Produção no país surpreende
| Autor(es): Ana D" Angegela |
| Correio Braziliense - 02/04/2011 |
conjuntura Apesar do aperto nos juros e no crédito para frear a elevação de preços, a indústria tem expansão de 1,9% em fevereiro em relação a janeiro. Com o consumo aquecido, o crescimento acumulado no bimestre alcança 4,6% As medidas adotadas pelo Banco Central para reduzir o consumo e o ritmo de alta da inflação, como o aumento das taxas de juros e da restrição de crédito, ainda não surtiram efeitos. A produção industrial teve um forte crescimento em fevereiro, de 1,9% em relação a janeiro, bem acima do esperado pelo mercado, que era de 0,9%. É a maior expansão desde março do ano passado, quando a produção industrial aumentou 3,5%, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Nos dois primeiros meses do ano, a indústria acumula um incremento de 4,6%, bem acima dos 3,3% registrados nos últimos três meses de 2010. O desempenho industrial demonstra que o Brasil iniciou o ano com a atividade econômica mais forte do que se esperava. Neste período, tradicionalmente, há retração em relação ao final do ano anterior, afirmou a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli. “A demanda já vinha subindo, mas a oferta demorou para acompanhar. O ritmo da atividade industrial mostra que as medidas adotadas pelo governo não estão desacelerando a economia como se imaginava”, analisou. “A economia ainda vem crescendo num ritmo bom, apesar das medidas do BC”, avaliou o economista-chefe da Prosper Corretora, Alcides Leite. Alimentos O levantamento do IBGE revela que o crescimento da produção da indústria foi bastante generalizado, atingindo 17 dos 27 setores pesquisados, destacando o de alimentos, que se expandiu 6,7%, e o de veículos automotores, 4,7%. Segundo Alcides Leite, a indústria não responde de imediato à queda da demanda. Mas ele acredita em mais um aumento da taxa de juros pelo Banco Central. “Embora tenha reduzido o ritmo de pressão inflacionária, ainda há aumento de preço”, justificou. Outros indicadores divulgados ontem reforçam que a economia ainda está aquecida. Acompanhando a maior produção, as vendas de veículos no 1º trimestre do ano foram 6,28% maiores que no mesmo período do ano passado e bateram recorde histórico, desde 1957, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). As exportações brasileiras também tiveram crescimento expressivo no primeiro período, de 28,5%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Segundo a economista-chefe do Banco Fibra, a atividade industrial aquecida reforça as projeções de alta do PIB para 2011 em torno de 4,5%, em vez dos 4% revistos pelo BC. “No primeiro trimestre do ano, a projeção é de um PIB forte, com crescimento de 1,8%”, analisou. |
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