terça-feira, 5 de abril de 2011

Investidores tiram no ano US$ 24,5 bi de fundos de ações de emergentes

Autor(es): Antonio Perez | São Paulo
Valor Econômico - 04/04/2011
 

Queridinhos dos investidores globais no ano passado, os fundos de ações de países emergentes foram trocados no primeiro trimestre de 2011 pelos tradicionais mercados desenvolvidos, apontam dados da consultoria americana EPFR Global, que acompanha a movimentação de fundos internacionais.
As carteiras de emergentes perderam US$ 24,490 bilhões nos primeiros três meses de 2011, amargando o pior resultado trimestral desde o terceiro trimestre de 2008, quando houve saída US$ 25,6 bilhões, na esteira da maior crise financeira internacional desde 1929.
Na contramão, os fundos de ações de mercados desenvolvidos atraíram US$ 56,969 bilhões no primeiro trimestre, marcando o melhor início de ano desde 2006, quando houve captação de US$ 63,3 bilhões. O grande destaque entre os desenvolvidos foram os fundos dedicados às ações americanas, que amealharam US$ 31,886 bilhões no período.
Entre as carteiras emergentes, as saídas de recursos se concentraram nos fundos diversificados mercados emergentes globais (GEM, na sigla em inglês), que perderam US$ 14,288 bilhões no primeiro trimestre. Em seguida, aparecem os fundos dedicados à Ásia (excluindo o Japão), com saída de US$ 10,312 bilhões. As carteiras dedicadas a ações de países da América Latina amargaram retiradas de US$ 2,579 bilhões, encerrando o trimestre com o incômodo recorde de 11 semanas consecutivas de perda de recursos.
A única categoria de emergentes a captar no primeiro trimestre foi a que reúne mercados da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês). Essas carteiras receberam US$ 2,869 bilhões no período, graças, sobretudo, à atração das ações russas, beneficiadas pelo aumento do preço do petróleo, assinala a EPFR Global em relatório. A Rússia é um dos maiores produtores mundiais de petróleo fora do Oriente Médio e da África.
Os fundos dedicados apenas a ações brasileiras fecharam o primeiro trimestre com saída de US$ 168 milhões. Essas carteiras começaram o ano bem, captando cerca de US$ 1,2 bilhão nas duas primeiras semanas de 2011. Em seguida, os fundos de ações brasileiras amargaram 10 semanas seguidas de perdas de recursos, voltando a captar modestos US$ 7,63 milhões. A falta de apetite por ações brasileiras reflete-se na falta de fôlego do Índice Bovespa, que caiu 1,04% no primeiro trimestre.
A volta dos investidores ao Brasil no fim março faz parte de um movimento amplo de retorno aos emergentes. Na última semana de março, todos os fundos de ações emergentes acompanhados pela EPFR Global receberam US$ 2,6 bilhões, o volume semanal mais elevado desde o início de janeiro. Mais da metade desse valor foi para os fundos mercados emergentes globais.
Esse fluxo para os emergentes no fim de março pode ser atribuído, segundo a consultoria, a um "otimismo cauteloso" dos investidores em relação ao crescimento da economia americana, aos projetos de reconstrução do Japão e à possibilidade de um desenlace da crise na Líbia.
Na avaliação do Bank of America Merrill Lynch (BofA), o cenário global deve se mostrar mais favorável para os papéis brasileiros e de outros emergentes, como a Rússia, nos próximos meses, dada a perspectiva de continuidade da valorização das commodities.
Em relatório assinado pelos estrategistas globais de ações Michael Hartnett e Michael Penn, o BofA afirma que a economia mundial encontra-se hoje em um estágio de aceleração do crescimento sem pressões inflacionárias. O próximo movimento será formado, avalia o BofA, por alto crescimento e aceleração global dos preços. "Isso será boa notícia para países como Austrália, Brasil e Rússia", afirmam os analistas.

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