quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Empresas se unem a escolas para desenvolver projetos

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/empresas-se-unem-a-escolas-para-desenvolver-projetos

Autor(es): Emily Glazer | The Wall Street Journal
Valor Econômico - 02/12/2010
Algumas empresas estão procurando estudantes para ajudá-las a aprender.
Algumas das melhores escolas de administração dos Estados Unidos começaram a se unir a empresas como Urban Outfitters Inc. e Green Mountain Coffee Roasters Inc. para criar programas em que os estudantes assumem o papel de consultores - a um custo mínimo ou até de graça para as empresas.
Os estudantes podem colaborar na identificação de alvos de aquisição, analisando a viabilidade de um segmento de mercado ou criando um plano de negócios, entre outros temas, dizem diretores dos cursos. Na Faculdade de Administração Tuck, da Universidade Dartmouth, e na Escola de Administração Kelley, da Universidade de Indiana, esses programas são gratuitos; outras faculdades cobram das empresas de US$ 50.000 a até US$ 80.000.
"Fornecemos vários professores e destinamos um número de estudantes de MBA maior que o que muitas consultorias de verdade dedicam", disse Jonathan Frenzen, que dirige um programa como esses na Faculdade de Administração Booth, da Universidade de Chicago. "As despesas da faculdade para fazer isso são relativamente significativas."
A Green Mountain Coffee enviou estudantes da Tuck para a Nicarágua, onde desenvolveram estratégias de negócios para melhorar a qualidade e a produção do café na fonte. "Isso terá um impacto na qualidade, no sabor de cada xícara (...) e no volume de café colhido [pelos produtores]", disse Rick Peyser, do departamento de responsabilidade social da empresa.
Enquanto alguns programas ou laboratórios de negócios como o da Booth existem há décadas, outros têm apenas um ano de existência. As equipes variam de tamanho, de 40 estudantes na Faculdade de Administração Hass, no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia, a 5 pessoas na Sloan, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mais conhecido como MIT. Os programas costumam levar entre três e seis meses.
David Slump, presidente da divisão de equipamento de som da Harman International Inc., descreve-se como um "cliente contumaz". Ele já trabalhou com estudantes da Booth para examinar e pesquisar um modelo de previsões, possibilidades de aquisições e o potencial de reposicionamento de uma marca, tanto na época em que trabalhou na General Electric Co. como na Harman.
Slump descreve o programa como "acelerador" que propicia um retorno enorme para os recursos investidos. "Provavelmente você não tem os recursos internos para analisar tudo sob uma nova perspectiva diariamente", disse ele. "As decisões difíceis tendem a precisar de mais análise."
Embora já tenha trabalhado com consultorias, Slump diz que esses projetos diferem muito dos trabalhos de faculdade, que geralmente não tem a mentalidade de "sala de guerra" das diretorias de verdade.
Bill Griesser, do Wells Fargo & Co., descobriu que a diversidade de experiências dos estudantes da Hass foi valiosa - muitos nunca tinham trabalhado na área financeira -, algo diferente do que o banco obteria de uma firma de pesquisa ou uma consultoria.
Ron Kruse, que administra cadeias de suprimento na EnerNOC Inc., colaborou com estudantes da Sloan para desenvolver uma ferramenta para o setor. Segundo ele, os estudantes "chegam com um olhar renovador". Eles enxergam coisas que as pessoas que trabalham no projeto diariamente "pararam de perceber ou têm vergonha de apontar".
A ferramenta de planilhas criada pelos estudantes "permite análises poderosas", disse Kruse. A EnerNOC vai usá-la para avaliar e criar armazéns de terceiros.
Às vezes os projetos vão parar na gaveta. Estudantes da Wharton ajudaram a Urban Outfitters a analisar iniciativas ecológicas, como fontes de energia e embalagens alternativas, disse Amy Dorra, gerente sênior de marketing. No momento, a colaboração foi parar no limbo. "Vai demorar um pouco para processar essa informação e realizar as discussões para determinar como podemos prosseguir", disse ela.

Nobel Argentina 5 x 0 Brasil

Autor(es): Roberto Macedo
O Estado de S. Paulo - 02/12/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/nobel-argentina-5-x-0-brasil
Ao examinar a outorga do Nobel segundo a cidadania dos premiados, deparei-me com esse placar, que reafirma o atraso do País no plano científico e o não reconhecimento internacional de personalidades brasileiras em outras áreas cobertas pelo prêmio. Em ciências ele é outorgado em Física, Química e Fisiologia ou Medicina, e há também uma láurea para Economia. Além disso, há os prêmios de Literatura e Paz.
Essa contagem pela cidadania envolve dificuldades, pois às vezes se confunde com avaliações que consideram o país de nascimento. Mas, mesmo contando dessa forma, os argentinos ganhariam de goleada.
O que fazer? Em várias áreas o Brasil vem avançando na formação de doutores e de outros pesquisadores. Publicações de seus artigos em revistas científicas no País e no exterior também aumentaram em número. Mas sabe-se também que recursos para o dia a dia das pesquisas continuam escassos e há outras dificuldades, como as burocráticas na importação de insumos indispensáveis ao trabalho em laboratórios.
Como outros, nós, economistas, temos um olhar focado em processos e resultados. Mais que muitos, entretanto, acreditamos que estímulos econômicos favorecem o alcance de resultados, até porque contribuem para acelerar processos. Esses estímulos podem ser em dinheiro ou em outros valores atribuídos a esforços realizados e ao reconhecimento deles.
Nessa linha, pode-se constatar que a premiação em dinheiro para avanços científicos e tecnológicos tem tradição secular e vem se acelerando nos últimos anos. Assim, a edição de 7/8 da revista The Economist destaca que os resultados de prêmios dessa natureza são avaliados como satisfatórios. A reportagem mostra que a sua concessão vem crescendo internacionalmente. O número dos que têm valor de US$ 100 mil ou mais aumentou de cerca de 50 em 1995 para perto de 300 em 2009. A mesma revista menciona estudos que encontraram relações entre as pesquisas premiadas e patentes subsequentes.
A propósito, vale registrar que recentemente o professor José Goldemberg, conhecido cientista brasileiro, recebeu a edição de 2010 do Prêmio Ernesto Illy Trieste de Ciência, no valor de US$ 100 mil, outorgado a eminentes cientistas de países emergentes por significativas contribuições à ciência e a desenvolvimentos nela baseados. Soube da notícia num encontro casual com o próprio premiado, que, aliás, com razão, demonstrava evidente satisfação por ter sido contemplado.
Baseado em considerações como essas e outras resultantes de discussões no âmbito da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o senador Alfredo Cotait (DEM-SP), que recentemente assumiu a cadeira do senador Romeu Tuma (PTB-SP), apresentou no Senado projeto de lei que cria o Prêmio César Lattes, assim proposto: "Ao cidadão brasileiro que, por atividades realizadas individualmente ou em instituições localizadas no Brasil, inclusive empresas, receber o prêmio ou láurea internacionalmente conhecidos como Nobel, o governo federal brasileiro lhe outorgará também o Prêmio César Lattes, de valor em reais equivalente ao recebido em coroas suecas." Com a "guerra cambial" que valorizou essa moeda, hoje o Prêmio Nobel envolve cifra perto de US$ 1,5 milhão.
O mesmo projeto propõe também o Prêmio Santos Dumont, "a ser conferido em cinco categorias, à razão de um em cada caso, a cidadãos brasileiros que trabalhando individualmente ou em instituições localizadas no Brasil, inclusive empresas, criarem inovações capazes de resolver determinados problemas cuja solução seja de interesse nacional e gere benefícios para a população e/ou para as atividades econômicas brasileiras".
Quanto ao mesmo prêmio, o projeto estabelece que "o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) definirá os primeiros cinco problemas para cuja solução será oferecido o prêmio", e que "vigorará o prazo de três anos para que os candidatos apresentem suas propostas de solução e o prêmio seja outorgado. Caso a premiação ocorra ou esse prazo se esgote sem que o prêmio seja conferido, um novo problema com igual prazo será proposto em substituição. As soluções serão avaliadas não apenas pela suas características científicas e tecnológicas, como também pela viabilidade de sua aplicação prática com ênfase na relação entre seus custos e benefícios". O valor do prêmio seria de R$ 1 milhão em cada categoria.
Como exemplo de um problema cuja solução poderia ser estimulada por esse prêmio, a exposição de motivos do projeto menciona uma vacina contra a malária e/ou a criação de novos medicamentos contra essa doença, que minimizem ou eliminem os maus efeitos colaterais dos já existentes. A íntegra do projeto pode ser encontrada em www.se
nado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=98439.
A denominação dos prêmios homenageia o físico César Lattes, considerado o mais importante da história do País e o cientista brasileiro que mais perto esteve da premiação do Nobel, de Física. E Santos Dumont, pela sua engenhosidade como pioneiro da aviação.
Espero que o projeto seja aprovado no Congresso e sancionado pela futura presidente Dilma, que por outros engenhos e artes vai receber o prêmio Lula na solenidade de sua posse.
Evidentemente, não cabe esperar que os prêmios propostos sejam capazes de resolver as grandes carências brasileiras em avanços científicos e tecnológicos. Mas, inegavelmente, poderão contribuir para as pôr em discussão e para agilizar processos e resultados. E, ainda, para estimular pessoas e equipes a se empenharem com maior vigor nesse outro jogo que disputamos com outros povos, o de "bolar" significativos avanços dessa natureza em benefício da humanidade, e ter seu mérito reconhecido sobretudo no seu próprio país.


'Science' aplaude ciência brasileira [Os ingleses viram]

Autor(es): Agencia o Globo/Renato Grandelle
O Globo - 03/12/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/3/science-aplaude-ciencia-brasileira
Crescimento das pesquisas nacionais é tema de reportagem da revista




O bom momento brasileiro, tema de muitas reportagens na imprensa estrangeira, chegou à "Science". A revista dedica sete páginas de sua edição de hoje às transformações da pesquisa científica no país na última década. Mas, além da multiplicação de recursos e de artigos acadêmicos publicados, o repórter Antonio Regalado também destaca pontos fracos, como a carência de mão-de-obra qualificada.

Entre 1997 e 2007, de acordo com a revista, o número de estudos publicados por pesquisadores brasileiros mais do que dobrou. Agora, são cerca de 19 mil, o que põe o país na 13ª posição entre os que mais produzem descobertas, à frente de Holanda, Israel e Suíça.

Este ano, o país concedeu duas vezes mais títulos de dourado do que em 2001. Cerca de 130 instituições federais de pesquisa foram criadas desde então. A conquista de tantos novos postos de trabalho não surpreende quem acompanha o orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia. Dez anos atrás, a pasta contava com US$600 milhões em caixa. Hoje, são US$4 bilhões. Isso permitiu ao governo, por exemplo, restabelecer, em 2008, o seu programa nuclear, após duas décadas de marasmo.

"É a mudança na sorte de uma noção que, durante a década de 90, foi acossada por problemas econômicos", lembra a reportagem. "À época, os pesquisadores careciam de fundos; o Brasil chegou a ver sua bandeira ser removida do logotipo da Estação Espacial Internacional depois de não conseguir financiamento para a construção de seis componentes."

O reconhecimento internacional foi comemorado por Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

- Há uma correlação entre investimentos em ciência, tecnologia e inovação e o avanço no padrão de vida da sociedade - destaca. - O país está ciente disso, e, nos últimos 40 anos, formou uma equipe de cientistas muito forte. E o pré-sal será uma dádiva, porque multiplicará os recursos destinados às pesquisas, sobretudo aquelas ligadas ao meio ambiente.

Área biológica é mais carente de recursos

Para o presidente da ABC, a produção brasileira em matemática, física e engenharia já é semelhante à de países desenvolvidos. A área biológica, no entanto, ainda necessita de investimentos maciços em laboratórios, equipamentos e recursos humanos para tornar-se competitiva internacionalmente
.

- Também temos um grande gargalo nas pesquisas promovidas por empresas - ressalta. - Embora haja projetos para estimular a produção científica nesse âmbito, muitas ainda preferem importar as novidades do exterior.

Outro calcanhar-de-aquiles, identificado pela "Science" e por Palis, é o baixo contingente de pesquisadores alocados na Amazônia - hoje, são apenas 300. Um estudo recente da ABC propõe ao governo oferecer salários maiores aos cientistas que moram na região.

Autoridades federais entrevistadas pela "Science" anunciaram sua pretensão de dobrar o volume atual de pesquisas até 2020, tornando o Brasil uma potência na área. Palis concorda com a meta, mas a condiciona à maior reserva de recursos ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

- A pasta tem 1,1% do PIB à disposição. Precisamos de 2,2% - recomenda o pesquisador que reforçou a cobrança em uma nota divulgada ontem, em conjunto com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e destinada à equipe de transição do governo Dilma Rousseff.

Nenhum comentário:

Postar um comentário