quinta-feira, 28 de abril de 2011

Fundos de pensão e Estado do AM ajudam a Gradiente

Autor(es): Daniele Madureira | De São Paulo
Valor Econômico - 27/04/2011
 
A última etapa do programa de reestruturação da Gradiente para "ressuscitar" a marca de eletroeletrônicos, que há três anos está fora do mercado, foi anunciada ontem. A nova empresa, chamada de Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), terá 60% do controle nas mãos do FIP Enseada, fundo de investimento formado majoritariamente por fundos de pensão de estatais e uma agência do governo. Os novos sócios vão injetar R$ 68 milhões na CBTD, por meio da emissão de capital de debêntures "participativas", conversíveis em ações. O valor será usado como capital de giro para trazer a Gradiente de volta ao mercado no último trimestre deste ano.
Os fundos de previdência privada Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal, são sócios da FIP, assim como a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). A única sócia da iniciativa privada é a Jabil, multinacional americana de "subconjuntos" (produtos semiacabados) para a indústria eletroeletrônica. Cada um dos sócios aplicou R$ 17 milhões e detém 25% da FIP.
"A principal motivação [para a entrada de Petros e Funcef] foi manter a marca viva, tem um viés nacionalista", diz Eugênio Staub, que ocupava a presidência da Gradiente e agora vai estar à frente do conselho de administração da CBTD. Já a entrada da Afeam deve-se ao fato de que a marca "tem muita história em Manaus", diz ele. "Nós devemos muito à Zona Franca, mas a Zona Franca deve muito à gente", afirma Staub. "Sempre fomos uma empresa idônea e meio símbolo da Zona Franca, há uma questão emocional envolvida".
Segundo Staub, a própria Afeam tinha dúvidas se poderia fazer o investimento em uma empresa privada e perguntou ao Banco Central. A primeira resposta que obteve foi negativa, mas a agência pediu para o BC reconsiderar a decisão e o investimento acabou aceito, seis meses depois.
Os demais 40% da CBTD pertencem à HAG (Holding dos Acionistas da Gradiente), na qual a família Staub têm 55% das ações e os demais 45% estão com minoritários. O passivo da fabricante, que soma R$ 515,6 milhões, ficará com a IGB Eletrônica, nova razão social da Gradiente. A mudança de nome foi necessária para que a marca fosse arrendada à CBTD, que também vai arrendar uma das três fábricas que a Gradiente tem em Manaus. As outras duas já estão arrendadas para quatro multinacionais.
Do total da dívida, R$ 395 milhões são de bancos e fornecedores. Outros R$ 85 milhões compõem o passivo fiscal renegociado dentro do programa Refis. "No restante [R$ 35 milhões], estão outras dívidas fiscais, credores que ficaram de fora da recuperação extrajudicial e dívidas trabalhistas", diz Eugênio Staub Filho. Os débitos com bancos e fornecedores começarão a ser pagos em 1º de julho de 2013, em 28 parcelas trimestrais.
Staub Filho, que integrava a diretoria da Gradiente, vai ocupar uma das cinco cadeiras do conselho, presidido pelo pai. Outros dois membros virão da FIP. A quinta cadeira será ocupada por um membro independente, escolhido pela FIP e aprovado pelos Staub.
Essa nova estrutura, no entanto, só deve começar a valer dentro de um mês. "Estamos selecionando no mercado um diretor-presidente e outros três executivos, para as áreas de finanças, operações e marketing e vendas", diz Staub Filho que, interinamente, ocupa a presidência da CBTD, ao lado de Geraldo Nogueira, ex-Philips.
Quanto à nova fase da Gradiente, será lançado um portfólio reduzido de áudio, vídeo, informática e telecomunicações, que pode incluir celulares e tablets para a "classe média", diz Staub. "Mas tudo depende da aprovação do conselho", diz ele, que já consegue projetar faturamento de R$ 380 milhões para a CBTD em 2012, ano em que também espera obter lucro. "Só não posso dizer de quanto".

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