quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cem rios estão em situação ruim ou péssima no Brasil

Rios em péssimas condições
Autor(es): agência o globo:Catarina Alencastro
O Globo - 20/07/2011
Brasil tem só 4% de recursos hídricos com qualidade ótima, segundo relatório

Com 12% da oferta de água do planeta, o Brasil tem apenas 4% de seus recursos hídricos com qualidade considerada ótima, percentual que caiu seis pontos de 2008 para 2009. Segundo avaliação do "Informe 2011 da Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil", divulgado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), cem rios estão em situação ruim ou péssima.
Para avaliar o índice de qualidade da água, a agência usa nove parâmetros, que levam em conta principalmente a contaminação dos rios pelo lançamento de esgoto. Essa centena de rios em situação precária não consegue depurar naturalmente a quantidade de resíduos que vêm recebendo. Embora o governo argumente que está fazendo investimentos em políticas públicas de saneamento, mais da metade das cidades do país - 2.926 municípios - não tem tratamento de esgoto. O relatório aponta que em 2009 foram investidos R$21,4 bilhões em saneamento e gestão da água, sendo R$13,2 bilhões em obras de tratamento de esgoto.
A água de pior qualidade se concentra perto das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador e das cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG). Entre os rios cuja água é de péssima ou má qualidade, estão o Tietê, que corta a capital paulista, o Iguaçu, que forma as famosas Cataratas do Iguaçu, e o Guandu-Mirim, no Rio - os dois últimos ficam dentro de unidades de conservação, o Parque Nacional do Iguaçu e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Guandu, respectivamente.
Entre 2008 e 2009, a água de qualidade péssima no país se manteve em 2%; a ruim aumentou de 6% para 7%; a regular passou de 12% para 16% e a boa subiu de 70% para 71%. Nesse período, o número de pontos monitorados caiu de 1.812 para 1.747. O superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da agência, Ney Maranhão, mostrou-se satisfeito com os resultados do estudo.
- Temos 90,6% dos rios num estado satisfatório de qualidade e de disponibilidade (quantidade de água). Apenas 2% não apresentam resultado satisfatório - avaliou Maranhão, que coordenou o trabalho.
Estresse hídrico e agricultura
Maranhão ressaltou que as políticas públicas têm sido direcionadas para as bacias que estão em situação crítica, seja por apresentarem baixa disponibilidade ou qualidade de água. A maior parte dos rios e bacias com problema de oferta de água se encontra no Nordeste.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que, no futuro, o estresse hídrico (falta de água em algumas regiões do país) vai impactar na agricultura. Ao todo, 69% dos recursos consumidos pela população são usados em irrigação. Izabella aproveitou a ocasião para mandar um recado ao Congresso, onde tramita a reforma do Código Florestal.
- Quando estamos discutindo Código Florestal, não falamos apenas do uso do solo. Estamos falando de recursos hídricos e qualidade de vida. O relatório traz com muita propriedade o estresse hídrico com perda de mata ciliar (vegetação nativa às margens dos rios). Onde se desmata mata ciliar, há comprometimento dos recursos hídricos - afirmou a ministra.
O levantamento da ANA também levou em conta o problema das mudanças climáticas, responsáveis por eventos naturais extremos em datas diferentes no ano passado: a estiagem na Amazônia; as enchentes em Alagoas, Pernambuco e em Minas Gerais; as cheias no Rio, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Um exemplo do agravamento dessa situação: em 2006, foram registradas 135 situações de emergência ou de calamidade pública por conta de fortes chuvas. Em 2010, esse número de ocorrências subiu para 601. No total, quase 10% das cidades brasileiras - 563 municípios - decretaram situação de emergência devido a enchentes, inundações, enxurradas e alagamentos.
No caso das secas, houve uma inversão: 2010 registrou menos casos de emergência (583) do que 2006 (914). Entre 2009 e 2010 houve diminuição de 20,8% no nível dos reservatórios de água construídos no Nordeste para combater estiagens.

Estudo mostra que 25% da água usada no país é de baixa qualidade

Autor(es): Tarso Veloso | De Brasília
Valor Econômico - 20/07/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/7/20/estudo-mostra-que-25-da-agua-usada-no-pais-e-de-baixa-qualidade
 

Um quarto da água dos rios, lagoas e mananciais do país é qualificada como ruim, péssima ou regular, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), que divulgou ontem o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil. Pesquisa feita em 1.747 pontos de monitoramento apontou queda significativa na qualidade da água usada pelos brasileiros. O estudo traz a situação mais atualizada com dados coletados em 2009.Os valores médios do Índice de Qualidades das Águas (IQA), demonstrativo que reflete principalmente a contaminação da água por esgoto doméstico, apontou, em 2009, segundo a ANA, uma condição ótima em 4% dos pontos de monitoramento; boa em 71%; regular em 16%; ruim em 7% e péssima em 2%. Um ano antes, em 2008, os números eram: 10% de qualidade ótima; 70%, boa; 12%, regular; 6%, ruim e 2%, péssima. Em 2008, foram analisados 1.812 pontos e em 2009 1.747.
Segundo o estudo, os pontos que apresentaram qualidades de água péssimas e ruins se encontravam, em sua maioria, nas proximidades de grandes cidades, como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador. O motivo é o lançamento de esgotos domésticos sem tratamento.
O especialista em recursos hídricos da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da agência, Alexandre Lima, explicou que, embora o Brasil tenha atualmente 12% de toda a água doce disponível na superfície do planeta, a maioria do potencial hídrico nacional, 81%, está concentrado na Região Hidrográfica Amazônica, longe dos grandes centros urbanos.
"Há áreas sensíveis, em geral, nas proximidades das maiores regiões urbanas, mas também há áreas em que tivemos melhoras expressivas, principalmente, onde se investiu mais em saneamento básico", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Nos estudos para a obtenção de energia, foram concluídas análises de 17 aproveitamentos hidrelétricos em 2010, com potencial a ser instalado de 3.448 megawatts (MW) nos próximos anos. A produção efetiva de energia do país aumentou em 6.758 MW em 2010, sendo 2.093 MW referentes à geração hidrelétrica. A hidreletricidade corresponde a 72% da capacidade instalada da matriz energética brasileira.
O país registrou situação de emergência ou estado de calamidade pública, devido à ocorrência de cheias, 563 municípios no ano passado. Foram 26 alagamentos, 57 inundações, 518 enchentes e nenhuma enxurrada no ano passado. O total de eventos desse tipo foi de 601, contra 1.091 em 2009.
Os Estados mais afetados foram Santa Catarina (144 municípios), Rio Grande do Sul (144), Bahia (65), Paraná (46) e São Paulo (44).
Por causa de eventos de seca, 521 municípios declararam situação de emergência no ano passado. Foram registrados 807 casos de estiagem e 69 de seca em 2009. No ano passado, foram 490 de estiagem e 93 de seca. Houve uma concentração de registros nos Estados do Piauí (109 municípios), Minas Gerais (88), Ceará (82) e Bahia (77).
"Estamos registrando eventos climáticos atípicos no país e isso mostra a importância maior ainda de se monitorar os recursos hídricos. Não podemos evitar desastres, mas podemos nos prevenir contra eles", disse a ministra do Meio Ambiente.
Para o Secretário Nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, as informações também são fundamentais para ajudar no direcionamento de investimentos contra tragédias. "Mortes podem ser evitadas, se o sistema funcionar. Por isso é uma informação importante para avançarmos na qualidade do serviço", disse.

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