sábado, 14 de maio de 2011

Lucro da Brasil Foods sobe mais de 6 vezes no 1o trimestre

Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - A Brasil Foods anunciou nesta sexta-feira lucro de 383 milhões de reais no primeiro trimestre, contra resultado positivo de 61 milhões de reais registrado no mesmo período do ano passado.
A companhia, líder na exportação global de carne de aves, reportou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 816,4 milhões de reais, contra 444 milhões de reais no mesmo trimestre de 2010.
A receita líquida da BRF foi de 6 bilhões de reais no primeiro trimestre, alta de 19,3 por cento ante o mesmo período de 2010.
As vendas no mercado interno aumentaram 20,4 por cento, somando 3,6 bilhões de reais, com crescimento de 13 por cento em volume, para 980 mil toneladas.
A demanda mundial por carnes também colaborou com as exportações da companhia, que cresceram 17,7 por cento ante o mesmo período do ano anterior, atingindo 2,4 bilhões de reais. O volume embarcado para o exterior aumentou 7,5 por cento, somando 545 mil toneladas.
As exportações, embora representem uma parcela relativamente menor do total, foram fundamentais para os resultados da companhia, disse o presidente da BRF, Jose Antonio Fay.
"O mercado externo foi o grande agente de melhoria de resultado quando a gente compara trimestre com trimestre", disse Fay.
Segundo ele, havia excesso de oferta no mercado internacional em 2010.
"Entramos com estoques altos e isso sempre atrapalha um pouco, ao contrario de 2011. Os mercados emergentes puxaram muito produto e isso regularizou os estoques globais, e hoje no mundo não há' grandes estoques de carnes", afirmou o presidente.
Fay afirmou ainda que a empresa se beneficiou da estratégia de estar com bons estoques de matérias-primas, compradas antes da alta expressiva dos preços.
Com a alta global dos preços dos insumos, como milho e farelo de soja, a companhia elevou seus preços, ganhando margem.
A margem Ebitda da empresa cresceu para 13,6 por cento no primeiro trimestre, contra 8,8 por cento no mesmo período do ano passado.
"A companhia se posicionou adequadamente e está tomando vantagem disso. Outro ponto foi a performance operacional. As despesas caíram bastante", disse.
EXPORTAÇÕES
Os preços no mercado externo aumentaram 13,2 por cento (em reais) na comparação com mesmo trimestre do ano passado, informou a companhia.
No mercado interno, onde os preços dos produtos da BRF subiram 6,8 por cento, a empresa também conseguiu tirar proveito da estratégia de aquisição de insumos.
Aliás, a BRF afirmou que se beneficiou do fato de ter sido autorizada a comprar matérias-primas em parceria com a Sadia, além das capturas de sinergias nas áreas autorizadas pelo Cade.
"O mercado interno performou bem. Com o enriquecimento da população brasileira, a gente captura com um portfólio forte, e a performance confirma que o Brasil está vivendo um bom momento", acrescentou Fay a jornalistas, durante a divulgação dos resultados.
CADE LIMITA
Os executivos da companhia afirmaram que mantêm a cautela nos investimentos, ainda no aguardo da aprovação da compra da Sadia pelo Cade, e assim o caixa se manteve robusto em 3,5 bilhões de reais ao final de março, praticamente estável em relação a dezembro.
"O nosso caixa está saudável, a alavancagem baixa, de 1,3x. Temos uma operação robusta porque temos investido menos. Investimos 280 milhões (de reais), é forte, mas para o nosso padrão é baixo. Estamos contingenciando os investimentos esperando uma definição do Cade para entender o que vai se passar," disse Fay.
O investimento feito no trimestre representa somente cerca de 10 por cento do que a companhia prevê investir no ano.
Segundo Fay, o Cade informou anteriormente que deve julgar a aquisição da Sadia ate o final do primeiro semestre.
O executivo manteve a sua posição de que a companhia acredita na aprovação do negócio integralmente.
"Eu continuo na crença de que o Cade pode aprovar, acho que poderia aprovar sem restrições. Difícil trabalhar na hipótese (de vender uma das duas marcas), seria um remédio excessivamente amargo pra gente tomar," disse sobre uma das alternativas sugeridas para a aprovação do negócio.
Ele reforçou que, enquanto o processo no Cade não se encerra, a companhia não estuda internamente eventual venda de alguma marca.

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