terça-feira, 10 de maio de 2011

Investimento baixo trava as inovações

Autor(es): Gustavo Henrique Braga
Correio Braziliense - 09/05/2011
 

Brasil desembolsa três vezes menos que outros países em pesquisa para melhoria de produtos


Manter-se competitivo é um desafio que ficou ainda mais difícil em meio ao cenário de acirrada disputa com os importados que inundam o mercado nacional como consequência da desvalorização do dólar. Apesar da necessidade de inovar para sobreviver, obstáculos regulatórios, falta de conhecimento sobre o tema e o baixo grau de incentivo governamental são os maiores inimigos das empresas que pretendem aprimorar a oferta de produtos e serviços, ou mesmo de procedimentos, que resultem em ganho de produtividade.
Resultado disso é que o Brasil está muito aquém dos padrões internacionais quando se considera a proporção de investimento em pesquisa e desenvolvimento com o Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto o Brasil aplica apenas 1,19% do PIB, outros países como o Japão, por exemplo, investem quase três vezes mais, acima de 3%.
Essa disparidade vai além: no Brasil, 80% do investimento em pesquisa e desenvolvimento é feito pelo setor público, enquanto na Coreia do Sul esse percentual é de apenas 17% e, nos EUA, em torno de 20%, conforme dados fornecidos pela Consultoria Pieracciani. Ou seja, ao contrário do Brasil, nesses países, a maior parte do investimento em inovação é feita pelas empresas privadas.
Para José Hernani Arrym Filho, sócio-diretor da consultoria Pieracciani, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento deveriam ser em torno de 2% do PIB, aliados a uma política de governo de desenvolvimento. As empresas que conseguem superar essas barreiras não têm do que se arrepender. A Natura, por exemplo, investe anualmente 3% da receita líquida anual nessa área. Em 2010, 61,7% da receita foi proveniente de itens lançados nos dois anos anteriores. No ano passado, a companhia apresentou ao mercado 191 produtos.
Alessandro Mendes, gerente de desenvolvimento de produtos da Natura, defende que para estimular a cultura da inovação no Brasil é preciso melhorar a relação entre empresas e universidades. “Os centros acadêmicos nacionais têm o foco voltado em demasia para o conhecimento teórico. É preciso dar mais valor ao trabalho em equipe com as companhias privadas para o desenvolvimento de pesquisas aplicadas às necessidades práticas do mercado”, argumenta Mendes.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é um dos casos de sucesso no país, com acordos firmados com empresas de grande porte, como a Petrobras. O diretor-executivo da Inova — agência de inovação da Unicamp — Roberto de Alencar Lotufo, explica que a parceria entre universidade e empresa permite que a companhia tenha acesso a um conhecimento de ponta em diversas áreas. Já a universidade fica ainda mais engajada na solução dos desafios da sociedade.

Gasto que vale a pena
País - Dispêndios em P&D em relação ao PIB (Em %)
Japão - 3,44
Coreia do Sul - 3,36
Alemanha - 2,82
Estados Unidos - 2,79
Cingapura - 2,61
Austrália - 2,21
França - 2,11
Canadá - 1,95
Reino Unido - 1,81
Portugal - 1,66
China - 1,54
Espanha - 1,38
Itália - 1,27
Rússia - 1,24
Brasil - 1,19
Argentina - 0,51
México - 0,37
Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

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