segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Celeiro do Mundo: potencialidades existentes versus fragilidades que precisam ser minimizadas via investimentos científicos e tecnológicos

8. Jornal da Ciência (JC E-Mail)
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Edição 4425 - Notícias de C&T - Serviço da SBPC
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artigo de André Cabral de Souza

André Cabral de Souza é chefe do Departamento de Fomento, Análise e Acompanhamento Técnico 1 - Ciências Exatas e da Terra da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Artigo enviado ao JC Email pelo autor.
Atualmente se observa um crescimento acelerado da população mundial e uma maior preocupação de Organismos Internacionais com o meio ambiente. Esta questão leva à busca de mecanismos que elevem a quantidade ofertada de alimentos ou de produtos e que demandem menores usos dos recursos naturais existentes e que reduzam (ou que provoquem em condições inversamente proporcionais) os impactos ambientais. Isto não só na extração de insumos básicos, mas também nas fases da produção, da transformação e da comercialização de bens de consumo não-duráveis - que são disponibilizados ao mercado. Razão pela qual, mundialmente, defende-se e ou prioriza-se o crescimento verde.
 
Para um país como o Brasil, que é dotado de excelentes condições edafoclimáticas¹, acompanhadas de uma das maiores reservas hídricas (13% da água doce do planeta), de grandes reservas de minerais² - muitos dos quais utilizados na agropecuária - e de uma extensa Amazônia Azul (4,5 milhões de quilômetros quadrados), buscar mecanismos que elevem a produção de alimentos e a produtividade das lavouras e das criações, de uma forma sustentável, representa um importante fator para o crescimento econômico e para a melhoria social.
 
Diante destes fatos, deve-se ter em mente que a dependência externa de insumos, de produtos e de tecnologias, além de ser um fator preocupante e que fragiliza o crescimento de cadeias do agronegócio, compromete todas as vantagens naturais que o Brasil possui e que impactam positivamente nos preços finais exercidos pelo País.
 
Para se ter uma visão mais ampla destas dependências, deveríamos nos remeter ao mercado de sementes, onde existem contratos entre empresas e agricultores que estabelecem taxas de transferência tecnológica e a condicionante que impede a armazenagem de sementes de uma safra para o replantio na seguinte³.  Podemos afirmar que o Brasil deve buscar a inversão ou redução de dependências, adotando, em paralelo, fatores qualitativos de gestão (rural), de produção, de armazenagem e de comercialização e que tenham a sustentabilidade como um dos pilares4.
 
Para tanto, faz-se necessária a aplicação de mecanismos que minimizem o custo dos capitais a serem investidos em programas de P&D e que incentivem às empresas a correrem os riscos existentes em investimentos de longo prazo. Desta forma, acredita-se que o País conseguirá proporcionar produtos ou processos diferenciados e incentivar a utilização da agregação de valores como ferramenta competitiva. Cabendo ao governo o papel de facilitador e articulador entre os segmentos privado e público.
 
De forma a ilustrar e confirmar os altos custos e o extenso período relacionados com a atividade de pesquisa, utilizamos os setores abaixo como exemplo:
 

 
Objetivando proporcionar uma visão mais ampla da problemática e das necessidades do agronegócio, podemos citar:
 
- Na avicultura, especialistas apontam que é fundamental incentivar o desenvolvimento de equipamentos e/ou sistemas que melhorem a renovação do ar interior dos galpões, uma vez que a ambiência criatória é um dos principais gargalos;
 
- Na suinocultura deveríamos apoiar o desenvolvimento de equipamentos que utilizem o gás metano - produzido na criação - para gerar força motriz e calor. Um especialista lembra que o uso eficiente da biomassa disponível no meio rural, para gerar energia elétrica ou térmica é extremamente importante, sendo estratégico tornar acessível a todos os produtores. Para isso, deparamos com a exigência do desenvolvimento de novos equipamentos, procurando não permitir a restrição às multinacionais atuantes no segmento;
 
- Na aqüicultura e pesca faz-se necessário informar que, segundo a FAO, os produtos pesqueiros continuam sendo os mais comercializados. Entretanto, depara-se com uma problemática de crescimento permanente de consumo per capita (22 Kg/ano) e uma produção mundial no limite. Esta situação exige a busca de mecanismos / ferramentas que promovam a oferta de peixe capturado de uma forma sustentável e, principalmente, a de cultivado - o que exige novos padrões de captura, produção e processamento;
 
- No que se refere às sementes, como o cultivar é responsável por 50% do rendimento final de uma lavoura, elas exercem um importante papel na evolução da produção e oferta de alimentos. Como exemplo, podemos citar os grãos, onde uma liderança setorial do País aponta que, muito embora o crescimento da área plantada tenha sido de 30% nos últimos 20 anos, na produção observa-se uma elevação de 175%, utilizando os mesmos 49 milhões de hectares - corroborando melhores índices de produtividade.  
 
A título de informação, podemos destacar que, dez anos após a aprovação da Lei de Cultivares, observa-se no Brasil um processo crescente de concentração do mercado de sementes5;
 
- O Brasil precisa reverter a alta dependência de enzimas, vitaminas e ácidos orgânicos importados, que são utilizados nas criações e que, em alguns casos, são produzidos pelos exportadores com produtos nacionais (milho por exemplo);
 
- O Brasil é altamente vulnerável às oscilações em mercados de fertilizantes e defensivos. Para se ter uma idéia, a dependência brasileira de importações de cloreto de potássio atinge 90%. Isto induz a necessidade da redução da dependência de insumos agropecuários não renováveis6;
 
- Com o crescimento da importância da economia verde, torna-se estratégica a busca de mecanismos que promovam a conservação dos recursos naturais; o gerenciamento do uso da água; a busca por fontes alternativas de calor e de força motriz e, finalmente, o desenvolvimento de produtos/processos que gerem menores impactos no meio ambiente (exemplos seriam defensivos orgânicos, controle biológico, fertilizantes naturais);
 
- Sobre máquinas e implementos, percebe-se que no Brasil três grandes empresas dominam, aproximadamente, 90% do mercado. Outra situação que se observa é a investida de grupos estrangeiros (europeus e asiáticos) no sentido de empresas nacionais venderem a parte de fabricação dessas máquinas e implementos, ficando o capital nacional somente com a venda e a distribuição, via a importação dessas máquinas, o que precisamos reverter7;
 
- Um membro da comunidade científica do setor aponta que deveríamos incentivar a formação de plataformas acessíveis à comercialização no campo, que possam ser feitas pelo celular ou por pequenos equipamentos de TI. Certamente, o agricultor precisa ter acesso às informações de forma fácil com relação à cotação de adubos, defensivos etc. e que facilite a comercialização, o pagamento de operações, via celular, e o acesso a cotações.  Segundo ele, a FAO vem testando e operando estes sistemas em alguns países da Ásia, com apoio de empresas de telefonia e de bancos;
 
- Tecnologia de precisão é fundamental, pois permite utilizar o momento ideal para o plantio, a colheita, o uso adequado de sementes, de adubos, de água, obtendo melhores resultados na produção e na conservação dos recursos naturais;
 
- É fato consumado que o grau de sofisticação dos equipamentos usados no agronegócio é maior e que o uso da informática (automação) é uma realidade, o que nos remete à importância de fornecer meios às empresas nacionais do setor de se modernizarem e ofertarem equipamentos atualizados tecnologicamente;
 
- Como a logística sempre se mostra como outro problema, e que repercute negativamente no custo de produtos coletados, especialistas apontam que precisamos de sistemas que definam a forma e as rotas de distribuição e de armazenagem. Principalmente quando falamos de produtos com alto grau de perecibilidade, que são os disponibilizados pelo agronegócio.
 
Diante do exposto, e procurando minimizar as conseqüências futuras dos verdadeiros monopólios tecnológicos, considero que o Brasil deveria focar a atuação em projetos ou programas que:
 
- Promovam o desenvolvimento ou melhoria de equipamentos ou sistemas aplicados às culturas (tanto na parte de produção, como de armazenagem e de comercialização);
- Promovam o desenvolvimento de ferramentas / sistemas gerenciais aplicados ao agronegócio, principalmente as que usem a TI como elemento;
- Desenvolvimento de equipamentos para produção e / ou uso da biomassa8;
- Desenvolvimento de projetos que levem a uma auto-suficiência de nitrogenados e fosfatados;
- Desenvolvimento de projetos que promovam a redução da oligopolização / monopolização dos mercados de insumos.
 
Notas:
1 Leia-se clima, relevo, temperatura, radiação, umidade do ar, tipo de solo, vento, precipitação etc
2 O País possui mais de 55 minerais diferentes. No minério de ferro o Brasil possui a maior reserva mundial, o Nóbio tem suas maiores reservas ocidentais no País, Bauxita (13,5%), cobre, ouro, estanho, níquel, manganes (sexta maior reserva), zinco, potássio, além de metais não-metálicos como carvão, gás natural, calcário, fosfato e petróleo.
 3 Diante de dificuldades encontradas pelas empresas de se fazer cumprir as exigências impostas pelos contratos, estas empresas desenvolveram duas tecnologias genéticas , conhecidas como Terminator ( introdução de 3 genes de ações distintas, no genoma de sementes de interesse, com o objetivo de tornar estéril a segunda geração)  e Traitor ( alterar geneticamente uma planta para que a expressão de determinadas proteínas no vegetal esteja condicionada à aplicação de uma substância química capaz de ativar ou desativar características específicas).
4 Alguns artigos apontam que o baixo nível tecnológico encontrados ainda em algumas cadeias e/ou propriedades não se explica apenas pela falta de tecnologias adequadas e sim pela falta de capacidade e condições de absorvê-las. O que confirma a importância não só, das tecnologias de processo, de materiais e de produtos e serviços, mas também, das tecnologias de informação e de gestão.
5 Exemplificando, citamos o milho, onde foram recomendadas, na safra de 2007/2008, 310 cultivares, das quais 58% de empresas multinacionais, 21 % de nacionais e 21% de instituições públicas de pesquisa. Outro bom exemplo seria a soja, onde dos 341 cultivares recomendados, as instituições públicas de pesquisa responderam por 49% da oferta, as empresas nacionais 23% e as multinacionais 28 %.
6 Assim, afirmaríamos que a descoberta, nos últimos cinco anos, de importantes depósitos de fosfato, potássio e calcário (calcítico/dolomítico) na região central do Brasil , precisa ser explorada e pesquisada.
7 Principalmente quando já convivemos com a elevação dos índices de importação dos produtos deste setor. Para se ter uma idéia, em setembro de 2010 o Brasil gastou U$ 49,7 milhões em compras no exterior de máquinas e implementos agrícolas.
8 A matriz energética renovável do Brasil possui 47% de recursos, contra 13% do mundo. 

Saúde e inovação

Jornal da Ciência (JC E-Mail)
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Edição 4425 - Notícias de C&T - Serviço da SBPC
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José Gomes Temporão é ex-ministro da Saúde e Reinaldo Guimarães foi secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Artigo publicado no jornal O Globo de hoje (27).


São intensas e crescentes as relações entre a saúde e a economia. Representando no Brasil cerca de 9% do PIB e empregando 4,5% da força de trabalho, o setor incorpora um poderoso complexo econômico de indústrias e serviços de saúde. Disso decorre que a questão central da política pública de saúde, que é a ampliação do acesso da população a bens e serviços de qualidade, está crescentemente matizada por condicionantes postos pelo complexo econômico-industrial da saúde. E como consequência de decisões políticas, na última década, pesquisa, desenvolvimento, inovação e política industrial vêm se tornando temas importantes dessa política pública.
 
A política industrial brasileira recente é uma política transversal formulada sob a liderança do Ministério do Desenvolvimento, em particular através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mais recentemente, com o aumento da musculatura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação tem também ocupado posição de liderança nessa matéria. Mas um dos aspectos relevantes dessas políticas é a presença crescente do setor de saúde como segmento industrial prioritário e a presença do Ministério da Saúde como ator central no seu gerenciamento.
 
A atuação do Ministério da Saúde no campo do fomento industrial direto é muito limitada, restringindo-se à pequena, embora importante, rede de laboratórios oficiais produtores de medicamentos. Mas, por outro lado, em quatro outros aspectos da política industrial - que são mecanismos indiretos de fomento industrial -, o ministério vem tendo atuação crescente. São eles: as articulações com o BNDES e a Finep no sentido de estabelecer o rol de produtos prioritários para o sistema público de saúde e que serão objeto de fomento prioritário pelas duas agências; esforços no sentido do deslocamento da política de propriedade intelectual em direção ao interesse público; o estabelecimento de parcerias entre indústrias privadas e laboratórios oficiais para a produção de medicamentos e vacinas prioritários para o SUS; utilização do poder de compra de produtos industriais pelo SUS (hoje, em torno de R$12 bilhões/ano) como ferramenta de fomento industrial indireto.
 
Temos uma situação nova no Brasil e no mundo. Por aqui, há uma indústria farmacêutica que se reorganiza em bases muito mais sólidas do que jamais tivemos. Hoje, ela já é grande produtora de genéricos (80% do mercado fabricado no País) e dando seus primeiros passos em direção a produtos inovadores. No terreno dos equipamentos médico-odontológicos, as indústrias de capital nacional estão ainda numa situação de relativa fragilidade, mas grandes empresas multinacionais do complexo eletroeletrônico estão para fazer investimentos produtivos no País.
 
No mundo, a luta por consumidores é feroz e especialmente o mercado brasileiro vem sendo disputado agressivamente, para venda de produtos que vão desde automóveis a frangos e suínos, passando por eletroeletrônicos. Na área da saúde, o nosso mercado público oferece espaço de compras centralizadas em escalas imensas, e isso tem feito a alegria dos importadores. Por que não estimular a produção nacional?
 
O déficit da balança comercial setorial da saúde passou de US$11 bilhões em 2011. É legítimo se perguntar: mas qual o problema se a balança comercial é, no agregado, superavitária? Dois pontos importantes: a velocidade do crescimento do déficit - em 2005, não passava de US$3 bilhões. Talvez a meta não seja ser superavitário no setor, mas reverter uma taxa de crescimento do déficit que é avassaladora
; trata-se de um setor estratégico, inclusive no conceito militar - na Guerra das Malvinas nossos vizinhos ficaram sem insulina, por dificuldades na importação e falta de produção local.
 
A visão de que a política pública de saúde deve andar de mãos dadas com as políticas de desenvolvimento e de inovação faz bem à saúde da população e do País. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Produtividade agrícola do Brasil cresce mais que a mundial, aponta estudo

Veículo:
CANAL RURAL ONLINE  
Editoria:
AGRICULTURA  
Data:
25/01/2012 
Assunto:
SAFRAS 
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Entre 1961 e 2007, o Brasil apresentou crescimento anual da produtividade de 3,6%
O Brasil lidera a produtividade agrícola na América Latina e Caribe e apresenta índices de crescimento acima da média mundial, segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011. Os dados da OCDE mostram também que junto com o Brasil, China, África do Sul e países do Leste Europeu são os que apresentam as maiores taxas de crescimento da produtividade.

De acordo com o levantamento, no período entre 1961 e 2007, o Brasil apresentou crescimento da produtividade de 3,6% ao ano. O número é superior aos 2,6% registrado pela América Latina e 0,86% dos países desenvolvidos e 1,96 para o conjunto dos países em desenvolvimento.

Na avaliação do coordenador geral de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques, pelo menos três fatores contribuem para os resultados. O avanço na área da pesquisa, liderada pela Embrapa, é considerado preponderante no aumento da produtividade da agricultura brasileira. Aliado a isso, o aumento das exportações também contribuiu, assim como a variação positiva dos preços internos e ampliação do crédito rural.

Resultados ainda preliminares sobre as projeções mostram que, até 2022, a produção de GRÃOS deverá aumentar 22%. A soja é a cultura que vai puxar esse crescimento, com média de 2,3% ao ano, seguida do trigo (1,9%) e do milho (1,8%). O segmento de carnes também terá desempenho positivo, com incremento na produção de 40% nos próximos 10 anos. A carne de frango deverá liderar o ranking com estimativa de crescimento de 4,2% ao ano, seguida da carne bovina e suína, com 2% ao ano, cada segmento.

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Soja deve liderar crescimento na produtividade até 2022


Veículo:
ACESSE PIAUI 
Editoria:
BRASÍLIA  
Data:
25/01/2012 
Assunto:
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Agricultura brasileira mais produtiva
As taxas de crescimento da produtividade agrícola no Brasil estão acima da média mundial e lideram na América Latina e Caribe. O estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra um crescimento anual de 3,6%, bem acima dos 2,6% da América Latina, 0,86% dos países desenvolvidos e 1,98% para o conjundo dos países em desenvolvimento. França, Inglaterra e Estados Unidos apresentaram decréscimo nas suas taxas de produtividade, que ficaram abaixo da média histórica de 1,48% ao ano. O bom resultado no Brasil é atribuído a alguns fatores de estímulo ao melhor aproveitamento da área por hectare pelo agricultor: avanço na pesquisa (principalmente pela Embrapa), aumento das exportações, variação positiva nos preços internos e ampliação do crédito rural. A OCDE faz uma projeção otimista para a produção de GRÃOS no País (em razão do aumento da produtividade): ela aumentará em 22% até 2022. A soja será a mais importante cultura, com média de crescimento de 2,3% ao ano. Em seguida, virá o trigo (1,9%) e o milho (1,8%). A agricultura ocupa atualmente 65,3 milhões de hectares, sendo 50 milhões destinados aos GRÃOS e o restante para hortaliças. A fruticultura não é levada em conta na análise.



24/01/2012 14:02 
Agência Brasil: Renda do camponês paulista cresceu bem acima da média nacional
Apesar de concentrar apenas 5,5% da população nas zonas rurais, bem abaixo da média nacional de 15,6%, o estado de São Paulo registrou crescimento da renda per capita no campo acima da média brasileira, em 2009, no comparativo com 2001. O aumento foi 35,6%, superando a taxa de crescimento da renda nas cidades paulistas (8,5%) e brasileiras (23,5%).
Os dados constam do estudo Situação Social nos Estados - São Paulo, divulgado hoje (24) pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann.
De acordo com o estudo, quando somadas as rendas per capita rural e urbana, porém, detecta-se que o ritmo de crescimento foi inferior ao constatado na Região Sudeste e em nível nacional. Enquanto no Brasil o ganho médio passou de R$ 511,5 em 2001 para R$ 637,7 em 2009 (+ 23,5%), na Região Sudeste o valor subiu de R$ 647,5 para R$ 759,5 (+ 17,3%) e no estado de São Paulo de R$ 738,2 para R$ 806,9 (+ 9,3%).
"Nos observamos que o aumento da renda no campo foi muito importante para suavizar a condição de pobreza extrema na população rural. Também foi importante a queda do desemprego e o aumento da transferência de renda para as famílias de uma maneira geral, que permitiram a elas ter uma renda acima da linha de miséria", disse Pochmann. A classificação de extrema pobreza foi dada àqueles que têm renda per capita inferior a R$ 67,07.

Graziano: Brasil precisa socorrer países africanos contra a fome

Autor(es): agência o globo:Tatiana Farah
O Globo - 25/01/2012

Para diretor-geral da FAO, Embrapa deveria "internacionalizar" tecnologia

PORTO ALEGRE. O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano, fez um apelo ontem para que o Brasil socorra os países africanos no combate à fome.
Para ele, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) precisa "internacionalizar" sua tecnologia.
— Apelo para que o Brasil assuma a responsabilidade internacional que ganhou com tantas conquistas internas no últimos anos, que nos colocaram em uma vitrine — disse ele, que completou: — Precisamos ter uma Embrapa internacional que seja efetivamente uma agência de cooperação técnica, apoiando os países que precisam.
Criador do programa Fome Zero do governo Lula, Graziano participou ontem de um evento do Fórum Social Temático (FST), em Porto Alegre, como sua primeira atividade pública no Brasil desde que assumiu o cargo em Roma, no início do mês. Sobre o Brasil, que conta com 15 milhões de miseráveis, Graziano avaliou que o país pode acabar com a fome até o final da década. Ele defendeu ainda que os responsáveis pelas políticas agrícolas dos países participem da Rio+20, em junho no Rio, comprometendo- se com a sustentabilidade.
— Não podemos ser só militantes ecológicos preocupados com o planeta. O impacto da área produtiva é muito grande. A agricultura contribui com 30% dos gases de efeito estufa e é preciso conscientizar os ministros da agricultura — disse ele.
De acordo com as Nações Unidas, até 2050 a produção alimentar terá de crescer 70% para contemplar nove bilhões de habitantes.
Para o diretor da FAO, o desenvolvimento tecnológico focado na agricultura pode dar conta do problema, sem ampliar as áreas de plantio: — Praticamente 90% do aumento necessário de produção são possíveis com as tecnologias hoje disponíveis. Se conseguirmos avançar para tecnologias mais limpas, será mais fácil.
O evento no Palácio Pratini marcou o lançamento, em Porto Alegre, não só do Fórum Social Temático como do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do estado, num modelo semelhante ao "Conselhão" criado por Lula para o Fome Zero e implementado pela presidente Dilma Rousseff.
Ex-secretário executivo do "Conselhão", o governador Tarso Genro aproveitou o evento para se defender das críticas que a instituição recebeu no governo Lula. Segundo ele, houve "estranhamento" de setores da sociedade.

Graziano propõe internacionalização da Embrapa

O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/graziano-propoe-internacionalizacao-da-embrapa
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, defendeu ontem a internacionalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como uma espécie de agência de cooperação técnica, durante palestra no colóquio A Importância da Sociedade Civil Nacional e Internacional para a Segurança Alimentar e Nutricional, em Porto Alegre. O encontro foi organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do Rio Grande do Sul no Palácio Piratini, como atividade de abertura do Fórum Social Temático, que prossegue até a próxima segunda-feira na capital gaúcha.
Para Graziano, o Brasil está em fase de transição da condição de receptor de ajuda internacional para a de colaborador e, nessa condição, deve oferecer ajuda técnica aos países que precisam, especialmente na área de produção de alimentos e na África.
Em sua primeira visita ao Brasil desde que assumiu o cargo, no início deste mês, Graziano revelou que a FAO está recriando seu departamento de cooperativismo, fechado porque não houve reposição de funcionários aposentados. "É isso que dá deixar a burocracia sem comando político, sem visão política do que é prioridade", criticou. O diretor-geral do órgão revelou que "boas práticas" da agricultura familiar e do cooperativismo no Rio Grande do Sul devem ser difundidas pelo departamento. Graziano reconheceu que trabalha com um orçamento apertado - em torno de US$ 1 bilhão por ano - e que a ordem tem sido gastar o mínimo possível com papéis e viagens de funcionários, trocando inclusive a primeira classe por alguma mais econômica em voos de duração inferior a nove horas.
O diretor-geral da FAO também elogiou o governo da presidente Dilma Rousseff por partir para a busca ativa de miseráveis, pessoas que não têm nem documentos e muitas vezes se tornam "invisíveis" à sociedade. "Essa é uma inovação extraordinária", avaliou, para afirmar que, com isso, o Brasil pode erradicar a fome até o final desta década. "Não é aceitável conviver com a fome e a miséria em nenhuma democracia", ressaltou. "O Brasil acordou para essa realidade e está lutando para mudá-la", sentenciou o diretor-geral, ex-ministro no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Veículo:
DCI - SP 
Editoria:
AGRONEGÓCIOS 
Data:
25/01/2012 
Assunto:
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FAO planeja recriar departamento de apoio a cooperativas
AgênciasPorto Alegre - O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano, anunciou ontem a recriação do departamento de cooperativismo da agência, que estava desativado. Graziano assumiu o comando da FAO no dia 1° de janeiro.

O departamento deverá oferecer cooperação técnica para grupos de pequenos e médios produtores, que, segundo Graziano, são líderes incontestáveis em alguns segmentos agrícolas.

O apoio ao cooperativismo é, segundo Graziano, uma das políticas de segurança alimentar com bons resultados no Brasil que serão levadas para a FAO. "O apoio à AGRICULTURA FAMILIAR e ao cooperativismo ajudaram muito a projetar a imagem positiva que o Brasil tem lá fora. Quero usar essa imagem para alavancar o apoio internacional ao cooperativismo", disse hoje, após participar de evento do Fórum Social Temático (FST).

Além da assistência às cooperativas, às experiências brasileiras de políticas de fomento à AGRICULTURA FAMILIAR, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e os programas de merenda escolar também serão aproveitados em nível global, principalmente em países africanos. Graziano também disse que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deverá ganhar um escritório na sede da FAO, em Roma. No primeiro pronunciamento no Brasil desde que está à frente da agência da ONU, Graziano disse que a FAO precisa incluir a sociedade civil na luta contra a fome e a insegurança alimentar.

O diretor-geral da FAO destacou ainda que a agricultura não pode ser vista apenas como problema para o desenvolvimento sustentável, mas como parte da solução. Um estudo da agência estima que é possível aumentar a produção de alimentos 90% com o uso das tecnologias já disponíveis. Graziano defende a ida de ministros da Agricultura para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho, no Rio de Janeiro. "É preciso que a produção se comprometa a limpar o planeta; não podemos ser só militantes ecológicos preocupados com o impacto da área produtiva, é preciso conscientizar os agricultores", argumentou. Com o tema Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, o FST deve ser uma prévia da Cúpula dos Povos, encontro de movimentos sociais paralelo à Rio+20.

Movimentação recorde na Ceagesp

Autor(es): Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico - 25/01/2012
 

O maior entreposto de alimentos da América Latina movimentou volumes recordes em 2011. Principal unidade da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o Entreposto Terminal São Paulo comercializou 3,23 milhões de toneladas de frutas, verduras, legumes, flores e pescados, alta de 2,37% sobre o registrado em 2010. Trata-se do melhor resultado desde 1981.
Não apenas os volumes, mas as receitas obtidas com as vendas de produtos também foram inéditas na unidade paulistana, responsável por 80% do total movimentado pela estatal federal. No ano passado, os cerca de 3 mil permissionários da companhia geraram R$ 5,02 bilhões, 10% mais que em 2010.
Para o economista Flávio Godas, da Ceagesp, o crescimento tanto em volume quanto em receita deve-se "ao aumento da renda do brasileiro e ao dólar mais fraco", que estimulou as importações, em especial das frutas. O volume de alimentos importados no entreposto de São Paulo cresceu 6,4%, para 245,2 mil toneladas. Desse total, as frutas representaram 87,5%.
Além de ter sido a principal alavanca das importações da Ceagesp, o segmento de frutas foi o que mais contribuiu para a comercialização recorde de 2011. Ao todo, foram vendidas 1,714 milhão de toneladas (53% do total), 3,2% mais que em 2010 (1,6 milhão de toneladas). As receitas, por sua vez, cresceram 9,4%, para R$ 2,6 bilhões, estimuladas pela "melhor qualidade e maior valor agregado das frutas vendidas", diz Godas.
A maior disponibilidade de batatas, diz o economista, incrementou as vendas do rol dos "diversos" (cebola, amendoim, ovos, entre outros). Em 2011, o segmento movimentou 376,6 mil toneladas, 5,7% acima do registrado no ano anterior. A maior oferta de batatas fez com que os preços desabassem e as receitas dos "diversos" recuassem 17,4%, para R$ 391,8 milhões.
Já o segmento de legumes enfrentou problemas climáticos, segundo Godas. "As chuvas no primeiro semestre prejudicaram produções como as de tomate, abobrinha e chuchu", diz ele. Com isso, as vendas de legumes cresceram apenas 0,8%, para 827,4 mil. Em linha com o cenário de oferta frustrada pelas chuvas, os legumes renderam R$ 1,3 bilhão, expressivo crescimento de 26% sobre o ano anterior.
"A chuva também afetou a produção de verduras", lembra o economista da Ceagesp, citando o alface. No Entreposto Terminal São Paulo, foram comercializadas 224,8 mil toneladas de verduras em 2011, redução de 3,2%. Ainda assim, o volume financeiro obtido com as vendas ficou estável, em R$ 247,5 milhões.
O segmento de flores, em contrapartida, apresentou forte evolução. Em 2011, foram comercializadas 51,6 mil toneladas, 8% a mais que no ano anterior, movimentando R$ 222,1 milhões, que representou um crescimento de 16,5% - que poderia ter sido maior caso a Ceagesp tivesse um pavilhão próprio para flores, segundo Godas. "Temos um potencial enorme. Enquanto no Brasil o consumo anual de flores é de apenas US$ 8 per capita, na Argentina chega a US$ 25 na Europa a US$ 100", afirma ele.
O destaque negativo ficou para o segmento de pescados, cujas vendas vêm caindo desde 2007. No ano passado, o segmento comercializou 39,2 mil toneladas, queda de 3,6%. "O preço do peixe ainda é caro se comparado a concorrentes como o frango. Além disso, as vendas diretas nos supermercados são cada vez maiores", afirma o economista.

PRODUTOR BANCA SAFRAS RECORDE NO MATO GROSSO

BOAS SAFRAS DÃO "AUTONOMIA" A PRODUTOR DE MT
Autor(es): Por Gerson Freitas Jr. | De Sorriso (MT)
Valor Econômico - 25/01/2012

Maior produtor de soja do país, o Mato Grosso nunca plantou tanto. Na safra que começou a ser colhida nos últimos dias, foram mais de 6,9 milhões de hectares - quase o tamanho da Irlanda. As expectativas convergem para uma produção igualmente recorde, acima de 22 milhões de toneladas, possivelmente com produtividade acima da média. A nova safra, a quinta consecutiva com aumento de produção, consolida a retomada sustentável do agronegócio mato-grossense após a crise da dívida na metade da última década.
A quebra de recordes na produção consolida também a maior independência dos grandes agricultores em relação aos empréstimos bancários, ao crédito oficial, progressivamente menor, e aos sucessores do Estado no financiamento aos produtores da região, as tradings. Segundo a Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, a participação das empresas no funding da última safra foi de apenas 18% - em 2005, forneciam quase metade dos recursos.

Para um viajante desavisado, rodar de carro pela principal estrada de Mato Grosso, a BR-163, rumo ao norte do Estado, é espantar-se com as imensas plantações de soja, que se estendem até onde a vista alcança, por várias centenas de quilômetros.
Maior produtor de soja do país, Mato Grosso nunca plantou tanto. Na safra que começou a ser colhida nos últimos dias, foram mais de 6,9 milhões de hectares - quase o tamanho da Irlanda -, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
No momento em que as colheitadeiras começam a ganhar o campo, as expectativas convergem para uma produção igualmente recorde. O uso de grandes volumes de adubo no plantio e o clima favorável durante o desenvolvimento das lavouras sinalizam produtividades acima das médias históricas, embora seja crescente a preocupação com a chuvas recentes (ver abaixo).
Se tudo correr como o esperado nas próximas semanas, o volume de soja deverá ultrapassar a barreira das 22 milhões de toneladas. "Mesmo que a produtividade não seja a esperada, o simples aumento da área plantada deve garantir uma safra recorde", disse Marcos Rubin, sócio da Agroconsult, durante expedição promovida pela consultoria pelas lavouras do Estado.
A nova safra marca o quinto ano seguido de aumento da produção e consolida o processo de recuperação do agronegócio mato-grossense após a crise da dívida que manteve o setor praticamente paralisado na segunda metade da última década.
Os preços das commodity ainda não retornaram aos patamares pré-crise de 2008, mas encontram-se muito acima das médias históricas e suficientemente altos para garantir lucros polpudos aos agricultores.
Capitalizados após uma sequência de boas safras, eles saldam as dívidas e retomam os investimentos. Só na última safra, a área plantada registrou uma expansão de quase 500 mil hectares - a maior em sete anos. Apesar disso, a área é apenas 11% maior do que aquela observada em 2005.
O último grande ciclo de investimentos em Mato Grosso aconteceu entre o fim dos anos 1990 e o início da última década. Estimulados por novas linhas de financiamento para a compra de máquinas, como o Moderfrota, e pela conjuntura favorável, os produtores mais que dobraram a área cultivada de 1999 a 2005 - de 2,9 milhões para 6,2 milhões de hectares.
O resultado foi uma grave crise de endividamento, inúmeros calotes e sucessivas prorrogações das dívidas de custeio e investimento. Como consequência, a área plantada com soja encolheu em mais de 1 milhão de hectares em 2006 e só voltou a superar a marca de 6 milhões de hectares em 2009.
Rubin afirma que o agronegócio mato-grossense passa por um novo ciclo de expansão, mais "sustentável" que o do início da última década. "O produtor está mais comedido em seus investimentos. E, como está muito capitalizado, é bem menos dependente do crédito quando decide investir".
O produtor Sérgio Stefanello, da Fazenda Porta do Céu, é um exemplo. Com cerca de 9 mil hectares plantados, adquiriu no último ano cinco novas colheitadeiras, dois pulverizadores, quatro tratores e quatro plantadeiras. Pagou 60% de todo o investimento do próprio bolso, financiando apenas 40%. "Há alguns anos, financiávamos 110% do investimento", brinca. "Hoje, conseguimos renovar o parque de máquinas sem se endividar muito".
Ferrarin, produtor em Sorriso, lembra que acesso a financiamento é difícil
Com cerca de 1,6 mil hectares plantados, o produtor Jeferson Milanez Bif, da Fazenda Primavera, mostra o armazém com capacidade para quase 500 mil sacas recém-concluído. A nova estrutura consumiu cerca de R$ 2,5 milhões, tirados integralmente do bolso. "Fui atrás do empréstimo, mas a demora é grande. Quando me ligaram dizendo que o financiamento havia sido liberado, a obra já estava quase pronta", diz.
Amauri Salviano Jr., gerente-geral da Araguaia Agrícola, concessionária de máquinas agrícolas na região de Sorriso, conta que os recursos próprios custearam cerca de 40% das vendas de tratores e colheitadeiras na região no ano passado. "Há alguns anos, era tudo financiado". Segundo ele, a tendência é que a participação dos financiamentos cresça, à medida que os juros caiam. "As taxas praticadas hoje nas linhas oficiais, próximas de 6,5%, já são muito atraentes", afirma.
Darci Ferrarin, proprietário da Fazenda Santa Maria da Amazônia, de Sorriso, diz que muitos produtores da região ainda têm dificuldade em acessar as linhas de financiamento devido a pendências relacionadas à questão fundiária e ao processo de renegociação das dívidas passadas. "As exigências aumentaram muito, e às vezes o produtor não consegue apresentar todos os documentos e certificados necessários".
Segundo Rubin, a capitalização dos agricultores é resultado não só de uma sequência de boas safras e preços atraentes no mercado internacional. "O aumento das restrições ambientais, que dificulta novos desmatamentos, a forte valorização das terras já agricultáveis e o pagamento de dívidas passadas nos últimos anos colocaram um freio nos investimentos e deixaram o produtor com mais recursos em caixa", resume.
Além disso, a crise dos anos 2000 concentrou uma fatia maior da produção nas mãos de grandes grupos, mais capitalizados. Segundo a Federação de Agricultura do Mato Grosso (Famato), os 20 maiores grupos produtores, que em 2005 detinham 9% da área plantada no Estado, hoje detêm 19%.
Os produtores também usam mais recursos próprios para financiar o custeio da safra, a conta que inclui a aquisição de fertilizantes, agrotóxicos e sementes. "Quando se tem o dinheiro para comprar à vista, você reduz em 15% a 20% seu custo de produção. Nosso lucro está na compra e não na venda", diz Ferrarin, que pagou à vista metade dos insumos consumidos no plantio de 14 mil hectares de soja na última safra.
O cenário também deixa os produtores menos dependentes das tradings na hora de se financiar. Segundo a Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja), a participação dessas empresas no "funding" desta safra foi de apenas 18%, enquanto os recursos próprios dos produtores representaram cerca de 35%.
Por volta de 2005, as tradings respondiam por quase metade dos recursos, e os recursos próprios não superavam 22%. "A estrutura de financiamento da safra vem mudando nos últimos anos, sinalizando maior uso de recursos próprios em detrimento das tradings e do sistema financeiro", afirma Rubin.
Mesmo assim, o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Seneri Paludo, vê com cautela o novo ciclo de investimentos. "O produtor precisa levar em conta que os níveis de rentabilidade atuais são um ponto fora da curva. A realidade não é essa e pode pegar muita gente de surpresa", afirma.

Busca de rentabilidade estimula diversificação

Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/busca-de-rentabilidade-estimula-diversificacao

Com dificuldades para ampliar a área plantada com soja em algumas regiões, reflexo do aperto contra os desmatamentos e da forte valorização das terras nos últimos, os produtores de Mato Grosso investem para aumentar a rentabilidade de suas áreas. Com os preços do milho e das carnes em alta, muitos agricultores que antes se dedicavam basicamente à soja começam a explorar essas opções.
Em 2012, os produtores do Estado vão plantar a maior safrinha de milho da história. De acordo com estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), serão 2,2 milhões de hectares, um aumento de 25% em relação à safra passada. A colheita está prevista em 9,8 milhões de toneladas, salto de 40%.
Odair Mantovan Jr., proprietário da Fazenda Filadelfia, em Nova Mutum, vai ocupar todos os 900 hectares de que dispõe para o plantio de milho após a colheita da soja. Segundo ele, mais de 60% do grão, que começa a ser colhido daqui a três meses, foi vendido com antecipação. "Aqui todo mundo vai plantar milho na safrinha. Estamos animados".
Segundo Sérgio Stefanello, da Fazenda Porta do Céu mais da metade dos 340 mil hectares plantados com soja na região de Campo Novo do Parecis neste ano devem dar lugar ao milho após a colheita da oleaginosa. "Se os produtores tiverem sucesso neste ano, essa área deverá crescer muito no ano que vem", aposta.
Marcos Rubin, sócio da Agroconsult, explica que o avanço da safrinha obriga os produtores a plantar variedades de soja mais precoces e, sobretudo, a investir em máquinas maiores. "Cada vez mais, o agricultor terá de colher e plantar mais rápido para não perder os prazos ", afirma.
Mas o milho não é a única opção. "Estamos partindo para a diversificação, para a agregação de valor. Há poucos anos, plantávamos apenas soja. Hoje, plantamos soja, algodão, milho e feijão e temos um confinamento bovino com 4 mil cabeças. Dobramos o faturamento da fazenda sem ampliar a área", afirma Darci Ferrarin, da Fazenda Santa Maria da Amazônia, na região de Sorriso.
Jeferson Milanez Bif, proprietário da Fazenda Primavera, em Ipiranga do Norte, também vem diversificando seu negócio. O produtor, que planta cerca de 1,6 mil hectares de soja em suas terras, cultiva outros 4 mil de feijão em parceria com agricultores da região. O produto é estocado e beneficiado na própria fazenda. No ano passado, montou um confinamento bovino para a engorda de até 2 mil cabeças. "Estamos agregando valor", afirma.
Veículo:
A GAZETA - MT 
Editoria:
OPINIÃO  
Data:
25/01/2012 
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E o mundo gira...! (Artigo)
Profeticamente em 1975 o então governador José Garcia Neto escolheu o slogan de seu governo e chegou a ser criticado por isso: "Mato Grosso Estado Solução". Como ex-deputado federal e uma vivência política de 30 anos até a época, ele antevia o futuro do Estado que naquele instante experimentava a migração de larga escala de brasileiros de todas as regiões, do Sul e do Sudeste, especialmente, para a "Marcha para o Oeste". O destino era ocupar a Amazônia, um projeto estratégico dos governantes militares do Brasil.Lá se vão mais de 30 anos. Tempo mais do que suficiente para que a profecia do ex-governador seja reconhecida como verdade e retrate o começo de um futuro de multiplicações. Vamos aos fatos que são a proposta deste artigo. As questões econômicas mundiais apontam para a mudança dos eixos tradicionais do poder mundial. A equação mundial será alimentos, etanol (combustível renovável e limpo) e recursos minerais. Num futuro médio, a água também será motivo de grande cobiça.
O Centro-Oeste brasileiro reúne todas as condições de preencher essa posição de liderança em GRÃOS, carnes, etanol e água. Aliás, essa riqueza foi profetizada pelo sacerdote italiano Dom Bosco, em 1883, referindo-se ao planalto central brasileiro.
Ele disse: "Eu enxergava nas vísceras das montanhas e nas profundezas da planície. Tinha, sob os olhos, as riquezas incomparáveis dessas regiões, as quais, um dia, serão descobertas. Eu via numerosos minérios de metais preciosos, jazidas inesgotáveis de carvão de pedra, de depósitos de petróleo tão abundantes, como jamais se acharam noutros lugares. Mas não era tudo. Entre os graus 15 e 20, existia um seio de terra bastante largo e longo, que partia de um ponto onde se formava um lago. E então uma voz me disse, repetidamente: 'Quando vierem escavar os minerais ocultos no meio destes montes, surgirá aqui a Terra da Promissão, fluente de leite e mel. Será uma riqueza inconcebível".
A proposta deste artigo é registrar o paralelo entre a realidade mundial atual, a profecia e a realidade regional que o Centro-Oeste, chamado de planalto central na profecia, já atingiu.
O que nos parece grave vem como exemplo da China que tomou três medidas macroeconômicas recentes: investir e explorar todos os tipos de energia em qualquer lugar no mundo; investir em infraestrutura para facilitar o transporte a fontes de alimento em qualquer lugar no mundo e, por fim, investir na produção e na compra de alimentos em qualquer lugar no mundo. Se considerarmos que a China tem 1 bilhão e 400 bilhões de boca para alimentar, estas propostas soam com um apocalipse! Onde eles encontrariam tanta comida? A resposta está no Planalto Central brasileiro. Num artigo próximo trarei o impacto atual da presença estrangeira dos Estados Unidos, da Europa, do Japão e da China na região em busca de comida, de terras e de água na região.
Agora, porém, gostaria de deixar a reflexão: com essa onda mundial enorme vinda em nossa direção, arrombando tudo na sua passagem pra garantir a sobrevivência de bilhões de pessoas no mundo lá fora, nós brasileiros do Centro-Oeste, e nós de Mato Grosso estamos prontos para lidar com ela?
Mas a pergunta mais crucial é: estamos nos preocupando com isso?

Remessas de lucros bateram recorde em 2011

Remessas recordes
Autor(es): agência o globo:Gabriela Valente
O Globo - 25/01/2012
Múltis enviaram US$38 bi para as suas matrizes em 2011, 25% a mais que em 2010

Em um ano marcado pela crise financeira internacional, a remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas no Brasil para o exterior quebrou todos os recordes e foi a maior em 64 anos. As filiais das multinacionais remeteram US$38,1 bilhões para suas matrizes, 25% a mais que no ano anterior. Essa despesa corresponde à maior parte do déficit das contas externas do país (que correspondem a nossas transações com o resto do mundo), que fecharam o ano passado no vermelho em US$52,6 bilhões. A expectativa é que essas remessas cresçam ainda mais neste ano e que o investimento estrangeiro - que vem cobrindo esse rombo há quatro anos seguidos - não tenha mais tanta força.
- É razoável as remessas de lucro crescerem, porque estamos falando de uma economia que cresce mais do que o resto do mundo - disse a economista-chefe do Banco RBS, Zeina Latif.
Esse crescimento descolado da maior parte do mundo faz com que o país importe mais não apenas produtos finais como também matérias-primas, e ainda gaste mais em seguros e serviços como frete para as exportações. Nunca o Brasil gastou tanto com aluguel de equipamentos, por exemplo. O setor de mineração foi o grande responsável nessa categoria em particular.
BC: remessa de
US$39,6 bi em 2012
Para Johnny Kneese, economista da corretora Levycam, 2011 foi o ano do socorro de companhias europeias por suas filiais brasileiras. Esse movimento diminuiu nos últimos dias do ano, porque as empresas resolveram segurar mais os recursos no Brasil - campeão mundial de juros - para melhorar seus rendimentos e, consequentemente, o balanço da empresa. Mas se o dólar cair mais, a tendência é a remessa de lucro continuar crescendo. Para 2012, a previsão do BC é que as remessas ao exterior alcancem US$39,6 bilhões.
Ao contrário do que dizem os economistas do mercado financeiro, para o BC as remessas para socorrer empresas em crise foram eventos isolados.
- As remessas em função de crise, para enviar liquidez para matrizes, foram pontuais. As remessas tiveram o comportamento esperado. Não houve surpresa - afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
No entanto, no fim de 2010, previa-se que as empresas instaladas no país remetessem apenas US$33 bilhões para o exterior. Maciel alegou que são comuns essas remessas, por causa dos investimentos recordes que chegam ao país e - um dia - precisam retornar aos países de origem.
Investimento direto deve cair este ano
Pelo quarto ano seguido, foram esses investimentos estrangeiros que cobriram o rombo das contas externas. Elas fecharam no vermelho devido ao aumento da importação; aos gastos com serviços, como frete; ao pagamento de juros e remessa de lucros; além da despesa recorde de turistas brasileiros no exterior. Os investimentos superaram as expectativas do governo e chegaram a US$66,6 bilhões.
Para o governo, esse é o melhor jeito de financiar o resultado negativo, porque é um dinheiro de qualidade que entra para aumentar a capacidade produtiva do país. Entretanto, isso não deve se repetir neste ano. As projeções do BC indicam investimentos de US$50 bilhões, volume inferior ao do déficit em transações correntes, projetado em US$65 bilhões.



Remessa de montadoras é recorde em 2011

A indústria automotiva brasileira alcançou recorde histórico de lucros e dividendos remetidos ao exterior. Segundo balanço do Banco Central, em 2011, foram US$ 5,58 bilhões -36,1% a mais que no ano anterior.
A reportagem é de Venceslau Borlina Filho e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 28-01-2012.  http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506207-remessademontadoraserecordeem2011 

A movimentação coincide com o ano de agravamento da crise europeia, a queda na produção de peças e veículos no Japão e na Tailândia por causa do terremoto e do tsunami e a retomada dos investimentos no setor nos EUA.

De acordo com o balanço do BC, a remessa é superior à de bancos (US$ 3,15 bilhões) e à de empresas de telecomunicações (US$ 2,44 bilhões) - setores que mais enviam valores às matrizes no exterior.

Para o professor de economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Célio Hiratuka, as remessas preocupam porque as montadoras poderiam aplicar os recursos no Brasil em vez de enviá-los às matrizes.

Segundo ele, em 2010, as montadoras anunciaram investimentos de US$ 3,8 bilhões no país. "O volume registrado comprova que os investimentos poderiam ser maiores do que os anunciados pelas empresas", disse.

Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) não quis se manifestar ontem sobre as remessas. No ano passado, a associação das marcas com fábrica no país anunciou investimentos de US$ 21 bilhões até 2015 no setor.

O presidente da Abeiva (associação dos importadores de veículos), José Luiz Gandini, criticou as empresas. "Quem vive fase de necessidade de proteção governamental não envia lucros exorbitantes às suas matrizes", disse.

Ele se referiu ao "lobby" da Anfavea no governo para elevar em 30 pontos percentuais o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). O aumento passou a vigorar no dia 16 de dezembro e reduziu as vendas.

Gandini reiterou que espera respostas do governo sobre propostas feitas, entre elas a revisão do decreto que elevou o IPI e a fixação do teto de importação de veículos em 200 mil unidades por ano.

"Esse volume significa 5,6% do mercado brasileiro", afirmou.


INVESTIMENTO NO PAÍS COBRE ROMBO RECORDE NAS CONTAS EXTERNAS

INVESTIMENTO PRODUTIVO RECORDE COBRE ROMBO HISTÓRICO NAS CONTAS EXTERNAS
Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA, ADRIANA FERNANDE
O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/investimento-no-pais-cobre-rombo-recorde-nas-contas-externas
País recebeu US$ 66,7 bi em investimento direto e teve déficit de US$ 52 bi nas transações com o resto do mundo, o maior desde 1947

Ano de marcas históricas nas contas externas do Brasil. Em 2011, o País recebeu US$ 66,7 bilhões em investimentos produtivos, novo recorde. A cifra foi mais que suficiente para cobrir o rombo das transações do Brasil com o resto do mundo, cujo valor somou US$ 52,6 bilhões, o maior desde 1947. Em 2012, o quadro não deve se repetir. O Banco Central prevê que o investimento produtivo não será suficiente para cobrir o déficit e será necessário usar dólares de outras fontes para fechar a conta.
Levantamento do BC divulgado ontem mostra que a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no ano passado foi 48% maior que os US$ 45 bilhões previstos originalmente. Mesmo com a grave crise internacional, a entrada de recursos superou até mesmo períodos históricos - como nas privatizações ou em 2010, quando o Brasil deixou a crise passada mais rapidamente que o restante do mundo.
"Os dados do investimento produtivo mostram fluxos contínuos e expressivos em 2011. Isso revela a confiança do estrangeiro com a economia brasileira", disse o chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel.
O economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano, explica o resultado pelo excesso de dinheiro disponível no mundo em um período de crise e aversão ao risco entre os investidores. "Ficou claro que o Brasil era um bom exemplo para receber investimentos produtivos. Além disso, muitas empresas não queriam investir nos próprios países, que seguem sofrendo com a crise."
Saída. Mas esse mesmo quadro favorável que atrai estrangeiros paradoxalmente também aumenta a saída de dólares do Brasil, o que explica o déficit em transações correntes recorde. Maciel minimiza a situação e diz que o rombo histórico é apenas resultado do contínuo crescimento da economia brasileira, que demanda mais bens e serviços de outros países.
Com a economia em expansão, empresas vendem mais e têm lucros maiores.
Isso ajudou, por exemplo, a aumentar a remessa de lucros feita pelas multinacionais instaladas no Brasil em 25% em um ano, para o recorde de US$ 38,1 bilhões.
O ritmo favorável da economia também aumenta a demanda por bens e serviços importados. No ano passado, a conta para pagar o aluguel de equipamentos e grandes máquinas saltou 21% e atingiu US$ 16,7 bilhões.
Pesou o maquinário trazido ao País pelas grandes empresas de extração mineral, como petróleo, gás e mineração.
Apesar de o rombo em dólares ser novo recorde, o resultado em relação ao PIB segue no nível histórico próximo de 2%, diz o BC. No ano passado, o déficit equivaleu a 2,12% do tamanho da economia, menos que os 2,21% de um ano antes.
Em 2012, a situação não deve se repetir. O BC prevê déficit em transações correntes de US$ 65 bilhões, valor maior que a expectativa de ingresso de US$ 50 bilhões em investimentos. Para fechar a conta, será, portanto, necessário usar os recursos de curto prazo - como investimentos em ações ou renda fixa. "Vamos depender um pouco do investimento financeiro, mas proporcionalmente essa diferença de US$ 15 bilhões é pequena, especialmente porque nossas reservas já ultrapassaram US$ 350 bilhões", diz Flavio Serrano.


Remessas elevadas

Correio Braziliense - 25/01/2012

A crise internacional bateu forte no caixa de empresas com filiais espalhadas pelo mundo e a ordem tem sido remeter o máximo de lucros às matrizes. Segundo cálculos do Banco Central, a diferença entre tudo o que essas companhias enviaram para suas firmas no Brasil e o que foi mandado para fora deixou um saldo negativo de US$ 38,1 bilhões em 2011. O câmbio também favoreceu essas remessas, sobretudo até meados de agosto, quando bateu na casa do R$ 1,50. Para essas empresas, quanto mais baixa a cotação do dólar, mais da divisa norte-americana é possível comprar, o que maximiza os lucros.
As projeções do BC para 2012 mostram que essas companhias não pretendem tirar o pé do acelerador e devem remeter para casa US$ 39,6 bilhões neste ano. "Se elas estão gerando lucros e remetendo para fora, isso significa que estão gerando emprego, renda e impostos. O aumento das remessas não foi o que determinou o deficit nas transações correntes", minimizou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.
"Essas empresas vão tirar de onde têm lucro para melhorar seus fluxos de caixa", observou Jason Vieira, economista da corretora Cruzeiro do Sul. Os países que mais fizeram resgates foram Holanda (US$ 6,6 bilhões), Espanha (US$ 4,7 bilhões), Estados Unidos (US$ 4,7 bilhões) e Alemanha (US$ 1,4 bilhão). As companhias que mais remeteram recursos para o exterior são da indústria, sobretudo automotiva e de produtos químicos, além das inseridas nos ramos de serviços, principalmente financeiro, telecomunicações e eletricidade.

Remessa de lucros e dividendos é recorde e chega a US$ 40 bi

Autor(es): Por Mônica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves | De Brasília
Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/remessa-de-lucros-e-dividendos-e-recorde-e-chega-a-us-40-bi

O Brasil pagou a investidores estrangeiros volume recorde de lucros e dividendos em 2011. A conta chegou a US$ 39,97 bilhões, 27,8% acima da de 2010. O Banco Central (BC), que ontem divulgou o número, acredita que em 2012 a cifra será semelhante e considera natural que esses gastos subam diante do expressivo fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) recebido pelo país nos últimos anos.
Só no ano passado, esse fluxo alcançou US$ 66,66 bilhões, também um recorde, o que representou aumento de 37,4% em relação ao ano anterior. Com um mercado interno atrativo aos investidores por causa das perspectivas de expansão, o Brasil se destacou nesse aspecto, pois o IED subiu apenas 17% na média de todos os países do mundo.
Nem todo o investimento direto tem impacto sobre a conta de lucros e dividendos, pois o conceito inclui empréstimos entre multinacionais e suas filiais no país, que rendem juros. Mas a parte dele que tem impacto é a maior, do ponto de vista do fluxo e do estoque. Enquanto o fluxo líquido daqueles empréstimos foi de US$ 11,87 bilhões em 2011, o que foi destinado à compra direta de participações no capital de empresas chegou a US$ 54,78 bilhões, volume recorde e 36% acima do verificado em 2010.
O último censo feito pelo BC apurou que, no fim do ano retrasado, o estoque dessas participações correspondia a US$ 579,62 bilhões, bem mais do que o saldo dos empréstimos intercompanhias (US$ 80,88 bilhões). Diante da magnitude de tal base de rendimento, não foi surpreendente que elas tenham gerado US$ 29,183 bilhões em remessas de lucros e dividendos ao exterior, respondendo pela maior parcela dos US$ 39,97 bilhões gastos com essa conta.
O restante dessa quantia - US$ 10,788 bilhões - foram lucros e dividendos sobre investimentos em carteira, mais especificamente sobre ações adquiridas por estrangeiros em bolsas de valores (Bovespa e Bolsa de Nova York, onde também se negocia recibos de ações de empresas brasileiras). Embora inferior à parte proporcionada pelo IED, a renda remetida ao exterior, nesse caso, subiu quase 60% em relação a 2010.
O Brasil também teve receitas com lucros e dividendos em 2011, pois há investimentos brasileiros em bolsa e em participações societárias diretas no exterior. A renda gerada por tais investimentos, porém, foi bem inferior à do sentido inverso, limitando-se a US$ 1,804 bilhão. Considerando-se o recebimento desse valor, portanto, o país gastou liquidamente com lucros e dividendos ao exterior US$ 38,16 bilhões, o que ficou acima de 2010 (US$ 30,375 bilhões).
No fim de 2010, os brasileiros detinham estoque de US$ 169,06 bilhões em participações societárias adquiridas diretamente no exterior e outros US$ 14,73 bilhões aplicados em bolsa. Em 2011, aplicaram mais US$ 11,86 bilhões na aquisição de participações acionárias e, por outro lado, trouxeram de volta US$ 8,8 bilhões que estavam em bolsa.
Para Luís Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o importante é o fato de os estrangeiros terem trazido para o Brasil em 2011 volume de recursos novos superior ao que levaram em renda. Em relação a 2010, a diferença entre o fluxo de IED (incluindo créditos intercompanhia) e as remessas de lucros e dividendos subiu de US$ 18,131 bilhões para US$ 28,494 bilhões.
Os números divulgados ontem pelo BC mostram ainda que a maior parte dos recursos trazidos por estrangeiros em 2011 para a compra de participações societárias no Brasil veio da Holanda (25,3%), considerados apenas os ingressos brutos. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 12,8%, a Espanha, em terceiro, com 12,4%, e o Japão, em seguida, com 10,8%. O BC pondera, no entanto, que essa estatística considera o local por onde a empresa enviou dinheiro e não o país-sede do respectivo controlador.
Em 2011, o destino do dinheiro no Brasil foi, principalmente, o setor de serviços e comércio, que ficou com 46%. A indústria recebeu 38,6%. E o setor primário (agricultura, pecuária e extração mineral) teve 14,8%. No setor industrial, destacou-se a metalurgia, destino de 10,4% do que foi aplicado diretamente em participações societárias por estrangeiros no ano passado. No setor de serviços, o que mais atraiu investimento foram as empresas de telecomunicações, que ficaram com 9,6%.


América Latina atraiu quase o dobro da China em investimento externo

Valor Econômico - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/america-latina-atraiu-quase-o-dobro-da-china-em-investimento-externo

A América Latina foi a região com maior crescimento no investimento estrangeiro direto (IED) de 2010 para 2011. De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), houve no período um aumento de 34,6% nesse tipo de remessas a países latino-americanos e caribenhos.
A entrada da IED na América Latina atingiu US$ 216,4 bilhões - uma soma bem superior à recebida pela China (US$ 124 bilhões). A nota destoente na região foi a Argentina, onde o investimento estrangeiro caiu no ano passado, em relação a 2010. O país continua a receber menos IED que economias muito menores da região, como o Peru.
"Particularmente atraentes são o tamanho do mercado do Brasil e sua posição estratégica, que diminui a distância para outros mercados emergentes, tais como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", afirma o relatório "Monitor de Tendências do Investimento Global".
Os países em desenvolvimento receberam entradas recordes de IED, impulsionadas principalmente pelos investimentos em novos projetos. A China, o segundo maior destino de IED, bateu pelo segundo ano consecutivo o seu recorde de entradas. Após uma grande queda em 2010, a Índia teve um aumento de 38%.
No geral, os IED globais somaram US$ 1,5 trilhão. Apesar de ser uma marca 17% maior do que a de 2010 e 28% maior que a de 2009, ainda é 23% menor do que o pico registrado em 2007, ano anterior ao início da crise financeira global.
Os gastos para aquisições e fusões em outros países saltaram 49,7% no ano passado, chegando a US$ 507,3 bilhões. Já os investimentos "greenfield", nos quais são feitos gastos para iniciar uma operação a partir do zero, como a construção de uma nova fábrica, caíram 3,3%, a US$ 780,4 bilhões.
A expansão dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza crescente globalização e uma maior disposição em realizar grandes projetos no exterior, o que pode levar a mais comércio e maior capacidade produtiva ao redor do mundo. No contexto do atual cenário sombrio dos mercados financeiros globais, a volta do apetite por investimentos pode ser um raro sinal positivo.
"O crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] continua positivo e, embora seja menor do que se esperava, as empresas ainda têm dinheiro no bolso e precisam investi-lo de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo existe uma incerteza devido à fragilidade da economia global", disse Astrit Sulstarova, economista da Unctad.
O órgão da ONU se disse cautelosamente otimista quanto a 2012. "Baseada nas atuais perspectivas de fatores subjacentes, tais como crescimento do PIB e dinheiro em caixa de corporações transnacionais, a Unctad estima que as entradas de IED terão uma alta moderada em 2012, para cerca de US$ 1,6 trilhão."



País fica em 4º lugar no ranking de investimento da Unctad

O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/pais-fica-em-4o-lugar-no-ranking-de-investimento-da-unctad

Levantamento mostra que os investimentos no Brasil alcançaram US$ 65,5 bi em 2011, com alta de 35% ante 2010
JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE/ GENEBRA - O Estado de S.Paulo
O Brasil foi o quarto país que mais recebeu volume de investimentos em 2011, superando todos os países da zona do euro. Contando apenas novos projetos, sem incluir a aquisição de empresas por multinacionais, o Brasil foi o segundo maior destino de investimentos do mundo, superando os Estados Unidos e ficando atrás apenas da China.
Os dados foram divulgados ontem pela Unctad, em Genebra, e destacam a expansão do consumo doméstico do Brasil e a cobiça por recursos naturais como os principais fatores de atração de empresas de todo o mundo. Outra explicação é o fato de o País ter se tornado a base de operações de multinacionais em toda a região. Segundo o levantamento, os investimentos no mundo em 2011 passaram de US$ 1,28 trilhão para US$ 1,5 trilhão, uma expansão de 17% e retornando a uma média anual que existia antes da crise de 2008, quando o volume despencou. Para 2012, porém, a crise na Europa ameaça mais uma vez causar uma estagnação na expansão dos fluxos de capital.
Ao fim de 2011, só a China (incluindo investimentos em Hong Kong e no continente), Estados Unidos e Reino Unido receberam mais projetos de investimentos que o Brasil. Se Hong Kong for calculado como um destino separado a da China, o Brasil então ficaria na quinta posição como maior destino.
A expansão de recursos no Brasil entre 2010 e 2011 também esteve entre as 12 maiores do mundo, com uma taxa de 35% e duas vezes superior à média mundial, totalizando US$ 65,5 bilhões.
"Investidores estrangeiros continuam a encontrar apelo na riqueza de recursos naturais na América do Sul e estão cada vez mais atraídos pelo mercado consumidor em expansão da região", afirmou a Unctad. "Particularmente atraente é o tamanho do mercado brasileiro e sua posição estratégica que permite um acesso fácil a outros mercados emergentes, como Argentina, Chile, Colômbia e Peru", disse a entidade. Empresas estrangeiras gastaram ainda US$ 15,1 bilhões para comprar companhias nacionais, expansão de 70,5%.
Mas na avaliação apenas de projetos novos por multinacionais, desembarcando para a abertura de fábricas ou iniciativas de extração, o Brasil já aparece em segundo lugar no mundo. No total, US$ 59,7 bilhões foram investidos no País, aumento de 38%. Na China, o volume é de US$ 81 bilhões.
No geral, o maior recipiente de investimentos no mundo continua sendo a economia americana, com US$ 210 bilhões. Os Estados Unidos, porém, sofreram uma queda de 7,7% em relação a 2010 e estão sendo fortemente ameaçados pela China. No total, a China recebeu US$ 202,4 bilhões de investimentos em 2011. US$ 124 bilhões foram à China continental e outros US$ 78,4 bilhões para Hong Kong. O Reino Unido vem na terceira posição, com US$ 77,1 bilhões.
Em 2010, o Brasil já havia sido o quinto maior recipiente de investimentos, sempre contando os fluxos para China e Hong Kong de forma unificada. Agora, o Brasil chegou a receber mais investimentos que tradicionais economias como França (US$ 40 bilhões) e Alemanha (US$ 32 bilhões). Entre os emergentes, o Brasil recebeu um a cada dez dólares destinados a essas economias. Para 2012, a volta da recessão na Europa fará com que a expansão de investimentos seja apenas modesta, para cerca de US$ 1,6 trilhão. O último trimestre de 2011 já foi de contração, servindo de alerta de que o cenário poderá ser mais sombrio.




É bom que nós, brasileiros, voltemos os olhos para cá

O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
ANDRÉ PERFEITO É ECONOMISTA-CHEFE DA , GRADUAL INVESTIMENTOS - O Estado de S.Paulo Análise: André Perfeito
Os dados do setor externo reforçam a percepção de um estranho fenômeno recente da economia brasileira: enquanto os estrangeiros ficam comprados em Brasil, deixando seus recursos aqui aplicados no longo prazo, os brasileiros aproveitam a bonança relativa gastando em dólar tudo o que podem em viagens no exterior. O otimismo é tanto com o Brasil que mesmo com o apetite voraz da antiga - e da remediada - classe média brasileira nos outlets dos subúrbios de Miami ou Nova York, ainda sobra um troco positivo para o País.
As transações correntes apresentaram déficit de US$ 52,6 bilhões em 2011, 11% maior que 2010 (em proporção do PIB, o resultado não é tão ruim, sai de 2,21% para 2,12%). A balança comercial até que se mantém robusta, apesar dos ventos cambiais soprarem do oceano para a costa brasileira, trazendo nos navios toneladas de dólares aproveitando a Zona de Alta Pressão Brasileira, resultado de juros altos aqui e abaixo da linha d"água lá fora.
Quem nos salvou foi mais uma vez a percepção que, nove fora zero, o Brasil é melhor que o resto do mundo em decomposição ou em estado vegetativo. Além da taxa de juros forçar o dólar goela abaixo do BC, a perspectiva de que os investimentos em 2012, 2013 e 2014 (ligados à Copa e ao pré-sal) vão turbinar a economia fazem o investidor estrangeiro vender suas posições lá fora para comprar, enquanto ainda está barato, posições aqui.
O investimento direto subiu 37%, para o recorde de US$ 66,6 bilhões, o que garantiu que o balanço de pagamentos fechasse positivo novamente. Os dados mostram o interesse do estrangeiro em fincar os dois pés por aqui.
O interesse é tanto que a imigração já começou, seja na precariedade de desesperados haitianos, até o bem educado desespero de europeus sem trabalho. Entre comprados e vendidos em Brasil, é melhor que nós, brasileiros, voltemos os olhos, e os bolsos, para cá. Caso contrário, daqui algum tempo pode já estar caro demais.


Fluxo encolhe em emergente, mas Brasil é exceção

Valor Econômico - 25/01/2012
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O fluxo líquido de capitais privados deve declinar bastante para as economias emergentes este ano, mas o Brasil tende a ser exceção, sendo o segundo a receber mais recursos externos em 2012, conforme projeções do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). Enquanto o fluxo líquido para os emergentes deve ficar em US$ 746 bilhões este ano, queda de 18% em relação a 2011, para o Brasil pode subir de US$ 137 bilhões para US$ 142,4 bilhões, 10% maior do que a estimativa feita em setembro.
As cifras da entidade que representa os maiores bancos do mundo indicam assim que a tendência será mesmo de o real continuar valorizado, com o maior fluxo para o país atraído pela situação econômica e pelos juros que seguem altos na comparação internacional.
O fluxo líquido anual de capitais privados para o Brasil deu um salto gigantesco de US$ 6 bilhões em 2002 para os US$ 137 bilhões do ano passado.
Para os emergentes em geral, a nova projeção do IIF significa redução de US$ 338 bilhões em relação às estimativas apresentadas há quatro meses.
A crise na zona do euro estragou a disposição e capacidade dos investidores e emprestadores da região de fornecer financiamento para as economias emergentes.
Os créditos bancários para os emergentes devem ser particularmente afetados pela crise na zona do euro. É um verdadeiro colapso que o IIF prevê para o crédito dos bancos comerciais, caindo a US$ 38 bilhões em 2012, comparado aos US$ 215 bilhões na projeção anterior.
Isso se explica por que os bancos europeus deixaram de ser uma das grandes fontes de capital externo para o mundo. As instituições europeias representaram 58% do fluxo de capitais dos grandes países entre 2004 e 2007, quando o montante era de US$ 1,6 trilhão em média.
Essa média caiu para apenas US$ 300 bilhões entre 2008 e 2011. As duas regiões mais afetadas pela retração são a Europa emergente e os emergentes da Ásia. Isso por que os créditos interbancários das instituições europeias para bancos na Ásia caíram substancialmente, mostrando a dependência asiática, situação que tende a piorar.
Já o fluxo líquido para a China deve registrar queda de 38%, passando de US$ 240 bilhões em 2011 para US$ 148,3 bilhões neste ano, sendo ainda a principal destinação do capital estrangeiro em todas suas formas.
O fluxo para a China menor do que projetado causa menor pressão sobre a moeda local, e menos necessidade para as autoridades de Pequim adquirirem mais reservas cambiais.
Em contraste com outros emergentes, o fluxo líquido para a América Latina continuará estável e sua fatia no fluxo total aumentará. A estimativa é de que alcance US$ 250 bilhões em 2012, comparado aos US$ 260 bilhões do ano passado. A dinâmica do fluxo em 2012 para a região reflete uma redução no financiamento comercial, moderada recuperação no fluxo de portfólios e estável fluxo de investimentos diretos.
"A América Latina é uma boa história que a gente não pode perder de vista", disse o economista-chefe do IIF, Philip Shuttle. "O Brasil fez um bom trabalho ao subir juros preventivamente no começo do ano passado para combater a inflação e em cortar as taxas mais tarde para garantir uma saudável recuperação da atividade nos próximos meses."
Todos os outros componentes do fluxo privado, como investimento direto estrangeiro e de portfólio foram revisados para baixo, mas não na mesma proporção. No caso do investimento direto, foram pouco afetados pelas turbulências na Europa. No geral, porém, as perspectivas para os emergentes até agora tem sido de resiliência aos choques financeiros originários na Europa.
O IIF considera que os fundamentos econômicos podem assim garantir uma rápida recuperação no fluxo de capital para os emergentes se a confiança for restaurada na Europa.
Os desequilíbrios nas contas correntes globais diminuíram, na medida em que países com fortes superávits viram suas moedas se valorizarem. A expectativa é de que o desequilíbrio global diminua ainda mais, em meio à crise.
"As dificuldades da dívida soberana em países europeus tem um crescente impacto na economia global e no sentimento dos mercados financeiros. A crise está contribuindo para a desalavancagem dos bancos, afetando as perspectivas para o crescimento tanto na Europa como no fluxo de capital para os emergentes"", diz Charles Dallara, diretor executivo do IIF.



Brasileiro gasta US$ 21,2 bi no exterior

Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA , ADRIANA FERNANDES /
O Estado de S. Paulo - 25/01/2012
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O brasileiro viajou como nunca para o exterior nos últimos meses e a fatura ficou salgada: os turistas pagaram US$ 21,2 bilhões em despesas e compras em outros países em 2011. A festa, porém, tende a perder o brilho em breve. O Banco Central diz que o sobe e desce do dólar visto desde agosto já preocupa alguns viajantes e deve moderar o ritmo do turismo internacional em 2012.
Dados apresentados ontem pelo BC mostram que a fatura das viagens internacionais cresceu 29% em 2011 na comparação com o ano anterior. O desempenho chinês do turismo no exterior aconteceu mesmo após o salto impressionante de 2010, quando os gastos dos brasileiros já haviam crescido 51% em um ano.
Com os dois anos seguidos de avanço, a fatura do turismo no exterior já soma valor equivalente a cerca de 10% do total das importações brasileiras, de US$ 226 bilhões no ano passado. Atualmente, o gasto com viagens já é quase o dobro da despesa para importar veículos que somou US$ 11,9 bilhões em 2011 ou é 12 vezes maior que a conta da importação de gasolina que alcançou US$ 1,65 bilhão no ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.
"Essas taxas de crescimento expressivo dos gastos no turismo observadas nos últimos meses apresentam moderação desde agosto do ano passado. Para 2012, temos uma perspectiva de comportamento mais moderado", disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.
"O gasto nesse item é bastante sensível à taxa de câmbio, que tem oscilado mais. A incerteza econômica também contribui para que brasileiro seja um pouco mais cauteloso", explicou.
Cautela. Mesmo com o esforço de países em atrair cada vez mais brasileiros - como os Estados Unidos que pretendem facilitar a concessão de vistos - o BC acredita que o dólar volátil e as incertezas com a crise internacional devem falar mais alto e fazer com que o gasto dos turistas pare pelo menos de crescer e repita, neste ano, o patamar visto em 2011.
Estrangeiros também desembolsaram mais em viagens ao Brasil. Segundo o BC, eles deixaram US$ 6,7 bilhões no ano passado no País, valor 14% superior à conta paga em 2010. Mesmo com o aumento, o valor gasto por aqui foi insuficiente para cobrir o rombo gerado pelos brasileiros no exterior.
Por isso, o ano terminou com a conta de turismo internacional com saldo negativo de US$ 14,6 bilhões, aumento de 38% na comparação com o ano anterior e novo recorde histórico. Para 2012, o BC prevê que o déficit do turismo deve estacionar no atual nível e fechar o ano em US$ 14,5 bilhões.

Brasileiros nunca gastaram tanto lá fora

Autor(es): agência o globo:
O Globo - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/brasileiros-nunca-gastaram-tanto-la-fora

Banco Central acredita que as despesas no exterior cresçam mais devagar este ano
BRASÍLIA e RIO. Não é à toa que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que facilitará a entrada no país de turistas do Brasil. Em 2011, os brasileiros quebraram todos os recordes quando o assunto é gastar no exterior. Só no ano passado, os turistas deixaram US$21,2 bilhões lá fora: 29% a mais que no ano anterior. Foi o maior volume desde quando o Banco Central (BC) começou a registrar os dados, há 64 anos.
Foi uma surpresa para a autarquia monetária, que previa números menores no início do ano passado. Para o BC, a tendência é que tanto gastos de brasileiros no exterior quanto de estrangeiros aqui cresçam mais lentamente de agora em diante. A crise na Europa terá seu papel nesse desaquecimento, mas o câmbio será o principal responsável pela expansão menor nos gastos. A moeda está mais cara do que no início de 2011. Em janeiro do ano passado, o dólar era vendido a R$1,67, e no inicio deste ano, a cotação está em torno de R$1,75.
- O crescimento das despesas com viagens deve ser mais moderado daqui para a frente - disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. - Temos a visão de que o turista brasileiro será mais cauteloso com seus gastos.
Até o gasto de turistas estrangeiros aqui foi recorde. Apesar de ser bem inferior às despesas de brasileiros lá fora, alcançou US$6,8 bilhões. Valor recorde, também, desde 1947.
- O Brasil cresceu mais do que a média mundial - disse o presidente da Embratur, Flávio Dino.
Segundo ele, o turismo de estrangeiros no mundo cresceu em média 4% no ano passado. Já no Brasil aumentou 14%. Para Dino, essa expansão é um problema bom, porque significa um aumento da renda do trabalhador. um reflexo da ascensão da nova classe média, que teria começado a visitar outros países. Mas essa informação não se sustenta, segundo o professor do Ibmec Ruy Quintans:
- Não há na classe C quem gaste US$5 mil em viagens para o exterior. Classe C assim, só na Suíça.
Quintans afirma que a tendência é aumentar ainda mais os gastos com viagens daqui para a frente, por causa do crescimento da renda e, ainda, por um fator bem brasileiro: é um povo que não se preocupa tanto com patrimônio e poupança e tende a gastar tudo o que ganha.
Oito vezes no exterior nos
últimos cinco anos
A produtora de cinema Paula Lagoeiro mudou o itinerário das suas viagens. Com a melhora na economia brasileira, ela conta que viajou oito vezes para o exterior nos últimos cinco anos, a maioria para os Estados Unidos e a Argentina. A próxima será uma viagem de 15 dias para a Califórnia. Vai levar US$2 mil para gastar, sem contar passagem e hospedagem.
- Antes, costumava viajar mais pelo Brasil, mas com a melhora da economia, tenho conseguido viajar para fora. Prefiro usar dinheiro. O cartão de crédito fica atrelado à cotação do dólar.
Para organizar os gastos e não cair no "deslumbramento da classe média", ela passou a fazer um fundo de viagem, para o qual separa um valor mensal variável.
- Nos EUA, planejo compras de eletroeletrônicos e roupas, que são muito mais baratos. Na Argentina, compro mais coisas pequenas, como chocolates e livros. Na última vez que fui a Buenos Aires, em dezembro, gastei R$600 em uma semana - explica ela.
Ex-comissária de bordo, Sheila Cruz diz que passou a viajar para o exterior com a família - o marido Francisco e o filho Gabriel, de 11 anos - pelo menos uma vez por ano, após se aposentar, em 2009. Depois de voltar da Disney, onde passaram 12 dias em dezembro e gastaram R$15 mil, planejam uma viagem à Europa, onde passarão 18 dias.
- Antes de viajar, costumamos analisar a moeda local e fazer uma meta de gastos em espécie. Depois disso, usamos o cartão de crédito para aproveitar as milhas. Não existe lugar melhor para comprar que nos EUA: um relógio que custa R$2 mil aqui sai por US$200 lá. Já a Europa é para passear. Nosso poder de compra nunca esteve tão alto - comemora Sheila. (Gabriela Valente e Marcio Beck)

Despesas recordes no exterior em 2011

Autor(es): Victor Martins e Ana Carolina Dinardo
Correio Braziliense - 25/01/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/25/despesas-recordes-no-exterior-em-2011

Estimulados pela elevação da renda e pelo real forte, trabalhadores viajam como nunca e gastam US$ 21,2 bilhões fora do país. Custo Brasil incentiva as compras

Com a expansão da renda no país e a ascensão de milhões de famílias à classe média, os brasileiros viajaram como nunca para o exterior em 2011. Pelos cálculos do Banco Central, os turistas desembolsaram US$ 21,2 bilhões fora do país, um volume 29,14% superior ao do ano anterior e jamais registrado pela autoridade monetária. Mais da metade desse montante (US$ 12,6 bilhões) foi gasto por meio do cartão de crédito, principalmente com produtos eletrônicos, passeios, alimentação e vestuário. Os destinos mais procurados, segundo agências de viagem, são Buenos Aires, Montevidéu e Miami, locais considerados paraísos para compras.
Na avaliação de especialistas, os preços no exterior compensam por causa da tributação e do custo de produção inferiores aos do Brasil. "As pessoas estão saindo do país não só para passear, mas para comprar. Isso é um claro reflexo do Custo Brasil. Acaba valendo muito a pena pagar uma passagem internacional e hotel para comprar nos Estados Unidos, por exemplo", avaliou Jason Vieira, economista da corretora Cruzeiro do Sul. Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, considera que as cifras de gastos fora do país são "bastante sensíveis" à cotação do dólar. "Até o meio do ano, o comportamento do câmbio foi muito favorável e colaborou para elevar essas despesas", observou.
Os brasileiros também têm aproveitado as boas condições das viagens internacionais para estudar, o que gerou, apenas no ano passado, US$ 43,1 milhões em despesas com educação. O estudante de engenharia civil Marcelo Avilar, 24 anos, está de viagem marcada para Budapeste, na Hungria, e para a Alemanha. "Pretendo ir a restaurantes, bares e centros culturais", contou. Ele pensa em se dedicar a um mestrado na Alemanha. "Primeiro, vou fazer o curso de línguas por um mês, que vai sair por R$ 500 mais ou menos."
O presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), Flávio Dino, avaliou como expressivos os números de gastos de brasileiros no exterior e afirmou que os desembolsos de estrangeiros em solo nacional avançam a passos largos. Segundo ele, enquanto o gasto de turistas de fora avançou 14,46% no Brasil, no resto do mundo o desembolso de estrangeiros cresceu 4% em média.
Farra do dólar barato
Brasileiros não economizaram nas viagens ao exterior, mas estrangeiros também deixaram uma bolada no país (Em US$ bilhões)
Desembolsos lá fora
2002    2,3
2003    2,2
2004    2,8
2005    4,7
2006    5,7
2007    8,2
2008     10,9
2009     10,8
2010     16,4
2011     21,2
Turistas no Brasil
2002     1,9
2003     2,4
2004     3,2
2005     3,8
2006     4,3
2007     4,9
2008     5,7
2009     5,3
2010     5,9
2011     6,7
Fonte: Banco Central