Maurício Palma Nogueira
Em recente reunião de lideranças do setor lácteo brasileiro, reunindo produtores, indústrias e varejo, mais uma vez o assunto importações mostrou-se destaque dentre as preocupações.
Mesmo com a insignificância do volume importado quando comparado ao total produzido pelo Brasil, a preocupação com a balança comercial continua sendo superestimada.
E 2011 começou bem ruim, com relação ao resultado da balança dos lácteos. No final de 2010 e começo de 2011 tudo indicava que as importações iriam estourar em volume e em dólares, enquanto as exportações seguiriam outro caminho.
Em março, no entanto, estas condições mudaram, com o aumento significativo das exportações e redução, nas mesmas proporções das importações. Observe as figuras 1 e 2.
Figura 1.
Evolução das exportações e importações mensais de leite e derivados, em milhões de dólares, nos últimos meses
Evolução das exportações e importações mensais de leite e derivados, em milhões de dólares, nos últimos meses
Figura 2.
Evolução das exportações e importações mensais de leite e derivados, em milhões de equivalentes litros de leite, nos últimos meses
Evolução das exportações e importações mensais de leite e derivados, em milhões de equivalentes litros de leite, nos últimos meses
Em março, as exportações aumentaram 66% em volume e 52% em faturamento. Por outro lado, as importações recuaram 40% em volume e 33% em dólares.
No mês, as exportações totalizam US$9,58 milhões, equivalentes a 29,2 milhões de litros de leite.
Ainda assim, o saldo do ano (janeiro a março) é negativo em US$117,95 milhões e 229,24 milhões de equivalentes litros de leite.
A explicação para os acontecimentos é a mesma já analisada anteriormente. Diante do risco de falta de leite no mercado interno e, com o consumo aquecido, as indústrias se anteciparam para garantir volume para suas plantas.
No mercado interno, as grandes preocupações giram em torno da provável redução de produtividade na produção leiteira do Brasil, seja por consequências climáticas ou econômicas, como é o caso das relações de troca entre leite e concentrados desfavoráveis para 2011.
Em outras palavras, a preocupação é que a produção brasileira não seja suficiente para atender o próprio mercado, o que justifica internalizar leite de outros países.
Diante disso, ainda é cedo para comemorar os resultados de março e contar como uma reversão de tendência para o ano. Tudo indica que a balança comercial seja mais negativa em 2011, quando comparada a 2010.
Mesmo assim, a situação não é tão alarmante quanto e ainda não há algum risco de que leite internacional entre no mercado interno para reduzir preços aos produtores.
Até o momento, as previsões oficiais de aumento na produção de leite no mundo estão por volta de 2%, ritmo menor do que os 3,5% previsto para o Brasil, mesmo em condições desfavoráveis.
O balanço mundial da oferta de leite ainda é extremamente relacionada com a política de subsídios da Europa. Se a torneira fechar, mesmo que pouco, falta leite. Se a torneira abrir, sobra leite.
Mesmo assim, em termos de equilíbrio do mercado, o leite e seus derivados estão no mesmo barco que as carnes e os grãos. No mundo todo, há um choque de demanda, suficiente para anular e reequilibrar os aumentos de oferta registrados para diversos produtos.
O mundo está sofrendo inflação, assim como o próprio Brasil.
Se está acontecendo no mercado de grãos e de proteínas de em geral, acontece também no setor de lácteos. O consumidor é o mesmo.
Por isso é recomendável ficar atento a estas tendências. Dentro das indústrias, e mesmo nas fazendas, as estratégias devem ser elaboradas pensando no futuro de sucesso da pecuária leiteira brasileira. E não com base num passado importador.
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