terça-feira, 19 de julho de 2011

Pequenas empresas ficam com 25% das liberações do BNDES

Autor(es): Vera Saavedra Durão e Francisco Góes | Do Rio
Valor Econômico - 18/07/2011

Investimento : Participação das grandes no quadrimestre encolheu
Contrariando a tendência dos últimos dez anos, as micros e pequenas empresas avançaram sua participação nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro quadrimestre de 2011 e conseguiram abocanhar 25% das liberações, ante 18% no mesmo período de 2010 e 10% em 2008. De janeiro a abril, o grupo levou R$ 8,5 bilhões dos R$ 33,9 bilhões liberados pela instituição. Em contrapartida, a participação das grandes empresas encolheu para 55% do volume desembolsado, ante 71% nos primeiros quatro meses de 2010.O avanço da participação das micros e pequenas empresas sobre os fartos recursos do banco ocorreu principalmente a partir da criação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) no âmbito da Finame, com juros fixos e mais baratos e com a introdução do Cartão BNDES, que funciona como um cartão de crédito para os pequenos empresários, disse Cláudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do banco.
Segundo ele, o BNDES tem melhorado processos, capacitado mais agentes financeiros e fortalecido linhas como o crédito rotativo pré-aprovado e o Cartão BNDES, que pela rapidez com que libera os recursos favorece as micros e pequenas empresas.
Para Cláudio Fristach, da consultoria Inter.B, o crescimento da economia tem acionado dois fatores que estão puxando a busca das micros e pequenas por recursos do banco. Essas empresas operam em setores mais protegidos da concorrência das importações, como marcenaria, por exemplo, e também no setor de serviços, que está crescendo muito por causa da demanda forte da classe C. "Ônibus e caminhões são serviços em boa parte do Brasil", diz ele.
Além disso, observa o consultor, essas atividades não são, em grande parte, afetadas pelo câmbio. Na opinião de Fristach, a inserção das pequenas e médias em nichos mais tradicionais, que incluem inclusive o comércio e se espalham pelo interior do país, estimula o investimento.
Mesmo com a recente alta dos juros e a redução da participação do banco no volume de empréstimos do PSI 3, que passou a vigorar no segundo trimestre deste ano, as micros e pequenas continuam ampliando espaço nos desembolsos do BNDES, como revelam os dados de desempenho da Finame até maio, divulgados pelo superintendente de operações indiretas da instituição. Moraes projeta um crescimento na participação das micros e pequenas nas liberações do banco em 2011, ficando na faixa de 30%, mais do dobro de 2010, o que classificaria um recorde na história da instituição. Moraes teme, porém, que com a desaceleração da economia esse processo venha a ser estancado em 2012.
Para Joaquim Elói Cirne de Toledo, ex-USP e consultor de empresas, o fato das micros e pequenas empresas estarem ampliando sua presença nos desembolsos do BNDES não significa que ele deixe de ser crítico à ação do banco de apoiar empresas gigantes. "Isso não devia acontecer. O Tesouro Nacional se endividando e o BNDES financiando grandes companhias a juros baixos mostra que estamos transferindo renda para quem já é rico. Grandes empresas, como o Pão de Açúcar, não precisam do BNDES. Têm que se financiar no mercado. O BNDES deve ter como política apoiar as micros e pequenas empresas e inovação". Para Toledo, o BNDES, como um banco de segunda linha, não deveria repassar recursos para bancos financiarem as micros e pequenas empresas. Devia fazê-lo diretamente.
Nos primeiros cinco meses do ano, conforme dados da Finame, as microempresas aumentaram sua participação nos desembolsos da Finame para 23%, ante 18% no mesmo período de 2010, levando R$ 4,7 bilhões de uma liberação de R$ 21 bilhões dos recursos da financiadora.
Moraes esclareceu que as grandes não alteraram sua participação nos desembolsos da Finame até maio e nas estimativas para o acumulado do primeiro semestre porque deixaram de tomar empréstimos para compra de ônibus e caminhões no PSI 3, quando o juro fixo para essas operações com empresas que faturam mais de R$ 90 milhões subiu para 8,7%. "Elas optaram por tomar recursos corrigidos pela TJLP." Também houve uma redução para 70% da participação do banco nesses empréstimos. Entretanto, as grandes continuam a demandar crédito do PSI 3 para compra de bens de capital.
Moraes acredita que a demanda das micros e pequenas empresas por recursos do banco vai crescer mais no segundo semestre através do Cartão BNDES. De janeiro a maio as liberações do cartão somaram R$ 3 bilhoes ante R$ 1,7 bilhão no mesmo período de 2010, ou seja, mais de 75%. Em 2011, ele estima um desembolso de R$ 7,5 bilhões via cartão.

Ônibus e caminhões lideram empréstimos da Finame

Valor Econômico - 18/07/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/18/onibus-e-caminhoes-lideram-emprestimos-da-finame

Os empréstimos para compra de ônibus e caminhões sustentaram, até junho, os desembolsos da Finame, a linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação de máquinas e equipamentos. A estimativa do banco é de que a Finame tenha fechado o primeiro semestre com desembolsos entre R$ 25,5 bilhões e R$ 26 bilhões. Quando se confirmar o número oficial, o crescimento deverá ficar entre 1,5% e 3,5% em relação aos R$ 25,1 bilhões desembolsados na Finame entre janeiro e junho do ano passado.
Segundo estimativas, o segmento transporte da Finame, incluindo ônibus, caminhões, aviões e outros equipamentos como vagões rodoviários, ganhou espaço nos desembolsos. Eles somaram cerca de R$ 15,5 bilhões no primeiro semestre, uma alta de 9% em relação ao mesmo período de 2010, e com isso passaram de uma participação de 56% para 61% do total. Já os bens de capital para a indústria, excluindo o setor transportes, totalizaram desembolsos de R$ 7 bilhões, uma queda de cerca de 4% sobre 2010. A queda maior foi no segmento agrícola, cujos desembolsos para compra tratores e colheitadeiras caíram cerca de 10% no período, totalizando R$ 3,2 bilhões.
No fechamento de 2011, a Finame terá desembolsado cerca de R$ 53 bilhões, número semelhante ao de 2010, desempenho que será garantindo em grande medida pelo setor de transportes.
Os números oficiais, de janeiro a maio, indicam que os desembolsos da Finame somaram R$ 21 bilhões, com alta de 5% em relação a igual período de 2010. O segmento transporte respondeu por desembolsos de R$ 12,4 bilhões, alta de 11% sobre idêntico período do ano passado. Nos caminhões, os desembolsos totalizaram R$ 9,8 bilhões, com aumento de 7% sobre janeiro a maio de 2010. Nos ônibus, o crescimento foi de cerca de 20% e em aeronaves, de 33%. A categoria outros transportes, que inclui vagões ferroviários, registrou crescimento de 100% nos desembolsos de janeiro a maio de 2011, na comparação com os mesmos cinco meses de 2010.
Cláudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES, disse que o crescimento na demanda por caminhões registrada no primeiro semestre pode se relacionar com a entrada em vigor, em 2012, da norma Euro 5 (sobre emissões de poluentes), que deve aumentar os preços dos caminhões entre 5% e 10%, estimou. Haveria, portanto, uma antecipação de investimentos nesse setor.
Em cinco meses de 2011, só houve crescimento nos desembolsos para compra de caminhões entre as microempresas. De janeiro a maio, o desembolso para as micros comprarem caminhões somou R$ 3,64 bilhões, com alta de 24% sobre igual período do ano passado. Nos demais segmentos, houve queda no mesmo período para pessoa física (1%), média empresa (2%) e grandes empresas (1%), e estabilidade nos repasses para pequenas empresas.
O desempenho no financiamento para caminhões foi diferenciado dentro da Finame. Enquanto na Finame tradicional, o desembolso para pessoas físicas e microempresas comprarem caminhões subiu 76% de janeiro a maio, as aprovações dentro do Pró-Caminhoneiro, programa com taxas de juros fixas para caminhoneiros autônomos, caiu 79%. O programa registrou forte desaceleração como resultado do aumento da taxa de juros, que subiu de 4,5% para 7%.
Moraes disse que houve antecipação na compra de caminhões, antes do aumento da taxa de juros do programa, que passou também a exigir a contratação de um seguro via Fundo Garantidor do Investimento (FGI), o que aumentou os custos finais do empréstimo. Moraes acrescentou que também cresceram as operações na Finame, com juros de 10% ao ano, para compra de ônibus. O aumento se relaciona com a renovação das frotas de ônibus nas grandes cidades brasileiras.


BNDES faz captação com menor custo

Autor(es): Alexandre Rodrigues
O Estado de S. Paulo - 18/07/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/18/bndes-faz-captacao-com-menor-custo

Juro nominal pela emissão de 200 milhões de francos suíços em títulos de cinco anos é o mais baixo pago pelo banco desde 1998

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anuncia hoje a conclusão de uma captação de 200 milhões de francos suíços, cerca de R$ 380 milhões, com o lançamento de bônus de cinco anos no mercado internacional. Na sua primeira emissão de títulos no exterior este ano, o banco obteve na Suíça o menor custo entre as operações internacionais que realizou desde 1998.
A captação é a primeira realizada pelo BNDES em moeda suíça em 14 anos e serve para formar referência para outras emissões brasileiras em um novo mercado, em meio à turbulência que afeta a zona do euro e desvaloriza o dólar americano. Na Europa e EUA, o mercado de emissão de bônus está complicado no momento, por causa dos problemas da Grécia e de outros países europeus. As empresas estão tendo de adiar ou cancelar emissões em razão do aumento da aversão ao risco dos investidores. A emissão do banco foi iniciada em meados de junho, quando o cenário era um pouco mais calmo.
Com um tíquete baixo de cerca de 5 mil francos, indicando uma emissão bastante pulverizada, o cupom ficou em 2,75%. Em entrevista ao Estado, o superintendente da Área Internacional do BNDES, Sérgio Foldes, estimou que esse custo financeiro seria equivalente a cerca de 3,9% numa emissão de bônus em dólar, o que faz dessa captação internacional mais vantajosa do que as operações similares recentes. Em 2009, o banco emitiu US$ 1 bilhão em bônus com cupom (juros nominal) de 6,5% para papéis de dez anos. No ano passado, operação idêntica obteve cupom de 5,5%. Já a emissão de 750 milhões em títulos de sete anos no mercado europeu, também em 2010, obteve 4,125%.
"Vínhamos estudando acessar o mercado de francos suíços, que é importante por ser um selo de qualidade para os emissores. São investidores muito conservadores, muito exigentes em relação a rating", diz Foldes, ressaltando que 24% dos papéis ficaram com as seguradoras, consideradas investidoras mais cautelosas e mais interessadas em títulos de longo prazo.
Essa característica dá ainda mais visibilidade ao banco e ao Brasil no mercado internacional de títulos no momento em que a crise na Europa e nos Estados Unidos leva investidores a buscarem menor risco entre emergentes. "A ótica do investidor suíço é de preservação de capital, não é de correr muito risco. Eles têm hoje taxas muito competitivas, com todos querendo evitar uma exposição a riscos que trazem volatilidade. Hoje o mundo desenvolvido tem mais riscos percebidos, em alguns casos, do que os emissores emergentes. E os suíços tinham pouca exposição ao Brasil. Tanto o governo quanto as outras estatais brasileiras não emitem há muito tempo nesse mercado."
Para o executivo do BNDES, o resultado da operação abre caminho também para emissões de empresas privadas em busca de financiamento na Suíça. "Faltava uma referência e cumprimos também o papel de reabrir esse mercado com condições melhores que o equivalente alternativo em dólares ou em euros", afirma. "É um mercado com características diferentes, em que é demorado entrar, mas depois há muita facilidade para acessar em emissões consecutivas."
A operação começou a ser costurada em meados de junho, quando técnicos do BNDES fizeram apresentações para investidores em Zurique e Genebra. Foldes explica que o interesse pelo Brasil e pelos fundamentos do banco foram tão positivos que eles sentiram chances para uma boa precificação, mesmo em meio à volatilidade que tem marcado os mercados europeus nas últimas semanas.
"O dólar ainda é a principal moeda de referência. Existem méritos na diversificação da base de investidores, que é o que procuramos, mas não queremos pagar por isso. Tanto na emissão em euro em 2010, quanto nessa em francos, acessamos janela de mercado onde tínhamos oportunidade de captar mais barato que o equivalente em dólar.".
O superintendente não descarta uma nova emissão internacional do BNDES este ano se uma nova janela for identificada, mas admite que a captação por meio de títulos no exterior deve ser menor este ano do que em 2010 e não é uma prioridade para o banco. Esses recursos são incorporados ao orçamento da instituição de fomento para financiamentos, mas com o freio esperado neste ano para o crescimento dos desembolsos e a irrigação do caixa com um novo empréstimo do Tesouro de até R$ 55 bilhões, representam pouco.
As captações internacionais do BNDES têm contribuído apenas com cerca de 4% do orçamento do banco, que em 2010 liberou R$ 168,4 bilhões em crédito. Além disso, diz Foldes, a prioridade do BNDES este ano na área internacional são as captações com instituições multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).



Tem tudo para ser comemorado balanço feito junto ao BNDES sobre o acesso das pequenas e médias empresas (PMEs) às linhas de crédito a elas destinadas. Pelo levantamento, 25% - R$ 8,5 bi dos R$ 33,9 bi - dos recursos liberados pelo banco no 1º quadrimestre deste ano foram destinados às PMEs.


É uma elevação expressiva em relação aos 18% registrados de janeiro a abril de 2010 e aos 8% de igual período de 2008, por exemplo. Analistas do BNDES detectam que o crescimento ocorreu principalmente a partir da criação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) no âmbito da Finame - linha de crédito com juros fixos e mais baratos - e com a introdução do Cartão BNDES.

A elevação decorre, também, do crescimento contínuo da economia e do fato de as PMEs operarem nos setores mais protegidos da concorrência das importações, e nos de serviços, que têm sua expansão puxada pela forte demanda da classe C.

Recursos às PMEs desmentem criticas ao BNDES



Levantamento anterior do banco feito ao final de abril pp. também indicou que o volume de crédito destinado às PMEs mais que dobrou de 2009 para 2010: saltou de R$ 11,6 bi para R$ 23,7 bi.

A sigla do banco – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – ganha ainda maior densidade quando a instituição fortalece as PMEs, base da maior geração de postos de trabalho, do crescimento do país e da distribuição de renda.


O apoio às PMEs e ao empreendedorismo é um ponto chave da política de desenvolvimento de qualquer país, o Brasil incluído. Este balanço de agora indica, ainda, que a participação das grandes empresas nos recursos liberados pelo BNDES encolheu para 55% do volume desembolsado, quando foi de 71% no mesmo período do ano passado.


Com esta elevação e volume de recursos destinado às PMEs, o BNDES dá uma bela resposta aos que o criticam afirmando que ele prioriza a concessão de financiamentos só a grandes conglomerados empresariais.

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