quarta-feira, 11 de maio de 2011

ETH busca se impor como nova potência em etanol no Brasil

Autor(es): Fabiana Batista | De São Paulo
Valor Econômico - 09/05/2011
 
Encarada por muito tempo como uma "empresa-projeto", a ETH Bioenergia deverá se firmar nesta safra entre as três maiores produtoras de etanol do país, com uma oferta prevista de 1,6 bilhão de litros do biocombustível - sendo 350 milhões de litros de anidro. Nesta temporada (2011/12), a disponibilidade de cana permitirá à companhia moer entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas, o dobro do ciclo passado. [não são apenas "gigantes" que os fundos criam, mas instrumentos de regulação. No detalhe, não são instrumentos governamentais propriamente, nem puramente empresariais; será uma invenção genuína? O etanol aparece como o melhor canal de comunicação com a "classe média", bem como a gasolina. Já o eucalipto, o minério de ferro e a carne bovina, evidentemente, agradam outros clientes etc.]
O faturamento também deverá dobrar, de R$ 1 bilhão para entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,3 bilhões na mesma comparação. As duas últimas usinas em obras da ETH estão programadas para entrar em operação no último trimestre deste ano, o que elevará o número de unidades para nove e fechará a primeira fase de investimentos da empresa, que tem foco em etanol e bioeletricidade.
O volume de etanol produzido pela ETH em seus primeiros quatro anos de existência praticamente empatou com o da Raízen (Cosan/Shell) e o da LDC Bioenergia, do grupo francês Louis Dreyfus. Mas a façanha teve um preço. No fim da última safra, a dívida bruta da companhia estava em aproximadamente R$ 4 bilhões. Quando a maturação de todos os seus investimentos estiver completa, a ETH estima faturar R$ 5 bilhões.
Se neste ciclo a ETH promete brigar pela liderança em etanol no país, no próximo (2012/13) tem a chance de assumir finalmente a tão esperada dianteira, caso nenhuma grande fusão ou aquisição aconteça. E essa posição de destaque vem à tona justamente em um momento em que o etanol é reconhecido pelo governo como produto estratégico para a política de combustíveis do país.
Recorrentemente questionado sobre eventuais negociações com a Petrobras - que claramente busca assumir uma posição de relevância na produção de etanol no Brasil -, José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, nega com veemência que haja qualquer conversa ou aproximação com a estatal. Mas não destila críticas à posição do governo de se mostrar disposto a exercer algum controle sobre o mercado de etanol. "Vejo como um instrumento de ajuste da oferta com a demanda", resume.
Ele pondera, no entanto, que deixar essa questão em aberto contribui para um clima de instabilidade e pode significar insegurança na decisão de investimento. "Uma variável como essa não pode ser desconhecida do setor. Os produtores estão dispostos a se comprometer com a mistura de 25%, mas as distribuidoras [de combustíveis] também precisam estar dispostas a fazer contratos de compra no começo da safra", acrescenta.
O executivo, que já ocupou cargos elevados na Rhodia e na Braskem, não fala mais com tanto entusiasmo dos planos que sempre teve de ir ao mercado de capitais para se financiar, já que no fim desta safra a empresa deverá concluir sua primeira fase de investimento e atingir capacidade instalada para processar 40 milhões de toneladas de cana.
Mas abrir o capital é tratado com distanciamento pelo executivo. "Esse não é um objetivo, mas um meio para implementar um programa de crescimento. Não dissemos que iríamos abrir o capital em 2012, mas que essa data era um horizonte possível. Essa decisão ainda não foi tomada".
No primeiro trimestre de 2012 a ETH terá investido, no total, R$ 8 bilhões em suas nove usinas (todas com cogeração de energia elétrica), que juntas terão capacidade instalada para fabricar cerca de 3 bilhões de litros de etanol, 2,7 gigawatts/hora por ano de energia e 600 mil a 700 mil toneladas de açúcar. O montante é superior aos R$ 7,3 bilhões previstos inicialmente. O valor adicional veio, principalmente, da necessidade de implantar mais canaviais do que o planejado, segundo Grubisich.
"Com a crise dos últimos anos, produtores rurais não mostraram interesse em implantar canaviais e acompanhar o nosso crescimento industrial. Por isso, tivemos que assumir esse investimento", diz.
Com isso, atualmente de 75% a 80% da cana da ETH vem de canaviais próprios, proporção que a empresa quer reduzir nos próximos anos para 55% a 60%. Grubisich estima que do total de R$ 8 bilhões que estão sendo investidos, R$ 2 bilhões alimentam a parte agrícola da operação, o que inclui a mecanização de 100% das áreas. "São 100 mil hectares em canaviais novos por ano", diz o executivo. Mesmo assumindo o projeto agrícola, a empresa corre contra o tempo para alinhá-lo com a capacidade industrial.
Apesar de a ETH prever que em abril do ano que vem já disporá de fábricas para moer 40 milhões de toneladas de cana, sua disponibilidade de matéria-prima só permitirá o processamento de 32 milhões de toneladas na safra 2012/13, que começará em abril. Grande parte desse atraso decorreu de problemas financeiros das quatro usinas da antiga Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), que foram incorporadas em 2010 pela ETH.
A companhia está empenhada em fechar parcerias com produtores rurais e empresas com expertise em produção agrícola para reduzir sua participação em cana, uma parte cara do negócio. Recentemente, afirma Grubisich, a ETH fechou parceria com a Agroterenas, que tem como principal acionista José Eugênio de Rezende Barbosa Sobrinho, antigo acionista da NovAmérica. A empresa vai atender com cana as unidades da ETH de Eldorado e Santa Luzia, Mato Grosso do Sul.
A Brasil Agro também está entre as grandes fornecedoras de cana da ETH em Goiás - no caso, para a unidade Morro Vermelho. "A crise passou, as perspectivas de preços melhoraram. Estamos vendo interesse maior nesses parceiros em investir em produção de cana", conclui Grubisich.

ETH dobrou de tamanho

Moeda Forte
Autor(es): Clayton Netz
Isto é Dinheiro - 14/02/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/2/14/a-eth-dobrou-de-tamanho/?searchterm=ETH
 


Com a incorporação da Brenco, em fevereiro do ano passado, a ETH Bioenergia, comandada pelo executivo José Carlos Grubisich, dobrou literalmente de tamanho.

O braço no setor de açúcar e etanol do grupo Odebrecht fechou  2010 com mais de 12 mil funcionários, o dobro do efetivo de 2009, e um fatu-ramento que passou de R$ 341 milhões para R$ 705 milhões. Com sete usinas em operação, a ETH deve inau-gurar mais duas, este ano, concluindo um investimento total de R$ 7,3 bilhões.
 

ETH Bioenergia avança em pesquisa com cana

Autor(es): Fabiana Batista | De São Paulo
Valor Econômico - 11/03/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/3/11/eth-bioenergia-avanca-em-pesquisa-com-cana/?searchterm=ETH
 

Criada para ser a maior empresa de etanol do país, ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht, montou seu próprio departamento de pesquisa e desenvolvimento. Além de aprimorar os processos já existentes de uso dos açúcares da cana, a empresa investe para desenvolver outros produtos que agreguem mais valor ao caldo da cana, que podem ser químicos, fármacos e até alimentícios.
Nessa linha, já está em andamento um projeto, ainda sob segredo industrial, com a petroquímica Braskem, também controlada pela Odebrecht. O primeiro passo foi fazer um mapeamento de todas as oportunidades industriais ainda não exploradas de uso do caldo da cana.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também no projeto, levantou 120 possibilidades de pesquisa. Após diversas filtragens, cinco a seis projetos ficaram para ser estudados mais a fundo. E é justamente nessa fase em que o projeto está, diz o engenheiro químico Carlos Eduardo Calmanovici, diretor do departamento de Inovação e Tecnologia da ETH.
Vindo da própria Braskem, onde trabalhou no desenvolvimento do plástico verde da petroquímica, Calmanovici, não informa sequer qual será o uso final desses "pré-selecionados". Ele conta que para chegar às cinco ou seis oportunidades foram avaliados alguns critérios. Entre eles, os que resultassem em produtos não tóxicos e de rotas igualmente limpas. Ainda, que preferencialmente pudessem substituir itens hoje importados e que, obviamente, tivessem um mercado promissor.
Com esses "candidatos" à mão, Braskem e ETH agora se debruçam nos estudos de viabilidade econômica - investimento e retorno - para bater o martelo. Nem todos os da lista serão executados na parceria com a petroquímica. "A Braskem tem seus interesses, assim como a ETH. Onde eles se convergirem, haverá parceria", diz.
Alguns dos projetos mapeados podem ser desenvolvidos ainda em parceria com outras companhias, que tenham interesses afins, diz Calmanovici. Outras pesquisas já estão em andamento, para avançar nos processos industriais e agrícolas já existentes. Entre eles, o de leveduras (substâncias que levam à fermentação).
Também em parceria com a Unicamp, e em cooperação com outras instituições de pesquisa, o projeto consiste na manipulação de genes das leveduras de forma a intensificar as características positivas, como a de resistência, e isolar as que prejudicam a fermentação.
Com isso, a empresa espera ter mais estabilidade na operação das usinas - que têm condições de clima e solo diferentes - assim como mais controle do processo industrial. "Ao final, teremos, no mínimo, ganhos de 0,5% a 1% na eficiência da fermentação", diz Calmanovici, também presidente da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras). Esse projeto, que começou há cerca de seis meses, já tem duas patentes registradas por Unicamp e ETH.
Ainda há não orçamento definido para o departamento de Inovação, mas a previsão é de que absorva a partir de 2012 de 0,5% a 1% do faturamento da companhia - programado para atingir R$ 4 bilhões. Quando isso acontecer, a ETH estará operando com nove usinas com moagem de 40 milhões de toneladas de cana - nesta safra 2011/12 devem ser processados cerca de 20 milhoes de toneladas.

Responsável por Santo Antônio deixa Odebrecht

Autor(es): Josette Goulart | De São Paulo
Valor Econômico - 12/04/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/12/responsavel-por-santo-antonio-deixa-odebrecht/?searchterm=ETH
 

Com mais de três décadas de Odebrecht, o diretor-superintendente responsável pela usina hidrelétrica de Santo Antônio, José Bonifácio Pinto Junior, pediu demissão da empresa na sexta-feira. Boni, como é conhecido no mercado, foi o engenheiro da construtora que liderou, junto com engenheiros de Furnas, os estudos de viabilidade das usinas do rio Madeira, que hoje são as duas maiores obras em execução no país. O executivo esteve à frente da obra desde seu início e mais recentemente foi quem liderou as negociações com os líderes de 16 mil trabalhadores, da obra de Santo Antônio, para que retomassem as atividades depois de uma paralisação que se seguiu na esteira dos conflitos de Jirau.
Há alguns meses, o relacionamento de Bonifácio com o presidente da Odebrecht Energia, Henrique Valladares, vinha se desgastando. Estava acertada, inclusive, a saída de Bonifácio da área de energia para uma das diretorias da ETH Bioenergia, empresa do grupo Odebrecht na área de etanol e açúcar. A transferência ainda não tinha se concretizado em função dos conflitos de trabalhadores nas usinas em Porto Velho. Mas na semana passada, segundo relatam amigos do engenheiro, a situação ficou insustentável e chegou-se a conclusão que os dois não poderiam ficar na mesma empresa. Bonifácio, então, pediu demissão.
Entre seus pares, concorrentes e amigos, o engenheiro era tido como uma pessoa de personalidade forte, bastante emocional, um duro negociador e altamente identificado com a construtora. O executivo deve tirar férias e só depois decidir seus novos rumos profissionais. A Odebrecht informou que não faria comentários sobre o caso, mas algumas fontes a par das negociações em torno da substituição de Bonifácio informam que um executivo expatriado da empresa deve retornar ao Brasil para assumir o cargo. A usina de Santo Antônio, obra feita em parceria com a Andrade Gutierrez, deverá ser assumida integralmente pelo engenheiro Mário Lúcio Pinheiro, atual diretor de contrato da obra.
Bonifácio tinha em suas mãos a liderança de um dos maiores projetos de energia na história da construtora Odebrecht. A usina também foi o primeiro grande empreendimento da empresa como investidora do setor. As duas atividades, de construção e investimentos em energia, estão sob o guarda-chuva de Henrique Valladares, que na hierarquia de comando era seguido por Bonifácio e Antônio Roque.
Bonifácio não é o primeiro executivo da Odebrecht a deixar o projeto Santo Antônio. O ex-presidente da concessionária, Roberto Simões, está hoje na área de defesa. O diretor financeiro, Rogério Ibrahin, também deixou a Odebrecht Energia para assumir outras responsabilidades no conglomerado. Irineu Meirelles, que era o executivo do projeto na época da disputa pública travada com a GDF Suez, deixou o empreendimento há três anos. O projeto Santo Antônio foi marcado pela agressividade com que a Odebrecht foi ao leilão e pela própria disputa com a Suez em torno de Jirau. Desde a saída de Meirelles, Bonifácio era o principal porta voz do empreendimento.

Safra de cana

Valor Econômico - 15/04/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/15/safra-de-cana/?searchterm=ETH
 

A União da Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que 90 usinas anteciparam os trabalhos e iniciaram a moagem na região Centro-Sul antes da abertura "oficial" da temporada, realizada na quinta-feira em uma unidade da ETH Bioenergia em Nova Alvorada do Sul (MS). Além delas, 195 começarão a moer na segunda quinzena deste mês, e outras 50 vão ligar as máquinas na primeira metade de maio. Para Marcos Jank, presidente da Unica, é a prova do esforço do segmento para estabilizar a oferta de etanol no mercado interno após os picos de preços da entressafra.

Petrobrás cria empresa de logística para área de etanol

Autor(es): Kelly Lima e Eduardo Magossi
O Estado de S. Paulo - 02/03/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/3/2/petrobras-cria-empresa-de-logistica-para-area-de-etanol/?searchterm=ETH
 

Logum, que administrará alcoolduto de 1,3 mil km, tem como sócias também a Cosan, Copersucar, OTP, Uniduto e Camargo Corrêa


A Petrobrás, em parceria com a Copersucar, Cosan, OTP (Odebrecht), Uniduto e Camargo Corrêa, lançou ontem a Logum, empresa de logística para transporte de etanol no Brasil
. Um avanço em relação aos projetos individuais de alcooldutos que a originou, a companhia será responsável pela implantação de todo o sistema logístico multimodal para o transporte e armazenagem de etanol, com investimentos de R$ 6 bilhões.
O sistema que será administrado pela Logum foi desenvolvido, segundo seus acionistas, para ter capacidade de atender o dobro da demanda dos atuais sócios. A primeira fase do duto, entre Ribeirão Preto e Paulínia, no interior de São Paulo, deve estar concluída até dezembro de 2012.
Sem contar as ampliações ainda possíveis, o sistema terá capacidade de atender a 70% de todo o mercado em 2020. "Teremos capacidade de transportar 22 bilhões de litros anuais e armazenar 800 milhões de litros", afirmou Alberto Guimarães, presidente da nova empresa. Segundo ele, as obras de colocação dos dutos no primeiro trecho, ligando Paulínia a Ribeirão Preto, terão início no período de seca, a partir de abril deste ano.
A previsão da Logum é que, com a abertura do mercado global de etanol, o projeto de construção de um terminal de 5 bilhões de litros seja construído em Caraguatatuba (SP), com vistas à exportação do produto.
O presidente do Conselho de Administração da Logum, Marcos Lutz (Cosan), destacou que o ganho das sócias será o lucro proporcional à sua participação na empresa e com a redução de custos utilizando este sistema integrado de transporte. "Numa conta muito superficial, considerando uma redução média estimada de 20% dos custos, poderemos abater em torno de R$ 80 milhões anuais dos gastos da Cosan", estimou.
À exceção da Camargo Correa e Uniduto, que terão participação de 10% cada uma, os demais acionistas participarão com 20% do capital. Chamado de sistema multimodal de logística de etanol, o projeto da Logum se estenderá por cerca de 1.300 quilômetros atravessando 45 municípios, ligando as principais regiões produtoras de etanol nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, ao principal mercado consumidor de etanol do Brasil, a região da Grande São Paulo, e também aos portos do Sudeste.
O sistema é necessário à medida que a produção de etanol está cada vez mais distante dos centros consumidores e de exportação. A expectativa é de que o Estado de São Paulo, que em 2009 concentrava 69,3% da produção de etanol, chegue em 2021 com 48,06% do total produzido enquanto, no período, Goiás salte de 10,2% para 18,2% e Mato Grosso do Sul saia de 6,1% para 14,5%.
Sinergia. Inicialmente, vários projetos de alcooldutos foram criados de forma individual. A Petrobrás tinha seu projeto na PMCC, em parceria com a Mitsui e a Camargo Corrêa. A Brenco também possuía um projeto, depois incorporado pela ETH. A Uniduto, empresa formada por mais de 80 usinas, tinha seu próprio traçado de alcoolduto, ligando o Centro-Oeste ao litoral paulista.
Todos esses projetos tinham traçados muito semelhantes. A crise econômica fez com que houvesse uma necessidade de sinergia entre elas, o que acabou levando à união de todos os projetos em apenas um.
O capital social da companhia será inicialmente de R$ 100 milhões e, segundo o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, ainda será definido que porto vai operar com a Logum. "Somente depois de detalhadas as exportações é que definiremos o porto."

Odebrecht registra lucro recorde de R$ 1,5 bi e investirá até R$ 15 bi este ano

Autor(es): Fernando Scheller
O Estado de S. Paulo - 21/04/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/21/odebrecht-registra-lucro-recorde-de-r-1-5-bi-e-investira-ate-r-15-bi-este-ano/?searchterm=ETH
 

Empresa consolidou atuação multissetorial e reduziu peso do tradicional setor de construção a um terço do faturamento de R$ 53,8 bilhões do ano passado; em 2011, as grandes apostas do grupo estão nos segmentos de infraestrutura e óleo e gás
 - O Estado de S.Paulo
Na esteira do lucro recorde de R$ 1,5 bilhão registrado em 2010 - alta de 114% em relação ao resultado de 2009 -, a gigante nacional Odebrecht prepara-se para "turbinar" em até 50% os valores de investimento em expansão e novos negócios este ano, de acordo com o vice-presidente financeiro da empresa, Luciano Guidolin. O investimento total do grupo, que ficou em R$ 10 bilhões no ano passado, pode chegar a R$ 15 bilhões em 2011.
Os resultados da companhia, que incluem um crescimento de 27% nas receitas, que atingiram R$ 53,8 bilhões em 2010, refletem a estratégia de diversificação implementada com mais força ao longo dos últimos cinco anos: com a emergência de novos negócios, como a operação de óleo e gás, a importância relativa da construtora, origem do grupo, caiu para um terço do resultado total.
Hoje, a maior contribuição para o faturamento da companhia vem da petroquímica Braskem, na qual a holding Odebrecht detém 38% do capital total, em sociedade com a Petrobrás e a BNDESPar, empresa de participações do banco oficial de fomento. Guidolin, no entanto, diz que a intenção da empresa é ser majoritária nos negócios da qual faz parte - em todos os outros segmentos em que atua, a participação mínima da Odebrecht de 65%. "Na Braskem, temos 38% do capital total e 50,1% do votante", emenda o executivo.
Mesmo com a abertura de capital de alguns de seus negócios no radar a partir do ano que vem, o vice-presidente financeiro do grupo diz que a pulverização societária, a ser feita individualmente e de acordo com a necessidade das diferentes empresas, não vai tirar a posição da Odebrecht como "proprietária" dos negócios. "As aberturas de capital virão a partir de 2012 e 2013. Mas já está decidido que um IPO não faz sentido nem para a construtora, que é um negócio maduro, nem para a holding."
Recursos. O desenvolvimento de parcerias foi uma forma que o grupo arranjou de financiar sua atuação em novos setores: com a gestora de recursos Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, a empresa montou um negócio imobiliário; na empresa de saneamento Foz do Brasil, a parceria é com o fundo de investimento oficial FIF-FGTS; nos empreendimentos de óleo e gás, tem associação com a Temasek, de Cingapura; e a ETH, empresa de etanol, tem participação do fundo americano Ashmore e do brasileiro Tarpon.
Entretanto, além de financiar investimentos, o vice-presidente financeiro da empresa conta que a companhia quer manter um "colchão de liquidez" nas diferentes companhias - a meta é que as empresas tenham caixa suficiente para agir rapidamente caso uma oportunidade apareça. A companhia captou R$ 20 bilhões no ano passado. Esse total, além de financiar investimentos e troca de dívidas, também engorda o caixa dos diferentes negócios em aproximadamente R$ 4 bilhões.
O momento, de acordo com Guidolin, é propício para companhias brasileiras captarem dinheiro novo, especialmente no exterior. "O mercado está muito líquido, e com custos baixos, especialmente nos Estados Unidos", afirma o executivo. Segundo ele, é preciso trabalhar rapidamente para aproveitar a onda positiva em relação ao Brasil, porque as experiências passadas ensinaram que, quando a torneira de liquidez é fechada, não se sabe quanto tempo vai levar para uma nova oportunidade de "bonança" surgir. "Quando os recursos secam, não se sabe se eles vão retornar em um mês ou em seis meses", explica.
Para se proteger de eventuais tempos de vacas magras e não ter de adiar projetos, o grupo se dedica a testar formas "criativas" de atrair o interesse de investidores internacionais. No ano passado, a companhia captou US$ 1,5 bilhão no setor de óleo e gás ao oferecer como garantia contratos de aluguel de sondas e a propriedade de navios, entre outros bens. "Não foi necessário usar os bens que constam do balanço como garantia, até porque esses recursos são finitos", explica Guidolin. "O interesse foi quatro vezes superior ao volume determinado para a captação."
Sinergias. Outra forma de a empresa se proteger de eventuais "soluços" econômicos - e, ao mesmo tempo, não se perder em setores sem relação aparente - é apostar em negócios sinérgicos aos já existentes. Essa estratégia pode ser percebida não apenas na contratação da construtora para as obras de engenharia civil das diferentes empresas. Hoje, conforme o executivo, a área de pesquisa da Braskem desenvolve soluções para o negócio de óleo e gás do grupo. Em Santo André, no ABC Paulista, onde a petroquímica mantém uma unidade, o sistema de reutilização de água é desenvolvido pela Foz do Brasil, companhia de saneamento da Odebrecht. As obras civis desse sistema de tratamento são, naturalmente, feitas pela construtora.

R$ 75,1 bi
é o valor total dos ativos da Odebrecht, segundo o balanço de 2010 do grupo. Trata-se de uma alta de 57% sobre 2009
R$ 700 mi
é o valor do lucro do ano de 2009, ajustado para a norma de contabilidade IRFS. Na regra antiga, o resultado havia sido de R$ 1,1 bi
PARA ENTENDER
Em meio a recordes, a Odebrecht vive uma briga societária bilionária. A família Gradin, que detém 20,6% das ações do grupo, tenta impedir judicialmente a venda de sua participação, exigida pela família que dá nome ao grupo, hoje com 62,3% das ações. A compra dos papéis dos minoritários seria, segundo os Odebrecht, um direito garantido no contrato de acionistas. Os Gradin, porém, não concordam e acionaram a Justiça pedindo uma arbitragem. As partes serão chamadas para uma audiência de reconciliação.

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