| Autor(es): Mansueto Almeida |
| O Estado de S. Paulo - 17/08/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/17/o-aumento-do-limite-de-endividamento-dos-estados |
Análise: Ao contrário de 2009, quando o governo federal teve sucesso em combater a desaceleração do crescimento econômico com medidas de estímulo à demanda, o mesmo receituário para combater a redução recente do crescimento econômico não funcionou da maneira esperada. Em uma situação de maior incerteza é normal que os empresários posterguem a decisão de investir e se comportem de maneira pró-cíclica, algo racional de agentes econômicos em atividades de risco. Nessas ocasiões, não adianta o governo pedir para que os empresários sejam mais ousados. Mas o governo pode ajudar a recuperação da economia com o aumento do investimento público. No entanto, aumentar o investimento público exige mais recursos, que estão em falta ante a queda recente da receita tributária. Assim, a ampliação do espaço fiscal para que 17 Estados possam contratar operações de crédito de R$ 42,2 bilhões na revisão Programa de Ajuste Fiscal (PAF) foi a única medida que restou ao governo para ajudar os Estados a ampliar o investimento. É importante destacar três pontos em relação a esse programa. Primeiro, o valor global desse programa não é pequeno. Em 2011, o investimento total de todos os Estados, no Brasil, foi de R$ 36,6 bilhões. Mesmo que apenas R$ 10,5 bilhões se transformem em aumento de investimento, nos próximos 12 meses, isso representa um crescimento de quase 30%. Segundo, Estados grandes como Rio de Janeiro e São Paulo tiveram uma receita média com operações de crédito nos últimos quatro anos inferior a R$ 1,5 bilhão. Neste ano, apenas com o Banco do Brasil, o Rio de Janeiro já teve empréstimos aprovados de mais de R$ 3 bilhões. Terceiro, da mesma forma que o governo federal, os Estados carecem de receita primária para aumentar o investimento. Em geral, o crescimento do investimento nos Estados grandes decorre de novas operações de crédito e/ou receita de privatização, como foi o caso de São Paulo, em 2009 e 2010. O crescimento do investimento nessas bases não se sustenta. É positiva a ajuda do governo federal para que os Estados possam investir mais por meio do crescimento de suas dívidas. Mas essa é uma medida temporária que levará a uma redução do superávit primário dos Estados e não é solução para a baixa capacidade de investimento do setor público no Brasil. Para um país com uma carga tributária de 36% do PIB, parece paradoxal que ainda falte receita primária para financiar o crescimento do investimento. |
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O aumento do limite de endividamento dos Estados
terça-feira, 17 de abril de 2012
Cardápio de fundo de renda fixa: parece a mesma coisa, mas não é
| São Paulo, segunda-feira, 16 de abril de 2012 |
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FINANÇAS PESSOAIS
MARCIA DESSEN marcia.dessen@bmibrasil.com.brhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/37384-cardapio-de-fundo-de-renda-fixa-parece-a-mesma-coisa-mas-nao-e.shtml Os investidores avessos a risco buscam por alternativas mais seguras e encontram uma oferta muito variada de fundos de renda fixa que, embora possam parecer semelhantes, são produtos muito distintos entre si. A expressão "renda fixa" não ajuda e permite algumas conclusões equivocadas. Enganam-se os que acreditam que a renda seja fixa, apesar do nome, e que não há riscos nessa escolha. Os nomes dos fundos de renda fixa oferecidos no mercado são uma verdadeira sopa de letras que mais parecem códigos e nem sempre colaboram para o entendimento do produto. Existem diversas categorias de fundos de renda fixa com propostas de investimento muito distintas, gerando riscos e rentabilidades muito diferentes. RENDA FIXA DI Essa é a categoria mais conhecida do investidor. Classificadas pela CVM como "Referenciadas", essas carteiras têm o compromisso de buscar a melhor aderência possível ao seu índice de referência. E a taxa DI (taxa média das operações com CDI negociadas no mercado interfinanceiro) é o índice de referência adotado com mais frequência. O cotista desse fundo não sabe quanto vai ganhar em termos absolutos, mas sabe que a rentabilidade do fundo será próxima à variação da taxa DI, seja ela qual for. É a melhor escolha para investidores que acreditam na elevação da taxa de juros ou para aqueles que não têm convicção em relação à tendência da taxa de juros e se sentem confortáveis com a remuneração da taxa praticada no mercado. Sem dúvida, é a melhor opção para quem precisa de liquidez e conta com a possibilidade de resgatar tudo ou parte de seus recursos a qualquer momento. RENDA FIXA Essa categoria de fundos não se obriga a acompanhar a taxa de juros básica de mercado. Pelo contrário. Seu desafio é superar essa taxa e oferecer rentabilidade superior aos cotistas. Para isso, é preciso correr mais riscos. Investem em títulos de taxa prefixada, que ganham em cenário de queda na taxa de juros. Além de títulos públicos, compram títulos privados com maior exposição ao risco de crédito, decorrente da possibilidade de insolvência do emissor. Falando português claro: risco de calote. Os gestores podem também apimentar as carteiras com títulos mais longos, atrelados a índices de preços, além de operações feitas no mercado futuro de juros. Será a melhor opção dos investidores que podem dispor dos recursos por prazo mais longo, não inferior a dois anos, e que encaram a volatilidade dos preços com naturalidade. Têm expectativa de que com os riscos assumidos ganharão mais do que a taxa de juros de mercado no longo prazo. RENDA FIXA CRÉDITO Quando você encontrar a expressão "crédito" no nome do fundo, significa que ele tem mais de 50% da carteira composta por títulos privados, que acarretam aos investidores o risco de crédito como o principal risco da carteira. As empresas do setor privado representam, em maior ou em menor escala, maior probabilidade de ocorrência de insolvência. A capacidade de pagamento da empresa pode se deteriorar ao longo do tempo e comprometer sua capacidade de honrar suas obrigações de pagar juros e de quitar sua dívida no vencimento. Para remunerar esse risco, pagam taxa de juros superior à que o governo paga nos títulos públicos. Adicionalmente ao risco de crédito, essas carteiras correm ainda risco de oscilação da taxa de juros e de índices de preços. São recomendadas para investidores que conhecem a natureza do risco dos ativos da carteira e aceitam correr esse risco em busca de melhor rentabilidade potencial. RENDA FIXA ÍNDICES A expressão "índices", "preços" ou "inflação" no nome de um fundo de investimento indica que o principal objetivo de investimento da carteira é de posicionamento em títulos atrelados a índices de preços, como o IPCA ou o IGP-M. A maior parte da carteira tende a ser composta por títulos públicos representando baixo risco de crédito para o cotista. Aqui o objetivo é outro. São recomendados para aqueles que buscam proteger seu capital contra a inflação. Representam também uma boa alternativa de diversificação e convivem em harmonia com outros investimentos de taxa pré ou pós-fixada. São títulos com prazo muito superior aos que tipicamente compõem as demais carteiras e, assim, apresentam maior variação no valor da cota. Esses títulos pagam a variação do índice de preço mais uma taxa de juros prefixada, denominada "cupom". Sendo assim, ganham em cenário de elevação da inflação e de queda na taxa de juros do "cupom". RENDA FIXA LP No mundo da "renda fixa", duas variáveis explicam, basicamente, a volatilidade de uma carteira: a flutuação dos juros ou dos índices de preços e o prazo médio da carteira. As letras L e P indicam que a carteira é de longo prazo. Quanto maior o prazo, maior a volatilidade. Um título de taxa prefixada, por exemplo, ganha em cenário de queda na taxa de juros. E esse ganho será tanto maior quanto maior for o prazo médio da carteira do fundo. Naturalmente que o inverso é verdade -em cenário de elevação dos juros, maior será a perda. LEIA A 'BULA' Estabeleça o seu objetivo de investimento e identifique um fundo que tenha o mesmo objetivo. E só tem uma maneira de descobrir: leia atentamente o prospecto do fundo antes de aderir. Faça perguntas sobre o propósito, os riscos e os custos. A rentabilidade será decorrência disso tudo. MARCIA DESSEN, Certified Financial Planner, é sócia e diretora-executiva do BMI (Brazilian Management Institute), professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros. |
Renda fixa emergente entra no radar dos estrangeiros
| Autor(es): Por Flavia Lima | De São Paulo |
| Valor Econômico - 17/04/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/17/renda-fixa-emergente-entra-no-radar-dos-estrangeiros |
Não são apenas títulos do Tesouro americano ou de economias mais robustas como a da Alemanha. A corrida global dos investidores por ativos de menor risco tem impulsionado também a demanda por títulos de renda fixa de mercados emergentes, como o Brasil. Na busca por alternativas aos magros rendimentos dos papéis das economias mais desenvolvidas, investidores globais têm, aos poucos, enxergado as emissões de países como Brasil, Rússia, México e também de outros países do leste europeu como fonte importante de diversificação.
"É algo que começamos a ver com mais força nos últimos dois anos em certos segmentos, como o private bank japonês, que está bastante envolvido em dívida brasileira", disse o "head" de renda fixa em mercados emergentes do J.P. Morgan, Pierre-Yves Bareau, em entrevista exclusiva ao Valor. "Mas o interessante é que nesta busca por diversificação há novos entrantes, em especial instituições americanas de maior porte, sempre acostumadas a comprar ativos americanos em dólar, sem nenhuma diversificação, exceto em ações", emendou o executivo em sua passagem por São Paulo.
Segundo Bareau, o movimento pode ser observado não só entre investidores institucionais, como, por exemplo, o fundo soberano da Noruega, que recentemente anunciou que vai reduzir suas posições em títulos europeus em favor dos emergentes, mas também entre a alta renda. Todos de olho em emissões soberanas - em moeda local ou estrangeira - e corporativas, a depender do país escolhido.
A pergunta que estes investidores estão se fazendo é por que comprar apenas papéis de renda fixa americana com retorno nominal de 2% ao ano - ou algo entre -1% e -1,5% em termos reais -, enquanto entre os emergentes as taxas reais estão bastante atrativas, em média em 2%, chegando a 4% no Brasil.
É este questionamento por parte do investidor que, segundo Bareau, tem feito com que o total de investimentos em renda fixa em mercados emergentes sob gestão do J.P. Morgan tenha praticamente dobrado nos últimos dois anos, de US$ 11 bilhões para os US$ 21,5 bilhões atuais, a maior parte em Brasil e Rússia.
Entre os ativos de renda fixa de emergentes, Bareau percebe uma clara mudança na preferência do investidor, de títulos emitidos em moedas locais para uma forte procura por dívida de emergentes emitida em dólares, seja soberana ou corporativa. "Por que comprar real quando as autoridades brasileiras estão tão focadas em desvalorizar a moeda?", questiona. "Os investidores estão preferindo as emissões em dólar de empresas como Gerdau e OGX, como um meio de apostar na alta do dólar e, ao mesmo tempo, no risco de emergentes", emenda.
Além das emissões corporativas em moeda estrangeira realizadas por companhias brasileiras de setores como o de bancos, Bareau concentra as apostas feitas no Brasil em títulos indexados à inflação de mais longo prazo. "Como o foco é o crescimento, pensamos que a inflação poderá ganhar força novamente".
Para Bareau, há chances consideráveis de o Banco Central brasileiro ter de voltar a subir juros no próximo ano justamente em razão do crescimento acelerado previsto para o segundo semestre de 2012. "Embora a gente espere um crescimento de 3% no ano para o Brasil, o crescimento anualizado no segundo semestre deve ficar em 5,5%, o que é muito e deve se estender para 2013", diz o especialista.
Sinal dos tempos para a América Latina, Bareau acredita que o risco soberano da região não se mostra mais tão atrativo, com prêmios bastante comprimidos, em razão de balanço de pagamentos robustos e resultados fiscais em boa forma. E que, para os emergentes no geral, a retomada do crescimento econômico favorece principalmente os papéis de dívida corporativa em dólar, dívidas locais e o investimento em moedas de países como México, Polônia e África do Sul - ficando de fora o real em razão do esforço do governo local para estancar a sua valorização.
Para Bareau, o que pode alterar um quadro tão positivo para a renda fixa emergente é o mesmo fator que a está impulsionando: a aversão ao risco. "O risco é que o Fed [o Federal Reserve] mude de ideia, veja uma recuperação sustentável do crescimento, restrinja a liquidez e volte a subir juros", diz. "Mas achamos que isso está mais para acontecer em 2014 do que em 2013, quando os EUA ainda terão que lidar com questões fiscais importantes". A projeção do J.P. Morgan é de crescimento entre 2% e 2,3% para os Estados Unidos em 2012, e de um recuo no PIB europeu de 0,4%.
O francês sediado em Londres surpreende ainda com uma avaliação mais comedida sobre a visão dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil. "Há mais ceticismo com relação ao Brasil porque eles [os investidores] sabem que podem perder dinheiro em reais", afirma. "Os juros brasileiros são altos, mas há países com juros em linha, como a África do Sul e a Turquia, onde a guerra cambial não é uma preocupação", diz.
Para Bareau, o México vem tomando o lugar do Brasil como o que chama de "hot topic" [tema quente] entre os investidores, mas o executivo diz que isso não é necessariamente ruim. "É menos pressão colocada sobre o balanço de pagamentos do Brasil", afirma. "E isso significa também que pode fazer sentido para os investidores domésticos começar a pensar em investir fora do Brasil", emenda ele.
O executivo encerra a entrevista dizendo não ser trivial acreditar que o real vai continuar se apreciando. E é isso que mostra que, tal qual o investidor externo, pode começar a fazer algum sentido para os investidores locais considerar a tal diversificação externa. Em que ativos? "É muito cedo para investir na Europa e os Estados Unidos não oferecem rendimento, são os emergentes que se mostram mais atrativos", conclui.
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| São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012 |
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VINICIUS TORRES FREIRE
Poupança e fundos perdidos
'Canetada' deve dar jeito em problemas que o juro tabelado da poupança pode causar com a queda da Selic
SUPONHA-SE QUE a taxa básica de juros, a Selic, vá abaixo dos 9% para onde desceu na semana passada.Suponha-se que, tomados de súbita e aguda consciência financeira, os investidores de fundos de renda fixa decidam migrar em massa para a caderneta de poupança, que rende pouco, mas paga mais do que alguns fundos com taxas de administração extorsivas. Suponha-se que tais coisas ocorram antes que o governo enfim apresente um plano organizado de alterar o rendimento das cadernetas. E daí? O pessoal do governo, do Banco Central à Fazenda, diz nas internas que se dá um jeito: baixa-se uma resolução que autorize os bancos, gestores dos fundos, a aplicar o dinheiro dos depósitos da caderneta de poupança em títulos do governo. Ou seja, se houver crise, não há crise. A história da mudança no rendimento das cadernetas ressuscitou com a nova baixa da Selic e com a perspectiva de que a taxa básica da economia talvez não fique estacionada nos 9% ou 8,75%, como era o "entendimento" da maior parte do pessoal do mercado até o começo deste mês. Na sexta-feira, nos negócios com juros futuros apostava-se em reduções adicionais da Selic. O pessoal se guiava pelas mais recentes declarações sibilinas do BC. Qual a relação dos juros básicos com a poupança? Os fundos de investimento mais comuns (quase todos, aliás) emprestam dinheiro ao governo, e dele recebem os juros que pagam a seus investidores. A taxa de juros básica é mais ou menos aquela que o governo paga a seus credores. Logo, se cai a taxa básica, cai o rendimento dos fundos que aplicam em títulos do governo. A poupança tem juros tabelados, não paga taxa de administração e não paga IR. Portanto, dados um certo nível da Selic e o custo da taxa de administração, o rendimento de um fundo pode perder da poupança. Alguns já perdem. Se o dinheiro migra em massa para a poupança, no limite falta crédito para o governo (hipótese remota, mas há o risco de distorção no mercado, de qualquer modo). Isto é, o dinheiro que seria emprestado ao governo iria para a caderneta. Os bancos poderiam ter problemas -isso é o que parece estar pegando mais. Haveria sobra de dinheiro para empréstimos imobiliários (para onde, por lei, tem de ir a maior parte dos depósitos das cadernetas). Faltaria para outras demandas. A rentabilidade de bancos cairia. Poderia haver sustos. Permitir que os bancos apliquem fundos depositados na poupança em títulos públicos resolveria esses problemas, pontualmente. Mas os juros da caderneta ainda seriam uma espécie de piso para ao menos certas taxas no país, como a do financiamento de imóveis. Não dá. De qualquer modo, o governo não acredita em migração em massa. Confia na negligência e no desconhecimento financeiros do grosso da população. Além do mais, quer dar outro calor na banca. Antes de mexer no rendimento da poupança, espera ver os bancos reduzindo taxas de administração excessivas cobradas em certos fundos. Para refrescar a memória: no ano passado, a poupança rendeu menos de 1% em termos reais (além da inflação). Houve ano ainda pior neste século. Em certos fundos, pois, o seu dinheiro pode estar sendo até mesmo corroído pela inflação. |
Problemas que a redução da Selic levanta
| O Estado de S. Paulo - 21/04/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/problemas-que-a-reducao-da-selic-levanta/?searchterm=juros%20poupan%C3%A7a |
| Uma taxa Selic abaixo de 9% deve criar uma série de problemas no mercado financeiro, de cuja importância o governo está consciente, já que pode até atingir o mercado de títulos públicos, além de ter repercussões políticas importantes num ano eleitoral. Politicamente, a redução da remuneração das cadernetas depoupança seria o problema mais delicado, já que a mudança terá de ser feita num momento em que essas aplicações se tornam rentáveis para os poupadores. Atualmente, a rentabilidade das cadernetas é fixada por lei em 6,17% ao ano, o que, com a queda da inflação, já oferece um ganho real. E isso não se verificava há muitos anos por causa da hiperinflação. Isso torna a decisão de reduzi-la ainda mais impopular. Segundo os cálculos apresentados pelo jornal Valor, com juros de 8,50% ao ano e uma remuneração da caderneta em 0,50% ao mês, uma aplicação num fundo com taxa de administração de 2% teria um retorno líquido (deduzido o Imposto de Renda), em um ano, de 5,20%, enquanto a caderneta ofereceria retorno de 6,17%, o que, naturalmente, poderia levar os investidores do fundo para as cadernetas. Essa migração para as cadernetas levantaria um grave problema para os títulos do governo, que são financiados pelos fundos de renda fixa com a aquisição de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), remunerados pela taxa Selic, que é parcialmente transferida aos investidores pelos administradores de fundos e que pagam Imposto de Renda. Ora, os fundos detêm quase 30% das LFTs emitidas pelo Tesouro. Com os investidores saindo dos fundos atrás das cadernetas que oferecem remuneração de 6,17%, o Tesouro teria dificuldades em financiar seu déficit nominal. Parece inevitável que o governo envie logo um projeto de lei modificando a remuneração atual das cadernetas. Uma primeira medida que se impõe é limitar a remuneração dos depósitos depoupança a um valor que corresponda à capacidade de poupança de uma família com pequena renda, como se fez no passado. O governo já teria projetos para reduzir a remuneração e, assim, manter o interesse das aplicações em renda fixa. Será uma decisão difícil para a presidente da República. E é necessário que seja tomada sem demagogia. Fala-se que, para amenizar a reação do público, o governo estaria pensando em manter a atual remuneração para as cadernetas existentes e aplicar as novas regras somente para os novos depósitos. Um tal sistema, além de tornar a fiscalização difícil, levaria a uma série de fraudes. É necessário coragem para fazer a mudança logo e totalmente. |
Dois milhões perdem nas aplicações em fundo
| Autor(es): VICTOR MARTINS | |||||
| Correio Braziliense - 21/04/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/dois-milhoes-perdem-nas-aplicacoes-em-fundo/?searchterm=juros%20poupan%C3%A7a | |||||
Investidor comum fica sem opção em um cenário de juros reduzidos. Governo quer taxas de administração menores
O pequeno investidor está refém da tradicional caderneta.
Os poupadores com menos de R$ 50 mil na carteira são os que mais perdem nos fundos de investimento em função das elevadas taxas de administração. A conta do mercado é de que esses brasileiros somam mais de 2 milhões, todos eles comaplicações em fundos de renda fixa e DI que oferecem ganhos inferiores aos pagos pela poupança. Em números absolutos, eles são a maioria dos investidores, porém, representam apenas6% do patrimônio dos fundos.
Os grandes clientes, incluindo empresas, detêm o restante de todo esse capital e são os verdadeiros financiadores da dívida pública.
Enquanto o governo ensaia levar os juros básicos (Selic) para um nível mais próximo do praticado no restante do mundo, o pequeno investidor brasileiro em fundos começa a sofrer com essa queda e a ver seus ganhos perderem para os da poupança—como mostrou o Correio ontem, cerca de 40% desses fundos já são desvantajosos frente à caderneta. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, porém, já sinalizou que as taxas de administração entraram na agenda: a ordem é, se necessário, chamar os fundos geridos por bancos públicos a reduzir os custos dos investimentos e obrigar, mais uma vez, a concorrência a se mexer.Nos Estados Unidos, o ministro disse que essas taxas podem diminuir. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também acompanha com lupa a situação dos fundos, sobretudo porque o funcionamento desse mercado pode ser um limitador para a política monetária.
Os gestores de fundos estão apreensivos. Um juro inferior a 9% ao ano poderia promover, segundo alguns analistas, uma corrida para a poupança, sobretudo entre os investidores de capital mais limitado—situação que afetaria a gestão da dívida pública.
Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, porém, não vê o cenário com tanta preocupação. "Se os juros caírem um pouco mais, não deve haver prejuízo ao financiamento do governo porque o investidor financia quem pode pagar pelo capital —e o governo pode", explicou.
Carlos Massaru Takahashi, diretor presidente da BBDTVM, gestora de recursos do BB, pondera que, se houver mais uma redução na taxa básica da economia em maio, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, a distribuidora também terá de rever suas taxas.
No entanto, ele observou que, até agora, o BB não registrou nenhuma migração de investidores. "A caderneta tem crescido bem no primeiro trimestre, mas a indústria de fundos também. Só este ano tivemos mais R$ 7,5 bilhões em fundos de renda fixa e outros R$ 8 bilhões em investimento sem fundos de curto prazo." Para o HSBC, dificilmente deve ocorrer uma migração, principalmente entre os investidores de maior poder aquisitivo. Gustavo Poso, superintendente executivo de gestão de patrimônio da instituição, explica que, para o pequeno investidor, se a Selic ficar entre 8%ao ano e 8,5%, o prazo será um determinante para definir quem é mais competitivo, a poupança ou fundo. "Abaixo de 8%, nas atuais regras da poupança, começa a ficar complicado, fica caro para qualquer tipo de fundo", calculou.
Dois milhões já perdem em fundos 'caros'
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Caixa reduz ainda mais taxas a clientes
| Autor(es): CRISTIANE BONFANTI |
| Correio Braziliense - 21/04/2012 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/21/caixa-reduz-ainda-mais-taxas-a-clientes/?searchterm=redu%C3%A7%C3%A3o%20spread |
Banco repassa o corte da Selic, de 0,75 ponto, para o crédito consignado, o financiamento de automóveis e os empréstimos pessoais, além de baratear o capital de giro às empresas
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem nova redução de juros nas linhas de crédito para empresas e consumidores. A partir de segunda-feira, a taxa para o empréstimo consignado a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ficará entre 0,75% e 1,77% ao mês. A mínima para crédito pessoal cairá de 2,39% para 1,80% e a para o financiamento de veículos, de 0,98% para 0,89%.
As micro, pequenas e médias empresas contarão com novas tabelas para as operações de capital de giro, com juros entre 1,29% e 2,05% ao mês.
As companhias da área de construção civil, por sua vez, terão taxas entre 0,97% e 1,46% para antecipar receitas. Para atender à demanda por crédito, a Caixa abrirá uma hora mais cedo até 11 de maio.
A exemplo da decisão tomada pelo Banco do Brasil na quinta-feira, a medida da Caixa foi motivada pelaredução da taxa básica de juros (Selic), de 9,75% para 9% ao ano. Em 9 de abril, a estatal já havia feito reduções nos custos de produtos como cheque especial, rotativo do cartão de crédito e capital de giro. "As pessoas devem comparar e vão perceber que a maioria dos outros bancos não fez reduções significativas para todos os clientes, sem condicionantes, principalmente em produtos mais caros como cheque especial e cartão de crédito para as pessoas físicas", afirmou Fábio Lenza, vice-presidente de pessoa física e serviços bancários da Caixa.
Também por causa do corte na Selic, o BB já havia reduzido a mínima para financiamento de veículos de 0,99% para 0,95% ao mês e a de cheque especial, de 1,97% para 1,38% ao mês. Os juros do crédito consignado para beneficiários do INSS passaram de 0,85% para 0,79% ao mês.
Orientados pelo Palácio do Planalto, os bancos estatais foram os primeiros a reduzir juros, no início do mês. O movimento foi acompanhado pelos privados HSBC, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco. Inicialmente, eles se recusaram a ceder às pressões de Dilma, o que aumentou a determinação do governo em reduzir o spread—diferença entre o que os bancos pagam aos investidores e o que pagam dos devedores. Agora, a equipe econômica vai engrossar o discurso contra as tarifas cobradas pelas instituições financeiras.
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| São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012 |
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Juro menor terá pouco impacto em carros
Inadimplência em alta e critérios rígidos podem travar concessão de empréstimos para a compra de veículos'Explosão de crédito' está descartada, afirma dirigente da entidade que reúne financeiras ligadas às montadorasMARIANNA ARAGÃO DE SÃO PAULO http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/38570-juro-menor-tera-pouco-impacto-em-carros.shtml A redução nas taxas de juros para financiamento de veículos, anunciada por bancos públicos e privados na semana passada, terá efeito limitado nas vendas de automóveis. A avaliação de entidades e especialistas é que as regras para concessão de crédito dos bancos vão continuar rígidas, dado o índice de inadimplência recorde no país. A taxa que considera atrasos acima de 90 dias chegou a 5,5% em fevereiro, o maior patamar da série do Banco Central, iniciada em 2000. Além disso, para preservar sua rentabilidade, potencialmente reduzida com as novas taxas, as instituições financeiras deverão ser ainda mais seletivas ao conceder novos empréstimos. "Não haverá uma explosão de crédito", diz Décio Carbonari, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef). Segundo ele, as taxas de juros mais atrativas serão concedidas somente aos clientes com bom histórico de pagamento e de relacionamento com o banco. "Haverá crescimento, mas limitado ao crédito de melhor qualidade, o que é positivo para o setor." Para Paulo Roberto Garbossa, professor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), os clientes que compram automóvel pela primeira vez serão os mais afetados com o maior nível de exigência dos bancos. "Quem já tem financiamento -e paga em dia- terá facilidade em obter as novas taxas", afirma. As reduções nas taxas chegam a 25% -caso da Caixa Econômica Federal, que tem a menor taxa mínima do mercado, de 0,89% ao mês. Em fevereiro, a taxa média de juros praticada pelo mercado brasileiro foi de 2,01%. Nas financeiras de montadoras, o índice foi de 1,54%. Metade das vendas de automóveis no país são feitas atualmente através de financiamento. Em 2009, elas eram somente 33% do total. CENÁRIO O avanço nos financiamentos, ainda que moderado, e a possível redução da inadimplência devem ajudar o setor a alcançar um resultado positivo em 2012. Segundo a consultoria CSM Worldwide, a previsão é que as vendas cresçam 2,9% neste ano em relação a 2011. "O impacto das medidas mudará o cenário a partir do fim de maio", diz Fernando Trujillo, consultor da CSM. As financeiras das montadoras também já percebem aumento no número de acordos com consumidores inadimplentes. No banco Volkswagen, o número de acordos cresceu cerca de 30% em março em comparação com o mesmo período de 2011. "As pessoas estão trabalhando para colocar seus pagamentos em dia", diz Carbonari, da Anef. |
MUDANÇA NA CADERNETA ATINGIRÁ CASA PRÓPRIA E FUNDO DE GARANTIA
| ALTERAÇÃO NO FGTS E NA CASA PRÓPRIA |
| Autor(es): » VICENTE NUNES |
| Correio Braziliense - 22/04/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/mudanca-na-caderneta-atingira-casa-propria-e-fundo-de-garantia |
Projeto do governo que muda o ganho da poupança atingirá o crédito imobiliário e os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, com o fim da TR
A determinação da presidente Dilma Rousseff de mexer nos rendimentos da caderneta de poupança para facilitar a queda da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 9% para até 8% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) implicará mudanças em outros pontos sensíveis: o financiamento da casa própria e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
As razões são claras. O crédito imobiliário para a classe média é bancado exclusivamente pelos depósitos na caderneta. De cada R$ 100 aplicados na mais tradicional modalidade de investimentos do país, no mínimo, R$ 65 devem ser obrigatoriamente destinados à casa própria. Além disso, as prestações são atualizadas pela Taxa Referencial (TR), que também corrige os recursos da poupança. Pelos dois projetos preparados pelo Ministério da Fazenda, para alterar o ganho da caderneta, a TR será extinta. É aí que entra o FGTS. Por lei, o dinheiro dos trabalhadores é remunerado em 3% ao ano mais a TR. A tendência é de que os depósitos feitos pelas empresas passem a ter somente a taxa fixa, compatível, no entender de técnicos da equipe econômica, com a nova realidade de juros no país.
"Todos terão de dar a sua cota de sacrifício, pois se ganhará de outro lado, com a diminuição dos juros dos empréstimos e financiamentos", diz um assessor do Palácio do Planalto. "Não se pode esquecer que a possível diminuição do rendimento da caderneta e do FGTS será depois da vírgula. Já nos juros do crédito, o impacto é bem maior. Assim, a economia com as prestações cobrirá qualquer perda de rentabilidade", acrescenta. Ele lembra que será esse o discurso difundido pelo governo para convencer a população de que está "fazendo o melhor para o país" e não um confisco da poupança, como houve em 1990, no governo Collor.
O Palácio do Planalto acredita que terá boas notícias a dar à classe média, que tanto preserva o patrimônio na poupança e recorre aos financiamentos habitacionais. Se a remuneração da caderneta diminuir um pouco e a TR for extinta, os juros cobrados no crédito imobiliário também poderão cair. "É com essa realidade que estamos trabalhando", afirma um técnico do Ministério da Fazenda. A seu ver, tudo está apontando para o governo pôr fim ao entulho que ainda resta no mercado financeiro, ou seja, a indexação decorrente dos tempos de hiperinflação. "A TR é um deles", acrescenta.
Distorção
Para o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central, as mudanças propostas pelo governo são bem-vindas. Mas para que realmente a população tire proveito delas é preciso que, efetivamente, a taxa básica caia e permaneça em um patamar baixo por um longo período. E isso exige um controle efetivo da inflação. "Se os ganhos da caderneta forem realmente atrelados à Selic, como estão dizendo, em um momento de elevação dessa taxa os ganhos da poupança vão aumentar assim como as prestações da casa própria", ressalta.
Na sua avaliação, o debate sobre mudanças na estrutura de um sistema financeiro criado para conviver com uma inflação alta é importantíssimo. Mas, a seu ver, o governo deveria propor as alterações somente a partir do segundo semestre, quando, efetivamente, os consumidores terão a exata noção se o prometido corte de juros pelos bancos públicos e privados é para valer. "Com a fraqueza atual da economia, a procura por crédito está contida. À medida que a atividade for ganhando força, a demanda por empréstimos e financiamentos se fortalecerá. É aí que poderemos ver se o anunciado barateamento do crédito foi real ou se não passou de uma campanha de marketing", destaca.
O economista vai além. "Ainda há um longo caminho para que os juros do crédito no Brasil sejam comparados aos de países civilizados. Os bancos precisam reduzir muito o spread (diferença entre o que pagam aos investidores e o que cobram dos devedores", diz. No Brasil, o spread médio é de 30 pontos percentuais contra cinco pontos nas nações que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta.
Minutas prontas
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, preparou duas minutas de medidas provisórias para apresentar à presidente Dilma Rousseff, propondo mudanças na remuneração da caderneta da poupança. No primeiro, os investidores terão remuneração equivalente a 80% da taxa básica de juros (Selic), que está em 9% ao ano. No segundo, serão criadas de seis a nove faixas de rentabilidade para os depósitos. Ainda nesta semana, Mantega se encontrará com Dilma para discutir o assunto. |
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Dívida federal em títulos aumentou 10% em 2011, para R$1,86 trilhão
| Autor(es): agência o globo:Gabriela Valente |
| O Globo - 31/01/2012 |
Em meio à crise, Tesouro considera resultado positivo por ser melhor que em 2010 BRASÍLIA. Num ano marcado pela dificuldade de grandes economias rolarem suas dívidas soberanas, o Brasil conseguiu cumprir as metas traçadas antes de a crise se agravar. A dívida pública em títulos que estão em poder do mercado aumentou 10% em 2011 - menos que em 2010 - e chegou a R$1,86 trilhão. Internamente, a meta mais comemorada foi a queda da parcela do endividamento indexada pela taxa básica de juros (Selic), que caiu de 31,6% para 30,1%. E a expectativa é que esse número chegue a 27% mês que vem. No entanto, essa performance teve um custo maior: subiu de 10,98% ao ano para 13,57% ao ano. - O custo cresceu por causa de todo o aumento da Selic em 2011. Ele vai começar a cair e até os títulos prefixados devem ter um custo menor daqui para frente - disse o professor do Ibmec José Ricardo da Costa e Silva. De acordo com relatório do Tesouro Nacional, todos os percentuais ficaram dentro das metas do Ministério da Fazenda para o ano: a parcela dos papéis prefixados ficou em 37,2% do estoque total e, portanto, dentro dos limites estabelecidos de 36% e 40%. A dívida indexada à inflação representou 28,8%: também dentro dos intervalos de 26% a 29% definidos no PAF. - Ter cumprido todas as oito metas, uma das melhores marcas até agora, num ano difícil de crise internacional, é muito positivo - afirmou um técnico. Os títulos corrigidos pela Selic deveriam ficar entre a faixa de 28% a 33%. Essa é uma preocupação da equipe econômica: diminuir cada vez mais a circulação desses papéis no mercado, porque eles causam algumas distorções e diminuem a potência da política econômica, já que funcionam como um seguro para os bancos e para o mercado financeiro (hedge) contra a queda ou o aumento da própria taxa básica. - Em 2011, a equipe econômica entrou mesmo com uma agenda de desindexação da economia mais forte e a gente pode ver sim, no futuro, o fim da LFT (Letras Financeiras do Tesouro, corridas pela Selic) - afirmou uma fonte. Para o especialista em contas públicas Mansueto de Almeida, diminuir essa parcela da dívida também tem seu lado ruim. Em momentos, como o atual, uma queda dos juros promovida pelo Banco Central não tem tanto efeito como antes no custo da dívida que o país coloca no mercado. Outro ponto ressaltado pelo economista foi o alongamento do prazo. O percentual de títulos que vencem nos 12 meses seguintes caiu de 22,89% para 21,89% de um ano para outro. |
Dívida pública cresceu 10,17% com alta do juro
| O Estado de S. Paulo - 31/01/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/31/divida-publica-cresceu-10-17-com-alta-do-juro |
Junto com a inflação, aumento da Selic no início do ano provocou salto de R$ 172,31 bilhões no valor da dívida, fechando o ano em R$ 1,87 trilhão ADRIANA FERNANDES , CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo Apesar da estratégia do governo de reduzir os títulos com correção atrelada à taxa Selic, a Dívida Pública Federal (DPF) sofreu em 2011 com a alta da inflação e dos juros no início do ano. Deu um salto de R$ 172, 31 bilhões e fechou o ano em R$ 1,87 trilhão, com elevação de 10,17%. Só por causa do impacto dos juros, o estoque da dívida cresceu R$ 211, 52 bilhões. A dívida não aumentou mais porque o Tesouro Nacional acabou retirando do mercado R$ 39,2 bilhões em títulos. Esses papéis venceram e o Tesouro não refinanciou a dívida por meio da venda de novos títulos ao mercado. Se não fosse esse resgate líquido de títulos, a dívida teria ultrapassado a marca de R$ 1,9 trilhão no ano passado. Além dos juros e da inflação, o endividamento aumentou também por causa do empréstimo de R$ 45 bilhões liberado pelo Tesouro ao BNDES ao longo de 2011, para empréstimos às empresas voltadas a novos investimentos. Depois que o Banco Central (BC) começou a reduzir a Selic, em agosto, o Tesouro acelerou a estratégia de diminuição da venda dos papéis com rentabilidade vinculada aos juros básicos da economia, as LFTs. Mas, mesmo assim, o volume cresceu 5,17%, atingindo R$ 548,66 bilhões em dezembro. Isso porque o estoque dos papéis cresceu com a própria correção dos juros. Como antecipou o Estado em 6 de janeiro, a participação desses papéis fechou 2011 em 30,14%, dentro da meta estabelecida pelo governo (28% a 33%), mas ainda longe da faixa considerada confortável por economistas (10% e 20%). Evitar surpresas. O Tesouro quer diminuir a parcela das LFTs para não ser pego de surpresa em caso de mudança brusca no rumo da Selic. Entre 2010 e 2011, a redução foi tímida, de apenas 1,45 ponto porcentual. O governo conta com uma queda maior entre 2012 e 2014, último ano do governo Dilma Rousseff, para obter avanços significativos, aproveitando a janela de oportunidade de queda da Selic ao nível de um dígito. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, já antecipou que os gestores dos recursos do FGTS serão obrigados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) a se desfazer dos papéis atrelados à Selic. Em fevereiro, outros fundo, entre eles o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), já começam esse processo. Por outro lado, a parcela de papéis prefixados (com correção definida na hora do leilão de venda) subiu de 36,63% para 37,22%. A parcela de títulos corrigidos pelo IPCA - também avaliados como favoráveis para o financiamento da dívida - subiu de 26,64% para 28,28%. Para os títulos prefixados e vinculados ao IPCA, os avanços foram maiores em 2011. Já em 2012, num cenário otimista de conjuntura econômica, se espera que a parcela desses papéis chegue ao piso do patamar considerado ótimo para a administração da dívida. |
Mudança na dívida
| Correio Braziliense - 31/01/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/31/mudanca-na-divida |
Num reflexo da alta da inflação e da queda da taxa básica de juros (Selic), os investidores aumentaram o apetite pelos títulos públicos federais atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A parcela desses papéis no total da dívida subiu de 26,64% em dezembro de 2010 para 28,28% no mês passado, ainda dentro do intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro Nacional — de 26% a 29%. Neste ano, o governo acredita que a participação desses bônus vai superar a dos remunerados pela Selic, que, em contrapartida, caiu de 31,59% para 30,14%, a menor na série histórica que começa em 2004. A dívida cresceu 1,79% em dezembro, chegando a R$ 1,866 trilhão. De acordo com relatório do Tesouro, houve melhora no perfil do estoque, pois o prazo médio de vencimento dos títulos subiu de 3,51 anos em 2010 para 3,62 anos em 2011. O vencimento da dívida de curto prazo (com vencimento em até 12 meses), que era de 22,73% dos títulos, caiu para 21,89% no fim de 2011, equivalentes a R$ 408,53 bilhões. Esses indicadores são avaliados pelas agências de classificação de risco, que consideram o endividamento brasileiro alto e de prazo curto, o que aumenta a possibilidade de dificuldades na rolagem mensal. Consumidor preocupado Os brasileiros estão precavidos na hora de comprar. De acordo com o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, a confiança dos consumidores se manteve estável em janeiro na comparação com dezembro de 2011, crescendo apenas 0,2%. "Os consumidores estão preocupados com os preços elevados dos produtos. Com o nível alto da inflação, eles estão tendo mais consciência de que é preciso ter mais controle no orçamento", disse Marcelo Azevedo, economista da CNI. |
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Superávit primário do Governo bate recorde em 2011 e atinge R$ 93,5 bilhões
Publicado em 28/01/2012
A economia do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) para pagar os juros da dívida pública totalizou R$ 93,519 bilhões em 2011, o melhor resultado da história e 1,9% superior à meta de R$ 91,76 bilhões. Os números foram divulgados ontem (27/01/12) pelo Tesouro Nacional.
O resultado foi 18,71% maior que o de 2010, quando o superávit primário atingiu R$ 78,773 bilhões. Apenas em dezembro, o esforço fiscal somou R$ 2,012 bilhões. O resultado é o segundo melhor da história para o mês, só perdendo para dezembro do ano anterior, quando o superávit somou R$ 14,247 bilhões.
Dívida pública cresce
A Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 10,17% em 2011 e encerrou o ano passado em R$ 1,866 trilhão. O número foi divulgado ontem (27/01/12) pelo Tesouro Nacional, que apresentou o resultado do Governo Central -- Tesouro, Previdência Social e Banco Central -- no ano passado.
O crescimento na DPF foi puxado pela dívida mobiliária (em títulos) interna, que passou de R$ 1,603 trilhão em dezembro de 2010 para R$ 1,783 trilhão em dezembro de 2011. Em termos percentuais, a alta foi 11,17%. Apesar da alta do dólar no segundo semestre, a dívida pública externa caiu 7,55%, de R$ 90,096 bilhões no fim de 2010 para R$ 83,292 bilhões no fim do ano passado.
Apenas em dezembro, a dívida mobiliária interna subiu R$ 30,447 bilhões. Contribuiu para essa alta a emissão de R$ 15 bilhões em títulos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) no mês passado. Por meio desse mecanismo, o Tesouro empresta os papéis ao banco, que os revende no mercado e amplia o capital para financiar projetos de empresas conforme a necessidade.
Em todo o ano passado, o BNDES recebeu R$ 45 bilhões do Tesouro. No início de janeiro, mais R$ 10 bilhões foram injetados na instituição, o que completou a ajuda de R$ 55 bilhões autorizada por medida provisória em março de 2011.
Apesar de ter caído no acumulado de 2011, a dívida externa subiu no mês passado, de R$ 80,925 bilhões no fim de novembro para R$ 83,292 bilhões no fim de dezembro. Os números completos da Dívida Pública Federal no ano passado serão divulgados no dia 30 de janeiro. Nesse documento, o Tesouro Nacional apresentará mais detalhes, como a composição e o prazo médio da DPF.
Por meio da dívida pública, o governo pega emprestado recursos dos investidores para honrar compromissos. Em troca, se compromete a devolver os recursos com alguma correção, que pode ser definida com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da taxa Selic (juros básicos), da inflação ou do câmbio.
O resultado foi 18,71% maior que o de 2010, quando o superávit primário atingiu R$ 78,773 bilhões. Apenas em dezembro, o esforço fiscal somou R$ 2,012 bilhões. O resultado é o segundo melhor da história para o mês, só perdendo para dezembro do ano anterior, quando o superávit somou R$ 14,247 bilhões.
Dívida pública cresce
A Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 10,17% em 2011 e encerrou o ano passado em R$ 1,866 trilhão. O número foi divulgado ontem (27/01/12) pelo Tesouro Nacional, que apresentou o resultado do Governo Central -- Tesouro, Previdência Social e Banco Central -- no ano passado.
O crescimento na DPF foi puxado pela dívida mobiliária (em títulos) interna, que passou de R$ 1,603 trilhão em dezembro de 2010 para R$ 1,783 trilhão em dezembro de 2011. Em termos percentuais, a alta foi 11,17%. Apesar da alta do dólar no segundo semestre, a dívida pública externa caiu 7,55%, de R$ 90,096 bilhões no fim de 2010 para R$ 83,292 bilhões no fim do ano passado.
Apenas em dezembro, a dívida mobiliária interna subiu R$ 30,447 bilhões. Contribuiu para essa alta a emissão de R$ 15 bilhões em títulos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) no mês passado. Por meio desse mecanismo, o Tesouro empresta os papéis ao banco, que os revende no mercado e amplia o capital para financiar projetos de empresas conforme a necessidade.
Em todo o ano passado, o BNDES recebeu R$ 45 bilhões do Tesouro. No início de janeiro, mais R$ 10 bilhões foram injetados na instituição, o que completou a ajuda de R$ 55 bilhões autorizada por medida provisória em março de 2011.
Apesar de ter caído no acumulado de 2011, a dívida externa subiu no mês passado, de R$ 80,925 bilhões no fim de novembro para R$ 83,292 bilhões no fim de dezembro. Os números completos da Dívida Pública Federal no ano passado serão divulgados no dia 30 de janeiro. Nesse documento, o Tesouro Nacional apresentará mais detalhes, como a composição e o prazo médio da DPF.
Por meio da dívida pública, o governo pega emprestado recursos dos investidores para honrar compromissos. Em troca, se compromete a devolver os recursos com alguma correção, que pode ser definida com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da taxa Selic (juros básicos), da inflação ou do câmbio.
Gasto com juro da dívida cresceu 21%
| Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA , ADRIANA FERNANDES |
| O Estado de S. Paulo - 01/02/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/1/gasto-com-juro-da-divida-cresceu-21 |
No ano passado, R$ 236,7 bilhões foram usados para pagar credores que têm títulos do governo federal, Estados, municípios e estatais O setor público nunca gastou tanto para pagar os juros da dívida. No ano passado, R$ 236,7 bilhões saíram dos cofres públicos para a conta corrente dos credores que têm títulos emitidos pelo governo federal, Estados, municípios e empresas estatais, um novo recorde. A despesa, que cresceu 21% em um ano, é explicada especialmente pela subida da taxa básica da economia, a Selic, no primeiro semestre de 2011 e também pelo avanço da inflação. Relatório do Banco Central divulgado ontem revela que a conta de juros paga no ano passado pelo setor público já é 21 vezes maior que o orçamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que prevê R$ 11 bilhões neste ano. Em 2011, a conta de juros era 15 vezes maior que o destinado à ação que constrói casas populares pelo País. "Em reais, as contas têm tendência de elevação. Mas é preciso um olhar mais analítico", ponderou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, ao comentar que a despesa com os juros correspondeu no ano passado a 5,7% do tamanho da economia medido pelo Produto Interno Bruto (PIB). "A conta já foi maior no passado. Em 2007, por exemplo, somou 6,1% do PIB." Otimista, o representante do Banco Central acredita que a despesa deve cair em 2012. Com inflação mais bem comportada e a taxa Selic em trajetória de queda, a conta deve cair mais de R$ 30 bilhões para um nível próximo de R$ 200 bilhões este ano. "Nesse sentido, as projeções são bastante favoráveis", diz Maciel. Validade. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, reconhece que a conta de juros deve recuar nos próximos meses. A boa notícia, porém, tem prazo de validade, já que a economia mais aquecida deve aumentar a inflação em breve. "Isso vai obrigar o Banco Central a voltar a elevar o juro no início de 2013. Aí, a conta de juros volta a subir", diz. Com a conta recorde de juros, o esforço do governo em economizar para pagar credores da dívida não foi suficiente. Em 2011, foram reservados R$ 128,7 bilhões para essa despesa no chamado "superávit primário". O valor, porém, foi pouco mais da metade do total da conta de juros. Por isso, o ano terminou com o caixa no vermelho em R$ 107,9 bilhões. Quando o governo não economiza o suficiente para pagar toda a conta de juros, como no ano passado, há o chamado "déficit nominal". Dívida líquida. O Banco Central também divulgou que a dívida líquida do setor público - que é a dívida descontada dos créditos que o governo tem a receber, como as reservas internacionais - terminou o ano passado em R$ 1,5 trilhão, o equivalente a 36,5% do tamanho da economia brasileira. Um ano antes, correspondia a 39,1%. Pelas contas de Túlio Maciel, 2012 deve terminar com o indicador ainda mais baixo, em 35,7%. |
Estados e municípios melhoram resultado fiscal em 2011
| Autor(es): Por Mônica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves | De Brasília |
| Valor Econômico - 01/02/2012 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/1/estados-e-municipios-melhoram-resultado-fiscal-em-2011 |
O desempenho fiscal dos Estados e municípios melhorou quase 50% em 2011, chegou bem perto do que esperava o governo federal, mas a União teve que completar R$ 1 bilhão que ficou faltando dessas esferas de poder. Os governos estaduais, suas empresas e o Distrito Federal contribuíram com R$ 35,1 bilhões para o resultado primário consolidado do setor público, valor equivalente a 97% do que havia sido projetado pelo Ministério da Fazenda. Mesmo assim, o setor público como um todo economizou R$ 128,7 bilhões em receitas primárias e cumpriu com pequena folga a meta fixada pelo governo, de R$ 127,9 bilhões, para 2011. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o superávit primário do setor público foi de 3,11%, o maior dos últimos três anos. Isso não foi suficiente, no entanto, para evitar crescimento do déficit nominal. Com o aumento das despesas com juros, União, Estados, municípios e estatais registraram, juntos, déficit de 2,61% do PIB nesse conceito, ante 2,48% do PIB em 2010. O resultado mostra que o país ainda está distante do déficit nominal zero, que o governo Lula chegou a pensar em fixar como meta fiscal. Num ano que começou com a desconfiança do mercado sobre a capacidade do governo de produzir o resultado prometido, o saldo do superávit primário superou em 26,5% o do ano anterior. Em dezembro, especificamente, o superávit foi equivalente a menos de um quinto do que em dezembro de 2010. Mas isso não é visto como tendência pelo BC, que aposta em cumprimento da meta também em 2012. O fraco desempenho no último mês do ano significa apenas que, ao perceber que a meta de 2011 já estava garantida, o governo acelerou os gastos no último mês do ano. A conta de juros e encargos da dívida ficou mais pesada em função do aumento da taxa Selic, nos primeiros sete meses do ano, e da inflação, que indexa parte dos títulos públicos. Essas despesas chegaram a R$ 236,67 bilhões, o equivalente a 5,72% do PIB, no ano. Foi o pior resultado desde 2007 (6,11% do PIB). Embora não tenha evitado aumento do déficit nominal, o superávit primário foi alto o suficiente para provocar queda da dívida líquida do setor público como proporção do PIB. Essa relação caiu de 39,1% para 36,5%, entre fim de 2010 e fim de 2011. Mais relevante do que o do resultado primário foi o efeito do crescimento da economia, que, isoladamente, permitiu contração de 3,5% do PIB no saldo da dívida. O comportamento da taxa de câmbio também ajudou (impacto de 1,6% do PIB), pois a recuperação do dólar aumentou o valor em reais das reservas cambiais do BC, um dos ativos que entram na conta reduzindo a dívida pública. Para dezembro de 2012, o BC projeta dívida líquida de 35,7% do PIB, apesar de em janeiro o saldo ter subido para 37%, devido ao câmbio. Ao comentar os números, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que eles representam a volta da situação fiscal brasileira à normalidade. Os resultados primários menores vistos em 2009 e 2010 refletiram a reação à crise internacional de 2008/2009. O governo reagiu afrouxando metas fiscais para investir e movimentar a economia. Na opinião de Maciel, o fato de Estados e municípios não terem atingindo 100% da contribuição esperada para o superávit consolidado não é problema. Ao contrário, diz, significa que a estimativa "estava bem calibrada". Para ele, "não faz sentido buscar razões" para o suposto descumprimento da meta, porque não existe meta para o superávit dos governos regionais. Só previsão, coisa que o governo praticamente acertou. O aumento do superávit nessas esferas, em 2011, reflete principalmente a melhora das receitas, que, nos anos anteriores, tinham sido afetadas pelos efeitos da crise externa no nível de atividade da economia doméstica. Houve recuperação principalmente das transferências recebidas da União, que cresceram 22% em relação ao ano anterior. Outra receita que teve impacto relevante no superávit do ano passado foi a do ICMS, que subiu 11%. Graças à expressiva melhora do desempenho fiscal primário, diferentemente da União, os governos regionais viram cair o seu déficit nominal. Incluindo as estatais por eles controladas, no ano passado, o resultado nesse conceito foi negativo em R$ 20,790 bilhões, o equivalente a 0,50% do PIB. Em 2010, o déficit tinha chegado a R$ 47,502 bilhões, ou 1,26% do PIB. O déficit nominal recuou tanto nas administrações estaduais (de 1,06% para 0,37% do PIB) quanto nos governos municipais (0,19% para 0,13% do PIB). Falando do desempenho do conjunto do setor público, o economista-chefe da Prosper, Eduardo Velho, considera que o resultado de 2011 "já estava precificado". "O que importa agora é o tamanho do ajuste deste ano", disse. Na previsão da corretora, o corte no Orçamento deve ser maior do que o do ano passado (R$ 50 bilhões) para compensar o menor ritmo de avanço da arrecadação. "Assim como o BC, o mercado está confiante que o governo vai cumprir a meta de superávit primário." |
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
La dette de la France, un secret bancaire ?
ECONOMIE
PAR IVAN DU ROY (12 JANVIER 2012)
Qui détient la dette de la France ? Cette question, chaque contribuable français est en droit de se la poser. Ses impôts ne servent-ils pas à payer en partie les intérêts de la dette ? Or, si l’on dispose des quelques informations générales, savoir en détail qui détient les créances françaises et pour quel montant relève du secret extrêmement bien gardé. L’opacité est totale et couverte par la loi. Enquête.
1 317 milliards d’euros. Tel est le montant, fin 2011, de la dette de l’État français. Qui sont ses créanciers ? La dette est-elle concentrée entre quelques richissimes mains ? Ou répartie entre une multitude de petits épargnants, du détenteur d’une assurance vie en Picardie au retraité du Minnesota qui vit des dividendes versés par son fonds de pension ? Les prêteurs sont-ils des spéculateurs, prêts à tout pour faire monter les taux d’intérêt, ou des investisseurs tranquilles ?
« Le savoir permettrait de mesurer les conséquences potentielles d’un défaut de paiement, même partiel. Et de ne pas se retrouver dans une situation de spoliation de petits épargnants », explique Thomas Coutrot, économiste et coprésident d’Attac (Association pour la taxation des transactions financières et pour l’action citoyenne). Les banques européennes, et françaises, qui ont bénéficié avant Noël d’un beau cadeau de la Banque centrale européenne – un prêt à 1 % sur plus de 450 milliards d’euros – pour les inciter à acheter de la dette européenne, jouent-elles le jeu ? Pour tenter de répondre à toutes ces questions, il faut suivre le parcours d’un bon ou d’une obligation du Trésor.
42,5 milliards d’euros d’intérêts versés à des inconnus ?
Pour se financer, l’État émet des titres financiers que des investisseurs achètent. Plusieurs types de titres, avec chacun leur échéance et leur taux d’intérêt, sont régulièrement proposés à la vente [1]. C’est l’Agence France Trésor (AFT) qui gère leur mise aux enchères (adjudication). Vingt grandes banques agréées, les « spécialistes en valeur du Trésor » (« SVT », de BNP Paribas à Goldman Sachs, en passant par Natixis, la Deutsche Bank ou la Société générale), sont chargées de les écouler sur les marchés financiers. Elles savent donc à qui elles revendent éventuellement ces titres. Ensuite, obligations et bons du Trésor circulent sur les marchés, mais son détenteur final perçoit chaque année ses intérêts. Ceux-ci totalisaient 42,5 milliards d’euros – la charge de la dette – en 2010. En théorie, on devrait donc savoir à qui ils sont versés.
Sur le site de l’AFT, le citoyen curieux apprend juste que 66 % des détenteurs de la dette sont des « non-résidents ». « En gros, un tiers de la dette est détenu par des investisseurs français, un tiers au sein de la zone euro, et un tiers à l’étranger, en dehors de la zone euro », précise Tân Le Quang, responsable de la communication au sein de l’agence. Problème : « Les non-résidents peuvent être de faux non-résidents, des Français détenteurs d’un portefeuille d’obligations via un paradis fiscal », objecte Michel Husson, de l’Institut de recherches économiques et sociales (Ires). « Un investisseur saoudien, qui détient de la dette française car il a investi dans un fonds d’investissement à Londres, est comptabilisé comme un investisseur britannique », complète Patrick Artus, économiste à la banque Natixis [2] « Les trois plus gros détenteurs de la dette française sont le Luxembourg, les îles Caïmans et le Royaume-Uni », lance-t-il. Les Îles Caïmans, un paradis fiscal des Caraïbes autant peuplé que Châteauroux (44 000 âmes), pourrait donc ainsi faire basculer le destin des Français ?
La dette, un secret d’État ?
Les enquêtes réalisées par l’Agence France Trésor auprès de ses vingt banques partenaires permettent d’en savoir un peu plus sur les gros acheteurs : principalement des banques centrales, des fonds souverains, des assureurs, des banques commerciales et des fonds de pension. Ce que confirme la base de données financières eMAXX, mise en place par Thomson et l’agence de presse Reuters, qui publient régulièrement la liste « des 50 plus gros détenteurs de dette souveraine française » (hors banques centrales). Nous y retrouvons des assureurs (Axa, Allianz…), des mutuelles (MMA, MAAF, Groupama…), des banques (BNP-Paribas, La Banque postale, ING…) et une multitude de fonds d’investissement, principalement européens. Nous n’en saurons pas davantage :« Ce sont les banques qui voient les flux, pas nous. Les investisseurs en dette souveraine n’ont pas l’obligation de dévoiler leur position », confie Tân Le Quang. Mais pourquoi est-il impossible de savoir qui détient quoi et combien ?
C’est pourtant simple : cette absence de transparence est inscrite dans la loi.« Les textes actuellement en vigueur [3] n’autorisent les conservateurs d’instruments financiers (…) à communiquer aux émetteurs la liste de leurs détenteurs finaux qu’aux seuls émetteurs d’actions, de bons de souscription d’actions ou d’instruments de taux donnant immédiatement ou à terme accès au capital. Par conséquent, l’Agence France Trésor (AFT) ne peut pas identifier précisément les détenteurs [des obligations et bons du Trésor] », répond, en 2010, le ministère de l’Économie et des Finances à un sénateur trop curieux. Traduction : si les entreprises ont le droit de savoir qui sont leurs actionnaires, il est interdit à l’État français de connaître ses créanciers. La dette, un secret bancaire ?
Opacité généralisée
Face à cette opacité, « nous soupçonnons une extrême concentration, confie Thomas Coutrot. On pourrait très bien disposer d’informations statistiques sur la concentration des portefeuilles et la nature de ceux qui les détiennent ». Des chercheurs suisses ont récemment révélé que 147 multinationales, tout en se contrôlant elles-mêmes, possèdent 40 % de la valeur économique et financière des dizaines de milliers de multinationales du monde entier (lire notre article). Il serait étonnant qu’il n’en soit pas ainsi pour les dettes souveraines. Selon les données présentées par la Banque des règlements internationaux (BRI), un organisme géré par 58 banques centrales nationales, les banques étrangères possédaient en juin dernier 13 % de la dette de l’État français. Soit 176 milliards d’euros, dont plus des deux tiers sont entre les mains de banques britanniques, japonaises, allemandes, états-uniennes et suisses. Mais il ne s’agit que d’un euro sur dix empruntés.
Il est pourtant tout à fait possible, en théorie, d’en savoir plus. C’est la société Euroclear France [4], un organisme boursier privé, qui est « le dépositaire central des titres français ». Elle sert d’intermédiaire entre la Banque de France et les détenteurs de titres du Trésor pour leur verser leurs intérêts ou leur pécule quand l’emprunt arrive à échéance. Un peu comme la chambre de compensation Clearstream sert, au Luxembourg, de « péage » entre les transactions financières. Euroclear France sait donc parfaitement qui détient combien à quel moment. Mais la loi l’autorise à ne pas rendre publiques ces données. Pourtant, ce sont bien les citoyens qui paient la charge de la dette.
Ivan du Roy
Photo : Dan Simpson
Notes
[1] Leur échéance de remboursement s’étale d’un à cinquante ans. Leur taux varie entre 1 % et 4 %. Plus l’échéance de remboursement est lointaine, plus le taux est élevé.
[2] Le Monde du 23 juin 2011.
[3] Notamment l’article L. 228-2 du code de commerce, décret d’application n° 2002-803 du 3 mai 2002 publié au Journal officiel du 5 mai 2002, et l’article L. 212-4 du code monétaire et financier relatif à la nominativité obligatoire
[4] Ancienne Société interprofessionnelle pour la compensation des valeurs mobilières (Sicovam).
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