| Autor(es): agência o globo:Wagner Gomes |
| O Globo - 13/04/2011 |
SÃO PAULO. A forte desvalorização do dólar frente ao real praticamente eliminou o efeito do aumento - de 20% para 35% - do imposto de importação anunciado no início do ano pelo governo para tentar barrar a entrada de brinquedos fabricados na China. Com a moeda americana valendo menos de R$1,60, os importadores continuam inundando o mercado nacional. Hoje, 40% do faturamento do setor vêm da venda de produtos importados, principalmente da China - que, de inimiga, passou a ser quase uma "parceira". É nesse ambiente que os fabricantes abrem hoje as portas da 28ª Feira Brasileira de Brinquedos. O evento terá 200 expositores, vai até sábado e deve receber mais de 25 mil pessoas, a maior parte lojistas. Os negócios fechados nos próximos dias devem representar pelo menos 30% do faturamento anual do setor, de R$3,5 bilhões este ano. - Se eu soubesse que o dólar iria permanecer em um patamar tão baixo, talvez não tivesse diminuído a importação de brinquedos para o Brasil. Este ano, a importação chegará a 30%, dez pontos percentuais a menos que em 2010 - disse Carlos Tilkian, presidente da Estrela. Importação custa menos que produção no Brasil A Estrela tem aumentado a importação de brinquedos. Sete anos atrás, os importados representavam apenas 10% das vendas. Esse percentual chegou a 40% em 2010. Tilkian disse que a importação foi a única maneira de reduzir os custos da empresa. A Estrela tem condição de produzir 90% dos produtos que vende no Brasil, mas os custos com mão de obra, carga tributária e pouca flexibilidade de jornada dos trabalhadores acabam encarecendo a fabricação aqui. - Como brasileiro, eu gostaria de produzir aqui para gerar emprego e aumentar a renda, mas a decisão não é minha - afirmou. O diretor-presidente da Brinquedos Mimo, Sérgio Cury, disse que mesmo com uma alíquota de 50% não haveria como concorrer com os produtos chineses, que chegam ao país com preços bem mais baixos. Além disso, lembrou, muitos importadores acabam se beneficiando dos incentivos fiscais dos governos estaduais no pagamento de impostos. No Espírito Santo, por exemplo, os importadores pagam alíquota de 3% a 6% de ICMS, bem menos que os 18% cobrados em São Paulo. - Se não fosse o crescimento do mercado interno, nós não teríamos como sobreviver. A Mimo só importa dispositivos eletrônicos para os brinquedos. Nosso faturamento com importados não passa de 3% - afirmou Cury. E os importadores continuam festejando o dólar barato. Ricky Candi, diretor de Vendas da Sunny, importadora e distribuidora de produtos "Power Rangers" e "Playmobil", disse que as vendas devem crescer 40% este ano. Para ele, os importadores continuam se beneficiando dos preços mais competitivos de peças eletrônicas. "Não tem como concorrer com os fabricantes chineses" - O Brasil é muito bom na fabricação de bonecas, mas não tem como concorrer com os fabricantes chineses de chips, de produtos eletrônicos - disse. Serão lançados 1.500 produtos durante a edição deste ano da feira. Alguns já devem estar nas lojas a partir do mês que vem. A Estrela vai lançar 189 produtos. Entre os destaques, estão jogos e produtos para bebês. A Mimo aposta em dois produtos: bonecos gigantes do Thor e do Capitão América, personagens de dois filmes que vão estrear este mês e em julho. Ao todo, a Mimo vai lançar 84 produtos na feira. A Sunny promete 80 lançamentos, entre eles carrinhos e figuras de ações, miniaturas articuladas de bonecos. |
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Desvalorização do dólar anula barreira aos brinquedos chineses
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário