terça-feira, 12 de julho de 2011

INDÚSTRIA PERDE INVESTIMENTO E VIRA DEFICITÁRIA

DIMINUI APETITE DO ESTRANGEIRO PELA INDÚSTRIA
Autor(es): Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 11/07/2011

Nos primeiros cinco meses do ano, os investidores estrangeiros colocaram menos dinheiro no país para atividades industriais nas operações de participação no capital, influenciados pela perda de competitividade do produto brasileiro. O fluxo de investimento estrangeiro direto para a indústria caiu 17% em relação ao mesmo período de 2010, para US$ 7,1 bilhões. Apenas dois segmentos ligados a commodities e ao mercado interno - metalurgia e produtos alimentícios - concentraram 60% desses ingressos

Setor externo: Perda de competitividade, influenciada pela taxa de câmbio, explica retração de multinacionais

De janeiro a maio, o fluxo de investimento estrangeiro direto na indústria encolheu 17% em relação ao mesmo período de 2010, atingindo US$ 7,146 bilhões nas operações de participação no capital. Foi o único segmento em que houve queda do fluxo nos cinco primeiros meses do ano - na agropecuária, na atividade extrativa mineral e nos serviços, as inversões aumentaram muito, fazendo o total investido nesse tipo de operação aumentar 70% no acumulado de 2011, para US$ 26,5 bilhões, segundo números do Banco Central.
Agravadas pelo dólar barato, as dificuldades de competir da indústria brasileira tornam o setor menos atraente para o investimento estrangeiro, segundo alguns analistas, que veem no movimento um aumento do risco de desindustrialização do país. Entre os segmentos industriais que mais receberam recursos externos estão os ligados a commodities, como de metalurgia e de coque e derivados de petróleo, ou os mais voltados para o mercado interno, como o de produtos alimentícios.
Quando se incluem os empréstimos intercompanhias, realizados entre a matriz no exterior e a filial no Brasil, o fluxo total de investimentos estrangeiros diretos para a indústria cresceu 8% nos cinco primeiros meses do ano. É um ritmo de alta, contudo, muito inferior ao aumento de 254% registrado no setor de serviços no período, ou de 52% no segmento formado pelo conjunto de agricultura, pecuária e atividade extrativa mineral. Nesse cenário, a indústria ficou com 32% do total do fluxo estrangeiro para atividades produtivas nos cinco primeiros meses do ano, considerando as operações de participação no capital e os empréstimos intercompanhias, bem abaixo dos 54,9% do mesmo período de 2010.
O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima, vê o movimento com preocupação. Para ele, o menor apetite dos investidores estrangeiros pelo setor é um mau sinal, porque o Brasil ainda precisaria de uma indústria forte, dado o atual estágio de desenvolvimento. Em 2004, a indústria de transformação respondeu por 19,2% do valor adicionado, percentual que caiu para 15,8% em 2009 e 2010, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Lima vê o movimento como resultado da menor competitividade do setor industrial brasileiro. O real forte encarece as exportações brasileiras e dificulta a vida das indústrias de manufaturados que competem no mercado interno com produtos importados. Além do câmbio, problemas como carga tributária alta e problemas de infraestrutura atrapalham.
O economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e da PUC-SP, também se preocupa com o menor nível de investimento na indústria, por considerá-la o setor mais dinâmico da economia. "Ela ajuda os outros segmentos a crescer mais", afirma ele, que também acha prematuro o Brasil ver a indústria perder espaço no Produto Interno Bruto (PIB), o que seria um sintoma do processo de desindustrialização.
O economista Carlos Eduardo Gonçalves, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, não mostra o mesmo incômodo com o fenômeno que Lima e Marconi. Ele diz que indústria de fato tem sofrido, mas acredita que isso não "deve nos afligir como nação".
O Brasil, segundo ele, está ficando mais rico vendendo commodities. Gonçalves diz ainda não haver nenhuma "relação estatística detectável entre a composição do PIB e a taxa de desemprego" - ou seja, não existiriam evidências de que nos países em que a indústria tem mais peso a desocupação seja menor.
Como seria de esperar, os estrangeiros têm mostrado mais interesse pelos setores mais rentáveis do país. No caso da indústria, são os segmentos como o metalúrgico, que recebeu US$ 3,091 bilhões, nas operações para participação no capital, sete vezes mais que em igual período de 2010. Trata-se de uma área ligada à produção de commodities, como o de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. Em segundo lugar, ficou o setor de produtos alimentícios, com US$ 1,181 bilhão, atraente especialmente por ser mais voltado para o mercado interno, embora haja alguns segmentos que se beneficiam dos preços das commodities. Setores de manufaturados, como veículos, receberam um volume pouco expressivo.
No caso dos empréstimos intercompanhias, o fluxo para a indústria aumentou 68% de janeiro a maio, para US$ 6,045 bilhões. É uma alta inferior, porém, aos 237% regristrada em serviços, por exemplo. Segundo Lima, as operações em participações no capital (que envolvem, compra, subscrição ou aumento do capital da empresa) são um termômetro melhor para medir a tendência de longo prazo do investimento estrangeiro.
Para Marconi, é possível que algumas empresas estejam usando os empréstimos intercompanhias para escapar da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de renda fixa.

Produtividade na indústria cresce menos de 1%, influenciada por estoques

Autor(es): Arícia Martins e Denise Neumann | De São Paulo
Valor Econômico - 11/07/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/11/produtividade-na-industria-cresce-menos-de-1-influenciada-por-estoques
 

Influenciada pelo aumento dos estoques, a produtividade do trabalho na indústria não só parou de crescer como está recuando. No acumulado de 12 meses encerrados em maio, a indústria produziu 4,5% mais que nos 12 meses anteriores, e usou para essa produção um número de horas pagas 3,6% maior, resultando em um ganho de produtividade de apenas 0,8%. Além de baixa, essa eficiência não compensou o aumento da folha salarial média por trabalhador, que foi de 4% na mesma comparação.
Nos cinco primeiros meses deste ano, o movimento de perda de produtividade fica ainda mais intenso: a indústria produziu 1,8% mais com um volume de horas pagas 1,9% maior, representando um ganho zero de produtividade na comparação com o mesmo período de 2010. Todos os dados foram obtidos pelo cruzamento das pesquisas industriais e de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A análise da produtividade industrial em 12 meses desde o fim de 2010 mostra uma forte desaceleração nos ganhos obtidos no ano passado, que encerrou com alta de 6,1% em relação ao desempenho de 2009. O coordenador de Sondagens Conjunturais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, explica que o crescimento de 6% na produtividade em 12 meses até dezembro de 2010 não é comum e se deu em cima de uma base muito baixa, já que a indústria começou a se recuperar da crise no segundo semestre de 2009, mas nem por isso começou a contratar mais funcionários na época. "A produção cresceu muito e o emprego não cresceu proporcionalmente porque não tinha caído", diz. Em 2010, a produção industrial subiu 10,5% e as horas pagas, 4,1%.No primeiro momento da saída da crise, diz Campelo, houve um acréscimo muito grande da produção, mas a indústria demorou a reagir nas contratações. Agora, fazendo ajustes em relação a esse período, a indústria voltou a contratar mais, ainda que em ritmo menor do que o observado em meses anteriores. "Houve uma recuperação forte do emprego a partir do segundo semestre do ano passado, e a produção física cresceu mais lentamente, o que trouxe a produtividade para esse crescimento baixo dos últimos meses", afirma.
O forte crescimento da produção em 2010 também pode explicar, em parte, o resultado fraco da produtividade no início de 2011. Thovan Tucakov, da LCA Consultores, avalia que a indústria pode ter aumentado sua produção até dezembro de 2010 preocupada com um aumento no preço dos insumos, principalmente nas commodities metálicas, que subiram muito no fim do ano passado e no início de 2011. Essa aceleração no fim de 2010 acabou contribuindo para o aumento de estoques e agora ajudaria a explicar parte da baixa produtividade.
Tucakov observa que também existe defasagem entre desaceleração da atividade industrial e demissões. Para ele, o crescimento da atividade no primeiro trimestre também resultou em acúmulo de estoques, e explicaria porque o setor começou a andar de lado desde abril, como mostram os dados de nível de utilização da capacidade instalada da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Fundação Getulio Vargas (FGV), além do próprio resultado da produção industrial do IBGE.
"O que vemos na indústria são resultados fracos, e com perspectivas de continuidade desse movimento nos próximos meses", acrescenta Tucakov. Se confirmado, em algum momento essa desaceleração vai resultar em congelamento ou até em queda do nível de emprego. "A indústria ainda não está cortando postos, mas está gerando menos emprego, como podemos ver no Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados]. Mas a produção está fraca, e a perspectiva é de que continue com um desempenho mais modesto enquanto aumenta a ociosidade no setor fabril", diz o economista da LCA.
Segundo Campelo, da FGV, há uma rigidez no emprego, que também pode explicar a baixa produtividade verificada atualmente. "Da mesma maneira que uma empresa prefere que seus funcionários trabalhem num segundo turno antes de contratar, ela também pode primeiro dar férias coletivas antes de fazer demissões". No setor têxtil de Santa Catarina já há empresas em férias coletivas.
O economista também lembra que a produtividade pode estar caindo porque setores com mão de obra intensiva, como têxtil, vestuário e calçados, estão tendo mau desempenho devido ao câmbio valorizado e começaram a demitir, ao contrário de setores que vão bem, como a indústria de refino de petróleo e álcool e o setor extrativo. "Nesses segmentos o salário é alto e a mão de obra qualificada. Tem menos emprego para mais PIB".
No setor têxtil, a produtividade nos últimos 12 meses caiu 9,8%, enquanto os salários aumentaram 2,5%. Já no setor de refino de petróleo, a eficiência na produção aumentou 8,4%, mas ainda assim ficou abaixo do ganho salarial de 12,2%.
A tendência, para Campelo, é de que nos próximos meses a indústria cresça pouco, para fechar o ano com cerca de 2,5% da produção física. "Talvez a indústria cresça 3% por conta de carregamento estatístico", projeta. O emprego industrial, por sua vez, ainda terá expansão no ano, mas menor do que a produção, sustenta o coordenador.
Tucakov, da LCA, espera que a produção industrial caia 0,7% em junho, na comparação com maio, com ajuste sazonal após a recuperação esboçada em maio, e que cresça 3% no fim do ano, o que considera uma taxa "bem modesta".

Setor de serviços é o que recebe mais recursos

Valor Econômico - 11/07/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/11/setor-de-servicos-e-o-que-recebe-mais-recursos
 

O setor de serviços se destaca como o grande beneficiário do fluxo de investimentos estrangeiros diretos neste ano. Nos cinco primeiros meses de 2011, o segmento recebeu quase US$ 16 bilhões de recursos externos, um valor 262% maior que o registrado em igual período de 2010 nas operações de participação no capital.
Um pouco mais de US$ 5 bilhões se referem à compra de uma participação na Oi pela Portugal Telecom (incluindo o que foi pago aos controladores e a aquisição de ações nos aumentos de capital). Mesmo se esse dinheiro for excluído, a alta em serviços fica na casa de 140%.
Além do setor de telecomunicações, com US$ 5,9 bilhões, destacam-se os de eletricidade, gás e outras utilidades, com US$ 2,6 bilhões, e comércio (excluindo o de veículos), com US$ 2,046 bilhões. Os investimentos em telecomunicações e no comércio refletem o interesse do investidor pelo mercado interno, que continua dinâmico. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima, as empresas estrangeiras estão atentas à ascensão da classe C, que tem impulsionado o consumo. No caso dos investimentos no setor de eletricidade, as obras de infraestrutura são o grande foco de atração.
No segmento de agricultura, pecuária e atividade extrativa mineral, houve alta de 29,5% nos cinco primeiros meses do ano, para US$ 3,376 bilhões. Os altos preços de commodities explicam o movimento. A extração de petróleo e gás natural ficou com US$ 1,787 bilhão e o a extração de minerais metálicos (como o minério de ferro) recebeu US$ 892 milhões.

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