| Repatriação de múlti brasileira dispara |
| Autor(es): Fernando Dantas |
| O Estado de S. Paulo - 18/07/2011 |
| De janeiro a maio, recursos de filiais enviados ao País já somam US$ 16,5 bi, mais de cinco vezes o registrado em igual período de 2010 As multinacionais brasileiras estão enviando recursos maciçamente das filiais para as matrizes, acompanhando o movimento geral de atração de capitais pelo Brasil em razão das altas taxas de juros e das oportunidades de investimento no País. De janeiro a maio, os empréstimos intercompanhia de filiais de multinacionais brasileiras para matrizes atingiram US$ 16,5 bilhões, mais de cinco vezes o registrado em igual período de 2010, e mais do que em todo o ano passado, quando somaram US$ 15,3 bilhões. Hoje, as multinacionais brasileiras estão enviando mais recursos para o Brasil do que investindo no exterior. De janeiro a maio, as participações de capital - isto é, o investimento direto em aquisições de empresas, ou de parte delas - ficaram em US$ 6,2 bilhões. Em termos de investimento direto brasileiro no exterior, portanto, que inclui os empréstimos intercompanhias, houve repatriação líquida de capitais de US$ 10,3 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. Assim, apesar do propalado objetivo do governo de promover a internacionalização dos grandes grupos nacionais, inclusive com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as multinacionais brasileiras desinvestiram no exterior de janeiro a maio de 2011 - ao menos, a julgar pelos números do balanço de pagamentos. Em 2010, houve um investimento líquido de empresas brasileiras no exterior de US$ 11,5 bilhões. Arbitragem. "É claro que é arbitragem de juros", comentou o diretor de um banco brasileiro, com passagem pela equipe econômica, para explicar o salto nos empréstimos intercompanhias das filiais de empresas brasileiras no exterior para as matrizes. Ele se refere ao fato de que, hoje, a taxa de juros americana está próxima de zero, até um ano, e em menos de 3% para dez anos, enquanto a remuneração no Brasil é acima de 12%. Assim, empresas brasileiras com operações no exterior ganham ao trazer recursos de fora do País para serem aplicados no mercado financeiro nacional. Uma fonte da atual equipe econômica, no entanto, acha que a arbitragem de juros é um fator de menor importância, e que a causa principal é a crise nos países ricos, onde muito dos investimentos de empresas brasileiras foram feitos na fase de internacionalização iniciada em 2004. "A partir de 2008, esses fluxos se inverteram, porque os fundamentos da economia brasileira se tornaram bem melhores do que os daqueles países", explica. No caso do investimento estrangeiro direto no Brasil, as participações em capital de janeiro a maio atingiram US$ 20,5 bilhões, o dobro dos US$ 10,7 bilhões do mesmo período de 2010. Já os empréstimos intercompanhias de multinacionais estrangeiras para suas filiais no Brasil atingiram US$ 6,4 bilhões de janeiro a maio, quase dez vezes mais do que os US$ 671 milhões de igual período de 2010. |
A década das multilatinas
| Autor(es): Javier Santiso |
| Valor Econômico - 18/07/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/18/a-decada-das-multilatinas |
Hoje existem 100 empresas da AL que operam internacionalmente. As multinacionais da América Latina estão de novo com apetite para expandir-se fora de suas fronteiras. Embora em 2009, assim como muitas outras empresas, tenham reduzido os investimentos internacionais, em 2010 os números chegaram a patamares inéditos. Às multilatinas do Brasil e México agora se somam as do Chile, Colômbia e Peru. A geografia dos investimentos também está variando.Ao longo da década de 2000, as multinacionais brasileiras mostraram-se particularmente ativas. Hoje, as 30 principais multilatinas brasileiras possuem cerca de US$ 90 bilhões de ativos no exterior e empregam cerca de 200 mil pessoas em outros países. Essa internacionalização ainda está em fase inicial: no fim de 2009, apenas nove empresas contavam com ativos internacionais superiores a US$ 1 bilhão e outras dez, com mais de US$ 100 milhões. O estoque total de investimentos diretos no exterior por parte das multinacionais brasileiras estava em cerca de US$ 160 bilhões no fim de 2009, o que coloca o gigante brasileiro como sétimo maior investidor no exterior entre as economias emergentes. Nesse ano, as aquisições no exterior secaram, depois do recorde de US$ 20 milhões registrado em 2008. Por sua vez, as multilatinas mexicanas também foram bastante ativas na década passada. O estoque de investimentos estrangeiros das 20 principais somou US$ 117 bilhões de ativos internacionais e cerca de 230 mil funcionários fora do México. As três primeiras, Cemex, América Móvil e Carso Global Telecom, controlam US$ 86 bilhões desses ativos, o que representa 73% do total. Em 2009, apesar do colapso econômico, os investimentos no exterior não pararam, somando cerca de US$ 7,6 bilhões. Essa resistência se explica em grande parte pela atividade de duas empresas (Bimbo e Grupo México), responsáveis por quase 70% desse total. Em 2010, os investimentos se recuperaram: só na América Latina, as empresas mexicanas investiram mais de US$ 42,2 bilhões, com muitas delas instalando-se em países emergentes da região. O México investiu no Peru mais de US$ 3,6 bilhões, acima dos US$ 3,5 bilhões investidos no Chile. O principal destino dos investimentos mexicanos foi o Brasil (US$ 21 bilhões), seguido por Colômbia (US$ 5 bilhões). No fim de 2010, os grupos voltaram a investir com força, como o Bimbo, que comprou a divisão de pães industriais da Sara Lee, dos Estados Unidos por quase US$ 1 bilhão. As multilatinas chilenas também se mostraram particularmente ativas, mesmo em 2009, ano de colapso dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesse ano, as multilatinas chilenas promoveram aquisições no valor total de US$ 8 bilhões. Em 2010, o volume superou os US$ 5 bilhões, levando o estoque acumulado de investimentos externos diretos (IED) do Chile no exterior a mais de US$ 50 bilhões. De fato, o ano de 2010 viu o nascimento de um gigante na aviação mundial, com a fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM. Por sua parte, a Sonda, maior empresa de tecnologia da região adquiriu apenas em 2010 três empresas, duas delas no Brasil (Telsinc e Softeam), além da empresa mexicana NextiraOne México S.A. A esses países também se somaram o Peru e Colômbia. O grupo Santo Domingo é hoje em dia um dos principais acionistas da SABMiller, uma das maiores cervejarias do mundo, de origem inglesa e sul-africana. No Peru, se destacam os grupos Romero, Brescia e Añaños. Na Colômbia esse caminho é seguido por empresas como Cementos Argos, Grupo Nacional de Chocolates (GNC), Organización Terpel e Saludcoop. Em 2010, as empresas colombianas totalizaram aquisições superiores a US$ 3 bilhões, cifra abaixo do recorde do ano de 2005 (US$ 4,6 bilhões), mas significativa do processo de internacionalização desempenhado pelos grupos colombianos, liderados pelo Banco de Bogotá (que em 2010 realizou a maior compra na história de uma empresa colombiana no exterior, mais especificamente na América Central), Empresas Públicas de Medellín e ISA. O fenômeno das multilatinas está em aceleração. De acordo com o Boston Consulting Group (BCG), já há cem multilatinas, com sede em oito países latino-americanos, que operam internacionalmente e lucram pelo menos US$ 500 milhões. O Brasil tem 34 empresas nesse grupo, à frente do México (28) e Chile (21). A seguir, relativamente longe, estão Argentina (7), Colômbia (5) e Peru (3). Por enquanto, esse grupo de multilatinas concentra sua atividade internacional no continente americano, com 110 presenças internacionais na região e 51 nos Estados Unidos. Agora também há outros continentes, particularmente a Europa (33 implantações) e Ásia (28). Também começam a aparecer novos destinos, como o continente africano (12, a grande maioria de grupos brasileiros). Não será surpresa, diante de tal dinâmica, que vejamos em breve algumas dessas multinacionais irromperem com força na Espanha e outros países europeus. Isso poderia constituir uma oportunidade em particular para a Espanha, que poderia se transformar na plataforma de entrada na Europa para algumas dessas multilatinas. Por enquanto, estão aterrissando com matrizes europeias em Lisboa, Londres ou Paris. Por que não imaginar, no entanto, que, assim como a mexicana Cemex ou as brasileiras Alpargatas e Gerdau, agora não instalem suas matrizes europeias em Madri, Barcelona ou Bilbao? Javier Santiso é professor de economia na escola de administração Esade e diretor do Centro de Economia e Geopolítica Global da Esade |
Variação entre fluxos não é normal, diz economista
| Autor(es): Fernando Dantas |
| O Estado de S. Paulo - 18/07/2011 http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/18/variacao-entre-fluxos-nao-e-normal-diz-economista |
Para especialista, números dos empréstimos das múltis do País refletem gestão de caixa e não operações de investimento externo Os números dos empréstimos intercompanhia das multinacionais brasileiras podem estar refletindo gestão de caixa dessas empresas, e não operações efetivas de investimento no exterior, para Darwin Dib, economista do Itaú, especializado na análise das contas externas. Ele nota que há uma alta variação entre fluxos positivos e negativos quando se analisam os empréstimos intercompanhia (componente do investimento direto brasileiro no exterior), o que não é normal, na sua interpretação. No balanço de pagamentos, os investimentos das multinacionais brasileiras em outros países entram como valores negativos, já que significam saídas de capital. Caso haja uma repatriação de capital - isto é, se as empresas brasileiras trouxerem de volta ao País mais recursos do que estão investindo no exterior -, o resultado aparece como positivo no balanço de pagamentos. Dib, porém, estranha as muitas variações mensais entre negativo e positivo no investimento direto brasileiro no exterior. Em termos anuais, também há oscilações difíceis de entender. Por exemplo, segundo os números do Banco Central (BC), as empresas brasileiras investiram liquidamente US$ 11,5 bilhões no exterior em 2010, e, em 2011, até maio, já repatriaram US$ 10,3 bilhões. "A melhor explicação que eu encontro para o investimento brasileiro no exterior ter esse comportamento anômalo é que isso aí reflete em grande parte administração de caixa dessas empresas", diz o economista. Ele nota que, entre os dois componentes do investimento direto brasileiro no exterior - participação no capital e empréstimos intecompanhia -, são estes últimos que têm um comportamento muito errático, e que acabam explicando a volatilidade do fluxo como um todo. As participações de capital, por sua vez, são mais estáveis. Para Dib, os empréstimos intercompanhia das empresas brasileiras no exterior não sugerem que se trate efetivamente de fluxo de recursos entre matriz e filial para viabilizar investimentos em outros países, como ampliação de capacidade instalada, etc. Ele acredita que sejam mais operações de gestão de caixa, em função de variações de taxa de câmbio, juros, etc. As multinacionais brasileiras são discretas em relação ao tema dos empréstimos intercompanhia. Procuradas pelo Estado para comentar sua estratégia nessa área, a Petrobrás e a Vale declinaram de se pronunciar. Do ponto de vista tributário, os empréstimos intercompanhia são taxados de forma igual a de outras formas de captação, como a emissão de bônus. Uma fonte da equipe econômica não concorda com a visão de que a trajetória dos empréstimos intercompanhia das multinacionais brasileiras tenha um componente importante de gestão de caixa ou de arbitragem de juros. Na sua opinião, o que está acontecendo reflete um movimento real do investimento direto no exterior, que teve o seu deslanche por volta de 2004, quando empresas de setores como bebidas, metalurgia, bancos, etc. buscaram estratégias de internacionalização. Ele nota que, em termos líquidos, quase US$ 70 bilhões saíram do Brasil de 2004 a 2008 naquele movimento de decolagem do investimento externo de empresas brasileiras. "Com a crise de 2008 e 2009, muitas intenções se frustraram, o Brasil começou a oferecer condições bem melhores do que as daqueles países, e os fluxos começaram a se reverter de forma bem expressiva." Para Nathan Blanche, sócio-diretor da Consultoria Tendências, o salto dos empréstimos intercompanhia das filiais de multinacionais brasileiras para as suas matrizes não é um "fato isolado", e reflete uma tendência mais geral de influxos de capital para o Brasil. Ele acha que os rumores sobre novas medidas de controle de entrada de capitais podem reforçar essa tendência. "Parte deste movimento eu atribuo a uma antecipação defensiva dos agentes econômicos", ele diz. |
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