quarta-feira, 18 de maio de 2011

Contração no BNDES

Autor(es): Victor Martins
Correio Braziliense - 17/05/2011

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 24,9 bilhões de janeiro a março, num recuo de 2% na comparação com igual período do ano passado. Essa foi a primeira contração desde 2006. Em 12 meses, os empréstimos somaram R$ 143,1 bilhões, numa queda anual de 1%. O montante exclui a operação de capitalização da Petrobras, de setembro do ano passado. Para analistas, a desaceleração deve ser passageira. Porém, na avaliação do banco, o recuo “reflete o objetivo do governo de abrir espaços para uma maior participação do mercado privado no financiamento de longo prazo no país”.

Na sede da instituição, no Rio de Janeiro, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que o banco está moderando o ritmo de desembolsos para reduzir a expansão do crédito e colaborar no combate da inflação. “O ritmo de crescimento dos investimentos estava forte demais, fechou 2010 crescendo quase 21,5%. Agora, o objetivo é o crescimento relevante, mas moderado, e acima da expansão do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas geradas no país)”, disse Coutinho. Ele calcula que o ideal para o país é um PIB de 4% em 2011 e uma taxa de investimento de 11%.

Para Tatiana Pinheiro, economista do Santander, “a questão é saber se essa desaceleração é suficiente para a necessidade de redução de inflação que temos hoje”. O recuo também está de acordo com uma menor procura por crédito pelas empresas. Segundo a Serasa Experian, houve uma queda de 5,1% na comparação entre março e abril. Frente a igual período do ano passado, o tombo foi de 5,3%. “As sucessivas elevações da taxa básica de juros, resultando no encarecimento do custo do crédito, e as perspectivas de desaceleração do ritmo de crescimento econômico estão levando as empresas a ajustar suas demandas por crédito”, afirmou a instituição em nota.

Crédito do BNDES recua 2% no trimestre

Autor(es): Daniela Amorim e Sabrina Valle
O Estado de S. Paulo - 17/05/2011
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/17/credito-do-bndes-recua-2-no-trimestre
 
Na primeira queda desde 2006, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou ontem um desembolso total de R$ 24,898 bilhões entre janeiro e março de 2011, recuo de 2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O presidente da instituição, Luciano Coutinho, afirmou que o banco está cumprindo seu papel de arrefecer o ritmo de desembolsos para moderar a expansão do crédito neste ano. Segundo ele, os investimentos reduziram o ritmo de crescimento, depois de um forte ano de expansão em 2010.
Para ele, este é um momento de inflexão de expectativas para a inflação, em que é preciso segurar o ritmo de crescimento para colocar a inflação na meta do governo, cujo teto é de 6,5%. Coutinho afirmou ainda que a expectativa do banco é alcançar uma taxa de investimentos de, no mínimo, duas vezes a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "O ritmo de crescimento dos investimentos estava forte demais, fechou o ano (2010) crescendo quase 21,5%. Agora, o objetivo é o crescimento relevante, mas moderado, e acima do crescimento do PIB.".
Coutinho acredita que o ideal para o País é um PIB de 4% em 2011, seguido de taxa de investimentos de 11%. "Este é um perfil de crescimento sustentável e compatível com o controle da inflação e estabilidade no médio prazo. Compatível também com a estabilidade dos desembolsos do banco neste ano. Para o ano que vem, ainda é um pouco cedo para dizer."
Segundo ele, houve uma mudança da política operacional do banco, com redução dos níveis de cobertura. "Nós estamos entregando aquilo com que nós nos comprometemos. O ritmo dos investimentos, que estava crescendo a 20%, agora está crescendo a 10%, 11%."
Petrobrás. Os desembolsos do BNDES somaram R$ 143,1 bilhões nos 12 meses encerrados em março, uma queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O montante exclui a operação de capitalização da Petrobrás, de setembro do ano passado. Segundo o BNDES, o resultado reflete o objetivo do governo de abrir espaço para maior participação do mercado privado de capitais no financiamento de longo prazo do País.
Em março, os desembolsos alcançaram R$ 7,7 bilhões, queda de 18% em relação a março de 2010. As consultas recuaram 26% em março, para R$ 15,2 bilhões, o que o BNDES atribuiu à alta base de comparação.
As aprovações cresceram 23% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período do ano passado, para um total de R$ 36,2 bilhões. No acumulado dos 12 meses até março, cresceram 16%, para R$ 207,4 bilhões, tendo a indústria como destaque. O banco acrescenta que o número de aprovações e de enquadramentos no trimestre mostra que as perspectivas de investimento continuam favoráveis.
Os enquadramentos tiveram expansão de 13% no trimestre, acumulando R$ 37,1 bilhões, e alta de 41% em 12 meses, acumulando R$ 235,4 bilhões. As consultas a novos financiamentos cresceram 17%, para R$ 249 bilhões, nos últimos 12 meses. Os setores de alimentos e bebidas lideraram a análise setorial, com alta de 103% nas aprovações.
Para micro, pequenas e médias empresas, além de pessoas físicas, as liberações do banco permaneceram em alta nos três primeiros meses do ano, com R$ 11,2 bilhões em financiamentos e crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2010.
Menos dinheiro
R$ 24,8 bi
foi o desembolso total do BNDES entre janeiro e março deste ano
2%
menos do que o feito no mesmo período do ano anterior
R$ 143,1 bi
foi desembolsado no período de 12 meses encerrado em março; queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado
R$ 7,7 bi
foram desembolsados em março
18%
menos em relação a março de 2010

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