terça-feira, 10 de maio de 2011

Financiamento do 'Minha Casa' cai à metade

Autor(es): Samantha Maia | De São Paulo
Valor Econômico - 09/05/2011


O programa Minha Casa, Minha Vida perdeu ímpeto neste começo de ano. De janeiro a março foram assinados 64.422 financiamentos, metade do mesmo período do ano passado, 133.146 contratos, segundo a Caixa Econômica Federal. A queda é resultado principalmente da paralisação das contratações de moradias para as famílias com renda até três salários mínimos - à espera de autorização do Congresso, que pode ocorrer nesta semana.
Considerando, no entanto, apenas contratações para a renda de três a dez salários mínimos, também houve queda. Segundo o Ministério das Cidades, que disponibiliza dados até abril deste ano, foram contratadas 80.301 unidades habitacionais nesse segmento desde janeiro, frente a 98.075 unidades no mesmo período do ano passado, uma queda de 18%.
Essa redução, de acordo com a assessoria de imprensa do ministério, ocorreu por causa de um "hiato de tempo de passagem" da primeira para a segunda fase do programa. A previsão do governo é de que o ritmo seja recuperado até o fim deste semestre, alcançando, no mínimo, o mesmo nível do ano passado.
Segundo Luiz Alberto Sugahara, consultor da Caixa, o banco não assinará novos contratos para o público de até três salários mínimos, faixa em que a moradia é totalmente subsidiada, até que o Congresso autorize a segunda fase do programa. A Medida Provisória (MP) que permite a continuidade do Minha Casa, Minha Vida já foi aprovada pela Câmara há duas semanas e agora aguarda aprovação do Senado. Antes disso, o governo não tem verba autorizada para os subsídios. Dessa forma, o ritmo do programa deve se manter aquém do ano passado por mais algum tempo.
"A segunda fase do programa deve ser anunciada em breve e as empresas estão esperando uma nova posição dos valores das casas, que devem aumentar", diz o consultor da Caixa. Desde o ano passado, as construtoras reivindicam um reajuste dos preços máximos permitidos para as casas de baixa renda, de até R$ 52 mil, por exemplo, em São Paulo. O governo tem sinalizado um reajuste para junho, segundo empresários.
A Caixa argumenta que apesar da queda, as contratações para a parcela de famílias com renda mais baixa foi além da meta da primeira fase. Foram contratadas até dezembro 404.128 moradias para esse público, enquanto a meta era de 400 mil.
A queda nas contratações veio depois de uma contratação recorde em dezembro de 2010, que possibilitou o cumprimento da meta de 1 milhão de moradias até 2010. De acordo com os números divulgados pela Caixa, foram 242 mil contratos apenas em dezembro. Segundo o presidente Jorge Hereda, em coletiva na época da divulgação, o resultado foi possível graças a um esforço da equipe. O ritmo, porém, não se manteve.
Segundo José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), houve uma antecipação das contratações do começo deste ano para o fim do ano passado. "No fim do ano passado contratou-se mais, e a meta da primeira fase foi ultrapassada. Agora, só haverá recursos novos após a nova fase do programa ser aprovada pelo Congresso", diz ele. Apesar da desaceleração no começo do ano, porém, ele não acredita que isso afete o resultado do programa, que prevê uma contratação de 2 milhões de moradias até 2014, 60% das quais para o público de até três salários mínimos.
Os empresários, por sua vez, estão à espera de uma definição das novas exigências para as construção e dos preços. O governo está discutindo um novo modelo de projeto para as casas populares que inclui questões como critérios para acessibilidade de deficientes físicos. A partir dessas definições, segundo Martins, é possível saber os preços viáveis para os novos investimentos. "Como vamos ter que fazer as casas? Só assim saberemos o seu custo", diz ele. A retomada das contratações, segundo o vice-presidente da CBIC, é esperada para o fim de junho.

Milhões de imóveis

Valor Econômico - 09/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/9/milhoes-de-imoveis
 

O programa Minha Casa, Minha Vida foi lançado em abril de 2009 com a meta de contratar 1 milhão de moradias para a população de baixa renda até o fim de 2010. O programa fez parte das política anticíclicas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para combater os efeitos da crise econômica mundial. No ano passado, foi anunciada a continuidade do programa, com a construção de mais 2 milhões de habitações até 2014.
Foi a primeira política nacional na área de habitação desde o BNH, e um de seus principais méritos foi a interlocução com empresários e entidades setoriais, que chegaram ao modelo considerado mais eficaz baseado no subsídio ao comprador, que pode chegar a R$ 23 mil.
O modelo de parceria com a iniciativa privada tem sido copiado por administrações estaduais, como no caso de São Paulo, que pretende que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) deixe progressivamente a construção de casas e, em contrapartida, apoie mais financiamentos habitacionais.
Na primeira fase do Minha Casa, Minha Vida foram contratadas 1.005.128 de moradias. Os dois Estados que mais contrataram foram São Paulo (187.396) e Bahia (101.377), e os que menos contrataram foram Amapá (1.645), Roraima (2.232) e Acre (2.815).

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