sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BP e Cerradinho acertam acordo

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/19/bp-e-cerradinho-acertam-acordo
Autor(es): Fabiana Batista
Valor Econômico - 19/11/2010


O grupo sucroalcooleiro Cerradinho e a BP (ex-British Petroleum) devem assinar na primeira quinzena de dezembro o acordo no qual a petroleira ficará com 50% de participação nas três usinas do grupo paulista. A data inicialmente marcada para a assinatura é 10 de dezembro, e o acordo deve prever gestão compartilhada dos ativos da Cerradinho, novo alongamento de dívidas e investimentos em cogeração de energia.
Procuradas, as duas empresas não comentaram o assunto. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o conselho de administração da Cerradinho terá cinco cadeiras. Duas serão ocupadas por representantes do grupo paulista e as outras duas, por integrantes da petroleira. O quinto assento será destinado a um membro independente.

Com mais essa aquisição, a companhia inglesa passará a ter no Brasil participação em ativos de açúcar e álcool com capacidade total de processamento de 12 milhões a 13 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O número considera os 9 milhões a 10 milhões de toneladas totais do grupo Cerradinho e os 2,5 milhões de toneladas da Tropical Bioenergia (Edéia-GO), primeira usina adquirida pela da BP no país, em 2008, e que tem como sócias a francesa Louis Dreyfus e o Grupo Maeda, hoje controlado pelo fundo Arion Capital.
A petroleira reforça também sua atuação global em biocombustíveis que, desde 2006, demandou da companhia investimentos de US$ 1,5 bilhão.
Para levar metade das três usinas da Cerradinho, a BP deve pagar um valor próximo de R$ 100 por tonelada de capacidade de moagem instalada. Dado o tamanho das usinas, isso deve significar, segundo fontes, cerca de R$ 800 milhões. A negociação também inclui a assunção de dívidas, que em 30 de abril de 2010 eram de R$ 1,27 bilhão, dos quais R$ 240,9 milhões no curto prazo, segundo balanço divulgado neste ano pela empresa.
Essa composição do endividamento já é resultado de uma renegociação dos débitos de curto prazo, feita em 2009 com 11 bancos privados, mas que já começariam a vencer em abril de 2011. No entanto, com a entrada da BP, a Cerradinho conseguiu outro alongamento dos seus débitos com carência de mais dois anos, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
Parte do aporte da petroleira será usado para realizar alguns ajustes finais no projeto do "greenfield" em Goiás, que começou a operar nesta safra. Os recursos também serão aplicados para ampliar a capacidade de cogeração de energia com bagaço de cana em Goiás e em Catanduva (SP). Segundo o balanço da companhia referente ao exercício findo em 30 de abril deste ano, a capacidade de cogeração do grupo é de 185 MegaWatts nas suas três usinas.
Na temporada 2009/10, terminada em 30 de abril, a Cerradinho obteve lucro de R$ 23,7 milhões, ante prejuízo de R$ 207 milhões da temporada anterior.
Desde 2006, quando a Cerradinho iniciou um forte ciclo de investimentos - até então a empresa tinha apenas uma usina -, foram aplicados R$ 1,57 bilhão. Além da ampliação da sua primeira usina, a Catanduva, e da construção da Potirendaba, ambas em São Paulo, o grupo implantou seu primeiro "greenfield" fora de São Paulo: uma usina de álcool em Chapadão do Sul (GO) e um terminal ferroviário de etanol, que começou a operar neste ano.
A princípio, o acordo da petroleira com a Cerradinho não deve se estender à usina Tropical, na qual a BP tem 50%. Mas, segundo fontes, a petroleira busca um parceiro operacional para tocar o projeto da Tropical, com a saída já anunciada do Grupo Maeda.


UE pressiona por agricultura 'ecológica'

Autor(es): Assis Moreira
Valor Econômico - 19/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/19/ue-pressiona-por-agricultura-ecologica

A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, adotou ontem seu plano para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), pela qual forçará os produtores a proteger o ambiente para poderem receber os subsídios bilionários.
O plano passará pelo crivo do Parlamento e dos países e será afinado até junho de 2011, para vigorar entre 2014 e 2020. As centrais agrícolas denunciaram a exigência de uma agricultura mais ecológica como ameaça à viabilidade econômica do setor e temem abertura do mercado para as exportações do Mercosul.
As grandes linhas da reforma da PAC, que a reportagem do Valor revelou em 11 de outubro, na prática não vão alterar o volume de subsídios, de € 59,8 bilhões em 2009, representando 40% do orçamento comunitário. O que o texto propõe é um regime de subvenções "mais equilibradas, mais focadas e mais duradouras". Quer limitar as ajudas para as grandes fazendas e introduzir um montante mínimo para apoiar os pequenos produtores.
Bruxelas deseja alterar também os critérios de atribuição das ajudas diretas e ao desenvolvimento das zonas rurais, para que sejam condicionadas a programas ambientais e de combate a mudanças climáticas. A ajuda será dada prioritariamente aos "agricultores ativos".
A distribuição das subvenções será mais equilibrada entre os países. Hoje, a repartição é feita com dados na produção histórica. Para uma média europeia de € 271 de ajuda por hectare aos agricultores, a Bélgica e a Holanda recebem € 460, enquanto produtores de países como a Letônia só embolsam € 95 por hectare.
A discussão agora levará em conta três opções de reforma: a radical, que reduziria substancialmente as subvenções; a manutenção do status quo, com mudanças muito limitadas; e uma solução intermediária, de um regime de ajuda mais equilibrado.
É a terceira opção que se reflete no plano de Bruxelas e o mais suscetível de ter o apoio dos países. França, Espanha, Itália resistem a cortes no orçamento para a agricultura. Já Reino Unido, Suécia e outros querem limitar os gastos no setor e transferir parte do dinheiro para inovação e programas de expansão econômica.
"A agricultura europeia precisa ser não apenas economicamente competitiva, mas também ecologicamente competitiva", afirmou o comissário europeu da Agricultura, Dacian Ciolos, ao apresentar o plano ontem, em Bruxelas.
Sem surpresa, a poderosa central agrícola Copa-Cogeca denunciou que a exigência de "esverdear" a agricultura aumentará os custos já pesados dos produtores. "Perdemos já fatias de mercado, já que devemos respeitar as normas mais elevadas do mundo para garantir rastreabilidade dos produtos alimentares, proteção ambiental e bem-estar animal, e os custos são mais elevados do que os dos concorrentes", afirmou em comunicado o irlandês Padraig Walshe, presidente da Copa-Cogeca.
Para o líder agrícola, "pior ainda é que a Comissão mantém seus projetos de liberalização do comércio com o Mercosul". Para eles, o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai "fazem uso de aceleradores de crescimento para sua produção de carne, enquanto isso é interditado na UE".
Insistindo em denúncia já refutada várias vezes pelo Mercosul, Padraig acrescenta no comunicado: "Os controles de antibióticos (no Mercosul) são limitados e a produção é feita com ajuda de organismos geneticamente modificados". Um acordo comercial provocaria métodos de agricultura mais intensivos e desmatamento nos países do Mercosul, o que vai contra o objetivo europeu de agricultura sustentável.
A central agrícola diz só aceitar que os agricultores forneçam mais serviços ambientais em base voluntária, e não obrigatória, como está previsto no plano.
Os agricultores europeus alegam que sua renda caiu 25% nos últimos dez anos e essa é uma razão pela qual são tão dependentes dos subsídios. Paolo Bruno, presidente da Cogeca, reclama também do peso do setor de distribuição de alimentos. Exemplifica que o distribuidor ganha até 30 vezes mais que o preço pago aos agricultores.


Terminais planejam atingir capacidade de 1 bilhão de toneladas

Autor(es): Fernanda Pires
Valor Econômico - 19/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/19/terminais-planejam-atingir-capacidade-de-1-bilhao-de-toneladas

 
O crescimento de volume nos portos e a perspectiva de que a curva de movimentação de cargas continue ascendente a médio prazo puseram em marcha uma série de investimentos da iniciativa privada na ampliação de terminais. Segundo a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), em quatro anos o Brasil chegará a quase 1 bilhão de toneladas, ante aproximadas 760 milhões deste ano. Os aportes recaem sobre todo tipo de instalação - desde as que movimentam commodities (carga de menor valor agregado) até as que operam contêineres, onde tradicionalmente são acondicionadas as mercadorias mais nobres.
A Companhia Siderúrgica Nacional está apostando R$ 410 milhões na expansão dos seus dois terminais arrendados no porto de Itaguaí (RJ) - o Tecar, dedicado à movimentação de granel sólido, e o Sepetiba Tecon, que manuseia contêiner.
O Tecar responde por cerca de 60% do volume de granel sólido escoado por Itaguaí, o segundo porto público em tonelagem, atrás de Santos. Neste exercício a CSN embarcará 27 milhões de toneladas de minério de ferro, bem perto da capacidade estática do terminal, de 30 milhões de toneladas. Já em 2011, a projeção é exportar 31,3 milhões de toneladas. "Estamos fazendo algumas melhorias operacionais que vão permitir passar o pico da capacidade instalada", diz o diretor de Portos da CSN, Davi Emery Cade. Os R$ 270 milhões destinados ao Tecar permitirão capacidade para movimentar 45 milhões de toneladas anuais. A expectativa é que em 2012 já seja possível chegar próximo à marca. "E aí os investimentos continuam para atingirmos outras capacidades", explica o executivo, dando o tom da necessidade mundial por minério, que tem a China como maior destino.
A demanda é tamanha que a Companhia Docas do Rio de Janeiro está com um pedido na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para implantação de um novo terminal no porto fluminense - além da CSN, a Vale conta com um empreendimento no complexo.
A nova instalação deverá ter capacidade para 25 milhões de toneladas. "Aí serão três terminais para granéis com capacidade total que passaria de 80 milhões de toneladas", diz o presidente da autoridade portuária, Jorge Mello.

Outro que figura entre os líderes no ranking de movimentação por tonelagem, o porto de Tubarão (ES), controlado pela Vale, responde por 80% da movimentação de carga geral da companhia e por cerca de 34% do mercado transoceânico de minério de ferro e pelotas da empresa no Brasil. No acumulado do primeiro semestre, escoou 48,28 milhões de toneladas de minério de ferro - a totalidade da carga vai para o mercado externo.
A Vale não faz projeções, mas mantido no segundo semestre o ritmo da primeira metade do ano, poderá encerrar o exercício com mais de 96,5 milhões de toneladas do granel escoadas, ante 80,48 milhões de toneladas alcançadas em 2009. Ainda assim, abaixo das 98 milhões de toneladas de minério de 2008.
A ampliação portuária está na agenda do dia. O porto de Vitória (ES), por exemplo, tem dois terminais arrendados, um para contêineres e outro para fertilizantes e carga geral. Por ano, são menos de 10 milhões de toneladas. Ocorre que o complexo está encravado na cidade e tem sérias limitações que dificultam a operação de navios de grande porte. Hoje está restrito a receber os chamados handysize, com capacidade para até 2 mil Teus (contêineres de 20 pés). Com o projeto de dragagem e derrocagem, será possível atrair os panamax (até 4.500 Teus). Um avanço necessário, mas insuficiente. "Esse é um investimento que dá uma sobrevida ao porto, mas não temos como avançar além disso. Em outras palavras, Vitória não poderá operar grandes conteineiros e graneleiros", diz o diretor-presidente da autoridade portuária de Vitória, Angelo Baptista .
A alternativa será a construção de um novo porto do zero, o chamado Superporto de águas profundas, que ficará na região de Praia Mole. Será um multipropósito mas com foco principal em contêiner. Atualmente estão em curso os estudos de viabilidade e a ideia é que o empreendimento, com profundidade de 18 metros, tenha capacidade para movimentar 2 milhões de Teus e 50 milhões de toneladas de granéis sólidos. A perspectiva é que em 2012 seja possível licitar a obra.
"É uma necessidade do país. Na Europa existem vários portos concentradores. Não dá para imaginar que Santos sozinho vai atender isso. É o grande porto e continuará a ser, mas é razoável termos de três a quatro portos no arco da região Sudeste atendendo a demanda futura, olhando no grande prazo", diz Baptista.
Responsável por quase um quarto da balança comercial passando por seu canal de navegação, Santos opera no limite e aposta num ambicioso plano de duplicação da área para atender um volume projetado de 230 milhões de toneladas em 2024 - aumento de 140% sobre as 95,5 milhões de toneladas estimadas para 2010. Para dar conta do recado atual, estão em curso investimentos que perfazem R$ 3,18 bilhões em ampliações e novos terminais. Dois deles terão dimensões semelhantes ao Tecon Santos - Embraport e BTP, cujos investimentos representam R$ 1,2 bilhão e R$ 1,6 bilhão, respectivamente, segundo a autoridade portuária.
Apesar de defender a tese do ganho de escala, que privilegia grandes instalações para baratear os custos de operação, o presidente do porto de Santos, José Roberto Serra, alerta para a necessidade da existência de empreendimentos médios. "Não é certo pensar que Santos só vai receber megaembarcações. Nós vamos continuar com navios de porte médio, de 3ª e 4ª gerações. Os de 5ª e 6ª vão chegar para os grandes terminais. Mas quem atende os menores? E a cabotagem? São os terminais de porte médio", responde.
Tanto faz sentido, diz Serra, que o Tecondi está investindo cerca de R$ 185 milhões na ampliação de sua capacidade para movimentar 700 mil Teus por ano.
De toda maneira, a expansão da oferta para contêineres em Santos é premente. O porto já trabalha muito próximo do teto de 3 milhões de Teus que o conjunto de instalações pode operar anualmente: 2010 deve recuperar os patamares de 2008, quando foram escoados 2,8 milhões de Teus em Santos.
"Existe uma discussão imensa sobre se a capacidade atual portuária brasileira é suficiente. Na minha visão, o maior problema não é falta de porto, é a infraestrutura de acessos", diz Cade, da CSN.
Especificamente sobre o segmento de contêineres, ele sustenta que vários terminais têm planos de expansão e boa parte tem capacidade ociosa, como é o caso do Sepetiba Tecon, em Itaguaí. Hoje o terminal está operando com 60% de seu potencial, que é de 450 mil Teus por ano. As obras de ampliação preveem R$ 140 milhões em equipamentos e complementação do berço de atracação para aumentar a oferta, que saltará para 600 mil Teus. "Estamos a 300 quilômetros em linha reta e temos capacidade para ajudar a desafogar Santos", avisa.

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