quinta-feira, 5 de maio de 2011

Retrato do país: Um em cada 10 brasileiros é miserável

Desigualdade: 16,2 milhões de miseráveis
Autor(es): » Larissa Leite
Correio Braziliense - 04/05/2011

Os números do Censo e do Ipea mostram o tamanho do desafio para a presidente Dilma, que prometeu combater a pobreza extrema. Mais de 16,2 milhões de pessoas sobrevivem com menos de R$ 70 por mês. O DF tem o menor percentual: pouco mais de 46 mil habitantes estão nessa faixa

A partir de dados do Censo, governo chega ao diagnóstico de que 8,5% da população brasileira está no grupo que a presidente Dilma promete tirar das condições de extrema pobreza em quatro anos


A extrema pobreza atinge 16.267.197 habitantes no Brasil, ou 8,5% da população. São pessoas que sobrevivem com renda per capita familiar mensal de até R$ 70 — ou sem renda alguma e que não têm acesso a banheiro exclusivo, energia elétrica ou ligação com rede de esgoto. É para esse grupo — identificado a partir de dados do Censo Demográfico de 2010 — que o governo pretende anunciar nas próximas semanas o Plano Brasil sem Miséria, na tentativa de cumprir a principal promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff.
Silvana Ramos de Sousa, 29 anos, é potencial beneficiária das ações. Ela vive em um barraco na área de transição do Varjão. Não pode construir na área da casa provisória e as crianças brincam no chão batido na frente da habitação improvisada. Uma gravidez de seis meses dificulta a possibilidade de que conquiste um emprego. O sustento vem de R$ 130 mensais do Bolsa Família. Com o dinheiro, compra arroz, feijão, óleo e macarrão para as filhas Maria Eduarda de Sousa, de 5 anos, e Bhrenda Cristiny de Sousa, de 11.
“Quem me sustenta é Deus. Sou pobre mesmo, mas me sinto humilhada em pedir cesta básica, em dar este depoimento. Minha gravidez foi um susto. Depois disso não consegui mais nada. Mas não me sinto bem em receber do governo. Quero estudar, trabalhar”, diz Silvana, que já trabalhou de vendedora, recepcionista, auxiliar de odontologia e sempre recebeu salário mínimo.
A situação da dona de casa não é pontual. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, lembra que a extrema pobreza atinge quase 1 brasileiro em cada 10: “Não estamos falando de um contingente residual. Essas pessoas vivem com renda tão baixa que não conseguem suprir necessidades mínimas”. Para Pochmann, essa “é uma das piores mazelas que acumulamos ao longo da nossa história”.
Prioridade
No papel, o Plano Brasil sem Miséria, em gestação no Ministério de Desenvolvimento Social, tem como meta erradicar em quatro anos essa faixa de extrema pobreza. Para isso, vai priorizar três eixos de ação: transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva. De acordo com o IBGE, os 16,27 milhões de brasileiros extremamente pobres vivem em 7% dos domicílios do país. Os dados apontam que 46,7% dos integrantes dessa faixa de renda moram na zona rural e que as regiões Nordeste e Norte concentram os maiores índices da população em situação de miséria: 18,1% e 16,8%, respectivamente.
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que o plano pode expandir a quantidade de pessoas com acesso ao Bolsa Família. “Hoje, o projeto atinge cerca de 85% das pessoas que constituem o público-alvo, mas vamos buscar quem poderia estar recebendo e não recebe”. Ainda segundo a ministra, a maioria das pessoas recebem o benefício para complementar a renda — e 56% dos que recebem não constituem parte da população economicamente ativa.
DF tem menor percentual
Dos 16,27 milhões de brasileiros extremamente pobres, 46.588 estão em 12.516 domicílios do DF. O contingente dessa faixa de renda na capital é o menor do país em análise proporcional: 1,8% da população. O maior problema é encontrado na Bahia, que conta com 2,4 milhões de pessoas que vivem em famílias com renda de até R$ 70 per capita mensal, ou 17,1% dos habitantes. A média nacional é de 8,5%.

Desigualdade em queda» Gustavo Henrique Braga

A primeira década dos anos 2000 apresentou a maior queda histórica na desigualdade de renda do Brasil. Dados da Fundação Getulio Vargas mostram que, entre 2001 e 2010, o rendimento médio da população enquadrada entre os 50% mais pobres do país cresceu 67,93%, enquanto a dos 10% mais ricos aumentou 10%. Apesar do avanço, o abismo entre os extremos da pirâmide ainda preocupa. O índice de Gini brasileiro — parâmetro internacional usado para medir a desigualdade, onde quanto mais próximo de 1, maior é a distância entre ricos e pobres — é de 0,53. Se mantiver o ritmo de evolução atual, o Brasil demorará 30 anos para chegar a um nível equivalente ao dos Estados Unidos hoje, que é de 0,42.
Na comparação por gênero a desigualdade também caiu. A renda das mulheres cresceu 38% na década, contra 16% dos homens. Os negros tiveram ganho de 43,1% e os pardos de 48,5% no mesmo período, contra 20,1% dos brancos. “Os anos 1970 ficaram marcados pelo milagre econômico; os 1980, pela democratização; os 1990, pela estabilidade; e os anos 2000, pela queda na desigualdade”, comparou o economista da FGV e coordenador do estudo, Marcelo Neri. O salto mais impressionante ocorreu em 2010. De janeiro a dezembro do ano passado, a proporção de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza — com renda inferior a R$ 145 por mês — caiu 16%.
Recorde nos repasses» Leandro Kleber

Nunca antes na história do Bolsa Família o governo investiu tanto no programa. Os gastos com o projeto no início do governo Dilma são os maiores desde o lançamento do incentivo, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. São R$ 5 bilhões entre janeiro e abril (veja quadro). Criado nos últimos dias de 2003, o Bolsa Família beneficiava inicialmente 3,6 milhões famílias. Hoje, tornou-se o carro chefe das políticas sociais do governo e contempla 12,8 milhões de famílias, pouco mais de 50 milhões de brasileiros. O valor pago varia de R$ 32 a R$ 242, de acordo com a renda familiar por pessoa, a idade e o número de filhos.
Para receber o benefício, as famílias devem assumir compromissos. Na saúde, precisam acompanhar o cartão de vacinação de crianças menores de 7 anos. As gestantes precisam fazer o pré-natal e acompanhar a saúde do bebê. Na educação, todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem estar regularmente matriculados e com frequência escolar mensal de 85% da carga horária.
Comparativo do Bolsa Família
Ano         Gastos –         Famílias            Repasse médio
            janeiro a abril   beneficiadas      por família
2004    R$ 1,8 bilhão      3,6 milhões      R$ 66,93
2005    R$ 2 bilhões       6,6 milhões      R$ 63,14
2006    R$ 2,2 bilhões    8,7 milhões      R$ 62,62
2007    R$ 2,9 bilhões    11 milhões       R$ 75,26
2008    R$ 3,4 bilhões    11 milhões       R$ 85,80
2009    R$ 3,8 bilhões    10,6 milhões    R$ 85,01
2010    R$ 4,7 bilhões    12,3 milhões    R$ 96
2011    R$ 5 bilhões       12,8 milhões    R$ 115

Miseráveis somam 16,2 milhões no país

O tamanho da miséria extrema
Autor(es): AGENCIA O GLOBO:Demétrio Weber
O Globo - 04/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/4/miseraveis-somam-16-2-milhoes-no-pais
Governo define linha e chega a 16,2 milhões de pessoas, mais do que previa a Pnad

Ao anunciar ontem a linha de pobreza extrema que adotará como critério para delimitar o universo de miseráveis no Brasil - renda familiar de R$70 mensais por pessoa -, o Ministério do Desenvolvimento Social divulgou um dado surpreendente: o número de brasileiros miseráveis chega a 16,2 milhões, de acordo com a versão preliminar do censo do IBGE, de 2010. Nada menos do que 8,5% da população. A surpresa está no fato de que, em 2009, o número estimado era bem menor, na faixa de 10 milhões de pessoas ou cerca de 5% da população, conforme a Pnad, do próprio IBGE.

Se os dados preliminares do Censo estiverem corretos, a promessa da presidente Dilma Rousseff de erradicar a pobreza extrema em quatro anos será uma tarefa mais difícil que o previsto. O Censo aumenta os miseráveis em 60%, sugerindo ainda que o número de extremamente pobres aumentou em 2010, último ano do governo Lula.

A definição de uma linha oficial de pobreza extrema faz parte do Plano Brasil sem Miséria, que será lançado por Dilma nas próximas semanas. O objetivo é deixar claro o tamanho do público-alvo do plano de erradicação e permitir a fixação de metas. O governo não disse ontem como pretende agir para combater a miséria. Apesar de Dilma já ter admitido que será muito difícil cumprir a promessa de eliminar a pobreza extrema, a ministra Tereza Campello disse ontem que a miséria será debelada até 2014:

- De fato, será possível erradicar a extrema pobreza no mandato da presidente Dilma.

A secretária extraordinária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca, no entanto, enfatizou que isso não significará zerar o número de extremamente pobres. Ela argumentou que isso não ocorre em nenhuma área, citando o exemplo da estatística de pleno emprego no Brasil, onde é tolerável o índice de até 6% de desempregados. Raciocínio semelhante vale para a universalização do ensino na faixa de 6 a 14 anos, considerada uma conquista da sociedade brasileira, apesar de 2% das crianças estarem fora da escola.

- Vamos tirar (o povo da miséria) não só com a ampliação da renda, mas com acesso a serviços públicos - disse Ana. O governo ainda não definiu o percentual de pobreza extrema que será considerado aceitável.

Mais pobres nas áreas urbanas

O Nordeste concentra a maioria dos miseráveis: 9,6 milhões, o equivalente a 18,1% dos nordestinos. Embora só 15,6% da população vivam no campo, quase metade dos miseráveis é de áreas rurais: 46,7%. A Bahia tem mais pobres extremos - 2,4 milhões -, seguida por Maranhão, com 1,6 milhão. O Rio, em 12º lugar, tem 586,5 mil. Os extremamente miseráveis estão mais concentrados nas áreas urbanas que nas rurais.

Em nota, o ministério diz que não se pode comparar Censo com Pnad. "A Pnad é uma pesquisa por amostragem, realizada em 820 municípios (quase 1/7 do total). O Censo é realizado em 100% dos domicílios brasileiros. Os formulários do Censo e da Pnad também são diferentes. Logo, produzem dados distintos", diz o texto. Os dados preliminares do Censo indicam queda da pobreza na década. Em 2000, 41,3% dos lares tinham renda por pessoa até meio salário mínimo. Esse índice caiu para 32%, em 2010.

A linha de pobreza extrema valerá apenas para o plano de erradicação. Assim, não haverá mudança de critérios nos programas do governo. A escolha do teto de R$70 mensais por pessoa seguiu o parâmetro do Bolsa Família. Hoje, quem está nessa faixa de renda é classificado como extremamente pobre e recebe o benefício básico. O valor de R$70 é próximo também da linha de miséria adotada pelo Banco Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de US$1,25 por dia.

Porcentual de pobres cai mais de 50%

Índice de pobreza no Brasil cai 50% em oito anos
Autor(es): Mônica Ciarelli
O Estado de S. Paulo - 04/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/4/porcentual-de-pobres-cai-mais-de-50
Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica ainda que em 2010 o País atingiu menor nível de desigualdade de renda desde 1960

RIO - A pobreza no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da presidência da República. O dado consta da pesquisa divulgada nesta terça-feira, 3, pelo professor do Centro de Politica Social da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri. O critério da FGV para definir pobreza é uma renda per capita abaixo de R$ 151. A desigualdade dos brasileiros, segundo ele, atingiu o "piso histórico" desde que começou a ser calculada na década de 60.

Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31,9%. "Acho que essa década (anos 2000) pode ser chamada de década da redução da desigualdade; assim como os anos 90 foram chamados de década da estabilização", afirmou Neri.

O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No mesmo período, a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%.

Desigualdade. A desigualdade de renda dos brasileiros caiu nos anos 2000 para o menor patamar desde que começou a ser calculada, mas ainda está abaixo do padrão dos países desenvolvidos, segundo Neri. Ele tomou como base para o estudo o índice de Gini, que começou a ser calculado nos anos 60. Com esse resultado, o País recuperou todo o crescimento da desigualdade registrado nas décadas de 60 a 80.
O índice Gini brasileiro está em 0,5304, acima do taxa de 0,42 dos Estados Unidos. Quanto mais próximo do número 1, maior a desigualdade. "Acredito que ainda vai demorar mais uns 30 anos para que possamos chegar aos níveis dos EUA", estimou Neri.

Para o professor da FGV, o aumento da escolaridade e o crescimento dos programas sociais do governo foram os principais responsáveis pela queda da diferença de renda dos brasileiros mais ricos e mais pobres entre 2001 e 2009. "Isso mostra que a China não é aqui", afirmou. E completou: "O grande personagem dessa revolução é o aumento da escolaridade. Mas, ainda temos a mesma escolaridade do Zimbábue", mostrando que há um longo caminho a ser percorrido.
Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica ainda que em 2010 o País atingiu menor nível de desigualdade de renda desde 1960.

DILMA QUER TIRAR 16 MILHÕES DA MISÉRIA

PLANO DE DILMA PARA ERRADICAR POBREZA TEM 16 MILHÕES DE BRASILEIROS COMO ALVO
Autor(es): Marta Salomon,
O Estado de S. Paulo - 04/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/4/dilma-quer-tirar-16-milhoes-da-miseria
Antes de anunciar ações do ‘Brasil sem Miséria’, principal promessa de campanha, governo define que vai beneficiar os 8,5% da população que têm renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família

BRASÍLIA - Entre as diferentes formas de contabilizar a extrema pobreza no País, o governo federal optou por definir como alvo do plano "Brasil sem Miséria", a ser detalhado nas próximas semanas, os que têm renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família. Nessa condição, contam-se atualmente 16,3 milhões de brasileiros, ou 8,5% da população, segundo cálculos preliminares feitos com base no recém-lançado censo de 2010.
Uma das principais promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff foi erradicar a pobreza extrema ao longo dos quatro anos de mandato. Parte dos brasileiros beneficiados com o plano de erradicação da miséria já está incluída no Bolsa Família. O governo federal, no entanto, não divulgou qual o volume populacional que receberá os dois benefícios. Esse dado só deverá ser divulgado em outubro.
Sobre a meta, a secretária extraordinária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca, disse: "Sim, nós faremos sim, nós vamos tirar as pessoas da extrema pobreza". Ao seu lado, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, chamou a atenção para um detalhe técnico: "É uma impossibilidade estatística chegarmos a um valor zero de miseráveis no País".
Água, luz, esgoto. A extrema pobreza não se limita à insuficiência de renda. Perfil apresentado pelo presidente do IBGE mostra que os miseráveis brasileiros têm menos acesso à energia elétrica, ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e a banheiro em suas casas, que representam 7% dos domicílios.
Os miseráveis ocupam pouco mais de 4 milhões de domicílios no País. A extrema pobreza está mais concentrada nas cidades (53,3%)do que no campo (46,7%). Entre as regiões do País, a incidência da pobreza extrema é maior no Nordeste. Moram ali 9,6 milhões (59%) dos miseráveis. A região Sudeste é a segunda em volume de pessoas em extrema pobreza (17%).
Analfabetos. Os dados mais contundentes dizem respeito ao nível de analfabetismo. O índice de analfabetismo absoluto, daqueles com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever um bilhete simples, é de 9,6%. Entre os extremamente pobres, o índice chega a 22% nas cidades e a 30,3% nas zonas rurais.
O analfabetismo atinge também os jovens nessa faixa de renda. Nas cidades, 5,2% dos jovens entre 15 e 17 anos são analfabetos. Na zona rural, o problema atinge 7,2% dos jovens nessa faixa etária.
A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), responsável pela coordenação do plano "Brasil sem Miséria", disse que, com as medidas a serem anunciadas pessoalmente por Dilma Rousseff ainda em maio, será possível erradicar a pobreza extrema não apenas na dimensão da renda. "É um plano ambicioso e com ações complexas."
O plano inclui expansão dos serviços públicos e inclusão produtiva, além da busca aos mais excluídos. "Não estamos falando de um contingente residual da população, mas de quase um entre dez brasileiros", comentou Márcio Pochman, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A renda máxima usada para definir a extrema pobreza coincide com o valor usado para o acesso ao Bolsa Família, que paga entre R$ 32 e R$ 242 ao mês. O governo reajustará anualmente o valor da linha da extrema pobreza.

Em 2010, crescimento da renda reduz pobreza em 16%

Autor(es): Juliana Ennes | Do Rio
Valor Econômico - 04/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/4/em-2010-crescimento-da-renda-reduz-pobreza-em-16
 
 
A pobreza no Brasil caiu com maior intensidade durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva do que no de Fernando Henrique Cardoso. Desde o começo do Plano Real, a pobreza caiu 31,9% durante a Era FHC. Já no período em que o ex-presidente Lula esteve à frente do país - oito anos encerrados em dezembro de 2010 -, houve queda de 50,64%. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a partir de resultados obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre dezembro de 2009 e dezembro de 2010, o avanço na redução da pobreza no país foi de 16,3%, duas vezes o registrado no período entre 2002 e 2008, quando a queda foi de 8,2%. Ou seja, no acumulado desde o lançamento do Plano Real, que trouxe estabilidade econômica ao país, até o fim do ano passado, houve queda de 67,3% da pobreza. "Certamente não é uma década espetacular em termos de crescimento da renda do brasileiro, mas, ainda assim, houve redução da desigualdade", afirmou.
No ano de 2010, a renda média do brasileiro cresceu 2 pontos percentuais acima do PIB, ao avançar 9,6%, enquanto a alta do PIB foi de 7,5% no período. "Em termos de renda do brasileiro, foi um ano excepcional, de crescimento chinês", disse Neri. "Acho ousada a meta de erradicação de pobreza em cinco anos, mas já se cumpriu uma parte importante do caminho de reduzir em 50% a pobreza entre 1990 e 2015", acrescentou.
Como resultado da queda da pobreza, a desigualdade de renda atingiu no ano passado o menor nível histórico desde que começaram a ser realizados levantamentos de renda no Brasil, na década de 1960. De acordo com a compilação de dados de Neri, somente agora o país volta ao mesmo patamar registrado há 50 anos. A medição é realizada pelo índice de Gini, que varia de zero a um, em que a desigualdade é maior quando se chega mais perto de um. Em 2010, o índice ficou em 0,5304. Esse resultado foi considerado conservador pelo próprio autor da pesquisa, já que utiliza dados apenas de regiões metropolitanas, em um período em que as áreas rurais têm registrado avanço significativo.
A taxa acumulada de crescimento da renda na década passada foi de 10,03% para os 10% mais ricos, e de 67,93% para os 50% mais pobres. A taxa de crescimento dos 50% mais pobres foi 577% mais alta do que a dos 10% mais ricos.
A renda dos mais pobres cresceu mais do que a dos mais ricos devido a um efeito educação, explicou o pesquisador da FGV. Entre os 20% mais pobres, os anos de estudos cresceram 55,59%, com um avanço da renda de 49,52%. Já entre os 20% mais ricos, a escolaridade cresceu 8,12%, com aumento de 8,88% da renda.

Plano antimiséria quer atingir 16 milhões

Autor(es): Paulo de Tarso Lyra | De Brasília
Valor Econômico - 04/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/4/plano-antimiseria-quer-atingir-16-milhoes
 
O governo definiu ontem que famílias com renda per capita mensal de até R$ 70 estão na faixa considerada como pobreza extrema e compõem o público-alvo do plano de combate à miséria absoluta, a ser anunciado ainda neste mês. De acordo com a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, esse valor é condizente com o parâmetro adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) dentro dos objetivos do milênio.
Segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,27 milhões de brasileiros encontram-se nessa faixa de renda, representando 8,5% da população brasileira total.
O censo do IBGE mostrou a concentração da pobreza extrema no Nordeste, nas zonas rurais e entre as pessoas de pele mais escura. Dados oficiais apontam que quase 60% dos mais pobres estão no Nordeste (9,6 milhões de pessoas) e 70,8% deles são pardos ou pretos, de acordo com o Censo 2010. O censo levantou que a população rural brasileira é de 29,83 milhões de pessoas. Nesse grupo, um a cada quatro é considerado extremamente pobre. Além disso, dentre os mais pobres, 50,9% têm até 19 anos de idade.
A secretária extraordinária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca, afirmou que o governo cumprirá a meta, estabelecida pela presidente Dilma Rousseff, de erradicar a miséria extrema até 2014. Mas relativizou o desafio, ao afirmar que erradicar a miséria extrema não significa, necessariamente, terminar com a pobreza absoluta no país. Ela lembrou outros indicadores sociais adotados mundialmente, como o pleno emprego e o combate à mortalidade infantil.
"Pleno emprego não significa desemprego zero. Nos Estados Unidos, isso significa 4% de desemprego e no Brasil, 6%. Assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao tratar de mortalidade infantil, trabalha com número de cinco a cada mil habitantes", afirmou.
De acordo com Ana, "nós assumimos esse compromisso extraordinário de erradicar a miséria absoluta e nós vamos cumpri-lo". A ministra Tereza Campello foi cautelosa para não antecipar as medidas que farão parte do Plano de Erradicação da Miséria. Mas reforçou que ele terá três eixos de atuação: ampliação e qualificação dos programas de transferência de renda, garantia de acesso da população aos serviços públicos e inclusão produtiva. "É um plano ousado, com ações complexas, e não terá uma ação única para todo o país, porque os problemas são difíceis e variam de acordo com as diversas regiões brasileiras", disse.
Tereza Campello lembrou que o governo anterior e o atual têm como objetivo mostrar que não há como crescer sem promover políticas de inclusão social, assim como é impossível desenvolvimento econômico devastando o ambiente. A ministro do Desenvolvimento Social defendeu os programas de transferência de renda adotados pelo governo Lula, afirmando que as famílias com renda per capita acima de R$ 70 mensais continuarão sendo beneficiárias deles. "A prova de que estamos preocupados com essas pessoas é que promovemos um reajuste do Bolsa Família", disse a ministra.
Tereza rebateu as críticas de que o Bolsa Família cria acomodação e que os cadastrados optam por receber o benefício a procurar emprego. "Quase 56% dos beneficiários do Bolsa Família não trabalham não por acomodação, mas por estarem em uma faixa etária fora da população economicamente ativa."
O governo deve reajustar esse valor de R$ 70 até 2014, mas o índice ainda não está definido - será anunciado junto com as linhas gerais do plano de erradicação da miséria. Segundo Ana Fonseca, no entanto, os parâmetros adotados terão como base o Plano Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD). "A PNAD vem sendo utilizada como parâmetro ao longo da última década e continuará servindo de balizador pela próxima", disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

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