domingo, 22 de abril de 2012

Israel aprova lei para aumentar a competição corporativa



NALU FERNANDES - Agencia Estado
JERUSALÉM - O governo de Israel aprovou, neste domingo, recomendações feitas por um comitê apontado pelas próprias autoridades para aumentar a competição na economia local. As principais recomendações aprovadas incluem evitar legalmente que grandes empresas controlem ativos financeiros e reais.
Tal lei limitaria holdings, que possuem unidades com vendas superiores a 6 bilhões de shekels (US$ 1,62 bilhão) por ano, de controlarem empresas financeiras com ativos acima de 40 bilhões de shekels.
As recomendações também limitam a três anos as estruturas em pirâmide de companhias públicas. As empresas teriam permissão para vender ativos ou subsidiárias para cumprir o enquadramento à lei.
As recomendações aprovadas neste domingo vão passar pelo Parlamento local e se baseiam em relatório apresentado, em janeiro, por um comitê do governo que estudou a questão por dois anos. "A decisão de hoje é um outro passo para reduzir o custo de vida", afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em comunicado.
Segundo o relatório, a competição é limitada em Israel, com poucas holdings controlando diversos setores da economia por meio de subsidiárias, citou o comitê. As informações são da Dow Jones. 

Campeão escolhido


Míriam Leitão - Míriam Leitão
O Globo - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/campeao-escolhido
 

O grupo que é exemplo da política do BNDES de formar campeões nacionais mantém mais emprego nos Estados Unidos do que no Brasil e deu prejuízo em três dos últimos cinco anos. O presidente do JBS, Joesley Batista, explica que as vantagens da globalização de grupos nacionais vão do prestígio à abertura de mercado. A companhia já fechou quatro das cinco empresas que comprou na Argentina.
O banco colocou uma montanha de recursos em frigoríficos. Fez isso de duas formas: emprestando dinheiro subsidiado, via BNDES, e virando sócio das empresas, por meio do BNDESPar. Desde 2005, o BNDESPar investiu quase R$ 12 bilhões em três frigoríficos - JBS, Marfrig e BRF - na compra de ativos, subscrição de ações e aquisição de debêntures. O JBS, escolhido para ser o campeão nacional, ficou com a maior parte, R$ 8,1 bi. Em empréstimos, a empresa recebeu mais R$ 2,5 bi. Os números mostram como o BNDES incentivou a compra de uns por outros e aumentou a concentração no setor.
Em uma controversa operação, o dinheiro público foi usado para comprar 99,9% de debêntures lançadas pelo JBS para financiar a compra da Pilgrim"s Pride, nos Estados Unidos. A exigência feita pelo banco foi que a empresa abrisse capital no mercado americano. Veio a crise, e ela não cumpriu o prometido. O banco então converteu as debêntures em ações, e hoje é dono de 31% do JBS que, no ano passado, deu prejuízo exatamente pela compra da Pilgrim"s Pride. O Estado é o segundo maior sócio, depois da família Batista, que tem 44,6%:
- Uma coisa eu posso garantir a você, o BNDES nunca colocou dinheiro no JBS para salvar a empresa, ao contrário do que aconteceu com Aracruz, Sadia e outras na crise de 2008. O prejuízo é parte do processo de consolidação. Somos especializados em comprar empresas deficitárias, que administradas por nós dão lucro. No primeiro momento, o resultado é negativo mesmo - disse Joesley.
Em março de 2007, quando a empresa abriu capital, a ação valia R$ 7,9. Na sexta-feira, valia R$ 7,6. O banco aumentou sua participação no momento em que o grupo adquiria mais ativos, como o frigorífico Bertin, e expandia para novas áreas. No mesmo período, as ações caíram. Chegaram a valer R$ 3,5 em outubro do ano passado. Joesley Batista acha natural que o banco público seja um dos donos da sua empresa:
- O BNDES é meu sócio há três anos e é sócio da Weg há 30 anos.
Os dados do JBS mostram uma evolução explosiva dos ativos e um crescimento grande da dívida. Pelos dados da Economática, a empresa tem uma dívida líquida sobre patrimônio líquido de 65%. A dívida bruta sobre patrimônio líquido é de 95%. Em 2011, houve prejuízo de US$ 496 milhões com a unidade de frango nos Estados Unidos, e foi justamente isso deixou o grupo no vermelho no ano.
Nos EUA, o JBS é uma potência. Segundo ele, lá o grupo tem um milhão de cabeças de gado em confinamento. Este ano, engordará 2,2 milhões de cabeças. Compra 1.300 carretas de milho por dia, é o maior comprador de milho americano. Tem 70 mil empregados, 10 mil a mais do que no Brasil. Abate oito milhões de frango por dia:
- Quando o Mauro, embaixador brasileiro, pede uma audiência com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, ele atende porque a nossa empresa é o que é na economia americana. De lá, eu consigo alcançar mercados que não recebem carne brasileira. Foi porque estamos nos Estados Unidos é que começamos a exigir a elevação do preço para a nossa carne.
Ele diz que a empresa aprende na comparação entre as duas economias:
- Lá, para abater 6.000 cabeças eu preciso de três mil funcionários; aqui, preciso de seis mil. A produtividade lá é o dobro. A nossa indústria é muito primitiva. Lá, eu tenho cinco advogados; aqui, tenho 50. Lá, eu tenho 37 causas, aqui eu tenho sete mil.
Há outras diferenças gritantes. Aqui, como contei na coluna de ontem, que pode ser lida no meu blog, a empresa tem sido acusada de comprar carne de produtores que cometem crimes ambientais. Há até um caso de compra de gado de fazenda acusada de trabalho escravo:
- Nos Estados Unidos existe o conceito do "Animal Welfare". Lá eles mandaram fechar outro dia um frigorífico por causa da acusação de maltratar uma vaca.
Além do Brasil e Estados Unidos, a empresa está na Austrália, México, Uruguai, Paraguai e Argentina, e tem escritórios em todos os continentes. A ida para a Argentina não deu certo. Eles compraram cinco empresas e já se desfizeram de quatro:
- A Argentina enfrenta problemas. Seu rebanho diminuiu em dez milhões de cabeças nos últimos anos.
A empresa está entrando em outras áreas. Este ano vai inaugurar a Eldorado, na área de celulose, para a qual ganhou novo empréstimo do BNDES: R$ 2,7 bi.
- Normalmente, o grupo não constrói empresas, mas compra ativos com problemas e melhora a gestão. A Eldorado está sendo uma experiência de vida - diz Joesley.
O JBS tem um banco, o Original, que recebeu R$ 850 milhões do Fundo Garantidor de Crédito para absorver o Banco Matone. Coincidentemente, logo depois, o banco fez uma aposta pesada na queda da taxa de juros. Foi naquele primeiro corte, em agosto de 2011, que surpreendeu o mercado. Mas não o Banco Original. Ele ganhou muito dinheiro na queda das taxas e deu lucro de R$ 158 milhões no ano. A CVM investigou e não encontrou sinal de informação privilegiada. Joesley credita o acerto à capacidade de análise da equipe.

Enviado por Míriam Leitão - 
21.4.2012
 | 
9h00m
COLUNA NO GLOBO

Carne na brasa


O maior grupo brasileiro de carne, o JBS, foi notificado pelo Ministério Público do Mato Grosso pela compra de 3.476 cabeças de gado de fazendas embargadas pelo Ibama, instaladas em áreas de preservação ou flagradas em trabalho escravo. Joesley Batista, o presidente do grupo, me disse que está mais preocupado com a vida humana em risco no Brasil, porque 5 milhões de bois são abatidos por ano sem inspeção sanitária.
— As árvores derrubadas hoje podem afetar a vida humana daqui a 50 anos, mas, neste momento exato, brasileiros estão comendo carne de frigoríficos municipais sem qualquer fiscalização. O veterinário assina o bloquinho de notas, fingindo que fiscalizou, e nem olha o boi. É uma calamidade. Terríveis doenças podem ser contraídas, como a teníase, que leva à loucura. O hospício está cheio de doido que comeu carne que as autoridades não fiscalizaram — diz Joesley.
O Brasil virou o campeão mundial do mercado de carne no mundo, o BNDES colocou muito dinheiro público no projeto de concentrar e globalizar o setor. O JBS foi escolhido para ser o maior. Analisei o tema, li relatórios, falei com ONGs, Ministério Público, BNDES, e tive uma conversa de duas horas e meia com o presidente do maior frigorífico do Brasil e do mundo.
Joesley garante que fez esforço e aumentou o controle para eliminar da sua cadeia produtiva as fazendas envolvidas em crime.
Se o JBS não comprar o bicho, outros compram. Todo mundo compra. Eu fico sendo o chato. Assinei o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, por isso sou vigiado, mas e os que não assinaram? O BRF, empresa grande e emblemática também, tem duas plantas de abate de bovino em Mato Grosso, mas não assinou o compromisso que assinamos. O Carrefour, Pão de Açúcar, Walmart não querem saber de onde vem a carne — afirma.
Em 2009, houve uma ofensiva contra o desmatamento e outros crimes da pecuária. O Greenpeace divulgou relatório provando a ligação dos grandes frigoríficos com produtores que praticavam crimes de trabalho escravo, desmatamento ilegal, invasão de terra indígena. A ONG Repórter Brasil também investigou e denunciou. O Ministério Público Federal iniciou a campanha “carne legal”. O MP, em vários estados, iniciou ações contra frigoríficos.
Os grandes supermercados assumiram compromissos públicos de que só comprariam carne de quem vigiasse sua cadeia produtiva. Foi assinado um acordo dos grandes frigoríficos de que em seis meses eles eliminariam esses crimes da sua cadeia produtiva. Não cumpriram. Ganharam novo prazo. Marfrig e Minerva não foram apanhados em novos casos, mas o JBS, sim. O MP do Acre iniciou uma Ação Civil Pública contra o JBS, em abril de 2011, por comprar de produtores com crimes ambientais e trabalhistas, mas, em seguida, o grupo assinou um TAC, que estará completamente em vigor apenas em setembro. Já no Mato Grosso, em outubro de 2011, o MP notificou a empresa porque comprovou pelo Guia de Transporte Animal, que o JBS havia abatido 3.476 cabeças de gado de 34 fazendas que cometeram crimes: 13 delas, propriedades embargadas pelo Ibama; outras, por desmatamento ilegal de produtores que grilaram terras dos indígenas Marãiwatsede; e uma (144 bois), da lista suja do trabalho escravo. Depois da notificação, a empresa não comprou mais desses produtores.
— Não somos certificadores de frigorífico, mas os compradores internacionais nos perguntam se o JBS compra de produtores com atividades ilegais. Dizíamos que ele estava com um prazo para cumprir o acordo. Agora, informamos que eles não estão cumprindo — diz Paulo Adário, do Greenpeace.
A ONG lançou a campanha “Salve a sua pele”, na Feira de Bolonha, na Itália, no fim de 2011, e fez um desfile de modelos denunciando aos compradores de couro essa conexão.
Joesley Batista diz que os sistemas de informação dos órgãos públicos sobre as fazendas são falhos:
— Muitas vezes, na hora que eu compro o boi a fazenda não está na lista do Ibama nem do Ministério do Trabalho. Depois do abate, ela entra. Por isso, melhorei o sistema de fiscalização e já até devolvi boi comprado. Mas aí o outro vai e compra. Digo sinceramente, 90% do tempo eu me preocupo com outro problema gravíssimo que é a saúde humana em risco no Brasil.
A denúncia que ele faz sobre a inspeção sanitária é de fato grave. Isso não abona os outros erros. O ideal é atacar os dois problemas.
Joesley me entregou um relatório com os seguintes números: há 206 frigoríficos no Brasil que têm inspeção sanitária federal. Que é bem feita e rigorosa, segundo ele. Há 422 frigoríficos que só têm inspeção estadual. Há níveis diferentes de qualidade da fiscalização. Minas é o pior estado, segundo Joesley. Os municípios fiscalizam 762 estabelecimentos:
— Existe um sistema de padrão internacional, o Riispoa, de inspeção. Ele só é cumprido pelos fiscais do Ministério da Agricultura. Nos estados, há alguma exigência. Nos municípios, o que acontece é brincadeira. Ninguém olha nada. Das 35 milhões de cabeças de gado abatidas por ano no Brasil, 20 milhões estão sob inspeção federal, os outros 15 milhões são abatidos com pouca ou nenhuma análise. Os brasileiros que comem essa carne estão correndo riscos.

A bilionária Brasília rural


Autor(es): » DIEGO AMORIM
Correio Braziliense - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/a-bilionaria-brasilia-rural

Destaque no país, o agronegócio investe na produção de grãos, cresce em ritmo 2,5 vezes mais forte que a economia nacional e transforma os arredores da capital federal em uma nova fronteira agrícola. Setor já movimenta R$ 1,2 bilhão por ano

Do Plano Piloto, não se enxerga o horizonte das plantações e pastagens que fazem do Distrito Federal modelo de eficiência para a agropecuária brasileira. Com pouca terra e muita tecnologia, produtores e criadores transformaram o Planalto Central na região agrícola mais diversificada e próspera do país. Em solo brasiliense, os níveis de produtividade superam a média nacional e, em algumas culturas, até mesmo os registrados em países da Europa e nos Estados Unidos. A força do campo surpreende e indica um provável caminho para a diversificação da economia local, ainda muito dependente do setor público.
Praticamente todos os meses, comitivas internacionais formadas por agricultores e investidores de todos os continentes desembarcam em fazendas do DF para ver de perto o poder do agronegócio candango, que já movimenta — somente com produção — mais de R$ 1,2 bilhão por ano. Em 2011, a riqueza rural da capital do país avançou 6,5%, quase 2,5 vezes mais que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no mesmo período. O montante não inclui valores referentes às 173 agroindústrias e à prestação de serviços no campo.
O clima e a terra, considerados favoráveis ao plantio, não deixam safras se perderem. A aplicação de técnicas avançadas permite, ainda, duas colheitas por ano em cerca de 80% das áreas agricultáveis, irrigadas ou de sequeiro (que depende das chuvas para receber irrigação). Na Brasília rural, o trabalho nas lavouras não para. Cerca de 30 variedades de grãos, cereais, frutas e hortaliças se adaptam bem às condições do solo e colocam a região na quinta posição do ranking nacional do PIB da agricultura, com uma cifra de R$ 541,7 milhões, atrás apenas dos municípios matogrossenses de Sapezal e de Sorriso, de São Desidério, na Bahia, e de Rio Verde, em Goiás (veja arte).
Produtores fazem milagre em 119,6 mil hectares cultivados, o menor território fértil entre os principais polos agrícolas brasileiros. "Estamos no céu", define o diretor da Fazenda União, Vilson Thomas, 53 anos, da segunda geração de gaúchos que desbravaram os arredores da capital federal. Com sede às margens da DF-130, no Núcleo Rural Tabatinga, em Planaltina, o conglomerado familiar administrado por Vilson ilustra o potencial da agroindustrialização. O faturamento das três empresas do grupo, no ano passado, somou R$ 20 milhões. E deve crescer mais 5% em 2012.
As fazendas comandadas por Vilson Thomas já faturam R$ 20 milhões por ano: grãos exportados para as regiões Norte e Nordeste
De 3,5 mil hectares distribuídos por sete fazendas, brotam milho, soja, feijão e sorgo armazenados, manipulados e distribuídos para atacados do DF e Entorno e para cidades das regiões Norte e Nordeste. O maquinário de última geração e os 24 caminhões usados no processo de escoamento valem algo em torno de R$ 35 milhões. Quando viaja para fechar negócio, Vilson acompanha pelo celular toda a produção e logística, por meio de imagens geradas a partir de 32 câmeras instaladas em posições estratégicas nas lavouras e no condomínio industrial.
Estrada da soja
A intensa movimentação de carretas nas rodovias que cortam o DF e ziguezagueiam o Entorno agrícola revela a produção aquecida em propriedades campeãs de exportação. Próximo a Cristalina (GO) — a maior área irrigada da América Latina —, impressionam as extensas plantações nos dois lados da chamada "estrada da soja". "Não existe região no Brasil e talvez no mundo como esta, onde se planta e colhe todo dia, o ano inteiro", diz Leomar Cenci, presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do DF (Coopa-DF), entidade que reúne 113 associados e movimenta R$ 65 milhões por ano em negócios, com destaque para a soja e o trigo.
Os altos índices de produtividade, aliados ao peso do mercado consumidor do DF, o maior do Centro-Oeste e o terceiro do país, têm chamado a atenção de multinacionais para as cobiçadas divisas com Goiás e Minas Gerais. As gigantes Pionner e Monsanto, empresas norte-americanas de sementes, além do grupo alimentício francês Bonduelle, já estão na região, assim como a Rain Bird, principal fabricante mundial de equipamentos de irrigação. Executivos da Nestlé analisam a possibilidade de implantar um centro de pesquisa ou uma indústria perto de Brasília.
Palco de negócios
Em apenas quatro anos, como reflexo da pujança do agronegócio na região, a Agrobrasília conseguiu se firmar como um dos maiores e mais importantes eventos do ramo no país. Sem tradição consolidada nem megashows de duplas sertanejas na programação, foram comercializados, em 2011, R$ 212 milhões, o maior valor registrado entre as feiras de todos os segmentos realizadas na capital federal. Durante a quinta edição, entre 15 e 19 de maio, visitantes poderão utilizar uma pista de pouso e decolagem de pequenos aviões construída no parque onde a feira ocorre, na região do Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), a 60 km do centro de Brasília.
Para saber mais
Colônias agrícolas
Antes da construção de Brasília, o Planalto Central era dividido em enormes fazendas, onde havia uma tímida e pouco diversificada produção. Com a transferência da capital para o centro do país, um sistema de abastecimento precisou ser planejado para atender a demanda que surgiria. Colônias agrícolas de nordestinos, gaúchos e japoneses, principalmente, se instalaram na região para dar início a plantações maiores. Muito do cerrado acabou sendo devastado, com o aval do próprio Estado. Em 1976, nasceu o Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), atualmente a região rural mais próspera do DF. Aos poucos, os produtores descobriram as excelentes características físicas da terra, que, aliadas à tecnologia, deram força à agropecuária local
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Corrida por financiamento

Autor(es): » DIEGO AMORIM
Correio Braziliense - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/corrida-por-financiamento

Existem hoje no DF 2,9 mil processos de regularização de áreas rurais. Por não terem o título da terra, produtores encontram dificuldades para obter empréstimos nos bancos. GDF e BRB prometem reduzir a burocracia

A forte demanda por alimentos desafia agricultores locais a produzir mais e melhor no mesmo espaço de terra. Para isso, não há outro caminho a não ser aumentar os investimentos em tecnologia e agregar valor aos produtos com a construção de complexos agroindustriais nas propriedades. É aí que um problema que se arrasta há décadas trava a força do campo brasiliense: no papel, os produtores não são donos da terra ocupada legitimamente. A insegurança jurídica dificulta os empréstimos bancários e impede um avanço mais veloz do agronegócio na região.
O atual governo é mais um a se mostrar disposto a resolver a situação até o fim do mandato. Na Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural, acumulam-se 2.919 processos de regularização de terras. Para tentar conseguir financiamentos e manter a produtividade das lavouras em alta, os autores desses pedidos precisam oferecer como garantia às instituições bancárias o maquinário usado nas produções, além de apresentar os balanços da safra anterior, sempre positivos. Muitas vezes, tamanho esforço não é suficiente para a liberação do crédito.
Apesar desse entrave — o mais grave no cenário da agricultura local —, representantes de cooperativas reconhecem que o setor nunca teve tanto prestígio. Talvez pela força demonstrada nos últimos anos, acreditam. O atual secretário da pasta, o engenheiro agrônomo Lúcio Valadão, é amigo de muitos produtores e por mais de uma vez prometeu a eles a escritura dos terrenos antes de deixar o cargo. "É minha prioridade", garante. A titularidade das terras, reforça Valadão, vai impulsionar os investimentos. "Não bastam mais as commodities somente, precisamos agregar valor", defende.
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Jacques Pena, também pretende contribuir para consolidar o DF como centro regional do agronegócio. O banco costuma ser o que mais flexibiliza os financiamentos para os produtores locais (leia mais abaixo). "A agroindustrialização é o caminho mais promissor para a nossa economia. Estamos no coração do Centro-Oeste, o celeiro agrícola do mundo. Não tem segredo. O problema é que ainda não pararam para pensar sobre isso", disse Pena, durante uma caravana rural acompanhada pelo Correio, que percorreu no último dia 13 três das principais cooperativas da região.
Políticas públicas
Este ano, o governo local pretende apostar em políticas públicas voltadas para o campo. Há dois meses, alunos de 13 escolas rurais passaram a tomar café da manhã com alimentos produzidos na região agrícola do DF. "Não queremos recursos próprios. Basta que os órgãos do GDF gastem menos comprando da nossa agricultura familiar", afirma o diretor executivo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), Marcelo Resende.
Ainda este semestre, o GDF promete disponibilizar internet banda larga na área rural, o que vai incentivar a modernização do trabalho nas lavouras. O governo também firmou um convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) que liberou R$ 5,2 milhões para aquisição de 1,2 mil toneladas de alimentos de 889 agricultores familiares, com o objetivo de abastecer entidades socioassistenciais. Por meio do Programa de Aquisição de Produtos da Agricultura do DF (Papa), o Executivo também vai comprar de produtores locais alimentos, flores e artesanato, sem a necessidade de licitação. Os itens atenderão a demanda de instituições como restaurantes comunitários, zoológico de Brasília e os sistemas prisional e de saúde.
Independentemente de políticas públicas, o protagonismo de entidades como a Emater e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se destaca na capital do país. O território reduzido ajuda na propagação e no acompanhamento de técnicas. Não há uma propriedade rural no DF que esteja a mais de 40km de uma das 16 unidades da Emater. O deputado distrital Joe Valle (PSB), engenheiro florestal e produtor, acredita no potencial da técnica aliada à educação. "Se houver formação, todos serão absorvidos. O DF rural é uma região de emprego pleno", sustenta.
"A agroindustrialização é o caminho mais promissor para o DF. Estamos no coração do Centro-Oeste, o celeiro agrícola do mundo, e somos o terceiro maior mercado consumidor do país. Não tem segredo. O problema é que ainda não pararam para pensar sobre isso"
Jacques Pena, presidente do BRB

Crédito rural cresce em ritmo chinês

Correio Braziliense - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/credito-rural-cresce-em-ritmo-chines

Flexibilização de empréstimos tem conseguido impulsionar o agronegócio
O incentivo ao agronegócio faz parte do plano do BRB de ampliar sua área de atuação e se tornar o banco do Centro-Oeste. No Distrito Federal, onde a falta de titularidade da terra atormenta os produtores, a instituição, que tem o GDF como seu maior acionista, flexibilizou a liberação de empréstimos para o campo. Nas 10 agências que operam a modalidade do crédito rural, não é preciso apresentar a escritura como garantia. "O banco reconheceu o problema local e não abandonou o produtor", afirma o diretor de Desenvolvimento, José Flávio Rabelo Adriano.
No ano passado, o BRB financiou R$ 170 milhões em 50 mil hectares de área plantada. A meta este ano é contabilizar pelo menos mais 7,5 mil hectares e chegar a R$ 200 milhões liberados, o que representaria um crescimento de 17,6% no volume de empréstimos. Enquanto o índice médio de inadimplência do sistema financeiro gira em torno de 3,7%, no caso dos agricultores do DF o percentual não passa de 1,9%. Agrônomos do banco, com a ajuda de técnicos da Emater, percorrem as propriedades para fiscalizar a aplicação do dinheiro.
Linha específica
De acordo com José Flávio, não faltam recursos para crédito rural. No ano passado, a instituição lançou a linha de pré-custeio, que permite ao produtor antecipar a compra de insumos, reduzindo custos. Também há produtos destinados à agricultura familiar e ligados a um programa para reduzir emissões de gases de efeito estufa na agricultura. "Mas não vamos ficar confinados no DF. Vamos expandir nossa atuação para todo o Centro-Oeste", garante o diretor.

Pequenos ainda empregam 70%

Correio Braziliense - 22/04/2012
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/4/22/pequenos-ainda-empregam-70

Apesar de as grandes plantações resultarem em cifras mais robustas, o sustento da agricultura brasiliense ainda reside nas pequenas e médias propriedades de hortaliças. Sete em cada 10 produtores locais atuam nessa atividade, responsável pela criação de 21 mil postos de trabalho, o equivalente a 70% dos empregos rurais no Distrito Federal. O nível de produtividade de determinados itens chega a alcançar R$ 51 mil por hectare, mais de 11 vezes a média local.
Uma proporção cada vez maior do que vai parar na mesa dos brasilienses sai da região agrícola local. O DF já é autossuficiente em pimentão e folhosas e, em época de safra, morango e goiaba. Cerca de 70% de frutas, legumes e verduras do setor de orgânicos comercializados na rede Pão de Açúcar, por exemplo, são comprados de agricultores locais, cuja produção cresce cerca de 30% ao ano. Está no DF a Fazenda Malunga, referência internacional em agroecologia.
Sem ter para onde expandir as plantações, a Brasília rural avança impulsionada por uma revolução tecnológica. "Até cinco anos atrás, era preciso sair do DF para conhecer técnicas de hortaliças. Hoje, a maior parte dos nossos produtores é altamente qualificada", diz o chefe-geral da Embrapa Hortaliças, Celso Moretti. "Nossos modelos estão sendo reaplicados em todo o país", acrescenta o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), José Guilherme Leal.
O pimentão é um dos casos de sucesso do campo brasiliense. Maurício Severino de Rezende, goiano de 55 anos que aprendeu a colher mais em áreas menores à dos conterrâneos, produziu 300 toneladas do fruto na última safra, em 64 estufas instaladas no Núcleo Rural Taquara, na região de Planaltina. "Tem gente que não acredita em uma produção tão grande em apenas dois hectares de terra", conta o maior produtor de pimentão do DF e Entorno. Para se ter uma ideia, a área equivale a menos de três campos de futebol.
São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012Mercado
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O BRASIL QUE MAIS CRESCE

No Sul, Cascavel usa riqueza da soja e vira polo de serviço
Cidade se tornou centro regional de medicina, odontologia e educação
De passado extrativista, pioneiros investiram em soja, frigoríficos de aves e hoje em serviços para o oeste do Paraná
TONI SCIARRETTA
ENVIADO ESPECIAL A CASCAVEL (PR)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/38538-no-sul-cascavel-usa-riqueza-da-soja-e-vira-polo-de-servico.shtml 


No oeste do Paraná, Cascavel desponta como uma das cidades de maior crescimento e geração de emprego no país, polo regional do agronegócio, de serviços de saúde e do ensino superior pago.
A cidade se tornou um canteiro de obras, com guindastes e gruas por todos os lados. O preço dos imóveis disparou mais de 80% em cinco anos.
Nas ruas largas, que começam a ter trânsito, circulam utilitários 4x4, BMW, Mercedes, Porsche e até uma Lamborghini amarela com barro vermelho nos pneus.
O "esquenta" da noite é no posto de gasolina Santo Antônio, onde os filhos dos mais ricos reúnem os carrões.
Nem sempre foi assim. Quando foi fundada, em 1952, Cascavel não passava de uma rota do Sudeste brasileiro até Foz do Iguaçu, caminho do Paraguai e da Argentina.
Vieram os primeiros colonos, a maioria gaúchos de origem alemã e italiana, que derrubaram a mata, venderam a madeira e cercaram pequenas fazendas.
Terminado o ciclo madeireiro após a construção de Brasília, o vilarejo correu sério risco de se tornar uma cidade-fantasma. Foi quando, pela primeira vez, os pioneiros se juntaram para discutir como sobreviveriam à crise.
A solução encontrada foi fazer lobby para trazer à cidade uma fábrica que a catarinense Sadia, maior produtora de derivados de carne, queria construir na região.
Não conseguiram levar a Sadia a Cascavel -a fábrica foi para a vizinha Toledo-, mas foi daí que surgiram iniciativas que décadas depois fizeram a cidade se tornar emergente agrária, depois industrial e hoje de serviços.
Plantaram café, depois semearam milho e finalmente cultivaram soja, que enriqueceu a cidade nos anos 1970.
Não demorou muito e surgiram Comil e Consilos, fabricantes de silos, secadores e equipamentos para mecanizar a produção agrícola, aumentando a produtividade em propriedades pequenas, mas com terras muito férteis.
A cidade se voltou, então, para a produção de ovos e frangos -hoje com os frigoríficos Diplomata e Globoaves, dois dos maiores produtores e exportadores do país.
O que fez Cascavel decolar na última década foi o investimento da segunda geração dos pioneiros em serviços como escolas, hospitais, escritórios de advocacia e comércio atacadista, que atendem perto de 1 milhão de pessoas de mais de 20 cidades.
"O dinheiro da soja ficou aqui", disse Leopoldo Furlan, presidente da Acic, a associação dos empresários.

Serviços crescem com classe média no Paraná
Oeste do Estado importou médico, engenheiro e professor universitário
Infraestrutura deficiente na área de transportes impede um crescimento maior da cidade de Cascavel

Joel Silva/Folhapress
Guindaste emobra no centro de Cascavel, oeste do Paraná
DO ENVIADO A CASCAVEL



Para crescer, Cascavel teve de importar mão de obra qualificada do restante do país. Nos últimos 16 anos, enquanto a população brasileira cresceu 25%, a da cidade paranaense saltou 49%.
Vieram médicos, dentistas, engenheiros, advogados, além de professores universitários e executivos, para atender a crescente demanda dos novos endinheirados que surgiam com a soja. E com eles vieram as suas famílias.
"Costumo levar as mulheres dos diretores das minhas empresas para conhecer a cidade. No começo, elas não gostam, mas depois se acostumam e não querem mais voltar. Aqui tem de tudo. Ninguém precisa ir à Oscar Freire ou ao shopping Iguatemi de São Paulo", disse a empresária Iracele Mascarello.
Os Mascarello começaram com a Comil, fábrica de silos para armazenar soja e equipamentos agrários em 1958. Há dez anos, foram para a incorporação imobiliária, construindo bairros e até um cemitério na cidade.
Em 2003, separada do marido, Celinha Mascarello, como é conhecida, montou com as filhas a fábrica de ônibus que leva o nome da família. Hoje, produz veículos para as prefeituras de São Paulo e do Rio e exporta para oito países, incluindo Angola.
Dono da companhia de ônibus Eucatur, que domina as rotas do Sul a Rondônia, o empresário Assis Gurgacz preferiu diversificar os negócios investindo em educação e saúde. Hoje, a fundação sem fins lucrativos que leva seu nome tem um hospital e uma universidade. "Foi decisivo para Cascavel ter boas faculdades. Atrai gente da região e do Paraguai."
Em ensino superior, Cascavel se tornou referência regional, ultrapassando a vizinha Foz do Iguaçu. São oito universidades, sendo pública só a estadual Unioeste, com mais de 25 mil estudantes de graduação e pós. Na saúde, são nove hospitais, 216 clínicas e 406 consultórios.
Os serviços se tornaram tão importantes que a arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) da prefeitura somou R$ 10,3 milhões até março deste ano, mais do que os R$ 10,1 milhões dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do agronegócio.
A exemplo de outras regiões, o crescimento de Cascavel esbarra hoje na forte monopolização da infraestrutura de transportes. Os transportes, como os serviços e a comunicação, lucram sem agregar mais-valia do capital industrial, fixo e variável, senão marginalmente. Disto, a necessidade de manter o ramo desregulamentado e a tendência a estender para além do limite fisiológico as jornadas dos empregados - seja com café, seja com rebite - e desviar as verbas de melhoria da produtividade da rede de transportes e comunicação. Imaginam agregar valor e participar como subsidiários integrais, quando, na verdade, não passam de capital circulante e em circulação evanescente.
Só recentemente o aeroporto, cujos voos saem lotados, pôde receber aviões de grande porte.
Apesar do acesso à Ferroeste, ferrovia que liga a cidade ao porto de Paranaguá, que barateia o escoamento da soja, a cidade sofre com acessos ainda não duplicados de três rodovias importantes.
Elas formam um dos principais entroncamentos rodoferroviários do país, ligando as regiões Centro-Oeste e Sul com o Paraguai e o Atlântico.
Segundo Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Agrícola de Cascavel (Coopavel), a região perde R$ 100 milhões por ano com custo maior para escoar a produção por via rodoviária até Paranaguá.
São Paulo, domingo, 22 de abril de 2012Mercado
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Violência, acidente e tráfico preocupam os moradores
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/38540-violencia-acidente-e-trafico-preocupam-os-moradores.shtml 


Nem tudo é bonança no município. Cascavel ainda tem alguns resquícios de velho oeste, como o assassinato de um policial federal na frente da mais conhecida casa noturna da cidade no penúltimo sábado. O suspeito, que está preso, é de uma conhecida família cascavelense.
O tráfico de drogas também é forte na cidade. A maioria dos detentos está presa por crimes ligados ao tráfico, como assassinatos de acerto de contas ou roubos para compra de droga.
No início da década, uma onda de violência propagada por jovens de classe média, em sua maioria estudantes universitários, também incomodou a ponto de ocorrer movimentos cobrando paz e segurança após o espancamento de um adolescente skatista num domingo à tarde em uma rua que era point dos jovens na época.
Outro problema antigo são os acidentes de trânsito. As largas ruas da cidade são um estímulo para jovens rodarem em alta velocidade depois da balada em um município onde a lei seca não existe.
A frota da cidade cresceu a taxas anuais superiores a 7% de 2006 a 2010, ano com 157 mil veículos cadastrados e quando 3.555 acidentes deixaram 1.903 vítimas, sendo dez fatais, segundo o Detran-PR. A prefeitura da cidade trabalha para diminuir esses números com alterações nas rotas viárias e radares de velocidade.
(PM)



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ANÁLISE
Aumento da população e renda em alta criam mercado para as escolas privadas
NAERCIO MENEZES FILHO
ESPECIAL PARA A FOLHAhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/38574-aumento-da-populacao-e-renda-em-alta-criam-mercado-para-as-escolas-privadas.shtml

As famílias brasileiras gastaram R$ 40 bilhões com educação em 2009, se somarmos todos os gastos declarados na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (POF). Isso significa quase 1,3% do PIB.
Somados os 5,7% gastos pelo setor público naquele ano, as despesas com educação no país alcançam 7% do PIB, acima da média de 5,9% dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Desses R$ 40 bilhões, 35% são gastos com matrículas no ensino superior, 30% no básico e o restante se divide em livros, cursos de idiomas, pré-vestibulares, transportes, uniformes etc.
Os gastos com pós-graduação aumentaram muito entre 2003 e 2009, refletindo a valorização dos profissionais com esse nível no mercado.
Entretanto, os gastos totais das famílias com educação diminuíram em termos reais nesse período (não acompanharam a inflação), passando de 1,9% para 1,3% do PIB.
O gasto médio das famílias com mensalidades do ensino básico no Brasil é R$ 200 e com faculdades privadas é R$ 460. A mensalidade das boas escolas privadas em São Paulo, por exemplo, ultrapassa R$ 2.000.
Por que as famílias gastam tanto com educação privada? No passado, as escolas públicas tinham qualidade. Quando a população dos municípios e sua renda média eram pequenas, a escola pública atendia apenas a elite.
Quando a população urbana dos municípios começa a aumentar e passa a ter condições de colocar seus filhos na escola, a rede pública perde condições de atender a todos com qualidade.
Não há professores com boa formação em quantidade suficiente para atender a demanda crescente.
As mulheres de classe média deixam a escola normal e passam a cursar outras faculdades, aproveitando a abertura do mercado de trabalho.
Nesse momento, a qualidade das escolas públicas começa a declinar, e o aumento da desigualdade faz com que surjam as primeiras escolas privadas, que veem na população crescente, com renda e insatisfeita com a escola pública, oportunidades para bons negócios.



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A ANS precisa fiscalizar o que diz

A Agência Nacional de Saúde Suplementar deveria cuidar melhor do que diz à patuleia. No domingo passado, leu-se aqui que a professora Ligia Bahia tivera uma pesquisa feita para o CNPq rebarbada e estava convidada a devolver R$ 141 mil à Viúva. O trabalho mostrava as debilidades do atendimento dos planos de saúde privados que a agência é paga para fiscalizar.
No dia seguinte, numa nota oficial, os doutores informaram que "a ANS tem reiteradamente solicitado ao CNPq a entrega da referida pesquisa ou a devolução dos valores pagos, o que não foi feito até o momento". Horas depois, a agência divulgou outra nota. Nela enfiaram o seguinte: "No segundo semestre de 2011, em reunião do CNPq com a ANS, obteve-se o que seria o relatório da pesquisadora, dra. Ligia Bahia, que não guardava relação com o plano de trabalho, razão pela qual a ANS considerou a pesquisa como não realizada".
Primeiro a professora foi acusada de não ter entregue o serviço encomendado, o que não é pouca coisa. Na mesma tarde, o centro da questão migrou para a discussão de sua qualidade, o que é outra coisa. Fizeram isso sem explicar o que foi feito da primeira acusação. Como os doutores dizem, "a ANS se pauta pela transparência". É tão transparente que, por meio dela, não se vê nada.

Plataforma garante transparência na gestão agropecuária

18/04/2012 13:34Inovação http://www.agricultura.gov.br/animal/noticias/2012/04/plataforma-garante-transparencia-na-gestao-agropecuaria

Sistema lançado hoje (18) pela CNA e o Mapa reúne dados de criação e transporte de animais nos 27 Estados brasileiros

Para obter maior controle da movimentação dos rebanhos do País, foi lançada nesta quarta-feira, 18 de abril, a Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA). O anúncio aconteceu durante cerimônia na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, quando a presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu, entregou o sistema ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho.
Mendes Ribeiro Filho ressaltou que a plataforma vai “mudar o futuro brasileiro”, a partir da expectativa de que o Brasil tenha acesso a novos mercados ao oferecer mais transparência no processo de criação e transporte de animais nos 27 Estados brasileiros. “Vamos dar segurança ao consumidor e explorar o potencial [do PGA] ao máximo”, afirmou o ministro.
A confiança do consumidor local foi reiterada pela senadora Kátia Abreu. “Queremos gerar a confiança principalmente do consumidor brasileiro, que representa 70% dos compradores da carne produzida no país”, explicou. A senadora destacou ainda a agilidade do ministro em assinar o convênio da parceria entre Mapa e CNA para que fosse possível o lançamento do sistema.
A plataforma garante maior credibilidade, transparência, agilidade na coleta de dados sobre o trânsito de bovinos e a integração de vários sistemas de controle, inclusive sanitário. Os registros dos estados devem ser integrados ao sistema em até 60 dias. De acordo com Mendes Ribeiro Filho, a partir de 1º de julho de 2012, todas as Guias de Trânsito Animal (GTAs) precisarão ser eletrônicas, emitidas a partir do sistema da PGA. Os estados que já fazem esse controle de forma eletrônica também terão que migrar as informações para o sistema, que será fornecido pelo Governo federal.
Nessa primeira etapa, as Guias de Trânsito Animal (GTAs) emitidas pelas unidades federativas deixarão de ser preenchidas manualmente e passarão a ser feitas por meio eletrônico. Todas as informações referentes ao rebanho brasileiro serão centralizadas no Mapa, garantindo agilidade no processo de elaboração de políticas de apoio ao setor e a interrupção do trânsito de bovinos entre regiões e Estados, no caso de problemas sanitários.
Além da Base de Dados Única (BDU), a nova PGA também abrigará outros dois módulos, com informações sobre o Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) e o Sistema de Informações Gerenciais do Sistema de Inspeção Federal (SIGSIF). Esses dois sistemas serão lançados até o final de 2012.
Pecuária no BrasilO desenvolvimento de programas e sistemas voltados para o setor pecuário foi parte do acordo de cooperação firmado entre a CNA e o Mapa em outubro de 2009. Desde então, a entidade e o Governo federal tem elaborado as diretrizes da PGA, modelos que estão sendo apresentados, também, aos países importadores de carne brasileira. A expectativa é de que o Brasil tenha acesso a novos mercados ao oferecer mais transparência no processo de criação e transporte de animais nas 27 unidades da federação.
O Brasil foi o maior exportador de carne bovina em 2011, com 1,4 milhão de toneladas equivalente carcaça, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e o segundo maior produtor mundial, com 9,2 milhões de toneladas equivalente carcaça.

sábado, 21 de abril de 2012

Celso Furtado explicou nosso atraso, diz economista





Mudanças no pensamento do CEPAL

“Não há nenhum obstáculo macroeconômico ou estrutural para a retomada do crescimento” brasileiro, disse Ricardo Bielschowsky, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Para o economista da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no Brasil, o problema está no Banco Central, que tem “sido excessivamente ortodoxo em sua política monetária”. Sobre a inserção da América Latina no mercado internacional, Bielschowsky diz que é necessário diversificar a pauta produtiva e exportadora. Ao adotar essa medida, a região aumentaria mais rapidamente a produtividade e a competitividade. Assim, explica, os países latino-americanos poderiam defender-se das oscilações na economia mundial. Em seguida, dispara: “apesar de todos os progressos nos últimos 60 anos, não avançamos em forma suficiente para alterar substantivamente nossa inserção internacional, e continuamos muito vulneráveis”.

Por: IHU Online



Bielschowsky é autor de Pensamento econômico brasileiro - O ciclo ideológico do desenvolvimentismo: 1930-1964, publicado em 2000 pela Editora Contraponto e organizador da coletânea Cinqüenta anos de pensamento na Cepal, publicada em 2000 pela Editora Record.
Ele concedeu a entrevista A Cepal e a análise do Brasil e da América Latina à IHU On-Line na edição 201, de 23 de outubro de 2006, intitulada O Brasil que a gente quer. O material está disponível no sítio do IHU (www.unisinos.br/ihu). 
IHU On-Line - A Cepal nasceu sob a influência dos economistas Prebisch  e Furtado  que valorizavam o planejamento e a tentativa de colocar as empresas transnacionais a serviço dos projetos nacionais de desenvolvimento. Com o tempo, esse quadro se inverteu e as transnacionais passaram a ser vistas como principal agente dentro do processo de desenvolvimento. Assim, como o senhor avalia essas transformações no pensamento econômico da Cepal?
Ricardo Bielschowsky -
 A questão das empresas transnacionais só entrou na discussão da Cepal, como de resto de toda a intelectualidade da América Latina, lá pelo final dos anos 1950, ou seja, dez anos depois que Prebisch havia formulado a teoria cepalina do desenvolvimento na periferia latino-americana, e que Furtado o havia secundado nisso.

Naqueles primórdios da industrialização pesada, pensava-se que as multinacionais dos setores industriais não se interessariam em produzir na América Latina. A referência teórica conservadora ainda era o velho esquema das vantagens comparativas na divisão internacional do trabalho, e a prática confirmava a idéia do desinteresse das empresas dos países desenvolvidos. A menos que fizessem um grande esforço autônomo, estaríamos condenados a exportar produtos primários e importar bens industriais. Prebisch e Furtado levantaram a bandeira da industrialização, mas inicialmente não davam ênfase à questão das multinacionais, porque a questão não se colocava para eles.

Com a chegada das multinacionais na década de 1950 é que se iniciou uma discussão sobre elas. Especialmente nos anos 1960 o debate foi intenso. Passou-se a desconfiar que o tipo de estrutura produtiva que elas traziam era pouco adequada às condições locais – era intensiva em capital - e reproduzia condições de demanda que só funcionavam a contento se houvesse concentração de renda. Nascia a “teoria da dependência”
.

IHU On-Line - Essas mudanças trouxeram algum benefício para os países da América Latina, já que as empresas transnacionais tornaram-se líderes no panorama industrial, ganhando enorme peso nas negociações com os governos, não havendo políticas que tocassem em seus interesses?
Ricardo Bielschowsky -
 Vamos dividir a pergunta em duas partes. A primeira é econômica, e a resposta é positiva, ou seja, sim, trouxeram benefícios, especialmente nos países de maior tamanho relativo – e mais ainda no Brasil -, porque com elas foi possível avançar muito no processo de industrialização. Teria sido melhor fazê-lo de forma autônoma, como fizeram a Coréia e Taiwan, ou pelo menos coordenar as decisões dessas empresas com objetivos nacionais nobres, como é o caso de desenvolvimento e produção local de produtos intensivos em tecnologia, e a realização local de P&D. Mas as sociedades e os Estados latino-americanos não estavam vocacionados para a tarefa.
No caso do Brasil, a industrialização brasileira foi um êxito, e as multinacionais concorreram para o êxito. Sem a industrialização, seríamos possivelmente uma nação com problemas sociais muito maiores do que hoje temos – e olhe que não temos poucos. Mas faltou, por certo, introduzir algumas condicionantes para maximizar os ganhos para o país.

Vamos à segunda parte.
As multinacionais e as empresas locais modernas em geral trabalharam na América Latina com base a um núcleo de demanda de altas rendas, em meio a países com muita pobreza e subdesenvolvimento. Reproduzia-se aqui em escala muito pequena as pautas produtivas e de consumo existentes nos países desenvolvidos, sem o progresso técnico e os ganhos de escala que lá ocorriam, e sem a transmissão da produtividade a salários. As empresas ganhavam muito dinheiro, as elites consumiam em padrões europeus ou norte-americanos, e a pobreza se ampliava. Isso tem, é claro, uma contrapartida nas relações de poder e dominação.

Mas não é possível estabelecer uma regra geral para identificar as relações entre as multinacionais e as estruturas de poder e de dominação na história dos países da América Latina. Cada país tem sua própria história, com diferentes graus de autonomia entre poder econômico e poder político, e com diferentes formas de participação de agentes estrangeiros na evolução dos acontecimentos políticos.

IHU On-Line - Quais são as atuais propostas da Cepal para superar o subdesenvolvimento dos países latino-americanos?
Ricardo Bielschowsky -
 Para a região, a Cepal tem propostas em várias áreas. As três principais são: a macroeconomia, o setor real da economia, e a área social.
1) A macroeconomiaNa macroeconomia, a proposta da Cepal é de preservação dos equilíbrios macroeconômicos, consciente, porém, de dois fenômenos. Primeiro, os ciclos. E propõe gerar capacidade de executar políticas anticíclicas, vale dizer, ganhar musculatura fiscal para enfrentar as oscilações e os humores da economia internacional. Segundo, entende que as nossas economias são vulneráveis pelo lado externo, e por isto considera importantes duas coisas, no plano macroeconômico: uma nova arquitetura financeira internacional - por exemplo, maior participação dos países de desenvolvimento nas decisões das agências multilaterais, eventualmente o surgimento de mecanismos para enfrentar emergências financeiras, mecanismos mundiais ou regionais (Fundos regionais), e atenção aos excessos do fluxo de capitais voláteis, eventualmente por meio de monitoração da taxa de câmbio, e de usos de mecanismos como “quarentena” sobre entrada de capitais de curto prazo.
2) O setor real da economia
Historicamente, a grande contribuição da Cepal tem sido na questão do chamado desenvolvimento das forças produtivas. Preocupa-se com infra-estrutura de qualidade, com sistemas de inovação que acelerem a acumulação de capacidades tecnológicas, e com o fomento à transformação produtivas em suas várias dimensões: diversificação da estrutura produtiva e das exportações, encadeamentos produtivos das exportações e do investimento estrangeiro direto com outras atividades econômicas internas, formação de “clusters produtivos”, fomento às pequenas e médias empresas e às microempresas, reestruturação de setores não competitivos, e um novo papel para os mercados internos e  regionais.
3) Área social
Na área social, o que se destaca é a idéia de solidariedade, da busca de arranjos que conduzam à coesão social. Insiste-se nas políticas publicas que combatam a pobreza e que contenham esquemas universais de atendimento e valorização da população, nas áreas de saúde, saneamento básico, educação, capacitação etc. A previdência deve ser montada a partir de esquemas de solidariedade e universalidade, ou seja, que os mais pobres não sejam abandonados por falta de capacidade de pagamento de sistemas de pensão e aposentadoria.

IHU On-Line - Sobre as estratégias de desenvolvimento do Brasil, o senhor disse em outra entrevista à IHU On-Line, que seria necessário identificar as diferenças entre os países da América Latina. Como essas diferenças podem auxiliar no crescimento dos países latino-americanos?
Ricardo Bielschowsky -
 Cada país deve seguir o caminho no qual seu potencial de crescimento seja maior, e os países são muito distintos entre si. Penso, por exemplo, num
esquema em que o Brasil avance na combinação virtuosa entre, por um lado, indústria intensiva em conhecimento e, por outro, aproveitamento de recursos naturais com uso intensivo de em conhecimento. O Chile pode avançar muito nos recursos naturais com intensificação de uso de tecnologia, mas pouco na indústria. A Argentina é um país intermediário entre o Chile e o Brasil. O México tem lá suas características, e a saída deles dificilmente pode desconsiderar os profundos vínculos com os Estados Unidos. Os países de menor tamanho relativo têm outras prioridades, e isto tudo tem que ser estudado, país por país.
IHU On-Line - Para onde apontam as pesquisas da Cepal referente às economias latino-americanas?
Ricardo Bielschowsky -
 Espera uma expansão do PIB de cerca de 5% em 2007, e um pouco menos para 2008. Na área social, é difícil ter “projeções” anuais; a questão social é de longo prazo. A Cepal, além de monitorar pobreza e desigualdade, tem acompanhado os países frente aos objetivos do milênio da ONU, os ODMs . Nesse sentido, alerta para aqueles que estejam mais longe dos objetivos. O Brasil tem tido um desempenho satisfatório no que diz respeito a melhorias dos ODMs, salvo em saneamento básico, em que está longe de chegar aos níveis estabelecidos pelas ODMs.

IHU On-Line - Qual é a sua percepção, em particular, sobre a inserção internacional da América Latina no mercado?
Ricardo Bielschowsky -
 Acho que continuamos excessivamente dependentes de recursos naturais em forma convencional. Há que diversificar a pauta produtiva e a pauta exportadora na direção de bens com maior intensidade de conhecimento, sejam agrícolas, minerais ou industriais. Isso permitiria à região aumentar mais rapidamente a produtividade e a competitividade, defender-se melhor das oscilações na economia mundial e evitar a deterioração de termos de intercâmbio. Os objetivos que moviam a Cepal em sua inauguração, permanecem válidos, infelizmente. Isso significa que, apesar de todos os progressos nos últimos 60 anos, não avançamos em forma suficiente para alterar substantivamente nossa inserção internacional, e continuamos muito vulneráveis.    

IHU On-Line - O senhor disse que o será possível o Brasil recuperar o crescimento econômico nos próximos anos. Como se dará esse crescimento? Quais são as estratégias para retomar o desenvolvimento em apenas dois anos?
Ricardo Bielschowsky -
 Não há nenhum obstáculo macroeconômico ou estrutural para a retomada do crescimento. O banco central é que está atrapalhando, porque tem sido em todos esses anos excessivamente ortodoxo em sua política monetária, e com isto excessivamente permissivo com a valorização da taxa cambial.

IHU On-Line - O Banco do Sul reforçará as relações econômicas entre os países do Mercosul? Qual é a sua avaliação da proposta de Hugo Chávez?
Ricardo Bielschowsky -
 Ainda não se sabe bem o que é. Pode ser um banco de reservas, para gerenciar reservas contra volatilidade, isto é, banco de socorro a países em dificuldades, complementar ou substituto ao FMI. Outra possibilidade é que venha a ser um banco de fomento, do tipo BID ou Banco Mundial, que exige retorno econômico. Um terceiro é que seja um banco de correção de assimetrias econômicas e sociais, ou seja, um banco sem o objetivo de retorno, visando a enfrentar desequilíbrios regionais e ajudar os países e regiões mais pobres, como alguns fundos regionais europeus.

IHU On-Line - E o Brasil terá alguma vantagem com isso?
Ricardo Bielschowsky -
 O Brasil é muito grande para poder aproveitar qualquer uma das três linhas. Mas ganha em solidariedade regional. O Brasil precisa ser mais generoso com os vizinhos, a médio e longo prazo ganhará muito com a atitude, e os vizinhos também. O Brasil não precisa ser líder de ninguém, mas pode liderar o incentivo à harmonia entre as nações da América do Sul. Para isto, precisa ter uma agenda correspondente. Quem sabe, o Banco do Sul pode ser parte dessa agenda.


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Políticas para a retomada do crescimento, 2001. http://www.eclac.org/brasil/publicaciones/sinsigla/xml/2/10492/polretcresc.pdf

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Investimentos e Reforma no Brasil, 1990-2002

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Vigência das contribuições de Celso Furtado,
http://www.eclac.cl/publicaciones/xml/4/39554/RVPBielschowsky.pdf

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http://www.eclac.org/cgi-bin/getProd.asp?xml=/revista/noticias/Autores/7/18967/P18967.xml&xsl=/revista/tpl/p41f.xsl&base=/tpl-p/top-bottom.xslt



Ricardo Bielschowsky
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