terça-feira, 29 de novembro de 2011

Segundo a FAO, 25% do solo do planeta estão degradados

29/11/2011

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou ontem a primeira avaliação do estado dos recursos do planeta. No relatório "Estado de Recursos Terrestres do Mundo e Água para Alimentação e Agricultura", a ONU afirma que 25% de toda a terra está altamente degradada, com erosão do solo, degradação da água e perda de biodiversidade. Outros 8% estão moderadamente degradados, enquanto 36% encontram-se estáveis ou ligeiramente degradados. Os 10% restantes estão "melhorando".

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo, 29-11-2011.

FAO alerta que a tendência de degradação deve ser revertida para alimentar a população mundial, estimando-se que teremos de produzir 70% mais alimentos até 2050. O documento pontua que a terra disponível já está sendo explorada de forma que às vezes diminui a produtividade. "As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis", disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.


Terra degradada, problema global

Autor(es): Bettina Barros | De São Paulo
Valor Econômico - 29/11/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/terra-degradada-problema-global
 

Um quarto das terras agrícolas do mundo está "altamente degradado" devido à agricultura intensiva, segundo relatório da FAO, o braço para Agricultura e Alimentos das Nações Unidas. Isso significa pior qualidade do solo, menos recursos hídricos e mais erosão. O aumento da degradação, aliado à baixa disponibilidade de terras, impõe um "profundo desafio" para um mundo com necessidades cada vez maiores de alimentação, advertiu a entidade, com sede em Roma.
A produção agrícola triplicou entre 1960 e 2006. Mas a desaceleração na produtividade no campo está agora entre os principais "sinais de advertência" para a segurança alimentar. "Em muitos países, as conquistas na agricultura têm sido associadas a práticas de gestão que prejudicaram a terra e o sistema de água tão precioso às lavouras", disse a FAO.
Os países desenvolvidos usam em média 0,37 hectare para áreas agrícolas per capita, comparado aos 0,23 hectare em nações em desenvolvimento e ao 0,17 hectare em países pobres.


Produção global de alimentos precisa crescer 70% até 2050, aponta FAO

Afirmação da organização se baseia no fato de que população alcançará a marca de nove bilhões de habitantes

  • Filipe Domingues
A produção global de alimentos precisa crescer 70% até 2050 em relação aos níveis de 2009, pois a população deve alcançar nove bilhões de pessoas. A afirmação é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que divulgou, neste domingo, dia 27, seu relatório sobre os desafios para terras e água. A FAO destaca que a distribuição atual desses recursos não favorece os países que precisam produzir mais alimentos.
"A disponibilidade média de terras cultivadas per capita em países de baixa renda é menor à metade daquela dos países de renda elevada e a adequação das terras cultivadas para a agricultura é geralmente inferior", diz o relatório. Certos países com crescente demanda por alimentos também enfrentam grande escassez de terras e água.
O levantamento acrescentou que a maior contribuição para um aumento da produção agrícola está na intensificação da produção em terras já existentes. "Isso requer uma adoção generalizada de práticas sustentáveis de gerenciamento de terras e um uso mais eficiente da água na irrigação, por meio de mais flexibilidade, confiabilidade e adequação no tempo de irrigação", alertou o documento.
Os padrões atuais da produção agrícola precisam ser criticamente revisados, segundo a FAO, já que alguns sistemas de terras e águas enfrentam um risco de rompimento gradual, por causa da excessiva pressão demográfica e das práticas agrícolas insustentáveis. O documento acrescenta que as restrições podem ser agravadas por fatores externos como mudanças climáticas, competição com outros setores e mudanças socioeconômicas.
"Existe o potencial para expandir a produção eficientemente, para atender à segurança alimentar e à pobreza, mas limitando os impactos sobre outros valores do ecossistema", avalia a FAO, defendendo as práticas sustentáveis de gerenciamento de terras e águas. Tais práticas incluem a remoção de distorções nos incentivos à produção, melhorias nos sistemas de posse de terras, o fortalecimento das instituições voltadas às terras e às águas, o intercâmbio de conhecimento e um melhor acesso aos mercados.
Agência Estado

    segunda-feira, 28 de novembro de 2011

    Argentinos entram no controle da Usiminas

    São Paulo, segunda-feira, 28 de novembro de 2011Poder
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    Ternium desbanca CSN e compra fatia da Votorantim e Camargo Corrêa na siderúrgicaDE SÃO PAULO
    A Ternium, segunda maior siderúrgica da América Latina, anunciou ontem à noite a compra de 26% das ações ordinárias da Usiminas pertencentes aos grupos Votorantim e Camargo Corrêa.
    A Ternium também comprou parte da fatia da Caixa dos Empregados Usiminas, fundo de pensão dos funcionários, na empresa.
    Com isso, a Ternium, controlada pelo grupo argentino Techint, passa a deter 27,7% do capital votante da Usiminas e a compor o bloco de controle da siderúrgica mineira, ao lado do grupo japonês Nippon Steel.
    Os argentinos pagaram
    R$ 5,03 bilhões para entrar na Usiminas, ou R$ 36 por ação ordinária, o que representa um prêmio de 83% sobre o preço de mercado dos papéis -na sexta-feira, as ações ordinárias da Usiminas fecharam a R$ 19,70.
    A Camargo Corrêa e a Votorantim informaram que a saída da Usiminas está relacionada à estratégia dos grupos de focar em segmentos considerados estratégicos por cada empresa.
    A Camargo Corrêa informou, por meio de nota, que deve se concentrar na área de infraestrutura. Já o grupo Votorantim tem como "core business" os mercados de cimento, metais, celulose, suco de laranja e aços longos -a Usiminas é produtora de aços planos.
    A saída da Camargo Corrêa e Votorantim da Usiminas ocorre em uma fase difícil para as siderúrgicas, que tentam se adaptar à forte concentração no setor de mineração, fornecedor do principal insumo para a produção de aço, o minério de ferro.
    CSN DE FORA
    O anúncio põe fim a uma longa negociação envolvendo as participações de Camargo Corrêa e Votorantim na Usiminas e pode ser interpretado como uma derrota da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), do empresário Benjamin Steinbruch.
    Interessadas em sair do negócio, Camargo Corrêa e Votorantim chegaram a negociar a venda de suas ações na siderúrgica mineira com a CSN, segundo rumores de mercado -a empresa não confirmou oficialmente que teria apresentado a oferta.
    O acordo barrou na oposição da Nippon Steel, maior acionista individual da Usiminas, ao negócio.
    Diante do fracasso nas negociações, a CSN adotou uma nova estratégia: elevar a participação acionária na Usiminas por meio da compra de papéis da empresa na Bolsa de Valores.
    Ao longo deste ano, a CSN emitiu quatro comunicados ao mercado informando aumento de participação acionária na empresa.
    Segundo o último aviso, divulgado em 18 de novembro, a CSN detém 11,6% das ações ordinárias e 20,1% das ações preferenciais da Usiminas.
    Recentemente, em entrevista na capital paulista, o presidente da CSN admitiu o esforço para aumentar a sua participação na Usiminas, mas também as dificuldades.
    "Estamos tentando fazer a nossa parte, a gente tem que fazer. Agora, se vai dar certo, só Deus sabe", disse, ao final de setembro, Steinbruch.
    Para barrar o avanço da CSN na siderúrgica mineira, a Nippon teria até costurado um acordo com a brasileira Gerdau, segundo informações de bastidores.
    Com preferência na aquisição dos 26% da Camargo e da Votorantim, os japoneses comprariam os papéis para, depois, negociar com a Gerdau, que se tornaria acionista da Usiminas e impediria o avanço da CSN.
    Nas últimas semanas, porém, ganhou força o rumor de que a Ternium estaria perto de acordo com Camargo e Votorantim, confirmado ontem.



    PT Made in Japan

    Brasil S.A - Antônio Machado
    Correio Braziliense - 29/11/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/pt-made-in-japan
    Nippon vetou propostas da CSN e da Gerdau pela Usiminas, reescrevendo a política industrial

    A venda de participações de controle do capital da Usiminas a um grupo da Argentina, acompanhada do aumento da posição acionária de um dos sócios remanescentes, do Japão, trata-se, em princípio, de uma notícia banal de negócios, sem maiores implicações.
    Falamos da venda das ações do bloco de controle da Usiminas até então detidas pela Votorantim e pela Camargo Corrêa, ambas somando 26% do capital, para o grupo siderúrgico e de máquinas Techint — por meio de suas associadas Ternium e Confab — por R$ 5 bilhões.
    O grupo japonês Nippon Steel, que induziu o desfecho do negócio, aumentou a sua fatia, comprando ações do quarto sócio do acordo de acionistas que dirige o complexo Usiminas/Cosipa, a CEU, Caixa dos Empregados da Usiminas. E, assim, praticamente, se desnacionalizou a produção de aço, apesar de o país possuir as maiores reservas de minério de ferro do mundo, disputando a liderança com a Austrália.
    Depois das mudanças societárias, que se mantinham praticamente sem alteração desde a privatização da Usiminas, o complexo passou para o controle da Nippon, com 46,1% do capital, da Techint, com 43,3%, e da CEU, com residuais 10,6%. Foi-se embora o centro de decisões do setor siderúrgico, que era totalmente nacional e estatal sob o guarda-chuva da Siderbras até as privatizações do governo FHC.
    Hoje, dos grandes do ramo, permanecem nacionais a CSN, ela também uma ex-estatal, e a Gerdau, que sempre foi privada e se tornou a empresa brasileira mais internacionalizada, com fábricas em vários países, sobretudo nos EUA. Assim como se deu com a venda, em 2005, da Cia. Siderúrgica de Tubarão, outra ex-estatal, para a Arcelor, da família Mittal, da Índia, mas baseada em Londres, o governo não interferiu. Ao PSDB isso seria o certo. Mas ao PT é questionável.
    Desde a eleição de Lula, e continua com Dilma Rousseff, o governo pratica política industrial focando o desenvolvimento da indústria nacional, a criação de tecnologia própria e a agregação de valor à produção de insumos, de forma a que, em vez de minério de ferro, o principal produto exportado para China, o país vendesse aço, cujo valor é maior e gera muito mais emprego. E fazer como os chineses: processar minério em aço e exportá-lo como carro, geladeira, trem.
    A desnacionalização completa da Usiminas-Cosipa chama atenção não por razões ideológicas, mas por contrariar tal diretriz do governo — a mesma a que o PT recorre a cada eleição presidencial sob a forma de defesa das empresas estatais e do nacionalismo diante da ameaça do suposto "entreguismo" do PSDB. É o que aconteceu.
    O discurso e a prática
    Não tivessem os governos Lula e Dilma tais discursos e políticas em favor da empresa nacional e esse negócio, como outros recentes, seria eminentemente privado. Assim foi, por exemplo, com a venda de um conjunto de ativos de distribuição de energia detidos por um grupo da Espanha para outro da China, a State Grid. A operação foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, sem a anuência do BNDES, que a desconhecia, embora credor do negócio vendido.
    Se existem tais regras e regulamentos, supõe-se que é para serem cumpridos. O contexto é que quaisquer ativos em áreas incentivadas possam ser vendidos, dando-se a preferência a grupos nacionais.
    Japoneses dissimulados
    Certa ou errada, tal é a ideia da política industrial. No caso da Usiminas, havia dois grupos interessados nas ações da Votorantim e da Camargo Corrêa, que queriam vendê-las e se concentrar em outras atividades: a CSN e a Gerdau. O acordo de acionistas entre elas e a Nippon prevê que o direito de preferência é de uma delas.
    A Nippon não o exerceu, mas vetou a proposta da CSN, de valor até superior ao que pagou a argentina Techint, e a da Gerdau, que não confirma ter aberto negociações. A Steinbruch o chairman da Nippon Steel disse, em Tóquio, desconhecer que os sócios quisessem sair. No caso de Gerdau, a proposta envolveria a troca de ações, o que não foi aceito, segundo gente do governo que monitorou o negócio.
    O nacionalismo bizarro
    A complexidade da operação é que Steinbruch, ao ouvir o não da Nippon, saiu a comprar papéis da Usiminas, acumulando o suficiente para querer assento no conselho da administração. Para a Techint, a Usiminas é a chance de abastecer a usina do grupo no México com placas que vinham da filial da Venezuela até que ela foi encampada por Hugo Chávez. A CSN a substituiu desde então. Steinbruch avisou ao dono da Techint, o empresário ítalo-argentino Paolo Rocca, que ele terá de negociar. Tal contencioso é privado, não interessa ao governo. Já a Nippon reescrever a política industrial foi bizarro.
    Brasil, o gigante bobão
    A Constituição não diferencia o capital nacional e estrangeiro, à exceção de poucas áreas consideradas estratégicas. Tais regras são mais liberais que as dos EUA. Lá, o Congresso já vetou a venda de petroleiras para empresas da China e analisa se a Huawei e a ZTE, provedoras de redes de comunicações, ameaçam a segurança nacional.
    Já o governo chinês aprova o capital de fora a operar no país, se associado, em geral, a firmas locais. Na Índia, só agora as redes de varejo estrangeiras foram autorizadas a entrar. No Brasil, tais regras soam pecaminosas. Exportamos soja em grão em vez de óleo; minérios, não aço; açúcar em vez de doces. O aço feito nos EUA com minério brasileiro custa menos que no Brasil. É o gigante bobão.

    OPERAÇÃO USIMINAS FRUSTRA OS ACIONISTAS MINORITÁRIOS

    TUDO IGUAL NA USIMINAS?
    Autor(es): Por Graziella Valenti, Vera Saavedra Durão e Ana Paula Ragazzi | De São Paulo e do Rio
    Valor Econômico - 29/11/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/operacao-usiminas-frustra-os-acionistas-minoritarios

    A entrada do grupo ítalo-argentino Ternium, braço de siderurgia da Techint, no bloco de controle da Usiminas tem vencedores óbvios: a Camargo Corrêa e a Votorantim, que venderam suas ações por R$ 36 cada uma, com um prêmio de 83%, numa operação de R$ 5 bilhões. Para os acionistas da Usiminas que se mantiveram na companhia, principalmente os minoritários, a operação ainda terá de se provar um bom negócio

    A chegada da ítalo-argentina Ternium , do grupo Techint, ao bloco de controle da Usiminas tem vencedores óbvios: os vendedores Camargo Corrêa e Votorantim. Conseguiram um prêmio de 83% por suas ações, ao alienarem suas participações por R$ 36 por ação, num cenário nada motivador para commodities internacionais. Trata-se de um investimento de R$ 5 bilhões pela nova sócia, por 27,7% do capital votante da siderúrgica mineira.
    Já para os acionistas da Usiminas que se mantiveram na companhia, a operação terá que se provar um bom negócio. Não está claro que essa era a melhor opção para conduzir uma virada na Usiminas. O comportamento das ações indica que não houve comemoração com a transação, a despeito do valor pago pela Ternium. As preferenciais subiram 2,83% ontem, fechando a R$ 10,90, num dia em que o Índice Bovespa teve alta de 2,05%. As ordinárias, fora do bloco de controle, tiveram queda de 3,55%, para R$ 19,00.
    A Usiminas está avaliada em bolsa a R$ 14,9 bilhões. Caso o preço oferecido pelo grupo ítalo-argentino fosse extrapolado para todas as ações, a empresa valeria mais de R$ 36 bilhões.
    No mercado, há quem comente que o negócio não foi o melhor para o sucesso da atividade da Usiminas, dentre as opções existentes, embora o fim das indefinições sobre o controle seja um alívio.
    "Já se falou muito, no passado, de uma internacionalização da Usiminas. Hoje não é o momento, em função da crise, com um excesso de oferta de aço. Mas nada impede que essa discussão volte em um segundo momento e a presença de dois parceiros internacionais poderia ajudar", afirmou Wilson Brumer, presidente da Usiminas.
    As opções brasileiras - Gerdau e CSN - ofereceriam mais sinergias operacionais, alegam alguns investidores frustrados. A Gerdau era a preferida pelo mercado, pela governança. A CSN, por sua vez, faria maior sentido operacional. Procuradas, Gerdau CSN não comentaram o assunto.
    Mas as negociações de Gerdau e CSN passavam pela necessidade de integrar as companhias. A junção das atividades era vital para o investimento fazer sentido.
    De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, a sócia-controladora da Usiminas, Nippon, não mostrava disposição de negociar esse modelo. Assim não se chegava a bom termo, mesmo com disposição para um prêmio elevado, como demandavam os vendedores para deixar o controle. "Sem integrar as empresas, qualquer preço seria caro", comentou uma fonte que esteve envolvida nas negociações.
    Segundo Roberto Vidigal, atual presidente do conselho de administração das empresas do grupo no Brasil (Ternium, Tenaris Confab e Techint Tecnologia), o preço pago embute as modificações do acordo de acionistas e as sinergias, que "são grandes".
    Na opinião dos analistas do Morgan Stanley Carlos de Alba, Bruno Montanari e Alfonso Salazar, a Ternium pagou caro.
    Eles observam que, na prática, os papéis da Usiminas podem ser divididos em três categorias: as preferenciais, sem direito a voto; as ordinárias que não fazem parte do bloco de controle e as ordinárias que estão no bloco de controle.
    Desde que começaram os rumores de negociação pela Usiminas, as ordinárias, que historicamente negociavam com deságio frente as preferenciais, mais líquidas, passaram a ter prêmio. Na sexta-feira, antes da conclusão do negócio, esse prêmio era superior a 85%. Ainda assim, o valor pago para ingressar no bloco controlador foi 83% maior que o de bolsa.
    Nas contas dos especialistas do Morgan Stanley, as ações do bloco de controle deveriam ter prêmio de 25% sobre as ordinárias de mercado que, por sua vez, deveriam valer 25% mais que as preferenciais.
    Eles afirmam que a Ternium vai ingressar no grupo de controle da Usiminas, mas terá poder muito limitado para fazer mudanças radicais. As decisões terão de ser aprovada por 65% das ações do bloco de controle. Isso significa que, na prática, nem Nippon nem Ternium decidem nada isoladamente. Elas precisam que a Caixa dos Empregados da Usiminas também concorde com o rumo dos negócios.
    "O controle dividido reduz a flexibilidade necessária para uma retomada da empresa", comentam os analistas do Morgan Stanley.
    A manutenção do controle dividido explica a inexistência de uma oferta de compra aos minoritários de ações ordinárias - e a queda desses papéis. Como Nippon e Caixa de Empregados da Usiminas continuam compondo o controle, a chegada da Ternium não configura alienação de controle. (Colaborou Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte)

    Usiminas agora é controlada por estrangeiros

    Autor(es): agência o globo:Thiago Herdy e Danielle Nogueira
    O Globo - 29/11/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/usiminas-agora-e-controlada-por-estrangeiros

    Com entrada de grupo italiano, que pagará R$5 bi por fatia na siderúrgica, gringos terão 57,2% do capital votante
    BELO HORIZONTE e RIO. Vinte anos após sua privatização, a primeira do Programa Nacional de Desestatização, a Usiminas vai mudar de mãos novamente e deixar de ser brasileira. Com a entrada do grupo italiano Techint - que desembolsará R$5 bilhões por uma fatia de 27,7% no capital votante da empresa -, o controle da siderúrgica mineira passa a ser dividido entre os recém-chegados italianos e a japonesa Nippon Steel, acionista da companhia desde 1991. Juntos, os dois terão 57,2% das ações ordinárias (com direito a voto) da Usiminas. Maior produtora de aços planos do país, a companhia é grande fornecedora de montadoras.
    A operação, anunciada no fim da noite de domingo, foi detalhada ontem pelo presidente da Usiminas, Wilson Brumer. Pelo novo acordo de acionistas, o grupo Techint, por meio de suas subsidiárias Ternium, Siderar e TenarisConfab, comprará 26% do capital votante que estavam em posse de Camargo Corrêa (13%) e Votorantim (13%). Além disso, vai adquirir 1,7% da Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU). O preço pago por ação será de R$36, ágio de 83% sobre a cotação da última sexta-feira (R$19,70) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
    Minoritários devem
    ficar de fora da operação
    Paralelamente, a Nippon pagará R$307 milhões por 1,7% das ações ordinárias da CEU, elevando sua fatia no capital votante para 29,5% e reduzindo a da CEU a 6,8%. Pelo acordo, não há mudanças no número de cadeiras do grupo controlador no Conselho de Administração: Ternium e empresas associadas assumem os três assentos que eram ocupadas por Camargo e Votorantim; a Nippon tem outros três, e a Caixa de Empregados, dois.
    O acordo encerra uma disputa que vinha sendo liderada pela CSN. Desde janeiro, a empresa estava comprando ações da Usiminas. A última aquisição, este mês, elevou sua fatia para 11,6% do capital votante. A CSN, no entanto, permanece fora do bloco de controle. Nessa briga, a Gerdau chegou a ser apontada como potencial candidata para as fatias de Votorantim e Camargo, que vinham acenando sua disposição de vendê-las. Mas a siderúrgica gaúcha, a preferida do governo federal para encabeçar a compra, não se mexeu.
    Leonardo Alves, da Link Investimentos, acredita que, com a vitória de um grupo estrangeiro na disputa, a Usiminas pode perder apoio do governo em questões pontuais. Mas Brumer não parece preocupado:
    - Agora um acionista se junta a nós com o intuito de ajudar a Usiminas a crescer no Brasil - disse o executivo, que descarta mudanças imediatas na diretoria e prevê para o fim de janeiro a conclusão do acordo.
    Segundo Brumer, não deve haver tag along (extensão aos acionistas minoritários do prêmio pago aos controladores). Os papéis preferenciais da Usiminas (PNA, sem direito a voto) subiram 2,83%, a R$10,90, enquanto os ordinários (ON, com direito a voto) caíram 3,55%, a R$19. Segundo Pedro Galdi, da SLW, a queda se deve ao fato de que os papéis estavam com "preço inflado", em parte por causa das recentes aquisições da CSN.
    Ontem, a Usiminas anunciou a compra da Mineração Ouro Negro (MG) por US$367 milhões e a conclusão da compra da J. Mendes (MG) por US$1,9 bilhão.

    Usiminas aposta em processo de internacionalização

    Autor(es): Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte
    Valor Econômico - 29/11/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/usiminas-aposta-em-processo-de-internacionalizacao

    A entrada da Ternium no bloco de controle da Usiminas poderá viabilizar um processo de internacionalização da siderúrgica mineira, algo que já foi ensaiado no passado, mas que nunca saiu do papel.
    A avaliação foi feita ontem presidente da Usiminas, Wilson Brumer, durante entrevista em Belo Horizonte. A Ternium pertence ao grupo ítalo-argentino Techint. "A Ternium está muito focada na América Latina. Ela tem usinas no México e na Argentina. Chegou a ter uma na Venezuela. Tem vários centros de serviço nos EUA. Podemos discutir muitas oportunidades de negócios", disse.
    Segundo ele, em um momento de empresas globalizadas, a aquisição por parte da Ternium da fatia pertencente à Votorantim e à Camargo Corrêa permitirá à Usiminas "crescer no Brasil e certamente crescer em outros mercados quando for o tempo necessário".
    "Já se falou muito, no passado, de uma internacionalização da Usiminas. Hoje não é o momento para essa discussão, em função até da crise pela qual o setor atravessa, com um excesso de oferta de aço. Mas nada impede que a discussão volte em um segundo momento, e a presença de dois parceiros internacionais poderia ajudar nesse aspecto", disse Brumer.
    Pelo acordo firmado, os dois maiores acionistas passam a ser os japoneses do grupo Nippon, que aumentam sua participação de 43,47% das ações vinculadas ao acordo para 46,12% e a Ternium, que terá 43,31%. O fundo de pensão dos funcionários deixa de ter 15,86% das ações do acordo e passa a ter 10,57%. Considerando o total de ações ordinárias da siderúrgica, e não apenas as pertencentes ao bloco de controle, a Nippon tem 29,45%, a Ternium, 27,66% e os empregados, 6,75%.
    Um dia após o anúncio da entrada do novo sócio na Usiminas, o executivo não deu muitas pistas sobre quais mudanças práticas deverão ocorrer nos projetos e nos negócios da siderúrgica mineira.
    "Somos parceiros de longa data e, na discussão que certamente vai acontecer o tempo todo, vamos descobrir coisas que podemos fazer juntos com o passar do tempo. Mas falar de sinergias neste momento, eu acho que é prematuro."
    Um eventual aumento da participação de mercado da Usiminas num futuro próximo se deverá, segundo o executivo, muito mais aos atuais investimentos feitos pela empresa do que à entrada dos novos sócios no bloco de controle.
    Ao falar sobre eventuais mudanças nos cargos de diretoria decorrentes da alteração societária, o executivo voltou a dizer que é cedo para essa discussão. Além de eventuais indicações para a direção que a Ternium poderá fazer, os novos sócios também poderão indicar seus representantes para as três cadeiras no conselho de administração que herdaram da Votorantim e da Camargo Corrêa.
    O negócio ainda precisará da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e talvez abra uma disputa envolvendo os acionistas minoritários que venham a cobrar na Justiça o direito de receber o mesmo prêmio pago aos controladores por suas ações.
    "Nosso entendimento jurídico é que não há "tag along" porque o grupo de controle continua existindo. O acionista Nippon e a Caixa de Empregados continuam presentes nesse acordo. O que simplesmente houve foi a saída de um dos integrantes do grupo de controle para a entrada de outro."
    Depois de meses de especulações e movimentos envolvendo as siderúrgicas brasileiras Gerdau e CSN, a venda de uma parte do controle da Usiminas para a Ternium põe fim a um período em que a empresa mineira ficou cercada por incertezas.
    A opção pela pelo grupo ítalo-argentino se deveu muito à longa história de parcerias e negócios que a Usiminas e a Nippon têm com as empresas da Techint.
    "Esse assunto [da venda] vinha sendo debatido [há meses] e de uma certa maneira vinha criando muitos rumores no mercado. Isso não é bom para a empresa porque acaba criando uma certa insegurança, acaba criando outros tipos de problemas. [Agora] a solução está dada. Então, vira-se uma página", disse Brumer.
    "A solução foi com um parceiro de primeira linha, que tem com a Usiminas uma relação muito próxima e que tem uma relação muito próxima com a Nippon Steel."
    Segundo Brumer, embora a participação da Votorantim e da Camargo Corrêa não depreciasse a Usiminas - "ao contrário", disse -, a mudança societária faz com que a siderúrgica passe a ter um grupo em seu controle "de empresas do setor, o que valoriza o futuro da Usiminas".
    A Usiminas também anunciou ontem que a sua subsidiária de mineração finalizou duas parcerias na região de Serra Azul, em Minas. A empresa comprou ativos e direito minerário na região da Mineração Ouro Negro, por US$ 367 milhões. Também fez um acordo com a Ferrous, que permitirá um melhor aproveitamento pela Usiminas de uma área localizada entre as reservas das duas mineradoras.

    Usiminas compra mina em Serra Azul por US$ 367 mi

    O Estado de S. Paulo - 29/11/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/usiminas-compra-mina-em-serra-azul-por-us-367-mi
    A Usiminas anunciou ontem o aumento das reservas de minérios de ferro da empresa em 24,44%, chegando à capacidade estimada em 2,8 bilhões de toneladas. O crescimento se deve à compra, por US$ 367 milhões, de ativos e direito minerário da Mineração Ouro Negro, em Serra Azul, no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, que elevará as reservas da empresa em 550 milhões de toneladas. A Usiminas também concluiu a compra da J. Mendes, Somisa e Global Mineração, iniciada em 2008. Na ocasião, a siderúrgica fez um aporte US$ 925 milhões e agora concluiu o negócio com mais US$ 100 milhões. Segundo a empresa, as compras permitirão sua autossuficiência em minério de ferro em meados de 2013, passando da atual produção de 8 milhões de toneladas anuais para 29 milhões de toneladas em 2015. A siderúrgica consome cerca de 15 milhões de toneladas de minério por ano. / MARCELO PORTELA

    São Paulo, terça-feira, 29 de novembro de 2011Mercado
    Mercado

    COMMODITIES
    Maior multinacional argentina aumenta presença no Brasil

    Grupo Techint compra, por meio de subsidiária, 26% das ações da siderúrgica Usiminas
    Grupo argentino emprega 70 mil pessoas no mundo; no ano passado, faturamento foi de US$ 22 bilhões

    LUCAS FERRAZ

    DE BUENOS AIRES

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/11843-maior-multinacional-argentina-aumenta-presenca-no-brasil.shtml

    Maior multinacional argentina, o Grupo Techint amplia sua relação com o Brasil ao adquirir, por meio de uma subsidiária, 26% das ações da Usiminas, empresa com quem mantém negócios desde a década de 1990.
    Em 1998, um consórcio integrado pelas duas companhias tornou-se sócio da Sidor, siderúrgica venezuelana que terminou estatizada pelo presidente Hugo Chávez há três anos.
    No ano seguinte, a Tenaris, outra empresa do Grupo Techint, comprou a Confab, instalada em Pindamonhangaba (SP) e responsável por produzir e fornecer tubos de aço para a indústria energética do Brasil e região.
    Grupo que emprega 70 mil pessoas ao redor do mundo, a Techint tem algumas subsidiárias com sede na Europa, como é o caso da Ternium (segunda maior siderúrgica da América Latina, que comprou parte da Usiminas) e da Tenaris, ambas com sede em Luxemburgo. No ano passado, o faturamento de todo o grupo foi de US$ 22 bilhões.
    "Considero essa operação um marco fundamental na história da Ternium, da Siderar e da Usiminas, assim como também um importante avanço na integração industrial do Mercosul", disse por meio de nota o presidente-executivo do Grupo Techint, Paolo Rocca.
    "A aliança (...) configura um sistema industrial capaz de atender as exigências mais complexas de toda a cadeia de valor de setores produtivos estratégicos da América Latina: automotivo, construção, agroindústria, linha-branca, energia, entre outros", afirmou.
    Empresário ítalo-argentino, Rocca atua hoje para mudar a imagem antikirchnerista atrelada ao grupo, fundado por seu avô em 1945.
    Na semana passada, após vários anos de enfrentamento, Rocca se reuniu com a presidente Cristina Kirchner. Não só ele mas muitos empresários argentinos, antes contrários ao governo, trataram de se aproximar da Casa Rosada, movimento iniciado após outubro, quando ela foi reeleita com votação recorde.

    São Paulo, terça-feira, 29 de novembro de 2011Mercado
    Mercado

    Usiminas paga US$ 367 mi por mineradora

    TATIANA FREITAS
    DE SÃO PAULO
    PAULO PEIXOTO
    DE BELO HORIZONTE

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/11844-usiminas-paga-us-367-mi-por-mineradora.shtml

    A Usiminas deu ontem mais um passo em direção à autossuficiência em minério de ferro, principal insumo para a produção de aço, estimada para 2013.
    A empresa anunciou a aquisição da Mineração Ouro Negro, na região de Serra Azul, no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, por US$ 367 milhões.
    Com a compra, a Usiminas adiciona 550 milhões de toneladas de minério de ferro à sua capacidade e eleva em 24% suas reservas em Serra Azul, para 2,8 bilhões de toneladas.
    A notícia foi divulgada após o anúncio de venda das participações de Votorantim e Camargo Corrêa na empresa para o grupo ítalo-argentino Ternium.
    Com isso, a Usiminas, primeira estatal a ser privatizada no país, não tem mais empresas nacionais no seu grupo controlador, que passa a ser formado pela Ternium e pela japonesa Nippon Steel, além do fundo de pensão dos funcionários da Usiminas, com participação de 10%.
    Mas o presidente da empresa, Wilson Brumer, afasta o termo "desnacionalização", alegando que a Usiminas está instalada no Brasil, tem fábricas no país e ações negociadas na Bolsa de Valores nacional.
    Ele considera, porém, que, se a necessidade de internacionalização voltar à pauta do setor, a presença da Nippon e da Ternium pode ser um facilitador.

    A nova disputa pelo controle da Usiminas

    Autor(es): Cláudio Gradilone
    Isto é Dinheiro - 05/12/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/5/a-nova-disputa-pelo-controle-da-usiminas
     
    A disputa pelo prêmio de controle da Usiminas é muito menos visível que o chute no engravatado, mas igualmente danosa para o capitalismo brasileiro.
    A melhor imagem da privatização da Usiminas, concluída com choro e ranger de dentes no dia 24 de outubro de 1991, é a foto abaixo: um manifestante contrário à venda chutando um anônimo engravatado. Ambos – agressor e agredido – personificavam a disputa visceral que se desenrolava então sobre os rumos do desenvolvimento brasileiro. De um lado, os defensores de uma economia cartorial, estatizada e ineficiente. De outro, os autoproclamados paladinos da modernidade, representada pelo então presidente Fernando Collor, que tentava atualizar o capitalismo brasileiro com uma boa dose de truculência. Uma das promessas era a possibilidade de que os brasileiros pudessem comprar ações da empresa privatizada. Isso permitiria que os ganhos fossem repartidos entre muitos. Não há dúvida de que a privatização fez bem à siderúrgica.
    A Usiminas de 1991 faturou US$ 1,03 bilhão e lucrou US$ 60 milhões. A de 2010 faturou US$ 6,8 bilhões e lucrou US$ 943 milhões. A receita foi multiplicada por sete e o lucro por 15. No entanto, a participação dos pequenos investidores nesse processo ainda é apenas uma promessa. Duas décadas depois de deixar de ser estatal, a Usiminas também deixou de ser brasileira. Seus controladores agora são os argentinos da Ternium, controlada pelo grupo italiano Techint, e os japoneses da Nippon Steel. Ao contrário de 1991, o processo foi isento de paixões políticas e de manifestações ruidosas. Mesmo assim, a nova venda da Usiminas mostra que o capitalismo brasileiro ainda tem um longo caminho a percorrer. Pela Lei das Sociedades Anônimas, que foi aprovada dez anos após a privatização, os investidores que tivessem ações ordinárias teriam direito a 80% do prêmio de controle no caso de a empresa mudar de mãos.
    A Usiminas afirma que seu controle não mudou. Os minoritários – entre eles a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil – discordam, e prometem pleitear sua fatia do prêmio de controle. Não se discutem, aqui, filigranas legais. O fato é que a Usiminas tem novos donos. Mesmo assim, apesar de a lei das Sociedades Anônimas proteger os minoritários, é pouco provável que eles consigam participar dos frutos da transação sem mobilizar um exército de advogados e enfrentar uma longa batalha legal. Essa disputa é muito menos visível do que o chute no engravatado há duas décadas, mas é igualmente danosa para o capitalismo brasileiro. A dolorosa abertura da economia exigiu que empresários e trabalhadores encetassem uma marcha forçada em direção à modernidade. O mercado de capitais não ficou ao largo desse processo.
    Além da lei das S.A. e da instalação do Novo Mercado, ambos de 2001, várias empresas vêm discutindo com seriedade formas de aperfeiçoar sua governança corporativa. No entanto, casos como o da Usiminas (e vários outros, menos recentes) mostram que muitas companhias abertas de grande porte ainda não enxergam seus "pequenos" acionistas como sócios, ou seja, parceiros nos períodos de vacas magras e nas épocas de dinheiro farto. E nunca é demais lembrar: apesar de todos os seus defeitos, distorções e injustiças, o eficiente mercado de capitais americano é o instrumento mais eficaz para gerar – e distribuir – riqueza em grande escala.

    Minoritários da Usiminas rubros de raiva

    Dinheiro em ação
    Isto é Dinheiro - 05/12/2011
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/5/minoritarios-da-usiminas-rubros-de-raiva
     
    Papéis avulsos
    A transação entre o grupo ítalo-argentino Ternium e os brasileiros Votorantim e Camargo Corrêa, que envolveu 43,3% das ações ordinárias da Usiminas, deixou os acionistas minoritários da siderúrgica rubros de raiva. Logo após o anúncio da transação, representantes do mercado questionaram o fato de que os compradores não estenderam o prêmio pago, de 82%, para todos os investidores. Segundo Edison Garcia, presidente da Associação de Mercado de Capitais (Amec), em casos semelhantes, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) obrigou o novo sócio a oferecer esse benefício, conhecido como "tag along", a todos que detinham ações ordinárias. "Isso ocorreu com a compra do Pão de Açúcar pelo Casino", diz Garcia. As reclamações devem envolver grandes acionistas. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, informou apenas que está avaliando o assunto. Na prática, as providências ainda estão na fase de contratação de advogados. O fundo possui 5,9% do capital da Usiminas, dividido em 10,4% das ações ordinárias e 1,2% das preferenciais. Procurada, a Usiminas não comentou o assunto.

    Estagnação do mercado da soja faz produtores estocarem produção

    Publicado em 26/11/2011 na seção noticias :: Versões alternativas: Texto PDF




    Produtores de soja adotam medidas para evitar prejuízos, em função da estagnação do mercado. Enquanto os maiores importadores do grão brasileiro recuam e aguardam por preços ainda mais atraentes, agricultores estocam o produto, à espera de uma recuperação que traga mais lucro. Em outubro, a soja era negociada a R$ 56,00 no porto. Já nos últimos dias, o preço caiu para R$ 48,00. 

    Com as incertezas na zona do euro, investidores europeus deixaram de apostar nas commodities e a China espera maior queda nos valores
    . De acordo com o analista de mercado Farias Toigo, as previsões até dezembro de 2011 são pessimistas.

    "O que poderia vir junto com essa tragédia do mercado financeiro seria a entrada da safra sul-americana tendo uma produção do Brasil e da Argentina. Principalmente isso impulsionaria mais os preços para baixo e, dependendo do câmbio, poderia baixar bem mais os valores também no nosso mercado" estima.

    O produtor José Helmuth Steffen, de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, antecipou o plantio do grão, em função das previsões do fenômeno La Niña. Ele afirma que negociou um terço da lavoura em agosto e agora segura as vendas por causa da diminuição no preço da saca.

    "A gente tem um patamar, regula muito do custo de produção. E, geralmente, temos um parâmetro de quanto custará o produto final. Quando chegam nesses números que projetamos, nós vendemos" diz.

    No Brasil, a recuperação do dólar impediu uma queda ainda maior nos preços. Porém, para alguns produtores de soja, a valorização da moeda norte-americana pode trazer custos mais altos.

    "Existe a contrapartida, com essa crise em cima do euro, está valorizando o dólar index, que é uma cesta de moedas. Então, o mercado está se posicionando mais para o dólar e, com isso, afeta a gente aqui também. Com essa alta, nós fazemos a conversão por Chigaco e isso dá uma certa travada no preço. Se não, eles cairiam muito mais. O produtor que não se precaveu de providenciar insumos, de fazer o red na época certa , ou deixou em aberto o dólar, terá um prejuízo na hora em que for fechar esse câmbio. Tudo porque vai encarecer os custos de produção
    dele", explica Toigo.

    FONTE

    Canal Rural
    Cristiane Viegas - Jornalista

    Banco Central desenvolvimentista

    Maílson da Nóbrega - Maílson da Nóbrega
    Veja - 28/11/2011
     
     


    O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) desistiu de projeto que conseguira aprovar na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que atribuiria ao Banco Central (BC) a tarefa de “promover o pleno emprego da economia”.

    Mesmo assim, vale apontar a inocuidade da proposta e seus inconvenientes, pois muitos continuarão a defendê-la sob o equívoco de que o BC se preocupa apenas com a inflação. Daí a ideia de imitar aqui o Federal Reserve (Fed) americano, que tem o duplo mandato de “promover os objetivos de máximo emprego, e de preços estáveis e taxas de juros moderadas de longo prazo”.
    O projeto arquivado dissertava sobre o óbvio. Qualquer banco central mira a inflação e o desenvolvimento. Esse duplo objetivo integra sua missão mundo afora, com ou sem lei específica. Preserva-se, todavia, a centralidade da inflação no exercício de sua função, que é promover a estabilidade de preços e do sistema financeiro, pré-requisitos essenciais ao desenvolvimento sustentado.
    Os bancos centrais agem atentos a um “balanço de riscos”. De modo geral, se há risco para a inflação, a taxa de juros sobe. Se o risco for para o crescimento, assegurada a estabilidade, a taxa de juros cai. Se por algum motivo a inflação sobe demais, a preocupação com o crescimento econômico justifica um tempo maior – geralmente dois anos – para trazê-la de volta à meta, suavizando-se os respectivos efeitos sobre a atividade econômica.
    As funções atuais dos bancos centrais são fruto de longo aprendizado, desde quando nasceram os primeiros: o Banco da Suécia (1668), o Banco da Inglaterra (1694) e o Banco da França (1800). Seu começo centrou-se nas finanças públicas. A criação do Banco do Brasil (1808) foi inspirada nessas experiências. Sua missão inicial era suprir moeda divisionária para apoiar o comércio do Rio de Janeiro. Depois, o BB passou a exercer funções de banco central, inibindo o surgimento do BC, que aconteceria somente em 1964.
    No século XIX, o Banco da Inglaterra – que era uma instituição privada até 1946 – tornou-se emprestador de última instância para o sistema bancário. Baseado em ideia de Walter Bagehor, o editor da revista The Economist, o banco fornecia liquidez ilimitada, a custos punitivos, para bancos solventes cujos depositantes corressem para sacar seus depósitos. Essa viria a ser a razão básica da criação do Fed (1913).
    Durante o padrão-ouro, o controle da inflação decorria do processo de emissão e recolhimento de moeda, que dependia do estoque do metal. Quando este baixava, a contração monetária podia causar elevadas perdas de renda e de emprego. Com o tempo e o fortalecimento dos sindicatos, isso ficou insustentável. O rígido padrão-ouro foi abandonado nos anos 30. A responsabilidade passou para as mãos do banco central. Daí a necessidade de sua autonomia operacional, que virou norma legal nos países ricos e na maioria dos emergentes. O objetivo é impedir o uso político-eleitoral do banco para promover irresponsavelmente o crescimento, à custa de mais inflação.
    A ideia de estabelecer o duplo mandato para o Fed apareceu em 1945 com o projeto de uma Lei do Pleno Emprego. O projeto foi inquinado de socialista, diante de seu amplo intervencionismo. A grande justificativa era o retorno dos que haviam lutado na II Guerra, o que poderia elevar o desemprego. O receio se provou improcedente. Aprovou-se afinal a Lei de Emprego (1946) sem os seus excessos. O duplo mandato se tornou explícito em 1977.
    O Fed informa habitualmente o Congresso e a opinião pública sobre o cumprimento do duplo mandato, quase sempre enfatizando sua autonomia. É o que se vê no didático discurso de 2007 proferido por Frederic Mishkin, então diretor da instituição. O Fed não sobrepõe o objetivo do crescimento ao da estabilidade.
    A rigor, a explicitação em lei do duplo mandato do BC nada mudaria. Poderia, no entanto, estimular pressões políticas para que o banco promovesse a expansão insustentável da economia e reacendesse a fogueira da inflação. Bem fez o senador Lindbergh em desistir, mas é preciso ficar atento a propostas semelhantes.

    Fome pode se agravar, diz estudo

    Correio Braziliense - 28/11/2011
     

    Uma pesquisa divulgada pela Oxfam, organização internacional de combate à fome, prevê um futuro catastrófico na produção de alimentos se a questão ambiental não começar a ser resolvida em breve. De acordo com o estudo, eventos como a seca no nordeste da África, que resultou em pelo menos 13 milhões de famintos, devem se tornar mais frequentes e passar a acontecer de forma generalizada no mundo.
    Em regiões onde problemas econômicos e políticos já são graves, as mudanças no clima devem impactar de maneira ainda mais severa a alimentação da população mais pobre, que chega a gastar 75% de sua renda com alimentação. "No momento, há comida suficiente com problemas na distribuição. Porém, com as alterações climáticas, será cada vez mais difícil produzir alimentos", diz ao Correio o representante britânico da organização, Tim Coore. "Esse efeito é mais grave em grãos, como milho e arroz, e em alguns vegetais, que são a base da alimentação das populações mais pobres", completa.
    Em julho, os preços do sorgo na Somália subiram 393%, e os preços do milho na Etiópia e no Quênia aumentaram, respectivamente, 191% e 161% nos últimos cinco anos. Seca e incêndios que se seguiram a uma onda de calor na Rússia e na Ucrânia destruíram grande parte da colheita de 2010 e provocaram um aumento de 60% a 80% nos preços mundiais de trigo em apenas três meses. Tempestades e tufões no sudeste da Ásia ajudaram a subir o preço do arroz em até 30% na Tailândia e no Vietnã. (MMM)
    Longo caminho
    Veja as principais expectativas e os resultados alcançados nas recentes conferências sobre mudanças climáticas
    COP-13
    Bali (Indonésia), 2007
    Expectativas: Alcançar um consenso sobre a necessidade da adoção de medidas urgentes e universais para a diminuição dos efeitos das mudanças climáticas
    Resultados: Apesar de algumas nações, entre elas os Estados Unidos, permanecerem com certo ceticismo em relação ao tema, o Bali Action Plan determinou que um novo acordo sobre a questão climática seria firmado em 2009
    COP-14
    » Poznán (Polônia), 2008
    Expectativas: Aprofundar cinco pontos propostos pelo Bali Action Plan para facilitar um consenso na conferência do ano seguinte. Esses pontos incluíam a transferência de tecnologias menos poluentes para países em desenvolvimento e a diminuição das emissões de carbono
    Resultados: A expectativa por um posicionamento do então recém-eleito presidente dos EUA, Barack Obama (foto), travou um avanço mais rápido nas negociações. Das cinco metas, houve consenso em apenas uma: a formação de um fundo internacional para ajudar países pobres a lidar com as mudanças no clima
    COP-15
    » Copenhague (Dinamarca), 2009
    Expectativas: Como previa o plano elaborado na Indonésia, seria na conferência dinamarquesa que o novo protocolo que substituiria o de Kyoto seria assinado. Por essa razão, 133 chefes de governo e Estado compareceram ao evento, o maior número em uma conferência ambiental desde a Rio 92, no Brasil
    Resultados: O que era para ser um momento histórico na mudança das políticas ambientais em todo o mundo, foi considerado por muitos um fiasco. Um acordo mais simples foi assinado nos instantes finais da conferência, mas sem efeitos vinculantes, ou seja, sem a obrigatoriedade de cumprimento pelas nações
    COP-16
    » Cancún (México), 2010
    Expectativas: Com o fracasso da conferência anterior, as esperanças para a reunião do México se tornaram pequenas. O objetivo da maioria dos negociadores se transformou em solucionar uma série de questões que impediam
    as negociações de um acordo
    mais amplo
    Resultados: De certa forma, esse objetivo foi alcançado. O número de países que aceitaram assumir metas de redução da emissão aumentou, e o os financiamentos cresceram. No entanto, o grupo liderado pelos EUA permanece irredutível quanto à adoção de metas de redução da poluição. Perdeu-se a última chance de aprovar um acordo que pudesse ratificado pelas assembleias nacionais antes do fim do Protocolo de Kyoto
    Alertas climáticos
    Veja algumas evidências científicas utilizadas pelo Painel Internacional para Mudanças Climáticas (IPCC) para tentar sensibilizar os negociadores na COP-17
    » Desde 1900, o nível do mar aumentou entre 10cm e 20cm. A temperatura média global da superfície aumentou 0,8ºC. As temperaturas médias em terra aumentaram muito mais rápido: 0,91ºC desde meados do século 20, segundo o Berkeley Earth Surface Temperature Project
    » Entre 20% e 30% das espécies de plantas e animais enfrentarão ameaça de extinção se as temperaturas globais aumentarem entre 1,5º e 2,5ºC, em comparação com as temperaturas médias das últimas duas décadas do século 20
    » Na África, por volta de 2020, entre 75 milhões e 250 milhões de pessoas ficarão expostas a um maior estresse hídrico. O produto da agricultura irrigada por chuvas em alguns países da África poderá ser reduzido em até 50%. Áreas similares a desertos podem se expandir entre 5% e 8% em 2080
    » Na Ásia, a disponibilidade de água doce diminuirá em meados do século. Os megadeltas costeiros correrão risco de inundações devido ao aumento do nível dos mares. A mortalidade atribuída a doenças associadas a cheias e secas aumentará.

    Construção naval tem projetado investimentos de R$ 16,8 bilhões

    Autor(es): Por Francisco Góes | Do Rio
    Valor Econômico - 28/11/2011
     

    A indústria da construção naval prevê investir R$ 16,8 bilhões em novos projetos nos próximos anos com apoio do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento de longo prazo para o setor. O número refere-se a 57 projetos de construção de estaleiros, de navios mercantes, rebocadores e embarcações de apoio às atividades de petróleo e gás. Esses empreendimentos receberam, na semana passada, o aval do conselho diretor do FMM para ir adiante. O fundo financia até 90% do valor do investimento.
    Existem ainda outros 169 projetos que somam R$ 11,9 bilhões, os quais receberam prioridades do conselho do fundo em duas reuniões: uma realizada em maio e outra, extraordinária, em outubro. A prioridade é o primeiro passo para a empresa dona do projeto contratar o financiamento com um banco público. Os principais agentes do fundo são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e CEF. No total, existem, portanto, 226 projetos de investimento no setor naval que somam R$ 28,7 bilhões em prioridades.
    Pelas regras vigentes, a empresa que recebe a prioridade precisa contratar o financiamento com o agente financeiro em período de 360 dias. E depois tem mais um ano para começar as obras. Se não o fizer, a prioridade é cancelada. Na reunião do conselho do FMM, realizada na semana passada, foram aprovados projetos de 13 estaleiros, entre construção e expansão, os quais somam R$ 5,9 bilhões em investimentos. Entre os estaleiros que receberam prioridades, estão o Eisa Alagoas e o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, na Bahia. Cada um dos projetos prevê investimentos na faixa dos R$ 2 bilhões.
    Também houve aprovação de prioridades para 12 rebocadores, com investimentos de R$ 238,9 milhões; para 76 embarcações de apoio offshore, que somam R$ 7,3 bilhões; e 209 navios cargueiros, com investimentos de R$ 3,3 bilhões. Uma fonte que conhece a estrutura do fundo disse que as prioridades de financiamento precisam ser aprovadas por maioria do conselho, formado por treze membros representando os ministérios do Transporte, Indústria e Comércio, Planejamento e Secretaria Especial de Portos. Também estão representados no fundo a Marinha do Brasil, o Tesouro Nacional e as entidades que representam a construção naval, as empresas de navegação, metalúrgicos e marítimos.
    Gustavo Sampaio Lobo, diretor do departamento do FMM, disse que a situação financeira do fundo é confortável para fazer frente aos projetos para construção de navios e estaleiros, que tem sido crescente. A Secretaria de Fomento para Ações de Transporte, do Ministério dos Transportes, ao qual o departamento está subordinado, analisa os fluxos de caixa para avaliar a oferta e demanda por recursos.
    Em 2010, uma lei garantiu aporte do Tesouro Nacional de R$ 15 bilhões no FMM para financiamentos, recursos que ainda não estão sendo necessários. A principal fonte de arrecadação do FMM é um adicional cobrado sobre os fretes marítimos, em especial na importação, e o retorno dos financiamentos concedidos pelo fundo.
    Em 2011, a previsão é de que a arrecadação do fundo com o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) fique em R$ 2,6 bilhões, ligeiramente superior aos R$ 2,57 bilhões de 2010. De janeiro a novembro deste ano, o fundo arrecadou R$ 2 bilhões com o adicional sobre fretes.