http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/banco-europeu-tera-de-rolar-20ac-1-1-tri-em-dividas-em-2011
| Autor(es): Assis Moreira | De Genebra | ||||
| Valor Econômico - 02/12/2010 | ||||
Os bancos europeus precisarão fazer a rolagem de mais de € 1,1 trilhão de seus títulos de dívida em 2011, num cenário complicado pela crise do endividamento dos governos. Com a nova crise na Irlanda, os bancos do velho continente estão pagando mais para segurar seus bônus subordinados, de menor qualidade, em meio a persistentes dúvidas sobre a estabilidade financeira da zona euro. Analistas financeiros estimam que o problema de rolar as dívidas em 2011 vai ser especialmente difícil para os bancos regionais alemães, os Landesbanks, com necessidade de € 145 bilhões, e também as "cajas" espanholas, com € 33 bilhões. Ao mesmo tempo, os governos endividados até o pescoço continuarão recorrendo fortemente ao mercado. Somente a Grécia verá títulos a vencerem num montante de € 27 bilhões por ano, totalizando € 238 bilhões de até 2020. O pacote de € 85 bilhões para a Irlanda, aprovado no último domingo pela União Europeia (UE), destina € 10 bilhões para os combalidos bancos irlandeses, que estão hoje praticamente sob controle do Estado. O plano de socorro europeu prevê a eventualidade de mais € 25 bilhões de liquidez para os bancos irlandeses, para quebrar a falta de funding nos últimos tempos. Com isso, as ações dos bancos irlandeses subiram ontem. De maneira geral, porém, a reação dos mercados foi menos positiva, com investidores temendo que a crise bancária na Irlanda se propague a outros países. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que a vulnerabilidade para o caso de falência de bancos é particularmente alta em países como a Suíça, onde as duas maiores instituições, UBS e Credit Suisse, têm ativos cinco vezes maiores que o Produto Interno Bruto (PIB) do país, e a Holanda, onde os ativos dos dois maiores é três vezes superior ao PIB. Certos analistas calculam quanto os bancos perderiam em caso de rompimento da zona euro. Se a moeda comum for abandonada, e se voltar ao marco alemão, peseta espanhola, lira italiana, drachma grego, desvalorizações vão ocorrer imediatamente, e deixaria o sistema bancário quase insolvente, na avaliação de Arturo de Frias, chefe de pesquisa da empresa Evolution, citado pela agência "Bloomberg". Bancos franceses, alemães e britânicos poderiam perder até € 360 bilhões com o colapso do euro, assumindo-se uma desvalorização de 30% na busca para restaurar as moedas nacionais. Esse cenário parece fora de questão, mas só sua publicação já causa desconforto entre investidores, diante da situação da zona euro atualmente. BCE sinaliza com mais compra de títulos soberanos
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