidad Mayor de San Andrés. As últimas polêmicas mostram que o presidente, que já foi considerado invencível, se tornou mais vulnerável. Com agências internacionais |
terça-feira, 4 de outubro de 2011
John Deere terá duas fábricas de máquinas para construção no País
| Autor(es): ANA CONCEIÇÃO |
| O Estado de S. Paulo - 04/10/2011 |
Grupo americano investe em duas unidades - sendo uma em parceria com a Hitachi -, com aportes de US$ 180 milhõesMais um grupo multinacional resolveu apostar no aquecido mercado de construção no Brasil. A americana John Deere, que já fabrica no País máquinas para o setor agrícola, como tratores e colheitadeiras, anunciou ontem a construção de duas novas fábricas para a produção de máquinas e equipamentos para construção civil. As unidades ficarão localizadas no município de Indaiatuba, em São Paulo. Uma das fábricas, de escavadeiras, será erguida em parceria com o grupo japonês Hitachi Construction Machinery. A outra, que vai produzir retroescavadeiras e pás carregadeiras, será um investimento integral da John Deere. No total, as unidades devem ter aportes de US$ 180 milhões, sendo US$ 124 milhões do grupo americano e, o restante, da Hitachi. Recentemente, vários grupos estrangeiros, como a coreana Doosan, a também coreana Hyundai Heavy Industries e as chinesa Sany e XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group) anunciaram planos de construção de fábricas de máquinas para construção no Brasil. Outra gigante multinacional, a americana Caterpillar, anunciou a ampliação da unidade de Piracicaba (SP) e a construção de uma nova unidade no Paraná. De acordo com o presidente global da Deere & Co., Samuel Allen, a empresa está muito otimista com as perspectivas do setor de construção civil e vem para o Brasil para aproveitar a forte demanda por máquinas e equipamentos, gerada por grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada. As máquinas produzidas pela companhia terão índice de nacionalização de 60%, para atender às regras de financiamento da Finame, do BNDES. Os executivos da empresa não revelaram qual a capacidade de produção das unidades nem qual a fatia de mercado que o grupo espera abocanhar no futuro. Perspectiva. Aaron Wetzel, presidente da John Deere Brasil, disse que o aprofundamento da crise econômica internacional não muda a estratégia do grupo para o País. "Nossa expectativa com relação ao Brasil é realista e otimista", afirmou. Wetzel disse ver o futuro do setor de construção civil brasileiro de forma bastante otimista por causa das grandes obras de infraestrutura necessárias à Copa de 2014, à Olimpíada de 2016, além da construção de hidrelétricas, portos, etc. "Estamos olhando oportunidades de longo prazo. A crise gera preocupação, mas os problemas que estão ocorrendo agora não mudam nossa estratégia para o País, que está mais preparado para lidar com a crise do que antes", afirmou. As duas fábricas anunciadas ontem devem começar a produzir a partir do final de 2013, mas a companhia vai estrear no mercado brasileiro de construção civil já no início de 2012, com a importação de máquinas e equipamentos. A John Deere tem forte presença no setor agrícola brasileiro, com três fábricas instaladas no País e um centro de distribuição de peças para a América do Sul. De acordo com Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos para América Latina, não há aportes programados para este setor no País. Argentina. Na semana passada, a empresa anunciou investimento de US$ 100 milhões para produzir tratores e colheitadeiras em uma fábrica na província de Santa Fé, na Argentina. A Deere prevê um recuo de 5% nas vendas de máquinas agrícolas na América Latina este ano em relação ao ano passado - quando as vendas no Brasil atingiram número recorde. |
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Com apoio do BNDES presença de empreiteiras brasileiras se multiplicam no exterior
| 20/9/2011 | |
| A exportação de obras de construtoras brasileiras explodiu nos últimos dez anos. O desembolso de financiamentos do BNDES para obras de empreiteiras brasileiras no exterior aumentaram 1.185% entre 2001 e 2010, passando de US$ 72,897 milhões para US$ 937,084 milhões. A reportagem é de Patrícia Campos Mello e publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, 18-09-2011. No governo Lula, que usou a diplomacia presidencial para abrir mercados para empresas brasileiras na África e América Latina, o crescimento foi de 544%. Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa tiram uma parcela cada vez maior de seu faturamento de obras feitas em países como Venezuela, Peru, Angola e Moçambique. "O banco financia obras de infraestrutura desde 1997 e jamais houve uma demanda tão grande para projetos no exterior", diz Luciene Machado, superintendente de comércio exterior do BNDES. "Antes isso se restringia à Odebrecht, mas agora vemos todas as empreiteiras fazendo uma opção pela internacionalização", afirma. Ela prevê que os desembolsos devem chegar a US$ 1,3 bilhão neste ano, uma alta de 38% em relação a 2010. Já há contratos para construção de uma hidrelétrica na Nicarágua e hidrelétricas e gasoduto no Peru, que devem começar a ter desembolsos em breve. Os desembolsos doBNDES não são os únicos indicadores do aumento das exportações das empreiteiras. Segundo dados do Banco Central, ao lado de exportação de serviços de tecnologia de informação, construção e engenharia estão entre os que mais crescem. De acordo com oBC, as exportações das empreiteiras entram em duas categorias -exportações de serviços de construção ou de engenharia, ou investimento brasileiro direto (IBD). O IBD em infraestrutura e construção de edifícios cresceu de US$ 194 milhões em 2006, primeiro ano pesquisado, para US$ 455 milhões em 2010, uma alta de 186%. Já as exportações de serviços de construção e engenharia cresceram de US$ 1,8 bilhão em 2003 para US$ 5,7 bilhões em 2010; alta de 208%. Esses dados subestimam o valor real das exportações. Segundo o BC, muito do investimento brasileiro direto é feito a partir de reinvestimento de lucros auferidos no exterior, que as empreiteiras não internalizam, por isso não entram na estatística. Já nos números de exportação de serviços de construção e engenharia entram apenas os projetos de curta duração. | |
| 20/9/2011 | |
| http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=47563 | |
| Vendas de obras de empreiteiras ao exterior são feitas em pacote, e inclui o financiamento do BNDES | |
| As empreiteiras brasileiras começaram sua expansão na América do Sul, mas hoje têm presença cada vez maior na América Central e na África. E a diplomacia presidencial foi um dos principais instrumentos para abertura de mais mercados. A reportagem é de Patrícia Campos Mello e publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, 18-09-2011. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se juntou ao presidente cubano, Raúl Castro, em 2010, para inaugurar as obras da Odebrecht no porto cubano de Mariel, com financiamento de cerca de US$ 300 milhões do BNDES. Ele visitou várias obras da construtora em Angola, junto com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos. E, mesmo fora da presidência, Lula continua fazendo promoção comercial. Recentemente esteve na Bolívia e teria discutido com o governo problemas em uma estrada em construção pela OAS e financiada pelo BNDES. As negociações dessas exportações de obras de infraestrutura normalmente envolvem governos. Isso porque as vendas de obras ao exterior são feitas sempre em um pacote, que geralmente inclui o financiamento do BNDES. "Levamos junto o financiamento do BNDES para a obra, e o banco estipula que 85% dos produtos e serviços do projeto precisam vir do Brasil", diz Mauro Rehm, gerente-geral da Odebrecht Logística e Exportação. Segundo Rehm, em 2009 e 2010, só nesses serviços e bens acoplados, sem incluir as construções, a Odebrecht exportou US$ 2 bilhões. Hoje, 58% da receita da Odebrecht Engenharia e Construção vêm do exterior. "É importante o governo brasileiro fazer meio de campo para obter contratos; e é natural, todos os governos fazem", diz Luciano Amadio, presidente da Associação Paulista de Empresários e Obras Públicas (Apeop). Para Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização, a internacionalização das empreiteiras mostra maior competitividade. E é vantajoso para o país, porque se trata de exportação de maior valor agregado. | |
domingo, 17 de julho de 2011
Dirceu instala aliados em cidade em expansão no RJ
Petista finca base em Maricá, que vive boom com a indústria do petróleo
Município, que figura na lista dos que mais recebem royalties, deve dobrar arrecadação com a exploração do pré-sal
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Abastecido por R$ 48 milhões anuais em royalties do petróleo, o município de Maricá se transformou em base do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) no Estado do Rio.
Dois afilhados políticos dele ocupam postos-chave da prefeitura, sob gestão do petista Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá.
A Folha apurou que Dirceu frequenta a cidade desde a eleição municipal de 2008 e indicou os dois aliados. O prefeito nega a influência do ex-ministro em seu secretariado (leia texto ao lado).
Um dos secretários próximos a Dirceu é Marcelo Sereno (Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo), que chefiou seu gabinete na Casa Civil.
Ele foi investigado na CPI dos Bingos e se afastou da Executiva do PT durante o escândalo do mensalão, em 2005. Ganhou o cargo em Maricá em novembro passado, após ser derrotado numa campanha para deputado com forte apoio de Dirceu.
A outra secretária é Maria Helena Alves Oliveira (Fazenda), que já havia chefiado a mesma pasta em Manaus (AM) e Nova Iguaçu (RJ) por indicação do líder petista.
Quaquá diz que a missão de Sereno é atrair empresas para o polo industrial naval que pretende montar, mas afirma que ele não influencia a destinação dos royalties.
"A secretaria do Marcelo Sereno não tem verba. Ele tem a missão de trazer empresas para a cidade. Tem experiência e conhecimento para isso", diz o prefeito.
Com cerca de 120 mil habitantes, Maricá (a cerca de 50 quilômetros do Rio) tem apenas 20% das casas com água encanada, mas é vista por políticos fluminenses como um "investimento futuro".
LUCROSA cidade vive um boom de crescimento impulsionada pela indústria do petróleo, que atraiu empreendimentos imobiliários, shoppings e centros comerciais. Em cinco anos, a população dobrou.
Atualmente, é o 12º município que mais arrecada royalties no Estado. Com o campo de Lula, no pré-sal, o valor deve dobrar até 2015.
O grupo que administra Maricá "vende" aos investidores a proximidade da cidade com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), que está sendo construído no município vizinho de Itaboraí.
"Tenho passado mais tempo em São Paulo e na Bahia do que em Maricá. Meu trabalho e o de Marcelo Sereno junto a empresários tem sido importante para atrair esses grupos ao município. Os contatos em Brasília são importantes", afirma Quaquá.
"Queremos ser o lugar escolhido por empresários e executivos do Comperj para morar", diz o secretário de Ambiente e Urbanismo da cidade, Celso Cabral Nunes.
Este ano, o grupo Alphaville lançou o empreendimento imobiliário Terras Alpha, com quase 400 mil metros quadrados de área. Todos os 399 lotes, com preços entre R$ 90 mil e R$ 140 mil, foram vendidos em duas horas.
Apesar da prosperidade econômica, a cidade sofre com muitas ruas sem asfalto e tem várias obras paradas.
"Andamos no meio da poeira ou na lama. Vivemos num lugar sem iluminação e desde as chuvas de 2010 os carros não conseguem passar aqui", conta a comerciante Maria das Graças Rosa, 50.
Prefeito diz que aliado não influi em sua gestão
DO RIO
O prefeito Washington Luiz Siqueira, o Quaquá (PT), negou que Marcelo Sereno e Maria Helena Alves de Oliveira estejam no secretariado de Maricá por influência do ex-ministro José Dirceu.
"Ambos têm muita experiência no serviço público. A Maria Helena já participou de outras administrações do partido, e o Marcelo conhece muita gente", afirmou.
Segundo ele, a presença da dupla, que não tem raízes na cidade, é "natural".
"Faço parte de um grupo político do PT e é natural que a gente busque pessoas com experiência. Não podia chegar aqui e ficar sentado, esperando os investimentos caírem do céu. A presença deles é um aprendizado."
O site de Sereno afirma que sua posse ocorreu em "momento muito importante, já [que] o repasse dos royalties do petróleo poderá ser ampliado com o início da exploração do pré-sal".
Apesar do contato com assessores, Sereno não respondeu às ligações da reportagem. Maria Helena de Oliveira também não falou.
As assessoras de José Dirceu foram procuradas na última sexta-feira, mas não responderam às ligações.
Procurador vê descontrole em obras após enchentes na serra fluminense
Contratos sem assinatura e pagamentos acima do devido estão na mira do Ministério Público
Não há informações sobre quais empresas executaram as obras nas 7 cidades atingidas, aponta inquérito civil
GUSTAVO ALVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
DO RIO
Há duas semanas, três caixas cheias de papéis chegaram ao gabinete do procurador Marcelo Medina, do Ministério Público Federal em Nova Friburgo (RJ), que as esperava desde janeiro.
São documentos do governo sobre a contratação de emergência de empreiteiras para socorrer as sete cidades atingidas pela enxurrada que deixou mais de 900 mortos na região serrana.
Medina espera que os contratos mostrem como foram gastos os R$ 70 milhões enviados pelo governo federal para ajudar na recuperação.
O procurador comanda inquérito civil público sobre a ajuda. Com base na leitura inicial dos documentos e em depoimentos de fiscais da Empresa Estadual de Obras Públicas e das empresas, viu irregularidades como contratos apenas verbais e falta de controle na execução.
"Quem fez o quê, ninguém sabe", diz o procurador.
Entre as construtoras contratadas, estavam gigantes do ramo, como a Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Delta.
SEM CONTRATOAs empreiteiras que atuam na região foram convocadas por uma entidade privada, a Associação de Empreiteiras do Rio. Depois, iniciaram trabalho sem contratos.
"Num momento imediatamente após a tragédia, isso é até aceitável", diz Medina. Mas, para o procurador, a contratação deveria ter sido formalizada pouco depois. "A lei autoriza a dispensa de licitação, mas não de certas formalidades", afirma.
Por falta destas formalidades, o governo também pagou mais caro pelo socorro, diz Medina. Os valores pagos às empreiteiras foram os das tabelas do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e do Sicro-2 (Sistema de Custos Rodoviários).
"Deveria ter havido uma cotação com as empresas do ramo para saber qual ofereceria o valor mais baixo, que é sempre abaixo da tabela", afirma Medina. "Nos primeiros dias, seria admissível o Estado indenizar as empresas pelo trabalho seguindo o valor da tabela", diz. "Mas, no sexto dia, já seria possível fazer a cotação."
OUTRO LADOA Secretaria Estadual de Obras reconheceu que os preços pagos seguiram as tabelas do Sinapi e do Sicro-2. O órgão informou que empreiteiras foram contratadas por termos de ajustes de contas. Segundo o governo, os termos "só podem ser formalizados após a prestação do serviço", por exigência legal.
Também afirmou que os pagamentos só são feitos depois de os serviços serem "realizados, fiscalizados, medidos e atestados". Dos R$ 70 milhões, foram gastos R$ 49 milhões com as empreiteiras, disse a secretaria.
Medina diz que, com a demora no envio da documentação, passados seis meses da tragédia, não se sabe quais trabalhos foram realizados. "Hoje, temos de acreditar no que dizem os fiscais das empresas e o governo do Estado", diz o procurador.
Município, que figura na lista dos que mais recebem royalties, deve dobrar arrecadação com a exploração do pré-sal
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Abastecido por R$ 48 milhões anuais em royalties do petróleo, o município de Maricá se transformou em base do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) no Estado do Rio.
Dois afilhados políticos dele ocupam postos-chave da prefeitura, sob gestão do petista Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá.
A Folha apurou que Dirceu frequenta a cidade desde a eleição municipal de 2008 e indicou os dois aliados. O prefeito nega a influência do ex-ministro em seu secretariado (leia texto ao lado).
Um dos secretários próximos a Dirceu é Marcelo Sereno (Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo), que chefiou seu gabinete na Casa Civil.
Ele foi investigado na CPI dos Bingos e se afastou da Executiva do PT durante o escândalo do mensalão, em 2005. Ganhou o cargo em Maricá em novembro passado, após ser derrotado numa campanha para deputado com forte apoio de Dirceu.
A outra secretária é Maria Helena Alves Oliveira (Fazenda), que já havia chefiado a mesma pasta em Manaus (AM) e Nova Iguaçu (RJ) por indicação do líder petista.
Quaquá diz que a missão de Sereno é atrair empresas para o polo industrial naval que pretende montar, mas afirma que ele não influencia a destinação dos royalties.
"A secretaria do Marcelo Sereno não tem verba. Ele tem a missão de trazer empresas para a cidade. Tem experiência e conhecimento para isso", diz o prefeito.
Com cerca de 120 mil habitantes, Maricá (a cerca de 50 quilômetros do Rio) tem apenas 20% das casas com água encanada, mas é vista por políticos fluminenses como um "investimento futuro".
LUCROSA cidade vive um boom de crescimento impulsionada pela indústria do petróleo, que atraiu empreendimentos imobiliários, shoppings e centros comerciais. Em cinco anos, a população dobrou.
Atualmente, é o 12º município que mais arrecada royalties no Estado. Com o campo de Lula, no pré-sal, o valor deve dobrar até 2015.
O grupo que administra Maricá "vende" aos investidores a proximidade da cidade com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), que está sendo construído no município vizinho de Itaboraí.
"Tenho passado mais tempo em São Paulo e na Bahia do que em Maricá. Meu trabalho e o de Marcelo Sereno junto a empresários tem sido importante para atrair esses grupos ao município. Os contatos em Brasília são importantes", afirma Quaquá.
"Queremos ser o lugar escolhido por empresários e executivos do Comperj para morar", diz o secretário de Ambiente e Urbanismo da cidade, Celso Cabral Nunes.
Este ano, o grupo Alphaville lançou o empreendimento imobiliário Terras Alpha, com quase 400 mil metros quadrados de área. Todos os 399 lotes, com preços entre R$ 90 mil e R$ 140 mil, foram vendidos em duas horas.
Apesar da prosperidade econômica, a cidade sofre com muitas ruas sem asfalto e tem várias obras paradas.
"Andamos no meio da poeira ou na lama. Vivemos num lugar sem iluminação e desde as chuvas de 2010 os carros não conseguem passar aqui", conta a comerciante Maria das Graças Rosa, 50.
Prefeito diz que aliado não influi em sua gestão
DO RIO
O prefeito Washington Luiz Siqueira, o Quaquá (PT), negou que Marcelo Sereno e Maria Helena Alves de Oliveira estejam no secretariado de Maricá por influência do ex-ministro José Dirceu.
"Ambos têm muita experiência no serviço público. A Maria Helena já participou de outras administrações do partido, e o Marcelo conhece muita gente", afirmou.
Segundo ele, a presença da dupla, que não tem raízes na cidade, é "natural".
"Faço parte de um grupo político do PT e é natural que a gente busque pessoas com experiência. Não podia chegar aqui e ficar sentado, esperando os investimentos caírem do céu. A presença deles é um aprendizado."
O site de Sereno afirma que sua posse ocorreu em "momento muito importante, já [que] o repasse dos royalties do petróleo poderá ser ampliado com o início da exploração do pré-sal".
Apesar do contato com assessores, Sereno não respondeu às ligações da reportagem. Maria Helena de Oliveira também não falou.
As assessoras de José Dirceu foram procuradas na última sexta-feira, mas não responderam às ligações.
Procurador vê descontrole em obras após enchentes na serra fluminense
Contratos sem assinatura e pagamentos acima do devido estão na mira do Ministério Público
Não há informações sobre quais empresas executaram as obras nas 7 cidades atingidas, aponta inquérito civil
GUSTAVO ALVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
DO RIO
Há duas semanas, três caixas cheias de papéis chegaram ao gabinete do procurador Marcelo Medina, do Ministério Público Federal em Nova Friburgo (RJ), que as esperava desde janeiro.
São documentos do governo sobre a contratação de emergência de empreiteiras para socorrer as sete cidades atingidas pela enxurrada que deixou mais de 900 mortos na região serrana.
Medina espera que os contratos mostrem como foram gastos os R$ 70 milhões enviados pelo governo federal para ajudar na recuperação.
O procurador comanda inquérito civil público sobre a ajuda. Com base na leitura inicial dos documentos e em depoimentos de fiscais da Empresa Estadual de Obras Públicas e das empresas, viu irregularidades como contratos apenas verbais e falta de controle na execução.
"Quem fez o quê, ninguém sabe", diz o procurador.
Entre as construtoras contratadas, estavam gigantes do ramo, como a Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Delta.
SEM CONTRATOAs empreiteiras que atuam na região foram convocadas por uma entidade privada, a Associação de Empreiteiras do Rio. Depois, iniciaram trabalho sem contratos.
"Num momento imediatamente após a tragédia, isso é até aceitável", diz Medina. Mas, para o procurador, a contratação deveria ter sido formalizada pouco depois. "A lei autoriza a dispensa de licitação, mas não de certas formalidades", afirma.
Por falta destas formalidades, o governo também pagou mais caro pelo socorro, diz Medina. Os valores pagos às empreiteiras foram os das tabelas do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e do Sicro-2 (Sistema de Custos Rodoviários).
"Deveria ter havido uma cotação com as empresas do ramo para saber qual ofereceria o valor mais baixo, que é sempre abaixo da tabela", afirma Medina. "Nos primeiros dias, seria admissível o Estado indenizar as empresas pelo trabalho seguindo o valor da tabela", diz. "Mas, no sexto dia, já seria possível fazer a cotação."
OUTRO LADOA Secretaria Estadual de Obras reconheceu que os preços pagos seguiram as tabelas do Sinapi e do Sicro-2. O órgão informou que empreiteiras foram contratadas por termos de ajustes de contas. Segundo o governo, os termos "só podem ser formalizados após a prestação do serviço", por exigência legal.
Também afirmou que os pagamentos só são feitos depois de os serviços serem "realizados, fiscalizados, medidos e atestados". Dos R$ 70 milhões, foram gastos R$ 49 milhões com as empreiteiras, disse a secretaria.
Medina diz que, com a demora no envio da documentação, passados seis meses da tragédia, não se sabe quais trabalhos foram realizados. "Hoje, temos de acreditar no que dizem os fiscais das empresas e o governo do Estado", diz o procurador.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Crédito para imóveis no Banco do Brasil é recorde
| Autor(es): Altamiro Silva Junior |
| O Estado de S. Paulo - 28/06/2011 |
Saldo da carteira de financiamentos imobiliários da instituição atingiu R$ 5 bilhões em maio e mais que dobrou em relação ao mesmo mês de 2010 O crédito imobiliário não para de crescer no Banco do Brasil. A carteira do segmento acaba de atingir a marca de R$ 5 bilhões, segundo dados divulgados pelo banco ontem. O crescimento foi de 114% na comparação com o saldo de maio do ano passado. O Banco do Brasil também registrou em maio o maior volume contratado para um único mês em toda a série histórica da sua carteira de crédito imobiliário, iniciada há três anos. "O ritmo continua forte e deve se manter assim", disse à Agência Estado o vice-presidente de negócios de varejo do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli. Em maio, o Banco do Brasil fechou 2 mil operações com pessoas físicas, com desembolso de R$ 289 milhões. Esse volume supera com folga o recorde anterior, de dezembro de 2010, quando foram desembolsados R$ 261 milhões. A meta do banco para o segmento em 2011 não foi alterada, apesar do crescimento acima de 100% das operações. Segundo o executivo, a projeção continua sendo dobrar a carteira do segmento, fechando dezembro em R$ 7 bilhões. "Talvez feche um pouco acima desse valor, mas a meta está mantida", disse Caffarelli. Da carteira total do banco público, 82% das operações são de crédito para pessoas físicas e o restante para pessoa jurídica. Segundo Caffarelli, o banco vem reforçando sua atuação neste último segmento e já fechou acordos de financiamento com as 16 maiores construtoras e incorporadoras brasileiras. Na comparação com maio do ano passado, a carteira de pessoa jurídica cresceu 266%, fechando o mês em R$ 854 milhões. A tendência, de acordo com o executivo, é que nos próximos anos, a participação da pessoa jurídica chegue a 50% da carteira, como ocorre nos bancos que operam com crédito imobiliário há mais tempo. O Banco do Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos bancos que operam no mercado imobiliário. O ranking é liderado pela Caixa Econômica Federal, seguida por Itaú, Santander e Bradesco. Segundo Caffarelli, a meta do BB é até o final do ano que vem estar entre os três maiores do setor. O banco tem de R$ 5 bilhões para emprestar. Minha Casa. Caffarelli avalia que a segunda fase do projeto Minha Casa, Minha Vida vai contribuir para manter o mercado imobiliário aquecido. O Banco do Brasil vai ampliar sua participação no programa do governo federal. A partir de janeiro de 2012, vai atender os mutuários com renda menor que R$ 1,6 mil. O banco já atuava no programa com a oferta de crédito com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o público com renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil. |
terça-feira, 28 de junho de 2011
Rumo ao interior
| Autor(es): Hugo Cilo |
| Isto é Dinheiro - 27/06/2011 |
Empresas apostam na expansão econômica das cidades menores, ampliam suas fronteiras e investem na descentralização de seus negócios O empresário Rubens Menin, presidente da MRV Engenharia, a terceira maior construtora do País em faturamento, com receita de R$ 3 bilhões no ano passado, fez fortuna ao longo dos últimos 30 anos por descobrir oportunidades de negócios onde pouca gente conseguia enxergar dinheiro. A caça ao tesouro seguia uma única estratégia: onde havia riqueza em expansão, lá os prédios da MRV eram erguidos. Dessa forma, sua construtora se tornou um termômetro do crescimento da renda no Brasil. Os negócios fechados pela empresa, no começo deste ano, dão, assim, uma pista de como anda a geração de riqueza no País. No primeiro trimestre, dos 8,2 mil imóveis lançados pela MRV, 50% foram feitos em cidades do interior dos principais Estados do País. Outros 22% foram reservados às capitais, e 28% em regiões metropolitanas. Líder no segmento de imóveis populares nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a MRV buscou cidades do interior desses Estados, mas foi também para municípios como Serra, no Espírito Santo, e Jaboatão de Guararapes, na região metropolitana do Recife. "Como parte de nosso plano de expansão, miramos em vários Estados e nos impressionamos com o excelente retorno", disse ele à DINHEIRO, na sede da empresa, em Belo Horizonte. Embora distantes 1,8 mil quilômetros entre si, tanto Serra, polo siderúrgico capixaba, como Jaboatão de Guararapes, que abriga uma fábrica da Coca-Cola e um centro de distribuição da Walmart, praticamente dobraram o tamanho dos PIBs locais entre 2000 e 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Aumentaram, dessa forma, o peso de suas respectivas economias no PIB nacional. O município capixaba, por exemplo, passou de 0,25% para 0,38% a sua participação no PIB nacional, no período de oito anos. Em 2008, a economia da cidade girou R$ 11,6 bilhões. Jaboatão, por sua vez, passou de um peso de 0,18% para 0,21% no PIB nacional, em 2008, quando a cidade nordestina movimentou R$ 6,4 bilhões. "As cidades do Nordeste crescem a um ritmo três vezes superior a São Paulo", afirma Menin. Como elas, municípios das regiões metropolitanas das grandes capitais e do interior dos Estados brasileiros têm ampliado seu papel na economia do País (veja quadro). Isso explica por que a participação proporcional das grandes metrópoles vem caindo no PIB. A capital paulista, por exemplo, respondia por 14,7% do PIB em 1999, peso que se reduziu para 11,8% em 2008. Essa nova força econômica do interior, muda o mapa dos investimentos das empresas, afirma Adma Hamam de Figueiredo, pesquisadora do IBGE e coordenadora do Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, elaborado pelo IBGE, que revela as transformações do desenvolvimento econômico e social. "Pela primeira vez na história do Brasil, há um intenso processo de interiorização da economia", diz Adma. A nova dinâmica tem sido alimentada pela riqueza do agronegócio, pela expansão da cadeia de petróleo e gás, além da pulverização industrial. "A rota da agroindústria levou não só tecnologia para cidades do interior como foi acompanhada por empresas do setor de serviço e comércio." A atividade econômica em expansão torna a renda das cidades menores mais atraente. O interior paulista, descontados os 39 municípios da região metropolitana, contava com um PIB de US$ 135,9 bilhões no ano passado, segundo projeção da consultoria MB Associados. O valor é maior que o PIB da Nova Zelândia. "Só o Estado de São Paulo, com aproximadamente 40 milhões de habitantes e renda per capita de R$ 24,5 mil, é mais rico e dinâmico do que a Argentina", diz o economista Roberto Falconi, consultor da MB. Nos últimos 14 anos, segundo o IBGE, enquanto a renda por habitante no País avançou 21,7%, chegando a R$ 19 mil no ano passado, a média, excluídas as principais metrópoles, aumentou 58,4%, bem mais do que o dobro, portanto. Foi esse dinamismo que fez com que Celso Luchiari, presidente da Transportadora Americana, adiasse seu plano de internacionalização. No início do ano, a empresa decidiu abrir unidades no Chile e na Argentina, mas logo percebeu que mercados ainda maiores podiam ser mais bem explorados, aqui mesmo, no País. "Cerca de 80% de tudo o que o Brasil produz em alguns segmentos, como cosméticos e eletrônicos, é vendido no interior paulista", afirma Luchiari. A matriz da empresa está localizada em Americana, e a principal filial, em Campinas. Seguindo para outros Estados, Luchiari vai adotar a mesma estratégia. Ainda neste ano, a transportadora abrirá filiais no interior do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul. "No Rio, estamos entre Petrópolis e Resende." Sergio Habib, diretor-presidente Caso a medida seja a renda per capita, Resende leva de goleada essa parada: R$ 35 mil, segundo o IBGE, contra R$ 17 mil de Petrópolis. Como Resende, centenas de municípios superam a média nacional, de R$ 19 mil, um dado que contribui na tomada de decisões das empresas que seguem para o interior. A presidente da rede odontológica paulistana Sorridents, Carla Renata Sarni, por exemplo, elegeu cidades como Campinas (renda per capita de R$ 27,7 mil), São José dos Campos (R$ 34 mil) e São Bernardo do Campo (R$ 37 mil), como destino para as novas unidades do grupo. Carla também abandonou o projeto de investimento fora do País – ia para os Estados Unidos, Portugal e Angola – para se dedicar à expansão dos negócios dentro do Brasil. "Decidimos primeiro nos dedicar à atuação local, antes de partir para o Exterior", afirma Carla. A internacionalização, segundo ela, ficará para 2014. Atualmente, a Sorridents possui 120 clínicas e planeja abrir 40 novas unidades, das quais 20 no interior paulista, até o final do ano. A exemplo da MRV, da Transportadora Americana e da Sorridents, as montadoras de veículos também seguem a trilha do interior do País. A Man Latin América, dona da marca Volkswagen Caminhões, pretende inaugurar 15 concessionárias até dezembro, com foco em cidades menores do Centro-Oeste e do Nordeste. "A expansão da construção civil, da mineração, do agronegócio, além de aumento do transporte de cargas, , têm gerado muitos negócios fora dos grandes centros urbanos", afirma Roberto Cortes, presidente da Man no Brasil e responsável pelas operações do grupo na AL. As taxas de crescimento nos municípios menores são muito mais punjantes que em mercados mais maduros. Enquanto a empresa vendeu 1,6 mil unidades na capital paulista, entre janeiro e maio deste ano, 34% a mais do que no mesmo período do ano passado, o crescimento em cidades como Campinas chega a 188%. Nos cinco primeiros meses de 2011 foram 188 caminhões, contra 97, do ano passado. Os caminhos do interior também seduzem as marcas de carros de passeio. É o caso da chinesa JAC Motors, recém- chegada ao País. Em menos de um ano, Sergio Habib, presidente da subsidiária brasileira da JAC Motors, abriu 50 revendas, em diversas regiões brasileiras. Até 2012, ele pretende chegar a 150 pontos de venda. "Vamos conquistar clientes que ainda não são de ninguém", afirma Habib. "Esses consumidores não estão em São Paulo ou no Rio. Estão em todas as partes do interior do País." |
sábado, 18 de junho de 2011
Subsídio do "Minha Casa 2" vai a R$ 72,6 bi
Autor(es): Fernando Travaglini e Azelma Rodrigues | De Brasília
Valor Econômico - 17/06/2011
Em ano de ajuste fiscal, a segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida foi lançado ontem com o anúncio do maior subsídio da história, R$ 72,6 bilhões, além de outros R$ 53,1 bilhões reservados para o financiamento de 2 milhões de unidades. No primeiro ano de vigência da segunda etapa do programa, no entanto, dado o controle dos gastos executado pelo governo para o cumprimento da meta de superávit primário, a previsão é que sejam liberados apenas R$ 7,5 bilhões - além dos restos a pagar do ano passado, que giram em torno de R$ 7 bilhões.Esses recursos, já previstos no Orçamento, não devem sofrer revisão, com a maior parte reservada ainda para a primeira etapa do programa. A previsão de entrega para o ano é de 350 mil novas unidades, já em construção. Até agora, as construtoras já entregaram cerca de 300 mil casa do primeiro Minha Casa Minha Vida - quando a disponibilidade da União era de R$ 34 bilhões.Na nova etapa do programa houve revisão das faixas de renda mensal, que passaram para R$ 1,6 mil, R$ 3,1 mil e R$ 5 mil. O valor médio dos imóveis também tem previsão de elevação de aproximadamente 30%, passando de R$ 42 mil para cerca R$ 55 mil, e a área do imóvel também foi ampliada para 39,6 metros quadrados.O subsídio máximo por unidade permaneceu estável, em R$ 23 mil. O subsídio total do programa, no entanto, passou de cerca de R$ 34 bilhões, na primeira etapa, para R$ 72,6 bilhões. O valor é superior à primeira etapa do programa por que há uma maior concentração das unidades na faixa de renda de até R$ 1,6 mil, onde o subsídio é totalmente coberto pela União. Serão 1,2 milhões de unidades nesse segmento, 60% do total. Na primeira fase, o nicho de mais baixa renda teve apenas 40% das casas.O preço das casas, no entanto, ainda será objeto de definição entre o governo, empresários e os bancos estatais que operam no programa. Esse e outros detalhes serão definidos em portaria dos Ministérios das Cidades e da Fazenda. Enquanto isso, a contratação para a faixa de até três salários mínimos permanece parada.A meta de construção de casas é de dois milhões de unidades, sendo 1,2 milhão para famílias com renda de até R$ 1,6 mil, 600 mil para quem ganha até R$ 3,1 mil e o restante para até R$ 5 mil mensais. Na primeira etapa foram contratadas um milhão de casas.Durante o discurso para lançamento do programa, a presidente Dilma Rousseff puxou ainda mais os objetivos. "Se cumprirmos direitinho nossas metas, daqui a um ano poderemos colocar mais recursos para mais 600 mil unidades", prometeu ela para 2012. A presidente também colocou como meta interna a contratação de 170 mil unidades nesse primeiro ano.A Caixa Econômica Federal já tem cerca de 140 mil contratos em análise, diz o presidente do banco, Jorge Hereda, remanescentes do primeiro programa e que podem migrar para o Minha Casa 2. Desde total, cerca de 40 mil são da faixa de renda de até três salários mínimos, com 100% de subsídios da União. Por enquanto, a Caixa Econômica Federal continua com a exclusividade dos contratos com subsídio integral, mas o Banco do Brasil deve começar a atuar nesse nicho a partir de 2012.O novo programa tem outras alterações, como azulejos nas paredes da cozinha e banheiro, piso cerâmico e portas e janelas maiores (0,8 metro) foram agregadas ao benefício da energia solar, existente na fase um. As famílias que receberem subsídio só poderão vender o imóvel, antes de 10 anos, após a quitação, inclusive do subsídio. E as mulheres das famílias com renda até três mínimos poderão contratar o imóvel, independente do estado civil e sem necessitar da assinatura do cônjuge.Dilma aproveitou ainda o discurso para justificar o alto investimento, mesmo em um período de ajuste fiscal e de combate à inflação. Segundo ela, é preciso garantir que a economia não vai "parar". "Ao mesmo tempo em que controla a inflação, que garante que haja uma política fiscal extremamente robusta, nós temos e mantemos nosso compromisso com a estabilidade. Isso garante que vamos gerar melhores condições de vida e emprego a todos", continuou ela.
| Autor(es): Fernando Travaglini e Azelma Rodrigues | De Brasília |
| Valor Econômico - 17/06/2011 |
Em ano de ajuste fiscal, a segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida foi lançado ontem com o anúncio do maior subsídio da história, R$ 72,6 bilhões, além de outros R$ 53,1 bilhões reservados para o financiamento de 2 milhões de unidades. No primeiro ano de vigência da segunda etapa do programa, no entanto, dado o controle dos gastos executado pelo governo para o cumprimento da meta de superávit primário, a previsão é que sejam liberados apenas R$ 7,5 bilhões - além dos restos a pagar do ano passado, que giram em torno de R$ 7 bilhões. Esses recursos, já previstos no Orçamento, não devem sofrer revisão, com a maior parte reservada ainda para a primeira etapa do programa. A previsão de entrega para o ano é de 350 mil novas unidades, já em construção. Até agora, as construtoras já entregaram cerca de 300 mil casa do primeiro Minha Casa Minha Vida - quando a disponibilidade da União era de R$ 34 bilhões. Na nova etapa do programa houve revisão das faixas de renda mensal, que passaram para R$ 1,6 mil, R$ 3,1 mil e R$ 5 mil. O valor médio dos imóveis também tem previsão de elevação de aproximadamente 30%, passando de R$ 42 mil para cerca R$ 55 mil, e a área do imóvel também foi ampliada para 39,6 metros quadrados. O subsídio máximo por unidade permaneceu estável, em R$ 23 mil. O subsídio total do programa, no entanto, passou de cerca de R$ 34 bilhões, na primeira etapa, para R$ 72,6 bilhões. O valor é superior à primeira etapa do programa por que há uma maior concentração das unidades na faixa de renda de até R$ 1,6 mil, onde o subsídio é totalmente coberto pela União. Serão 1,2 milhões de unidades nesse segmento, 60% do total. Na primeira fase, o nicho de mais baixa renda teve apenas 40% das casas. O preço das casas, no entanto, ainda será objeto de definição entre o governo, empresários e os bancos estatais que operam no programa. Esse e outros detalhes serão definidos em portaria dos Ministérios das Cidades e da Fazenda. Enquanto isso, a contratação para a faixa de até três salários mínimos permanece parada. A meta de construção de casas é de dois milhões de unidades, sendo 1,2 milhão para famílias com renda de até R$ 1,6 mil, 600 mil para quem ganha até R$ 3,1 mil e o restante para até R$ 5 mil mensais. Na primeira etapa foram contratadas um milhão de casas. Durante o discurso para lançamento do programa, a presidente Dilma Rousseff puxou ainda mais os objetivos. "Se cumprirmos direitinho nossas metas, daqui a um ano poderemos colocar mais recursos para mais 600 mil unidades", prometeu ela para 2012. A presidente também colocou como meta interna a contratação de 170 mil unidades nesse primeiro ano. A Caixa Econômica Federal já tem cerca de 140 mil contratos em análise, diz o presidente do banco, Jorge Hereda, remanescentes do primeiro programa e que podem migrar para o Minha Casa 2. Desde total, cerca de 40 mil são da faixa de renda de até três salários mínimos, com 100% de subsídios da União. Por enquanto, a Caixa Econômica Federal continua com a exclusividade dos contratos com subsídio integral, mas o Banco do Brasil deve começar a atuar nesse nicho a partir de 2012. O novo programa tem outras alterações, como azulejos nas paredes da cozinha e banheiro, piso cerâmico e portas e janelas maiores (0,8 metro) foram agregadas ao benefício da energia solar, existente na fase um. As famílias que receberem subsídio só poderão vender o imóvel, antes de 10 anos, após a quitação, inclusive do subsídio. E as mulheres das famílias com renda até três mínimos poderão contratar o imóvel, independente do estado civil e sem necessitar da assinatura do cônjuge. Dilma aproveitou ainda o discurso para justificar o alto investimento, mesmo em um período de ajuste fiscal e de combate à inflação. Segundo ela, é preciso garantir que a economia não vai "parar". "Ao mesmo tempo em que controla a inflação, que garante que haja uma política fiscal extremamente robusta, nós temos e mantemos nosso compromisso com a estabilidade. Isso garante que vamos gerar melhores condições de vida e emprego a todos", continuou ela. |
Empresários aprovam medidas
| Autor(es): Daniela D"Ambrosio | De São Paulo |
| Valor Econômico - 17/06/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/17/empresarios-aprovam-medidas |
Os presidentes das três construtoras abertas com maior atuação no Minha Casa, Minha Vida 2 - MRV, Rodobens e Direcional - estão satisfeitos com os anúncios sobre a segunda etapa do programa, anunciados pela presidente Dilma Rousseff. Rubens Menin, presidente da MRV, maior operadora do Minha Casa, Minha Vida 1, destacou a intenção do governo de ajustar o programa quando necessário. "Fomos atendidos no que pedimos", disse. Um dos principais pleitos do setor era que houvesse correção da renda máxima passível de subsídio. Embora o governo tenha aumentado o valor dos imóveis de R$ 130 mil para R$ 150 mil e R$ 170 mil (em todas as capitais e cidades acima de 1 milhão de habitantes), da forma como foi feita, a extensão do teto foi pouco aproveitada em função da limitação da renda do comprador. O presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, Eduardo Gorayeb disse que, com o aumento da renda, muitos compradores que haviam se desenquadrado do programa voltam a ser aptos a ganhar subsídio. "O governo havia criado um hiato, mas agora isso foi resolvido", diz. Segundo Gorayeb, a adição de 600 mil casas é muito representativa para o setor. Atualmente, cerca de 85% a 90% da produção da companhia está dentro do Minha Casa, Minha Vida. A Direcional Engenharia, única companhia aberta que atua no segmento de zero a três salários mínimos, também se mostrou otimista. A companhia ficou de contratar novos projetos para o público de zero a três salário durante todo o primeiro semestre. "No primeiro semestre, focamos na construção dos projetos que tínhamos contratado da primeira fase do programa a agora voltaremos a fazer novas contratações", afirma Roberto Senna, diretor-superintendente da Direcional. Dois terços dos negócios da companhia estão no Minha Casa, Minha Vida. |
Dois tempos
| Correio Braziliense - 17/06/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/17/dois-tempos |
Minha Casa, Minha Vida 1 » 1,2 milhão de moradias contratadas: 300 mil já entregues, outras 250 mil devem ficar prontas ainda este ano e as outras 750 mill concluídas até o meio do ano que vem; » Valor médio das habitações: R$ 42 mil; » Somente a Caixa Econômica financiava as unidades; » Famílias com renda até R$ 4.650 podiam requerer o financiamento. Minha Casa, Minha Vida 2 » Meta de 2 milhões de contratos a serem firmados: mais 600 mil devem ser assinados após uma revisão do andamento das metas em 2012; » Valor médio das habitações: R$ 55.180; » Banco do Brasil também passa a financiar moradias; » A faixa de renda familiar do programa passa para até R$ 5,4 mil. |
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Construção comanda alta
| Autor(es): » Vera Batista e Larissa Garcia |
| Correio Braziliense - 04/06/2011 |
CONJUNTURA Segmento cresce 9,2% nos últimos 12 meses, acima dos 7,4% do setor industrial e puxa desenvolvimento produtivo do país A construção civil cresceu 9,2% nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2011 e se consolidou como carro-chefe do desenvolvimento do setor industrial. O segmento avançou mais do que o conjunto da indústria, que, no mesmo período, registrou alta de 7,4%, movimentando R$ 208,5 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de expressivo, o desempenho foi considerado modesto pelo empresário Luiz Henrique Rimes, diretor nacional de Negócios da João Fortes Engenharia. “Achei até abaixo das expectativas. Vale ressaltar que os dados de 2011 refletem a realidade de pelo menos dois anos passados. São obras que iniciaram em 2009 e 2010 em momentos excepcionais”, ressaltou. A indústria cresceu 3,5% no primeiro trimestre de 2011 na comparação com os últimos três meses de 2010. A construção civil, por sua vez, teve expansão de 5,2%. “Este ano vamos crescer ainda mais”, previu Rimes. Ele justificou o otimismo em função da procura pelos serviços de construção, que continua elevada por causa do crescimento da massa salarial e da concessão de crédito. Na planta O diretor-presidente da construtora Faenge, Leonardo Ávila, aproveita o bom momento para aumentar a oferta de unidades disponíveis no setor. “Por enquanto, as vendas estão bem melhores que em 2010. Espero que continuem assim”, torceu. A empresa tem empreendimentos em Águas Claras, no Sudoeste, no Lago Norte e no Noroeste. “Recomendo investimentos imobiliários, principalmente na planta. A valorização nos últimos três anos ficou acima de 20%. É um ótimo negócio, com um retorno altíssimo.” Nem mesmo o impacto da valorização do real em relação ao dólar vai atrapalhar a construção civil, na avaliação de Julio Pina, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Brasil Brokers. “Raros insumos foram afetados. O impacto do câmbio foi bem absorvido e as taxas continuam competitivas e atraentes para o usuário. Em 2011, continuaremos crescendo acima do PIB nacional”, observou. Pina previu que, este ano, o volume total de vendas deve ficar até 12% maior do que o registrado em 2010. Robustez Diversos fatores vão contribuir para um resultado mais robusto da construção civil em 2011. Os investimentos em infraestrutura poderão causar leve alta nos materiais de construção. “Boa parte desses bilhões de reais previstos serão para tijolos e cimento”, sublinhou Luiz Henrique Rimes, diretor da João Fortes Engenharia. A inflação, porém, será compensada pelo incremento da renda. “Mesmo que o imóvel fique mais caro, a população terá mais recursos disponíveis para comprá-lo”, explicou. |
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