| Autor(es): Fernando Travaglini | De Brasília |
| Valor Econômico - 01/04/2011 |
Os custos das reservas internacionais não param de subir desde que o Banco Central (BC) resolveu se unir ao Ministério da Fazenda no combate à apreciação do real frente ao dólar, no início deste ano. Com a enxurrada de dólares que entrou no país, o BC intensificou as intervenções nos mercados à vista e futuro, incorporando US$ 25 bilhões às reservas, que superaram US$ 316 bilhões. O estoque de dólares aumentou 8,6% nesse início de ano e o custo com juros para carregar o total de reservas foi de pouco mais de R$ 6,8 bilhões só em janeiro e fevereiro. No ano passado todo, o custo de carregamento foi de R$ 26,6 bilhões. Ou seja, em 2010 foram gastos R$ 2,2 bilhões em média ao mês, enquanto neste ano essa média mensal já está em R$ 3,4 bilhões, com aumento de mais de 50%. Os recursos em dólares, em sua maioria, são aplicados em títulos da dívida americana, com juros próximos a zero. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária oferece ao mercado títulos da dívida pública brasileira, como forma de enxugar a liquidez no mercado. Os custos, no entanto, são mais elevado do que os rendimentos obtidos com os dólares, daí os gastos crescentes com o carregamento das reservas internacionais. Além do custo de carregamento, no ano passado houve ainda variação cambial significativa de R$ 21,9 bilhões das reservas, que impactou negativamente o balanço do BC. Logo, em 2010 o custo total da reservas foi de R$ 48,6 bilhões. A apreciação do dólar não representa gasto efetivo. Essa variação é apenas contábil, uma espécie de marcação a mercado dos títulos adquiridos pelo BC, sem desembolso de recursos. Agora em 2011, a variação cambial foi pequena e teve efeito quase desprezível. O BC trava uma queda de braço com o mercado para tentar conter a apreciação do real. Nessa disputa, o BC retirou do mercado exatos US$ 25 bilhões desde o começo do ano, recursos trazidos por investidores estrangeiros e bancos nacionais. A maior parcela das intervenções foi feita por meio de compras no mercado à vista (US$ 23,7 bilhões). Um fatia menor veio dos leilões a termo (US$ 1,4 bilhão), novidade introduzida no começo do ano, mas que se mostrou pouco efetiva até agora para impedir entradas maciças de dólares. As compras foram incorporadas às reservas internacionais, que pularam de US$ 288,575 bilhões, no fim do ano passado, para US$ 316 bilhões, no último dia 29 de março. Outra ferramenta incorporada neste ano foi a volta dos leilões de swap cambial reverso. Entre janeiro e fevereiro, o total contratado com o mercado foi de R$ 13,7 bilhões. A despesa com esses instrumentos, até o fim de fevereiro, foi de R$ 193 milhões, mas pode crescer ao longo do ano. Como base de comparação, em 2006 e 2007, quando o swap reverso também foi utilizado, as despesas foram de R$ 5,4 bilhões e R$ 8,8 bilhões, respectivamente. Em encontro fechado com deputados da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, ontem, em Brasília, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que é "difícil" prevenir a apreciação do real frente ao dólar devido à atratividade do país como destino dos investimentos. Os benefícios de se manter as reservas ficaram claros durante a crise internacional de 2008. Além disso, o governo tem tomado uma série de medidas, desde o fim do ano passado. No início do mês de março, os investidores estrangeiros e os bancos locais anteciparam a entrada de moeda estrangeira e trouxeram para o país quase US$ 12 bilhões, tentando se prevenir de medidas mais duras. Nas últimas semanas, no entanto, o fluxo de dólares para o país sofreu de forte volatilidade justamente pela apreensão do mercado com a possibilidade de taxação dos empréstimos externos. Após o anúncio do IOF de 6% para empréstimos de até 360 dias, no entanto, o mercado considerou que a medida é pouco eficiente e voltou a trazer recursos para o país. |
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