domingo, 8 de maio de 2011

A Bolha das Commodities

João Carlos Kopp

É um tema muito delicado a ser tratado, “uma bolha nas commodities”, não pensem que sou o mensageiro do apocalipse, mas alguns fatores estão me preocupando muito; desde boatos à fatos.


Boato, liquidação da posição de fundos nas posições compradas de milho na CBOT.
Fato: diminuíram em um pouco mais de 157.000 contratos os números de contratos abertos do grão na CBOT.
Fato, a demanda mundial de grãos está nos maiores níveis da história.
Boato: com forte demanda os preços vão subir indiscriminadamente? Bem, minha resposta seria não, um bom argumento é encontrado na declaração do Banco Mundial que afirma que 44 milhões de pessoas cairam na linha de pobreza no último ano. Aliado a isto, o aumento dos conflitos armados no oriente médio podem gerar grandes pressões em políticas governamentais ao redor do Mundo.
Esses argumentos iniciais são apenas para alertar aos leitores para que tenhamos muito cuidado com nossas decisões. O gerenciamento de risco é fundamental na gestão das nossas negociações.
Como destacado no ultimo artigo, o aumento dos negócios no mercado físico de milho poderia gerar uma pressão sazonal no curto prazo; bem, ela está acontecendo agora.
Morte do Bin Laden, Gadafi com um discurso mais ameno, e estoques de petróleo em níveis maiores que os estimados acabaram levando a uma diminuição na cotação do óleo.
Mas o que o número de contratos abertos em Chicago, agora o petróleo, e a Líbia tem haver com o milho?
O petróleo é conhecido como a commodity mãe, o “medidor” do aquecimento da economia, pois se o óleo está subindo a industria está produzindo, a economia está aquecida e as pessoas estão consumindo. A alta do petróleo pode estar “plantando a semente da destruição da demanda no futuro”, disse a Agência Internacional de Energia, sediada em Paris, em 12 de abril. A China, maior consumidora mundial de cobre, importou 43 por cento menos metal em março, segundo dados alfandegários.
Bem vamos a outro Fato, este agora sim sobre o milho. Mais uma vez trago o gráfico do indicador CPEA/ESALQ.

Eles nos mostra que a esperada pressão sazonal está vindo com força, com o aumento das vendas do grão no mercado físico.
Mais um fator negativo é o aumento do dólar, pois com isso o valor do milho pode sofrer uma pressão, pois a paridade para a exportação continuará interessante.
Temos um ponto positivo, o atraso no plantio nos EUA continua, a china vem comprando bastante milho pelos lados de lá, momentaneamente não vemos um grande espaço para a cotação subir, um fator interessante é que o preço dos vencimentos longos vem se aproximando com o preço dos vencimentos curtos, com isto alterando a curva futura e remetendo uma boa perspectiva para os preços no final do ano.
Pode ser um grande Boato todo esse meu discurso, só saberemos daqui algum tempo depois que a tempestade passar.
Essa volta na economia mundial tem apenas um objetivo, instigar o produtor a buscar mecanismos de trava de preço no mercado futuro, o “Hedge”; que nada mais é que fixarmos o preço da commoditie na bolsa, sempre levando em consideração o diferencial de Base (que é a diferença do preço da praça do produtor com o referencial da bolsa); não indicamos que o produtor trave toda sua produção, ao menos alguma parte para ir acostumando-se com esse mecanismo.

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