País recebeu US$ 66,7 bi em investimento direto e teve déficit de US$ 52 bi nas transações com o resto do mundo, o maior desde 1947
Ano de marcas históricas nas contas externas do Brasil. Em 2011, o País recebeu US$ 66,7 bilhões em investimentos produtivos, novo recorde. A cifra foi mais que suficiente para cobrir o rombo das transações do Brasil com o resto do mundo, cujo valor somou US$ 52,6 bilhões, o maior desde 1947. Em 2012, o quadro não deve se repetir. O Banco Central prevê que o investimento produtivo não será suficiente para cobrir o déficit e será necessário usar dólares de outras fontes para fechar a conta.
Levantamento do BC divulgado ontem mostra que a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no ano passado foi 48% maior que os US$ 45 bilhões previstos originalmente. Mesmo com a grave crise internacional, a entrada de recursos superou até mesmo períodos históricos - como nas privatizações ou em 2010, quando o Brasil deixou a crise passada mais rapidamente que o restante do mundo. "Os dados do investimento produtivo mostram fluxos contínuos e expressivos em 2011. Isso revela a confiança do estrangeiro com a economia brasileira", disse o chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel. O economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano, explica o resultado pelo excesso de dinheiro disponível no mundo em um período de crise e aversão ao risco entre os investidores. "Ficou claro que o Brasil era um bom exemplo para receber investimentos produtivos. Além disso, muitas empresas não queriam investir nos próprios países, que seguem sofrendo com a crise." Saída. Mas esse mesmo quadro favorável que atrai estrangeiros paradoxalmente também aumenta a saída de dólares do Brasil, o que explica o déficit em transações correntes recorde. Maciel minimiza a situação e diz que o rombo histórico é apenas resultado do contínuo crescimento da economia brasileira, que demanda mais bens e serviços de outros países. Com a economia em expansão, empresas vendem mais e têm lucros maiores. Isso ajudou, por exemplo, a aumentar a remessa de lucros feita pelas multinacionais instaladas no Brasil em 25% em um ano, para o recorde de US$ 38,1 bilhões. O ritmo favorável da economia também aumenta a demanda por bens e serviços importados. No ano passado, a conta para pagar o aluguel de equipamentos e grandes máquinas saltou 21% e atingiu US$ 16,7 bilhões. Pesou o maquinário trazido ao País pelas grandes empresas de extração mineral, como petróleo, gás e mineração. Apesar de o rombo em dólares ser novo recorde, o resultado em relação ao PIB segue no nível histórico próximo de 2%, diz o BC. No ano passado, o déficit equivaleu a 2,12% do tamanho da economia, menos que os 2,21% de um ano antes. Em 2012, a situação não deve se repetir. O BC prevê déficit em transações correntes de US$ 65 bilhões, valor maior que a expectativa de ingresso de US$ 50 bilhões em investimentos. Para fechar a conta, será, portanto, necessário usar os recursos de curto prazo - como investimentos em ações ou renda fixa. "Vamos depender um pouco do investimento financeiro, mas proporcionalmente essa diferença de US$ 15 bilhões é pequena, especialmente porque nossas reservas já ultrapassaram US$ 350 bilhões", diz Flavio Serrano.
Remessas elevadas
| Correio Braziliense - 25/01/2012 |
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A crise internacional bateu forte no caixa de empresas com filiais espalhadas pelo mundo e a ordem tem sido remeter o máximo de lucros às matrizes. Segundo cálculos do Banco Central, a diferença entre tudo o que essas companhias enviaram para suas firmas no Brasil e o que foi mandado para fora deixou um saldo negativo de US$ 38,1 bilhões em 2011. O câmbio também favoreceu essas remessas, sobretudo até meados de agosto, quando bateu na casa do R$ 1,50. Para essas empresas, quanto mais baixa a cotação do dólar, mais da divisa norte-americana é possível comprar, o que maximiza os lucros. As projeções do BC para 2012 mostram que essas companhias não pretendem tirar o pé do acelerador e devem remeter para casa US$ 39,6 bilhões neste ano. "Se elas estão gerando lucros e remetendo para fora, isso significa que estão gerando emprego, renda e impostos. O aumento das remessas não foi o que determinou o deficit nas transações correntes", minimizou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC. "Essas empresas vão tirar de onde têm lucro para melhorar seus fluxos de caixa", observou Jason Vieira, economista da corretora Cruzeiro do Sul. Os países que mais fizeram resgates foram Holanda (US$ 6,6 bilhões), Espanha (US$ 4,7 bilhões), Estados Unidos (US$ 4,7 bilhões) e Alemanha (US$ 1,4 bilhão). As companhias que mais remeteram recursos para o exterior são da indústria, sobretudo automotiva e de produtos químicos, além das inseridas nos ramos de serviços, principalmente financeiro, telecomunicações e eletricidade.
Remessa de lucros e dividendos é recorde e chega a US$ 40 bi
| Autor(es): Por Mônica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves | De Brasília |
Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/remessa-de-lucros-e-dividendos-e-recorde-e-chega-a-us-40-bi |
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O Brasil pagou a investidores estrangeiros volume recorde de lucros e dividendos em 2011. A conta chegou a US$ 39,97 bilhões, 27,8% acima da de 2010. O Banco Central (BC), que ontem divulgou o número, acredita que em 2012 a cifra será semelhante e considera natural que esses gastos subam diante do expressivo fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) recebido pelo país nos últimos anos. Só no ano passado, esse fluxo alcançou US$ 66,66 bilhões, também um recorde, o que representou aumento de 37,4% em relação ao ano anterior. Com um mercado interno atrativo aos investidores por causa das perspectivas de expansão, o Brasil se destacou nesse aspecto, pois o IED subiu apenas 17% na média de todos os países do mundo. Nem todo o investimento direto tem impacto sobre a conta de lucros e dividendos, pois o conceito inclui empréstimos entre multinacionais e suas filiais no país, que rendem juros. Mas a parte dele que tem impacto é a maior, do ponto de vista do fluxo e do estoque. Enquanto o fluxo líquido daqueles empréstimos foi de US$ 11,87 bilhões em 2011, o que foi destinado à compra direta de participações no capital de empresas chegou a US$ 54,78 bilhões, volume recorde e 36% acima do verificado em 2010. O último censo feito pelo BC apurou que, no fim do ano retrasado, o estoque dessas participações correspondia a US$ 579,62 bilhões, bem mais do que o saldo dos empréstimos intercompanhias (US$ 80,88 bilhões). Diante da magnitude de tal base de rendimento, não foi surpreendente que elas tenham gerado US$ 29,183 bilhões em remessas de lucros e dividendos ao exterior, respondendo pela maior parcela dos US$ 39,97 bilhões gastos com essa conta. O restante dessa quantia - US$ 10,788 bilhões - foram lucros e dividendos sobre investimentos em carteira, mais especificamente sobre ações adquiridas por estrangeiros em bolsas de valores (Bovespa e Bolsa de Nova York, onde também se negocia recibos de ações de empresas brasileiras). Embora inferior à parte proporcionada pelo IED, a renda remetida ao exterior, nesse caso, subiu quase 60% em relação a 2010. O Brasil também teve receitas com lucros e dividendos em 2011, pois há investimentos brasileiros em bolsa e em participações societárias diretas no exterior. A renda gerada por tais investimentos, porém, foi bem inferior à do sentido inverso, limitando-se a US$ 1,804 bilhão. Considerando-se o recebimento desse valor, portanto, o país gastou liquidamente com lucros e dividendos ao exterior US$ 38,16 bilhões, o que ficou acima de 2010 (US$ 30,375 bilhões). No fim de 2010, os brasileiros detinham estoque de US$ 169,06 bilhões em participações societárias adquiridas diretamente no exterior e outros US$ 14,73 bilhões aplicados em bolsa. Em 2011, aplicaram mais US$ 11,86 bilhões na aquisição de participações acionárias e, por outro lado, trouxeram de volta US$ 8,8 bilhões que estavam em bolsa. Para Luís Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o importante é o fato de os estrangeiros terem trazido para o Brasil em 2011 volume de recursos novos superior ao que levaram em renda. Em relação a 2010, a diferença entre o fluxo de IED (incluindo créditos intercompanhia) e as remessas de lucros e dividendos subiu de US$ 18,131 bilhões para US$ 28,494 bilhões. Os números divulgados ontem pelo BC mostram ainda que a maior parte dos recursos trazidos por estrangeiros em 2011 para a compra de participações societárias no Brasil veio da Holanda (25,3%), considerados apenas os ingressos brutos. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 12,8%, a Espanha, em terceiro, com 12,4%, e o Japão, em seguida, com 10,8%. O BC pondera, no entanto, que essa estatística considera o local por onde a empresa enviou dinheiro e não o país-sede do respectivo controlador. Em 2011, o destino do dinheiro no Brasil foi, principalmente, o setor de serviços e comércio, que ficou com 46%. A indústria recebeu 38,6%. E o setor primário (agricultura, pecuária e extração mineral) teve 14,8%. No setor industrial, destacou-se a metalurgia, destino de 10,4% do que foi aplicado diretamente em participações societárias por estrangeiros no ano passado. No setor de serviços, o que mais atraiu investimento foram as empresas de telecomunicações, que ficaram com 9,6%. |
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América Latina atraiu quase o dobro da China em investimento externo
Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/america-latina-atraiu-quase-o-dobro-da-china-em-investimento-externo |
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A América Latina foi a região com maior crescimento no investimento estrangeiro direto (IED) de 2010 para 2011. De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), houve no período um aumento de 34,6% nesse tipo de remessas a países latino-americanos e caribenhos. A entrada da IED na América Latina atingiu US$ 216,4 bilhões - uma soma bem superior à recebida pela China (US$ 124 bilhões). A nota destoente na região foi a Argentina, onde o investimento estrangeiro caiu no ano passado, em relação a 2010. O país continua a receber menos IED que economias muito menores da região, como o Peru. "Particularmente atraentes são o tamanho do mercado do Brasil e sua posição estratégica, que diminui a distância para outros mercados emergentes, tais como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", afirma o relatório "Monitor de Tendências do Investimento Global". Os países em desenvolvimento receberam entradas recordes de IED, impulsionadas principalmente pelos investimentos em novos projetos. A China, o segundo maior destino de IED, bateu pelo segundo ano consecutivo o seu recorde de entradas. Após uma grande queda em 2010, a Índia teve um aumento de 38%. No geral, os IED globais somaram US$ 1,5 trilhão. Apesar de ser uma marca 17% maior do que a de 2010 e 28% maior que a de 2009, ainda é 23% menor do que o pico registrado em 2007, ano anterior ao início da crise financeira global. Os gastos para aquisições e fusões em outros países saltaram 49,7% no ano passado, chegando a US$ 507,3 bilhões. Já os investimentos "greenfield", nos quais são feitos gastos para iniciar uma operação a partir do zero, como a construção de uma nova fábrica, caíram 3,3%, a US$ 780,4 bilhões. A expansão dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza crescente globalização e uma maior disposição em realizar grandes projetos no exterior, o que pode levar a mais comércio e maior capacidade produtiva ao redor do mundo. No contexto do atual cenário sombrio dos mercados financeiros globais, a volta do apetite por investimentos pode ser um raro sinal positivo. "O crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] continua positivo e, embora seja menor do que se esperava, as empresas ainda têm dinheiro no bolso e precisam investi-lo de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo existe uma incerteza devido à fragilidade da economia global", disse Astrit Sulstarova, economista da Unctad. O órgão da ONU se disse cautelosamente otimista quanto a 2012. "Baseada nas atuais perspectivas de fatores subjacentes, tais como crescimento do PIB e dinheiro em caixa de corporações transnacionais, a Unctad estima que as entradas de IED terão uma alta moderada em 2012, para cerca de US$ 1,6 trilhão." |
País fica em 4º lugar no ranking de investimento da Unctad
O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/pais-fica-em-4o-lugar-no-ranking-de-investimento-da-unctad |
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Levantamento mostra que os investimentos no Brasil alcançaram US$ 65,5 bi em 2011, com alta de 35% ante 2010 JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE/ GENEBRA - O Estado de S.Paulo O Brasil foi o quarto país que mais recebeu volume de investimentos em 2011, superando todos os países da zona do euro. Contando apenas novos projetos, sem incluir a aquisição de empresas por multinacionais, o Brasil foi o segundo maior destino de investimentos do mundo, superando os Estados Unidos e ficando atrás apenas da China. Os dados foram divulgados ontem pela Unctad, em Genebra, e destacam a expansão do consumo doméstico do Brasil e a cobiça por recursos naturais como os principais fatores de atração de empresas de todo o mundo. Outra explicação é o fato de o País ter se tornado a base de operações de multinacionais em toda a região. Segundo o levantamento, os investimentos no mundo em 2011 passaram de US$ 1,28 trilhão para US$ 1,5 trilhão, uma expansão de 17% e retornando a uma média anual que existia antes da crise de 2008, quando o volume despencou. Para 2012, porém, a crise na Europa ameaça mais uma vez causar uma estagnação na expansão dos fluxos de capital. Ao fim de 2011, só a China (incluindo investimentos em Hong Kong e no continente), Estados Unidos e Reino Unido receberam mais projetos de investimentos que o Brasil. Se Hong Kong for calculado como um destino separado a da China, o Brasil então ficaria na quinta posição como maior destino. A expansão de recursos no Brasil entre 2010 e 2011 também esteve entre as 12 maiores do mundo, com uma taxa de 35% e duas vezes superior à média mundial, totalizando US$ 65,5 bilhões. "Investidores estrangeiros continuam a encontrar apelo na riqueza de recursos naturais na América do Sul e estão cada vez mais atraídos pelo mercado consumidor em expansão da região", afirmou a Unctad. "Particularmente atraente é o tamanho do mercado brasileiro e sua posição estratégica que permite um acesso fácil a outros mercados emergentes, como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", disse a entidade. Empresas estrangeiras gastaram ainda US$ 15,1 bilhões para comprar companhias nacionais, expansão de 70,5%. Mas na avaliação apenas de projetos novos por multinacionais, desembarcando para a abertura de fábricas ou iniciativas de extração, o Brasil já aparece em segundo lugar no mundo. No total, US$ 59,7 bilhões foram investidos no País, aumento de 38%. Na China, o volume é de US$ 81 bilhões. No geral, o maior recipiente de investimentos no mundo continua sendo a economia americana, com US$ 210 bilhões. Os Estados Unidos, porém, sofreram uma queda de 7,7% em relação a 2010 e estão sendo fortemente ameaçados pela China. No total, a China recebeu US$ 202,4 bilhões de investimentos em 2011. US$ 124 bilhões foram à China continental e outros US$ 78,4 bilhões para Hong Kong. O Reino Unido vem na terceira posição, com US$ 77,1 bilhões. Em 2010, o Brasil já havia sido o quinto maior recipiente de investimentos, sempre contando os fluxos para China e Hong Kong de forma unificada. Agora, o Brasil chegou a receber mais investimentos que tradicionais economias como França (US$ 40 bilhões) e Alemanha (US$ 32 bilhões). Entre os emergentes, o Brasil recebeu um a cada dez dólares destinados a essas economias. Para 2012, a volta da recessão na Europa fará com que a expansão de investimentos seja apenas modesta, para cerca de US$ 1,6 trilhão. O último trimestre de 2011 já foi de contração, servindo de alerta de que o cenário poderá ser mais sombrio.
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É bom que nós, brasileiros, voltemos os olhos para cá
| O Estado de S. Paulo - 25/01/2012 |
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ANDRÉ PERFEITO É ECONOMISTA-CHEFE DA , GRADUAL INVESTIMENTOS - O Estado de S.Paulo Análise: André Perfeito Os dados do setor externo reforçam a percepção de um estranho fenômeno recente da economia brasileira: enquanto os estrangeiros ficam comprados em Brasil, deixando seus recursos aqui aplicados no longo prazo, os brasileiros aproveitam a bonança relativa gastando em dólar tudo o que podem em viagens no exterior. O otimismo é tanto com o Brasil que mesmo com o apetite voraz da antiga - e da remediada - classe média brasileira nos outlets dos subúrbios de Miami ou Nova York, ainda sobra um troco positivo para o País. As transações correntes apresentaram déficit de US$ 52,6 bilhões em 2011, 11% maior que 2010 (em proporção do PIB, o resultado não é tão ruim, sai de 2,21% para 2,12%). A balança comercial até que se mantém robusta, apesar dos ventos cambiais soprarem do oceano para a costa brasileira, trazendo nos navios toneladas de dólares aproveitando a Zona de Alta Pressão Brasileira, resultado de juros altos aqui e abaixo da linha d"água lá fora. Quem nos salvou foi mais uma vez a percepção que, nove fora zero, o Brasil é melhor que o resto do mundo em decomposição ou em estado vegetativo. Além da taxa de juros forçar o dólar goela abaixo do BC, a perspectiva de que os investimentos em 2012, 2013 e 2014 (ligados à Copa e ao pré-sal) vão turbinar a economia fazem o investidor estrangeiro vender suas posições lá fora para comprar, enquanto ainda está barato, posições aqui. O investimento direto subiu 37%, para o recorde de US$ 66,6 bilhões, o que garantiu que o balanço de pagamentos fechasse positivo novamente. Os dados mostram o interesse do estrangeiro em fincar os dois pés por aqui. O interesse é tanto que a imigração já começou, seja na precariedade de desesperados haitianos, até o bem educado desespero de europeus sem trabalho. Entre comprados e vendidos em Brasil, é melhor que nós, brasileiros, voltemos os olhos, e os bolsos, para cá. Caso contrário, daqui algum tempo pode já estar caro demais. |
Fluxo encolhe em emergente, mas Brasil é exceção
Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/fluxo-encolhe-em-emergente-mas-brasil-e-excecao |
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O fluxo líquido de capitais privados deve declinar bastante para as economias emergentes este ano, mas o Brasil tende a ser exceção, sendo o segundo a receber mais recursos externos em 2012, conforme projeções do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). Enquanto o fluxo líquido para os emergentes deve ficar em US$ 746 bilhões este ano, queda de 18% em relação a 2011, para o Brasil pode subir de US$ 137 bilhões para US$ 142,4 bilhões, 10% maior do que a estimativa feita em setembro. As cifras da entidade que representa os maiores bancos do mundo indicam assim que a tendência será mesmo de o real continuar valorizado, com o maior fluxo para o país atraído pela situação econômica e pelos juros que seguem altos na comparação internacional. O fluxo líquido anual de capitais privados para o Brasil deu um salto gigantesco de US$ 6 bilhões em 2002 para os US$ 137 bilhões do ano passado. Para os emergentes em geral, a nova projeção do IIF significa redução de US$ 338 bilhões em relação às estimativas apresentadas há quatro meses. A crise na zona do euro estragou a disposição e capacidade dos investidores e emprestadores da região de fornecer financiamento para as economias emergentes. Os créditos bancários para os emergentes devem ser particularmente afetados pela crise na zona do euro. É um verdadeiro colapso que o IIF prevê para o crédito dos bancos comerciais, caindo a US$ 38 bilhões em 2012, comparado aos US$ 215 bilhões na projeção anterior. Isso se explica por que os bancos europeus deixaram de ser uma das grandes fontes de capital externo para o mundo. As instituições europeias representaram 58% do fluxo de capitais dos grandes países entre 2004 e 2007, quando o montante era de US$ 1,6 trilhão em média. Essa média caiu para apenas US$ 300 bilhões entre 2008 e 2011. As duas regiões mais afetadas pela retração são a Europa emergente e os emergentes da Ásia. Isso por que os créditos interbancários das instituições europeias para bancos na Ásia caíram substancialmente, mostrando a dependência asiática, situação que tende a piorar. Já o fluxo líquido para a China deve registrar queda de 38%, passando de US$ 240 bilhões em 2011 para US$ 148,3 bilhões neste ano, sendo ainda a principal destinação do capital estrangeiro em todas suas formas. O fluxo para a China menor do que projetado causa menor pressão sobre a moeda local, e menos necessidade para as autoridades de Pequim adquirirem mais reservas cambiais. Em contraste com outros emergentes, o fluxo líquido para a América Latina continuará estável e sua fatia no fluxo total aumentará. A estimativa é de que alcance US$ 250 bilhões em 2012, comparado aos US$ 260 bilhões do ano passado. A dinâmica do fluxo em 2012 para a região reflete uma redução no financiamento comercial, moderada recuperação no fluxo de portfólios e estável fluxo de investimentos diretos. "A América Latina é uma boa história que a gente não pode perder de vista", disse o economista-chefe do IIF, Philip Shuttle. "O Brasil fez um bom trabalho ao subir juros preventivamente no começo do ano passado para combater a inflação e em cortar as taxas mais tarde para garantir uma saudável recuperação da atividade nos próximos meses." Todos os outros componentes do fluxo privado, como investimento direto estrangeiro e de portfólio foram revisados para baixo, mas não na mesma proporção. No caso do investimento direto, foram pouco afetados pelas turbulências na Europa. No geral, porém, as perspectivas para os emergentes até agora tem sido de resiliência aos choques financeiros originários na Europa. O IIF considera que os fundamentos econômicos podem assim garantir uma rápida recuperação no fluxo de capital para os emergentes se a confiança for restaurada na Europa. Os desequilíbrios nas contas correntes globais diminuíram, na medida em que países com fortes superávits viram suas moedas se valorizarem. A expectativa é de que o desequilíbrio global diminua ainda mais, em meio à crise. "As dificuldades da dívida soberana em países europeus tem um crescente impacto na economia global e no sentimento dos mercados financeiros. A crise está contribuindo para a desalavancagem dos bancos, afetando as perspectivas para o crescimento tanto na Europa como no fluxo de capital para os emergentes"", diz Charles Dallara, diretor executivo do IIF.
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