| ESCRITO POR VALÉRIA NADER, DA REDAÇÃO- COLABOROU GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO |
| QUI, 11 DE AGOSTO DE 2011 |
Enquanto o capitalismo global dá mostras inequívocas de ter adentrado no segundo e esperado momento de crise e exaustão, após o estouro detonado pelas hipotecas ‘subprime’ nos Estados Unidos em 2008, o capitalismo à brasileira caminha a passos largos. Uma das áreas na qual vem há anos atuando de modo contundente, afinado com seguidos governos, e contando com a sua cumplicidade, é no setor elétrico. Oswaldo Sevá Filho, engenheiro mecânico, doutor em Geografia e docente da Universidade Estadual de Campinas, entrevistado do Correio da Cidadania, é um conhecido e contumaz crítico das grandes obras hidrelétricas que estão sendo tocadas Brasil afora, a exemplo de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu. Trata-se de empreendimentos originários de uma visão que nem poderia ser gravada como desenvolvimentista, mesmo que a qualquer custo, visto não estar em curso no país nada que possa ser cunhado como um ‘projeto de desenvolvimento’. Bem longe disto, está em andamento no Brasil um plano para acelerar o crescimento em meio à crise estrutural do capitalismo. Para entender o que acontece no setor elétrico em meio a tal lógica, Sevá traz à luz os poderosos grupos de interesse e lobbies atuantes no setor. “É importante entender que os Sarney são bem mais do que coronéis do Maranhão e donos de uma facção do PMDB, são lobistas e intermediários da “dam industry” desde a época da implantação dos projetos Carajás e Tucuruí no Pará. São verdadeiros articuladores dos negócios de empresas como a Camargo Correa, Alcoa, a Vale, assim como a própria presidente, desde o tempo de ministra de Minas e Energia, é uma interlocutora privilegiada do grupo Suez–Tractebel”. Distante das discussões partidárias, que pouco significam para o engenheiro no atual momento histórico, Sevá enxerga as ferrenhas disputas políticas, às quais temos assistido pela mídia, como meros dissimuladores, cujo objetivo é esconder a guerra econômica, a luta ideológica e a luta de classes, que continuam os motores da história. As conseqüências desse processo ainda estão, hoje, bem mais à vista da população do que a sua capacidade para interpretá-las e agir sobre elas. São diárias as notícias que dão conta da grande dimensão que assume a devastação de terras, na Amazônia em especial; do desrespeito e indiferença frente às condicionantes ambientais; do elevado uso de agrotóxicos, em detrimento da saúde e da qualidade de vida; dos povos e comunidades tradicionais deslocados por grandes e polêmicas obras. Fenômenos que se interagem em proveito do predomínio crescente do agronegócio em terras brasileiras, forçando a reprimarização de nosso comércio exterior, aliada às cifras de queda na produção e exportação de produtos industriais elaborados. A atual crise sistêmica internacional, com a avalanche de Estados em processo falimentar, após salvaguardarem os lucros da grande finança internacional, deverá levar a mais uma penosa rodada de socialização de perdas. A estas perdas se somará o destino da economia interna, movida por grandes empreendimentos e refém de seus interesses. Correio da Cidadania: O Ministério de Minas e Energia formado por Dilma foi avaliado de modo muito negativo pelo professor da USP Célio Bermann, em entrevista ao Correio: “um feudo dos Sarney, e, por conseguinte, um balcão de negócios escusos que só interessam a alguns entes privados”. Quais são as suas expectativas quanto à ex-ministra de Minas e Energia de Lula e atual presidente Dilma? Irá, de algum modo, se diferenciar de Lula? Oswaldo Sevá: Não posso opinar sobre o Ministério formado no atual governo, alguns ministros nem sei o nome nem de onde vieram, mas posso relembrar o que todos sabem: o arranjo de nomes e cargos teve a mão forte do ex-presidente Lula e, claro, do eterno presidente Sarney e seu clã, grandes responsáveis pela continuidade de métodos e homens do tempo dos generais, aparelhando até hoje a máquina federal e a cúpula de muitos grupos empresariais. Na área de Minas e Energia, em especial nas empresas elétricas, é um feudo mesmo, só que não somente dos Sarney: na Eletronorte, tem também o irmão do ex-ministro Palocci; em Furnas, tem o grupo do deputado Eduardo Cunha e uma parte do pessoal que foi do esquema do “publicitário” Marcos Valério; na Eletrobrás, tem um dos “braços direitos” da presidente Dilma, o Valter Cardeal. Os ministros de Minas e Energia e os presidentes da Eletrobrás e de algumas das estatais por ela controladas, desde o primeiro governo Lula, foram indicados pelo clã Sarney. Uma rara exceção foi o professor Pinguelli Rosa, que havia sido o principal responsável desse setor em todos os programas do candidato Lula desde 1989, e em 2003 era para ser o ministro, quando foi passado para trás pela Dilma, recém chegada na equipe. Mesmo assim, o Pinguelli ficou na presidência da Eletrobrás quase um ano e meio; quando caiu, a empresa voltou para as mãos do clã Sarney, assumindo o Silas Rondeau, que depois foi também ministro e teve que se demitir por causa de roubalheiras reveladas na época. Faz parte desse esquema o engenheiro Muniz Lopes, aquele em cuja bochecha a índia Tu Ira esfregou o facão num evento público em Altamira (1989) e que é o verdadeiro “pai” dos projetos de construção de barragens no rio Xingu, o mais famoso se chamou Kararaô, depois, Belo Monte. O Muniz é o “pai”, mas não o autor desses projetos, que foram feitos pela empresa de consultoria CNEC, na década de 1980, quando esse escritório foi o cérebro do crescimento espetacular do grupo financeiro Camargo Correa, cujo patrão, Sebastião Camargo, foi aliado íntimo dos generais-ditadores. É importante entender que os Sarney são bem mais do que coronéis do Maranhão e donos de uma facção do PMDB, são lobbistas e intermediários da “dam industry” desde a época da implantação dos projetos Carajás e Tucuruí no Pará. São verdadeiros articuladores dos negócios de empresas como a Camargo Correa, Alcoa, a Vale, assim como a própria presidente, desde o tempo de ministra de Minas e Energia, é uma interlocutora privilegiada do grupo Suez–Tractebel. São essas as mesmas empresas que agora estão terminando de fazer a usina do Estreito, no rio Tocantins, um processo repleto de problemas e de violências sociais. Estreito é um projeto de usina que foi “empurrado” dentro da burocracia federal - ANEEL, IBAMA, BNDES - por figuras como Edison Lobão, que tem no sul do Maranhão um dos seus principais currais eleitorais há várias décadas. Um evento que pode simbolizar bem esse governo ocorreu no dia 5 de julho, na “inauguração” da última fase da construção da usina Santo Antonio, no rio Madeira, Rondônia. O projeto foi licenciado no governo Lula logo após a fritura da ex-ministra Marina e a eletricidade a ser fornecida foi “leiloada” pela agência dos negócios da energia elétrica (“Aneel”) num espetáculo de cartas marcadas. O consórcio vencedor tinha a promessa de dinheiro estatal via Furnas e Cemig, depois foi engrossado com um Fundo de Investimentos do FGTS, além de uma triangulação financeira do banco português Banif, mas os verdadeiros cabeças foram a Andrade Gutierrez (quem ainda se lembra das benesses da milionária Marília Andrade ao candidato Lula?) e a toda poderosa e antigamente baiana Odebrecht. Que tem o “mérito” de ter ressuscitado um antigo estudo de inventário hidrelétrico da Eletrobrás e, ainda em 1998, na reeleição de FHC, se adiantou e solicitou à ANEEL autorização para realizar um EVTE – Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. Desde aquela época, em que Furnas já era um feudo do camaleão-mor, PMDB, foi a estatal UE que apareceu para os rondonienses como a dona do projeto; desde aquela época, foram os técnicos e dirigentes de Furnas que fizeram o serviço sujo de tratorar a opinião pública de Rondônia, de fustigar os dissidentes e questionadores, de cooptar entidades. Na foto-símbolo, a presidente Dilma está ao lado do console onde os botões acionaram a abertura das comportas das adufas por onde o rio vai “voltar” ao seu leito, para que a construção da obra seja completada. De um lado, o patrão da Odebrecht, do outro, o governador Confúcio, o ministro Lobão, ambos do tal PMDB, e o prefeito Sobrinho, petista e odebrechtista de primeira hora. Para coroar o simbolismo daquele evento, o jornalista Paulo Henrique Amorim colocou no seu blog a manchete ilusionista: Presidenta abre usina que ONGs, urubóloga e Bláblárina combateram. Entre outras bobagens e agressões gratuitas que compõem a tal “matéria”, o jornalista termina com essa pérola de senso comum longamente construída pelos ideólogos do próprio governo e das empresas: As obras de Santo Antônio têm um aspecto educativo; retomar uma vocação – a hidroeletricidade – e agradecer a uma benção: o Brasil tem água. Eis o triste dilema de hoje: tem o “PIG” (Partido da Imprensa Golpista) e “PID” (Partido da Ideologia Dominante), do qual esse mesmo blogueiro é um dos porta-vozes. Na visão de ambos, só eles existem, falam e escrevem nesse país. Correio da Cidadania: O que todo este contexto revela sobre o atual modelo de desenvolvimento para o país? Oswaldo Sevá: Não existe esse modelo. O que existe é um programa para “acelerar o crescimento” em meio à crise estrutural capitalista. Pelo menos o nome de batismo é menos desonesto do que tudo que veio antes, quando insistiam em “desenvolvimento”. Agora é só “crescimento”. O que explica muito mais do que “modelos” e “desenvolvimentos” é a continuidade renovada da velha acumulação primitiva: conquistar terras, recursos naturais, posições geográficas, cercando os espaços, inclusive o mar e os rios, desativando as pequenas economias populares e de grupos tradicionais, fabricando milhões de proletários a cada espasmo de investimentos. Se somamos a isso o saque dos recursos públicos pelos grandes grupos financeiros, mais a roubalheira dos mercados “cativos” das infra-estruturas de uso geral (pedágios, pulsos telefônicos e de banda larga, eletricidade, água, gás canalizado...), chegamos ao que o estadunidense David Harvey chamou de “ acumulação por espoliação”. E mais: é um Estado de joelhos para os credores, uma dívida pública proporcionalmente do mesmo peso que o rombo norte-americano, só que praticando os juros mais altos do mundo, e ainda por cima estendendo o tapete vermelho para os devedores atuais e futuros. Correio da Cidadania: Alguns especialistas e figuras de relevo, como o ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, sabidamente comprometidas com elevados interesses da nação, se colocam a favor da obra, desde que equacionadas as exigências sociais e ambientais. Tal defesa se faz sob a justificativa da necessidade de o país aproveitar mais plenamente seu potencial hidrelétrico, uma fonte de energia limpa e renovável. Como encara este tipo de defesa? Oswaldo Sevá: Essa coisa de “potencial hidrelétrico a explorar”, “fonte de energia limpa e renovável”, é a linguagem atualmente mais querida e repetida pelo chamado mercado. Nos dias 3 e 4 de agosto, aconteceu no Novotel Center Norte de São Paulo a 7ª Conferência de Centrais Hidrelétricas – Mercado e Meio Ambiente. No site de divulgação do evento, lê-se essa jóia de ideologia e senso comum: “um evento formatado para realização de negócios e, ainda, para a reflexão em torno de questões regulatórias, ambientais e de mercado dessa fonte renovável. A Conferência irá defender o papel da hidroeletricidade na expansão da oferta de energia elétrica, dialogando sobre caminhos para que a hidroeletricidade continue ocupando a posição de energia renovável mais competitiva e garantida à disposição da sociedade brasileira”. É essa ideologia do senso comum, “limpa”, “renovável”, que foi costurada nas últimas décadas por pseudo-intelectuais da área de energia, e foi levada a Johannesburgo em 1998 pelo FHC, para transformar a hidreletricidade em celebridade no World Summit of Sustainable Development. Num golpe de mágica retórica e propagandística, as absurdas e tristes mega-usinas se tornaram ecologicamente corretas. Tipo “me engana que eu gosto”! Agora, em relação à pergunta, eu preferia não personalizar muito, mas o Correio resolveu me confrontar com um autêntico dinossauro da esquerda, visto que há mais de vinte anos sou contra o projeto Belo Monte. Vamos lá: conheci as idéias estruturalistas, jamais marxistas, nem perto disso, do professor Lessa como escritor de livros didáticos de economia junto com o Antonio Barros de Castro. Os dois, aliás, já foram presidentes do BNDES. Confesso que aprendi muito com eles há quarenta anos. Depois, no final dos anos 1990, vi o Lessa como um professor dissidente, sendo perseguido pelo falecido Paulo Renato, ministro da Educação, e mesmo assim conseguiu ser o Reitor da UFRJ, a mais importante das universidades federais. Pouco exerceu esse cargo, onde tinha grande respaldo de docentes e estudantes, e prometia reformar e arejar a velha universidade, para aceitar a presidência do BNDES no início do governo Lula em 2003. Uma de suas primeiras afirmativas públicas retumbantes foi anunciar que o Banco apoiaria os projetos de usinas elétricas no rio Madeira, antes mesmo de os projetos detalhados serem submetidos ao Banco e analisados exaustivamente pelos seus economistas e auditores, como fazem com qualquer fábrica de sapatos ou de goiabada. Em 2010, reapareceu em grande estilo, publicado no jornal de negócios “Valor”, um artigo intitulado “Belo Monte e o diabo”, cujo conteúdo, coerente com o título, demoniza os que criticam o projeto... Perde a linha, exacerba nos adjetivos e no preconceito, instiga leitores como um pastor evangélico pregando contra os “possuídos”. Pior, uns dias depois (em junho de 2010), outro esquerdista famoso, Emir Sader, repercute a investida do Lessa no seu blog do “Carta Maior”, dizendo que o Lessa “compra uma briga indispensável”. Usa o título “Ambientalistas, o padrão neolítico e a paz de cemitérios”. Fiz algo que raramente faço: postei um comentário no blog e o Emir só o publicou quando reclamei três dias depois que havia sido censurado. Aproveito a paciência dos editores do Correio da Cidadania para reproduzir aqui o comentário que postei no blog: Estimado Emir: Não o conheço pessoalmente, mas posso assegurar minha admiração e minha condição de seu leitor, bem como de seu irmão Eder. Vamos ao artigo do Dr. Lessa: o país não enfrenta nenhum problema energético grave no momento. Muito menos na parte “eletricidade” de todo o panorama da energia. As represas estão cheias há vários anos, mesmo no final da estação mais seca, tanto que as termelétricas praticamente estão gerando muito pouca energia ao longo do ano. Há folga operacional nas usinas funcionando, há máquinas de reserva que podem ser acionadas, há novas usinas de pequeno e médio porte entrando em funcionamento, o sistema de transmissão permite uma boa gestão do conjunto, embora possa ainda ser bastante aperfeiçoado. Em termos de política energética, somos dependentes de importação de carvão mineral para a siderurgia e de óleo diesel, que nossas refinarias não fabricam o suficiente. Claro que o modelo de transporte rodoviário absoluto nos leva a um consumo absurdo de óleo diesel, mas isso não tem nada a ver com projetos de mega-hidrelétricas. O projeto Belo Monte é, sim, estratégico para a indústria mundial da mineração e da metalurgia, que necessita de bases exportadoras de produtos de aço, de alumínio, de cobre, de níquel, nas quais o custo da eletricidade seja baixo - muitas vezes à custa de contratos lesivos como os que o Brasil sustenta com a eletricidade de Tucuruí - e com a vantagem de que os terminais exportadores estão a distâncias marítimas razoáveis dos grandes portos da Europa, EUA e Oriente. É o caso, infelizmente, do Pará. Dizer que é estratégico para o desenvolvimento do país é uma manobra propagandística dos grupos que empurram esse projeto há mais de vinte anos. Não é verdade! Pelo contrário, se gastarmos com Belo Monte os trinta bilhões de reais, ou mais que custaria a usina, estaríamos deixando de aplicar tais somas em várias outras atividades muito mais benéficas para o povo brasileiro, inclusive no campo da eletricidade. Quanto ao fundamentalismo barrageiro que infelizmente exala do artigo do Dr. Carlos Lessa, recomendo a ele que estude muito melhor e longamente a documentação técnica e o que já escreveram os críticos do projeto Belo Monte, quem sabe ele se dê conta de que é um péssimo projeto de engenharia, cujas máquinas ficariam paradas alguns meses, por anos, por falta de vazão d' água para turbinar e com riscos geotécnicos nunca dantes assumidos em outras obras no país. Aliás, quando ele foi presidente do BNDES, deveria ter ordenado isso aos seus funcionários: que avaliassem rigorosamente o projeto, antes de sair dizendo que o banco aprovaria o financiamento. Quanto a essa mania fácil, de estigmatizar quem critica o projeto - “são sempre os ambientalistas, atrasados, contra o progresso etc.” -, é sinal de desinformação básica e preguiça mental. Muitos além de mim combatem o projeto, porque ele foi inventado na época da ditadura e vem sendo empurrado desde então pelos lobbistas ligados ao ex-presidente da República, hoje presidente do Senado e que tem a fama de enriquecer a cada kilowatt instalado nesse país. Dr. Lessa, se ainda não sabe, projetos podem ser combatidos também por razões de ordem ética: quando os seus criadores ou empurradores são antidemocráticos ou corruptos, por exemplo. Agora, como foi que o governo Lula ressuscitou o fantasma Belo Monte? Como foi que o governo Lula decidiu enganar todo mundo inventando uma "resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética)" que vai fazer "somente Belo Monte no rio Xingu"? Isso é outra história que nem o Dr. Lessa nem o estimado blogueiro Emir se interessaram em elucidar. Valeria a pena!”. Agora, quero enriquecer essa resposta, talvez inesperada para muitos, com alguns outros registros da mesma histeria barrageira atual: O rancor e o desvio propositado das razões efetivas do projeto se encontram no mesmo discurso do Delfim Netto, que nos últimos dois anos, em sua coluna na Carta Capital, a cada mês, escreve sobre isso, num texto cheio de clichês e ofensas, enquanto a revista começa vários números com seis páginas de publicidade ideológica da Eletrobrás “sustentável”. É o mesmo tom raivoso do ministro Lobão, alegando que “forças demoníacas” estavam retardando o licenciamento do projeto, do editorialista da Folha, Rogério Cerqueira Leite, escrevendo de modo histérico e bastante desinformado contra “os ambientalistas”. E as outras forças de esquerda? Por exemplo, a direção da CUT nunca quis discutir abertamente a polêmica de Belo Monte, eu mesmo em 2009 encaminhei textos, propus reuniões e fui vetado. Afinal, o seu atual presidente, Artur Henrique, a quem já assessorei há vinte anos, é um eletricitário e todos os eletricitários apóiam qualquer projeto de nova usina, pois acham que isso vai ampliar a base da categoria deles. Inclusive a Federação Nacional dos Urbanitários foi capaz de cavar um espaço no último Fórum Social Mundial, em Belém, para ficar defendendo o projeto Belo Monte e... demonizando os críticos, que por lá são muitos e estavam também participando de corpo e alma do FSM. Um dia desses seriam capazes de apoiar os projetos de novas usinas nucleares no Nordeste e na Amazônia! Agências de notícias “de esquerda”? Por exemplo, a Carta Maior nunca pautou o assunto com profundidade, nem a questão ambiental, nem a questão dos atingidos. Como já citei, os blogs do Amorim e do Emir repercutem o petismo e o desenvolvimentismo cego, acolhem leitores que amplificam o maniqueísmo e censuram leitores que divergem. O blog do Amorim, há um mês atrás (julho de 2011), reproduz - e reforça, elogia - um relatório dos arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que pretende mapear as ONGs estrangeiras que estariam “sabotando o projeto Belo Monte”. Enviei um comentário duas vezes e não foi publicado: “Que besteira PH! Tem muita gente que é contra as usinas porque será expulsa de sua casa ou de seu sítio. Tem gente que é contra porque sabe que os projetos têm a marca de nascença da ditadura militar e das empreiteiras que deram grana para a repressão sobre os militantes de esquerda. Tem gente que é contra porque é anticapitalista, que incrível, ainda tem gente assim! Tem quem seja contra porque conhece as mazelas de usinas como Tucuruí, Balbina, Samuel e outras que destruíram belos trechos da mata e dos rios e que empobreceram muitos moradores. E tem gente que era contra quando os barrageiros estavam no governo tucano e continua contra porque os barrageiros estão também no governo petista-sarneysista. Besteira mesmo, PH! Se tem tanta gente boicotando, como é que os barrageiros conseguiram tantas vitórias? Fizeram o leilão, obtiveram a licença prévia, obtiveram a licença de instalação, ganharam todas as paradas. Por que tem tanta gente chutando cachorro morto? Pô, comemorem suas vitórias!!! Tomem champagne e parem de tripudiar as poucas minorias que são contra e não têm nada a ver com essas ONGs identificadas pela Abin! Ou vocês acreditam realmente nos arapongas?”. Enfim, em termos de Engenharia e da Termodinâmica, que é o campo da Física que estuda e explica os complicados meandros da Energia, não existe nada limpo, todos os processos têm resíduos e perdas; tampouco existe algo que seja intrinsecamente renovável. A não ser, num raro anti-exemplo, o ciclo das águas numa escala continental, que muda de líquida para gasosa e de sólida para líquida, e parece se renovar incessantemente, sem alterar a soma total de água. E mesmo que existisse, a “limpeza” e a “renovabilidade” nunca foram critérios de produção capitalista, pelo contrário, trata-se de um sistema que desde o início se baseou nos combustíveis mais sujos que se conhece, o carvão mineral e depois o petróleo, e até hoje extrai imensos lucros dos recursos finitos e da produção de lixo. Correio da Cidadania: Nesse sentido, como analisa a postura do governo diante de toda a oposição à obra, que passa por 11 Ações Civis Públicas do Ministério Público do Pará, condenação da Corte de Direitos humanos da OEA, um abaixo assinado com 600 mil nomes, o repúdio de diversos movimentos sociais e a reprovação de vários estudiosos independentes da obra? O que essa atitude representa do nosso atual momento político? Oswaldo Sevá: As ACPs (Ações Civis Públicas) se sucederam desde 2001 e nenhuma teve o mérito julgado, todas tiveram liminares baixadas por juízes locais e foram revogadas em Brasília, no TRF 1 – cujos desembargadores parecem estar totalmente a serviço das empresas, nessas e em outras causas. Teve um deles inclusive que declarou seu voto pela cassação de uma das liminares, pois “queria ter energia em casa para poder assistir à Copa de 2014...”. A Secretaria de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) era algo bem importante para o governo e ia ser nomeado o antigo secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi. De repente, com a interpelação que veio sobre o licenciamento de Belo Monte, a OEA foi boicotada e aquilo foi maquiado em uma “cobrança” indevida, gerou reações xenófobas, maniqueístas, essa coisa bem brasileira de juntar a direita com a esquerda em certos casos dizendo as mesmas babaquices. Muitos abaixo-assinados foram feitos e protocolados no Planalto, alguns longos e detalhados pareceres independentes também. Pelo menos dois livros feitos por dezenas de pesquisadores gabaritados foram publicados, um em 1988 e outro em 2005. E isso funciona, sim, eles reagem sempre por linhas tortas, mas nunca dão o braço a torcer e jamais alteram qualquer decisão importante. Sim, mudaram o nome da usina de Kararaô para Belo Monte, mudaram o eixo da barragem 50 km rio acima para evitar o alagamento da terra indígena dos Juruna e a inundação permanente de um importante afluente do Xingu, o Bacajá. Alteraram a altura de três das barragens projetadas: Babaquara passou a se chamar “Altamira”, Ipixuna passou a se chamar “Pombal” e foi rebaixada quase trinta metros para não alagar a cidade de São Felix do Xingu, e a “Kokraimoro” foi rebatizada “São Felix”, continuando plantada em uma das terras Kaiapó. Mas jamais vão admitir que fazem isso para responder, se adequar às críticas. Basta ver também como configuram e manobram os eventos públicos: as Audiências Públicas obrigatórias para o licenciamento tiveram restrição de acesso de alguns grupos de manifestantes e repressão ostensiva; em Belém, houve mudança de locais na última hora. Tornou-se corriqueira a presença de agentes da Abin nas reuniões de atingidos e de movimentos críticos e até em um congresso acadêmico (Encontro Ciências Sociais e Barragens, em Belém, em dezembro de 2010). Foram lá conferir se algum “paper” ou alguma mesa-redonda era subversiva, contrária ao regime. No Senado, uma estranha subcomissão de acompanhamento de Belo Monte foi montada por um senador tucano, Flexa Ribeiro, e recheada de sarneysistas. Convidaram-me e também ao professor Bermann da USP para uma “audiência” que teria também a palavra dada a pessoas do governo, e montaram uma armadilha impensável: debater com o citado editorialista Rogério Cerqueira Leite, dias após a publicação do seu lamentável editorial na Folha. Em São Paulo, maio de 2011, o Serviço Pastoral dos Migrantes organizou um seminário sobre Grandes Obras e Migrações, com meses de antecedência, e montou uma mesa com três bispos (dom Possamai, de Rondônia, dom Valentini, presidente do SPM, e dom Cappio, da Bahia), convidaram a diretora do Dilic/IBAMA, o departamento de Licenciamento Ambiental, Ana Dolabella, que confirmou, tendo seu nome no cartaz e na programação. Na última hora, enviaram uma jovem recém contratada para repetir um “Power Point” cheio de bobagens e mentiras sobre energia e... Nada do licenciamento! Duvido que na tal Conferência “de mercado”, no Novotel, o gerente do IBAMA da área de licenciamento de energia – confirmado no programa – tenha enviado um novato em seu lugar. Isso eles fazem quando querem tripudiar sobre os dissidentes, quando querem fugir do questionamento. Não sei se é mais “salto alto” ou simplesmente covardia. Já para os empresários, ficam todos babando, ou então vão se fazer de difíceis, rigorosos, legalistas, para aumentar o preço do seu “convencimento”. Estalulismo é o nome apropriado disso tudo: “Postura do governo”? É um rolo compressor, um propagandismo doentio, igual à postura dos partidários defensores do projeto. Com covardia, fugindo dos debates e dos contraditórios... Um lulismo estalinista, com o perdão do trocadilho, e também com o gosto amargo da derrota, pois a vida é uma só e durante vários anos eu fiz muito pelo PT e por essa esquerda. Correio da Cidadania: E como o senhor avalia especificamente a concessão da Licença de Instalação para o início das obras de Belo Monte, novamente passando por cima de estudos e recomendações dos especialistas? Oswaldo Sevá: Licença para grande hidrelétrica é como autorização para uma guerra no próprio território. Depois que vão para lá com as máquinas e os capangas, ninguém segura. Foi assim que foram feitas todas as grandes hidrelétricas. Em vários casos, as estatais que “encomendaram” as obras foram engolidas e sangradas pelas empreiteiras (assim foi a Gutierrez com Balbina, a Mendes Jr com Itaparica, a Camargo com Tucuruí). Todas as licenças de usinas solicitadas até aqui foram concedidas, a única exceção foi o projeto Ipueiras no Tocantins. Na realidade, foi um álibi, o próprio Lula na campanha de 2006 se gabou disso, mas serviu para melhor liberar os demais projetos no mesmo rio; no caso das obras no rio Madeira, os pareceres internos do IBAMA foram contrariados, e até uma ministra foi “derrubada”. Estão fazendo, sim, as usinas, mas ao menor custo social e ambiental possível. A velha extração de mais-valia dos peões dos canteiros, e junto vem a expropriação dos pobres ribeirinhos. No caso de Belo Monte, criaram fórmulas enganosas (compensações que seriam contrapartidas dos operadores passam a ser programas locais de desenvolvimento sustentável, com mais grana pública) e irregulares (por exemplo, a FUNAI “libera” o parecer para o IBAMA, algo não previsto na legislação; concede-se uma Licença de Instalação parcial, outra aberração). Enfim, é surrealista e lamentável: o novo presidente do IBAMA, enésimo em poucos anos, em uma entrevista na Austrália, disse que o “nosso problema era ter mais energia”, que a função dele “não é cuidar do meio ambiente e sim minimizar os impactos”. Expulsou jornalistas da sala e depois disse, em off, que tem de fazer por aqui como a Austrália faz com seus aborígenes. Quem decide conceder essas licenças parece ser o Ministério de Minas e Energia, e desde a época do FHC o titular da pasta fica toda hora pressionando na mídia, anunciando o dia em que vai ser assinada, uma decisão que no fim pertence a outra pasta. Na prática, o IBAMA está também vendendo a licença pela taxa de licenciamento, 1,5 % em cima de 20 bilhões de reais, a chamada “grana preta”. Em todos os casos, esse “custo ambiental” foi um belo aporte de verba para complementar o orçamento, equipar a frota de carros e barcos e, como se viu ocorrer no Madeira, o novo equipamento serviu mesmo foi para reforçar e ampliar o policiamento ambiental e social a favor da obra e contra os ribeirinhos e movimentos contrários. No caso de Belo Monte, licenciaram um projeto completamente não convencional, com conseqüências e riscos totalmente inéditos, sem qualquer tipo de garantia legal de que as precauções e providências devidas serão tomadas, nem na construção, nem na fase de operação. Por exemplo, as vazões em mais de 100 km do rio que ficará “no seco”, o rebaixamento de lençóis freáticos em uma área enorme de matas e vilarejos, a elevação dos mesmos lençóis freáticos em outra área enorme, incluindo quase toda a cidade de Altamira... Ignoram a existência de atingidos, de expulsos, de gente que precisaria ser reassentada, de fazendeiros, sitiantes, colonos, meeiros, pescadores, castanheiros, que teriam de ter um programa de reorganização de sua atividade agrícola, extrativista, pecuária. Esses brasileiros inexistem juridicamente, a não ser quando suas propriedades, com todos os papéis em ordem, são indenizadas, o que é obtido por uma diminuta minoria dentre os trinta mil brasileiros que serão atingidos diretamente pelas obras de Belo Monte. Correio da Cidadania: Em face de tantos e grandes projetos hidrelétricos em gestação, o que o senhor pensa, de modo geral, da política energética de nosso país? Oswaldo Sevá: Não existe tal entidade da “política energética”, existe somente o dogma de barrar todos os rios em todos os pontos que sejam possíveis. Se pudessem, fariam uma usina em cima das Cataratas do Iguaçu, talvez ainda façam. Correio da Cidadania: Mas qual a política energética que o senhor advogaria como necessária e adequada ao nosso país atualmente, dadas as suas atuais circunstâncias históricas? Oswaldo Sevá: Não tenho como nem por que responder a isso. Na minha carreira docente, acabo de me despedir, depois de quase vinte e cinco anos, da área de pós-graduação em Planejamento Energético. Vou ficar, até me aposentar, nas Ciências Sociais, estudando e divulgando os problemas das vítimas, dos prejudicados, ameaçados, expropriados por esses projetões malignos. Correio da Cidadania: Altamira já sofre mudanças em sua rotina com a expectativa da obra? Já existem moradores diretamente afetados? O que o senhor vislumbra para a cidade caso as obras realmente deslanchem? Oswaldo Sevá: Coisa boa não deve ser, mas várias outras pessoas poderiam relatar o que ocorre atualmente. Eu estive lá a última vez em julho de 2010, por minha conta, com minha esposa, de férias, para me despedir daquele rio maravilhoso antes que começasse a sua mutilação. Correio da Cidadania: Finalmente, acredita que exista alguma chance, a partir dos meandros políticos, jurídicos, sociais, ou o que seja, de Belo Monte não ir adiante? Oswaldo Sevá: Crise estrutural, sobre-acumulação, excesso de liquidez, busca frenética de altos retornos, investimentos anunciados em todos os lugares ao mesmo tempo, esse é o quadro geral. Se vai adiante ou não, ou, se uma vez iniciada, vai ter como prosseguir, trata-se da mesma pergunta que se faz em Xangai, em Viena, em Paris, em Tóquio... O capitalismo todo está aguardando mais esse desfecho favorável, será a maior sangria de todas as feitas recentemente, por 40, 50 bilhões de dólares, vários anos de sustentação... O que está em risco é a democracia, os direitos humanos e políticos, a preservação de recursos e locais valiosíssimos, com grandes potenciais protéicos, arqueológicos, antropológicos, turísticos... Quanto mais poderosas as grandes empresas, quanto menos freios tiverem, mais longe estará a sociedade da justiça e da democracia. Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista. |
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Grandes e polêmicas obras serão chamadas, no Brasil, a ‘salvar’ o capitalismo global
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Dívida pública 'segura' é de até 100% do PIB, diz BIS
| Autor(es): Por Assis Moreira | De Genebra |
| Valor Econômico - 31/08/2011 |
O Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco dos bancos centrais, publicou estudo sugerindo um limite a partir de qual o endividamento passa a ser prejudicial para o crescimento econômico, e conclui que a situação dos países desenvolvidos é pior do que se imagina. Sua conclusão é de que o limite ficaria entre 80% e 100% do PIB para endividamento de governos. Acima disso, cada 10 pontos percentuais de alta na dívida reduz a tendência de expansão econômica em mais de 0,1 ponto percentual. Para empresas não financeiras, o limite é ligeiramente mais baixo, em torno de 90%. A partir daí pode se tornar um entrave para a expansão econômica. Por sua vez, o nível suportável para o endividamento das famílias seria próximo de 85% do PIB, mas as estimativas sobre o impacto são extremamente imprecisas. Apresentada na semana passada no encontro de bancos centrais em Jackson Hole (EUA), a pesquisa foi baseada nos níveis de dívida de governos, empresas não financeiras e famílias em 18 economias desenvolvidas entre 1980 e 2010. Na prática, o endividamento nas maiores economias desenvolvidas pulou de nível relativamente modesto de 165% do PIB ha três décadas, para 310% no ano passado. Dessa variação, o endividamento do governo representa 45 pontos percentuais, as empresas 50 pontos e as famílias os 50 pontos restantes. Assim, o total da dívida de governo, empresas não financeiras e famílias supera os 450% do PIB no Japão, 350% em Portugal e Espanha, e 300% em dois terços dos países. Na Bélgica, Finlândia, Noruega, Espanha e Suécia, o endividamento das empresas representa mais de 40% do total. Na Austrália, Dinamarca e Holanda, as famílias têm a maior fatia do endividamento. Já no Japão, Itália e Grécia, domina o endividamento público. Levando em conta os benefícios que os governos prometeram a suas populações, o envelhecimento populacional vai aumentar a dívida pública a níveis ainda mais elevados nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população pode reduzir o futuro crescimento econômico e elevar também as taxas de juros, minando ainda mais a sustentabilidade da dívida, segundo o estudo do BIS. Assim, à medida que a dívida pública aumenta e a população envelhece, o crescimento econômico declina. Os economistas do BIS sugerem que os governos, como nunca sabem quando um choque extraordinário pode atingi-los, deveriam sempre manter os limites de endividamento bem abaixo dos sugeridos no estudo. Assim como no caso dos governos, fica claro que quando empresas não financeiras também se endividam muito, a economia real pode sofrer. Para o BIS, no fim das contas, a única maneira de fugir disso é mesmo elevar a poupança. |
Dívida de emergentes passa a 'seguir' Treasuries
| Autor(es): Por Alex Ribeiro | De Washington |
| Valor Econômico - 31/08/2011 |
Os títulos emitidos por governos de países emergentes, incluindo o Brasil, passaram a oscilar na mesma direção que os papéis de economias avançadas nas últimas semanas, sendo menos rejeitados por investidores que buscam um porto seguro em períodos de estresse. Esse é um fenômeno recente e de duração ainda incerta, mas pode representar uma ruptura em relação ao padrão das últimas décadas. No passado, ao menor sinal de crise, os investidores procuravam se abrigar em papéis de países desenvolvidos, como os títulos do Tesouro americano - os Treasuries - num movimento conhecido como "flight to quality", ou fuga para a qualidade. Nessas ocasiões, ativos de países emergentes eram desprezados e perdiam valor. Ampliar imagem "No passado, os bônus de países emergentes eram considerados os ativos de maior risco", afirma Benoit Anne, chefe global de estratégia para mercados emergentes do Société Générale, baseado em Londres. "O que temos agora é que, diante dos receios sobre o crescimento mundial, os bônus dos mercados emergentes estão se valorizando em linha com os bônus de países desenvolvidos." Os dados mostram que, em agosto, depois que aumentaram as preocupações do mercado financeiro sobre a saúde da recuperação das economias americana e europeias, o retorno dos títulos do Tesouro americano de 10 anos caíram de 2,8% para 2,18% ao ano -o retorno se move na direção contrária à do preço dos papéis. No mesmo período, o swap de 360 dias, uma aproximação do quanto o Tesouro do Brasil paga por sua dívida, caiu de 12,59% para 11,29% ao ano. Paulo Valle, subsecretário da dívida pública do Tesouro Nacional, lembra que em 2008, quando os mercados sofreram um período de forte estresse em virtude da quebra do banco Lehman Brothers, os juros nos Brasil subiram, enquanto o retorno pago pelos títulos americanos encolheu. Alguns títulos brasileiros chegaram a pagar juros de 18% ao ano. Naquele período, os investidores acreditavam que os países emergentes, incluindo o Brasil, seriam obrigados a subir os juros para enfrentar a crise, repetindo o padrão observados nas turbulências anteriores. Na crise asiática, por exemplo, ocorrida em 1997, o Brasil subiu os juros para mais de 40%. Na quebra do Lehman, porém, os emergentes acabaram cortando juros para estimular as suas economias. "A crise de 2008 foi um divisor de águas", afirma Valle. Nos momentos de crise, os juros pagos pelos títulos do Tesouro americano caem porque aumenta a procura desse papel pelos investidores - que ainda o consideram o ativo mais seguro do mundo. Recentemente, alguns economistas passaram a questionar se o Tesouro americano é ainda um porto seguro, diante dos altos déficits e dívida pública dos Estados Unidos e o desempenho medíocre de sua economia. Com situação fiscal em geral um pouco mais sólida do que a dos países avançados, as economias emergentes são cada vez mais apontadas como destino mais seguro para investimento. Apesar disso, seus ativos ainda não são considerados de melhor qualidade do que os de países desenvolvidos pelo mercado de forma geral nem pelas agências de classificação de risco de crédito. Valle avalia que a queda recente dos juros dos títulos no Brasil tem pouco ou nada a ver com um movimento de "flight to quality". Em tese, para se caracterizar um genuíno "flight to quality" deveria ter havido forte ingresso de investimentos estrangeiros no mercado de títulos da dívida, o que não ocorreu. O Brasil também tem IOF em aplicações de estrangeiros em títulos, o que desestimula movimentos de curto prazo. Mas, reconhece ele, o fato de não ter havido fuga de investidores estrangeiros e brasileiros significa, de certa forma, o reconhecimento da segurança dos papéis brasileiros. Para Valle, a queda recente dos juros pagos pelos títulos públicos tem mais a ver com a perspectiva de desaceleração da economia global. "O governo tem indicado que, dessa vez, irá usar os juros para estimular a economia, e não instrumentos fiscais", afirma Valle. |
China salva o comércio
| Correio Braziliense - 31/08/2011 |
O aumento do peso da China no comércio mundial não deixa de preocupar muitos economistas, especialmente após a queda na demanda dos países desenvolvidos causada pelas turbulências na Europa e nos Estados Unidos. Ainda assim, as apostas de que o avanço da classe média asiática sustentará a demanda mundial são cada vez maiores, mesmo com uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) do país para a casa dos 7,5% nos próximos anos - uma estimativa do próprio governo chinês. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) acredita nessa tese. Em 2030, dois terços da classe média mundial estarão na Ásia e na Oceania e serão responsáveis por quase 60% dos gastos com consumo, projetou a Cepal. A China representa a maior parcela desse percentual. A secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, reforçou que o comércio entre os países do Hemisfério Sul, encabeçado pelos chineses e pelas demais economias emergentes da Ásia, deverá ultrapassar o intercâmbio entre as nações do Hemisfério Norte até 2017. "Está havendo uma mudança da estrutura do comércio mundial. Há 26 anos, o comércio Sul-Sul representava apenas 6% do total mundial e o Norte-Norte, 63%. Hoje, são 24% e 38%, (respectivamente)", disse Alicia. Para confirmar essa tendência, a secretária da Cepal destacou que, em 2010, as exportações dos países em desenvolvimento já cresceram 17%, enquanto as dos industrializados avançaram 13%. Classe Média Diante desse cenário, a América Latina precisará melhorar sua integração com os demais países do Hemisfério Sul, sugeriu Carlos Henrique Mussi, economista da Cepal em Brasília. "Hoje, a classe média chinesa atravessa o fenômeno de crescimento que a classe média brasileira sofreu nos últimos oito anos. O mercado interno brasileiro assegurou a expansão da economia e ajudou o país a sair mais rápido da crise", comparou. Para Mussi, seguramente a China continuará com demanda aquecida dos produtos da região, basicamente matérias-primas, como minério e commodities agrícolas. |
Renda cresce 31% no campo americano
| Autor(es): Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo |
| Valor Econômico - 31/08/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/8/31/renda-cresce-31-no-campo-americano |
Beneficiados pela escalada nos preços dos alimentos, os agricultores americanos deverão colocar no bolso US$ 103,6 bilhões em 2011, de acordo com previsão divulgada ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O valor representa um ganho de 31% em relação a 2010, e é o segundo maior da série, iniciada em 1973. A receita agrícola bruta é estimada em US$ 421 bilhões, um aumento de 15% sobre 2010 e de 38% sobre a média dos últimos 10 anos. Já os custos devem chegar a US$ 318,1 bilhões, superando pela primeira vez a barreira dos US$ 300 bilhões. No entanto, o ritmo de expansão das despesas é menor: 11,3%, sobre 2010, e 34% sobre a média da última década. Os preços do milho, maior lavoura dos Estados Unidos, dispararam mais de 70% nos últimos 12 meses. Segundo o relatório, a receita com as vendas do grão deve crescer 38% em 2011. No mesmo caminho, as vendas de trigo devem avançar 37% e as de soja, 17%. A alta dos preços abriu caminho uma queda nos subsídios. Em 2011, os pagamentos governamentais devem recuar 17,7% ante 2010, para US$ 10,2 bilhões. O valor é ainda 33% inferior à média observada entre 2001 e 2010. As subvenções baseadas unicamente em níveis de preço desabaram 92% e não devem somar mais que US$ 63 milhões, de acordo com o USDA. |
Milho da Monsanto está perdendo a resistência contra insetos, diz pesquisa norte-americana
http://agricultura.ruralbr.com.br/milho/noticia/2011/08/milho-da-monsanto-esta-perdendo-a-resistencia-contra-insetos-diz-pesquisa-norte-americana-3469019.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29
Segundo informações divulgadas pelo jornal The Wall Street, constatação foi feita em quatro plantações no nordeste do Estado de Iowa, nos Estados Unidos
31/08/2011 | 10h52
Assunto:
Segundo informações divulgadas pelo jornal The Wall Street, constatação foi feita em quatro plantações no nordeste do Estado de Iowa, nos Estados Unidos
Plantas de milho da companhia norte-americana Monsanto, modificadas geneticamente para impedir a ação destrutiva de um tipo de broca, estão sendo atacadas por coleópteros em algumas plantações. Segundo informações publicadas pelo jornal The Wall Street nessa segunda, dia 29, o entomologista da Iowa State University (ISU), Aaron Gassmann, descobriu, em quatro plantações no nordeste do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, que a broca do milho evoluiu e passou a resistir ao pesticida que a planta alterada produz.
Segundo Gassmann, isso poderia fazer com que alguns produtores começassem a utilizar sementes à prova de insetos fabricadas pelos concorrentes da Monsanto e retornassem a pulverizar inseticidas nas plantações.
De acordo com a reportagem, esta é primeira vez que uma das principais pragas que acometem o milho desenvolveu resistência a uma plantação geneticamente modificada. As plantas de milho da Monsanto são amplamente cultivadas.
A descoberta traz preocupações sobre a forma como alguns produtores estão utilizando as culturas geneticamente modificadas e como isso poderia gerar os superinsetos. As sementes transgênicas têm maior produtividade e também são alternativas ao uso de herbicidas, que são tóxicos ao meio ambiente e aos trabalhadores das lavouras.
Estes são casos isolados e não está claro em qual ponto este problema vai chegar. Mas é um aviso de que as práticas de gerenciamento precisam ser mudadas, declara Aaron Gassmann.
Segundo o jornal, os resultados encontrados aumentam a disputa entre companhias de biotenologia para localizar a próxima geração de genes que pode proteger as plantas dos insetos.
Ainda de acordo com a matéria, a Monsanto alega que suas linhas de sementes de milho resistentes a broca têm funcionado conforme o esperado em mais de 99% das áreas plantadas que utilizam essa tecnologia e que é anda cedo para saber qual o significado do estudo da ISU para os produtores.
A descoberta chega em meio a um debate sobre se as culturas geneticamente modificadas, que são cultivadas em grande parte do cinturão agrícola americano, estão mudando negativamente as formas como os produtores trabalham.
A Monsanto se tornou, em 2003, a primeira companhia a vender semente de milho geneticamente modificado resistente a broca.
Segundo o jornal The Wall Street, caso fique provado que as plantações de milho transgênicas da companhia estejam perdendo de fato a eficiência contra a broca, verificam-se algumas questões preocupantes imediatas: a própria broca, que, resistente, voltará a ser uma praga devastadora, colocando um terço das plantações do maior produtor mundial de milho em sério risco. Por conta disso, poderá haver o retorno à utilização de herbicidas, para a Monsanto, o risco imediato seria uma possível queda no preço de suas ações.
A Monsanto diz que em 2010 obteve uma receita de US$ 4,26 bilhões com a venda de sementes de milho e biotecnologia, aproximadamente 40% de sua receita total.
SCOT CONSULTORIA COM INFORMAÇÕES DO JORNAL THE WALL STREET
MT: agricultura desmata mais que pecuária
http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2011/08/avanco-da-agricultura-impulsiona-desmatamento-em-mato-grosso-diz-estudo-3468987.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29
Estado deverá reassumir neste ano a liderança do ranking dos que mais desmatam a Amazônia
Estado deverá reassumir neste ano a liderança do ranking dos que mais desmatam a Amazônia
O aumento do desmatamento em Mato Grosso está associado à expansão da área de agricultura, mais do que à abertura de novos pastos na Amazônia, indica estudo feito pela ONG Greenpeace.
Mato Grosso deverá reassumir neste ano a liderança do ranking dos Estados que mais desmatam a floresta. A taxa anual de devastação da Amazônia em 2011 também deverá aumentar, segundo projeções feitas com base em imagens de satélite do sistema de alertas, usado para mobilizar a ação de fiscais.
O estudo do Greenpeace se baseou nos alertas de desmatamento lançados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre agosto de 2010 e julho de 2011, no período de apuração da taxa anual de desmatamento. A taxa oficial só será oficialmente conhecida no fim do ano.
A ONG considerou sob influência da agricultura as áreas desmatadas num raio de 500 metros de áreas ocupadas atualmente predominantemente pela atividade, sobretudo o cultivo de grãos, como a soja. Da mesma forma, com base no uso atual da terra, foram consideradas áreas sob influência da pecuária.
Quase metade (46%) da área dos alertas de desmate lançados pelo sistema Deter, do Inpe, estão sob influência da agricultura.
– Podemos afirmar que o desmatamento em áreas agrícolas em Mato Grosso puxou o aumento do desmatamento neste ano – resume o estudo.
Os alertas somaram 32,2 mil hectares, ou 322 km2. No mesmo período, o aumento de alertas nas áreas de influência da pecuária no Estado foi de 27%. Em hectares, a área captada pelos satélites foi de 42,7 mil hectares ou 427 km2. As áreas degradadas detectadas pelos satélites do sistema Deter em Mato Grosso somam quase a metade da cidade de São Paulo.
– São dados provisórios, já que o Deter é um sistema de alerta e não de medição precisa do desmatamento. Os dados só poderão ser validados quando o Inpe divulgar as imagens e dados do sistema Prodes – diz o estudo.
Nesta quinta, dia 1, o governo divulga o primeiro levantamento do uso da terra em áreas desmatadas na Amazônia até 2008. Para isso, cruzou dados com o uso posterior feito em áreas desmatadas, e não apenas com base na atividade predominante. Os dados apontarão a liderança da pecuária no avanço das motosserras.
| 31/8/2011 | |
| Agricultura, mais do que pasto, impulsiona desmatamento em MT | |
| http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=46897 | |
Mato Grosso deverá reassumir neste ano a liderança do ranking dos Estados que mais desmatam a floresta. A taxa anual de devastação da Amazônia em 2011 também deverá aumentar, segundo projeções feitas com base em imagens de satélite do sistema de alertas, usado para mobilizar a ação de fiscais. A reportagem é de Marta Salomon e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 31-08-2011. O estudo do Greenpeace se baseou nos alertas de desmatamento lançados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre agosto de 2010 e julho de 2011, no período de apuração da taxa anual de desmatamento. A taxa oficial só será oficialmente conhecida no fim do ano. A ONG considerou sob influência da agricultura as áreas desmatadas num raio de 500 metros de áreas ocupadas hoje predominantemente pela atividade, sobretudo o cultivo de grãos, como a soja. Da mesma forma, com base no uso atual da terra, foram consideradas áreas sob influência da pecuária. Quase metade (46%) da área dos alertas de desmate lançados pelo sistema Deter, do Inpe, estão sob influência da agricultura. "Podemos afirmar que o desmatamento em áreas agrícolas em Mato Grosso puxou o aumento do desmatamento neste ano", resume o estudo. Os alertas somaram 32,2 mil hectares, ou 322 km2. No mesmo período, o aumento de alertas nas áreas de influência da pecuária no Estado foi de 27%. Em hectares, a área captada pelos satélites foi de 42,7 mil hectares ou 427 km2. As áreas degradadas detectadas pelos satélites do sistema Deter em Mato Grosso somam quase a metade da cidade de São Paulo. "São dados provisórios, já que o Deter é um sistema de alerta e não de medição precisa do desmatamento. Os dados só poderão ser validados quando o Inpe divulgar as imagens e dados do sistema Prodes", diz o estudo. Amanhã, o governo divulga o primeiro levantamento do uso da terra em áreas desmatadas na Amazônia até 2008. Para isso, cruzou dados com o uso posterior feito em áreas desmatadas, e não apenas com base na atividade predominante. Os dados apontarão a liderança da pecuária no avanço das motosserras. O diretor de combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, avalia que a análise feita com base nos alertas de desmatamento não permitem uma conclusão definitiva. "Mas, no caso de Mato Grosso, Estado onde a agricultura tem o seu peso, a indicação parece razoável", comentou. Ranking O estudo da ONG indica ainda que Mato Grosso reassumirá o topo da lista dos desmatadores, posição ocupada pelo Pará desde 2006. O avanço das motosserras em Mato Grosso aumentou 36% entre agosto de 2010 e julho deste ano, enquanto na Amazônia subiu 16%. Além do surto das motosserras em Mato Grosso, que motivou a criação de um gabinete de crise no governo federal, os satélites do Inpe já indicaram uma mudança no padrão do desflorestamento. Tomaram a dianteira os desmatamentos de grandes áreas, maiores que 300 hectares. Mudanças da ocupação do solo definidas pelo zoneamento econômico-ecológico e a perspectiva de novas regras doCódigo Florestal, em debate no Congresso, foram apontadas como responsáveis pelo aumento do desmate em ofício assinado pelo então secretário de Meio Ambiente do Estado, Alexander Maia. Procurado pelo Estado, o novo secretário, Vicente Falcão, não se manifestou sobre os dados do Greenpeace. OS DOIS SISTEMAS Deter Responsável pelos alertas de desmatamento, é mais rápido e menos preciso, apresentando imagens em baixa resolução. Isso ocorre porque os satélites não alcançam pequenas áreas - o Deter enxerga apenas desmates maiores que 25 hectares. Indica áreas de corte raso (completa retirada da floresta) que foram degradadas. Prodes Sistema mais lento, mas preciso, pois capta áreas de desmate menores que 25 hectares. O Prodes calcula a taxa anual de desmatamento comparando imagens selecionadas do período julho-agosto de um ano a julho-agosto do ano anterior. Isso ocorre porque os satélites não enxergam através de nuvens, e esses são tipicamente os meses de menor nebulosidade na Amazônia. | |
Governo de São Paulo passará a cobrar pelo uso da água da Bacia do Alto Tietê em 2012
http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2011/08/governo-de-sao-paulo-passara-a-cobrar-pelo-uso-da-agua-da-bacia-do-alto-tiete-em-2012-3468958.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29
Usuários rurais, consumidores residências em estado de baixa renda e usuários que extraem água subterrânea em vazão inferior a cinco metros cúbicos por dia estão isentos da cobrança
Usuários rurais, consumidores residências em estado de baixa renda e usuários que extraem água subterrânea em vazão inferior a cinco metros cúbicos por dia estão isentos da cobrança
A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo vai passar a cobrar, a partir de 2012, pelo uso da água da Bacia do Alto Tietê – e não só pela captação, tratamento e distribuição, como ocorre atualmente. A bacia do rio envolve 34 dos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. Entre os maiores consumidores diretos estão as empresas de saneamento, as prestadoras de serviços, como as que distribuem água com caminhão pipa, indústrias, e usuários urbanos privados que utilizam poços.
Os consumidores residenciais, apesar de não fazerem uso direto da água, poderão ter de pagar mais pelo consumo. Nas outras três bacias paulistas, onde já foi instituída a cobrança pelo uso da água, o aumento nas contas residenciais chegou a R$ 2 ao ano.
A Bacia do Alto tietê, que abastece mais de 20 milhões de pessoas, é a quarta unidade hidrográfica de gerenciamento de recursos hídricos do Estado de São Paulo a cobrar pelo uso da água. Os comitês das bacias dos rios Piracicaba-Capivari-Jundiaí, e do Paraíba do Sul, foram os primeiros a iniciar a cobrança, em 2007. O Comitê da Bacia do Sorocaba Médio instituiu a arrecadação em 2010.
O preço do uso da água na Bacia do Alto Tietê será R$ 0,01 por metro cúbico captado diretamente, e R$ 0,10 por quilo de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) de esgoto depositado. Usuários rurais estão isentos da cobrança, assim como os consumidores residências em estado de baixa renda. Também estão livre do pagamento usuários que extraem água subterrânea (poços) em vazão inferior a cinco metros cúbicos por dia.
De acordo com a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, os recursos arrecadados irão diretamente – sem passar pelo Tesouro Estadual – para a conta do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que definirá em que projetos serão empregados. Os comitês são colegiados criados por lei estadual, com participação de representantes do governo estadual, das prefeituras e da sociedade civil.
Os recursos arrecadados nos dez primeiros anos, 50% dos recursos serão aplicados em áreas de proteção de mananciais. A previsão é de que sejam recolhidos R$ 30 milhões no primeiro ano de cobrança (2012); R$ 40 milhões, no segundo; e R$ 50 milhões, no terceiro ano.
– O passo que se dá hoje é no sentido de aumentar a consciência sobre os recursos hídricos, fazer com que nós possamos ter um uso mais racional, mais equilibrado, e dotar a bacia de recursos para ações de preservação e manutenção dos nossos mananciais – disse o secretário Edson Giriboni.
Nos locais onde já existe a cobrança, de 30% a 40% dos usuários que retiram água diretamente das bacias diminuíram o consumo.
Os consumidores residenciais, apesar de não fazerem uso direto da água, poderão ter de pagar mais pelo consumo. Nas outras três bacias paulistas, onde já foi instituída a cobrança pelo uso da água, o aumento nas contas residenciais chegou a R$ 2 ao ano.
A Bacia do Alto tietê, que abastece mais de 20 milhões de pessoas, é a quarta unidade hidrográfica de gerenciamento de recursos hídricos do Estado de São Paulo a cobrar pelo uso da água. Os comitês das bacias dos rios Piracicaba-Capivari-Jundiaí, e do Paraíba do Sul, foram os primeiros a iniciar a cobrança, em 2007. O Comitê da Bacia do Sorocaba Médio instituiu a arrecadação em 2010.
O preço do uso da água na Bacia do Alto Tietê será R$ 0,01 por metro cúbico captado diretamente, e R$ 0,10 por quilo de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) de esgoto depositado. Usuários rurais estão isentos da cobrança, assim como os consumidores residências em estado de baixa renda. Também estão livre do pagamento usuários que extraem água subterrânea (poços) em vazão inferior a cinco metros cúbicos por dia.
De acordo com a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, os recursos arrecadados irão diretamente – sem passar pelo Tesouro Estadual – para a conta do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que definirá em que projetos serão empregados. Os comitês são colegiados criados por lei estadual, com participação de representantes do governo estadual, das prefeituras e da sociedade civil.
Os recursos arrecadados nos dez primeiros anos, 50% dos recursos serão aplicados em áreas de proteção de mananciais. A previsão é de que sejam recolhidos R$ 30 milhões no primeiro ano de cobrança (2012); R$ 40 milhões, no segundo; e R$ 50 milhões, no terceiro ano.
– O passo que se dá hoje é no sentido de aumentar a consciência sobre os recursos hídricos, fazer com que nós possamos ter um uso mais racional, mais equilibrado, e dotar a bacia de recursos para ações de preservação e manutenção dos nossos mananciais – disse o secretário Edson Giriboni.
Nos locais onde já existe a cobrança, de 30% a 40% dos usuários que retiram água diretamente das bacias diminuíram o consumo.
JBS vai suspender atividades da unidade de Presidente Epitácio devido à ineficiência fiscal em São Paulo
http://pecuaria.ruralbr.com.br/gado-de-corte/noticia/2011/08/jbs-vai-suspender-atividades-da-unidade-de-presidente-epitacio-devido-a-ineficiencia-fiscal-em-sao-paulo-3468048.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+RuralBR+%28Not%C3%ADcias+-+RuralBR%29
Produção da planta paulista será transferida para as unidades da companhia em Mato Grosso do Sul
A JBS anunciou nesta terça, dia 30, ao mercado uma séria de medidas que fazem parte de mais uma etapa da estratégia de integração operacional. A principal delas é a suspensão integral das atividades da unidade de Presidente Epitácio (SP) devido à ineficiência fiscal no Estado. A produção da planta paulista será transferida para as unidades da companhia em Mato Grosso do Sul. As ações serão colocadas em prática a partir de 1º de setembro.
A JBS anunciou ainda a transferência do abate e desossa de Teófilo Otoni (MG) para as unidades de Iturama e Ituiutaba, ambas em Minas Gerais; o remanejamento do abate e desossa de Maringá (PR) para Naviraí (MS); a transferência das atividades de desossa de Água Boa (MT) e Alta Floresta (MT) para Barra do Garças (MT) e Diamantino (MT), sendo que, nesta última, o abate será duplicado, passando das atuais mil cabeças para duas mil cabeças por dia; e o remanejamento da desossa de Pimenta Bueno (RO) para a unidade de Vilhena (RO).
Com essa estratégia, a JBS concretiza mais um passo na captura de sinergias existentes entre suas unidades no Brasil e espera elevar em pelo menos 5% sua produção no país por meio da utilização mais eficiente da capacidade de seu parque industrial, sem alterar o atendimento aos clientes no Brasil e no Exterior. A companhia espera gerar economias ao redor de R$ 200 milhões anualizados entre reduções de custos e eficiências fiscais.
Segundo comunicado da empresa ao mercado, as medidas têm o objetivo de buscar maior geração de valor aos seus acionistas, melhores produtos e preços mais competitivos por meio da redução de custos e ganhos de eficiência.
Por fim a JBS afirma que não pretende retomar as operações em tais unidades enquanto permanecerem as atuais condições, especialmente da legislação tributária. Com objetivo de minimizar os impactos sociais nas comunidades, a JBS oferecerá oportunidade de transferência para uma parcela substancial dos colaboradores envolvidos, além de auxiliar na recolocação daqueles que forem desligados. O resultado entre as demissões e as contratações nas unidades que receberão as linhas de abate e desossa será positivo, com a criação de 500 novos postos de trabalho.
JBS remaneja operações para reduzir custos
| Autor(es): Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo |
| Valor Econômico - 31/08/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/8/31/jbs-remaneja-operacoes-para-reduzir-custos |
Em busca de redução de custos e "eficiência fiscal", a JBS S.A anunciou ontem a suspensão integral, a partir de 1 º de setembro, das operações em três unidades e a suspensão parcial em outras três, de um total de 35 plantas de bovinos que a empresa tem no país. As plantas de Presidente Epitácio (SP), Teófilo Otoni (MG) e Maringá (PR) terão as operações suspensas por tempo indeterminado. Nas unidades de Água Boa e Alta Floresta, ambas em Mato Grosso, e Pimenta Bueno (RO), a desossa de bovinos será suspensa, mas o abate de animais será mantido. A razão para o fechamento da unidade de Presidente Epitácio é a ineficiência fiscal, segundo a JBS. A maior parte dos bois abatidos nessa indústria é proveniente do Mato Grosso do Sul e paga ICMS na origem de 12%. Ocorre que o Estado de São Paulo não restitui os créditos de ICMS, que ficam acumulados, explica Francisco de Assis da Silva, diretor-executivo de relações institucionais da JBS. A produção da unidade será transferida para fábricas da JBS em Mato Grosso do Sul. Também por conta da questão fiscal, o abate e a desossa de Maringá serão remanejados para a planta de Naviraí (MS). Segundo Silva, os animais abatidos na unidade também são adquiridos em Mato Grosso do Sul. Nesse caso, o Paraná veda os créditos de ICMS, informa o executivo. Nas demais quatro unidades, as mudanças visam ganhos de eficiência e "otimização de processos", de acordo com Silva. Para isso, o abate e a desossa da planta de Teófilo Otoni serão transferidos para as unidades mineiras de Iturama e Ituiutaba. No caso de Água Boa e Alta Floresta, a desossa será transferida para Barra do Garças (MT) e Diamantino (MT), que terá o abate duplicado, saindo de 1.000 cabeças para 2.000 bovinos por dia. A operação de desossa de Pimenta Bueno será remanejada para a planta de Vilhena (RO). As mudanças operacionais devem gerar economias ao redor de R$ 200 milhões anualizados entre reduções de custos e eficiências fiscais, disse Silva. Segundo ele, as alterações também permitirão elevar em pelo menos 5% a produção da JBS no país por meio da utilização mais eficiente da capacidade industrial. "Com isso, poderemos ampliar a presença no mercado doméstico", acrescentou. Francisco de Assis da Silva disse que as operações não serão retomadas enquanto não voltarem a ser eficientes. E garantiu que as três unidades cujas atividades foram paralisadas de forma integral não serão colocadas à venda. As mudanças operacionais promovidas pela JBS levarão à demissão de 1.500 funcionários, mas outras 2 mil pessoas devem ser contratadas, segundo o diretor de relações instituições, porque haverá criação de postos de trabalho nas unidades que receberão as linhas de abate e desossa transferidas. De acordo com Silva, a empresa vai oferecer aos funcionários das unidades afetadas a possibilidade de transferência para outras fábricas. Também vai auxiliar na recolocação dos funcionários que forem demitidos. A JBS tem 45 mil funcionários no Brasil. É a maior empresa de carne bovina do mundo, com unidades nos Estados Unidos, Argentina, Austrália, Uruguai e Paraguai, além do Brasil. |
Assinar:
Postagens (Atom)