| Autor(es): Daniele Camba |
| Valor Econômico - 04/05/2011 |
Se você é investidor e está perdido com o desempenho da Bovespa bem pior que os demais mercados, não se preocupe, você não está sozinho. Os profissionais de mercado, que são pagos para entender o movimento dos ativos melhor do que os outros, estão tão perdidos quanto qualquer pessoa física que acabou de ingressar em bolsa. Entre os analistas ouvidos pelos Valor há um consenso sobre qual o motivo para o mercado brasileiro estar sofrendo mais. Segundo eles, há um temor com relação à resistência da inflação e à falta de clareza da política do governo para contê-la. "A dúvida é até que ponto o aperto monetário e as medidas macroprudenciais conseguirão controlar os índices de preços", indaga o gerente da mesa de investimentos de pessoa física da Fator Corretora, Alfredo Sequeira. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril medido pela Fipe, por exemplo, divulgado ontem, foi de 0,70%, ante 0,35% do mês anterior, lembra ele. Tese sobre inflação e BC mais leniente se mostra frágil Esses mesmos profissionais, no entanto, acham no mínimo frágil o argumento de que a inflação e a estratégia do governo para segurá-la fazem da Bovespa um mercado pior que os demais. O diretor da americana BlackRock responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados à América Latina, William Landers, aponta essa contradição. "O Brasil já fez mais lição de casa do que a maioria dos emergentes, tem inflação menor do que muitos desses países, também tem juro real muito mais alto, e as pessoas ainda questionam a seriedade do Banco Central brasileiro", afirma. O presidente da Modal Asset, Alexandre Póvoa, vai na mesma linha. Ele lembra que a leniência com a inflação é um fato mundial, e não "privilégio" brasileiro. "A Índia subiu os juros em meio ponto, tem uma inflação de 9% este ano, enquanto a meta para 2012 é de 6%", observa Póvoa. "Se isso não é leniência, então é o que?" Com tantas dúvidas com relação à legitimidade da queda maior do mercado brasileiro, alguns desses profissionais acreditam que esta piora pode ser uma boa oportunidade de compra de ações locais. "Sigo comprando Brasil", diz Landers. "Vamos chegar a um momento em que muitos vão acordar e ver que o mercado está barato, os fundamentos melhores do que imaginavam e a subida pode ser bem repentina", completa o gestor. Já Póvoa lembra que pode ser difícil encontrar o "timing" certo da compra. O Índice Bovespa ontem fechou em baixa de 1,75%, aos 64.318 pontos, menor nível desde a mínima do ano, de 64.217 pontos, em 9 de fevereiro. Ontem, um acionista com 4,37% de ações da gestora Tarpon vendeu sua fatia em leilão na bolsa. A operação previa a venda de 18 milhões de papéis ao preço inicial de R$ 18,00. Mas o leilão terminou com investidores pedindo desconto de 2,22% e as ações saíram a R$ 17,60. Os negócios movimentaram R$ 35,2 milhões, segundo apurou a repórter Ana Paula Ragazzi. |
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Mercado se embanana para explicar a queda
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