quarta-feira, 4 de maio de 2011

Indústrias de máquinas ajustam estratégias

Autor(es): Alexandre Inacio | De São Paulo
Valor Econômico - 03/05/2011

O aquecimento do mercado de commodities agrícolas e as projeções otimistas para a renda do agronegócio no Brasil estão levando as principais empresas de máquinas agrícolas a ajustar suas estratégias no país. As cinco maiores marcas - Massey Ferguson e Valtra da AGCO, Case e New Holland da (CNH) e John Deere - preparam para este ano a nacionalização de produtos que antes eram apenas importados - atualmente só 2% das máquinas agrícolas vendidas no Brasil são provenientes do exterior -, entrada em segmentos novos e diversificação de suas linhas.
O objetivo das empresas é tentar manter aquecido o mercado depois de um 2010 bem-sucedido. No ano passado, as empresas comercializaram 68,5 mil unidades de máquinas agrícolas. Esse foi o melhor resultado nos últimos 34 anos, favorecido em grande medida pelos novos programas de financiamento criados pelo governo para a agricultura familiar - Mais Alimentos - e pela manutenção do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).
Líder isolada no mercado de tratores, com participação de 54% no ano passado, a AGCO busca se consolidar na liderança e vai atuar com mais força no mercado de implementos agrícolas. Com a Valtra, o grupo americano pretende ganhar espaço em tratores de alta potência. Nesta semana, durante a Agrishow, a divisão apresenta a terceira geração de suas máquinas de grande ponte, com potência entre 135 e 210 cavalos.
"A linha pesada já representa 35% do faturamento da Valtra. Nossa expectativa é que já em 2011 a linha passe a ter uma fatia de 38% para chegar e se manter ao redor dos 40% nos próximos anos", afirma Paulo Beraldi, diretor comercial da Valtra, que sozinha tem 23% do mercado de tratores.
No caso da Massey, os planos são de entrar no segmento florestal. Atualmente, os tratores vendidos para o segmento precisam ser adaptados depois que saem das fábricas. O projeto da empresa é entregar a máquina já pronta para o uso, saindo diretamente das linhas de montagem. "O setor florestal tem um grande potencial de crescimento no Brasil. A demanda por equipamentos específicos é elevada e queremos atendê-la", afirma Carlito Eckert, diretor comercial da Massey Ferguson.
Tanto Massey quanto Valtra passarão a ter pulverizadores autopropelidos. Até então, o equipamento precisava ser importado, mas passará a ser produzido na fábrica do grupo no Rio Grande do Sul, já dentro dos planos de investimentos anunciados pelo presidente global da AGCO, em outubro do ano passado. "Nossa ideia é oferecer aos agricultores um sistema completo", afirma Eckert.
No topo do ranking nacional do mercado de colheitadeiras com as marcas New Holland e Case IH, a italiana CNH busca avançar nas vendas de tratores e elevar a disputa com a concorrente americana. A empresa fabricará em sua unidade de Curitiba o trator com maior potência do país, com 385 cavalos. Em Piracicaba (SP), produzirá seu pulverizador, nacionalizando um produto antes importado.
"Esta safra foi um exemplo da necessidade que algumas regiões têm de aproveitar janelas curtas de plantio. Em Mato Grosso as chuvas atrasaram o plantio, e o agricultor teve que usar curtos espaços de tempo para plantar. Isso exige máquinas cada vez maiores", afirma Luiz Feijó, diretor comercial da New Holland.
Conhecida no mercado por suas máquinas de alta potência e preços elevados, a Case IH tenta reverter essa imagem e vai desenvolver produtos que atendam a uma categoria de produtores de pequeno e médio portes. A empresa lança esta semana em Ribeirão Preto uma colheitadeira de 250 cavalos, com foco nos mercados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que usam máquinas menores devido às condições fundiárias.
A estratégia de atender agricultores de menor porte teve início no ano passado quando a Case IH incluiu um de seus tratores no programa Mais Alimentos. "Acreditamos que durante esta semana o governo anunciará a inclusão também da colheitadeira de café e a de cana-de-açúcar. Estamos incentivando a compra conjunta da máquina para o café e, no caso da de cana, nosso foco são pequenos fornecedores ou associações de produtores", afirma Cesar di Luca, diretor comercial da Case IH.
Com o objetivo de dobrar suas vendas globais até 2018, a John Deere acredita que a América Latina terá um peso importante. Além de concluir a construção de nova unidade no Rio Grande do Sul e ampliar a planta de Goiás para suprir a demanda, a John Deere vai apresentar aos produtores brasileiros seu sistema de irrigação. "Queremos mostrar a aplicação integrada da irrigação com os nossos tratores e colheitadeiras, que são produtos mais conhecidos", diz João Pontes, diretor de marketing para America Latina da John Deere.
Todos os lançamentos das empresas serão apresentados nesta semana na Agrishow. Em 2010, a feira registrou negócios de R$ 1,15 bilhão, e a expectativa dos organizadores é que neste ano o crescimento seja de pelo menos 25%.
Agrishow 2011: Ministro Afonso Florence lança novas colheitadeiras do Mais Alimentos
03/05/2011 07:13

O Ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Afonso Florence, lança na tarde desta quarta-feira (4) duas novas categorias de produtos do Programa Mais Alimentos: três colheitadeiras de café e uma colheitadeira de cana-de-açúcar. O lançamento será às 14h, no estande do Mais Alimentos na Agrishow 2011 – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, em Ribeirão Preto (SP).
Em seguida, o ministro entrega a um produtor familiar de morango o caminhão de número 2.200 comercializado pela linha de crédito.
O Mais  Alimentos é uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) destinada a modernizar as unidades produtivas da agricultura familiar, que financia projetos coletivos (R$ 500 mil) e individuais (R$ 130 mil), a juros de 2% ao ano e prazo de 10 anos para pagar, com carência de 3 anos.

Congresso de peritos do Incra debate fortalecimento de políticas públicas
03/05/2011 12:24

A gestão fundiária é fundamental para a sustentabilidade econômica e produção de alimentos de qualidade a partir de um novo modelo de desenvolvimento. A frase é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, durante a abertura do I Congresso Nacional dos Peritos Federais Agrários que estão reunidos em Brasília de 3 a 5 de maio.
A proposta dos peritos é justamente priorizar uma política agrária baseada na exigência constitucional do cumprimento da função social da propriedade. O presidente da Associação Nacional dos Engenheiros Agrônomos do Incra (Assinagro), Gilmar do Amaral, destacou que o congresso pretende discutir as políticas públicas executadas pelo MDA e Incra e a própria instituição. “Desejamos construir políticas fortes para termos uma instituição forte. Este congresso é um espaço de discussão e proposição de políticas”, afirmou.
O ministro salientou a importância do fortalecimento do modelo de desenvolvimento rural, no qual crédito, assistência técnica, apoio a comercialização e estabilidade demográfica rural são fundamentais para a concretização do programa de combate à extrema miséria. “A carreira dos servidores se requalifica a partir deste novo modelo de desenvolvimento com a continuidade e aprofundamento da reforma agrária”.
O Congresso segue até quinta-feira (5), no auditório da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec/UnB). Na quarta-feira (4), o Secretário Extraordinário de Regularização Fundiária na Amazônia Legal, Carlos Guedes, participa da mesa redonda sobre regularização fundiária, na qual debate o programa Terra Legal. No mesmo dia, o presidente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, participa da mesa sobre o papel do Incra nos desafios da política agrária. Na quinta (5), o Coordenador do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, Joaquim Soriano, debate sobre Escola de Governo e formação profssional.

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