quinta-feira, 2 de junho de 2011

Gerdau busca consolidação global em aços especiais

Autor(es): Ivo Ribeiro e Fernando Taquari | De São Paulo e Pindamonhangaba
Valor Econômico - 01/06/2011
 

A partir de 2012, o grupo Gerdau projeta se consolidar globalmente no negócios de aços especiais, um produto com cerca de 80% de aplicação no setor automotivo. A empresa brasileira vai iniciar sua operação na Índia, em associação com um parceiro local. Atualmente, tem operações no Brasil, EUA e Espanha.O projeto indiano começa com uma produção de 300 mil toneladas, mas a unidade industrial estará preparada para crescer até o nível de 1,5 milhão de toneladas por ano, explicou André Gerdau Johannpeter, presidente do grupo, ao Valor. "Este é apenas o começo da nossa joint venture", afirmou. De controle compartilhado, a unidade indiana contará com um laminador de aços especiais e vergalhões, sinterização, coqueria e geração de energia.
O executivo destacou que a Gerdau se tornou um fornecedor global importante desse tipo de aço para o setor automotivo - desde automóveis, veículos leves até pesados, como caminhões e ônibus. A empresa está entre as líderes mundiais e seu foco na Ásia é cresce na Índia. Houve uma tentativa na China anos atrás, mas a iniciativa não prosperou.
Para acompanhar o crescimento da demanda de aços especiais, também usados na fabricação de máquinas e implementos agrícolas e equipamentos para setor elétrico, ontem o grupo anunciou investimento de R$ 327 milhões em sua usina de Pindamonhangaba (SP). A fábrica fundada pela Aços Villares receberá um novo laminador com capacidade de 500 mil toneladas por ano. Com isso, essa unidade fica apta a produzir 1,2 milhão de toneladas por ano a partir de 2012, informou a Gerdau.
"Esse investimento é para atender a expansão da demanda brasileira, com aumento da produção de veículos", disse o empresário. Citando dados da Anfavea, entidade do setor automotivo, destacou que a produção de veículos subiu 4% no primeiro trimestre. Ele prevê crescimento sustentável nos próximos quatro a cinco anos: "Tem novas montadoras asiáticas chegando ao país - Toyota, Hyundai e Chery -, além da expansão das já instaladas".
No Brasil, com a incorporação da Aços Villares, a Gerdau passou a operar quatro unidades de produção e laminação de aços especiais - uma no Rio Grande do Sul (a antiga Aços Finos Piratini, em Charqueadas) e três no estado de São Paulo (Pindamonhangaba, Mogi das Cruzes e Sorocaba). A capacidade instalada atual passa de 1,5 milhão de toneladas.
Outra frente de expansão está nos EUA, onde entrou em 2008 com a aquisição da Macsteel, agora convertida com a nova marca Gerdau. Ao fazer uma análise do mercado externo, Johannpeter ressaltou que a economia americana apresenta sinais positivos de recuperação, que terão impacto satisfatório sobre o mercado de aço. Ele lembrou que a empresa anunciou recentemente investimentos de R$ 560 milhões para ampliar em 600 mil toneladas a produção de aço especiais no país até 2014 - 200 mil no próximo ano e 400 mil dois anos depois.
"Temos esses investimentos para fazer frente à demanda que está crescendo lá. O mercado americano passa por uma recuperação progressiva. Não será igual ao Brasil, que depois de um ano da crise, estava bem. A recuperação é lenta, mas a tendência é positiva", afirmou, acrescentando que a Espanha também se recupera, mas em um ritmo muito mais lento.
Nos EUA, o grupo faz estudos para instalação de uma nova usina de aços especiais. O desenho do projeto prevê, se aprovado, capacidade para produzir de 700 mil a 800 mil toneladas por ano.
No ano passado, a Gerdau produziu 2,784 milhão de toneladas de aços especiais, volume que representou 16% das vendas totais de aço do grupo. Em receita, essa unidade de negócio representou 21% do total de R$ 31,4 bilhões. No resultado operacional (Ebitda), sua participação dobrou: passou de 12% em 2009, ano da crise, para 25%, no ano passado.
Em aços longos comuns, a Gerdau anunciou ontem uma unidade de produtos prontos (telas de diversos tipos) para uso na construção civil em Pindamonhangaba, com investimento de R$ 313 milhões. Ficará pronta em 2013. Outros R$ 78 milhões serão aplicados em nova laminação de vergalhões em rolo em na usina de Araçariguama (50 km de São Paulo).

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