quarta-feira, 18 de maio de 2011

Preferidos do povo em conta

Autor(es): Jorge Freitas
Correio Braziliense - 17/05/2011
 

Segundo dados do IBGE, arroz e feijão estão mais baratos. O primeiro caiu 10,85% em 12 meses. O segundo recuou menos: 2,57%
 
Os preços do arroz e do feijão, dois dos principais alimentos consumidos pelos brasileiros, estão em queda, ajudando a amenizar a carestia que chegou à mesa de todas as famílias. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o recuo no valor de venda do arroz em 12 meses, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 10,85%. O feijão ficou 2,57% mais barato. Mesmo com a diminuição no peso dos itens campeões no prato dos trabalhadores, o grupo alimentação subiu 7,61% no período.

Com a entrada da terceira safra (irrigada) e a perspectiva de plantio no Mato Grosso de feijão de corda destinado ao Nordeste, os preços deverão cair ainda mais para o produtor e para o consumidor. Existem estimativas de que haverá excesso de oferta do produto nos próximos meses, obrigando o governo a fazer estoques para proteger o produtor. Também será necessário restringir as compras externas de feijão.

Fast food
Ao lado do aumento da oferta, a população vem reduzindo as compras de feijão e de arroz para se alimentar com produtos da indústria de fast food, trocando proteína vegetal por animal, observou João Figueiredo Ruas, analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citando estudos realizados pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) e da Universidade de Brasília (UnB). Os dois movimentos forçam os preços para baixo.

“Muita gente está abandonando o feijão para comer fast food achando que feijão é comida de pobre”, disse Ruas. De acordo com a Conab, órgão do Ministério da Agricultura, os preços que os produtores receberam pelo arroz caíram 0,26% na semana de 2 a 6 de maio, com a saca de 50 quilos passando de R$ 18,68 para R$ 18,63. Os produtores estão recebendo, portanto, menos que o valor mínimo, fixado pela política agrícola brasileira em R$ 25,80 em Pelotas (RS) e em R$ 28,23 em Sorriso (MT).

Na avaliação de especialistas da Conab, as promoções dos supermercados podem ser atribuídas mais a uma ação de marketing do que a uma real queda nas margens de lucro do atacado e do varejo. Para o feijão, as importações da Argentina e da China, a preços equivalentes a R$ 80, criam dificuldades adicionais para os produtores. Ontem, no mercado atacadista de São Paulo, os preços do feijão carioca foram cotados a R$ 107,50 a saca de 60 kg, enquanto o feijão especial saiu por R$ 92,50.

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