terça-feira, 14 de junho de 2011

Produção de cabos bate recorde

Autor(es): Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 13/06/2011
 

A produção de cabos de alumínio para condução de energia registra resultados exuberantes. O ano de 2010 já foi de recordes, com um total de 105 mil toneladas e alta de 20% sobre 2009. Agora, a previsão para este ano é de um salto de 58%, chegando a 167 mil toneladas. Se a estimativa se concretizar, a utilização da capacidade instalada irá beirar 83%. "Nunca se atingiu um volume igual ao do ano passado no Brasil. Com isso, a capacidade utilizada ficou ao redor de 54% para uma capacidade instalada de 183 mil toneladas/ano", afirma Roberto Seta, coordenador do Grupo Setorial Fios e Cabos de Alumínio da Associação Brasileira do Alumínio (Abal)."As indústrias desse segmento investiram US$ 250 milhões no triênio 2007/2010 para atender a demanda doméstica", completa Sérgio Aredes, presidente do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel). A Abal aponta para a manutenção do aquecimento no setor no próximo ano, porém, em patamares mais baixos. "A previsão para o ano que vem é de recuo, para cerca de 110 mil toneladas", completa Seta.
Dois grandes projetos são responsáveis pela demanda do setor: o programa Luz para Todos do governo federal e a construção das usinas hidrelétricas do rio Madeira, UHE Jirau (3.300 MW) e UHE Santo Antônio (3.150 MW). "São 2.375 quilômetros de extensão, que absorverão cerca de 140 mil toneladas de cabos de alumínio. Juntos, os dois projetos consumirão 167 mil toneladas de cabos", prevê.
Chaim Tencer, vice presidente comercial e de marketing da Nexans Ficap, líder mundial na indústria de cabos, afirma que o pico do mercado acontece neste ano, e que a tendência é haver uma queda de demanda nos dois anos seguintes, quando os investimentos estatais e não estatais estarão sendo concluídos. "Novo pico deve vir em 2014 com o projeto Belo Monte, já aprovado."
A Nexans foi selecionada para fornecer os condutores para o primeiro circuito da usina IE Madeira, um consórcio de empresas que reúne Furnas, Chesf e CTEEP. "Este é um setor no qual o Brasil está crescendo fortemente. O valor do contrato soma € 20 milhões", afirma.
Outro negócio fechado pela companhia rendeu € 4 milhões. Trata-se do contrato com a Distribuição e Toshiba Sistemas de Transmissão do Brasil Ltda para fornecimento e instalação de cabos de alta tensão (AT) XLPE e acessórios que serão utilizados para interligar as duas principais subestações de energia elétrica no novo complexo petroquímico Comperj, em construção no Estado do Rio de Janeiro. "Se o Brasil continuar crescendo nessa velocidade, corremos o risco de não ter energia elétrica, principalmente nas regiões de maior consumo, como Sudoeste e Sul", diz.
A Nexans registrou alta de 15% nas vendas de fios e cabos em 2010 sobre o ano anterior. O faturamento teve crescimento ligeiramente superior. "Em 2011 haverá um aumento de 10% no volume e um pouco a mais na receita", diz.
Mais otimista, Aredes, do Sindicel, não acredita em redução da demanda, apesar de concordar que boa parte do consumo tenha origem nas obras do PAC. "As perspectivas para o próximo triênio dependem em boa parte dos investimentos na infraestrutura do país. Mas a alta projetada oscila entre 6% e 9% ao ano." Para 2011, ele aposta em um aumento de 8%. "O setor da construção civil demandou cerca de 39% do total produzido de condutores e produtos semi-manufaturados no ano passado e a expectativa para 2011 é absorver 42% do volume."

Construção civil tem demanda aquecida pelo menos até 2016

Autor(es): Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 13/06/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/13/construcao-civil-tem-demanda-aquecida-pelo-menos-ate-2016
 

Perspectiva : Fabricantes respondem ao mercado em expansão com novos produtos

Os fabricantes de alumínio para o ramo de construção civil estão com o presente e o futuro garantidos, pelo menos até 2016, levando em conta a expansão nas vendas de imóveis. Embora nas construções de baixo e médio custos sua participação ainda fique atrás do ferro e da madeira, o alumínio avança nas obras luxuosas, sendo cada vez mais utilizado em janelas, portas, armários e boxes de salas de banho.
Os fabricantes respondem com mais investimentos diante do bom momento. "A Alcoa investirá US$ 45 milhões entre 2010 e 2016 nas áreas de expansão, lançamento de novos produtos, abertura de lojas, entre outros projetos", afirma José Carlos Cattel, diretor da divisão de extrudados da empresa.
A primeira leva de investimentos, no ano passado, somou US$ 11 milhões, aplicados na ampliação da linha de acabamento na área de perfis - esquadrias para janelas e portas.
"Com esses recursos, a produção cresceu 11%. Para este ano já temos um orçamento de US$ 18,5 milhões, que serão aplicados na aquisição de uma nova prensa na planta de Tubarão (SC) e no aumento da capacidade de extrusão de Itapissuma (PE)", explica. O Norte e o Nordeste estão levando a Alcoa a realizar aportes na unidade de Itapissuma.Segundo o diretor, a unidade pernambucana integra a malha logística da Alcoa no Sul e Sudeste. Cerca de 30% da produção nordestina vai para esses mercados. Mas a proporção deve cair com o crescimento da indústria nordestina de construção. "A região cresce o dobro do Brasil. Se o PIB do país aumentar 5%, lá será 10%", afirma.
No ano passado, o crescimento das vendas da Alcoa na área de construção civil surpreendeu. "Em 2010, tínhamos projetado um crescimento de 9% e crescemos 10% em volume", diz Cattel. Pelos seus cálculos, 60% dos extrudados são absorvidos pela construção civil e os outros 40%, pela indústria.
"Em 2011, a projeção é de um crescimento de 7%. A receita, que no ano passado teve um salto de 12% sobre 2009, deverá crescer 9% em 2011", afirma. Líder no segmento de extrusão com 23% de market share, Cattel aposta na continuidade do aquecimento.
"O mercado deverá manter-se com forte demanda por pelo menos mais cinco anos em função do déficit habitacional, da Olimpíada, a Copa de 2014 e o aumento da massa salarial", estima. Reformas de moradias e o programa Minha Casa, Minha Vida também são fatores citados.
A Alpex Alumínio, empresa brasileira que atua no desenvolvimento de soluções em perfis extrudados e de produtos acabados em alumínio, vai investir R$ 24 milhões no período de 2011 a 2016. Segundo Paulo Magalhães, sócio diretor da companhia, os primeiros R$ 4 milhões desembolsados até dezembro serão suficientes para elevar a produção em 30% neste ano. "Com isso teremos de contratar mais 40 funcionários, totalizando 380", diz.
Com um faturamento de R$ 195 milhões registrado no ano passado, a direção da Alpex Alumínio também se mostra otimista. "A expectativa para 2011 é crescer 4%, mas a partir de 2012 a meta é de um aumento de 15% ao ano", afirma.
A Alpex Alumínio atua nas indústrias automobilística, moveleira, da construção civil, de eletroeletrônico, entre outras. Móveis e construção andam de mãos dadas. "Os móveis exigem uma boa quantidade de alumínio e a construção também", explica. Até o final de 2016, quando os R$ 24 milhões já tiverem sido desembolsados, a Alpex projeta um segundo aumento na produção, de 30%.
Para Claudio Roberto Martins, gerente comercial da Anobril Anodização Pintura e Extrusão de Alumínio Ltda, o mercado é atrativo. "Em 2010 houve crescimento de 30% no volume de produção e vendas. E 2009 foi um ano recessivo", comenta.
A expectativa para 2011 continua positiva. "A meta é crescer na faixa de 13%. Os desembolsos feitos no ano passado ficaram 15% acima do verificado em 2009 e para este ano a estimativa é de uma injeção de recursos cerca de 20% superior."
De acordo com Martins, os recursos serão aplicados em compras de equipamentos e tecnologia. Com 100 empregados e uma única fábrica instalada em São Paulo, Martins atribui o desempenho nos negócios a reformas e construção de novas moradias devido ao aumento do poder aquisitivo e ao programa Minha Casa, Minha Vida. Pelas suas contas, do total produzido pela Anobril, 40% são absorvidos pela classe C e outros 30% pela classe D. "Os restante se divide entre os consumidores A e B".

Novas possibilidades

Autor(es): Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 13/06/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/13/novas-possibilidades
 

Indústria trabalha para atender consumo em alta, que tem tudo para dobrar para 2,5 milhões de toneladas até o fim da década.

Construtoras substituem aço e madeira por alumínio. Fabricantes de embalagens ampliam a produção por conta da demanda em alta, e os investimentos em infraestrutura no setor de energia e transportes também têm elevado compras do metal. Resultado: a indústria do alumínio prevê que o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio, que subiu 29% em 2010, para 1,3 milhão de toneladas, cresça entre 13% a 15% em 2011, podendo chegar perto de 1,5 milhão de toneladas.
"Todos os segmentos estão bastante aquecidos e as perspectivas para os próximos anos são positivas. Em 2012, teremos a Conferência Rio+20, em 2014, a Copa do Mundo, a Olimpíada em 2016 e ainda poderemos ter o Trem de Alta Velocidade e o pré-sal, que podem ter efeitos sobre a demanda", afirma Adjarma Azevedo, presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).
egundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em uma estimativa conservadora, o consumo no país poderá dobrar para 2,5 milhões de toneladas até o fim da década. "Mas há obstáculos, como o câmbio, a carga tributária e o preço da energia, que podem trazer problemas, incluindo a desintegração da cadeia produtiva e o aumento das importações", alerta Azevedo.Um dos destaques é o segmento de fios e cabos, que deve crescer 58,4% em 2011, movimentando 167 mil toneladas. Isso graças ao aumento de investimentos na ampliação das linhas de transmissão de energia elétrica que interligam o país. Uma das maiores do mundo, a Linha do Madeira - que interligará a cidade de Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) e permitirá o escoamento da energia produzida nas usinas do rio Madeira ao Sudeste - está sendo construída com cabos de alumínio e é um dos fatores que poderão levar ao recorde do segmento voltado à energia. As perspectivas para esta década em energia são positivas.
Segundo o Plano Decenal de Energia, divulgado há duas semanas, a extensão do sistema de transmissão nacional passará de 100 mil quilômetros em 2010 para 142 mil quilômetros em 2020. Ou seja: o equivalente a quase a metade do sistema existente será construído nos próximos dez anos. Já em transportes, que respondeu por 21% do consumo do metal em 2010, o alumínio também tem sido mais utilizado, principalmente na área de implementos rodoviários, como nas chapas de carrocerias de ônibus.
Impulsionada pela maior oferta de crédito e pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", a construção civil, que respondeu por 14% do consumo de alumínio em 2010, deve continuar demandando mais do metal. Segundo analistas, hoje a madeira responde por 40% das esquadrias, o aço por 35%, e o alumínio por 25%, mas há espaço para crescer. "O alumínio preenche as normas de sustentabilidade e tem alto índice de reciclagem", diz Luis Carlos Loureiro Filho, diretor comercial da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa da Votorantim Metais.
A empresa investiu recentemente cerca de R$ 250 milhões na instalação de duas prensas que ampliaram sua capacidade de 48 mil toneladas para 72 mil toneladas no segmento de extrudados. "O mercado para construção pode crescer 10% ao ano", afirma o executivo da CBA, que, com o investimento, também poderá disponibilizar perfis anodizados em cores diferenciadas, para atender à demanda da indústria de construção e de móveis. Hoje, cerca de 65% da demanda de extrudados está na área de habitação e o restante com a parte de bens de consumo (móveis) e demanda industrial.
Para Loureiro Filho, a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada deve impulsionar a demanda por alumínio no mercado interno. "Há uma elasticidade importante com o Produto Interno Bruto (PIB) e, se a economia crescer 4% ou 4,5% ao ano, haverá acréscimo da demanda, o que pode fazer com que possamos estudar mais investimentos", analisa o executivo da CBA.
Quem também está de olho no crescimento do mercado é a Alcoa, presente no Brasil desde 1965. "O Brasil vive um momento de forte demanda de infraestrutura, com oportunidades para o setor de alumínio, seja na construção civil, seja nas preparações de estrutura para os grandes eventos esportivos", afirma Franklin Feder, presidente da empresa no Brasil.
A Alcoa deverá investir cerca de R$ 455 milhões neste ano em vários projetos, sendo que R$ 119 milhões serão aplicados em geração própria de energia e o restante nas operações de mineração e metalurgia.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado pelo governo federal e em fase de regulamentação, também poderá representar um estímulo ao setor, que detém um recorde: o índice de reciclagem do total de latas de alumínio para bebidas é de 98,2%, o que posiciona o Brasil na liderança mundial do indicador desde 2001. "Estamos trabalhando para que os catadores possam ter melhor gestão e maior escala para que continuem contribuindo para os índices", diz Renault Castro, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas).
Com a definição da Política de Resíduos, que prevê a gestão compartilhada ao longo da cadeia, fabricantes de alimentos e bebidas vão ter que estudar cada vez mais as embalagens de seus produtos, além de seu valor econômico e sustentável e a logística reversa, o que pode criar oportunidades para as empresas. Estudo feito na Inglaterra pela Carbon Trust com um refrigerante de 330 mililitros apontou que a pegada de carbono da bebida embalada em lata de alumínio teria 170 gramas, enquanto uma garrafa de vidro, com a mesma quantidade da bebida, deixa rastro de 360 gramas em seu ciclo de vida. No Brasil, a emissão de carbono seria ainda menor, já que a maior parte dela está ligada ao consumo de energia, que aqui é limpa, proveniente principalmente de hidrelétricas.
Esse cenário coincide com o bom momento das fabricantes de latas de alumínio, cuja produção cresce diante da renda em alta, desemprego em baixa e ascensão das classes C e D, que têm elevado a demanda por bebidas. Entre 2010 e 2012, deve ser investido mais de R$ 1 bilhão pelas empresas para aumentar sua produção, com destaque para a alta do consumo no Norte e Nordeste. "O ritmo está aquecido, e as empresas têm apostado na descentralização geográfica dos investimentos, indo para o Norte e para o Nordeste, onde o consumo tem sido bastante forte", diz Castro, da Abralatas.

Legislação quer acabar com figura do atravessador

Valor Econômico - 13/06/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/13/legislacao-quer-acabar-com-figura-do-atravessador
 

Cadeia com alta reciclabilidade, que permite uma latinha de bebida deixar a gôndola do supermercado e voltar ao mesmo lugar num intervalo de 30 dias, merece incentivos fiscais, dizem os especialistas. "Indústria que utiliza percentual de reciclagem na composição do produto deve ter isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) proporcional", defende Hênio de Nicola, especialista da indústria de alumínio. Nicola lembra que essa possibilidade era uma cláusula prevista no texto original da Política Nacional de Resíduos Sólidos. "Mas foi retirada quando da aprovação final no Congresso, possivelmente por força do Ministério da Fazenda", arrisca.
O texto que deu origem à Política Nacional de Resíduos Sólidos (12305/10) não prevê qualquer incentivo de natureza tributária para a reciclagem. Separada da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a cláusula de compensação fiscal foi aprovada em outra lei (12375/10), com uma diferença de quatro meses. Em seus artigos 5º e 6º, ela prevê a criação de um crédito de IPI aplicável ao produto final das indústrias que utilizarem material reciclado.
No caso da lata, significa 50% da alíquota de IPI - com uma ressalva: o incentivo fiscal vale apenas para empresas que comprarem resíduos sólidos diretamente das cooperativas de catadores. "É uma forma de incentivar as políticas sociais", explica Fernando Mombelli, coordenador geral de tributação da Receita Federal.
Além de valorizar a função do catador, Mombelli diz que a lei tem como objetivo acabar com a figura do sucateiro - segundo ele, o atravessador que leva boa parte dos lucros. Para que entre em vigor, porém, a lei ainda precisa ser regulamentada - o que pode ocorrer ainda este mês, acredita Mombelli. "É uma questão de dias", afirma.
Mesmo que a lei seja regulamentada, a cadeia do alumínio ainda ficará na dependência do fortalecimento das cooperativas para se livrar da bitributação. É que as cooperativas recolhem menos de 5% das latas que voltam para a reciclagem, segundo Renault Castro, da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Para dar suporte a quase 1 milhão de catadores, as 600 cooperativas precisam oferecer oportunidades, estimular o catador ao trabalho comunitário. "Unidos, eles podem ter melhor remuneração e maior poder de decisão."
Para Hênio Nicola, essa lei é inócua para o setor do alumínio. "No caso do alumínio, com alto valor agregado, as cooperativas respondem por uma quantidade muito pequena do material coletado". Por falta de incentivo, o catador ainda prefere vender direto ao sucateiro em lugar de dividir os lucros com a cooperativa.
Para competir com o sucateiro, de onde vem o grande volume de reciclagem, as cooperativas teriam de estar preparadas.
E a primeira providência, segundo Nicola, seria fazer o que faz o sucateiro: receber o material, limpar, prensar, transportar e remunerar a todos de forma justa. "O sucateiro é um elo desconhecido do governo que, por achar difícil resolver a questão, direciona-a para a iniciativa privada, na forma dos chamados acordos setoriais", diz Nicola. (S.T.)

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