A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou ontem a criação de uma "mini CPI" para investigar o aumento nas importações de produtos lácteos do Uruguai e dos Estados Unidos. A Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), cujos poderes são semelhantes ao de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, pressionará o governo a adotar, principalmente, travas às "importações predatórias" de leite em pó uruguaio e de soro de leite americano. Ao apontar indícios de prática desleal de comércio, triangulação de produtos subsidiados de outros países e até fraudes, os deputados sugerem a criação de cotas baseadas na média das compras dos últimos cinco anos, a imposição de preços mínimos e o licenciamento não-automático das importações. Pelos cálculos dos deputados, o Uruguai teria direito a uma cota de 1,8 mil toneladas para lácteos - a Argentina tem atualmente uma cota de 3 mil toneladas. Os parlamentares criticam as importações "excessivas e desnecessárias" no país. "É um grave problema no setor. Não podemos sobreviver desse jeito, ver os produtores largando a atividade", diz o presidente da comissão, deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). "A maioria das prefeituras brasileiras usa leite em pó reidratado na merenda escolar e uma meia dúzia de empresas controlam isso". Na entressafra, os preços pagos ao produtor recuaram 6%. Mas o preço ao consumidor aumentou 1,5% no queijo e 1% no leite em pó. A iniciativa da Câmara prevê divulgação das importações de lácteos por empresa como forma de evitar fraudes. "Se a empresa produz e comercializa somente leite longa vida e importa em plena entressafra elevadas quantidade de soro ou leite em pó, alguma coisa está errada", afirma o deputado Vitor Penido (DEM-MG). Os deputados afirmam que as importações estão fora de controle em 2010. As compras de lácteos têm aumentado. Em 2007, eram de US$ 152, 7 milhões. No ano passado, foram US$ 264,8 milhões e, de janeiro a outubro de 2010, já atingiram US$ 230,7 milhões. Em soro de leite, por exemplo, as compras passaram de 1,548 mil toneladas, em janeiro, para 4,444 mil toneladas em julho - um aumento de 187%. Os parlamentares apontam como causas a revogação de medidas restritivas ao comércio internacional. Por um acordo comercial recente, o Uruguai retirou parte de suas travas à importação de frango em troca de elevar suas vendas de lácteos ao Brasil. Resultado: no primeiro semestre do ano, foram importadas 18,8 mil toneladas de lácteos uruguaios, o que representaria 30% do mercado no período. O leite do Uruguai entra no Brasil, segundo a comissão, a R$ 0,63 por litro. O produto brasileiro tem um preço médio de R$ 0,72 por litro. A vantagem uruguaia, por exemplo, teria como origem a alta tributação praticada no Brasil. Os produtores nacionais pagam 9,25% de PIS-Cofins sobre insumos, o que representaria 40% do custo operacional total da produção. "Se, além de circunstâncias desfavoráveis que a pecuária leiteira vem enfrentando, como a sobrevalorização do câmbio, o setor tiver de competir com o leite importado sob condições fraudulentas, parece iminente a falência de nossa pecuária leiteira", diz Penido.
Demanda por adubo
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
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A aceleração das entregas das misturadoras de fertilizantes às revendas no país nos últimos meses deverá levar o volume total a 24 milhões de toneladas em 2010, segundo recente previsão da RC Consultores. Em 2009, foram 22,4 milhões. De janeiro a outubro, as entregas atingiram quase 20 milhões de toneladas, 6,4% mais que no mesmo intervalo de 2009.
Rússia piora oferta de cota para compra de carne suína do Brasil
| Autor(es): Assis Moreira |
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/russia-piora-oferta-de-cota-para-compra-de-carne-suina-do-brasil |
A Rússia reduziu quase pela metade sua oferta de cota para importação de carne suína para 2011, em uma decisão que afeta diretamente o Brasil e provoca um retrocesso na negociação bilateral que poderá atrasar a entrada russa na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Valor apurou que Moscou voltou atrás e baixou sua oferta de cota global de 470 mil toneladas para cerca de 250 mil, causando surpresa no Brasil, diante do que vinha sendo discutido até agora entre os dois países. O Brasil deveria ser um dos principais beneficiados dentro da cota pelo seu desempenho exportador.
Este ano, a cota global para suínos foi de 470 mil toneladas, sendo que a cota "outros", na qual o Brasil está incluído, foi de 189 mil toneladas. A expectativa era de manutenção no próximo ano. Além da vendas dentro da cota "outros", abocanhada toda pelo Brasil, também há exportações extra-cota. Assim, este ano, até outubro, o país exportou à Rússia 206,6 mil toneladas, o equivalente a US$ 565,135 milhões.
O diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, ministro Carlos Márcio Cozendey, confirmou que a Rússia "reduziu bastante" a oferta para suínos, mas não quis informar o montante. E advertiu que a nova postura "vai ser um problemão para o Brasil dar seu apoio à Rússia" na OMC. Negociações bilaterais ocorrerão de novo na semana que vem, em Genebra, num novo cenário e podem frear o plano de Moscou de aderir rapidamente ao sistema multilateral de comércio. "Será a oportunidade de o Brasil equacionar a discriminação resultante da questão das cotas de carnes com a Rússia, principal destino do país", afirmou Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). "Não teria sentido o Brasil sair prejudicado com o apoio à entrada da Rússia na OMC, ainda mais quando o comércio Brasil-Rússia infelizmente é somente carnes e açúcar. Mais absurdo ainda seria o EUA e a União Europeia manterem seus privilégios em carnes quando já estão obtendo o que pediram em propriedade intelectual, serviço e preços de energia", disse Camargo. Moscou quer manter uma cota fixa para carne suína por dez anos, sem aumento nesse período. A alocação seria por desempenho histórico. A tarifa seria de 15% e fora da cota, de 75%. Em 2020, haverá apenas alíquota de importação, sem cota. Até lá, a Rússia espera ter aumentado sua produção interna para depender cada vez menos do exterior. No caso da carne de frango, Moscou também restringiu o acesso a seu mercado. Oferece cota global de 250 mil toneladas, 65% abaixo do volume de dois anos atrás, sem possibilidade de aumento. A tarifa que os russos querem aplicar é de 27,5%. Fora da cota, a tarifa será de 80%, na prática inviabilizando a entrada em seu mercado. Para a carne bovina, a situação é menos complicada. A cota para 2011 será de 530 mil toneladas. A proposta russa para quando o país entrar na OMC é de uma cota fixa para o período de dez anos. A cota acabaria após esse periodo. A tarifa dentro da cota seria de 15% e fora, de 27,5% ad valorem. O Brasil exportou US$ 1 bilhão em carne bovina no ano passado à Rússia. Outro problema é a insistência russa em obter autorização para dar US$ 9 bilhões de subsídios por ano a seus agricultores, reduzindo para US$ 4,4 bilhões ao fim de cinco anos. O problema não é só o valor, bem maior do que Moscou concede hoje, mas também o destino do dinheiro. Brasil e Argentina correm o risco de, não apenas perderem mercado para suas exportações na Rússia, como também em terceiros mercados para os produtos russos subvencionados. Os países exportadores querem estabelecer disciplinas para Moscou não concentrar os subsídios na produção animal ou de soja, por exemplo. A proposta "piorada" russa foi recebida como um "banho de água fria" nas negociações bilaterais, conforme um observador. Também chama a atenção como os EUA e a União Europeia fecharam acordos com a Rússia, com base nas ofertas para carnes apresentadas pelo governo Medvedev. Para analistas, ou esses países negociaram muito mal, o que é improvável, ou obtiveram garantia de abocanhar as fatias mais importantes do mercado de carnes russo, em detrimento de brasileiros, argentinos, australianos, canadenses. O fato é que a substituição da importação de carnes pela Rússia está se acelerando mais do que previsto. De maneira geral, a Rússia aumentou sua produção em 12% este ano e reduziu as importações em 20%. A tendência é continuar reduzindo as compras de carnes de frango e suína, mas não de bovina. As ações da Rússia para reduzir as importações começaram em 2003, com a imposição de cotas e de barreiras sanitárias. O Brasil só conseguiu obter maior pedaço do mercado porque os EUA e a UE sofreram restrições em suas vendas por problemas sanitários. Em acordo preliminar com o Brasil, o então presidente Vladimir Putin prometeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a situação para o exportador brasileiro não pioraria. (Colaborou Alda do Amaral Rocha, de São Paulo)
Falta de fruta limita oferta de suco pronto
| Autor(es): Lílian Cunha e Sérgio Bueno | De São Paulo e Porto Alegre |
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/falta-de-fruta-limita-oferta-de-suco-pronto |
De janeiro a outubro deste ano, as vendas de sucos prontos para beber cresceram 19,3% em volume e 22% em faturamento, segundo a Nielsen. A alta já era esperada pela indústria, mas não com tamanha intensidade. Depois de terem sido pegas de surpresa pelo pico de vendas e pela falta de latas no fim de 2009, a maioria das indústrias de sucos prontos para beber investiu para aumentar a capacidade produtiva. Agora, há um outro gargalo: a produção de frutas. Por isso já começam a faltar alguns sabores de suco no varejo - laranja e uva, principalmente.
"Quando fazemos pedidos, a quantidade é atendida, mas o sortimento de sabores não. Os mais populares, laranja e uva, são os que costumam faltar mais", diz o diretor de uma grande rede de supermercados. A maior parte dos produtores de fruta sofreram quebra na safra neste ano, por conta do clima. Na laranja, a safra 2009/2010 vai ficar em 292,7 milhões de caixas (40,8 quilos cada), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. A quantia está abaixo das estimativas mais pessimistas do mercado, que previa produção superior a 300 milhões de caixas. Com a uva, a quebra é de 30% no interior de São Paulo. No Rio Grande do Sul, a safra da fruta até cresceu, em 3,9% neste ano em comparação com 2009, para 480,2 mil toneladas, conforme dados preliminares do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Mas as vendas de suco de uva avançaram 22% de janeiro a outubro em relação ao mesmo período do ano passado e somaram 24,9 milhões de litros. "O problema é que a uva disponível é de má qualidade", diz Isael Pinto, presidente do Grupo GB, dono das marcas de suco Camp e Top Orange. "Para fazer um quilo de polpa, era preciso cinco quilos de uva. Com a fruta de agora é necessário ter oito quilos para o mesmo um quilo de polpa", afirma. Situação parecida vivem os produtores de caju. A quebra na safra do Ceará, maior produtor nacional, está estimada entre 30% e 50%, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Estado. No ano passado, foram colhidas 130 mil toneladas da fruta. Neste ano, os mais otimistas falam em 91 mil toneladas. O pêssego também teve menor produção. A fruta para fabricação de suco é importada do Chile, onde a cultura sofreu com o terremoto ocorrido no início do ano. "Já estamos sofrendo com essa falta de fruta e do jeito que está, vai haver desabastecimento", diz Isael Pinto. "As maiores indústrias de suco fizeram contrato de fornecimento com as processadoras de suco concentrado, como a Citrosuco, a Cutrale, a Golden e a Tecnovin", explica o presidente do Grupo GB. "Elas terão prioridade no fornecimento porque compram em maior escala. Mas os menores fabricantes vão ficar sem fruta", diz ele. Nos supermercados de São Paulo, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), há sucos em quantidade. "O que não tem é a mesma variedade de sabores", diz Martinho Paiva Moreira, vice-presidente da entidade. "O consumidor de sucos é mais flexível e menos fiel a marcas que o de refrigerantes, por exemplo", diz ele. "Se falta um sabor, ele compra outro." O reflexo dessa falta de sabores será uma alta de preços. Os fabricantes preveem um percentual entre 5% e 6%. Neste ano, até o fim de outubro, os sucos no varejo já acumulavam alta de 7,68%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe). Na Wow! Nutrition, dona das marcas Sufresh e Feel Good, além da demanda em alta e da menor oferta de fruta, houve problemas com a instalação de novas máquinas para aumento da capacidade de produção em 30%. "Na hora de instalar, elas não funcionaram como deviam e nossa produção ficou abaixo do esperado entre agosto e setembro. São as dores do crescimento", diz William De Angelis Sallum, presidente da empresa e também da Associação Brasileira dos Produtores e Envasadores de Néctares e Sucos (Abrasuco). Com a produção afetada nesses meses, o varejo sentiu a falta dos produtos entre outubro e novembro. Procurada, a Coca-Cola Brasil, dona da marca Del Valle, não deu entrevista. |
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Índice da FAO é recorde em 28 meses
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/indice-da-fao-e-recorde-em-28-meses |
Os preços das commodities agrícolas no mundo subiram em novembro para perto dos níveis da chamada crise de alimentos de 2007/08, impulsionados principalmente pelas altas do açúcar e pela forte valorização dos cereais e oleaginosas, informou a agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO. O índice de preços de alimentos da FAO - que mede variações mensais de preços de uma cesta de alimentos composta por cereais, oleaginosas, laticínios, carne e açúcar - subiu pelo quinto mês seguido e atingiu um patamar recorde em 28 meses, informou ontem a organização. O indicador registrou uma média de 205,4 pontos no mês passado, acima do índice revisado de outubro, de 198,1 pontos, e alcançando o maior patamar desde julho de 2008. O índice de preços do açúcar da FAO disparou para um recorde alta de 374,7 pontos em novembro, ante 349,3 em outubro. O indicador de cereais, que inclui trigo, arroz e milho, avançou para uma média de 224,9 pontos em novembro, o maior patamar desde setembro de 2008, ante 219,9 pontos em outubro. O índice para os óleos comestíveis saltou para 243,3 pontos em novembro, contra 220 pontos em outubro e atingiu o maior valor desde julho de 2008. |
Receio da FAO com preço dos alimentos não é infundado
| Autor(es): Chau Kuo Hue |
| O Estado de S. Paulo - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/receio-da-fao-com-preco-dos-alimentos-nao-e-infundado |
Ao longo do segundo semestre deste ano, as commodities agrícolas apresentaram persistente alta que passou a incomodar os funcionários da FAO. No mercado de grãos, as causas para a alta foram choques de oferta. Uma severa seca afetou a produção na Rússia e países importadores passaram a buscar grãos em outras regiões produtoras. Tal movimento levou a uma primeira rodada de alta, intensificada pela depreciação do dólar.
A segunda rodada de alta deve-se às perspectivas de produção, especialmente na América Latina, onde estão localizados dois grandes produtores mundiais, a Argentina e o Brasil. Em função do clima seco, o desenvolvimento das culturas pode ser prejudicado através da menor produtividade. Mas a alta de preços não se limitou aos grãos. O preço do açúcar atingiu níveis recordes. A par das principais causas da alta das commodities agrícolas, seria justificável o receio da FAO com relação aos preços dos alimentos no ano que vem? Para responder a esta questão, devemos avaliar três fatores-chaves no mercado de commodities, que seriam a demanda por ração, alimentos e biocombustível (ou de maneira mais simples, os 3 F""s - feed, food and fuel). A produção de ração tende a se elevar em 2011 por conta da alta da produção de aves e suínos. As projeções do Departamento de Agricultura de 2011 apontam para uma alta de 2,4% da produção global de carne de frango e 1,9% para a produção de carne suína. A elevação da oferta se deve a um consumo maior, estimulada pelo aumento da renda, principalmente nos países emergentes, onde haverá maior contribuição para expansão econômica mundial. A procura por alimentos também deve subir em 2011. De um lado, puxado pelos países emergentes, onde cada vez mais uma parcela da população deve integrar a classe média. Nos países desenvolvidos, a gradual recuperação melhora a situação no mercado de trabalho, levando o consumo para níveis anteriores à crise. Por fim, avalia-se que a demanda por biocombustível não deve se reduzir, muito pelo contrário. Entretanto, até agora se olhou somente pela ótica da economia real. Com os juros nos países desenvolvidos em baixos patamares, espera-se que instituições financeiras busquem ativos de maiores risco e com potencial de valorização, como as commodities agrícolas. Portanto, o receio da FAO com os preços dos alimentos não é infundado. Os estoques mundiais de milho estão em níveis baixos, o que manteria os preços nos atuais patamares. Porém, um eventual choque na produção poderia provocar novos repiques, já que o balanço entre oferta e demanda é apertado. |
Em um dia, grãos sobem de 3,2% a 7,1% em Chicago
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/em-um-dia-graos-sobem-de-3-2-a-7-1-em-chicago |
Ainda que estudo preliminar da OCDE não identifique na atual volatilidade das commodities agrícolas nada muito anormal em relação ao comportamento dos preços nas últimas décadas, as oscilações dos grãos observadas ontem na bolsa de Chicago voltaram a alcançar níveis incomuns. Sustentado pela desvalorização do dólar e por problemas climáticos, trigo disparou e maximizou os ganhos de milho e soja, que também já subiam por causa do câmbio. No caso do trigo, as adversidades climáticas destacadas pelos traders consultados pela agência Dow Jones Newswires são no leste da Austrália (fortes chuvas) e em regiões produtoras americanas (seca). Com a combinação dólar-clima, os contratos de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) do cereal registraram alta de 7,13% e encerraram o pregão em Chicago a US$ 7,40 por bushel. No caso de milho, onde a influência da disparada do trigo foi maior, a segunda posição subiu 4,09%, para US$ 5,6625 por bushel; na soja, o ganho foi de 3,2%, para US$ 12,9150 por bushel. |
Oscilações das commodities no foco global
| Autor(es): Assis Moreira |
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/oscilacoes-das-commodities-no-foco-global |
A volatilidade dos preços das commodities agrícolas permanece alta em comparação a outros mercados e poderá afetar o custo dos alimentos, a segurança alimentar e a renda dos produtores. Mas a situação atual não é muito diferente do que aconteceu nos últimos 50 anos para vários produtos. A conclusão é de um estudo preliminar que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) submete a seu Comitê de Agricultura esta semana, em Paris, ao qual o Valor teve acesso. A discussão reúne mais de 30 países, inclusive o Brasil, e comprova que a volatilidade das cotações agrícolas entrou definitivamente na agenda internacional. A França confirmou que quer colocar o problema entre as prioridades de 2011 de sua presidência do G-20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes. Paris quer regular melhor os mercados financeiros ligados às commodities. Estima que os derivativos, concebidos como proteção contra grandes flutuações de preços, tornaram-se ativos financeiros como os outros, utilizados para especulação e favorecendo, na prática, as repentinas altas e baixas dos preços agrícolas e de commodities ligadas à energia.
O estudo da OCDE conclui que os casos de saltos de preços da maioria das commodities agrícolas nos últimos 50 anos seguiram um ritmo similar - valorização em um ano seguida de forte queda no seguinte. Além disso, os ganhos agrícolas aconteceram em um contexto de alta de quase todas as matérias-primas, sobretudo petróleo e metais.
A análise por produto mostra que a volatilidade tem sido, na média, menor para carne bovina e açúcar desde 1960. Na última década, houve mais variações de preços do que no anos 90, mas o mesmo não é verdade em relação aos anos 70 para carne bovina, arroz, soja e açúcar. Entre 2006 e 2010, a volatilidade foi maior que em 1990 para cereais como trigo e arroz. Em 2009, quando vários produtos declinaram, a exceção foi para lácteos e óleo de soja. O estudo analisa também se os preços de petróleo e fertilizantes tiveram impacto importante nos preços das commodities agrícolas. Conclui que os maiores impactos mensais do petróleo - que provoca alta nos custos de produção e transporte - é sobre as produções de manteiga, leite em pó e oleaginosas. Anualmente, também tem reflexos importantes sobre milho e trigo. O impacto do petróleo sobre o açúcar é pequeno em razão do uso do bagaço da cana na geração de energia pelas usinas. Mas a OCDE diz que o aumento da produção de biocombustível alterou a situação e o açúcar é o único produto que teve ampliada sua correlação com o petróleo quando este é defasado um ano. No caso dos adubos, o maior impacto é na volatilidade de preços de manteiga, leite em pó, arroz, milho, oleaginosas e trigo. O menor impacto é sobre carne bovina e açúcar. Para a OCDE, o recente período de súbitas altas e baixas de preços não é excepcional em relação ao passado, a não ser talvez para trigo e arroz em anos específicos.
Brasil lidera alta de exportações no mundo
| Autor(es): Assis Moreira | De Genebra |
Valor Econômico - 02/12/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/brasil-lidera-alta-de-exportacoes-no-mundo |
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O Brasil já era conhecido como campeão mundial na alta de importações em 2010. A novidade é o país aparecer também como o líder da alta nas exportações, em dólares correntes, superando a China e todos os outros grandes parceiros. Estatísticas da Organização Mundial do Comércio (OMC), levando em conta 70 países que fazem 90% das trocas globais, mostram o Brasil na liderança, entre janeiro a setembro, com alta de 33% nas exportações, com a China vindo depois, com 32%, Estados Unidos com 20%, e Rússia, 18%. Entre o segundo e o terceiro trimestre, o Brasil continuou como campeão, com expansão de 12% nas exportações, e a China com alta de 11%.
Este ano, o país já liderava o ranking de importações. A OMC mostra agora que, entre janeiro e setembro, as compras no exterior diminuíram o ritmo ligeiramente, mas foram as que cresceram mais (49%), comparadas a 39% no caso da Rússia, 31% da China, 27% da Índia e 23% dos Estados Unidos. De um trimestre a outro, o país mantém a liderança, com alta de 18%, seguido pela Rússia com crescimento de 17%. A alta de 15% nos preços das commodities é uma explicação. O preço do petróleo subiu mais de 10%, os de alimentos e bebidas, 12%, e o de metais, 25%. No terceiro trimestre, as exportações mundiais de mercadorias foram 3% superiores às do segundo trimestre. Mas o valor do comércio global continua abaixo do pico anterior à crise financeira global. A OMC não fez cálculos em volume, em dólares constantes e levando em conta a inflação. A entidade constata desaceleração no comércio e "incertezas à frente". A recuperação econômica não foi suficientemente forte para reduzir o enorme desemprego em vários países. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que o emprego não voltará aos níveis de 2008 antes de 2015 no mundo desenvolvido. O desemprego atingiu 30 milhões de pessoas a mais desde a crise e o consumo continua frágil.
Dow retoma projeto de resina verde no Brasil
| Autor(es): Mônica Scaramuzzo | De São Paulo |
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/dow-retoma-projeto-de-resina-verde-no-brasil |
A multinacional americana Dow Chemical decidiu retomar o projeto de resina termoplástica verde no Brasil, empreendimento avaliado em mais de US$ 1 bilhão. Esse projeto era praticamente dado como encerrado, mas a companhia resolveu levá-lo adiante e está em negociações com possíveis parceiros para colocá-lo em prática.
Em entrevista ao Valor, o CEO global do grupo, Andrew Liveris, afirmou que a fábrica tem condições de ser erguida no Brasil, uma vez que só o país tem o expertise de produzir etanol de cana em larga escala. Em sua curta visita a São Paulo, Liveris disse que a retomada desse projeto foi um dos principais assuntos da pauta de sua viagem. Mas os planos da Dow para o Brasil não se limitam à unidade de plástico verde. O grupo avalia também ser produtor de etanol como forma de diversificar seus negócios na área de energia renovável. Ainda não há projetos concretos nesse sentido, de acordo com Liveris, mas a companhia passou a olhar novos negócios para o seu portfólio. Investimentos em novas fábricas para especialidades químicas nos próximos anos também deverão ser feitos no Brasil - considerado ao lado da China um dos com maiores potenciais de expansão entre os países emergentes. Com faturamento global de US$ 45 bilhões, dos quais US$ 5,2 bilhões na América Latina, a Dow, com 86 joint ventures espalhadas pelo mundo, deverá crescer aproximadamente 12% em 2010 e o mesmo percentual em 2011. A empresa não descarta novas parcerias, mas Liveris disse que a múlti não tem pressa. "A Dow é uma companhia muito internacional." Passados dois anos da crise financeira global, período marcado pelo congelamento ou até mesmo o enterro de grandes projetos de investimentos pelo mundo, a Dow retomou seu fôlego. "Nos últimos anos começamos a investir muito dinheiro em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Em seis anos foram cerca de US$ 9 bilhões. Nossa estratégia é apostar em novos portfólios", disse o executivo australiano, que está à frente da Dow como CEO desde novembro de 2004. Durante a crise financeira mundial, a Dow passou por importantes mudanças. No início de 2009, concluiu a aquisição da Rohm&Haas, por US$ 15,3 bilhões, o que permitiu à empresa avançar no segmento de especialidades químicas. Quase no mesmo período, teve desfeita uma joint venture dada praticamente como certa com a Petrochemical Industries Company (PIC), subsidiária da Kuwait Petroleum Corporation (KPC), por desistência dos árabes. A empresa chegou a colocar parte de seus ativos à venda durante a crise. Em 2009, vendeu a companhia de plásticos Styron para a empresa de private equity Bain Capital por US$ 1,63 bilhão. A brasileira Braskem, do grupo Odebrecht, também chegou a olhar alguns ativos da Dow nos EUA, mas as negociações não avançaram. Agora, com um cenário mais positivo, a Dow pretende seguir o processo de expansão. Os países emergentes deverão estar nessa nova rota. "Hoje, o cenário é diferente comparado com o do ano passado. A companhia está mudando e já olhamos novos investimentos", disse. Os países emergentes representam 32% das vendas globais. "Há dois anos, essa fatia era 29%." Entre as metas da companhia estão aportes em segmentos denominados megatendências, como energia renovável, infraestrutura e transportes, saúde e nutrição animal. A retomada do projeto de bioplásticos verdes reflete o atual cenário do Brasil e da companhia. "Há quatro anos, quando anunciamos o projeto, o mercado estava favorável. Mas nosso parceiro [o grupo Santelisa Vale] teve problemas (...). Estamos em processo de definição de novo parceiro e isso toma um tempo. A crise atrapalhou esse processo. Temos alguns interessados, com expertise em produção e processamento de cana e etanol, além de parceiros com experiência em plásticos", disse. A petroquímica Braskem opera desde setembro uma fábrica de resina verde em Triunfo (RS) e estuda uma segunda unidade no país. Segundo Liveris, há espaço no mercado internacional, onde existe um forte apelo dos clientes, como Coca-Cola, Pepsi, Wal-Mart e Procter& Gamble, por produtos sustentáveis. |
Rhodia faz acordo com usina Paraíso para cogeração
| Autor(es): Mônica Scaramuzzo | De São Paulo |
| Valor Econômico - 02/12/2010 |
| http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/2/rhodia-faz-acordo-com-usina-paraiso-para-cogeracao |
A multinacional francesa Rhodia fechou um acordo no Brasil para o desenvolvimento de projetos de biomassa, a partir do bagaço da cana, com a usina Paraíso Bionergia, de Brotas (SP). Esse contrato faz parte de um pacote de 20 empreendimentos, orçados em € 1 bilhão, no qual a múlti participará com € 200 milhões. Em entrevista ao Valor, Phillippe Rosier, presidente da Rhodia Energy Services, disse que a companhia também trará para o país uma tecnologia que a multinacional está desenvolvendo na Ásia para cogeração de energia a partir da vinhaça (resíduos do açúcar e do álcool) para a transformação em biogás. Acordos nesse sentido deverão ser fechados nos próximos meses. Criada em 2000, a divisão de energia da Rhodia começou a desenvolver projetos sustentáveis em países emergentes. "Temos duas unidades em operação de cogeração de energia a partir da vinhaça na Ásia e outras três em construção", disse Rosier. Essas unidades estão localizadas na China, Vietnã e Malásia. A usina Paraíso tem capacidade para processar cerca de 2,5 milhões de toneladas de cana por safra, afirmou o vice-presidente da Rhodia Energy na América Latina, Elder Martini. A cana será utilizada pela companhia como matéria-prima para produzir eletricidade. Pelo acordo entre as duas companhias, a Paraíso vai fornecer para a Rhodia o bagaço e a palha de cana, em regime de exclusividade. A maior parte da eletricidade gerada por essa unidade de cogeração será comercializada no mercado livre de energia. A usina sucroalcooleira também será autossuficiente em produção de energia para consumo próprio. A usina Paraíso terá capacidade instalada de 70 megawatts (MW) e produzirá eletricidade suficiente para atender 200 mil residências ou 600 mil pessoas. Com faturamento global de € 4,03 bilhões, a Rhodia, que tem ações da empresa cotadas na bolsa de valores de Paris (Euronext), está priorizando projetos sustentáveis pelo mundo, explicou Rosier. "Nós acreditamos nesse tipo de projeto e na demanda por eles pelo mundo", disse. No Brasil, a Rhodia está entre as maiores consumidoras de etanol para fins industriais - são cerca de 500 milhões de litros por ano. O mercado de álcool industrial para as indústrias químicas e farmacêuticas movimenta no país um volume superior a 1,5 bilhão de litros por ano, de acordo com a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). O país tornou-se este ano importante plataforma de atuação da multinacional francesa no mundo. Desde julho, o Brasil responde pelas divisões de fenol (utilizado para produção de resinas) e solventes da Rhodia, área que responde por 50% da receita da companhia no país, e também pelo segmento de fibras (fios industriais). A empresa pretende investir no país cerca de US$ 200 milhões nos próximos três anos. Esse valor, que não inclui aquisições, será para promover o crescimento orgânico da companhia no país, de acordo com informações do grupo em recente entrevista ao Valor.
Glencore compra usina Rio Vermelho e entra no mercado de etanol no BrasilNegociações entre as duas empresas haviam começado em maio e é mais um lance dentro da estratégia dos grupos multinacionais de ampliarem presença na produção de álcool02 de dezembro de 2010 | 8h 05 Melina Costa e Eduardo Magossi, de O Estado de S.Paulo SÃO PAULO - Foi fechada na terça-feira a venda de aproximadamente 70% da usina de etanol Rio Vermelho, de Junqueirópolis (SP), para a trading suíça Glencore. Segundo o "Estado" apurou, o valor do negócio é superior a US$ 80 milhões. Procurada, a Glencore não comentou o assunto. A aquisição marca a entrada da Glencore na operação de etanol no Brasil. A empresa suíça comercializa grandes volumes de metais, petróleo, carvão e produtos agrícolas e tem mais de 50 mil empregados diretos e indiretos em mais de quarenta países. Nas próximas semanas, a Glencore definirá o novo plano operacional da Rio Vermelho. Desde outubro, o executivo Jean Lesur, que já trabalhou na usina de álcool Infinity Bio-Energy, tem se dedicado à transição entre a administração da família Garieri, os ex-controladores da Rio Vermelho, e a administração da Glencore. Seu nome é cotado para a posição de presidente da usina. No negócio, a Rio Vermelho foi assessorada pelo escritório de advocacia Demarest & Almeida e pela divisão de corporate finance da consultoria Czarnikow Group. De seu lado, a Glencore foi assessorada pelo Mundie e Advogados. Atualmente, a Rio Vermelho produz apenas etanol hidratado, mas a estratégia é equipá-la rapidamente para produzir açúcar, um dos principais produtos comercializados pela Glencore no mercado internacional. Criada em 2007, a usina Rio Vermelho tem capacidade de produção de até 1,3 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. Nos últimos dois anos, porém, foi atingida duramente pela crise financeira mundial, chegando a demitir grande parte dos funcionários no auge da depressão. O negócio com a Glencore foi exatamente a saída encontrada pela família Garieri, que ainda ficará com cerca de 30% da empresa e mantém investimentos em outras áreas do agronegócio, como a plantação de laranja. Multinacionais. O movimento da trading Glencore é mais um passo em direção ao crescimento da participação de grupos estrangeiros no setor sucroalcooleiro brasileiro. Em dois anos, o porcentual do mercado nas mãos de capital externo passou de 15% para 25%. Outras grandes tradings multinacionais já marcaram posição no segmento, com a Bunge, que adquiriu a Moema e a Louis Dreyfus Commodities entrando na Santelisa Vale. Nos últimos meses, Cargill e ADM também fizeram investidas, mas sem sucesso. Por enquanto, estão consolidando o setor de biodiesel. Além das tradings, as companhias de petróleo também aumentaram sua participação. A Shell criou uma gigante com a associação com a Cosan, e a pioneira BP, depois de um início tímido com a Tropical, avança em direção à Cerradinho. O movimento mais ousado foi da indiana Shree Renuka Sugars, que, em apenas dois lances, adquiriu a Vale do Ivaí e parte da Equipav, ocupando espaço entre os 10 maiores do País em capacidade de moagem. A Petrobrás se associou à francesa Tereos (Guarani) e à São Martinho. Álcool 1,3 milhão de toneladas de cana de açúcar é a capacidade de moagem da usina Rio Vermelho 25% do mercado de etanol brasileiro está hoje nas mãos de empresas estrangeiras. Há dois anos, essa fatia era de 15% |
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