sábado, 3 de setembro de 2011

PIB brasileiro cresce 0,8% no segundo trimestre deste ano, diz IBGE

http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2011/09/pib-brasileiro-cresce-0-8-no-segundo-trimestre-deste-ano-diz-ibge-3471971.html
02/09/2011 | 10h00


Produto Interno Bruto alcançou R$ 1,02 trilhão durante o período. Na comparação com o trimestre anterior, houve crescimento de 0,8%


Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas no país, alcançou R$ 1,02 trilhão no segundo trimestre. Na comparação com o trimestre anterior, houve crescimento de 0,8%. A informação foi divulgada nesta sexta, dia 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Em relação ao segundo trimestre de 2010, a economia cresceu 3,1%. O PIB do primeiro semestre teve expansão de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, o aumento chega a 4,7%.


O maior destaque no segundo trimestre, de acordo com o IBGE, foi o setor de serviços, que registrou aumento de 0,8% no volume do valor adicionado na comparação com o trimestre anterior. Em seguida, aparece a indústria, com expansão de 0,2%. Já a agropecuária teve queda de 0,1%.


No que se refere à demanda, o destaque ficou com a formação bruta de capital fixo (investimentos), que cresceu 1,7% no segundo trimestre, seguida pelo consumo do governo (1,2%) e pelo consumo das famílias (1%).


Em relação ao segundo trimestre de 2010, os serviços também foram o setor econômico com maior expansão (3,4%).

http://pecuaria.ruralbr.com.br/noticia/2011/09/pib-da-agropecuaria-cai-0-1-no-segundo-trimestre-segundo-ibge-3472087.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29
02/09/2011 | 12h38

PIB da agropecuária cai 0,1% no segundo trimestre, segundo IBGE

Em 12 meses até junho, a variação do Produto Interno Bruto no setor acumula alta de 2,6%

O Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário caiu 0,1% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2010, o PIB da agropecuária teve estabilidade (0,0%) no segundo trimestre de 2011. No primeiro semestre de 2011, o PIB da agropecuária cresceu 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2010. Em 12 meses até junho, a variação do PIB no setor acumula alta de 2,6%. Os dados foram divulgados nesta sexta, dia 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos resultados das Contas Nacionais Trimestrais.
02/09/2011 | 20h28
IBGE informou que o PIB brasileiro registrou aumento de 0,8% no segundo trimestre deste ano ante o trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o segundo trimestre de 2010, o PIB apresentou alta de 3,1% no trimestre passado.

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Estagnação da agropecuária pesa na desaceleração do PIB

Segundo o IBGE, PIB da agropecuária ficou estagnado com crescimento zero no segundo trimestre deste ano contra igual trimestre de 2010

  • José Maria Tomazela
O produtor Nelson Schreiner, de 70 anos, não economizou adubo e tecnologia para formar quase mil hectares de milho na Estância São Carlos, em Itapeva, sudoeste paulista.
Com o frio intenso, a geada atingiu a plantação em pleno desenvolvimento. Para piorar, vieram as chuvas na hora da colheita e ele contabilizou uma quebra de 25% na produção.
– Uma pena, pois o preço está muito bom – disse. Não foi só com o milho: o trigo, plantado no inverno, também foi afetado pelas geadas e ele estima perda de 20%.
Segundo o IBGE, o PIB da agropecuária ficou estagnado com crescimento zero no segundo trimestre deste ano contra igual trimestre em 2010. Foi o pior resultado desde o último trimestre de 2009.
Os produtores apontam as condições climáticas adversas como responsáveis pela desaceleração no desempenho da agropecuária no segundo trimestre deste ano.
– Os preços agrícolas estão excelentes, com a soja batendo na casa de R$ 55 a saca e o milho a R$ 30, mas a produção não saiu como se esperava. O que faltou foi a ajuda de São Pedro – diz o gerente geral da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito (CACB), Luiz Carlos Mariotto.
Nas principais regiões produtoras de São Paulo, Paraná e Mato Grosso, o milho safrinha foi afetado tanto pela estiagem logo após o plantio, como pelas baixas temperaturas e geadas na fase de desenvolvimento das lavouras.
As chuvas vieram na hora da colheita, afetando a qualidade do grão. De acordo com Mariotto, as perdas oscilaram entre 30% e 40%. Para o trigo, os efeitos foram ainda piores: além da quebra de até 50% na produção, a qualidade do grão foi afetada pelas chuvas.
O setor pecuário também sofreu perda de renda por falta de escala de produção, segundo o pecuarista José Fernandez Lopez Neto, de Itapeva. Apesar de os preços da carne bovina terem se mantido em patamares históricos elevados, a produção não vem crescendo na proporção do consumo. Muitos criadores saíram da atividade, diz ele.
O presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, Alfredo Ferreira Neves Filho, atribui parte do fraco desempenho da agricultura à queda de exportação da carne bovina, agravada pelo embargo da Rússia, em maio, mas cujos reflexos ainda estão sendo assimilados pelo setor. Ferreira Filho disse que problemas internos - como a saúde das empresas frigoríficas, alto custo de produção e política tributária ineficiente - e externos, como embargos de países compradores e câmbio baixo, impedem o crescimento da atividade e inibem novos investimentos dos pecuaristas.
Ferreira Neves lembrou que, no primeiro semestre, as exportações da carne bovina brasileira caíram 16% em volume em relação ao mesmo período de 2010 só se mantendo positiva por causa do preço do produto brasileiro, que foi valorizado.

Agronegócio decepciona

Autor(es): Vera Batista
Correio Braziliense - 03/09/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/9/3/agronegocio-decepciona
 

A economia desacelerou em quase todos os setores analisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), inclusive no agronegócio, um tradicional motor da expansão brasileira. Houve retração de 0,1% no segundo trimestre, um contraste frente aos 3,1% de crescimento dos três meses anteriores. Os resultados ruins se devem, principalmente, à pecuária. "O embargo da Rússia à carne brasileira afetou. Mas há também uma maior preocupação com o desmatamento e com a exploração florestal no país, fatores prejudiciais à atividade, que precisa de pastos", explicou Rebeca Palis, economista do IBGE.
O resultado surpreendeu os analistas do mercado. Eles acreditam que a tendência é de recuperação da agropecuária. Ignez Lopes, do Centro de Estudos Agrícolas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembrou que a carne bovina, exportada para mais de 100 países, sofreu um recuo de preços nos últimos anos em razão do abate de matrizes. "Agora, estamos na transição de alta para recompor as margens, mas nada que prejudique o desenvolvimento do setor. O número de cabeças é suficiente para atender à demanda da população", analisou. A situação tende a permanecer no segundo semestre, já que a pecuária historicamente sofre queda de preços no período, por conta do abate de bois e de suínos.
Na agricultura, talvez se observe resultado diferente do apresentado pelo IBGE, segundo a analista da FGV, porque a concentração das safras, principalmente de grãos, ocorre no primeiro e no segundo trimestres. Ex-ministro da Agricultura e atual presidente do Comitê Estratégico do JBS, Pratini de Moraes se surpreendeu com a retração no setor. "O PIB caindo? Não deveria. Ele tem oscilado muito nos últimos anos, mas sempre para cima", lembrou. Pratini destacou que os preços estão cada vez melhores e o crescimento sustentado do agronegócio independe da crise internacional. "Nosso grande trunfo é a economia interna", disse.

Consumo segura PIB e comércio abre 131 mil empregos

Indústria patina e PIB avança só 0,8%
Autor(es): » VICTOR MARTINS
Correio Braziliense - 03/09/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/9/3/consumo-segura-pib-e-comercio-abre-131-mil-empregos
 

O Brasil está crescendo em ritmo mais lento. A soma das riquezas do país foi de 0,8% no segundo trimestre de 2011, índice menor que o do início do ano (1,2%). A desaceleração só não foi maior porque o governo e as famílias gastaram muito. E pensando numa corrida às compras neste Natal, os lojistas prometem bater recorde na contratação de temporários.

Juros altos, arrocho no crédito e enxurrada de importados fazem economia desacelerar entre abril e junho. Mas governo comemora NotíciaGráfico

Rio de Janeiro — A economia brasileira começou a pisar no freio. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo país, registrou crescimento de 0,8% no segundo trimestre do ano em relação aos primeiros três meses, quando a expansão havia sido de 1,2%. Anualizada, a expansão está em apenas 3,2%, muito distante dos 4,5% pretendidos pela presidente Dilma Rousseff. O tranco foi registrado, principalmente, na indústria, afetada pelos juros altos, pelo arrocho no crédito e pelo dólar barato, que estimulou uma enxurrada de importações (alta de 6,1%). Na comparação com o desempenho de abril a junho de 2010, o PIB, de R$ 1,02 trilhão, saltou 3,1%, resultado que deixou o Brasil na 22ª posição em um conjunto de 47 países analisados pela Austin Rating. Entre os Brics, grupo que reúne China (+9,5%), Índia (+7,7%), Rússia (+3,4%) e África do Sul (+3%), o país superou apenas a nação africana.
O saldo final do PIB só não foi menor porque as famílias, independentemente do elevado custo do dinheiro — a taxa básica de juros (Selic) pulou de 10,75% em janeiro para 12,25% em junho —, foram às compras e o governo ampliou demasiadamente os gastos com a máquina pública. Também o setor de serviços, com incremento de 0,8%, se destacou. Frente aos primeiros três meses do ano, o consumo dos lares cresceu 1%. Já as despesas do governo subiram 1,2%. Para Zeina Latif, economista sênior do Royal Bank of Scotland, a forte presença do Estado na economia foi desanimadora, pois forçou a alta da inflação e minou parcela importante do aperto monetário imposto pelo Banco Central.
Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vários indicadores, como os da indústria (+0,2%), da agropecuária (-0,1%) e dos investimentos (+1,7%), apresentaram os piores resultados para um segundo trimestre desde 2009, período em que o Brasil começou a se recuperar da recessão decorrente da crise detonada pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos.
Ciente da desaceleração da economia e temerosa com a possibilidade de um novo tombo do país, diante das turbulências que assolam os EUA e a Europa, a presidente Dilma garantiu: "Nós enfrentaremos a atual crise consumindo, investindo, ampliando e criando empregos, diminuindo impostos, plantando e colhendo os frutos da agropecuária brasileira", afirmou.
No acumulado do ano, o PIB cresceu 4,7%, número que continuará encolhendo até dezembro próximo. "Não há motivo para preocupação. A acomodação da economia brasileira está se dando em um ritmo moderado. Quase todos os setores já se recuperam da última crise", destacou Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Famílias consomem R$ 612,5 bilhões

Autor(es): Vera Batista
Correio Braziliense - 03/09/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/9/3/familias-consomem-r-612-5-bilhoes
 

Impulsionados pelo aumento do emprego e da renda, gastos dos lares se aceleram e sobem 1% de abril a junho. Para analistas, a tendência é que eles continuem sustentando a expansão da economia.
O consumo das famílias continuou pujante, a despeito das medidas tomadas pelo governo para frear o ímpeto de compra dos brasileiros. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas criadas do país) registrou desaceleração, passando de uma alta 1,2% no primeiro trimestre para uma expansão de 0,8% no segundo, a demanda das famílias seguiu trajetória oposta e avançou 1,0%, ante os 0,6% do período anterior. Apenas de abril a junho, elas gastaram R$ 612,5 bilhões.
De acordo com Rebeca Palis, economista do IBGE, "o consumo das famílias puxou fortemente o PIB. Esse desempenho foi baseado no aumento da massa salarial, da ocupação, do rendimento médio dos trabalhadores e do crédito direcionado para pessoas físicas". Parte dessa demanda foi suprida pela importação de bens duráveis, acrescentou.
Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o consumo das famílias continuará sendo uma das âncoras do crescimento do país, no mínimo até 2012, ou "até onde o mercado de trabalho e o crédito permitirem". As chances estão a favor dos trabalhadores. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 93% das negociações salariais do primeiro semestre resultaram em aumentos superiores à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que teve variação de 3,70% no período. No ano passado, houve aumento real em 86% dos casos.
Os bons reajustes devem se manter, no segundo semestre, nas negociações de categorias com grande poder de mobilização, como petroleiros, bancários e metalúrgicos. Neste ano, os metalúrgicos da Renault conseguiram o maior acordo já fechado no Brasil, com pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 61,5 mil e 20,19% de aumento real nos salários até 2013. O acordo vai injetar R$ 343 milhões na economia nos próximos dois anos, segundo o Dieese.
Com dinheiro no bolso, o cidadão vai continuar comprando. "Nem a crise externa bateu no crédito. Os setores de serviços e de comércio continuam favoráveis ao emprego", assinalou Freitas. Para ele, isso não deve preocupar o governo. "O que deve ser observado é até onde a crise afetará a atividade econômica", disse. Ruy Coutinho, presidente da LatinLink, acrescentou que o consumo é uma coisa boa, sinal de que o país cresce. "Mas tem uma sintonia fina. Se exacerbado, aumenta a inflação", lembrou.
Segundo Coutinho, o perigo é que, com a surpreendente queda da taxa básica de juros, a Selic, "o governo aumentou a octanagem do combustível da inflação", principalmente depois de ter se comprometido com um aumento de 13,6% no salário mínimo, para 2012, com impacto de R$ 21,5 bilhões nas contas públicas. Ele crê que, nos próximos seis meses, o consumo vai subir em ritmo menor. "O x da questão é que ninguém sabe o que passou pela cabeça dos técnicos do Banco Central. Aparentemente, houve precipitação. O temor é que, de forma experimental, o BC reverta mais uma vez o que está fazendo." Para Miguel Ribeiro Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), isoladamente, a queda dos juros básicos de 12,50% para 12% ao ano terá pequeno efeito nas operações de crédito. A preocupação é que a inflação pode subir e corroer o salário do trabalhador.

Investimento perde força no 2º trimestre

Autor(es): » VICTOR MARTINS e ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 03/09/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/9/3/investimento-perde-forca-no-2o-trimestre
 

Desaceleração da economia é reflexo da queda no ritmo do setor produtivo, que só não foi pior devido à compra de máquinas no exteriorNotíciaGráfico

Embora tenham crescido 1,7% em relação aos primeiros três meses do ano, os investimentos na economia brasileira exibiram uma forte desaceleração em relação ao primeiro trimestre de 2010. Os números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, na comparação entre trimestres, a Formação Bruta de Capital Fixo — que mede o nível de injeção de recursos no setor produtivo — cresceu 5,9% em 2011, contra 28,1% no ano anterior. Pior: tal desempenho só foi possível em razão da importação de máquinas e equipamentos, que superou toda a produção nacional e o setor da construção civil, disse Rebeca Palis, economista do instituto.
A relação entre taxa de investimento e de poupança (patrimônio do país disponível para injeção na economia) ficou invertida, quando comparada ao primeiro trimestre do ano. Nos primeiros três meses, os recursos representavam 17,8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país). Agora, em 18,1%, eles são maiores do que o volume de investimentos, que recuou de 18,2% para 17,8%. O pico desse indicador no país foi em 2008, quando chegou a 20,7% (veja gráfico).
"O mais estranho é que a taxa de investimento caiu justamente no período em que aumentaram os aportes do Tesouro para bancos públicos a pretexto de acelerar o fomento. Será que as empresas tomaram o crédito estatal, mas diminuíram os aportes próprios? É preciso debater mais esse circuito, que envolve endividamento público para dar crédito ao setor privado", sugeriu o economista e consultor José Roberto Afonso. Ele destacou que o apenas o crédito para consumo aumentou. "Isso resulta em crescimento sem sustentação a longo prazo", completou.
O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso Dias Cardoso, também alertou para essa redução do investimento no segundo trimestre do ano. A queda da taxa, para Cardoso, é resultado de vários fatores, como alta taxa de juros, aumento de importações devido ao dólar barato, e elevada carga tributária. Para a Abimaq, o governo precisa reduzir a taxa de câmbio, além de prosseguir na redução dos juros. "Vemos com bons olhos a decisão do Banco Central em reduzir a Selic (taxa básica de juros), mas acreditamos que ainda não é suficiente", disse.

PIB movido a juros

Brasil S.A - Antônio Machado
Correio Braziliense - 03/09/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/9/3/pib-movido-a-juros
 
Crescimento recua no 2º trimestre para 3,1%, com viés de baixa, e justifica a virada da Selic
A reação de economistas ligados ao mercado financeiro em relação à queda da taxa Selic de 12,50% para 12% soa extravagante, já que é pouco mais que os 12,25% previstos por eles, estando muito longe de indicar que "o sistema de metas de inflação está em xeque". É o que mais se tem ouvido. E muitos repetem sem juízo crítico algum.
A primeira consideração é que, não obstante a inflação monitorada pelo Banco Central ao fixar a intensidade da taxa de juros básica esteja subindo em base anual, chegando a 7,1% no metro do IPCA-15 nos doze meses encerrados em agosto, em termos mensais a expansão está mais regrada, repercutindo a dieta monetária e fiscal depois de dezembro. Tais medidas só agora começam a produzir efeito.
A inflação gorda traz no bucho todo o laxismo fiscal e de crédito do governo Lula, apimentado pelo choque de preços agrícolas. É tal como enchente na cabeceira que provoca inundação rio abaixo. A com silhueta de dieta, vista em sua medida mensal, é a do governo Dilma Rousseff. Se mantiver o ritmo de crescimento atual, entre 0,37% e 0,54% ao mês, o IPCA anual chegará a dezembro com aumento de 6,4%, segundo a consultoria LCA, depois de alcançar o pico de 7,2%.
O que é relevante acompanhar é a trajetória para frente, excluído o período de demanda aquecida no fim do governo Lula. O viés é de baixa, ainda que lento, devido ao desaquecimento da economia, como se constata pelo desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no 2º trimestre, divulgado pelo IBGE. A economia está perdendo tração.
Do 1º para o 2º trimestre, o PIB avançou 0,8%, desacelerando em relação à expansão de 1,2% entre o 4º trimestre de 2010 e o 1º de 2011. Em termos anualizados, isso significa que a economia está crescendo a 3,2%, caso tal resultado se repita nos três trimestres seguintes. É semelhante ao aumento de 3,1% verificado pelo IBGE no 2º trimestre em relação a igual período do ano passado.
Foi um bom desempenho, confrontado aos resultados miseráveis do PIB nos EUA e nos países da Zona do Euro, mas pífio, comparado a China e Índia, emergentes que emplacaram taxas de crescimento em base anual de 9,5% e 7,7%, respectivamente, no 2º trimestre. Mas neles a poupança é elevada — como contrapartida à baixa cobertura pública da saúde e aposentadoria —, os salários são magérrimos, a carga tributária equivale a dois terços da nossa e o investimento, que chega a 50% do PIB na China, é o motor do crescimento.
Do que nos livramos
Taxa asiática de crescimento jamais teremos, e por termos chegado quase lá em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, é que a inflação saiu da jaula. Está ainda longe da meta de variação anual de 4,5%. Só que se o governo mandasse o BC buscá-la este ano, como defendem os puristas com causa — a causa da ciranda com papéis do Tesouro —, o provável é que estivéssemos na companhia da Grécia, em recessão.
Ainda há o risco de que a retração do impulso do PIB possa estar sendo maior que a necessária para habilitar a convergência à meta da inflação. Já no 2º trimestre, excluindo a formação de estoques pela indústria — que é riqueza produzida, mas não realizada —, o crescimento intertrimestres do PIB foi de 2,4% anualizado, vindo pelo mesmo critério de 5,7% no trimestre anterior. Um tombo forte.
Pacto por juro baixo
O ciclo de alta da Selic para adequar o nível da demanda ao metro da inflação na meta, alcançada entre fim de 2012 e começo de 2013, foi encerrado depois de entendimento selado entre o chefe do BC, Alexandre Tombini, com a presidente e o ministro Guido Mantega.
A avaliação é que, se mantido o superávit primário (a economia do gasto público antes do pagamento de juros) em torno de 3% do PIB em dinheiro efetivo, sem as alquimias contábeis feitas em 2009 e 2010, a inflação voltará gradativamente à meta de 4,5% anual, com a Selic também recuando para alguma coisa abaixo de dois dígitos.
Riscos no horizonte
Tal premissa, que formalmente não foi inserida na proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2012 enviada ao Congresso, considera o agravamento da crise global, o que implicaria a desinflação dos preços das commodities e, portanto, da própria inflação no Brasil.
É incerto se EUA e Europa, epicentro da crise global, entrarão em outra recessão, mal saíram da iniciada no fim de 2007. Certo mesmo é que terão crescimento baixo por anos a fio, esfriando a economia até da China, o aspirador de commodities em geral. Nesse ambiente, o risco não é a inflação, mas deflação, e com estagnação ou coisa pior, se o governo desse trela aos temores da banca e continuasse inflando a Selic, que aprecia o real, que detona a indústria etc.
Melhor pôr no papel
Agora é esperar. O governo deveria explicitar o que vem afirmando o ministro da Fazenda: que o superavit primário em 2012 repetirá o de 2011, a ser realizado sem descontar investimentos do PAC, e vai chegar a R$ 139,1 bilhões, ou 3,1% do PIB projetado. Compromissos assim ficam melhores no papel votado pelo Congresso, por mais que o governo possa inspirar confiança. Os antecedentes não ajudam.
Os sinais do acerto da virada do BC vão estar, ou não, nas taxas mensais de inflação e na conta do PIB deste trimestre e do último do ano. Há divergências. Tem quem espere retração no 3º trimestre a quem preveja PIB com expansão próxima a 1%. O BC vai suar para reagrupar as expectativas, e agora com a hostilidade da ciranda.

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