| Autor(es): Assis Moreira | De Genebra |
| Valor Econômico - 17/05/2011 |
O consumidor no Brasil continua pagando uma das faturas mais caras do mundo pelo uso de telefone celular, mas o preço para utilizar internet diminuiu mais do que na média mundial nos últimos dois anos. Dados preliminares da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostram que entre 2008 e 2010 o preço de serviço de celular no Brasil declinou apenas 7% comparado a 22% globalmente, medido por sua cesta de preços ("ITU ICT Price Basket"). No mesmo período, o custo dos serviços de acesso à internet em banda larga declinou 64%, comparado a 52% na média global. A UIT publicará em setembro detalhes de sua cesta de preços, que compara os custos de telefone fixo, celular e internet por banda larga com a renda per capita, para mostrar como esses serviços são disponíveis nos países. No ano passado, a entidade havia mostrado que o brasileiro pagava a fatura mais cara do mundo pelo uso do celular quando o custo era medido pelo índice de Paridade de Poder de Compra (PPP), apesar de estar gastando menos de sua renda com esse serviço. O preço da tarifa do celular no país, naquela ocasião, tinha caído 25%; da banda larga, 52%; e da telefonia fixa, 63%, levando em conta a renda per capita, que subiu. Recentemente, a indústria europeia de telecomunicações reclamou do peso da carga tributária e da complexidade fiscal no Brasil, o que acaba se refletindo na conta paga pelo consumidor. Fabricantes europeus também se queixam do aumento do uso de celulares falsificados no país, que causariam fortes prejuízos à indústria. O secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, antecipou ontem que globalmente os preços caíram 18%, em média, para os servicos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) em 2008-2010, em boa parte graças à maior concorrência nos países em desenvolvimento. Enquanto os preços relativos para serviços de celular caíram quase 22% entre 2008-2010, os custos de telefonia fixa declinaram 7% em média. No mesmo período, o número de usuários de celular globalmente aumentou de 4 bilhões para 5,3 bilhões. O acesso a redes de celular é agora disponível para mais de 90% da população mundial. Apesar da queda acelerada de preços, a divisão do acesso digital entre ricos e pobres continua forte. Os consumidores nos países desenvolvidos pagam barato para ter acesso á internet rápida e celular, enquanto no mundo pobre o custo é extremamente elevado. Em alguns paises desenvolvidos, o usuário gasta apenas 1% de sua renda mensal para os servicos de TIC, enquanto em países pobres o consumidor gasta mais de 50% de sua renda para o mesmo acesso. Segundo Touré, a indústria de telecomunicações não sofreu com a crise financeira global e seus lucros continuam elevados. |
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Para UIT, celular ainda é caro no Brasil
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