Ricardo Lorenzet
Bom, senhores, nesta semana tentarei ser breve. De fato não há muitas novidades sobre as quais discorrer neste momento. Os preços da oleaginosa seguiram pressionados nas últimas sessões, com o mercado assimilando uma menor demanda de importação asiática juntamente à entrada da safra sul-americana no mercado. Também contribui com a percepção mais negativa recente o quadro externo com a intensificação das incertezas fiscais, não apenas na Europa, mas também nos EUA, combinado à postura mais cautelosa de grandes agentes não-comerciais frente ao mercado de commodities.
Conforme discutido na semana anterior, a disparidade recente entre a movimentação dos preços do milho e soja em Chicago elevou sensivelmente a relação soja/milho com a diferença de rentabilidade projetada entre as duas culturas em U$ 230-250/acre em favor do cereal neste momento. É coerente assimilar que o produtor americano fará o possível para cultivar o milho em detrimento da soja. Mesmo assim, o mercado segue “desconfiado” com a interpretação econômica do quadro, já que o cenário climático tende a retardar os trabalhos de plantio na maior parte do cinturão nos próximos dias. Com isso, o risco de migração de áreas de soja para o milho ficaria limitada e a recuperação dos estoques finais na próxima temporada mais factível, especialmente se a demanda externa perder ritmo. Da mesma forma, alguns argumentam que a manutenção de um quadro ajustado nos EUA seria assimilada pela expansão da área de cultivo sul-americana na próxima temporada (embora cedo, o IMEA já espera expansão de 2,5% na área de cultivo no MT na temporada 2011/12). Este é o quadro que resulta em menor interesse especulativo neste mercado no momento.
Mesmo assim, alguns pontos interessantes denotam atenção. O que o mercado esta vendo de fato? Se de um lado o apetite não comercial fatalmente esta perdendo fôlego no mercado da soja (na última semana, o saldo comprado de fundos tradicionais era o menor desde o final de julho de 2010), agentes comerciais sinalizam uma percepção de certo desconforto. No primeiro gráfico, observa-se a curva dos futuros CBOT [Bolsa de Chicago], a qual, embora ainda sinalizando leve inversão do mercado, referencia um spread mínimo entre os vencimentos safra velha (notadamente o julho) e os vencimentos safra nova EUA (novembro). Na semana passada este spread chegou a ficar negativo (indicando carrego entre estes vencimentos), fato realmente raro no mercado da soja.
Mas o que isso quer dizer? Que apesar do quadro de curto prazo, de fato mais negativo sob a análise fundamental/comercial, o cenário de médio-longo prazo ainda sinaliza riscos. Observe agora o gráfico abaixo. Notadamente, em períodos de liquidação de agentes não comerciais (especuladores) e, consequente, recuo dos preços, os players comerciais tendem a assimilar este movimento reduzindo o saldo vendido (posição comum a estes agentes). Nas últimas semanas esta movimentação mais uma vez foi observada, porém com uma agressividade relativamente intensa no posicionamento na compra de players comerciais. O aspecto que mais chama atenção é que o porcentual comprado de players comerciais em relação à posição total destes é de 33%, posição rara e, desde 2008 jamais registrada em patamares de preços próximas aos atuais. Não há dúvida que o desconforto ainda persiste sob a ótica destes agentes.
Diante deste quadro, até a definição da safra norte-americana, o mercado tende a manter um suporte fundamental e sazonal sobre os referenciais em Chicago, com a precificação do risco climático tendendo a gerar boas doses de volatilidade. Ao produtor, esta expectativa merece atenção não apenas para o restante a comercializar da safra 2010/11, mas especialmente ao quadro 2011/12.
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