quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cemig ainda mantém interesse nos ativos da Elektro em São Paulo

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/1/cemig-ainda-mantem-interesse-nos-ativos-da-elektro-em-sao-paulo
Autor(es): César Felício
Valor Econômico - 01/12/2010

O presidente da Cemig, Djalma Moraes, afirmou que a estatal mineira de energia ainda não descartou fazer uma proposta para a compra da Elektro, distribuidora de energia elétrica no interior de São Paulo, que está avaliada em cerca de R$ 6 bilhões. Moraes afirmou que o obstáculo para a Cemig, por ora, é a dificuldade em encontrar parceiros para fazer a aquisição.
"Era preciso trazer pessoas que ficassem com certos ativos, o que está tornando a operação complexa", disse o presidente da estatal mineira, citando como áreas sem interesse para a Cemig a exploração de gás no exterior. Moraes afirmou que a empresa está examinando os números da Elektro desde abril.
A empresa com atuação em São Paulo é disputada também por outros agentes no mercado, como a CPFL, distribuidora de área contígua a da Elektro e controlada pelo grupo Camargo Corrêa, além da Iberdrola , BTG Pactual e Andrade Gutierrez. O interesse da Cemig era integrar um consórcio. Os vendedores já deixaram claro que só concretizarão o negócio se todos os ativos forem vendidos em bloco.
A estatal mineira ainda está consolidando a compra da Light, distribuidora de energia elétrica do Rio de Janeiro, concretizada na última semana de dezembro de 2009. Há dois meses, um de seus sócios, o fundo Luce Brasil, exerceu o direito de venda de ações , gerando a necessidade da Cemig captar mais R$ 700 milhões. O fundo controla 13,03% do capital da Light.
A estatal mineira, contudo, mantém a estratégia de expansão. No último dia 19, em São Paulo, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Barroso, que também é o presidente do conselho de administração da Cemig, anunciou para o primeiro trimestre de 2011 uma "aquisição de vulto" na área de transmissão e geração, o que indica que Barroso não estava se referindo à Elektro, uma distribuidora.
Nos últimos dois anos, a Cemig adquiriu outros ativos além da Light, como a compra da empresa de transmissão Terna, que era de capital italiano.
Embora o governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) tenha sido reeleito, nem Barroso, nem Moraes estão com a permanência assegurada em seus cargos. Oriundo do setor privado, Barroso tem sua substituição como provável. Já Moraes pode ter outro fim. Apoiado pelo senador eleito e ex-presidente Itamar Franco (PPS), ele pode ficar.

Chineses vão quitar dívida da Plena com BNDES

Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico - 01/12/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/1/chineses-vao-quitar-divida-da-plena-com-bndes

 
 
O grupo chinês State Grid, que comprou por mais de R$ 3 bilhões a Plena, de transmissão de energia, se recusou a cumprir as exigências do BNDES e decidiu quitar a dívida de quase R$ 1,5 bilhão que a transmissora tinha com o banco. Para transferir a titularidade dos empréstimos, contraídos pelos espanhóis que eram donos da Plena, o banco exigiu sócio brasileiro, além de equipamentos e mão de obra locais. Tantas condições têm um motivo: a entrada dos chineses no setor elétrico brasileiro acendeu a luz amarela do governo federal.
Fonte graduada ligada ao governo diz que estão em estudo formas de se inserir regras, como índice de nacionalização, ou artifícios do gênero que dificultem uma invasão chinesa no país, mas que não acabem por ferir as regras mundiais de comércio. O medo é que o poder de fogo dos chineses acabe por fazer com que o setor elétrico seja dominado pelos asiáticos. No ano passado, eles compraram parte significativa do grupo AES nos Estados Unidos, que tem ativos importantes de distribuição no Brasil.
Sem a transferência do empréstimo do BNDES, a conta da aquisição da Plena para os chineses, que já era considerada alta, ficou quase 50% mais cara. As condições do financiamento do BNDES seguiam as regras de crédito para o setor, ou seja, juros baixos e a longo prazo. Eram garantidas pelos grupos espanhóis Isolux Corsan, Abengoa, Elecnor e Cobra, até então donos das linhas de transmissão reunidas na Plena. O banco não comentou o assunto. Mas o Valor apurou que a decisão de quitação de dívida já foi informada à instituição.
Não foi só no BNDES que os chineses encontraram dificuldades. Apesar de terem tido facilmente aprovada a transferência de controle societário pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, esta última também tem imposto condições. A State Grid tinha a intenção de trocar a dívida do BNDES por outra de algum banco chinês, mas a Aneel exigiu que não fosse feita por nenhuma holding e que fosse aprovada previamente pela agência. O objetivo é de que seja garantido que as condições de um novo empréstimo pelo menos se igualem às que a Plena tinha.
Mesmo com as dificuldades impostas, fontes ligadas ao banco e à Aneel contam que a State Grid vai manter o negócio. O banco Standard, que assessorou os chineses na operação, foi procurado, mas um dos executivos ligados à operação não quis dar quaisquer informações e tampouco soube passar os contatos dos chineses no Brasil.
Enquanto isso, os espanhóis esperam a liquidação financeira da aquisição que foi feita em duas partes. Isolux, Elecnor e Cobra venderam juntas 75% das ações que por R$ 3,1 bilhões. Depois a Abengoa vendeu os 25% restantes, em operação separada que exigiu inclusive um processo à parte no Cade. Estima-se que no total, já considerando o pagamento ao BNDES, o custo ultrapasse R$ 5 bilhões.
Os espanhóis decidiram se desfazer dos ativos depois do sucesso da venda da Terna Participações, que pertencia aos italianos, para a Cemig por cerca de R$ 2,5 bilhões. A própria Cemig entrou na concorrência para comprar as linhas da Plena, mas desistiu porque entendeu que o valor pedido pelos vendedores era muito elevado.

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