| Eduardo Campos |
| Valor Econômico - 05/05/2011 |
O mercado de câmbio ganhou cara nova. Em três dias, o preço do dólar comercial subiu 2,03%, retomando a linha de R$ 1,60, preço não observado desde o começo de abril. A expectativa, agora, é de que a taxa deva manter esse viés de alta até se aproximar ou atingir a linha de R$ 1,65. Aí sim haveria espaço para uma nova onda de venda. Tudo isso salvo algum evento imponderável. Na quarta-feira, os vendidos começaram bem o dia, vendo as cotações apontando para baixo, mas começara a passar "calor", conforme o dólar futuro foi gradualmente subindo até R$ 1,598. Desse ponto até romper o R$ 1,60 e, posteriormente, o R$ 1,61 foram apenas alguns minutos. Pouco abaixo do R$ 1,60, estava o gatilho para o "stop" de posição, ou seja, o vendido se viu obrigado a mudar a mão, o que somou demanda por dólar em um mercado que já estava francamente comprador. Estrangeiro embolsa ganho gerado com a aposta no real No fim da jornada, o dólar comercial apontava alta de 1%, maior alta percentual diária do ano, a R$ 1,605 na venda, maior preço desde 6 de abril. No mercado futuro, o dólar para junho ganhou 1,87%, a R$ 1,626 antes do ajuste final. Novamente, as compras aumentaram no fim dia, com isso, fica aberta a possibilidade de repique de alta no mercado à vista na abertura desta quinta-feira, pois ele não captou esse "salto" no preço futuro. Nas mesas, os motivos apontados para a alta são a zeragem de posição vendida pelo estrangeiro, saída de recursos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com consequente compra de dólar e a queda de no preço das commodities, ativos que mostram grande correção com a moeda brasileira. Saindo do intradia, a avaliação é de que os estrangeiros estão mesmo colocando no bolso parte dos ganhos que registraram apostando no real. Nada mais natural depois que o "objetivo" ou "preço justo" de R$ 1,55 foi testado recentemente e há uma conjuntura favorável à compra de dólar no mercado local. Olhando para as posições na BM&F, o não residente voltou a comprar dólar futuro na terça-feira. Foram mais US$ 480 milhões. Mas a posição global, que considera cupom cambial (DDI - juro em dólar) segue vendida em US$ 15,5 bilhões. Conforme disse um tesoureiro, o estrangeiro estaria realizando lucros não por conta de fatores técnicos, mas sim pelo tamanho do resultado. "Esse tipo de movimento é a cara do estrangeiro. Ele não tem paixão pela posição. Atingida a meta de resultado, ele vai embora", avaliou. Ampliando mais a análise, um gestor apontou que o momento parece ser de questionamento das "máximas" que governaram o mercado até recentemente. A primeira delas: "compre bolsa, pois a economia é sólida, com bom crescimento, demanda doméstica firme e apoiada no crédito. Além disso, os emergentes são a locomotiva do mundo". Resultado, Ibovespa fechou na linha dos 63.600 pontos, menor patamar desde julho de 2010. No ano, deve 8,20%. Para dar alguma base de comparação, o Dow Jones sobe 9,9% no ano. Outra máxima questionada, pelas razões acima colocadas, é: "vende dólar sem medo". Ainda de acordo com esse gestor, como faltam boas explicações, principalmente para essas debandada da bolsa, as reações do mercado começam a ficar cada vez mais emocionais. Dentro desse capítulo "falta de explicações", correram pelas mesas, ontem, comentários sobre a saúde da presidente Dilma Rousseff. Parece que quando as áreas de pesquisa e análise não funcionam, os bancos de investimento/corretoras ativam seu "departamento médico". No fim do dia, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República desmentiu oficialmente os boatos sobre o estado de saúde da presidente. No mercado de juros, sem grandes novidades. Os contratos parecem "andar de lado", segundo jargão, depois da agitação promovida pela decisão e pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A estrutura a termo de juros mostra, praticamente, mais três altas de 0,25 ponto percentual na Selic. Foco agora no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que sai amanhã e, dependendo do resultado, pode levar a alguma alteração mais relevante no formato da curva futura. Nesta quinta-feira, olhos voltados à Europa, com as decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE). Depois do aperto de 0,25 ponto percentual no mês passado, não se espera alteração na taxa básica de juros da zona do euro, que seguiria em 1,25%. Atenção aos comentários do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. Previsão de estabilidade, também, para a taxa do Reino Unido, que está fixada em 0,5% ao ano. |
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Dólar passa de R$ 1,60 e mercado muda de cara
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