BNDES terá 35% da JBS após trocar debêntures
Autor(es): Graziella Valenti | De São Paulo
Valor Econômico - 19/05/2011
A troca da dívida de R$ 3,5 bilhões em debêntures da JBS por ações, que serão subscritas pela BNDESPar, terá duas consequências societárias para a companhia. A família Batista, fundadora, perderá a maioria absoluta do capital e deixará de ser a maior acionista isolada do negócio, posição que passa a ser da BNDESPar. Apesar disso, os fundadores manterão o controle da empresa, por conta do acordo de acionistas com a família Bertin.
O rápido crescimento da JBS via aquisições nos últimos anos está cobrando agora a maior de suas contas. Para eliminar obrigações com debêntures de R$ 3,5 bilhões detidas pelo BNDES, a empresa trocará essa dívida por ações.A consequência dessa operação é que a família Batista, fundadora da companhia, permanece no controle, mas perde a maioria absoluta do capital, ou seja, deixa de ser a maior acionista isolada do negócio. A posição passa a ser ocupada pelo BNDESPar, o braço de participações do BNDES. A fatia direta e indireta do banco de fomento subirá de 20% para 35%.A holding controladora, FB Participações, será diluída de 54,5% para 47% com o aumento de capital para absorver as debêntures trocadas pelo BNDES. A família Batista detém 51,5% dessa holding e o restante está com a família Bertin. Assim, os Batista verão sua fatia cair de 28% para 24,2%.Apesar da mudança no capital, não haverá alteração no acordo de acionista - em FB - e no conselho de administração.As debêntures detidas pelo BNDES foram emitidas no fim de 2009 para financiar as aquisições da Bertin e da Pilgrim"s. Esses títulos de dívida seriam convertidos em papéis da subsidiária JBS USA. A empresa, porém, ainda não abriu o capital. A JBS não encontrou um momento adequado de mercado para fazer a oferta pública inicial da subsidiária americana e, por conta disso, já pagou uma multa de R$ 522 milhões ao BNDES no fim do ano passado.A conversão de dívida em capital anunciada ontem substitui uma troca de debêntures que chegou a ser comunicada no fim de 2010, mas que não foi concluída. A conversibilidade das debêntures deixaria de ser em papéis da JBS USA para ser em ações da JBS brasileira, num prazo de cinco anos. Seria uma forma de solucionar o problema da falta de liquidez para a conversão do BNDES, ao custo da diluição dos acionistas aqui.Em razão da operação, os minoritários terão sua participação diluída de 28% para 21,7% - somando o percentual em circulação no mercado mais o fundo Prot-FIP, que abriga a participação indireta de fundos de pensão e BNDES. A diluição que ocorreria em cinco anos foi antecipada.Todos os acionistas podem acompanhar o aumento de capital se desejarem. Contudo, o preço acima do valor de mercado deve desestimular a adesão. A emissão de novos papéis será feita a R$ 7,04. Ontem, as ações fecharam a R$ 5,48, após perda de 5%, a segunda maior do Índice Bovespa. Os preços de emissão e do mercado estão abaixo do valor patrimonial por ação da empresa (R$ 7,05)Segundo o executivo Wesley Batista, presidente da JBS, o preço é vantajoso quando comparado às condições das novas debêntures que seriam emitidas para resolver o problema que envolve o fato da JBS USA não ter feito a oferta de ações. Na operação anterior, as ações seriam convertidas a R$ 9,50, ajustadas pelo custo dos papéis, que seria de 8,5% ao ano. "E ainda vamos evitar uma despesa de R$ 340 milhões ao ano com os juros das novas debêntures".Segundo Batista, o objetivo dessa operação é eliminar a incerteza que existia no mercado por conta das dúvidas sobre a possível abertura de capital da JBS USA. "Encerramos essa questão". No ano, as ações da JBS acumulam queda de 23,57%. O valor de mercado da companhia caiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 13,6 bilhões.Fontes ligadas à JBS afirmam que a solução proposta anteriormente - troca de debêntures - para solucionar a questão da conversibilidade deixava o mercado incomodado. A expectativa é que toda a operação esteja concluída até o início de julho, quando o aumento de capital de R$ 3,5 bilhões deverá ser homologado.O objetivo é acabar com as incertezas rapidamente. A medida faz parte do pacote de melhoria do perfil de toda a dívida, que inclui operações de até US$ 2,2 bilhões pela JBS USA no mercado internacional. Os novos recursos captados irão pagar dívidas aqui, indexadas à moeda estrangeira. Como resultado desse movimento, a empresa economizará o equivalente a R$ 250 milhões, líquido de impostos.Os empréstimos e financiamentos consolidados da JBS, mais as debêntures, somavam R$ 18,7 bilhões no fim de março. O caixa era de R$ 3,6 bilhões.
A troca da dívida de R$ 3,5 bilhões em debêntures da JBS por ações, que serão subscritas pela BNDESPar, terá duas consequências societárias para a companhia. A família Batista, fundadora, perderá a maioria absoluta do capital e deixará de ser a maior acionista isolada do negócio, posição que passa a ser da BNDESPar. Apesar disso, os fundadores manterão o controle da empresa, por conta do acordo de acionistas com a família Bertin.
O rápido crescimento da JBS via aquisições nos últimos anos está cobrando agora a maior de suas contas. Para eliminar obrigações com debêntures de R$ 3,5 bilhões detidas pelo BNDES, a empresa trocará essa dívida por ações.
A consequência dessa operação é que a família Batista, fundadora da companhia, permanece no controle, mas perde a maioria absoluta do capital, ou seja, deixa de ser a maior acionista isolada do negócio. A posição passa a ser ocupada pelo BNDESPar, o braço de participações do BNDES. A fatia direta e indireta do banco de fomento subirá de 20% para 35%.
A holding controladora, FB Participações, será diluída de 54,5% para 47% com o aumento de capital para absorver as debêntures trocadas pelo BNDES. A família Batista detém 51,5% dessa holding e o restante está com a família Bertin. Assim, os Batista verão sua fatia cair de 28% para 24,2%.
Apesar da mudança no capital, não haverá alteração no acordo de acionista - em FB - e no conselho de administração.As debêntures detidas pelo BNDES foram emitidas no fim de 2009 para financiar as aquisições da Bertin e da Pilgrim"s. Esses títulos de dívida seriam convertidos em papéis da subsidiária JBS USA. A empresa, porém, ainda não abriu o capital. A JBS não encontrou um momento adequado de mercado para fazer a oferta pública inicial da subsidiária americana e, por conta disso, já pagou uma multa de R$ 522 milhões ao BNDES no fim do ano passado.
A conversão de dívida em capital anunciada ontem substitui uma troca de debêntures que chegou a ser comunicada no fim de 2010, mas que não foi concluída. A conversibilidade das debêntures deixaria de ser em papéis da JBS USA para ser em ações da JBS brasileira, num prazo de cinco anos. Seria uma forma de solucionar o problema da falta de liquidez para a conversão do BNDES, ao custo da diluição dos acionistas aqui.
Em razão da operação, os minoritários terão sua participação diluída de 28% para 21,7% - somando o percentual em circulação no mercado mais o fundo Prot-FIP, que abriga a participação indireta de fundos de pensão e BNDES. A diluição que ocorreria em cinco anos foi antecipada.
Todos os acionistas podem acompanhar o aumento de capital se desejarem. Contudo, o preço acima do valor de mercado deve desestimular a adesão. A emissão de novos papéis será feita a R$ 7,04. Ontem, as ações fecharam a R$ 5,48, após perda de 5%, a segunda maior do Índice Bovespa. Os preços de emissão e do mercado estão abaixo do valor patrimonial por ação da empresa (R$ 7,05)
Segundo o executivo Wesley Batista, presidente da JBS, o preço é vantajoso quando comparado às condições das novas debêntures que seriam emitidas para resolver o problema que envolve o fato da JBS USA não ter feito a oferta de ações. Na operação anterior, as ações seriam convertidas a R$ 9,50, ajustadas pelo custo dos papéis, que seria de 8,5% ao ano. "E ainda vamos evitar uma despesa de R$ 340 milhões ao ano com os juros das novas debêntures".
Segundo Batista, o objetivo dessa operação é eliminar a incerteza que existia no mercado por conta das dúvidas sobre a possível abertura de capital da JBS USA. "Encerramos essa questão". No ano, as ações da JBS acumulam queda de 23,57%. O valor de mercado da companhia caiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 13,6 bilhões.
Fontes ligadas à JBS afirmam que a solução proposta anteriormente - troca de debêntures - para solucionar a questão da conversibilidade deixava o mercado incomodado. A expectativa é que toda a operação esteja concluída até o início de julho, quando o aumento de capital de R$ 3,5 bilhões deverá ser homologado.
O objetivo é acabar com as incertezas rapidamente. A medida faz parte do pacote de melhoria do perfil de toda a dívida, que inclui operações de até US$ 2,2 bilhões pela JBS USA no mercado internacional. Os novos recursos captados irão pagar dívidas aqui, indexadas à moeda estrangeira. Como resultado desse movimento, a empresa economizará o equivalente a R$ 250 milhões, líquido de impostos.
Os empréstimos e financiamentos consolidados da JBS, mais as debêntures, somavam R$ 18,7 bilhões no fim de março. O caixa era de R$ 3,6 bilhões.
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